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Investigação mostra que PCC tem integrantes nos EUA, Espanha e Itália

Expansão para fora do Brasil ocorreu em 2017, segundo MP e polícia de Brasília.
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Polícia Civil e MP do Distrito Federal apontam expansão transnacional em 2017 e mostram que facção estava estruturada em Brasília antes de transferência de líderes de SP

Penitenciária Federal de Brasília para onde estão Alejandro Herbas Camacho, irmão de Marcola, Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, e Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho
(Marcelo Camargo/Ponte Jornalismo)

Uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual do Distrito Federal apurou que o PCC (Primeiro Comando da Capital) tem integrantes batizados até nos Estados Unidos, na Espanha e Itália.

As apurações mostraram ainda que, além da expansão transnacional, o PCC já estava bem estruturado na Capital Federal em 2017, muito antes da remoção dos líderes da facção para a Penitenciária Federal de Brasília.

Em fevereiro do ano passado, o governo de São Paulo, sob comando de João Doria (PSDB), transferiu para presídios federais os 15 principais líderes do PCC, entre eles Marco Willians Herbas Camacho, apontado como o número 1 da organização.

Além de Marcola, o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior; Roberto Soriano, o Tiriça; Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka; Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, todos da cúpula do PCC, estão recolhidos na Penitenciária Federal de Brasília.

A estruturação da maior facção criminosa do país na Capital Federal já estava consolidada em 2017, quando tiveram início as investigações no Distrito Federal que identificaram a existência de integrantes batizados em outros países.

Trecho dos documentos obtidos pela Ponte que mostram constatação de batizados pela facção nos EUA, Itália e Espanha | Foto: reprodução

Em maio de 2018, 19 integrantes do PCC foram denunciados à Justiça do Distrito Federal por associação à organização criminosa. Quatro meses depois, o Ministério Público do DF denunciou outras três pessoas pelo mesmo crime.

Uma delas foi identificada como Suliane Abitalibe Arantes, conhecida no mundo do crime como Elektra. Segundo a Polícia Civil, Elektra era a “planilheira dos estados e países”, ou seja, a responsável pelo cadastro dos integrantes do PCC batizados no centro-oeste e no Exterior.

Ela foi presa em 6 de setembro de 2018. Com Elektra, a Polícia Civil do Distrito Federal diz ter apreendido um notebook e três aparelhos de telefone celular.

Os equipamentos foram periciados e, segundo as investigações, neles havia informações sobre registro de cadastro dos integrantes do PCC que recebiam entorpecentes da facção, além de planilhas com a contabilidade do tráfico de drogas.

Os arquivos periciados também comprovavam a expansão internacional do PCC e tinham dados de registros de batismos de diversos integrantes fora do Brasil, como Estados Unidos, Espanha e Itália.

Ainda segundo, a Polícia Civil do Distrito Federal, ao ser interrogada, Elektra confessou a participação na organização criminosa e deu detalhes sobre adeptos do PCC batizados, principalmente na Espanha.

A acusada mantinha uma página no Facebook, com o apelido de Elektra Majestade, na qual fazia postagens exaltando o PCC e compartilhando informações sobre o grupo criminoso.

Na última terça-feira (7/1), a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou a operação Guardiã 61, em referência ao DDD de Brasília, para cumprir 14 mandados de prisão e 10 mandados de busca e apreensão contra integrantes do PCC nas prisões e nas ruas.

A Polícia Civil informou que os acusados faziam parte de uma célula da facção que havia montado uma “casa de apoio” para receber parentes de presos recolhidos na Penitenciária Federal de Brasília.

Ainda segundo a Polícia Civil, a casa também era utilizada para esconder drogas e armas e teria sido montada com a ajuda de advogados. Um dos advogados investigados tinha como cliente justamente a presa Elektra Majestade.

Por Jormar Jozino

*Esta reportagem foi publicada originalmente pela Ponte.

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