Talibã pede para falar na Assembleia-Geral da ONU

Grupo argumenta que está no poder no Afeganistão e que deve representar o país
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(Wang Ying/Xinhua)

O regime do grupo fundamentalista Talibã, que governa o Afeganistão, pediu para discursar na Assembleia-Geral da ONU, que começou nesta terça-feira (21/09) em Nova York.

O pedido foi feito numa carta enviada à Secretaria-Geral da ONU pelo ministro do Exterior talibã, Amir Khan Muttaqi. O documento também pede a nomeação de um novo representante do Afeganistão nas Nações Unidas, Suhail Shaheen, substituindo o atual, Ghulam Isaczai, que havia sido escolhido pelo governo afegão deposto.

Segundo a Secretaria-Geral, a ONU já havia recebido outra carta, de Ghulam Isaczai, apresentando-se como o líder da delegação do país nas reuniões da Assembleia-Geral.

Segundo a ONU, as duas cartas foram endereçadas ao comitê de credenciais da Assembleia-Geral, organismo formado por nove países, entre os quais Estados Unidos, China e Rússia, que é responsável pela resolução desse tipo de conflito e que opera normalmente procurando o consenso.

A solicitação, por si só, não garante que os talibãs poderão discursar perante os líderes internacionais. Não há expectativa de que o comitê vá se reunir antes do fim dos debates em andamento na Assembleia-Geral, o que prejudica o plano dos talibãs.

Assim, o atual representante do país na ONU, Ghulam Isaczai, deverá se pronunciar em nome do Afeganistão, o que deve ocorrer no último dia da Assembleia-Geral.

O Afeganistão é uma das questões centrais da cúpula dos chefes de Estado e de governo.

Diversos países mantêm contato com os talibãs desde que eles assumiram o poder, principalmente para organizar retiradas do Afeganistão e oferecer ajuda humanitária a civis, mas até agora o grupo não recebeu nenhum reconhecimento formal.

Durante o primeiro regime do Talibã, entre 1996 e 2001, o representante do governo anterior continuou representando o Afeganistão nas Nações Unidas, já que o regime talibã não foi reconhecido pela comunidade internacional.

Por Deutsche Welle
as (Lusa, Efe, DPA)

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