Caminhão baú com tampa traseira aberta. Dentro, caixas, aparentemente de madeira, sendo retiradas por uma máquina empilhadeira. É noite e há um farol aceso à frente do caminhão.

Alemanha confirma envio de armamento pesado à Ucrânia

Em uma mudança brusca de postura, a Alemanha anunciou neste sábado (26/02) o fornecimento de armas pesadas ao exército ucraniano. O anúncio foi feito pelo chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, pelo Twitter. Segundo ele, a Alemanha enviará à Ucrânia 1.000 armas capazes de destruir veículos de combate, conhecidas popularmente como antitanques, e 500 mísseis terra-ar Stinger, do estoque das Forças Armadas Alemãs (Bundeswehr).

“O ataque russo à Ucrânia marca um ponto de virada. Ameaça toda a nossa ordem pós-guerra”, justificou Scholz. “Nesta situação, é nosso dever fazer o nosso melhor para apoiar a Ucrânia na defesa contra o exército invasor de Vladimir Putin. A Alemanha está perto da Ucrânia”, completou Scholz.

Caminhão baú com tampa traseira aberta. Dentro, caixas, aparentemente de madeira, sendo retiradas por uma máquina empilhadeira. É noite e há um farol aceso à frente do caminhão.
Suprimentos de apoio enviados pela Lituânia para a Ucrânia (Otan/Reprodução)

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, saudou a decisão alemã. “Continue assim, chanceler Olaf Scholz”, escreveu no Twitter.

Mais cedo, Berlim havia permitido que a Holanda enviasse à Ucrânia 400 bazucas e que a Estônia fornecesse a Kiev peças de artilharia do estoque da antiga Alemanha Oriental, que por acordos contratuais, exigiam a aprovação da Alemanha antes de serem repassadas.

Além disso, a Alemanha quer entregar 14 veículos blindados e até 10.000 toneladas de combustível à Ucrânia.

A oposição também apoiou a decisão de Scholz. “Agora que vemos claramente que a diplomacia chegou ao fim, temos que estar dispostos a apoiar aqueles que obviamente estão sendo ameaçados massivamente por essa agressão”, disse o líder da CSU no Parlamento alemão, Alexander Dobrindt.

Resistência em fornecer armas

Até agora, a Alemanha vinha se mantendo irredutível em não permitir que armas letais da Alemanha ou de fabricação alemã fossem enviadas à Ucrânia, uma política de longa data aplicada também a outros países. No entanto, em meio a críticas de várias nações, inclusive da própria Ucrânia, e à pressão de aliados da União Europeia e da Otan, mudou a postura. 

Países do bloco europeu já haviam externado a intenção de enviar armas à Ucrânia, mas não podiam fazê-lo sem a autorização da Alemanha.

Neste sábado, o primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, criticou a Alemanha, afirmando a Ucrânia precisa de “ajuda real” para seus soldados e classificou como “brincadeira” o envio da Alemanha de 5.000 capacetes à Ucrânia.

Outros países da OTAN, incluindo o Reino Unido e os EUA, já haviam fornecido armas à Ucrânia nas últimas semanas.

A autorização deste sábado pode significar um rápido aumento na assistência militar europeia para a Ucrânia, já que grande parte das armas e munições do continente são fabricadas na Alemanha, dando a Berlim o controle legal sobre sua transferência. 

Isso, porém, não significa necessariamente que todos os pedidos de envio de armas passarão a ser aprovados por Berlim.

Horas antes do anúncio de Scholz, o embaixador ucraniano na Alemanha, Andrij Melnyk, havia manifestado esperança de que o governo alemão desse sinal verde para o fornecimento de armas defensivas à Ucrânia.

Melnyk especificou que os dois principais tipos de armas defensivas que a Ucrânia precisa são mísseis de defesa antiaérea e mísseis antitanque, “para interromper a ofensiva terrestre e proteger o espaço aéreo”.

Restrição “direcionada” da Rússia ao Swift

Também neste sábado, em outra mudança de postura, a Alemanha expressou sua disposição para apoiar uma restrição “seletiva e funcional” do acesso da Rússia ao sistema bancário Swift.

O Ministério das Relações Exteriores alemão informou que está trabalhando em maneiras de limitar os “danos colaterais” de uma desconexão russa do sistema “para que isso afete aqueles que deve afetar”.

“O que precisamos é de uma restrição seletiva e funcional do Swift”, acrescentou o ministério.

A Alemanha vinha resistindo à desconexão da Rússia do Swift por conta do enorme impacto que essa medida teria também no mercado alemão.

Não seria possível, por exemplo, pagar pelo gás russo e, portanto, também não seria possível comprá-lo, argumentou o ministro das Finanças alemão, Christian Lindner.

Já a ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, expressou preocupação com o fato de que excluir a Rússia do sistema Swift também significaria que ela não poderia financiar projetos humanitários ou que cidadãos residentes na Europa pudessem enviar dinheiro para suas famílias.

Zelenski já havia clamado, em particular, à Alemanha e à Hungria para apoiar a exclusão da Rússia do sistema bancário Swift. 

Durante uma visita à fronteira com a Ucrânia, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, garantiu que seu governo apoiaria todas as sanções impostas pela União Europeia contra a Rússia. “Este é o momento de estarmos unidos, é uma guerra.” 

Em uma ligação telefônica para Zelenski , o primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, também prometeu seu total apoio às sanções da UE, “incluindo as sanções relacionadas a Swift”. 

le (efe, ots)

Tela de celular com dezenas de aplicativos instalados. Telegram, Whatsapp e Facebook se destacam.

Usuários do Telegram são punidos por fake news na Alemanha

A Alemanha está punindo operadores de canais do aplicativo de mensagens que espalhem teorias da conspiração sobre o coronavírus e conteúdo antissemita Telegram.

Vários canais pertencentes ao teórico da conspiração e negacionista da pandemia Attila Hildmann foram bloqueados nesta quarta-feira (09/02) por “violarem as leis locais”. Segundo a revista Der Spiegel, as restrições só afetam os usuários da Alemanha.

Hildmann, que ganhou fama como chefe de cozinha vegano, já era notório por convocar seus seguidores ao uso da violência contra o Estado alemão, além de fazer numerosas declarações antissemitas. 

Tela de celular com dezenas de aplicativos instalados. Telegram, Whatsapp e Facebook se destacam.
(Pixabay)

Depois que um mandado de prisão foi emitido contra ele, o ativista de direita de 40 anos fugiu da Alemanha para a Turquia em 2021.

Batida no sul da Alemanha

Em Rosenheim, no estado da Baviera, sul da Alemanha, a polícia fez uma batida nesta quarta-feira na casa e escritório de um suspeito de espalhar conteúdo antissemita na plataforma.

Os agentes acreditam que desde 2021 o homem de 59 anos publicou conteúdos de incitação ao ódio e disseminação de teorias da conspiração em pelo menos 45 ocasiões

Ele operava um canal do Telegram com mais de 800 participantes, onde, por exemplo, eram divulgadas teorias negacionistas do Holocausto. Em sua casa foram apreendidos discos rígidos. Um porta-voz da polícia informou que o suspeito cooperou com as autoridades e concordou em ser levado para a delegacia.

As medidas ocorrem poucos dias depois de a ministra do Interior alemã, Nancy Faeser, ter se reunido com executivos do Telegram.

Luz de emergência em cima de uma viatura, na cor azul, ligada e, ao fundo, desfocado, um socorrista e uma ambulância

Atiradores que mataram dois policiais são procurados na Alemanha

Dois policiais foram mortos a tiros no sudoeste da Alemanha nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (31/01) após pararem um veículo numa estrada para fiscalização.

O incidente ocorreu por volta das 4h20 (hora local) na estrada Kreisstrasse 22, na altura do povoado de Ulmet, no distrito de Kusel  cerca de 150 quilômetros a sudoeste de Franfkurt e 40 quilômetros a oeste de Kaiserslautern. A cidade fica perto da fronteira com a França e Luxemburgo.

Os policiais foram baleados quando pararam um veículo durante um patrulhamento de rotina.

Luz de emergência em cima de uma viatura, na cor azul, ligada e, ao fundo, desfocado, um socorrista e uma ambulância
(Arquivo/Reprodução)

De acordo com o tabloide Bild, os policiais se comunicaram com os colegas por rádio no momento do ocorrido, informando que tinham parado um veículo suspeito que levava no porta-malas um animal silvestre morto. Logo depois, eles enviaram uma segunda mensagem: “Eles estão atirando em nós”. Com base nisso, a polícia acredita se tratar de pelo menos dois suspeitos.

“Nossos colegas avisaram por rádio que estavam revistando um veículo. Pouco depois nos informaram que estavam sendo alvejados”, disse Bernhard Christian Erfort, porta-voz da polícia da região, ao jornal Bild.

Autoridades decretam luto

As vítimas são um policial de 29 anos e uma policial de 24 anos que estavam fazendo patrulhamento de rotina na região. Ela ainda estava na academia de polícia em treinamento e já foi encontrada morta quando os reforços chegaram, enquanto o outro policial morreu pouco depois. 

“A polícia está procurando os criminosos em fuga e está recolhendo pistas na cena do crime”, disse a polícia em comunicado. “A descrição do criminosos ou do veículo que eles estão usando não está disponível. A direção para onde eles fugiram não é conhecida.”

“Pelo menos um dos suspeitos está armado”, disse o comunicado da sede da polícia local do estado de Renânia-Palatinado.

A governadora de Renânia-Palatinado, Malu Dreyer, e o secretário do Interior do estado, Roger Lewentz, disseram estar “profundamente tristes” pela tragédia.

Eles determinaram que as bandeiras fiquem a meio mastro na Renânia-Palatinado e disseram que bandeiras de luto estariam disponíveis para carros de patrulha.

Um dos principais sindicatos policiais da Alemanha, o GdP, disse estar “profundamente chocado com as mortes violentas”.

“Nossos pensamentos estão com os parentes dos mortos e também com nossos colegas”, disse a presidente do sindicato na Renânia-Palatinado, Sabine Kunz, em comunicado. “Esperamos que o atirador ou atiradores possam ser presos rapidamente, para que o perigo potencial para a população em geral seja evitado.”

A polícia isolou a estrada Kreisstrasse 22 entre os povoados de Mayweilerhof e Ulmet. Mais tarde, eles alertaram sobre outras possíveis interrupções de tráfego nas proximidades como resultado das buscas.

md/lf (DPA, AFP, ots)

Olaf Scholz de camisa social branca, com fundo vermelho.

Scholz é eleito novo chanceler alemão e encerra era Merkel

O Parlamento alemão (Bundestag) elegeu oficialmente nesta quarta-feira (08/12) o social-democrata Olaf Scholz como o novo chanceler federal do país, encerrando os 16 anos de governo da conservadora Angela Merkel.

Scholz recebeu 395 votos dos 707 deputados presentes (mais do que os 369 necessários), num pleito que já tinha resultado conhecido de antemão. Ele recebeu 303 votos contrários, e houve seis abstenções. 

Em seguida, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, nomeou Scholz como chefe de governo. Com a entrega da certidão de nomeação, o poder foi oficialmente transferido de Merkel para seu sucessor.

Olaf Scholz de camisa social branca, com fundo vermelho.
Olaf Scholz, novo primeiro-ministro da Alemanha (Tobias Rehbein/Pixabay)

Antes de ascender à Chancelaria, Scholz, de 63 anos, foi Ministro das Finanças e vice-chanceler no quarto mandato de Merkel, quando o Partido Social-Democrata (SPD) foi o parceiro minoritário em uma coalizão liderada pela União Democrata-Cristã (CDU) da antiga chanceler. Nas eleições federais de setembro, os papéis se inverteram, e o SPD foi o partido mais votado, com 25,7%, à frente da CDU, que ficou com 24,1%.

Merkel não havia concorrido a um novo mandato e o SPD decidiu formar uma nova coalizão com o Partido Verde e o Partido Liberal Democrático (FDP, na sigla em alemão), que ficaram em terceiro e quarto lugar, respectivamente. Social-democratas e verdes já governaram juntos entre 1998 e 2005. Já os liberais foram parceiros do SPD nos anos 1970 e início dos 1980.

No sistema alemão, um governo que pretende ser estável precisa contar com mais de 50% dos deputados do Bundestag. Como raramente um partido consegue sozinho essa marca, entra a costura de coalizões. O governo liderado por Scholz terá uma característica inédita em mais de seis décadas: será a primeira vez desde o final dos anos 1950 que um governo alemão será formado por uma coalizão com mais de dois partidos.

A equipe

O primeiro governo liderado pela centro-esquerda em 16 anos também será o primeiro com um ministério distribuído igualmente entre mulheres e homens no país.

Seguindo uma promessa de campanha de Scholz, oito pastas serão ocupadas por mulheres, e oito, por homens. O percentual de mulheres no comando de ministérios, de 50%, é o maior da história da Alemanha.

O vice-chanceler será o copresidente do Partido Verde Robert Habeck, de 52 anos, que assumirá também um superministério da Economia e Clima.

Já o Partido Liberal Democrático ficará com o mais poderoso dos ministérios do governo alemão, o das Finanças, que será comandado pelo presidente da sigla, Christian Lindner, de 42 anos. Ele deverá dar continuidade a uma política de austeridade fiscal, sem aumento de impostos.

O ministério do Interior será liderado pela primeira vez por uma mulher, a também social-democrata Nancy Faeser, de 51 anos. Candidata do Partido Verde para a Chancelaria Federal nas eleições de setembro, a copresidente do Partido Verde Annalena Baerbock ficou com a pasta do Exterior.

A idade média do novo chanceler federal e de seus 16 ministros e ministras é de 50,4 anos –  menor do que as médias de todos os inícios de legislatura dos quatro governos anteriores, liderados por Merkel. O mandato mais recente de Merkel teve uma média de idade de 51,4 anos.

Aos 63 anos, o mais velho do governo é o próprio Scholz. As ministras mais jovens são as verdes Baerbock e Anne Spiegel (à frente da pasta da Família), que fazem aniversário no mesmo dia e completarão 41 anos em 15 de dezembro.

Leia mais: os ministros do novo governo alemão

Os desafios

O novo governo alemão assume em um momento extremamente delicado, com a quarta onda da pandemia pressionando o sistema de saúde de diversos estados do país e com seguidos recordes de novas infecções.

O SPD nomeou o deputado e epidemiologista Karl Lauterbach como ministro da Saúde. Lauterbach se tornou uma figura conhecida durante a pandemia, defendendo a vacinação e a imposição de lockdowns em diversas entrevistas. Ele também já defendeu tornar a vacina obrigatória e restringir ainda mais a locomoção dos não vacinados. No momento, apenas 69,1% da população está totalmente vacinada.

Scholz já manifestou ser favorável a uma obrigatoriedade, e o novo governo deve começar a impor a exigência para trabalhadores da área da saúde e funcionários de lares de idosos, que terão até março para estarem totalmente imunizados. A pandemia “vai exigir toda a nossa força e energia”, afirmou Scholz na terça-feira.

No plano externo, Scholz também terá que lidar com as recentes ações da Rússia para desestabilizar a Ucrânia. Nesta terça-feira, ele já havia exortado a Rússia a respeitar a integridade da fronteira ucraniana e descreveu a situação criada pela movimentação de tropas russas como “muito grave”.

“Para nós, a inviolabilidade das fronteiras é inquestionável”, disse Scholz na sua primeira conferência de imprensa depois da assinatura, em Berlim, do acordo de coligação entre SPD (sociais-democratas), verdes e os liberais do FDP.

No plano interno, o novo governo alemão terá que lidar com as cobranças crescentes para que o país faça mais para a proteção climática, especialmente na transição para uma matriz energética mais limpa. Também estão na pauta o combate ao extremismo de direita, especialmente no seio das forças de segurança, a modernização da infraestrutura na Alemanha e o combate à desigualdade.

Scholz ainda tem um desafio pessoal adicional: assumir o mesmo papel de liderança na Europa que Merkel interpretou com destreza por 16 anos. A agora ex-chanceler federal marcou a história recente do bloco europeu com seus esforços para manter a coesão da UE em meio a recorrentes crises nos últimos anos. Analistas apontam que, até Scholz consolidar seu poder, é provável que outros líderes europeus, como o presidente francês, Emmanuel Macron, enxerguem uma oportunidade para assumir papéis mais assertivos de liderança, aproveitando o vácuo deixado por Merkel.

O relacionamento franco-alemão, considerado o motor da unidade europeia, também deve continuar a ser uma prioridade para o novo governo. A primeira viagem oficial de Scholz deve ocorrer ainda nesta semana. O destino: Paris.

Os planos

A nova coalizão de governo expôs seus planos de governo em um documento de 177 páginas, divulgado no fim de novembro. As diretrizes buscaram um compromisso entre os três partidos, que exibem concordância em muitas questões sociais, mas divergem mais na área econômica.

O acordo prevê mudanças significativas na política ambiental da Alemanha e aborda problemas persistentes do país, como o envelhecimento da população alemã e a escassez de habitações.

Entre pontos de mais destaque estão a criação de um Ministério da Habitação e planos para construir 400 mil novos apartamentos por ano. Os partidos também concordaram em legalizar a maconha para fins recreativos, incluindo a venda em lojas autorizadas; baixar a idade mínima para votar de 18 para 16 anos; criar um sistema de imigração baseado em pontos para atrair trabalhadores qualificados; facilitar a obtenção da cidadania alemã; e aumentar o salário-mínimo para 12 euros por hora – hoje ele é de 9,60 euros.

Leia mais: Os planos da nova coalizão

O novo chanceler

Com 63 anos, Scholz exibe várias características similares às de Merkel: conhece as limitações da sua falta de carisma, preferindo ter como marca pessoal a eficiência e o pragmatismo. Experiente em lidar com crises, ele também é considerado um hábil negociador.  É muito raro que ele demonstre emoções. Mesmo em momentos de alegria, ele exibe a contenção de um mordomo britânico, como observou um jornalista. Já a revista Der Spiegel o classificou certa vez como a “encarnação do tédio na política”.

Como ministro das Finanças no governo Merkel, Scholz também ocupou uma boa posição para brilhar na crise causada pela pandemia de coronavírus: ele foi responsável por desembolsar bilhões de euros em fundos de emergência para ajudar a economia e os cidadãos do país.

Nascido em Osnabrück em 14 de junho de 1958, Olaf Scholz entrou para o SPD aos 17 anos. Inicialmente, ele flertava com as ideias mais à esquerda do partido, mas com os anos, conforme galgava posições no interior da sigla, moveu-se mais para o centro.

Antes de ocupar a pasta das Finanças no governo Merkel, Scholz foi secretário-geral do SPD e secretário do Interior e prefeito de Hamburgo.

Ele se tornou um rosto nacionalmente conhecido durante o governo do chanceler social-democrata Gerhard Schröder (1998-2005), quando foi encarregado de defender publicamente e negociar a aprovação da Agenda 2010, um programa de modernização do mercado de trabalho, que trouxe rígidos cortes em benefícios sociais, mas também proporcionou um caminho para o crescimento econômico da Alemanha nos anos seguintes.

Durante a campanha eleitoral de 2021, Scholz teve sucesso em emplacar entre os eleitores uma imagem de “nova Merkel”, ou seja, uma figura de continuidade tranquilizadora. Em agosto, o ministro das Finanças chegou a posar para uma revista imitando o “Merkel-Raute”, o gesto com as mãos em formato de losango que é a marca registrada da chanceler.

A tática de se confundir com Merkel fez sucesso. Seu partido, o SPD, era considerado moribundo no início de 2021, após sucessivos anos de declínio eleitoral, mas no final conseguiu vencer as eleições legislativas de setembro. Grande parte da vitória foi atribuída a Scholz, que em várias pesquisas aparecia como mais popular que sua própria sigla entre o eleitorado.

O fim da era Merkel

Angela Merkel deixa o posto de chanceler federal após 16 anos e 16 dias no posto. Com isso, ela se tornou a terceira mais longeva chanceler do país, atrás apenas do seu antigo padrinho político Helmut Kohl, que permaneceu 16 anos e 26 dias, e Otto von Bismarck, o primeiro chanceler do Império Alemão, que ocupou o posto por quase 23 anos. 

Merkel anunciou que não concorreria à reeleição três anos atrás. Ainda que mais enfraquecida no seu quarto e último mandato, ela se tornou a primeira chanceler federal da Alemanha moderna que deixou o poder nos seus próprios termos, e não como resultado de uma derrota eleitoral ou maquinação interna da sua sigla, como havia ocorrido com todos os seus antecessores no período pós-guerra.

O pleito de 2021 marcou a primeira vez na Alemanha moderna que um chanceler no cargo decidiu não concorrer à reeleição.

Ela já havia expressado essa ideia em 1998, quando disse: “Quero, em algum ponto, encontrar o momento certo de deixar a política.”

Aos 67 anos, Merkel é considerada jovem o suficiente para assumir outras funções. Nos últimos anos sua aposentadoria iminente alimentou especulações sobre ela vir a assumir algum cargo de prestígio em alguma instituição internacional ou até mesmo lucrar com consultorias e palestras, como vários de seus antecessores o fizeram.

Mas Merkel tem desconversado sobre seu futuro e o que pretende fazer após deixar o dia a dia da política alemã, limitando-se a falar sobre planos mais prosaicos. “Tentarei ler algo — e então meus olhos ficarão pesados, porque estou cansada, daí dormirei um pouquinho. Depois veremos onde reapareço”, afirmou ela há alguns meses. “Decidi que primeiro não vou fazer nada — e verei o que acontece. Acho essa ideia realmente fascinante.”

Por Deutsche Welle
jps/lf (ots)

Alemanha impõe restrição a não vacinados contra covid-19

Apenas vacinados ou recuperados de uma infecção pelo coronavírus Sars-Cov-2 deverão poder frequentar lojas e eventos culturais na Alemanha até segunda ordem, segundo decisão tomada nesta quinta-feira (02/12) pelos governos estaduais alemães em conjunto com o governo federal.

As novas e mais severas medidas, já em vigor em alguns estados, deverão passar a valer em âmbito federal, independentemente das taxas de incidência locais na Alemanha. O país tenta controlar as altas de infecções e de mortes por covid-19, em meio à quarta onda que atinge o território atualmente.

Apenas supermercados e o comércio de necessidades diárias deverão funcionar também para não vacinados. Os controles deverão ser feitos pelos próprios estabelecimentos.

Quais são as novas regras na Alemanha?

Angela Merkel, Chanceler da Alemanha (Arquivo/Ciaran McCrickard/World Economic Forum)

As novas regras foram negociadas pela chanceler federal Angela Merkel e seu substituto no cargo Olaf Scholz, que deverá ser apontado como novo chanceler na próxima semana, juntamente com os governadores estaduais.

Além da aplicação da medida conhecida como 2G (“geimpft oder genesen” – “vacinado ou recuperado”), que permite a entrada a certos locais apenas de vacinados ou recuperados da covid-19, clubes e discotecas deverão ser fechados se as taxas de infecção pelo coronavírus forem demasiado altas, segundo Merkel.

O fechamento dos locais deverá ser determinado se a taxa de incidência ultrapassar 350 novas infecções por cem mil habitantes nos sete dias anteriores. Haverá restrições a festas privadas em localidades com incidências acima desse limite: apenas 50 pessoas (vacinadas e recuperadas) poderão se reunir em ambientes fechados. No exterior, o máximo de pessoas reunidas será de 200.

Mais da metade das cidades alemãs registra atualmente incidências acima de 350.

Restaurantes, cinemas e teatros, além de estabelecimentos de lazer e cultura como museus, também só poderão ser frequentados por vacinados e recuperados, sem consideração das taxas de incidência. Há a possibilidade de exceções para crianças e também de implementar a regra conhecida como 2G+, que permitiria apenas a entrada de pessoas vacinadas ou recuperadas que apresentem um teste negativo de covid-19.

Os restaurantes não deverão ser fechados em todo o território nacional, mas o acordo fechado nesta quinta-feira prevê a possibilidade de realizar “fechamentos temporários” por uma alteração da lei federal de infecções. A regra também deverá valer para possíveis proibições de venda de bebidas alcoólicas e restrições no pernoite em hotéis.

Não haverá os chamados “jogos fantasma” (sem espectadores) nos estádios de futebol alemães, mas as arenas deverão abrir para, no máximo, 50% da capacidade de torcedores, com um limite de 15 mil pessoas.

Em grandes eventos realizados em locais fechados, vale a mesma regra, de 50% da capacidade e no máximo 5 mil espectadores, vacinados e recuperados, e usando máscara.

Sem fogos de artifício na virada do ano

Assim como em 2020, será proibida a venda de fogos de artifício para indivíduos. Comunidades com praças que costumam encher deverão proibir exibições com fogos de artifício, e há a possibilidade de proibir aglomerações no fim do ano.

Os contatos entre os alemães também deverão ser limitados. Encontros com participação de uma pessoa não vacinada ou não recuperada deverão ser restritos a uma família e, no máximo, duas pessoas de outra, com exceção das crianças. Apenas encontros familiares com participação exclusiva de vacinados ou recuperados não serão limitados.

Escolas permanecem abertas

O governo alemão não pretende voltar a fechar escolas, mas reintroduziu a obrigatoriedade de uso de máscaras em sala de aula. Ficou em aberto se as crianças precisam usar a máscara enquanto estão sentadas. O acordo desta quinta-feira prevê apenas que, “nas escolas, vale uma obrigatoriedade de máscaras em todas as classes”.

Regras que já estavam valendo continuam em vigor. Um exemplo é que hotéis, academias, salões de beleza e cabeleireiros deverão implementar a regra 2G se a taxa de ocupação de leitos de hospitais numa determinada região ultrapassar determinados limites.

Virá a vacina obrigatória?

A quarta onda de covid-19 na Alemanha é atribuída principalmente à estagnação da taxa de vacinação no país, de cerca de 68% da população com ciclo vacinal completo. O número é uma das taxas mais baixas de imunização da Europa Ocidental. Virologistas dizem que a baixa adesão se deve principalmente à resistência à imunização e ao ceticismo em grande parte da sociedade alemã.

Quem quiser receber a primeira vacina ou obter a segunda ou terceira doses de imunização deverá poder fazê-lo até o Natal. Farmácias, enfermeiros geriátricos e dentistas poderão passar a aplicar os imunizantes.

A chanceler Angela Merkel afirmou ainda que alemães imunizados com duas doses não deverão ser reconhecidos como vacinados por muito tempo, reforçando a importância das doses de reforço.

As autoridades reunidas nesta quinta também deverão discutir futuramente sobre uma obrigatoriedade de vacinação para funcionários de casas de idosos ou de repouso e hospitais, mas não houve anúncio nesse sentido.

obrigatoriedade de imunização, no entanto, será discutida e votada no Bundestag (Parlamento alemão) no início do próximo ano. A legislação correspondente deverá ser esboçada por um comitê de ética, segundo Merkel.

O social-democrata Olaf Scholz afirmou que “é com a vacina que sairemos desta crise” e que, “se tivéssemos uma taxa de imunização mais alta, não estaríamos discutindo isso [a obrigatoriedade da vacina] agora”.

Leve baixa nos casos

Atualmente, a incidência média nacional de novas infecções pelo coronavírus é de 439,2 infecções por cem mil habitantes em sete dias. O número representa uma leve baixa em comparação com o novo recorde de 452,4 registrado na última segunda-feira.

O número de novas infecções nas últimas 24 horas divulgado nesta quinta-feira foi de 73.209, o equivalente a 2.500 casos a menos do que há uma semana.

Especialistas alertam, no entanto, que o alto número de novos casos diários na Alemanha pode estar sobrecarregando o sistema de registros do país, fazendo com que nem todos os casos sejam relatados. Dessa forma, a incidência pode não estar refletindo a tendência real de infecções.

Além disso, a Alemanha registrou na quarta-feira o maior número diário de mortes em decorrência da doença em nove meses. O Instituto Robert Koch (RKI), agência estatal alemã de controle e prevenção de doenças, notificou 446 mortes, a maior marca desde 20 de fevereiro, quando foram computados 490 óbitos.

Atualmente, o número de mortes diárias ainda corresponde a menos da metade do registrado no auge da segunda onda de covid-19 no país, no fim do ano passado, apesar de agora haver muito mais infecções. Especialistas afirmam que isso se deve à vacinação, que protege contra casos graves da doença.

Por Deutsche Welle
rk/ek (DPA, Reuters, OTS)

Máscara caída no chão em calçamento de uma rua da alemanha. Ao fundo, pessoas caminhando.

Alemanha tem maior número de mortes por covid-19 em nove meses

Assolada pela quarta onda de covid-19 no país, a Alemanha registrou nesta quarta-feira (01/12) o maior número diário de mortes em decorrência da doença em nove meses.

O Instituto Robert Koch (RKI), agência estatal alemã de controle e prevenção de doenças, notificou 446 mortes, a maior marca desde 20 de fevereiro, quando foram computados 490 óbitos.

Ao mesmo tempo, após sucessivos recordes, a incidência de novas infecções por 100 mil habitantes em sete dias caiu pelo segundo dia consecutivo nesta quarta, para 442,9, depois de ficar em 452,2 na véspera. A maior taxa desde o início da pandemia foi registrada no último domingo (479,4). 

Máscara caída no chão em calçamento de uma rua da alemanha. Ao fundo, pessoas caminhando.
(Yildiray Yücel Kamanmaz/Pixabay)

No entanto, como entre infecções e mortes pela doença decorre certo tempo, a previsão é que os óbitos ainda aumentem nos próximos dias. O número de casos de covid-19 registrados em 24 horas reportado pelo RKI nesta quarta foi de 67.186.

Atualmente, o número de mortes diárias ainda corresponde a menos da metade do registrado no auge da segunda onda de covid-19 no país, no fim do ano passado, apesar de agora haver muito mais infecções. Especialistas afirmam que isso se deve à vacinação, que protege contra casos graves da doença.

Acontece que o percentual de pessoas vacinadas está praticamente estagnado em torno de 68%, ainda bem abaixo da meta do governo de 75%. Os imunizantes enfrentam a resistência de uma parte significativa da população, apesar de esforços do governo e das agências de saúde.

Scholz defende vacinação obrigatória

Nesta terça-feira, o futuro chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, se pronunciou a favor de uma vacinação obrigatória geral e culpou os não vacinados pelo agravamento da crise sanitária.

Scholz declarou à emissora de TV Bild que a obrigatoriedade deveria começar o mais tardar no início de março do ano que vem. Ele ressalvou, porém, que a decisão final cabe ao Parlamento e defendeu que não haja orientação partidária para o voto, ou seja, que cada parlamentar vote de acordo com a própria consciência.

As declarações foram dadas depois de uma reunião entre Scholz, a chanceler federal em exercício, Angela Merkel, e os chefes dos governos estaduais. Eles concordaram que novas medidas contra a covid-19 devem ser implementadas nos próximos dias.

Os líderes devem decidir os detalhes nesta quinta-feira. Entre as medidas a serem adotadas deverão estar a imposição de restrições de contato para não vacinados, regras mais rígidas para grandes eventos e a permissão apenas de pessoas vacinadas ou recuperadas da doença em grande parte do comércio.

Vários estados já reimpuseram restrições segundo seus próprios critérios, mas especialistas e políticos vêm pressionando para uma ação federal coordenada para enfrentar a crise.

“Precisamos salvar os hospitais do colapso”

O presidente da Associação Alemã de Medicina Intensiva (DIVI), Gernot Marx, alertou que o país poderia ter 6 mil pessoas com covid-19 internadas em UTIs até o Natal, independentemente das medidas decidas agora pelos políticos.

O pico anterior foi de 5.745 pacientes infectados pelo coronavírus em UTIs em 3 de janeiro. Desde então, o número de leitos intensivos diminuiu no país devido à falta de enfermeiros.

“Precisamos salvar os hospitais do colapso”, afirmou Marx à emissora ZDF, pedindo que o governo considere impor um lockdown temporário. 

Marx afirmou que já não há muitos leitos disponíveis e que a maioria dos pacientes com covid-19 em UTIs não foram vacinados. Cirurgias que não forem urgentes devem ser postergadas, disse.

Variante ômicron

A Alemanha confirmou oficialmente os dois primeiros casos no país da nova variante ômicron do coronavírus, possivelmente mais contagiosa, no último sábado. Ambos foram registrados em viajantes que chegaram da África do Sul e que entraram no país em 24 de novembro pelo aeroporto de Munique.

Nesse meio tempo, autoridades também informaram que uma pessoa que testou positivo para a ômicron chegou ao aeroporto de Frankfurt já no dia 21 de novembro. O paciente, totalmente vacinado, apresentou sintomas ao longo da semana e então testou positivo.

Mais quatro casos de infecção pela ômicron, possivelmente mais contagiosa, foram confirmados no sul do país. Os casos foram detectados no estado de Baden- Württemberg, e as quatro pessoas estavam totalmente vacinadas contra a covid-19. Três dos quatro infectados retornaram de uma viagem de negócios à Africa do Sul em 26 e 27 de novembro, e a quarta pessoa é um familiar de um deles. Todos os quatro apresentaram sintomas moderados.

Mais de 20 países já detectaram a variante após ela ser identificada pela primeira vez no sul da África. Entre eles estão o Brasil e vários na Europa, incluindo, além da Alemanha, Bélgica, Holanda, Reino Unido e Itália.

Por Deutsche Welle
lf (Reuters, DPA, AFP, ARD)

Caminhões e carros parados em fila na fronteira da Alemanha. Barreira sanitária durante a pandemia.

Europa confirma casos da nova variante ômicron

A Alemanha confirmou neste sábado (27/11) oficialmente dois casos da nova variante do coronavírus. Ambos foram registrados em viajantes que chegaram da África do Sul e que entraram no país em 24 de novembro pelo aeroporto de Munique, segundo as autoridades regionais.

“Dois casos suspeitos da nova variante do coronavírus ômicron, classificado como variante preocupante pela Organização Mundial de Saúde (OMS), foram confirmados na Baviera”, anunciou num comunicado o secretário da Saúde do estado do sul da Alemanha, Klaus Holetschek.

Outro caso suspeito da nova variante foi registrado no estado de Hessen e também envolve um viajante que chegou da África do Sul, de acordo com as autoridades locais.

Caminhões e carros parados em fila na fronteira da Alemanha. Barreira sanitária durante a pandemia.
Fronteira da Alemanha ( Reinhard Thrainer/Pixabay)

A Secretaria de Saúde da Baviera pediu aos passageiros que chegaram da África do Sul no mesmo voo de 24 de novembro para entrarem em contato imediatamente com sua autoridade de saúde local.

Quarentena

Todas as pessoas que chegaram da África do Sul nos últimos 14 dias foram instadas a reduzirem imediatamente o contato com outras pessoas, a fazerem um teste PCR e relatarem seu histórico de viagens às autoridades.

Além disso, todas as pessoas que chegam de partes do sul da África classificadas como “áreas de variante de vírus” pela agência nacional de controle de doenças da Alemanha, o Instituto Robert Koch (RKI), devem se colocar em quarentena por 14 dias, independentemente do estado de vacinação.

A Baviera já é particularmente afetada pela quarta onda da pandemia na Alemanha. No total, cerca de 30 pacientes de terapia intensiva deverão ser transportados de avião para hospitais em outras partes do país ao longo deste fim de semana. A Força Aérea da Alemanha está envolvida nas
operações.

A Alemanha está lutando contra níveis recorde de infecções por covid-19, com unidades de terapia intensiva alcançando gradualmente a capacidade máxima, enquanto medidas restritivas são acirradas nas regiões mais afetadas.

Restrições voltam ao Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou neste sábado uma série de restrições para combater a variante ômicron do novo coronavírus, entre elas, a obrigatoriedade do uso de máscara em estabelecimentos comerciais e transporte público, além de testes de detecção para viajantes.

O chefe de governo, que antes do verão no Hemisfério Norte, iniciado em junho, flexibilizou todas as limitações vigentes, destacou, em coletiva de imprensa, a importância de se “ganhar tempo”, minimizando os contágios até que os especialistas determinem o efeito da nova variante.

Johnson reforçou que o governo “não irá proibir as viagens”, mas, a partir de agora e, pelo menos, até que sejam revistas as medidas em três semanas, as pessoas vacinadas que chegarem ao Reino Unido deverão realizar teste PCR no fim do segundo dia da chegada e seguirem isoladas até que saia um resultado negativo.

Até então, as pessoas que estavam vacinadas e que chegam de territórios permitidos só precisavam fazer um teste de antígenos, obrigatoriedade que continua para quem não foi imunizado. Todos os casos positivos deverão se confinar por 10 dias.

Os familiares e pessoas próximas daqueles que tiverem detectada a infecção pela variante ômicron, estejam ou não vacinadas, precisarão passar por período de quarentena, segundo Johnson.

Máscaras

Além disso, segundo o premiê, serão endurecidas “as normas sobre as máscaras em lojas e no transporte público”, assim como em outros espaços fechados. Atualmente, o item de proteção é considerado de uso voluntário.

Apesar de admitir que ainda não se sabe sobre a eficácia das vacinas contra a nova variante, Johnson cobrou que toda a população receba a dose de reforço de algum dos imunizantes.

O ministro britânico da Saúde, Sajid Javid, afirmou também neste sábado que foram detectados dois casos de infecção pela variante ômicron do novo coronavírus em pessoas que já estão cumprindo período de isolamento.

O titular da pasta disse que os registros aconteceram na localidade de Chelmsford, no condado de Essex, na região central da Inglaterra, que fica próxima a Londres e Nottingham.

O ministro ainda explicou que outros quatro países foram incluídos na lista de alerta pelo governo britânico. Angola, Malaui, Moçambique e Zâmbia se juntaram a África do Sul (onde a ômicron foi inicialmente detectada), Botsuana, Lesoto, Namíbia, Suazilândia e Zimbábue. Assim, a partir deste domingo, dessas nações, apenas cidadãos locais podem entrar no Reino Unido, tendo que cumprir 10 dias de quarentena.

“Se alguém viajou para esses quatro países ou para qualquer outro da lista vermelha, nos últimos quatro dias, devem se isolar e realizar teste PCR”, pediu o ministro.

Itália

Na Itália, o primeiro caso da variante ômicron foi detectado em um doente proveniente de Moçambique, anunciou o Instituto Superior de Saúde (ISS), tutelado pelo executivo italiano. Segundo o ISS, “o doente e os membros da sua família estão em bom estado de saúde”.

O genoma foi sequenciado no Laboratório de Microbiologia Clínica, Virologia e Diagnóstico de Bioemergência do Hospital Sacco, de Milão, a partir de uma amostra positiva de um paciente procedente de Moçambique.

A Espanha, que não registrou casos da variante ômicron do novo coronavírus, reforçou neste sábado os controles de entradas de viajantes vindos de alguns países da África, com a obrigação de um teste negativo, assim como do Reino Unido, que precisarão comprovar a vacinação.

O governo espanhol publicou diversas normas que limitam os requisitos de entrada das pessoas vindas do território britânico, assim como de outros considerados de alto risco de contágio, que são Namíbia, Bostuana, Suazilândia, Lesoto, Moçambique, Zimbábue e África do Sul, esse último, onde foi detectada primeiramente a nova cepa

Aqueles que pretenderem entrar na Espanha vindo de algum desses países deverão apresentar, a partir deste sábado, o resultado negativo de um teste de detecção do novo coronavírus, que tenha sido feito, ao menos, 72 horas antes da chegada ao país, independentemente de estarem vacinados ou não.

Alerta mundial

A descoberta de uma nova variante do coronavírus na África Sul, potencialmente mais contagiosa, gerou alerta no mundo ao final desta semana, com países ocidentais tentando se blindar com bloqueios aéreos, ao mesmo tempo em que os primeiros casos começam a ser registrados.

A variante se chama ômicron. Ela é a primeira desde a detecção da delta, há cerca de um ano, a ganhar da Organização Mundial da Saúde (OMS) o rótulo de “variante de preocupação”, sua categoria mais elevada.

A designação significa que a variante tem mutações que podem torná-la mais contagiosa ou mais virulenta, ou tornar as vacinas e outras medidas preventivas menos eficazes – embora nenhum desses efeitos ainda tenha sido oficialmente confirmado.

A Bélgica foi o primeiro país a relatar um caso: um viajante que passou por Egito e Turquia, e não esteve na África do Sul, o que sugere já estar acontecendo transmissão comunitária além da região sul da África. Outros casos também foram detectados em Israel e Hong Kong. 

Desde sexta-feira, países como Brasil, EUA, Canadá e membros da União Europeia começaram proibir a entrada de viajantes que estiveram nos últimos 14 dias em seis países do sul da África: África do Sul, Botsuana, Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.

Os EUA informaram nesta sexta-feira que proibirão viagens da África do Sul e de sete outras nações africanas por cidadãos não americanos a partir de segunda-feira. Os países-membros da União Europeia (UE) concordaram em restringir viagens da África do Sul e mais seis países para combater a propagação da ômicron.

Por que a nova variante preocupa tanto

A nova variante B.1.1.529, batizada de ômicron pela OMS, foi descoberta em 11 de novembro de 2021 em Botsuana, que faz fronteira com a África do Sul. Neste país, os registros ocorreram principalmente nas cidades de Joanesburgo e Pretória, na província de Gauteng, onde a incidência da covid-19 está alta.

Cientistas estimam que até 90% dos novos casos de coronavírus em Gauteng estejam associados à variante ômicron. Eles acreditam ainda que a cepa já se espalhou para outras oito províncias sul-africanas.

A preocupação dos pesquisadores é com o fato de a variante ômicron demonstrar um número extremamente alto de mutações do coronavírus. Eles encontraram 32 mutações na chamada proteína “spike”. Na variante delta, considerada altamente infecciosa, foram achadas oito mutações.

Ao mesmo tempo em que o número dessas proteínas não é uma indicação exata do quão perigosa a variante pode ser, isso sugere que o sistema imunológico humano pode ter maior dificuldade em combater a nova variante.

Há indicações de que a ômicron possa escapar das respostas imunológicas, gerando riscos mais altos para as pessoas. Entretanto, as infecções com a nova variante não necessariamente serão mais graves do que as anteriores.

Por Deutsche Welle
md (EFE, DPA, AP, AFP, EBC)

Passageiro caminha puxando sua mala no aeroporto, na Alemanha, usando máscara. Ao fundo, paineis indicam os voos.

Alemanha registra novos recordes na pandemia

Em meio ao avanço da quarta onda de covid-19 na Alemanha, o país registrou o novo recorde de 66.884 casos da doença em 24 horas, segundo dados divulgados pelo Instituto Robert Koch (RKI), agência de prevenção e controle de doenças, nesta quarta-feira (24/11). O número é mais de seis vezes maior que o registrado no Brasil na véspera

A incidência de casos por 100 mil habitantes em sete dias no país europeu superou a marca de 400 pela primeira vez desde o início da pandemia, ficando em 404,5 nesta quarta. Há uma semana, a incidência de sete dias era de 319,5, e há um mês, de 106,3. 

Nesta quarta-feira, também foram computadas 335 mortes em decorrência da covid-19, frente a 294 uma semana atrás, totalizando 99.768 desde o início da pandemia. Cem dos novos óbitos foram registrados somente na Baviera.

Passageiro caminha puxando sua mala no aeroporto, na Alemanha, usando máscara. Ao fundo, paineis indicam os voos.
(Gerald Friedrich/Pixabay)

A Alemanha deve atingir ainda nesta semana o total de 100 mil mortes registradas ao longo da crise sanitária.

Atualmente, a situação é mais grave no sul e no leste do país. No estado da Saxônia, a incidência de sete dias está em 935,8. Na Turíngia, em 721,6. A seguir, vêm a Baviera, com 644,3; Brandemburgo, com 620,3; e Saxônia-Anhalt, com 616,5. Em todos esses cinco estados, a taxa de vacinação está abaixo da média nacional. A taxa de incidência mais baixa é a de Schleswig-Holstein, com 148,8.

O número de pacientes com covid-19 internados em UTIs está em alta no país. Nesta terça, eram 3.964, mais que o dobro do registrado um mês atrás.

Vacinação estagnada

De acordo com dados do RKI, um total de 68,1% da população da Alemanha está totalmente imunizada contra a covid-19. A taxa está praticamente estagnada há semanas.

A baixa taxa de vacinação é considerada uma das razões para o avanço da quarta onda da pandemia, e autoridades afirmaram que o país vive uma “pandemia dos não vacinados”. Especialistas dizem que, para controlar a pandemia de forma eficaz, é necessário um percentual de imunização superior a 75%.

discussão sobre implementar a  vacinação obrigatória contra a covid-19 vem ganhando força e, nesta semana, o ministro da Saúde, Jens Spahn, usou palavras drásticas para tentar motivar a parcela da população que ainda não foi imunizada a tomar a vacina.

“Possivelmente, ao fim deste inverno, praticamente todos aqui na Alemanha — isso às vezes é dito, de forma algo cínica — estarão vacinados, curados ou mortos. Mas de fato é assim”, disse Spahn.

Novas regras contra quarta onda

Nesta quarta-feira, entram em vigor novas regras para tentar conter a disseminação do coronavírus. Entre as principais medidas são a exigência da apresentação de um certificado de vacinação completa ou recuperação, ou um teste negativo de covid-19 nos locais de trabalho e em trens e ônibus – a chamada regra 3G, de “geimpft, genesen, getestet” (“vacinado, recuperado, testado”).

Empresas estão sendo encorajadas a deixarem seus funcionários trabalharem em home office quando possível. E visitantes e funcionários de casas de repouso agora precisam ser testados todos os dias, independentemente de terem sido vacinados ou não.

Além disso, em vários estados alemães entram em vigor nesta quarta a chamada regra 2G, que admite apenas as pessoas vacinadas ou recuperadas da doença em certos locais, e a regra 2G+, que admite apenas pessoas vacinadas ou recuperadas que também apresentarem um teste negativo.

Na Renânia do Norte-Vestfália, por exemplo, que é o estado mais populoso da Alemanha, a regra 2G+ passa a valer para discotecas e eventos relacionados ao Carnaval.

Na semana passada, o governo federal e governadores decidiram que a taxa de novas hospitalizações por covid-19 a cada 100 mil habitantes em sete dias seria a nova referência para a adoção de restrições em cada estado. Atualmente, ela está em 5,60.

Em estados onde a taxa de hospitalizações superar 3 por 100 mil habitantes, deve ser utilizada a regra 2G para regular a entrada de pessoas em bares, restaurantes e eventos. Se superar 6 por 100 mil habitantes, a regra 2G+ deve ser utilizada. E se a taxa superar 9 por 100 mil habitantes, os estados devem adotar restrições adicionais, como limites a reuniões pessoais e proibição de eventos. 

Novo lockdown?

Nesta segunda-feira, a chanceler federal Angela Merkel afirmou que a situação no país é “altamente dramática” e que as medidas atualmente em vigor para conter a disseminação da covid-19 não são suficientes.

Na última sexta-feira, Spahn afirmou que o país enfrenta “uma emergência nacional” em relação à pandemia e, questionado sobre a possibilidade de o governo impor um novo lockdown a toda a população, ele respondeu: “Estamos em uma situação na qual não podemos descartar nada.”

Por Deutsche Welle
lf (Reuters, DPA, ARD, DW)

Panorâmica da cidade de Munique, na Alemanha. Mostra prédios e pessoas caminhando na rua.

Pandemia: Baviera, na Alemanha, cancela mercados de Natal

O governo do estado da Baviera, no sul da Alemanha, anunciou nesta sexta-feira (19/11) o cancelamento de todas as feiras de Natal e a imposição de lockdowns nas regiões do estado com taxas elevadas de novos casos de coronavírus.

A medida valerá para os distritos que registram taxa de incidência de sete dias superior a mil por 100 mil habitantes. Nesses lugares, bares, clubes e restaurantes, assim como locais culturais e esportivos estarão fechados, informou o governador bávaro, Markus Söder, após uma reunião de seu gabinete em Munique.

As escolas e jardins de infância permanecem abertos nessas áreas, e o comércio varejista só poderá permitir um cliente por 20 metros quadrados de espaço do estabelecimento. Além disso, lares de idosos deverão cobrar teste obrigatório para visitantes.

Panorâmica da cidade de Munique, na Alemanha. Mostra prédios e pessoas caminhando na rua.
Munique, Alemanha (Michael Siebert/Pixabay)

Atualmente, oito distritos na Baviera têm taxas de incidência de mais de mil. Os legisladores estaduais devem aprovar as novas medidas na terça-feira, e elas devem vigorar até 15 de dezembro.

A Baviera é um dos estados alemães mais afetados pela quarta onda da pandemia no país, com taxa de incidência de 625 por 100 mil habitantes em sete dias, frente aos 340,7 da média alemã.

Lockdown para não vacinados

Söder disse que haverá um “lockdown de fato” para pessoas não vacinadas com a implementação da chamada regra “2G” em todo o estado – referindo-se à abreviação na Alemanha para uma regra que permite liberdades como acesso a restaurantes e hotéis apenas para aqueles que são vacinados ou recuperados da covid-19.

De acordo com as novas regras, os não vacinados perderão acesso até mesmo a locais como cabeleireiros, universidades ou centros de educação de adultos.

Haverá também restrições de contato, segundo o governador. Söder afirmou que os não vacinados poderão se reunir com no máximo cinco pessoas de duas famílias.

Mesmo em áreas com taxas de incidência inferiores a mil haverá restrições. Para eventos esportivos e culturais, o número de espectadores será limitado a 25% da capacidade total do local. Além disso, a regra “2G+” será aplicada – o que significa que mesmo as pessoas vacinadas e recuperadas serão obrigadas a apresentar adicionalmente um teste negativo para o coronavírus.

Momento delicado da pandemia

O país vive o pior momento da pandemia devido à variante delta e à insuficiente taxa de vacinação, com 67,9% da população cumprindo o ciclo vacinal completo, um dos mais baixos da Europa Ocidental.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, e governadores alemães acertaram nesta quinta-feira uma série de medidas destinadas a aumentar a pressão sobre os não vacinados.

Os líderes regionais também pediram ao governo federal que elabore um projeto de lei para introduzir a vacinação obrigatória para profissionais de setores “sensíveis”, como trabalhadores do setor da saúde.

Por sua vez, a câmara alta do Parlamento alemão, o Bundesrat, deu luz verde nesta sexta-feira ao novo pacote contra a pandemia elaborado pela provável futura coalizão governamental.

A lei inclui medidas como a obrigatoriedade de apresentação do certificado de vacinação ou teste negativo no trabalho e em transportes públicos, assim como a recomendação expressa para a prática de home office, sempre que possível.

Por Deutsche Welle
md/ek (EPD, AFP, DPA, Efe)

Alemanha tem recorde de infecções pela covid-19

A Alemanha registrou um novo recorde de infecções pelo novo coronavírus nesta quarta-feira (17/11). Em todo o país foram registrados 52.826 novos casos nas 24 horas anteriores. A incidência de novas infecções para cada grupo de 100 mil habitantes nos últimos sete dias chegou a 319,5, o que também é recorde pelo décimo dia seguido. 

Em toda a Alemanha também foram registradas 294 óbitos relacionados à doença respiratória covid-19, causada pelo coronavírus Sars-CoV-2.

Angela Merkel, Chanceler da Alemanha (Arquivo/Ciaran McCrickard/World Economic Forum)

O número demonstra que, apesar da alta taxa de infecções, a taxa de óbitos permanece abaixo da linha registrada no pico da pandemia no país, em dezembro de 2020 – um fator atribuído principalmente à vacinação de 67,7% da população alemã.

Os dados mostram que pessoas não vacinadas são, de longe, o principal grupo de contaminados. A Alemanha passa já há vários dias por uma forte alta nas infecções e está em meio a uma virulenta quarta onda da covid-19, que assola o país desde o final de outubro. 

Vacinação insuficiente para conter avanço da pandemia

Especialistas apontam que a imunização completa de cerca de dois terços dos alemães, porém, não é alta o suficiente para manter o vírus sob controle. Um dos virologistas mais conhecidos da Alemanha, Christian Drosten, previu na última semana que o país poderia presenciar mais de cem mil mortes relacionadas à covid-19 durante o inverno europeu se a taxa de vacinação não aumentar e outras medidas não forem tomadas para conter o avanço do vírus. 

Analistas também apontam que os números de infecção deverão aumentar neste inverno, também por causa de um aumento de reuniões no interior de casas com a aproximação das festas de fim de ano. 

Alemanha estuda liberar terceira dose para adultos acima de 18 anos

Os governadores dos 16 estados federados alemães deverão se encontrar na quinta-feira para discutir medidas de combate à quarta onda de covid-19. As decisões poderão incluir medidas mais severas de porte de máscaras e exigências de provas de imunização ou recuperação de covid-19 para poder visitar eventos ou locais como concertos, restaurantes e bares. 

Os políticos também querem conversar sobre como superar a hesitação de parte da população alemã sobre a vacina contra a covid-19. 

O ministro da Saúde, Jens Spahn, disse em entrevista nesta quarta que estuda-se a possibilidade de oferecer doses de reforço da vacina para todos os adultos acima de 18 anos de idade, até antes do fim dos seis meses decorridos após a segunda dose da vacina, período considerado de alta imunidade contra o coronavírus.

A proposta, no entanto, foi rebatida com críticas de associações médicas e grupos de defesa de pacientes. Um argumento é que a ampliação do público apto a tomar a terceira dose poderia prejudicar grupos de pessoas mais vulneráveis, que precisam da vacina com mais urgência. 

A Comissão de Vacinação da Alemanha, conhecida como Stiko, afirmou que vai discutir a questão nesta quarta e emitir regras que poderiam autorizar a dose de reforço para adultos maiores de 18 anos no país.

Por Deutsche Welle
rk (dw, Reuters, dpa, AFP, ots)