Eleições: ONGs pedem que Estados Unidos reconheçam vencedor rapidamente

ONGs se reuniram nos Estados Unidos para tratar das eleições no Brasil

Representantes de ONGs brasileiras se reuniram nesta terça-feira (26/07) com diplomatas do Departamento de Estado dos EUA e membros do Congresso americano para pedir que Washington reconheça rapidamente o vencedor das eleições presidenciais brasileiras em outubro. O pedido ocorre em meio ao aumento da tensão eleitoral no país sul-americano e ao temor de que o presidente Jair Bolsonaro, que concorre à reeleição, não reconheça uma eventual derrota no pleito.

“A atenção internacional é fundamental neste momento”, disse Paulo Abrão, diretor executivo do Washington Brazil Office (WBO), o think tank que organizou o encontro.

Em um comunicado, delegações de 19 organizações instaram o governo de Joe Biden a “reconhecer imediatamente o resultado” das eleições “tão logo a Justiça Eleitoral divulgue a contagem dos votos, seja quem for o vencedor do pleito”.

“Proteger a integridade do sistema eleitoral brasileiro e do processo eleitoral é urgente e vital para a sobrevivência da democracia”, afirmou Flávia Pellegrino, da ONG Pacto pela Democracia. “Não é apenas bravata ou especulação. Estamos diante de um processo golpista em curso no Brasil. Queremos que os resultados das eleições sejam reconhecidos e respeitados, ganhe quem ganhar”, acrescentou.

Nos últimos meses, Bolsonaro tem multiplicado ataques contra as autoridades eleitorais e frequentemente tenta minar a confiança no sistema de votação eletrônico do país, afirmando, sem provas, que ele é passível de fraude.

As acusações infundadas de Bolsonaro crescem conforme seu nome aparece em desvantagem nas pesquisas eleitorais. Segundo o último Datafolha, Bolsonaro pode perder para seu principal adversário, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, já no primeiro turno.

A comitiva das ONGs que foi aos EUA incluiu representantes do Instituto Vladimir Herzog, da Transparência Internacional, da Comissão Arns e de organizações do movimento negro, ambientalistas e grupos LGTBQ, que apontam que houve um “aumento da perseguição” no Brasil nos últimos anos. As ONGs também afirmaram temer que “a situação piore se as eleições de outubro não forem realizadas de maneira livre”.

O Departamento de Estado dos EUA confirmou a reunião. “O Brasil tem um forte histórico de eleições livres e justas, com transparência e altos níveis de participação dos eleitores”, disse um porta-voz da pasta responsável pela diplomacia americana. Rejeitando implicitamente as alegações de fraude de Bolsonaro, o porta-voz completou: “Estamos confiantes de que a eleição de 2022 no Brasil refletirá a vontade do eleitorado.”

Sanders traça paralelo com Trump

Os representantes brasileiros também realizaram encontros com o deputado Mark Takano e com os senadores Bob Menéndez e Bernie Sanders, todos do Partido Democrata, o mesmo do presidente americano Joe Biden.

Em um vídeo divulgado pelo Brazil Office, Sanders falou sobre o encontro e traçou um paralelo entre a situação no Brasil e as ações do ex-presidente Donald Trump em janeiro de 2021, quando o republicano não aceitou a derrota para Joe Biden nas eleições presidenciais americanas e instigou uma turba de extremistas a invadir a sede do Congresso dos EUA.

“Infelizmente, isso tudo soa muito familiar para mim por causa dos esforços de Trump e seus amigos para minar a democracia dos Estados Unidos, então eu não estou surpreso que Bolsonaro tente fazer o mesmo no Brasil”, disse o senador.

EUA pedem respeito à democracia no Brasil

Nos últimos dias, diante dos ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral, o governo dos EUA tem divulgado comunicados pedindo respeito à democracia no país sul-americano.

Um dia depois de Bolsonaro organizar um encontro com embaixadores para atacar o sistema eleitoral, a embaixada dos EUA em Brasília, como contraponto às falas do presidente brasileiro, afirmou que as eleições brasileiras são um modelo para o mundo e que os americanos confiam na força das instituições do Brasil.

Nesta terça-feira, em viagem ao Brasil, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, enfatizou a necessidade de os militares estarem sob firme controle civil.

As relações entre o governo Joe Biden e Bolsonaro são frias, apesar de algumas tentativas recentes de reaproximação. Bolsonaro torceu abertamente na última eleição americana para Donald Trump, o rival de Biden. Depois da derrota do republicano, Bolsonaro chegou a endossar falsas acusações de fraude no pleito dos EUA. O Brasil também acabou sendo o último país do G20 a reconhecer a vitória de Biden. Até mesmo adversários dos EUA, como Rússia e China, foram mais rápidos que o governo brasileiro em reconhecer o resultado das eleições americanas.

jps/lf (AFP, ots)

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