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Presidente do Chile se desculpa e anuncia medidas sociais

Por Marieta Cazarré

Sebastián Piñera, presidente do Chile (José Cruz/Agência Brasil)


O presidente do Chile, Sebastián Piñera, fez um pronunciamento em rede nacional na noite de ontem (22) onde pediu perdão aos chilenos pela falta de visão de problemas históricos. Ele anunciou uma série de medidas para aliviar as tensões no país, como um incremento às aposentadorias, a criação de um teto para os gastos com medicamentos, a redução nas tarifas de energia elétrica e o aumento dos impostos para os ricos.

“Diante das legítimas necessidades e demandas sociais dos cidadãos, recebemos com humildade e claridade a mensagem que os chilenos nos mandaram. É verdade que os problemas se acumulavam há décadas e que os distintos governos não foram, nem nós fomos, capazes de reconhecer essa situação em toda a sua magnitude. Reconheço e peço perdão por essa falta de visão”, afirmou Piñera.

Entre as medidas anunciadas está o projeto de lei que cria um teto nos gastos com saúde pela famílias chilenas. Os valores que extrapolem o teto, serão cobertos pelo Estado. O presidente disse que ampliará o convênio do Fundo Nacional de Saúde (Fonasa) com as farmácias, para reduzir o preço dos medicamentos.

Em relação às aposentadorias e pensões, a proposta é um incremento de 20% . De acordo com o Governo, a medida beneficiará 590 mil aposentados e 945 mil pensionistas. Piñera anunciou um aumento adicional nas pensões e aposentadorias durante os anos de 20211 e 2022, para os maiores de 75 anos.

O sistema de aposentadorias é um dos pontos de maior insatisfação para os chilenos. Atualmente, os trabalhadores têm que depositar cerca de 12% dos salários em contas individuais, controladas por instituições privadas. Os aposentados recebem, me média, meio salário mínimo.

Em relação aos salários mínimos, Piñera afirmou que garantirá ingressos mínimos de 350 mil pesos para trabalhadores com jornada completa. Quando o salário não alcançar esse valor, o governo complementará.

Outra proposta anunciada foi a redução de salários de parlamentares e de funcionários públicos com altos rendimentos. Além disso, o presidente anunciou a redução no número de parlamentares e um limite no número de vezes para a reeleição.

Os ricos, aqueles que têm renda superior a 8 milhões de pesos mensais (cerca de 11 mil dólares), terão de pagar impostos de 40%. Espera-se arrecadar 160 milhões de dólares com a medida, que servirá para financiar parte das novas ações.

Piñera disse que criará também um mecanismo de estabilização das tarifas elétricas e que cancelará a último aumento de 9,2% no preço da luz.

“Essa agenda social não vai solucionar todos os problemas dos chilenos. Mas será uma ação necessária e significativa para melhorar sua qualidade de vida, especialmente dos setores mais vulneráveis e da classe média, priorizando crianças, mulheres e idosos”.

Ele anunciou um plano de 350 milhões de dólares para a reconstrução dos danos causados pela violência e pelos protestos dos últimos dias.

Mobilização e Greve

(Exército do Chile/Fotos Públicas)

Os protestos seguiram durante todo o dia de ontem, quase todos de forma pacífica. A polícia chilena afirmou que cerca de 22 mil pessoas se reuniram na Praça Itália, ponto central das manifestações. Até a noite de ontem, havia registros de 1.894 pessoas detidas, entre elas 215 menores de idade, 268 hospitalizados e 137 feridos por armas de fogo. Quinze mortes também foram confirmadas.

O governo chileno não anunciou até quando devem valer o estado de emergência e o toque de recolher.

A Central Única dos Trabalhadores do Chile (CUT) e mais de 20vinte organizações sociais convocaram uma greve geral nacional para hoje (23) e amanhã (24). Haverá uma caminhada, na manhã de hoje, saindo da Praça Itália e chegando à Praça Los Héroes. Eles pedem a retirada dos militares das ruas e a revogação do estado de emergência.

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