Missão da OMS visita mercado na China onde teria surgido a covid-19

Mercado está fechado desde janeiro de 2020
Sede da Organização Mundial da Saúde, na Suíça (Liu Qu/Xinhua)

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que investigam a origem do coronavírus Sars-CoV-2, causador da covid-19, visitaram neste domingo (31/01) o mercado na cidade chinesa de Wuhan onde teria ocorrido a transmissão do vírus de algum animal para os seres humanos.

O mercado, onde eram vendidos animais selvagens vivos, está fechado desde janeiro de 2020. Apenas a entrada da equipe da OMS, sob um forte esquema de segurança, foi permitida pela autoridades chinesas. Os especialistas ficaram cerca de uma hora no local e partiram sem falar com jornalistas.

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Antes do fechamento, dividido em seções de carnes, frutos do mar e vegetais, o mercado atraía centenas de consumidores diariamente. Hoje, ele se tornou um marco na cidade, onde novo coronavírus foi detectado pela primeira vez.

Em 31 de dezembro de 2019, após quatro casos de uma pneumonia misteriosa relacionadas ao mercado, o local foi fechado do dia para noite. Com o rápido aumento de casos na cidade de 11 milhões de habitantes, Wuhan decretou um lockdown de 76 dias.

Segundo especialistas, o mercado ainda desempenha um papel importante para a investigação sobre a origem do Sars-CoV-2, uma vez que o primeiro grupo de casos detectados foi identificado lá.

Atraso na investigação

Após a chegada em Wuhan, a equipe cumpriu uma quarentena de 14 dias, e desde de quinta, quando iniciaram a investigação local, visitaram hospitais, mercados e uma exposição que comemora a batalha bem sucedida da cidade contra o vírus.

A OMS afirmou na sexta que a missão se limitará as visitas organizadas pelo país anfitrião e não terá contato com a população local devido às restrições sanitárias impostas na China.

Programada para começar no início de janeiro, a investigação da OMS foi afetada por atrasos, preocupação em relação ao acesso aos locais necessários e disputas entre China e Estados Unidos, que acusaram Pequim de esconder a extensão do surto e criticaram os termos para a missão. Especialistas chineses conduziram a primeira parte da pesquisa.

A equipe da missão é composta por especialistas em medicina veterinária, virologia, segurança alimentar e epidemiologia. No entanto, é improvável que as origens do vírus sejam confirmadas com apenas uma única visita. Identificar o reservatório animal de um surto costuma levar anos e a pesquisa inclui recolhimento de amostras de animais, análises genéticas e estudos epidemiológicos.

Missão sensível para Pequim

A presença de dez especialistas internacionais é considerada sensível para o regime chinês, que quer evitar qualquer responsabilidade por uma pandemia que já matou mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo.

A imprensa estatal e as autoridades têm difundido informações que indicam que o vírus teve origem no exterior, possivelmente via importação de alimentos congelados, o que é rejeitado pela OMS. Por vezes apontam para a Itália, outras vezes para Estados Unidos ou até para Índia como locais de origem da doença.

“Não é uma questão de encontrar um país ou autoridades responsáveis. É uma questão de entender o que aconteceu para reduzir os riscos no futuro”, ressaltou o epidemiologista Fabian Leendertz, do Instituto Robert Koch, responsável pela prevenção e controle de doenças na Alemanha. “É preciso entender o que aconteceu para evitar que volte a acontecer”, acrescentou o cientista, que participa da missão.

Por Deutsche Welle

cn (Reuters, Lusa, AP)

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