‘Digam aos meus filhos que eu os amo’, disse brasileira antes da morte

Simone Barreto Silva foi atingida em uma igreja durante atentado na França
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(Redes Sociais/via RFI)

Simone Barreto Silva, a brasileira de 44 anos morta no atentado terrorista à basílica de Nice, na França, na quinta-feira (29), era uma pessoa muito alegre e de “muita fé”, segundo amigos e familiares entrevistados pela RFI. “Esta fatalidade aconteceu no momento em que ela estava fazendo o que ela mais gostava: rezar, pedir a Deus por todos. Pedir saúde, proteção e paz”, conta, emocionada, sua prima Rita de Cássia Barreto.

“Paz é o que a gente está precisando neste momento. E Simone era isso! Antes de ir ao trabalho, ela sempre passava na igreja para agradecer pelo dia e por todas as graças concedidas. Ela era uma pessoa de muita fé, muito católica”, continua Rita de Cássia, visivelmente emocionada. 

“A gente está devastada. É muito difícil você receber a notícia de que uma pessoa foi assassinada dentro de uma igreja, fazendo o que ela mais gostava. A gente não entende isso. A gente está sentindo muito, também por estar longe de nossos familiares que estão no Brasil”, lamenta Rita de Cássia. “Vocês não podem imaginar a dor que a família está sentido, inclusive porque tem três crianças que estão sem a mãe; é muito difícil.” 

Os filhos de Simone têm entre 4 e 14 anos. As últimas palavras dela, segundo testemunhas, foram: “Digam aos meus filhos que eu os amo”.

Dançarina e agitadora cultural

Com a voz embargada, a amiga e dançarina Valeska de Araújo conta que conheceu Simone em Nice, em 1999, quando dançaram juntas no grupo brasileiro Oba Oba. “Nós éramos dançarinas e fazíamos muitos números juntas. Simone era uma pessoa alegre, brincalhona; dentro do camarim, a gente dava muita risada juntas”, diz Valeska, chorando. 

“Toda a comunidade brasileira conhecia Simone. Era uma pessoa maravilhosa, divertida. Ela sempre ia aos eventos brasileiros em Paris e tinha seu evento em Nice, a Festa de Yemanjá. Ela vai deixar saudades e boas lembranças, vou me lembrar sempre do grande sorriso que ela tinha”, finaliza Valeska. 

Simone veio para a França em 1995 para participar de um grupo de dança. Após alguns anos, ela largou a profissão e fez um curso de chef de cozinha. Ultimamente, Simone trabalhava como cuidadora de idosos, mas nunca deixou o lado artístico e cultural de lado, em especial ao participar da organização da Festa de Yemanjá em Nice. 

Simone Barreto Silva, vítima do atentado em Nice em 29 de outubro de 2020, tinha formação em chef de cozinha.
Simone Barreto Silva, vítima do atentado em Nice em 29 de outubro de 2020, tinha formação em chef de cozinha (Redes Sociais/RFI)

Em Nice, como em Salvador

Rita de Cássia conta que a organizadora da Festa de Yemanjá em Nice é Solange Barreto, irmã de Simone. “A festa acontece todos os anos, com o apoio da prefeitura de Nice, e é igual à festa do 2 de Fevereiro em Salvador”, conta Rita, que, junto com Simone, também estava presente a cada ano para saudar a rainha do mar. 

A reportagem da RFI entrou em contato com as irmãs de Simone, mas elas estavam sendo atendidas por um núcleo psicológico  – disponibilizado pelo Estado francês em casos de atentado – e disseram não terem condições de dar depoimentos. 

Ray Santos é amiga de Solange Barreto e conhecia Simone. Esteve com elas nas festas brasileiras como a Lavagem da Madeleine, em Paris, e a Festa de Yemanjá, organizada pela família Barreto em Nice. “Simone era uma pessoa muito alegre, simpática, tinha aquele sorriso que a gente vê nas fotos, sempre.” 

O amigo Robson Batista escreveu nas suas redes sociais: “Tive o privilégio de viver e trabalhar com Simone Barreto e passar momentos inesquecíveis, que guardarei sempre em minha memória”. 

“País-mundo”

“O Brasil é um país-mundo. Todas as diferentes religiões, comunidades, etnias estão representadas. E não podemos esquecer que é também o maior país católico do mundo, em proporção. Simone era muito católica e infelizmente foi vítima deste atentado atroz em uma igreja”, diz Carlos Maciel, cônsul honorário do Brasil em Nice.

O cônsul honorário ainda não tem a informação sobre se o corpo de Simone será enterrado na França ou no Brasil. “Estou em contato com as autoridades e estamos aguardando mais informações. Como se trata de um caso de terrorismo, tem coisa que ainda está em sigilo”, afirma. 

“Com prerrogativas limitadas de um consulado honorário”, Maciel está prestando apoio aos familiares e está em comunicação estreita com o consulado do Brasil em Paris, que, por sua vez, aguarda informações mais concretas do governo francês até o fim do dia.

Por Paloma Varón, da RFI

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