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Exposição Meteorológica encerra temporada esta semana

(Divulgação)

Público tem até o dia 21 de abril para visitar a exposição ‘Meteorológica’, dos artistas Angela Detanico e Rafael Lain, no Espaço Cultural Porto Seguro. Com curadoria de Rodrigo Villela, a exposição apresenta ao público paulistano um conjunto de 14 trabalhos, a maior parte deles instalações inéditas, criadas a partir das mais variadas linguagens artísticas. Vídeos, textos, animações, objetos, esculturas e instalações se combinam, levando o visitante a refletir não apenas sobre temas diversos, mas sobre o processo mesmo de reflexão e constituição do conhecimento. Entrada gratuita.

Em uma área do Espaço Cultural Porto Seguro que é ao mesmo tempo interna e externa, um trabalho site-specific já enuncia a mostra da dupla e instiga a curiosidade de quem passa pela rua. No corredor envidraçado e panorâmico que conecta dois dos pavimentos do centro cultural, colunas de larguras diversas em vinil preto sucedem umas às outras. A alternância entre transparência e opacidade traz ritmo à entrada da luz no espaço e também entre o dentro e o fora. As faixas de diferentes larguras são na verdade um alfabeto criado pelos artistas e apresentam ao público o título da exposição: ‘Meteorológica’.

“O nome da mostra vem de um tratado homônimo de Aristóteles, em que o filósofo grego fala das coisas físicas do mundo natural. São teorias criadas pela observação e descrição dos fenômenos físicos, materiais, do planeta. Essa é uma ideia que permeia toda a exposição”, afirma Angela Detanico. “Nós tentamos criar nessa mostra um microcosmo. Nesse sentido, fazemos referência também ao Japão, adotando uma concepção japonesa do jardim, marcado por um espaço reduzido, mas que evoca a paisagem das montanhas, dos mares, do oceano”, completa Rafael Lain.

Logo na entrada principal do espaço expositivo, sobre uma parede inclinada, a projeção de ‘Cachoeira do céu’ (2018), vídeo que parte do procedimento de “alongar” verticalmente os pixels de uma fotografia digital do céu, desenhando sobre o suporte uma cachoeira de luz. Em seguida, o visitante se depara com ‘Da luz ao paraíso’ (2018), escultura em aço patinável que traz um percurso gráfico entre os dois bairros paulistanos, configurado conforme sua topografia e seguindo um trajeto afetivo, opção de caminhada dos dois artistas, que já viveram em São Paulo, por lugares de que gostam ou guardam na memória. À frente, Analema (2015) poema escrito na forma de um calendário infinito, em que cada letra corresponde a um dos 365 dias do ano. O percurso da escrita na parede remete à figura que simboliza o infinito.

(Divulgação)

Na mesma sala, ‘Ulysses’ (2017), uma animação construída com o texto do romance homônimo de James Joyce. As palavras se combinam e dão forma a uma silhueta humana, que parece caminhar, apesar de estar fixa em um ponto único. A história avança a cada passo do personagem – a sequência de passos revelando a sequência de frases. Uma jornada tal qual a de Leopold Bloom, protagonista do autor irlandês, que ao longo de 18 horas transita pelas ruas de Dublin de 1904.

No mezanino, ‘Nuvens de São Paulo’ (2018), vídeo projetado em uma das paredes que traz um poema de Memórias sentimentais de João Miramar, romance marco do modernismo brasileiro, obra-prima de autoria de Oswald de Andrade. Com diferentes graus de desfoque, as palavras flutuam no ar e e aos poucos esvanecem.

Ao seu lado, ’28 luas’ (2014), vídeo de 28 minutos que traz o ciclo de 28 dias da lua formado por frases do livro Sidereus nuncius, livro do século XVII, de Galileu Galilei. A obra é considerada o primeiro tratado científico baseado em observações astronômicas realizadas com um telescópio, com uma descrição minuciosa da superfície da lua. As frases aparecem e desaparecem em um movimento de foco e desfoco, que recria a experiência da observação de um corpo celeste através de uma luneta.

Sob os céus, o mar. Formada com minúsculos grãos de sal, a instalação ‘Onda (2010) apresenta a própria palavra que lhe dá título por meio de um alfabeto criado pela dupla. De forma metalinguística, a nova linguagem é caracterizada por ondas de diferentes comprimentos. No sistema inventado pelos artistas, a letra A, por exemplo, é uma onda curta, um pequeno suspiro. Já a letra Z, no fim do alfabeto, é uma onda larga, mais longilínea. No caso da obra, quatro curvas concretizam a palavra onda.

No subsolo do Espaço Cultural Porto Seguro, o visitante se depara com ‘Quadrado branco’, traduções visuais e em movimento de três poemas do japonês Kitasono Katue, um dos mais importantes poetas de vanguarda do Japão – Espaço monótono, Un autre poème e Gestalt do branco.

‘Mares da lua’ (2018) é uma videoinstalação em que os nomes como Mar da TranquilidadeMar da ChuvaMar das Ilhas, e assim por diante, são projetados sobre o chão. Os termos designam planícies basálticas que, vistas da terra, formam manchas escuras na superfície da lua – onde, por algum tempo, pensou-se que houvesse água. Como gotas, pequenos feixes de luz mancham o piso em círculos de pedriscos brancos, que enunciam cada um dos “mares”, pouco a pouco, quase como um sussurro, ao mesmo tempo em que remetem aos jardins japoneses da tradição zen budista.

Pintura mural sobre um fundo preto, ‘Alguma coisa está fora da ordem’ (2018) traz a frase que dá título à obra escrita segundo o sistema “timezonetype”. Criado em 1802 pelo astrônomo e físico norte-americano Nathaniel Bowditch, o sistema associa uma letra do alfabeto a cada uma das 24 divisões de fuso horário do globo. Na obra, o resultado é um novo mapa-múndi, mescla de familiaridade e estranhamento com a representação cartográfica do planeta Terra.

Não por acaso, logo ao lado, ‘Ruído branco (2007), vídeo apresentado por Detanico Lain na Bienal de Veneza. A obra toma uma imagem fotográfica feita por satélite da floresta amazônica, que vai sendo apagada gradualmente. Aos poucos, a mata é tomada por pontos brancos, até desaparecer, ao mesmo tempo em que o aumenta o “ruído branco” da instalação – termo usado para designar sons que o ouvido humano não consegue distinguir como portadores de algum significado, ou cuja fonte não pode ser identificada.

Na última sala da exposição são apresentados os principais registros documentais da produção da dupla: vídeos especialmente desenvolvidos para a exposição e catálogos das principais exposições mundo afora, que acabam por dar a dimensão do trabalho, explorando as relações artísticas do casal com o Brasil.

Por fim, já no pátio externo, duas obras: ‘Percurso’ (2018), escultura metálica construída mais uma vez por um dos códigos concebidos pela dupla. A palavra que a intitula ganha forma a partir de um sistema de equivalência entre barras metálicas e a ordem alfabética. Na fachada do prédio, ‘Entre o ontem e o amanhã’ (2018) uma grande instalação de neon que chama a atenção para seu traçado irregular: é o registro gráfico, tridimensionalizado pela dupla, da linha de fuso horário que determina a mudança de data no calendário, passando de um determinado dia para o seguinte. No mesmo mundo, na mesma hora, nesta linha imaginária é possível que o ontem conviva com o amanhã.

A dupla

Angela Detanico e Rafael Lain trabalham juntos desde 1996. Semiologista e designer gráfico, nascidos respectivamente em 1974 e 1973, em Caxias do Sul (RS), moram e atuam em Paris. Seus trabalhos, em grande parte conceituais, mesclam gráficos, textos, sons e vídeos, quase sempre imbuídos de referências científicas, matemáticas e literárias.

Em 2002, a dupla participou de uma residência artística na capital francesa, no Palais de Tokyo. Dois anos depois, venceu o Nam June Paik, um dos mais prestigiados prêmios internacionais. No mesmo ano, em 2004, Angela e Rafael participam da Bienal de São Paulo, feito que se repete nas duas edições seguintes, em 2006 e 2008. Nesse meio tempo, em 2007, representaram o Brasil na 52ª Bienal de Arte de Veneza.

Ainda em Paris, a dupla deu início a um projeto de colaboração com dois coreógrafos de Quioto, o que rendeu ao casal algumas temporadas no Japão, e, consequentemente, a participação em bienais e exposições pelo país asiático, dotando-os de certa intimidade com a cultura japonesa, algo hoje refletido em sua produção e, mais especificamente, na mostra ‘Meteorológica’.

No Brasil, o casal já participou de uma série de exposições coletivas, a exemplo de Ready Made in Brasil (2017)no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo; e Manifesto Gráfico (2017), no próprio Espaço Cultural Porto Seguro. Entre as individuais, uma série delas na Galeria Vermelho, que os representa; e Alfabeto Infinito (2013), realizada na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. 

Serviço

Meteorológica, mostra de Angela Detonico e Rafael Lain  
Local: Espaço Cultural Porto Seguro 
Endereço: Alameda Barão de Piracicaba, 610. Campos Elíseos – São Paulo
Período expositivo: até 21 de abril
Visitação: de terça a sábado, das 10h às 19h; domingos e feriados, das 10h às 17h
Entrada gratuita  

Capacidade: 305 pessoas

Acessibilidade
O edifício é acessível para pessoas com mobilidade reduzida. A exposição oferece atendimento especial na visitação com mediadores bilíngues em inglês, espanhol e libras mediante agendamento prévio.

Estacionamento
Alameda Barão de Piracicaba, 634 (sede Porto Seguro). De segunda a sexta-feira, gratuito pelo período de até 1h30 (1ª, 2ª e 3ª hora adicionais R$ 10,00 a hora. A partir da 4ª hora adicional, R$ 5,00 a hora). A partir das 17h30 e aos sábados, domingos e feriados – R$ 20,00 (preço único).

Serviço de vans:

O Complexo Cultural Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até o Espaço Cultural Porto Seguro. Na Estação da Luz, o ponto de encontro das vans é na saída da Rua José Paulino / Praça da Luz / Pinacoteca, em frente ao Parque Jardim da Luz. Há instrutores no local para orientar o embarque. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (11) 3226-7361.

Horário de funcionamento do serviço de vans:
Terça a sábado das 9h à 0h. Domingo das 9h às 22h.

Gemma Restaurante:
Aberto todos os dias: segunda, das 12h às 15h; terça, das 10h às 17h; quarta a sexta, das 10h às 21h; sábado, das 11h às 18h; domingo, das 11h às 16h.

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