Morre o Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo

Dom Cláudio Hummes enfrentava um câncer

Morreu hoje (4), em São Paulo, o Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo. Segundo a Arquidiocese da Capital, Dom Cláudio morreu em sua residência, na zona sul.

Aos 87 anos, o Arcebispo enfrentava um câncer e o quadro era considerado irreversível.

“A Igreja em São Paulo rende graças ao Senhor pela vida de Dom Cláudio, por seu exemplo de Pastor zeloso do povo de Deus. O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, convida todos a elevarem preces de louvor e gratidão a Deus e de sufrágio em favor do falecido Cardeal Hummes”, diz comunicado do Vicariato Episcopal para a Pastoral da Comunicação.

Dom Cláudio Hummes estende a mão na direção da imagem de Nossa Senhora aparecida. Enquanto segura uma rosa com a outra mão.
Dom Cláudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo (Thiago Leon/A12)

Inspiração para o nome do Santo Padre

Logo após ser eleito como Papa, em 16 de março de 2013, Jorge Mario Bergoglio revelou que escolheu seu nome, Francisco, após falar com Dom Claudio, que participou do conclave que o elegeu o novo Papa.

“Na eleição, eu tinha ao meu lado o arcebispo emérito de São Paulo, um grande amigo. Quando a coisa começou a ficar um pouco ‘perigosa’, ele começou a me tranquilizar. E quando os votos chegaram a 2/3, aconteceu o aplauso esperado pois, afinal, havia sido eleito Papa. Ele me abraçou, me beijou e disse: ‘não se esqueça dos pobres’. Aquilo entrou na minha cabeça. Imediatamente me lembrei de São Francisco de Assis”, revelou o Papa.

O Sumo Pontífice portanto, escolhe o nome de Francisco. E nós percebemos, então, o quanto este Papa busca aproximar a Igreja dos pobres e mais abandonados, e incessantemente promovendo a paz entre os povos.

Bispo das Cidades

Nascido em 8 de agosto de 1934, em Montenegro (RS), Aury Afonso Hummes (nome de registro) decidiu entregar sua vida inteiramente a Deus desde os 17 anos de idade, quando ingressou, em 1952, na Ordem dos Frades Menores – franciscanos. Ordenado sacerdote em 1958, foi enviado a Roma, onde obteve o doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Antonianum, em 1963.

Nomeado Bispo por São Paulo VI, em março de 1975, Dom Cláudio Hummes assumiu a Diocese de Santo André (SP), em dezembro do mesmo ano, e ali permaneceu por 21 anos, até 1996, quando foi nomeado para a Arquidiocese de Fortaleza (CE).

Em Fortaleza, entre 1996 e 1998, Dom Cláudio coordenou um intenso trabalho com as famílias, especialmente com as mais pobres e endividadas, no contexto da preparação do 2º Encontro das Famílias com São João Paulo II e do Congresso Teológico Pastoral sobre a Família, em outubro de 1997. Também aprovou o reconhecimento canônico em âmbito diocesano dos estatutos da Comunidade Shalom e mobilizou a Arquidiocese em uma campanha de arrecadação para que se viabilizasse na capital cearense uma retransmissora da Rede Vida de Televisão.

Em 1998, São João Paulo II o nomeou como Arcebispo de São Paulo, onde permaneceu até 2006, tendo sido feito cardeal pela Papa em 2001. Na maior metrópole do País, Dom Cláudio preocupou-se com a condição de vida das pessoas mais pobres, fazendo com que a Arquidiocese apoiasse projetos de emprego e geração de renda, e promoveu o “Seminário da Caridade”, a partir de 2001, para mapear todas as ações caritativas que a Igreja em São Paulo realizava naquele momento.

Entre 2006 e 2010, nomeado pelo Papa Bento XVI, Dom Cláudio foi o Prefeito da Congregação para o Clero, no Vaticano. À época, o Cardeal Hummes foi responsável por mais de 400 mil sacerdotes espalhados pelos cinco continentes, um trabalho que ele cumpriu com dedicação, solicitude e obediência ao Santo Padre.

No cargo como Prefeito da Congregação para o Clero, Dom Cláudio contribuiu para a aprovação do Acordo Brasil – Santa Sé, em 2008, trabalhou em prol da canonização do Apóstolo do Brasil, Beato José de Anchieta (algo que seria efetivado em 2014), e dedicou-se para a organização e realização do Ano Sacerdotal, 2009-2010.

Preocupação com a Amazônia

De volta ao Brasil, foi nomeado Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cargo que exerceu até 2019.

Em 2014, ajudou a criar a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), da qual foi o primeiro Presidente. Em 2019, foi Relator-geral do Sínodo para a Amazônia e, de julho de 2020 a março de 2022, presidiu a Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama).

Na Novena Solene, da Festa da Padroeira de 2020, Dom Cláudio afirmou que é preciso construir, junto aos pobres, novos caminhos de justiça e paz, em especial na Amazônia.

“Sabemos o quanto ela é indispensável para o futuro do Brasil e do planeta. Muitos alertam que podemos estar chegando a um ponto sem retorno”, alertou.

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