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Mensagens sobre suposto toque de recolher gera apreensão na periferia de SP

Um boato sobre um suposto toque de recolher, que circula por meio de mensagens de WhatsApp e das redes sociais, provoca apreensão em moradores de regiões periféricas de São Paulo e na região metropolitana desde a semana passada.

O texto rapidamente espalhado cita uma suposta disputa entre facções e diz: “toque de recolher depois das 8 hrs ninguém na rua” (sic). As mensagens, normalmente, vinham acompanhadas de fotos antigas de chacinas ocorridas na Grande São Paulo.

As mensagens tinham muita semelhança em seu texto. Em sua maioria, as alterações eram apenas na parte que relacionava os bairros afetados pelo suposto toque de recolher.

O portal R7 confirmou que as mensagens circularam em bairros da zona leste, zona oeste, zona norte e zona sul de São Paulo e em cidades da região metropolitana, como Osasco, Carapicuíba, Suzano e Itaquaquecetuba.

Na Vila Jaguará, zona oeste de São Paulo, por exemplo, as mensagens circularam, mas não ganharam importância dos moradores.

“Todo mundo aqui recebeu mensagens [mostrando o celular], dizendo que era toque [de recolher], que era ordem de bandido, mas aqui sempre foi tranquilo. A vila é muito tranquila”, diz um senhor, que preferiu não se identificar, na porta de uma padaria no bairro.

Em Osasco, na Grande São Paulo, o assunto foi levado a sério. Na região do Jardim Roberto, muitas pessoas abordadas pela reportagem confirmaram ter recebido as mensagens e afirmaram que os supostos avisos geraram apreensão. Na região, segundo relatos, o tema circulou entre terça-feira (9) e quarta-feira (10) da semana passada.

A dona de casa Kátia Godoy, 42, confirmou ter recebido as mensagens no WhatsApp. Disse que não percebeu mudança na rotina do bairro, mas que muita gente agiu como ela. “Preferi ficar em casa, não sabia se era verdade. Queria ter ido para a igreja na quarta e não fui”, disse.

Em um bar, também em Osasco, o assunto gerou um ar de suspense e desconforto. Um dos homens com quem a reportagem conversou foi repreendido pelos demais. Ele confirmava que o assunto circulou no bairro, mas com olhares de desaprovação de outras 4 pessoas e até uma resposta quase que em coro: “Aqui não teve nada disto não”, colocou fim na conversa.

Já em Carapicuíba, no bairro Jardim Roseira, além de confirmar que as mensagens circularam, moradores relataram evitar sair às ruas a noite. No mesmo bairro, dois homens foram assassinados na madrugada de segunda-feira (8).

“Não dá para ficar na rua depois das 20h. Teve problema aqui e não dá para falar que a vida está normal, que não está”, afirmou um rapaz que lavava seu carro em frente de sua casa, mas que também preferiu não se identificar.

O aposentado Mário José, de 54 anos, brincou sobre o clima no bairro: “Eu adoro tomar uma cervejinha, mas com estes [faz sinal de atirar com as mãos], não dá pra ficar tomando uma. Tem bar que nem tá abrindo, aí tem que tomar em casa mesmo”, relata.

Já em uma padaria, um dos clientes, sem dar muita atenção, falou em voz alta: “Isso é treta do partido, eles vão resolver”. Fazendo referência que o suposto toque de recolher é motivado por uma disputa entre facções criminosas.

O portal R7 precisou insistir com a Secretaria de Segurança Pública para um posicionamento sobre o assunto. Na primeira tentativa, a assessoria enviou uma nota que não respondia aos questionamentos da reportagem.

Na segunda tentativa, após dizer por telefone que a política da secretaria é não responder sobre boatos em redes sociais, a reportagem solicitou, mais uma vez, uma resposta. Desta vez a pasta disse que só responderia ao questionamento se fossem informados os locais em que as mensagens circularam.

A reportagem apontou alguns bairros em que a reportagem do portal R7 apurou a circulação das mensagens. A Secretaria de Segurança enviou a seguinte nota oficial:

“A Polícia Militar do Estado de São Paulo informa que não foi registrado em nenhum de seus sistemas, quaisquer chamados ou denúncias acerca de eventos relacionados a um possível toque de recolher em quaisquer regiões da cidade.

Entretanto, graças aos relatos passados pelo jornalista, os órgãos de inteligência da Instituição foram informados e estão acompanhando tais informações”.

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