Governo da Venezuela suspende companhia aérea TAP

TAP transportou líder da oposição, Juan Guaidó, e a comitiva dele.
Nicolás Maduro durante visita a Rússia (Arquivo/Kremlin/via Fotos Públicas)

O Governo de Nicolás Maduro decidiu nessa segunda-feira (17) suspender, por 90 dias, as operações da companhia aérea portuguesa TAP na Venezuela. Caracas acusa a empresa de ter violado “padrões internacionais” ao permitir, supostamente, o transporte de explosivos, e por ter ocultado a identidade do líder da oposição, Juan Guaidó, em um voo com destino à capital venezuelana.

“Devido às graves irregularidades cometidas no voo TP173 e em conformidade com os regulamentos nacionais da aviação civil, as operações da companhia aérea TAP ficam suspensas por 90 dias”, disse o ministro dos Transportes da Venezuela, Hipólito Abreu, na conta da rede social Twitter.

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A companhia aérea afirmou à RTP, emissora pública de TV de Portugal, que “não compreende as razões desta suspensão da operação para a Venezuela por 90 dias, uma vez que cumpre todos os requisitos legais e de segurança exigidos pelas autoridades de ambos os países.”

As acusações do Governo de Nicolás Maduro surgiram dia 13 de fevereiro, um dia depois de Guaidó ter voltado à Venezuela após uma viagem internacional de três semanas. O presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello, confirmou que as autoridades tinham prendido o tio de Juan Guaidó, que integrava a comitiva do líder da oposição a Maduro, ao chegar ao Aeroporto de Maiquetia, vindo de Lisboa, a bordo de um avião da TAP.

Segundo o Governo venezuelano, Juan Marquez, tio de Guaidó que acompanhava o sobrinho nesse voo, transportou “lanternas de bolso táticas” que escondiam “substâncias químicas explosivas no compartimento da bateria”.

Guaidó e Lisboa repudiam acusações

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó (Arquivo/Agência Brasil)

Cabello acusou ainda o Governo português e a TAP de conivência. As autoridades venezuelanas consideraram que a TAP, nesse voo entre Lisboa e Caracas, violou normas de segurança internacionais, permitindo explosivos, e também ocultou a identidade do autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, na lista de passageiros, embora a segurança aeroportuária não seja da responsabilidade das companhias transportadoras.

O Governo português, por meio do ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva, repudiou as acusações de Caracas, e que não fazem qualquer sentido.

Durante viagem à Índia, na sexta-feira (15), o Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, foi questionado pelos jornalistas sobre a recente polémica com a Venezuela. Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que a posição portuguesa “é conhecida”, defendendo a “serenidade, bom senso e racionalidade”.

O Presidente da República defendeu o diálogo e deu prioridade à realização de eleições presidenciais no país que “legitimem um processo pacífico de evolução futura”.

O Governo português pediu, apesar de tudo, um inquérito para averiguar a veracidade das acusações que envolvem a transportadora aérea portuguesa, dizendo não ter qualquer indício de irregularidades no voo que transportou Marquez e Guaidó. Juan Guaidó reagiu com garantias de que não voltou de forma clandestina à Venezuela, tendo viajado sob o próprio nome. Acusou também o regime de Nicolás Maduro de se expor ao ridículo nas acusações que fez à TAP.

*Com informações da RTP – Emissora Pública de Portugal

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