São Paulo

Justiça absolve 14 PMs da Rota acusados de executar suspeitos desarmados com 16 tiros

Júri popular aceita tese de legítima defesa e absolve policiais que eram réus por homicídio doloso e fraude processual

Em um veredicto que causou forte repercussão, o júri popular de São Paulo absolveu nesta terça-feira (23) 14 policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) que eram acusados de matar a tiros dois homens desarmados em 2015, na zona norte da capital, com disparos que chegam a 16 tiros cada, segundo a denúncia inicial.

Justiça absolve 14 PMs da Rota acusados de executar suspeitos desarmados com 16 tiros
Júri popular aceita tese de legítima defesa e absolve policiais que eram réus por homicídio doloso e fraude processual(Nivaldo Lima – São Paulo Agora)

O caso remonta ao dia 6 de agosto de 2015, quando Hebert Lúcio Rodrigues Pessoa e Weberson dos Santos Oliveira foram mortos em Pirituba. A acusação do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) afirmava que os policiais forjaram o local do crime para simular um confronto, plantando armas nas mãos das vítimas para justificar a ação.

Durante o julgamento na 5ª Vara do Júri do Fórum Criminal da Barra Funda, os réus responderam a acusações de homicídio doloso (intenção de matar) e fraude processual. A defesa sustentou que a maioria não teria efetuado disparos e que os demais agiram em legítima defesa, alegando perseguição a um carro roubado com ocupantes atirando contra as viaturas.

Ao final de três dias de debates, testemunhos e interrogatórios, os jurados decidiram pela absolvição de todos os réus. A defesa considerou que a decisão confirma que não houve crime, mas sim uma ação policial dentro dos limites da lei em circunstâncias complexas.

A sentença provocou reações diversas. Para alguns especialistas em segurança pública e direitos humanos, a decisão reabre debates sobre impunidade, transparência nas investigações e responsabilidade policial. Já setores da corporação saudaram a absolvição como demonstração de que o sistema judicial reconheceu a versão dos policiais.

No entanto, o episódio segue emblemático por sua carga simbólica: a execução de suspeitos desarmados, as acusações de forjar cenário de confronto e a aplicação de 16 disparos chamaram a atenção para temas sensíveis como uso da força, fiscalização interna e confiança na Justiça.

Deixe um comentário

Antes de comentar

Mantenha o respeito e contribua para uma discussão saudável. Comentários com ofensas, discurso de ódio, ameaças, spam ou conteúdo ilegal poderão ser removidos.

Ao enviar seu comentário, você concorda com as regras de participação do São Paulo Agora.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nivaldo Lima

Nivaldo Lima é jornalista com 31 anos de experiência, especializado na cobertura de política, segurança pública, trânsito e cotidiano.

Leia também

Botão Voltar ao topo
Fechar

Bloqueador de anúncios

Não bloqueie os anúncios