PM prende 8 suspeitos por tráfico de drogas no ABC Paulista

A Polícia Militar (PM) deteve oito pessoas suspeitas de tráfico e apreendeu 50 kg de drogas e mais R$ 60 mil em duas ações realizadas na madrugada deste sábado (4) em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Na primeira ocorrência, os PMs abordaram o motorista de um carro e encontraram cinco tijolos de maconha e uma sacola com R$ 34 mil. No imóvel do homem, a polícia apreendeu mais três tijolos de maconha e R$ 6 mil que estavam em outro automóvel.

A mulher do suspeito, que estava no imóvel, e também foi presa, contou onde estavam guardados mais entorpecentes na cidade. A Polícia Militar seguiu para o outro endereço e encontrou mais seis homens, que também foram presos por suspeita de tráfico.

Dentro da segunda residência, foram encontrados seis tabletes de maconha, cerca de R$ 20 mil em espécie, cinco celulares, documentos, uma balança e dois veículos.

Os oitos detidos foram levados ao 2º Distrito Policial (DP) em São Bernardo, onde foram indiciados pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico e corrupção ativa.

Depois da Capital, ABC quer antecipar feriado

São Bernardo do Campo (Pref. de S. Bernardo/Reprodução)

Os prefeitos dos sete municípios que compõe o Grande ABC, na região metropolitana de São Paulo, decidiram hoje (19) enviar projetos de lei às câmaras municipais para antecipar o feriado de Corpus Christi para a próxima sexta-feira (22). A decisão busca aumentar o isolamento social na região.

Megaferiado

Ontem (18), os vereadores da capital paulista aprovaram, em sessão extraordinária virtual, a autorização para que o Executivo antecipe feriados municipais devido à pandemia do novo coronavírus. A prefeitura definiu como novas datas para o Corpus Christi e Consciência Negra para as próximas quarta-feira (20) e quinta-feira (21).

A ação acontece em acordo com o governo estadual, que antecipou para a próxima segunda-feira (25) o feriado estadual da Revolução Constitucionalista, celebrado em 9 de julho. Na sexta-feira (22), a capital paulista e o governo estadual vão decretar ponto facultativo para o serviço público municipal e estadual, criando seis dias de feriado estendido.

O plano pretende criar recesso em vários dias para que o isolamento social ultrapasse os 55%. O índice de pessoas que permanece em casa só tem ultrapassado os 50% nos fins de semana. No último domingo (17), o sistema que mede a movimentação da população no estado de São Paulo a partir dos aparelhos celulares indicou uma adesão de 54% à quarentena. Na sexta-feira (15), o percentual foi 47%.

Pagamento do auxílio

Segundo o prefeito de Rio Grande da Serra, Gabriel Maranhão, atual presidente do consórcio do Grande ABC, não foi possível chegar a um acordo que fizesse o megaferiado coincidir em todas as 39 cidades da região metropolitana. “Infelizmente, não houve um consenso entre as 39 cidades”, enfatizou após a videoconferência com representantes de todos os municípios e do governo estadual.

O ponto que mais pesou na decisão, de acordo com Maranhão, foi o pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial. “Essa semana é semana de pagamento da Caixa Econômica Federal”, ressaltou sobre o posicionamento de manter o atendimento bancário pelo menos até quinta-feira (21).

Por isso, com a aprovação dos vereadores, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra devem ter feriado municipal apenas na próxima sexta-feira (22).

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil 

Cidades do ABC compram 1 milhão de testes de Covid-19

(Arquivo/Michael Schwenk/Fotos Públicas)

O Consórcio Intermunicipal Grande ABC, que reúne prefeitos da região, anunciou a compra de 1 milhão de kits para testes de covid-19. A remessa será dividida proporcionalmente, conforme o total de habitantes, entre os municípios representados, que são: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Em nota, a entidade destaca que a aquisição permitirá aplicar os testes em 36% da população da região. A previsão é de que a compra seja feita até o fim da semana, de modo que o material esteja disponível até a segunda quinzena de abril. Com um custo de US$ 0,80 por kit, o valor estimado da compra é R$ 4,8 milhões e será coberto por recursos do Fundo Municipal de Saúde.

Outra decisão tomada é o lançamento de um programa emergencial de combate à fome nos sete municípios, que deverá ocorrer ainda esta semana. Ao todo, serão distribuídas 20 mil cestas básicas e kits de higiene. A medida foi sugerida após os prefeitos avaliarem que “a ajuda financeira do governo federal será insuficiente para atender a todas as pessoas”. Atualmente, cerca de 80 mil famílias da região estão cadastradas no Bolsa Família.

Diálogo com governo federal

O grupo de prefeitos também informou que irá remeter um documento ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em que pede orientações sobre quais procedimentos devem ser adotados frente à pandemia. O discurso do presidente Jair Bolsonaro, em defesa da suspensão das medidas de isolamento social, recomendadas por inúmeros especialistas, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tem preocupado os membros do consórcio. Os prefeitos reconhecem que “questionam se o governo federal assumirá também as responsabilidades no caso dessa determinação provocar mais óbitos”.

O consórcio também adianta que solicitará ao governo federal um estudo que lhes dê subsídio necessário para mensurar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a fim de evitar o colapso da rede. A possibilidade de sobrecarga do SUS foi alertada pelo próprio ministro, no início da pandemia.

De acordo com balanço apresentado pelo Ministério da Saúde, até a tarde desta segunda-feira (30), o Brasil contabilizava 4.579 casos confirmados de covid-19. O total de mortes chega a 159. O sudeste concentra mais da metade (55%) das infecções pelo coronavírus, sendo que o estado de São Paulo responde por 1.517 dos registros e 113 óbitos.

Por Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil

Pandemia faz 7 cidades do ABC paralisar ônibus

(Arquivo/Nivaldo Lima/SP Agora)

Após assembleia realizada na manhã de hoje (18), o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, que reúne prefeitos da região, decidiu suspender a circulação de ônibus municipais a partir do dia 29 de março, por tempo indeterminado. As cidades que terão o serviço alterado serão Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que têm representantes no consórcio. 

Somente os veículos do sistema de transporte público municipal irão parar, ou seja, a medida não abrange aqueles que são de responsabilidade do governo estadual de São Paulo. As frotas já serão reduzidas a partir desta quarta-feira. 

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do consórcio, Gabriel Maranhão, disse que a posição geográfica da região exige medidas como a que foi agora tomada, devido à proximidade com o Aeroporto de Guarulhos, o Porto de Santos e a capital paulista. Ele também afirmou que os prefeitos que integram o consórcio esperam do governo federal “uma atitude mais pró-ativa”. 



“A gente vê, realmente, uma situação muito preocupante e fica esperando uma atitude mais corajosa e responsável por parte do governo federal”, afirmou Maranhão, atual prefeito de Rio Grande da Serra, município localizado a 55 quilômetros da capital.

Segundo Maranhão, o perfil demográfico do ABC paulista é outro fator que justifica a medida. Ele informou que, ao todo, há 432 mil idosos vivendo na região e somente 1.300 leitos hospitalares, o que poderia causar uma sobrecarga do sistema de saúde. 

O presidente do consórcio acrescentou, ainda, que, além de fazer um comunicado oficial sobre a mudança no transporte público, cada prefeito também irá editar um decreto declarando situação de emergência, nos próximos dias. Também ficou decidido na reunião que os prefeitos vão garantir o transporte de funcionários que prestem serviços essenciais, por meio da contratação de linhas particulares.

“O mais importante agora é a população se precaver, ficar em casa e evitar que a pandemia se alastre da forma como se alastrou na Europa”, disse. A medida faz parte do esforço regional para conter o avanço do novo coronavírus (Covid-19), que configura pandemia, diz nota do consórcio.

Por Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil 

Incêndio destrói 80 carros e 15 caminhões

Fogo destruiu cegonheiras que estavam carregadas no local (Corpo de Bombeiros/Reprodução)

Um incêndio de grandes proporções destruiu 80 carros e 15 caminhões na noite de ontem (23), em São Bernardo do Campo, no Abc Paulista. Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo atingiu um estacionamento da empresa Roger, onde estavam estacionadas carretas cegonhas cheias de carros.

A corporação chegou a enviar para o local 13 equipes. Foram necessárias quase duas horas de trabalho para controlar o incêndio. Durante a madrugada, os bombeiros confirmaram que o fogo foi extinto e o local liberado para perícia. Não houve feridos.

A Polícia Civil vai investigar o que pode ter provocado o fogo.

 

Expresso da CPTM terá o dobro de viagens ao ABC

(Edson Lopes Jr./Governo do Estado de SP)


A partir de hoje (27), o número de viagens do Expresso Linha 10 da CPTM vai passar de 17 para 33 percursos nos dias úteis. O serviço funciona entre as estações Tamanduateí e Prefeito Celso Daniel-Santo André, com parada em São Caetano, nos horários de pico, de segunda a sexta-feira.

Cerca de 20 mil passageiros utilizam o serviço diariamente. O trajeto é percorrido em cerca de dez minutos e os trens partem com intervalo de 30 minutos. Pela manhã, serão realizadas 15 viagens entre 6h e 9h30. No período da tarde, serão 18, das 16h às 20h15.

Com a ampliação do número de viagens, os trens passam a prestar serviço nos dois sentidos, entre Santo André e Tamanduateí, com uma parada na Estação São Caetano. Lembrando que em Tamanduateí há integração gratuita com a Linha 2-Verde do Metrô.

Até agosto eram realizadas 16 viagens diárias. Na época, a CPTM conseguiu inserir mais uma à grade, no final do dia, totalizando 17 percursos nos horários de pico. O Expresso Linha 10 circula em vias exclusivas, sem interferir no tráfego da Linha 10-Turquesa, que opera com intervalos regulares entre Brás e Rio Grande da Serra.

*com informações do Governo do Estado de SP

Caoa desiste de comprar fábrica da Ford no ABC

O grupo Caoa desistiu de comprar a fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, São Paulo. A informação foi dada nesta segunda-feira (13) pelo governador João Doria e, posteriormente, confirmada pela companhia.

Segundo Doria, a Caoa, apesar de não concretizar a compra da planta da montadora norte-americana, deverá anunciar importantes investimentos no setor automobilístico no estado em 2020. “Não foi possível viabilizar [a venda da fábrica da Ford para a Caoa] neste caso específico, mas a Caoa deve anunciar, agora em 2020, um novo e forte investimento com fabricante chinês na indústria automobilística aqui em São Paulo”, disse Doria em entrevista coletiva.

“Não é fácil você vender uma fábrica instalada, é difícil, sob certos os aspectos. É mais fácil você motivar a implantação de uma fábrica do que a venda de uma fábrica porque ela tem que ser muito ajustada. Uma coisa é você fazer um terno, e outra é você vender o terno pronto para um número muito pequeno de potenciais usuários”, acrescentou o governador.

Em nota, o grupo Caoa confirmou a informação do governador. “A Caoa confirma que as negociações devam seguir o encaminhamento informado pelo governador Doria.”

O governador disse que a compra da fábrica da Ford está sendo estudada por dois grupos de investidores chineses. Doria não identificou os dois grupos empresariais. “Há um entendimento novo com dois fabricantes chineses, entendimentos que estão em curso, mas não temos propagado, até para que eles possam seguir com tranquilidade, sem a pressão do tempo.”

A Ford anunciou em 20 de outubro do ano passado o encerramento da produção de caminhões na fábrica de São Bernardo, após de 52 anos de funcionamento. O anúncio havia sido previamente divulgado em fevereiro e, segundo nota da montadora, está “em linha com a decisão de sair do segmento de caminhões na América do Sul”.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou, na época, que cerca de 650 funcionários da produção seriam desligados da fábrica. Aproximadamente mil trabalhadores, da parte administrativa, continuariam na fábrica de São Bernardo e seriam transferidos para uma nova sede, na capital paulista, a partir de abril deste ano.

Por  Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil 

Laudo revela causa da morte do menino Lucas, de 14 anos

Por Paulo Eduardo Dias

Documento do IML não encontrou lesões no corpo, mas profissionais alertam que em caso de afogamento é necessário outros exames para identificar morte violenta

Familiares e amigos espalharam cartazes com a foto de Lucas Eduardo antes da confirmação de sua morte | Foto: Paulo Eduardo Dias/Ponte Jornalismo

Laudo elaborado pelo IML (Instituto Médico Legal) de Santo André, cidade na Grande São Paulo, aponta que Lucas Eduardo Martins dos Santos, 14 anos, morreu em decorrência de “asfixia mecânica por afogamento”. Tanto seus familiares como vizinhos da Favela do Amor, na Vila Luzita, periferia da cidade, acusam policiais militares pelo sumiço e morte do adolescente, desaparecido na madrugada do dia 13 de novembro. 

O documento ao qual a reportagem da Ponte teve acesso indica que o corpo do Lucas, que nasceu em 25 abril de 2005, em Bezerros, na região de Caruaru, no agreste pernambucano, não possuía qualquer tipo de agressão. Lucas sumiu nas primeiras horas da madrugada enquanto voltava para casa, após comprar um refrigerante Dolly e um pacote de bolachas, em uma quitanda dentro da própria favela em que morava com sua mãe, um irmão e a cunhada. Família e amigos cobraram respostas em protestos na região.

O corpo do adolescente que foi encontrado no dia 15 de novembro boiando num lago do parque Natural Municipal do Pedroso, em Santo André, apenas de cueca branca e um par de meias cinza. Trechos do laudo revelam que o corpo apresentava “coloração esverdeada em todo abdome, tórax, cabeça e membros, e pele de aspecto anserina em extremidades de membros superiores e inferiores” quando chegou no IML. O documento é assinado pelo legista Marcos Moraes Biancalana. 

Já no exame interno, em que são abertas as cavidades, não havia fratura em nenhum dos osso do crânio nem sinais de lesões traumáticas no tórax. No entanto, “continham petéquias subpleurais (pequenas hemorragias de vasos sanguíneos) em ambos pulmões, além de conteúdo líquido no estômago”. O exame ainda apontou que o “tempo da morte é maior que 48 horas ao momento em que se iniciou a necrópsia”. 

Dois legistas ouvidos pela reportagem indicaram que em casos de afogamento é necessário outros laudos para se saber se houve ou não violência. “A morte causada pelo afogamento é chamada de asfixia mecânica por afogamento, que é provocada pela substituição do oxigênio (ar) pelo meio liquido (água). Todos os casos encaminhados ao IML são considerados morte violenta ou morte suspeita”, descreve Celso Domene, presidente da Associação dos Médicos Legistas. “O inquérito policial é que irá determinar se houve ou não violência e fica a cargo do delegado de polícia investigar. O médico legista apenas constata o tipo de morte”.

Sob a condição de anonimato, um outro perito criminal ouvido pela reportagem afirmou que “do ponto de vista técnico, o laudo está perfeito, e de fato todos os sinais lançados no laudo são compatíveis com afogamento. Aquela equimose verde no pescoço, líquido no estômago, e coloração da pele é típico de afogamento”, sustenta. “O prazo de 48 horas é relevante. Se foi afogamento natural ou se foi homicídio, aí tem que ter mais dados de perícia criminal para fazer essa análise. Estão esperando um exame toxicológico, então tem que ver se a pessoa foi sedada e jogada na água… Tem que ter outros elementos para concluir”, pondera. 

Familiares do menino contestam a tese de afogamento, já que os parentes que viram o corpo no IML e outros que viram fotos do menino morto no parque alegam que ele sofreu muito antes de ser atirado no rio. “Ele foi espancado, os dentes quebrados, o rosto estava muito machucado, tinha marcas de pisadas no peito e no braço”, afirma Cícera Santos, 43 anos, tia do menino. A mulher conta que não chegou a ver o corpo no IML, mas que viu as fotos e que os familiares que entraram na sala com o médico legista a contaram o estado do cadáver.

Paralelamente à investigação sobre a morte de Lucas, sua mãe, Maria Marques Martins dos Santos, 39 anos, segue presa na Penitenciária Feminina de Santana, no Carandiru, zona norte da capital paulista. A mulher foi presa em 19 de novembro ao prestar depoimento sobre o desparecimento de seu filho no Setor de Homicídios e Desaparecidos de Santo André. No enterro de Lucas, ela permaneceu algemada enquanto se despedia do filho.

Maria tinha um mandado de prisão expedido em 2017 após ser condenada em segunda instância, dois anos antes, a cumprir pena de cinco anos por tráfico de drogas. Ela é testemunha chave do caso, pois horas após o menino sumir duas viaturas da Policia Militar foram até sua residência, com um dos PMs encapuzados, e pediram para entrar na residência. A mulher ainda afirma ter ouvido “eu moro aqui”, que assegura ter ouvido de Lucas, vindo do mesmo ponto em que estavam os carros da PM. 

Os policiais militares Rodrigo Matos Viana e Lucas Lima Bispo dos Santos, ambos da 2ª Companhia do 41º BPM/M (Batalhão da Polícia Militar Metropolitano), e que são suspeitos de participação no caso, estão afastados do patrulhamento de rua e trabalhando internamente em atividades administrativas, no entanto, continuam a receber salário normalmente. Um exame de DNA em sangue encontrado na viatura M-41222, em que os PMs estariam no dia 13 de novembro, teve resultado inconclusivo devido a pouca quantidade do material humano coletado. 

O advogado e conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), Ariel de Castro Alves também enxerga incoerência no documento. “Certamente o jovem não sairia de sua casa de madrugada para nadar no córrego e em consequência disso se afogar. A Polícia Civil e a Polícia Militar precisam explicar a provável abordagem policial sofrida pelo jovem, o desaparecimento e o próprio afogamento”, cobra o profissional, que vai além. “Os assassinos podem ter utilizado o afogamento do Lucas para dificultar as investigações e para garantirem a impunidade. Ele pode ter sido jogado no córrego e os criminosos ficaram aguardando até ele se afogar e ser consumada sua morte antes de deixarem o local”.

Castro Alves também analisa com preocupação o fato das investigações correrem em sigilo. “O caso Lucas tem tudo pra ficar impune. O primeiro passo para isso foi a Justiça decretar o sigilo. O Ministério Público, que pela lei tem que fiscalizar e controlar as ações policiais, até agora não se manifestou sobre as apurações”, afirma.

Por telefone, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou a Ponte que o caso segue em investigação e em segredo de Justiça.

*Esta reportagem foi publicada originalmente pela Ponte.

Corpo de Lucas é enterrado; Presa, mãe só pode ficar 15 minutos

Por Paulo Eduardo Dias

Jovem de 14 anos sumiu após abordagem policial, segundo a família, em Santo André e o corpo foi achado em um parque a 10 km de sua casa 

Enterro do jovem Lucas Santos, no cemitério do Curuça em Santo André
(Daniel Arroyo/Ponte) 

O enterro do garoto Lucas Eduardo Martins dos Santos, de 14 anos, neste sábado, dia 30 de novembro, foi carregado de forte emoção, indignação e muita revolta por parte de parentes, amigos, advogados, além de pessoas que deixaram seus lares para compartilhar ao lado da família Santos esse momento de dor. Foram duas semanas de angústia desde o desaparecimento até a identificação oficial do cadáver.

O corpo do jovem negro foi encontrado boiando num lago dentro do Parque Natural Municipal do Pedroso, distante 10 quilômetros de onde o menino vivia com a mãe, o irmão e a cunhada. 

Familiares e vizinhos culpam policiais militares pelo sumiço e morte de Lucas Eduardo. Enquanto as investigações prosseguem, os PMs Rodrigo Matos Viana e Lucas Lima Bispo dos Santos, seguem afastados do patrulhamento, mas em atividades internas e sem restrição de salário. Eles seriam os responsáveis pela viatura M-41222, da 2ª Companhia do 41º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano), que passou por perícia após ser encontrado vestígios de sangue nela. A viatura é do mesmo batalhão dos policiais acusados pelos familiares de Lucas. O laudo final ainda é aguardado. 

O enterro gerou muita indignação entre familiares e conhecidos (Daniel Arroyo/Ponte) 

A viatura é a mesma que teria ido até a casa do menino pouco tempo após ele sumir e seus PMs indagar sobre quem morava no local, instante que a mãe do menino ouviu uma voz dizer “eu moro aqui”.

A cena aconteceu nos primeiros minutos da madrugada do dia 13 de novembro na Favela do Amor, na Vila Luzita, periferia de Santo André, após Lucas comprar um refrigerante Dolly e um pacote de bolachas em uma quitanda dentro da comunidade. Até agora, o governo de São Paulo não resolveu o mistério.

Além da morte de Lucas Eduardo, a família teve que passar por um novo constrangimento durante o sepultamento.

A mãe do jovem, Maria Marques Martins dos Santos, de 38 anos, que havia sido presa no dia 19/11 enquanto prestava depoimento sobre o caso, e que na última quinta-feira 28/11, havia recebido aval da Justiça para acompanhar o enterro do filho, só pode permanecer no interior do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, na Vila Curuçá, também em Santo André, por apenas 15 minutos e sem nenhum contato com seus familiares. 

Maria foi presa porque havia um mandado de prisão contra ela de 2017 referente a uma acusação de tráfico de drogas. Ela foi presa em 2012, mas logo foi solta. Em 2013 foi absolvida pela Justiça de Santo André. Em 2015 foi condenada em segunda instância por tráfico de drogas. 

Durante o enterro, ela também permaneceu o tempo todo algemada e sob vigilância de uma agente feminina. A mulher utilizava chinelos e o uniforme marrom, vestimenta adotada pelo sistema carcerário de São Paulo. 

Lucas foi enterrado por volta das 13 horas do sábado (Daniel Arroyo/Ponte)  

Maria Marques foi retirada da penitenciária em que se encontrava, na zona norte da capital, pela manhã, sendo conduzida num caminhão para carregar presos e escoltada por duas viaturas da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária). 

Ao chegar ao cemitério, por conta das exigências de segurança do governo, ela não pode ter contato com sua mãe, suas irmãs, e seus filhos. 

Por telefone, seus parentes, que aguardavam para sair da Favela do Amor em três ônibus, foram avisados por quem já estava no cemitério, que não deveriam ir de encontro a mulher, caso contrário, ela seria retirada do local. 

Os familiares e amigos respeitaram a exigência, retardando a saída da comunidade. No entanto, Maria Marques só pode permanecer no cemitério entre as 9h15 e as 9h30, escoltada por agentes da SAP munidos de armas de grosso calibre, como fuzis. 

Coroa de flores no enterro de Lucas Santos (Daniel Arroyo/Ponte)  

Ao deixarem o cemitério, um estampido seco, semelhante ao de um tiro, foi ouvido no local, no mesmo ponto em que as viaturas da SAP manobravam e os agentes caminhavam a pé com fuzis a tiracolo.

“Eu vim para o velório do meu neto muito triste, mas confiante que eu iria ver a minha filha, poder dar um abraço nela, mas não foi possível. O que fizeram com Lucas foi uma atrocidade, uma crueldade. Eu peço Justiça de verdade. Aqui na terra a Justiça é falha, mas eu acredito na Justiça de Deus. Essa foi a primeira perda na família, e espero que seja a última”, disse a avó do jovem, Maria do Carmo Martins dos Santos, de 66 anos.

“A revolta da gente é de eles não terem permitido a avó ficar com a mãe nesse momento difícil. Para gente é difícil, é revoltante”, disse à Ponte a tia de Lucas Eduardo, Isabel Daniela dos Santos, de 34 anos.

Muitos familiares vestiam camisetas com o rosto de Lucas (Daniel Arroyo/Ponte) 

O tratamento dispensado à mãe de Lucas também foi motivo de crítica por parte do presidente do Condepe (Conselho de Defesa da Pessoa Humana), Dimitri Sales, que acompanhou o sepultamento. “(O que houve com a mãe) é uma tentativa de manter a narrativa de que se trata de uma família criminosa e por isso se justificaria o assassinato do Lucas. (A algema) está dentro do contexto de humilhação. Ela é a principal testemunha, e é uma tentativa de a desmerecer”. 

Quanto ao tempo, Sales disse que não tem algo definido, mas “tem que ter a condição de se despedir, compartilhar o momento de dor junto de seus familiares. O ritual da despedida é sagrado para qualquer religião. A legislação proíbe tumultos em rituais fúnebres. Por que você atira? O que você quer quando atira? É um recado?”.

O velório e sepultamento de Lucas Eduardo foi bancado pela empresa funerária Sibraff, localizada na cidade vizinha São Caetano do Sul. Seus representantes que estavam no cemitério e que preferiram não se identificar disseram que se comoveram com o caso e com a condição financeira da família.

Após o enterro, familiares estavam revoltados com a violência que Lucas sofreu
(Daniel Arroyo/Ponte) 

Por volta das 13h, o caixão de Lucas Eduardo, que estava lacrado e coberto por uma camiseta do Corinthians, seu time do coração, passou a percorrer as alamedas do cemitério municipal. Nesse instante, o choro passou a ser não mais contido, com gritos perguntando o porquê da morte e outros dizendo que o menino não merecia, que era só uma criança. Trechos de uma música foram contados pelos presentes, ela dizia “mais um negro que se vai, mais um negro da nossa favela que partiu”.

Pouco antes do caixão descer à cova, o irmão mais velho de Lucas Eduardo, o ajudante de pizzaiolo Igor Teixeira, de 22 anos, entrou em desespero. Visivelmente o mais abalado da família, chorava e se contorcia de dor com o fato, sendo amparado por seus amigos. “Me perdoa meu irmão, me perdoa meu Luquinhas. O que fizeram com meu irmão? Por que levaram meu irmão? Por que levaram a vida do meu irmão? Acabaram com a minha família. Quem deveria proteger fez isso com ele. Covardes de farda, acabaram com minha família”.

“Não há nenhuma dúvida que ele morreu assassinado. Ele foi sequestrado, submetido a tortura e depois assassinado”, finalizou Dimitri Sales.

A ONG Rio de Paz, que participou do sepultamento, afirmou que vai acompanhar os novos atos prometidos pela família para cobrar Justiça.

Ponte procurou a SAP e a SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo questionando sobre o esquema de segurança na escolta da mãe do Lucas e o estampido de tiro no cemitério. Mas não recebeu respostas.

Vizinhos e familiares acompanharam o enterro de Lucas Santos (Daniel Arroyo/Ponte) 

*Esta reportagem foi publicada originalmente neste link: https://ponte.org/mae-do-lucas-permaneceu-algemada-e-so-pode-ficar-15-minutos-no-enterro-do-filho/

Escola de moda realiza exposição de vestidos de noiva

(Divulgação)

Nos meses de setembro e outubro o Atrium Shopping, localizado em Santo André, receberá a décima quinta edição do concurso Tesoura de Ouro, evento realizado anualmente pela Sigbol, escola de cursos de moda. Nessa edição, foi escolhido o tema “noivas”, com 80 modelos produzidos por alunos dos cursos.

Participaram do programa 130 alunos, que fizeram cópias de modelos já existentes. Foram avaliados a modelagem e a costura dos exemplares. “O aluno só poderia usar materiais têxteis, tecidos e aviamentos”, explica a professora Elizangela Gomes, professora do núcleo de criação.

Os alunos confeccionaram os trabalhos com máquinas de costura e a mão. “Os modelos foram realizados em miniatura de busto, e requer alguns cuidados. É mais difícil fazer uma miniatura do que o vestido de tamanho normal”, completa Elizangela.

Premiação

As premiações são separadas por três quesitos: melhor reprodução, melhor modelagem e melhor acabamento. Os três melhores modelos de cada critério serão premiados, e uma máquina de costura será entregue ao melhor trabalho de cada quesito. Segundo Elizangela, “os outros trabalhos são colocados para votação popular na página da Sigbol nas redes sociais: os três mais votados também ganham prêmios, como tecidos e materiais para costura.” A avaliação é realizada por professores de criação e confecção.

“É um tema que fazem os olhos dos alunos brilharem, já que o tema mexe com o emocional das mulheres.”

A exposição tem o formato itinerante, e foi apresentada anteriormente em oito shoppings da capital paulista e região metropolitana. Já foram realizados concursos com temas como super-heróis, figurinos de cinema, entre outros.

História da moda

A Sigbol realiza dois concursos para seus alunos: o Tesoura de Ouro e o História da Moda. Cada concurso é realizado em anos alternados.

Segundo Aluízio de Freitas, diretor da Sigbol, o concurso é “inspirado nos astros e estrelas do mundo pop. As personalidades, nacionais ou internacionais, são temas para a pesquisa dos alunos, que devem reproduzir o traje em miniatura”.

O concurso História da Moda tem previsão de ser iniciado no final desse ano. A exposição “Tesoura de Ouro” ficará no Atrium Shopping até dia 14 de outubro.