Itália detecta caso de nova variante da covid-19 identificada no Reino Unido

Paciente viajou recentemente ao Reino Unido
Voluntários da ANPAS prestam assistência na Itália no combate ao Covid-19 (Arquivo/Anpas/via Fotos Públicas)

As autoridades sanitárias da Itália detectaram um primeiro caso de infecção com a mesma variante de coronavírus identificado no Reino Unido, comunicou o Ministério da Saúde em um comunicado emitido neste domingo (20/12). A nova cepa do coronavírus tem se espalhado pelo Reino Unido e, segundo o governo britânico, pode ser até 70% mais contagiosa do que as variantes anteriores.

O departamento científico do hospital policlínico Celio, em Roma, sequenciou o genoma e identificou a mesma variante do vírus Sars-CoV-2 encontrada em solo britânico em uma pessoa que retornou do Reino Unido à Itália nos últimos dias. O paciente e seu companheiro desembarcaram no aeroporto Fiumicino, na capital italiana.

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As autoridades comunicaram que o casal seguiu todos os procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, assim como outros integrantes da família e contatos próximos. O casal e os parentes estão em isolamento.

Ainda no domingo, o governo italiano suspendeu os voos provenientes do Reino Unido. “O Reino Unido lançou um alerta sobre uma nova forma de covid-19 que seria o resultado de uma mutação do vírus. Como governo temos o dever de proteger os italianos e por esse motivo vamos assinar com o ministro da Saúde um decreto de suspensão de voos com o Reino Unido”, escreveu o ministro do Exterior, Luigi Di Maio, em seu Facebook.

O ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza, assinou a ordem de suspensão de voos e também proibiu a entrada na Itália daqueles que estiveram em território britânico nas últimas duas semanas. Quem já tiver retornado precisará passar por um teste de covid-19, disse Speranza em comunicado, em que pediu ainda “a maior prudência possível”. A decisão será válida até 6 de janeiro.

Além da Itália, vários outros países europeus – entre eles Bélgica, Holanda, França e Alemanha – também impuseram proibições à chegada de voos do Reino Unido a seus territórios, após relatos do surgimento em solo britânico desta nova cepa do coronavírus.

A Bélgica também proibiu o tráfego ferroviário vindo do Reino Unido. A suspensão foi de apenas um dia e foi descrita pelo governo como uma medida de precaução. O primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, afirmou que o governo belga pretende juntar mais informações até terça-feira para decidir os próximos passos.

A França suspendeu qualquer forma de tráfego – aéreo, ferroviário e rodoviário – entre os dois países. A suspensão deve durar 48 horas.

Nova cepa já deve estar presente em mais países

Ao anunciar no sábado a descoberta da nova variante, o premiê britânico, Boris Johnson, afirmou que dados preliminares sugerem que a mutação do Sars-CoV-2 pode ser até 70% mais transmissível. O secretário britânico de Saúde, Matt Hancock, disse que a nova variante do coronavírus está fora de controle e que a situação “é mortalmente grave”. Até o momento, porém, especialistas acreditam que a nova variante não seja mais mortal ou mais resistente às vacinas.

A variante já pode ser encontrada em todo o Reino Unido, com exceção da Irlanda do Norte, mas está concentrada sobretudo em Londres, e no Sudeste e no Leste da Inglaterra.

Dados da organização Nextstrain, que vem monitorando os códigos genéticos de amostras do vírus mundo afora, sugerem casos na Dinamarca e na Austrália provenientes do Reino Unido. A Holanda também já reportou casos da nova cepa. Uma variante surgida na África do Sul apresenta mutações semelhantes, mas parece não ter relação com a cepa identificada em solo britânico.

Segundo o cientista Daniel Prieto Alhambra, professor de Farmacoepidemiologia da Universidade de Oxford, a nova variante do coronavírus pode ter infectado pessoas de vários países europeus nas últimas semanas. Em entrevista a uma rádio espanhola, ele explicou que um mês atrás já se falava no campo científico de uma possível mutação do Sars-CoV-2 que seria mais contagiosas.

O pesquisador disse que ainda é muito cedo para cravar se a variante é a causa do aumento súbito de casos em Londres, na Alemanha, na Itália e na Espanha, mas frisou que é quase certo que a nova cepa está em vários países da Europa.

Mutação e imunidade de rebanho

Prieto Alhambra, que também é integrante do conselho de especialistas que assessora a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em vacinas contra a covid-19, disse que as primeiras indicações são de que a mutação ocorreu na proteína S do vírus, o que permite que ele se agarre melhor às células e, consequentemente, seja mais contagioso.

Caso a teoria seja confirmada, Pietro Alhambra afirmou que será necessário vacinais mais pessoas para que seja atingida a chamada “imunidade de rebanho”. Ele também previu que, em qualquer caso, não será possível falar sobre o início do controle da pandemia por mais meio ano. 

Na semana passada, a Europa se tornou a primeira região do mundo a superar a marca de 500 mil mortes por covid-19. Muitos países europeus retomaram um lockdown rigoroso e devem estica-lo até meados de janeiro. Desde o surgimento do novo coronavírus, a doença já matou quase 1,7 milhão de pessoas e infectou pouco menos de 77 milhões de pessoas. 

PV/efe/afp

Por Deutsche Welle

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