Agronegócio bate novo recorde e atinge R$ 470,5 bilhões em 2020

(Jonas Oliveira/ANPr/via Fotos Públicas)

O valor da produção agrícola do país em 2020 bateu novo recorde e atingiu R$ 470,5 bilhões, 30,4% a mais do que em 2019. A produção agrícola nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou, no ano passado, a 255,4 milhões de toneladas, 5% maior que a de 2019, e a área plantada totalizou 83,4 milhões de hectares, 2,7% superior à de 2019.

Os dados constam da publicação Produção Agrícola Municipal (PAM) 2020, divulgada hoje (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Com a valorização do dólar frente ao real, houve também um crescimento na demanda externa desses produtos, o que causou impacto direto nos preços das principais commodities, que apresentaram significativo aumento ao longo do ano. Como resultado, os dez principais produtos agrícolas, em 2020, apresentaram expressivo crescimento no valor de produção, na comparação com o ano anterior”, explicou o IBGE.

A cultura agrícola que mais contribuiu para a safra 2020 foi a soja, principal produto da pauta de exportação nacional, com produção de 121,8 milhões de toneladas, gerando R$ 169,1 bilhões, 35% acima do valor de produção desta cultura em 2019.

Em segundo lugar no ranking de valor, veio o milho, cujo valor de produção chegou a R$ 73,949 bilhões, com alta de 55,4% ante 2019. Pela primeira vez desde 2008, o valor de produção do milho superou o da cana-de-açúcar (R$ 60,8 bilhões), que caiu para a terceira posição. A produção de milho cresceu 2,8%, atingindo novo recorde: 104 milhões de toneladas.

O café foi o quarto produto em valor de produção, atingindo R$ 27,3 bilhões, uma alta de 54,4% frente ao valor de 2019. Já a produção de café chegou a 3,7 milhões de toneladas, com alta de 22,9% em relação ao ano anterior, mantendo o Brasil como maior produtor mundial.

No ano passado, Mato Grosso foi o maior produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país, seguido pelo Paraná, por Goiás e o Rio Grande do Sul.

Em relação ao valor da produção, Mato Grosso, destaque nacional na produção de soja, milho e algodão, continua na primeira posição no ranking, aumentando sua participação nacional para 16,8%, novamente à frente de São Paulo, destaque no cultivo da cana-de-açúcar. O Paraná, maior produtor nacional de trigo e segundo de soja e milho, ocupou, em 2020, a terceira posição em valor de produção, à frente de Minas Gerais, destaque na produção de café.

“O Rio Grande do Sul, que teve a produtividade de boa parte das culturas de verão afetadas pela estiagem prolongada no início de 2020, apresentou retração de 6,9% no valor de produção agrícola, caindo para a quinta posição no ranking, com participação nacional de 8,1%”, informou o IBGE,

Os 50 municípios com os maiores valores de produção agrícola do país concentram 22,7% (ou R$ 106,9 bilhões) do valor total da produção agrícola nacional. Desses 50 municípios, 20 eram de Mato Grosso, seis da Bahia e seis de Mato Grosso do Sul.

Sorriso (MT) manteve a liderança entre os municípios com maior valor de produção: R$ 5,3 bilhões, ou 1,1% do valor de produção agrícola do país. Em seguida, vieram São Desidério (BA), com R$ 4,6 bilhões, e Sapezal (MT) com R$ 4,3 bilhões.

Por Ana Cristina Campos, da Agência Brasil

Aquecimento global ameaça a produção de alimentos no Brasil

(Min. da Agricultura/Reprodução)

Um terço da produção mundial de alimentos está em risco por conta das emissões de gases do efeito estufa e do aquecimento global. Essa é a principal conclusão de um estudo publicado neste mês pelo periódico científico One Earth — e o Brasil, grande produtor agropecuário, deve ser seriamente afetado, se medidas não forem tomadas para reduzir a degradação ambiental.

Os pesquisadores, das universidades de Aalto, na Finlândia, e de Zurique, na Suíça, realizaram projeções considerando três cenários para o futuro: um mundo em que o aquecimento global fique limitado a 2 graus Celsius, chamado de “baixa emissão”; um aumento de 3 graus, a hipótese mais provável de ocorrer ainda neste século, considerando o contexto atual; e um aquecimento global de 5 graus, um cenário de “alta emissão”. Todas essas mudanças climáticas foram consideradas em comparação à era pré-industrial.

Os cientistas procuraram avaliar o impacto que tais mudanças climáticas teriam em cada região produtora de alimentos do globo — e, então, concluíram se as atividades econômicas hoje desenvolvidas ali estão em risco ou não. Na pesquisa, convencionou-se chamar de “ambiente climático seguro” aqueles onde ainda é viável desenvolver a produção de alimentos.

Foram avaliadas as 27 culturas alimentares mais importantes do planeta e sete tipos de rebanhos animais utilizados para alimentação humana. Países de áreas subtropicais e temperadas seriam menos afetadas. Dos 177 países analisados, 52 permaneceriam em espaços “seguros” no futuro — boa parte dos países europeus. Mas, no total, o cenário mais pessimista significaria que um terço das áreas hoje agropecuárias do planeta se tornariam improdutivas.

O Brasil, seria bastante afetado, sobretudo nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. “Em um cenário de alta emissão, grandes partes do Brasil estariam fora do ambiente climático seguro”, esclarece à DW o professor Matti Kummu, da Universidade de Aalto, principal autor do estudo. “De acordo com nossas estimativas, cerca de 17% da produção agrícola brasileira de alimentos e 37% da produção pecuária podem estar fora do espaço climático seguro até o fim deste século.”

Isto no pior cenário. Caso o aquecimento global se mantenha na tendência atual, ou seja, com um aumento de 3 graus Celsius, o prejuízo às áreas produtivas brasileiras seria de 6% em relação à agricultura e 22% à pecuária. Já na perspectiva mais otimista, ou seja, manter o aquecimento abaixo de 2 graus, toda a produção de alimentos no Brasil ficaria dentro do espaço climático seguro.

“Seria a melhor opção”, diz Kummu. “Isso requer, naturalmente, muitas intervenções. A melhor opção é reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa e interromper as mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, novas variedades de culturas precisam ser desenvolvidas, adaptadas às futuras condições climáticas.”

“Desmatamento predatório”

Se a longo prazo a agropecuária brasileira corre riscos, no atual momento os números são animadores para o setor. De acordo com levantamento divulgado no mês passado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de grãos deve superar, pela primeira vez na história, as 270 milhões de toneladas na safra deste ano, um crescimento de 6,5% em relação ao ano anterior.

Especialistas, contudo, acreditam que tal crescimento é sinal de que estamos engrenando em um ciclo vicioso. Oficialmente, a safra recorde é resultante, entre outros fatores, de um aumento de quase 4% da área cultivada. Em outras palavras, um indicativo de aumento de desmatamento.

“No médio e longo prazo, o Brasil deixará de ser uma potência agrícola por conta da política ruralista hoje implementada”, diz o biólogo Lucas Ferrante, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Ele afirma que, com a tecnologia existente hoje, o Brasil “já tem área desmatada suficiente para aumentar a produção agrícola como se precisa para dominar o mercado mundial”.

“O que vemos é um desmatamento predatório que tem prejudicado e irá prejudicar as safras nacionais. O Brasil deveria ser o primeiro país a defender medidas para mitigar as mudanças climáticas, porque é um dos países que mais deve sofrer perdas agrícolas por conta delas”, complementa ele. “Expandir a agricultura para a região amazônica, por exemplo, é um tiro no pé. Desmatar não aumenta a produção agrícola. Coloca o país em risco e diminui a produção.”

Segundo Ferrante explica, tais ações prejudiciais ao meio ambiente, além de acelerar o aquecimento global, acabam interferindo no regime das chuvas, inviabilizando muitas culturas. Exemplos de alterações já são visíveis em algumas regiões — cafezais abortam suas flores sob temperaturas acima dos 27 graus, o que já vem sendo relatado em algumas plantações de Minas Gerais, e a região Sul do país enfrenta, desde o ano passado, um período de estiagem. “Não adianta ter território para plantio se você não tem condições para fazer a lavoura florir e dar frutos. A situação é drástica”, argumenta o pesquisador.

Impacto da indústria

Vice-chefe do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Cerri concorda que o setor agrícola é afetado com as mudanças climáticas e defende práticas conservacionistas para mitigar esses efeitos.

É o caso de técnicas de plantio direto e rotação de culturas, além do uso racional de fertilizantes e outros insumos. “Isso aumenta o sequestro de carbono. E a integração entre lavoura, pecuária e floresta, os sistemas integrados, ajudam na menor emissão de gases na atmosfera”, explica.

Cerri aponta para o fato de que, no Brasil, atividades de silvicultura e agropecuária respondem por algo em torno de 20% a 25% das emissões de carbono. “Já a indústria, que usa combustível fóssil, é responsável pela maior parte.”

Mas o professor salienta que a indústria não é afetada pelo aquecimento global, enquanto a agropecuária, sim — não só pelo aumento das temperaturas, mas também pela mudança de precipitação.

“A agricultura, a pecuária e a silvicultura estão sofrendo os impactos [das mudanças climáticas] e podem sofrer mais intensamente”, ressalta. “Há práticas conservacionistas [feitas pelo setor] que ajudam muito [a mitigar esses efeitos], tanto para reduzir as emissões como para aumentar a fixação do carbono. Mas não vejo o mesmo esforço sendo feito por outros setores que mais emitem gases mas não são impactados.”

Por  Edison Veiga, da Deutsche Welle

Governo cria procedimento para importar produto agropecuário

Portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabelece procedimentos que deverão ser observados para a avaliação do impacto da abertura do mercado brasileiro para a importação de produtos agropecuários. 

De acordo com a portaria nº133, publicada no Diário Oficial de hoje (24), ficará a cargo da Secretaria de Defesa Agropecuária fixar os requisitos sanitários, fitossanitários e de segurança exigidos para a importação de produtos agropecuários. 

Já a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais será o órgão competente para avaliar os impactos econômicos e comerciais, bem como os impactos nas relações internacionais, decorrentes da abertura do mercado brasileiro para esses produtos.

Mercado brasileiro

A portaria detalha, ainda, a tramitação dos processos que tratam da “potencial abertura” do mercado brasileiro para produtos agropecuários. Ela prevê que a Secretaria de Defesa Agropecuária encaminhe à Secretaria de Comércio e Relações Internacionais – por meio do Sistema Eletrônico de Informações ou outro sistema eletrônico oficial em vigor – os processos com a conclusão das discussões técnicas e a decisão sobre requisitos sanitários, fitossanitários e de segurança que serão estabelecidos para abertura do mercado do Brasil para produtos agropecuários importados.

A Secretaria de Comércio e Relações Internacionais promoverá a avaliação dos impactos econômicos e comerciais e nas relações internacionais dos processos encaminhados pela Secretaria de Defesa Agropecuária.

Após a manifestação da Secretaria de Comércio, a Secretaria de Defesa Agropecuária dará sequência à publicação dos atos de definição dos requisitos sanitários, fitossanitários e de segurança a serem estabelecidos para abertura do mercado de produtos agropecuários para importação para o Brasil.

Por Agência Brasil

APAER quer que Itamar Borges mantenha Casas da Agricultura

Itamar Borges, novo secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado (Arquivo/Alesp)

A Associação Paulista de Extensão Rural (APAER) solicitou, via ofício e carta aberta, uma audiência com o novo secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado, Itamar Borges, que assumirá o cargo no lugar de Gustavo Junqueira. A entidade, formada por especialistas de órgãos públicos de extensão rural, pesquisa agropecuária, de universidades e organizações de produtores, quer o compromisso da pasta em revitalizar a Extensão Rural.

“A chegada do novo secretário traz esperança de diálogo e de um olhar mais sensível com a agricultura paulista, principalmente em relação a agricultura familiar, que é a principal responsável pela produção dos alimentos que chegam à mesa da população. É preciso um posicionamento claro sobre como ele pretende conduzir a pasta”, comenta Antônio Marchiori, presidente da APAER.

A principal preocupação da APAER é com o projeto de reestruturação da secretaria, desenhado na gestão de Gustavo Junqueira, e que foi alvo de críticas de várias entidades do setor. A proposta inicial previa o fechamento de todas as 574 Casas da Agricultura no Estado, ligadas à Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS – mais conhecida como CATI), e 48 Escritórios de Desenvolvimento Rural e de Defesa Agropecuária, das 80 unidades em funcionamento.

Antônio Marchiori, presidente da APAER (Divulgação)

A entidade chegou a apresentar, em dezembro do ano passado, um projeto de revitalização para preservar as Casas da Agricultura, elaborado em parceria com especialistas da Unesp, Esalq/USP, Unicamp e UFSCar, além da Embrapa. Em função das inovações que a proposta da APAER representa, ela foi denominada como “EXTENSÃO RURAL 7.0”, mas a Secretaria de Agricultura nunca respondeu às sugestões. 

“Em plena pandemia, a ameaça de extinção das Casas da Agricultura gerou muita insegurança entre os agricultores familiares, principalmente pela falta de transparência por parte da Secretaria. Até hoje não conseguimos ter uma posição clara do Estado sobre o que vai acontecer nesta reestruturação e se ela vai mesmo ser realizada”, afirma. 

Na audiência com Itamar Borges, a APAER pretende solicitar a abertura imediata das Casas da Agricultura, fechadas desde o início da pandemia, e propor a vacinação dos servidores contra a covid-19. A entidade quer que o novo secretário reveja a decisão do antecessor, que transferiu a gestão ambiental da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente para a estrutura da CATI, na Secretaria da Agricultura, o que, na visão da APAER, “paralisou o trabalho de extensão rural em São Paulo”. 

Aprovada na Alesp, terceirização da inspeção agropecuária pode ser judicializada

(Marianna Bonaccini/Alesp)

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) aprovou, esta semana, o Projeto de Lei 596/2020 que permite a terceirização do serviço de inspeção e fiscalização sanitária de produtos de origem animal. A Associação Paulista de Extensão Rural (APAER) diz que a questão poderá ser judicializada e estuda a medida junto a outras entidades que atuam no setor.

“A lei coloca os produtores e processadores de alimentos do Estado, incluindo o agricultor familiar, à margem da legislação federal, o que pode ser questionado na Justiça”, diz Antônio Marchiori, presidente da APAER.

Segundo a entidade, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) tem hoje mais de oito mil cargos vagos, e o Governo usou a falta de pessoal como argumento para aprovar a Lei e justificar a terceirização.  

“A falta de pessoal com certeza implica na precarização dos serviços, mas ela é resultado de uma política do próprio Estado, ao longo de décadas de sucateamento, que agora joga para as costas do produtor e da indústria de alimentos o preço desta ineficiência, por falta de uma gestão que dialogue com os diversos segmentos do agro”, comenta.

A APAER ressalta que a falta de uma infraestrutura mínima impede o Estado de aderir ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI-POA), que faz parte do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA). Este sistema padroniza e harmoniza os procedimentos de inspeção de produtos de origem animal, para garantir a qualidade dos alimentos e a segurança alimentar da população. A privatização dos serviços de inspeção não encontra amparo na legislação federal.

“Como o Estado de São Paulo não conseguiu ter uma estrutura mínima para aderir ao sistema federal, os agricultores familiares, hoje, já encontram dificuldade para vender em outros Estados e são obrigados a concorrer com produtos que vêm de fora. Com a nova lei, a situação do setor ficará ainda mais grave”, sinaliza Marchiori.

A lei, que depende de regulamentação, segue agora para a sanção do governador João Doria, e entra em vigor quatro meses após publicação no Diário Oficial. 

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Kepler Weber faz 96 anos e anuncia R$ 22 milhões em investimentos

Na semana em que completa 96 anos, comemorado em 12 de maio, a Kepler Weber, líder na América Latina em soluções pós-colheita para armazenagem de grãos e movimentação de granéis em portos, anuncia um pacote de R$ 22 milhões em investimentos, além dos R$ 12 milhões já divulgados nos resultados do primeiro trimestre de 2021. A maior parte do montante (R$ 22 milhões) aprovado pelo Conselho de Administração será destinada especificamente para a modernização das fábricas e aprimorar o posicionamento da empresa em Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG). 

“Estamos em um momento muito especial da história da empresa, com cenário positivo para os negócios”, comenta Piero Abbondi, CEO da Kepler Weber. “Fizemos um bom dever de casa até aqui e esta é a hora de olhar para o futuro, colocando em prática os projetos que vão garantir eficiência no longo prazo”.

A Kepler Weber tem duas unidades industriais no Brasil, uma em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e outra em Panambi, Rio Grande do Sul. O valor anunciado agora será aplicado na aquisição de equipamentos para ampliar a capacidade produtiva da empresa, que iniciou o ano com mais de duzentas obras simultâneas espalhadas pelo Brasil, o melhor resultado dos últimos anos.

Com os R$ 12 milhões anunciados no primeiro trimestre, segundo o balanço da companhia, a empresa atinge R$ 34 milhões em investimentos. O maior volume, de janeiro a março, foi destinado para a planta de Campo Grande, com a implantação de três novos equipamentos. 

“Estas novas máquinas representam um aumento de 30% na capacidade de produção, o que nos permitiu, inclusive, internalizar a fabricação de algumas peças que eram terceirizadas”, explica Fabiano Schneider, gerente industrial e de inovação da Kepler Weber.

O novo aporte vai impactar, diretamente, os resultados da unidade de Panambi. Além de ampliar a capacidade produtiva, os novos equipamentos reforçam a preocupação da empresa com a sustentabilidade, porque agregam melhor eficiência energética à produção, reduzem a emissão de poluentes, além de ampliar a segurança dos colaboradores.

“Este olhar 360º, buscando eficiência sem descuidar de quem está na ponta ou do ambiente em que estamos inseridos, é o que nos permite colocar a companhia na vanguarda do segmento de armazenagem de grãos e de movimentação de granéis, entregando produtos que têm a qualidade como diferencial competitivo”, finaliza Abbondi.

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Kepler Weber lança sensor de nível que monitora silos

(Divulgação)

A Kepler Weber acaba de lançar um sensor de nível para silos que opera por radar de ondas livres, uma tecnologia que permite monitorar com precisão, e em tempo real, o volume e a movimentação de grãos armazenados. O dispositivo atuará em sintonia com o quadro de comando e a plataforma KW Cloud – sync, na qual os dados serão disponibilizados e podem ser acessados pelo produtor por meio de computador ou celular.

“É uma tecnologia que pode ser embarcada nas estruturas de armazenagem, tanto novas quanto já em operação, e que permite saber o volume de grãos armazenados no silo, além de detectar eventuais movimentações na massa de grãos”, explica Fabiano Schneider, gerente industrial e de inovação da Kepler Weber. 

Com antenas e emissor integrados, o sensor permite a medição até mesmo em ambientes com poeira em suspensão. Segundo a companhia, que é líder na América Latina em armazenagem de grãos e movimentação de granéis, o sensor pode ser instalado em silos de todos os tamanhos, sem causar impacto na estrutura e com “mínima manutenção”.

Ao longo de 2020, a empresa investiu R$ 2,7 milhões no desenvolvimento de novos produtos, segundo o último relatório de resultados divulgado no fim de fevereiro. 

“A companhia tem investido em tecnologia, porque acredita na valiosa contribuição que a indústria 4.0 pode trazer ao pós-colheita, agregando eficiência e segurança”, comenta Piero Abbondi, CEO da Kepler Weber. 

Além do sensor de nível, o portfólio da empresa já inclui outras plataformas que permitem automatizar a operação de silos e de sistemas de secagem. No ano passado, a Kepler Weber adquiriu a empresa Seletron, que atua na seleção de grãos, em um movimento na direção de buscar novas tecnologias e mercados.

Sobre a Kepler Weber

Há 95 anos no mercado, a Kepler Weber é líder na América Latina em soluções para armazenagem de grãos e movimentação de granéis. Listada na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) desde 1980, as unidades industriais da companhia, em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul, somam 88 mil metros quadrados e capacidade de produzir silos para estocar 5 milhões de toneladas por ano.

A missão da empresa é estimular a cultura da armazenagem, como estratégia para o agro brasileiro, visando reduzir o déficit de estocagem no Brasil, estimado em 81 milhões de toneladas em 2020. Este déficit ameaça a segurança alimentar do país e expõe os setores produtivos a riscos financeiros. Sem ter onde guardar os grãos, os produtores têm pouca margem para negociar as safras no mercado de commodities.

A Kepler Weber também contribui para melhorar a infraestrutura e a logística do Brasil, com mais de duzentas obras em fazendas, portos e terminais de transbordo no Brasil. Já implantou projetos em mais de 50 países e 5 continentes e investe em tecnologia para garantir maior eficiência energética e melhor desempenho das estruturas de armazenagem.

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Produção de grãos deve chegar a 268,3 milhões de toneladas, diz Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o país produzirá 268,3 milhões de toneladas de grãos na safra 2020/2021. O número representa um crescimento de 4,4% (ou 11,4 milhões de toneladas), se comparado ao da na safra anterior. É o que aponta o 5º Levantamento da Safra de Grãos 2020/21, divulgado hoje (11), em Brasília.

A área total plantada está estimada em 67,7 milhões de hectares, o que representa crescimento de 2,7% na comparação com a safra 2019/2020. O levantamento foi feito na última semana de janeiro

Com relação ao milho, houve um ganho de 3,5 milhões de toneladas na comparação com o levantamento anterior. Esse crescimento se deve a uma expansão de 4,4% na área de plantio do milho segunda safra.

Já para o milho primeira safra a produção esperada é de 23,6 milhões de toneladas, mas a área cultivada apresenta uma redução de 0,8%. “Somando-se a segunda e a terceira safras, a produção total poderá atingir 105,5 milhões de toneladas, 2,9% maior que a obtida em 2019/20”, informou a Conab.

Soja tem tendência de crescimento

A soja está mantendo a tendência de crescimento na área cultivada. A Conab estima que a cultura dessa oleoginosa abrange 38,3 milhões de hectares, número 3,6% maior do que o registrado na safra anterior. A produção deve chegar a 133,8 milhões de toneladas.

“O feijão mostra um crescimento na primeira safra de 0,6% na área e produção estimada em um milhão de toneladas. Quando somadas as três safras, este número de produção passa para 3,2 milhões de toneladas. Enquanto isso, a safra de arroz deverá sofrer uma redução de 2,3% na área cultivada, totalizando 1,7 milhão de hectares e 10,9 milhões de toneladas na produção”, acrescentou a Conab.

O algodão, que teve uma concentração do plantio em janeiro, tem previsão de recuo tanto de área (13,1%) como de produção (16%). “Essa redução é muito em decorrência dos preços não favoráveis, afetados, também, pela pandemia”, disse o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Maurício Lopes.

A primeira safra de amendoim deve resultar em uma produção de 560,5 mil toneladas, em uma área 3% maior do que a da safra 2019/2020. Já o trigo, que tem o início de plantio a partir de março, tem perspectivas de crescer 2,1% na área semeada e uma produção de 6,4 milhões de toneladas.

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil 

Governo rebate Macron: “Soja brasileira não exporta desmatamento”

O governo brasileiro rebateu nesta quarta-feira (13/01) uma declaração feita pelo presidente da França, Emmanuel Macron, criticando a produção de soja em áreas desmatadas no Brasil.

Na terça-feira, Macron escreveu no Twitter que “continuar dependendo da soja brasileira é endossar o desmatamento na Amazônia”. “Somos coerentes com as nossas ambições ecológicas, estamos lutando para produzir soja na Europa!”, completou.

O texto acompanha um vídeo de 30 segundos, em que o presidente francês destaca que, “quando importamos a soja produzida a um ritmo rápido a partir da floresta destruída no Brasil, nós não somos coerentes” com as ambições ecológicas europeias.

“Nós precisamos da soja brasileira para viver? Então nós vamos produzir soja europeia ou equivalente”, acrescenta ele no vídeo.



Nesta quarta-feira, o Ministério da Agricultura divulgou uma nota negando que a soja brasileira seja cultivada em terras desmatadas e alegando que a produção local é sustentável.

“A declaração do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a soja brasileira mostra completo desconhecimento sobre o processo de cultivo do produto importado pelos franceses e leva desinformação a seus compatriotas”, disse a pasta no texto.

“O Brasil é o maior produtor e exportador de soja do mundo, abastecendo mais de 50 países com grãos, farelo e óleo. Detém domínio tecnológico para dobrar a atual produção com sustentabilidade, seja em áreas já utilizadas, seja recuperando pastagens degradadas, não necessitando de novas áreas. Toda a produção nacional tem controle de origem. A soja brasileira, portanto, não exporta desmatamento”, completou.

Mais cedo, o vice-presidente Hamilton Mourão – que é presidente do Conselho da Amazônia – já havia reagido às críticas de Macron, afirmando que o Brasil cultiva pouca soja na Amazônia e que a França não tem como competir com o Brasil em termos de produção agrícola.

Monsieur Macron n’est pas bien [Senhor Macron não está bem]”, disse Mourão, em francês, após ser questionado por jornalistas sobre o caso.

“Macron desconhece a produção de soja do Brasil, nossa produção de soja é feita no Cerrado e no sul do país. A produção agrícola na Amazônia é ínfima. Por outro lado, nossa capacidade de produção é imbatível, vamos colocar assim, nossa competição neste ramo aí está muito acima dos demais concorrentes”, acrescentou o vice-presidente.

Segundo Mourão, a França “não tem condições de competir com a gente”. “Em outros aspectos, onde a indústria francesa, por exemplo, é melhor. Agora, nesse aspecto aí, na questão da produção agrícola, nós damos de 10 a 0 neles”, completou.

Soja importada pela Europa

A Europa é uma grande importadora de soja da América Latina, principalmente do Brasil. O cultivo em território brasileiro e a importação de soja para ser usada, por exemplo, como ração para pecuária e biocombustível têm sido fortemente criticados por impulsionar o desflorestamento.

Um relatório apresentado na semana passada em Berlim, intitulado Fleischatlas 2021 (“Atlas da carne 2021”), apontou que 50% dos produtos agrícolas enviados do Brasil à União Europeia, especialmente soja, carne bovina e café, são produto do desmatamento.

Já entre os países europeus, a França é o maior produtor de soja. Em 2020, o governo francês anunciou um plano para aumentar a produção local do grão, visando reduzir a dependência das importações, uma vez que o país continua comprando soja de outros países, sobretudo do Brasil – o que já gerou protestos de organizações ambientalistas como o Greenpeace, justamente por conta da associação entre a produção de soja e o desmatamento.

Varejistas franceses também anunciaram que, a partir de 2021, não mais comprariam soja brasileira que tivesse sido cultivada em áreas desmatadas.

Críticas à política ambiental

O aumento do desmatamento na Amazônia e em outros biomas brasileiros nos últimos dois anos gerou uma onda de indignação internacional, com Macron sendo uma das vozes mais críticas à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro.

Os líderes francês e brasileiro chegaram a trocar farpas públicas. Em 2019, Macron disse que as queimadas no Brasil – cujas imagens correram o mundo e aumentaram a pressão sobre o governo brasileiro – eram uma “crise global” e precisavam ser discutidas “com urgência” pelo G7.

À época, a posição de Macron irritou Bolsonaro, que reagiu afirmando que a postura do francês evocava “mentalidade colonialista descabida no século 21”. Membros do governo Bolsonaro e filhos do presidente chegaram a xingar Macron nas redes sociais, e o próprio presidente fez um insulto machista à primeira-dama francesa, Brigitte Macron.

A situação do meio ambiente no Brasil levou inclusive alguns países europeus a ameaçarem não ratificar o acordo de livre-comércio assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que ainda precisa ser confirmado pelos parlamentos de ambas as partes.

Em agosto de 2020, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, se uniu a Macron como voz crítica ao acordo. Por meio de seu porta-voz, ela disse ter “sérias dúvidas” sobre a implementação do pacto comercial devido ao aumento do desmatamento na Amazônia.

Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia cresceu 85%, atingindo 9.165 quilômetros quadrados, o maior nível registrado no bioma desde 2016, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Por Deutsche Welle

EK/dpa/lusa/ots