Morte de policiais por Covid-19 triplica em 40 dias

Os números mostram a face da pandemia em PMs de SP e RJ.
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Dados oficiais apontam para 43 mortes até 11 de junho contra 12 no começo de maio; Polícia Civil de Wilson Witzel (PSC) não apresenta dados

Estados apresentam diferença na quantidade de caso no período, mas mortes crescem | Foto: Divulgação/PMESP/PMERJ

Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro triplicaram o caso de policiais mortos por Covid-19 em pouco mais de um mês, segundo números oficiais dos governos. São 43 vítimas registradas até 11 de junho, enquanto o total era de 12 até 3 de maio.

As estatísticas são da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, gerido pelo governador João Doria (PSDB), e pela PMERJ (Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro), do governo Wilson Witzel (PSC) e que possui status de secretaria. A Polícia Civil do Rio, também com categoria de pasta, não enviou dados solicitados pela reportagem. 

Em São Paulo, 17 policiais morreram vítimas da pandemia desde a crise de coronavírus. Até 3 de maio, o total era de 5 mortos, mais do que o triplo divulgado um mês e uma semana depois.

O total de policiais afastados, segundo a SSP paulista, gerida pelo coronel João Camilo Pires de Campos, é de 1,8% do efetivo total. Antes, o afastamento atingia 0,7%, o que representa 810 profissionais.

Em consulta no Portal da Transparência de SP, são 116.466 policiais no estado, entre militares, civis e científicos. O percentual equivale a 2.096 pessoas afetadas pela doença, 158% a mais do que em maio.

A situação no Rio de Janeiro é similar em relação às mortes. Enquanto a PM, comandada pelo coronel Rogério Figueredo de Lacerda, registrava 7 mortos no dia 3 de maio, o total subiu para 26 em 11 de junho, também mais do que triplicando.

No entanto, os números são positivos quando se trata de policiais afastados: 2.573 pessoas estavam em licença médica no mês passado, enquanto agora o total é de 1.655, redução de 35% nos casos.

Ponte questionou a PMERJ sobre o total de policiais no atual quadro e aguarda resposta. Segundo informado pela tropa ao jornal O Globo em outubro do ano passado, são 41.024 PMs. Assim, o total de afastados representa 4% – em maio, era pouco mais de 6%.

Somados, os estados de São Paulo e Rio de Janeiro têm 3.751 policiais fora das ruas por terem contaminado ou suspeita de contraírem a Covid-19. O dado é parcial, pois faltam dados da Polícia Civil.

Segundo o tenente-coronel aposentado da PM paulista Adilson Paes de Souza, falta transparência do poder público ao informar os policiais afetados pela pandemia.

Ele cobra que os governos divulguem se há testagem dos policiais, o modo de identificar os casos de Covid-19 e os equipamentos de proteção distribuídos para atuarem nas ruas.

“O policial pode ser um vetor de disseminação da Covid-19, assim como médico, enfermeiro. E até pior, porque estes estão em ambiente controlado, o policial, não. Trabalha na rua”, explica Adilson.

Segundo Adilson, os números de policiais afastados enviados por SP e RJ mostra que “a pandemia está presente de maneira muito significativa no universo policial”. Em um momento de reabertura do comércio, como vivem São Paulo e Rio, a probabilidade é de um impacto ainda maior. 

“Teremos aumento de casos nas pessoas em geral, com infectados e mortos. E isso vai acontecer na polícia”, afirma, sustentando sua fala “baseado nas posições da ciência do mundo inteiro”. “Em momentos de curva de casos ascendendo, não se deve tomar esse tipo de atitude. O Brasil errou”, define.

Adilson é um dos responsáveis por estudo que pretende analisar a atuação policial em meio ao coronavírus. Representando o Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), o PM reformado se juntou a Susana Durão, da Pós-Graduação em Antropologia Social e de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e Glaucíria Mota, da Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE), para buscar informações.

O grupo criou um questionário online para os policiais responderem e darem sua impressão sobre as mudanças na rotina de trabalho nas ruas durante a pandemia. “Pretendemos traçar um panorama nacional, com meta de mil respostas”, afirma Adilson. Não é necessária identificação para o policial participar da pesquisa.  

Ponte questionou a SSP de São Paulo sobre como está sendo feito o controle, prevenção e atendimento aos policiais em meio à pandemia. Segundo a pasta, houve a testagem de 73 mil policiais e de seus familiares desde o início da pandemia e que, se há confirmação, eles “são afastados para tratamento” com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde e do Ministério e da Secretaria Estadual da Saúde. 

Detalha que comprou e distribuiu 4 milhões de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), com investimento de R$ 8 milhões. Além disso, “mais de 480 mil itens de EPIs recebidos como doação, além de produtos de limpeza e higiene, foram distribuídos aos policiais paulistas”.

A reportagem questionou a PMERJ sobre as iniciativas tomadas para proteger e atender os policiais previamente ou depois do contágio, mas não recebeu posicionamento até a publicação desta reportagem.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

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