Aung San Suu Kyi é condenada a 4 anos de prisão

Entidades internacionais criticaram sentença

A líder deposta de Mianmar, Aung San Suu Kyi, foi condenada nesta segunda-feira (06/12) por um tribunal especial a quatro anos de prisão por acusações de incitação à agitação popular e violação de regras sanitárias na pandemia de covid-19, disse um porta-voz da junta militar que governa o país.

A sentença foi criticada pela organização de direitos humanos Anistia Internacional, que afirmou que as acusações são falsas. “As pesadas penas infligidas a Aung San Suu Kyi, com base em acusações falsas, são o mais recente exemplo da determinação dos militares em eliminar toda a oposição e sufocar as liberdades”, afirmou a Anistia.

“A decisão absurda e corrupta do tribunal faz parte de um padrão devastador de sanções arbitrárias”, acrescentou o diretor-adjunto regional da organização, Ming Yu Hah.

Aung San Suu Kyi durante visita de Christine Lagarde, do Fundo Monetário Internacional, em 2013
(Stephen Jaffe/FMI/via Fotos Públicas)

Novos julgamentos

A sentença é a primeira numa série de processos que San Suu Kyi, de 76 anos e Prêmio Nobel da Paz de 1991, enfrenta depois que os militares retomaram o poder, em 1 de fevereiro, por meio de um golpe militar.

Um novo veredicto deve sair na semana que vem. Se for considerada culpada de todas as acusações que enfrenta, ela poderá receber uma pena somada de mais de cem anos de prisão. Entre as acusações estão importação ilegal de walkie-talkies, incitamento à corrupção, sedição e fraude eleitoral. 

O antigo presidente Win Myint foi condenado à mesma pena, acrescentou o porta-voz.

Ambos aguardam os novos julgamentos antes de iniciarem suas penas. O tribunal especial que a julgou não deixou claro se San Suu Kyi terá de ir para a cadeia ou se poderá ficar em prisão domiciliar. A ativista pela democracia já cumpriu penas anteriores de prisão domiciliar, somando 15 anos desde 1989.

Militares alegaram fraude na eleição

Jornalistas não podem assistir aos julgamentos do tribunal especial, e os advogados de Suu Kyi estão proibidos de falar à imprensa.

Desde o golpe de Estado que depôs San Suu Kyi, o Exército tem reprimido violentamente as manifestações contra o regime, em ações que levaram à detenção de cerca de 10 mil pessoas e à morte de pelo menos 1.300 civis, de acordo com ONGs.

Os militares justificaram o golpe com uma alegada fraude eleitoral nas eleições de novembro de 2020, vencidas por ampla maioria pelo partido liderado por Aung San Suu Kyi, a Liga Nacional para a Democracia (NLD), apesar de o escrutínio ter sido considerado legítimo por observadores internacionais.

Por Deutsche Welle
as (Lusa, AP)

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