Encapuzados matam homem em favela

Segundo moradores, PMs ameaçaram a vítima horas antes do crime
Local onde homem foi morto na noite de sexta-feira (18) | Foto: Coletivo Nome dos Números

Um homem foi morto a tiros na noite desta sexta-feira (18/9), na comunidade conhecida como Favela do Mangue, na região de Sapopemba, zona leste da cidade de São Paulo. De acordo com testemunhas, três homens de preto e encapuzados entraram em uma rua da favela e começaram a disparar contra a vítima, que estava sentada. 

A vítima é identificada por moradores da região como Halexander Hernandes Bispo, conhecido como Gardenal. Segundo conhecidos do rapaz, ele sofria problemas psiquiátricos e vivia na comunidade, apesar de não morar lá. “Infelizmente, ele pode ter a doença que tinha, e independente se ele fumava a droga dele, uma coisa é certa: ele não fazia mal para ninguém, nunca mexeu com ninguém, e gostava de ficar aqui por causa dos amigos”, conta uma moradora que, por segurança, não será identificada.  

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A forma de agir e o número de criminosos são semelhantes aos dois ataques que aconteceram na noite da última terça-feira (16/9), conforme relato dos moradores. No ataque anterior, três pessoas foram assassinadas: uma na Favela da Ilha e duas na comunidade conhecida como Favelinha — ambas a cerca de 1 km de onde aconteceu o homicídio mais recente.

Testemunhas relatam que os homens chegaram em um carro prata, pararam no final da rua Antônio Taroni, pularam um pequeno muro que dá acesso a uma viela. Caminharam pelo beco por alguns metros, até chegar a uma espécie de barraco onde a vítima estava sentada, e cometeram o crime.

De acordo com a moradora de comunidade, o crime aconteceu por volta de 23h30. “Primeiro ouvimos dois tiros, e logo em seguida já descarregaram. Todo mundo pensando que era bomba, e eu desconfiei que era tiros. Todo mundo correu e já tinha gente gritando que a polícia estava lá e tinha matado o Gardenal”. 

Na verdade, não eram policiais fardados. No entanto, os moradores desconfiam de que seja ação policial porque, conforme relata a testemunha, no período da tarde do mesmo dia policiais militares em serviço teriam ido à comunidade e avisado que os dias da vítima estavam contados. 

“Depois que mataram, ainda tentei acionar o resgate, mas demorou muito. Apesar que foi só tiros na cara, na cabeça”, conta. “E os projéteis, todos foram recolhidos quando a viatura chegou. Eles prometeram que matariam, e cumpriram”.

Ainda conforme relata a moradora, os policiais militares que teriam ameaçado horas antes do crime estavam na viatura 19327 da PM, ou seja, atuam pela 3º Companhia do 19º Batalhão Metropolitano, que é o responsável pelo patrulhamento na área dos fatos. 

Ponte pediu para a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo as informações do boletim de ocorrência do homicídio. Também questionou a suposta presença e ameaça dos policiais militares horas antes da morte e a possível retirada dos projéteis antes da chegada da perícia.

A pasta comandada pelo General João Camilo Pires de Campos, do governo João Doria (PSDB), não respondeu às perguntas da reportagem sobre a possível presença e ameaças de policiais no dia do crime. Por meio de nota, a secretaria disse que a Polícia Militar foi acionada para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo e, chegando ao local, o óbito já havia sido constatado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

A secretaria disse ainda que “foram solicitados exames aos institutos de Criminalística e Médico Legal e o caso registrado como homicídio simples pelo 69º DP (Teotônio Vilela)” e informou que três cápsulas foram apreendidas. Policiais do DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa) também estiveram no local e devem dar continuidade às investigações.

Por Amauri Gonzo, da Ponte

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