Vice-presidente Mourão diz que vai tomar vacina contra Covid-19

Recuperado da covid-19, vice-presidente destoa de Bolsonaro
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Hamilton Mourão, vice-presidente da República (Alan Santos/PR)

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta segunda-feira (11/01) que pretende tomar a vacina contra covid-19. A declaração foi feita a jornalistas quando o vice retornava ao trabalho, depois de ficar afastado por duas semanas se recuperando da covid-19.

“[Pretendo tomar a vacina] dentro da minha vez. Eu sou grupo dois de acordo com o planejamento [do Ministério da Saúde]. Não vou furar a fila, a não ser que seja propagandística”, disse o vice, mencionando a possibilidade de tomar vacina antes do prazo previsto como forma de incentivar a população a aderir à imunização.

“Eu acho que a vacina é para o país como um todo, uma questão coletiva, não é individual. Indivíduo aqui está subordinado ao coletivo, nesse caso”, completou o vice, que citou ainda que perdeu dois amigos para a covid-19.

Contraste com Bolsonaro

As declarações de Mourão vão na direção oposta de falas do presidente Jair Bolsonaro nos últimos meses. O chefe de Estado tem afirmado repetidamente que não pretende se vacinar, justificando que essa é uma decisão que diz respeito somente a ele. “Eu não vou tomar vacina e ponto final, problema meu”, disse Bolsonaro em dezembro.

O presidente ainda tem alimentado temores infundados sobre os imunizantes. Em dezembro, ao reclamar das condições impostas pela empresa Pfizer para a compra de vacinas alimentando, ele disse: “Se você virar um jacaré, é problema seu.” 

Paralelamente, redes ligadas ao bolsonarismo tem despejado na internet todo o tipo de informação paranoica sobre vacinas, como fantasias delirantes sobre imunizantes com chips para controle de mente. Seu governo também tem sido acusado de não ter feito um planejamento adequado para iniciar a vacinação.

A posição de Bolsonaro também contrasta com outros líderes mundiais, que estiveram entre os primeiros a tomar a vacina para incentivar suas populações. Entre eles estão até figuras próximas ideologicamente do presidente brasileiro, como o vice-presidente americano, Mike Pence, e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu. Especialistas alertam que a vacinação em massa é fundamentalpara que o Brasil deixe a pandemia para trás e comece a recuperação econômica.

Ainda nesta segunda-feira, Mourão deu detalhes do seu período de afastamento. Mourão foi diagnosticado com o coronavírus em 27 de dezembro. Ele disse ter passado três dias com sintomas mais pesados, mas que posteriormente melhorou. No que parece ter sido um aceno ao bolsonarismo, ele afirmou que tomou uma “medicação preconizada”, incluindo a hidroxicloriquina, o medicamento sem eficácia comprovada que é promovido pelo presidente como “cura”.

Vacina da Pfizer

Em uma entrevista à Rádio Gaúcha concedida nesta segunda-feira, Mourão também disse que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, determinou que a próxima reunião com representantes da farmacêutica Pfizer deve ser gravada “para evitar mal-entendido”.

O governo brasileiro e a empresa têm trocado acusações sobre a compra da vacina desenvolvida pelo laboratório em parceira com a empresa alemã Biontech. Pazuello vem se queixando de condições impostas pela Pfizer e disse que a empresa não ofereceu doses suficientes.

No entanto, a Pfizer vem rebatendo publicamente as acusações do governo, afirmando que fez três diferentes propostas ao Brasil para o fornecimento de 70 milhões de doses. A primeira proposta foi feita em agosto, com previsão de entrega das primeira vacinas em dezembro, o que teria permitido o início da imunização no país já no mês passado. No entanto, nenhum contrato foi assinado.

Dezenas de outros países compraram as vacinas da Pfizer e já iniciaram a vacinação, entre eles México, EUA, Alemanha, Reino Unido e Omã.

Por Deutsche Welle

JPS/ots

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