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Primeiro-ministro japonês renuncia por problemas de saúde

Shinzo Abe estava no cargo havia quase 8 anos.
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Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, e Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão, durante encontro em Davos, na Suíça, em 2019
(Alan Santos/PR)

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, anunciou nesta sexta-feira (28/08) sua renúncia ao cargo devido a problemas de saúde. Abe ocupa a chefia do governo japonês há sete anos e oito meses.

“Agora que não posso cumprir o mandato do povo com confiança, decidi que não devo mais ocupar o cargo de primeiro-ministro”, disse Abe em coletiva de imprensa, justificando a decisão com a recorrência de uma colite ulcerativa – doença crônica que causa inflamação e úlceras no cólon e no reto – que o atormenta há muitos anos. O premiê de 65 anos afirmou que voltou a se sentir fadigado em meados de julho.

“As minhas condições de saúde não são perfeitas. Uma saúde fraca pode resultar em decisões políticas errôneas”, acrescentou Abe, destacando que, “em política, o mais importante é gerar resultados”. Questionado por jornalistas, ele se recusou a falar sobre nomes de um eventual sucessor.

Sua decisão desencadeará, provavelmente ao longo das próximas duas ou três semanas, uma corrida pela liderança do Partido Liberal Democrata. O escolhido manterá o cargo de primeiro-ministro do Japão até o final do mandato de Abe, em setembro de 2021.

Idas ao hospital

As especulações sobre uma possível renúncia de Abe devido a problemas de saúde atingiram o auge nos últimos dias, depois que o premiê japonês realizou num hospital dois exames médicos não especificados.

Abe, um conservador de direita, assumiu o posto de primeiro-ministro pela segunda vez em 2012. Antes disso, ele ocupou o cargo de 2006 a 2007, mas renunciou após apenas um ano no posto. Na época, Abe também citou motivos de saúde, mas sua renúncia veio após uma série de escândalos de corrupção, gafes de subordinados em seu gabinete e uma significativa derrota eleitoral de seu partido.

Na última segunda-feira, Abe se tornou o mais longevo chefe de governo japonês ao bater o recorde estabelecido por seu próprio tio-avô, Eisaku Sato, que se manteve no cargo por sete anos e 240 dias.

Projetos polêmicos e queda de popularidade

No entanto, Abe tem visto recentemente sua popularidade despencar para os níveis mais baixos registrados em sua gestão. Parte do descontentamento está relacionada à resposta do primeiro-ministro à pandemia de coronavírus – muitos sentem que ele priorizou a economia em detrimento da saúde e mostrou falta de liderança.

A prisão de um ex-ministro da Justiça e de sua esposa, suspeitos de terem comprado votos, também afetou as taxas de popularidade de Abe.

Sua política econômica de defender um afrouxamento monetário ousado e gastos fiscais, apelidado de “Abenomics”, encontrou obstáculos em meio à queda nas exportações devido à guerra comercial entre Estados Unidos e China. A pandemia também afetou negativamente a economia – o Japão fechou um terceiro trimestre consecutivo de declínios.

Abe ainda é conhecido por sua intenção de revisar a Constituição pacifista do Japão, algo que preocupava muitos japoneses que creditam ao documento décadas de paz no período pós-guerra. As suspeitas de que ele defende um certo militarismo foram reforçadas por sua visita em 2013 ao Santuário Yasukuni de Tóquio, um memorial aos japoneses mortos em guerra, com centenas de criminosos de guerra condenados entre os homenageados.

Nos anos seguintes, Abe não visitou o controverso santuário pessoalmente, mas enviou oferendas ao local no tradicional 15 de agosto, quando o Japão celebra o fim da Segunda Guerra Mundial.

Embora não tenha conseguido levar adiante seu plano de revisão da Constituição japonesa, Abe cumpriu as promessas de aumentar os gastos com as Forças Armadas. Seu governo também reinterpretou a Constituição para permitir que as tropas japonesas participem de batalhas no exterior pela primeira vez desde a Segunda Guerra.

PV/afp/rtr


*Deutsche Welle é a emissora pública da Alemanha

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