Bem-estar: o autocuidado se torna novo mantra, com nutrição e imunidade no centro do palco

(Pixabay)

À medida que o mundo avança, a conscientização sobre a necessidade de uma vida saudável se torna cada vez mais evidente. E esta tem sido uma das principais razões pelas quais as pessoas, especialmente os millenials (ou geração do milênio), começaram a se concentrar mais em nutrição e bem-estar nos últimos anos.

Hoje em dia, as pessoas sentem uma necessidade inerente de fazer mudanças progressivas no estilo de vida para alcançar mais equilíbrio e saúde, razão pela qual várias tendências de fitness, como ioga, suplementos dietéticos, vegetais orgânicos, entre outras, se tornaram tão populares. Embora essas tendências já existam há bastante tempo, sua taxa de adoção ganhou um impulso ainda mais significativo no último ano.

De fato, o “autocuidado” agora se tornou uma parte essencial do estilo de vida moderno. Além disso, o foco crescente no bem-estar holístico e no fortalecimento da imunidade trouxe algumas mudanças significativas nas escolhas alimentares dos consumidores nestes tempos de Covid-19. Houve um aumento na ingestão de vitaminas, minerais, alimentos que apoiam a imunidade, produtos orgânicos, suplementos para emagrecer, etc.

De acordo com uma pesquisa recente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD), houve uma mudança importante no comportamento do consumidor durante a pandemia do novo coronavírus em relação ao consumo de suplementos nutricionais – no ano passado, pelo menos uma pessoa consumiu algum suplemento alimentar em 59% dos domicílios brasileiros, o que representa um aumento de 10% em relação à primeira pesquisa da ABIAD, realizada em 2015.

O estudo indica ainda que o consumo de vitaminas e suplementos dietéticos provavelmente permanecerá, à medida que os consumidores têm em mente a necessidade de melhorar ou manter a boa saúde.

Suplementos e vitaminas ajudam a manter a imunidade em dia

Segundo um estudo de autoria da King’s College, de Londres, tomar multivitaminas, ômega-3, probióticos ou vitamina D ajuda reduzir o risco de desenvolver a Covid-19. Basicamente, o objetivo da pesquisa foi descobrir quais suplementos específicos poderiam, de fato, fortalecer o sistema imunológico contra a infecção.

Após a análise de mais de 400 mil pacientes, concluiu-se que a suplementação tem efeito positivo. Mais especificamente, o estudo apontou que os probióticos podem reduzir o risco em até 18%, o ômega-3 em até 21%, as multivitaminas em 12% e, por fim, a vitamina D em até 24%.

Embora a pandemia em curso tenha tornado isso óbvio, é sabido desde muito tempo que um sistema imunológico saudável pode ajudar a reduzir o risco ou a gravidade de doenças e de infecções. A nutrição adequada é também um fator chave que pode aumentar a defesa natural do corpo. Ultimamente, com a crescente conscientização em relação ao bem-estar, a demanda por produtos de apoio à imunidade tem experimentado um crescimento substancial.

Autocuidado personalizado

A pandemia da Covid-19 ofereceu aos indivíduos uma oportunidade de reconsiderar o significado do autocuidado e da cultura que surgiu em torno dele. Dedicar um tempo para reduzir o estresse, investir em suplementos imunológicos naturais, a até cuidar da pele e dos cabelos, se tornou prioridade na rotina diária.

Mas com a crescente aceitação dos produtos de nutrição e suplementos alimentares, as pessoas agora estão mudando para o próximo nível, buscando soluções personalizadas de acordo com seu estilo de vida, que é outra tendência emergente no espaço da nutrição.

Com o aumento do autocuidado individualizado, influenciado por notícias de tendência e fitness doméstico, espera-se que a geração do milênio impulsione a categoria de nutrição personalizada.

Alinhada com essas tendências de consumo, a indústria busca soluções inovadoras, indo além das vitaminas, minerais e suplementos dietéticos, e explorando espaços adjacentes em torno do segmento de nutrição.

Como os produtos fitoterápicos e plant-based estão revolucionando os cuidados com a saúde

Outra tendência que ganhou popularidade nos últimos anos é a “volta às raízes”, que envolve a adoção de ingredientes tradicionais e plant-based (à base de plantas), que têm como objetivo apoiar a imunidade, o rejuvenescimento do corpo, aumentar a força e o vigor, além de ajudar no combate às infecções.

Quando se trata do consumo de suplementos, os produtos feitos a partir de algas, ervas, frutos, raízes e outros ingredientes orgânicos têm conquistado um espaço de destaque.

Um estudo publicado no British Medical Journal, em 2020, descobriu que o maior consumo de proteínas de plantas como legumes, grãos inteiros e nozes está relacionado a um menor risco de desenvolver uma série de doenças, incluindo diabetes, doenças cardíacas e derrame.

Outro artigo recente da Nature Medicine descobriu que pessoas com dietas ricas em alimentos integrais saudáveis à base de plantas eram mais propensas a ter a microbiota intestinal saudável, o que está ligado a um menor risco de desenvolver obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Este estudo em grande escala é um dos mais abrangentes até o momento sobre a associação entre dieta e micróbios intestinais saudáveis.

Suplementos alimentares de microalgas também estão se tornando cada vez mais populares devido aos seus promissores efeitos biológicos e alto valor nutricional, evidenciados em estudos in vitro, in vivo e em humanos.

Boa saúde pode apoiar o desenvolvimento econômico

Quando se trata de bem-estar nutricional, no mundo acelerado de hoje os suplementos dietéticos podem desempenhar um papel fundamental para garantir a ingestão adequada de nutrientes à população.

De acordo com um relatório publicado pela Frost and Sullivan, em 2017, intitulado ‘Prevenção Inteligente – economia de custos com saúde resultante do uso direcionado de suplementos dietéticos’, os Estados Unidos economizaram cerca de US $ 12 bilhões com o uso direcionado de suplementos dietéticos.

A pandemia em curso também tem servido como um parâmetro perfeito para avaliar a correlação entre a saúde e a economia. Estabelecendo o impacto econômico de uma vida saudável, um estudo recente da consultoria norte-americana McKinsey sugeriu que uma população em boas condições de nutrição e saúde poderia adicionar US $ 12 trilhões ao PIB global até 2040.

Como administrar bem o seu vale-refeição

Como administrar bem o seu vale-refeição

A dificuldade na administração está relacionada aos hábitos de consumo, como avalia o educador financeiro da SPC Brasil no estudo, José Vasignoli. Outro dado da pesquisa revela que 33% dos entrevistados usam o recurso com outras finalidades além do almoço.

A proposta do vale-refeição é cobrir as despesas do trabalhador com refeições durante o seu horário de trabalho. Mas além de restaurantes, o cartão do benefício pode ser aceito em outros estabelecimentos, como padarias e lanchonetes.

Vasignoli destaca que isso não é um problema, desde que o consumidor administre bem os recursos. No entanto, o levantamento identificou que 12% dos entrevistados não fazem qualquer tipo de controle dos benefícios que recebem, seja o vale-refeição ou o vale-alimentação.

Dicas para gerenciar os recursos

O primeiro passo para planejar como gastar é saber quanto se tem. Por isso, a orientação do SPC Brasil é ter atenção ao saldo do benefício. Essa medida é simples, por meio do aplicativo de celular é possível consultar o valor com periodicidade.

Sabendo o recurso total disponível, Vasignoli sugere estipular um limite diário para os gastos. Para isso, basta dividir o valor total pela quantidade de dias que o benefício será usado. E é nessa etapa que o trabalhador deve pensar como pretende usar o recurso.

Para ajudar a economizar, Vasignoli dá algumas dicas como pesquisar preços na hora de escolher o restaurante, buscar programas de fidelidade que garantam descontos ou gratuidade em alguma refeição e ficar atento aos “gastos extras”, como bebida e doces na hora do almoço.

Vender vale-refeição é ilegal

O estudo do SPC Brasil em parceria com a CNDL apontou, ainda, que 39% dos trabalhadores vendem o vale-refeição. Deste grupo, quatro em cada dez o fazem para poder pagar outras contas. No entanto, a prática é ilegal e pode acarretar em demissão por justa causa.

De acordo com o SPC Brasil, a venda também significa perda financeira, tendo em vista que os compradores costumam cobrar um percentual e, por isso, o valor recebido acaba sendo menor do que o saldo disponível para uso.

Desta forma, a orientação é que os trabalhadores busquem administrar o vale-refeição de maneira correta para que o benefício se torne um aliado no planejamento financeiro.

O vale-refeição pode representar uma boa ajuda no orçamento. No entanto, ainda há muitos trabalhadores que têm dificuldades em administrar o benefício. Pesquisa mais recente realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) sobre o tema mostrou que 52% dos consumidores que recebem o recurso extrapolam o valor antes de o mês terminar.

A dificuldade na administração está relacionada aos hábitos de consumo, como avalia o educador financeiro da SPC Brasil no estudo, José Vasignoli. Outro dado da pesquisa revela que 33% dos entrevistados usam o recurso com outras finalidades além do almoço.

A proposta do vale-refeição é cobrir as despesas do trabalhador com refeições durante o seu horário de trabalho. Mas além de restaurantes, o cartão do benefício pode ser aceito em outros estabelecimentos, como padarias e lanchonetes.

Vasignoli destaca que isso não é um problema, desde que o consumidor administre bem os recursos. No entanto, o levantamento identificou que 12% dos entrevistados não fazem qualquer tipo de controle dos benefícios que recebem, seja o vale-refeição ou o vale-alimentação.

Dicas para gerenciar os recursos

O primeiro passo para planejar como gastar é saber quanto se tem. Por isso, a orientação do SPC Brasil é ter atenção ao saldo do benefício. Essa medida é simples, por meio do aplicativo de celular é possível consultar o valor com periodicidade.

Sabendo o recurso total disponível, Vasignoli sugere estipular um limite diário para os gastos. Para isso, basta dividir o valor total pela quantidade de dias que o benefício será usado. E é nessa etapa que o trabalhador deve pensar como pretende usar o recurso.

Para ajudar a economizar, Vasignoli dá algumas dicas como pesquisar preços na hora de escolher o restaurante, buscar programas de fidelidade que garantam descontos ou gratuidade em alguma refeição e ficar atento aos “gastos extras”, como bebida e doces na hora do almoço.

Vender vale-refeição é ilegal

O estudo do SPC Brasil em parceria com a CNDL apontou, ainda, que 39% dos trabalhadores vendem o vale-refeição. Deste grupo, quatro em cada dez o fazem para poder pagar outras contas. No entanto, a prática é ilegal e pode acarretar em demissão por justa causa.

De acordo com o SPC Brasil, a venda também significa perda financeira, tendo em vista que os compradores costumam cobrar um percentual e, por isso, o valor recebido acaba sendo menor do que o saldo disponível para uso.

Desta forma, a orientação é que os trabalhadores busquem administrar o vale-refeição de maneira correta para que o benefício se torne um aliado no planejamento financeiro.

Fome: De cada 10 famílias, 4 vivem insegurança alimentar

(Arquivo/Fernando Frazão/Agência Brasil/via Fotos Públicas)

Após seguidos recuos por mais de uma década, a fome voltou a crescer no Brasil. Segundo dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira (17/09), o percentual de domicílios que gozam de segurança alimentar caiu para 63,3% em pesquisa realizada entre 2017 e 2018, contra 77,4% em 2013 e 65,1% em 2004.

Os dados apontam que quase quatro em cada dez domicílios sofrem com algum grau de insegurança alimentar, sendo que 4,6% do total vive sob escassez grave. É uma situação que atinge 10,3 milhões de pessoas: 7,7 milhões na área urbana e 2,6 milhões na rural. Em relação aos dados de 2013, o número de pessoas nesse estado aumentou em cerca de 3 milhões, um crescimento de 43,7%.

A “Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Análise da Segurança Alimentar no Brasil” contempla apenas moradores de domicílios permanentes, excluindo pessoas em situação de rua – o que sugere que o quadro pode ser ainda pior.

Segundo o IBGE, na população de 207,1 milhões de habitantes em 2017-2018, 122,2 milhões eram moradores em domicílios com segurança alimentar, enquanto 84,9 milhões viviam com algum grau de insegurança alimentar. Destes últimos, 56 milhões estavam em domicílios com insegurança alimentar leve, 18,6 milhões, insegurança alimentar moderada, e 10,3 milhões de pessoas em domicílios com insegurança alimentar grave.

De acordo com a Escala Brasileira de Medida Direta e Domiciliar da Insegurança Alimentar, a segurança alimentar está garantida quando a família tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.

Na insegurança alimentar grave, há redução quantitativa severa de alimentos também entre as crianças, ou seja, ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre todos os moradores. Nessa situação, a fome passa a ser uma experiência vivida no domicílio.

Segundo o gerente da pesquisa, André Martins, o aumento da insegurança alimentar está relacionado, entre outros motivos, à desaceleração da atividade econômica nos anos de 2017 e 2018.

Menos da metade dos domicílios do Norte (43%) e Nordeste (49,7%) tinham segurança alimentar, isto é, acesso pleno e regular aos alimentos. Os percentuais eram melhores no Centro-Oeste (64,8%), Sudeste (68,8%) e Sul (79,3%). A prevalência de insegurança alimentar grave do Norte (10,2%) era cerca de cinco vezes maior que a do Sul (2,2%).

A pesquisa ainda mostrou que quase metade das pessoas que enfrentam a fome vive na Região Nordeste do país, e pouco mais da metade dos domicílios onde prevalece a insegurança alimentar grave são chefiados por mulheres.

JPS/ots/abr

Por Deutsche Welle

USP: Pandemia faz consumo de alimentos saudáveis crescer

(Marco Santos/USP imagens/via Fotos Públicas)

A pandemia tem feito muita gente mudar hábitos, entre eles o consumo frequente de comida caseira e fresca. É o que mostram as primeiras análises do Estudo NutriNet Brasil, que envolveram 10 mil participantes e indicam aumento generalizado na frequência de consumo de frutas, hortaliças e feijão (de 40,2% para 44,6%) durante a pandemia.

Segundo o professor Carlos Monteiro, coordenador do NutriNet Brasil, essa mudança positiva no comportamento alimentar pode ser explicada por alguns fatores. “As novas configurações causadas pela pandemia na rotina das pessoas podem tê-las estimulado a cozinhar mais e a consumir mais refeições dentro de casa. Além disso, uma eventual preocupação em melhorar a alimentação e, consequentemente, as defesas imunológicas do organismo, podem ser consideradas”. O Estudo NutriNet é executado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP).

A evolução positiva na alimentação, no entanto, foi acompanhada por um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados nas regiões Norte e Nordeste e entre as pessoas de escolaridade mais baixa. Esses resultados sugerem desigualdades sociais na resposta do comportamento alimentar à pandemia.

(Cristino Martins/Ag. Pará/via Fotos Públicas)

O consumo de alimentos in natura ou minimamente processados fortalece os mecanismos de defesa do organismo, já a ingestão de comidas ultraprocessadas favorece o aparecimento de doenças crônicas que aumentam a letalidade da covid-19. Refrigerantes, bolachas, pratos congelados, salgadinhos, bolos prontos e mistura para bolos, cereais matinais, macarrão instantâneo, pães de forma, sorvetes e bebidas com sabor de frutas fazem parte do grupo de alimentos ultraprocessados.

“Uma das razões pelas quais o consumo de alimentos ultraprocessados piora as defesas do organismo é que eles são pobres em vitaminas e minerais, nutrientes essenciais para a resposta imunológica. Já foi demonstrado, em pesquisa realizada no Brasil, que indivíduos que consomem mais ultraprocessados têm um consumo menor desses nutrientes”, explica a pesquisadora do Estudo NutriNet Brasil, Kamila Gabe.

Outra razão, segundo Kamila, é que o consumo de alimentos ultraprocessados aumenta o risco de desenvolver condições como obesidade, diabetes e hipertensão. “Estudos realizados em diferentes países, como Estados Unidos, Itália e China, observaram que a presença dessas condições está associada à ocorrência de formas mais severas da covid-19, aumentando a necessidade de internação hospitalar e o risco de mortalidade”.

Para essa análise, o Estudo NutriNet Brasil aplicou o mesmo questionário alimentar em dois momentos: entre 26 de janeiro e 15 de fevereiro (antes da pandemia) e entre 10 e 19 de maio (durante a pandemia). Foi questionado o consumo de uma série de alimentos no dia anterior ao preenchimento do formulário. A amostra, composta pelos 10 mil primeiros participantes, é representada, em sua maioria, por jovens adultos, de 18 a 39 anos (51,1%), mulheres (78%), residentes da Região Sudeste do Brasil (61%) e com nível de escolaridade superior a 12 anos de estudo (85,1%).

Hábitos pós-pandemia

Na opinião da pesquisadora, não é possível afirmar que essa tendência de alimentação saudável será mantida após a quarentena. “Os dados do estudo NutriNet  Brasil não nos permitem concluir se há essa tendência no pós-pandemia, já que a análise comparou dados de consumo alimentar obtidos em janeiro, imediatamente antes do início da chegada do novo coronavírus ao Brasil, e em maio, no auge da adesão às medidas de distanciamento físico”.

Para Kamila, é possível que o retorno das pessoas às suas rotinas de trabalho e lazer, e até mesmo o relaxamento dos cuidados com a saúde, façam com que os indivíduos retornem aos seus hábitos praticados antes da pandemia. “Por outro lado, também é plausível pensar que esse período tenha proporcionado às pessoas oportunidade para a aquisição de hábitos saudáveis que venham a ser ganhos permanentes, como passar a comer mais frutas, verduras e legumes ou a cozinhar em casa com maior frequência. Com o Nutrinet acompanhando esses participantes, nós teremos a opção de investigar isso em novos estudos futuramente”. 

Estudo

O objetivo da análise foi conhecer o impacto da pandemia de covid-19 sobre o comportamento alimentar da população. O recorte faz parte do Estudo NutriNet Brasil, lançado em janeiro de 2020, para investigar a relação entre padrões de alimentação e o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. A pesquisa tem duração de dez anos e vai acompanhar 200 mil pessoas. Os interessados em participar voluntariamente do estudo podem se inscrever no site nutrinetbrasil.fsp.usp.br .

O Estudo NutriNet Brasil é um dos maiores sobre alimentação e saúde do país. Os resultados vão contribuir para a elaboração de políticas públicas que promovam a saúde e a qualidade de vida da população brasileira.

Por Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil 

Sancionada lei que permite doar refeições não vendidas

O presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei nº 14.016/2020 que autoriza a doação de alimentos e refeições não comercializados por parte de supermercados, restaurantes e outros estabelecimentos. A medida foi aprovada no início do mês pelo Congresso e publicada hoje (24) no Diário Oficial da União.

A lei estabelece que a doação pode ser de alimentos in natura, produtos industrializados e refeições prontas, todos ainda próprios para o consumo humano; que os itens devem estar dentro do prazo de validade e em condições de conservação especificadas pelo fabricante, quando aplicável, e a integridade e segurança sanitária não podem ter sido comprometidas, mesmo que haja danos à sua embalagem. 

Ainda segundo a lei, para serem doados, as propriedades nutricionais dos alimentos devem ter sido mantidas, ainda que tenham sofrido dano parcial ou apresentem aspecto comercialmente indesejável.

A medida abrange empresas, hospitais, supermercados, cooperativas, restaurantes, lanchonetes e todos os estabelecimentos que forneçam alimentos prontos para o consumo de trabalhadores, de empregados, de colaboradores, de parceiros, de pacientes e de clientes em geral.

A doação deverá ser gratuita e, em nenhuma hipótese, configurará relação de consumo. A lei prevê que sejam beneficiadas pessoas, famílias ou grupos em situação de vulnerabilidade ou de risco alimentar ou nutricional. Pelo texto, essa doação poderá ser feita diretamente, em colaboração com o poder público, ou por meio de bancos de alimentos, de outras entidades beneficentes de assistência social certificadas ou de entidades religiosas.

A lei estabelece ainda que caso os alimentos doados causem danos, tanto o doador como o intermediário somente serão responsabilizados, nas esferas civil e administrativa, se tiverem agido com essa intenção. Já na esfera penal, eles serão responsabilizados somente se comprovado, no momento da primeira entrega, ainda que esta não seja feita ao consumidor final, a intenção específica de causar danos à saúde de outros.

De acordo com a lei, durante a pandemia da covid-19 o governo federal deverá comprar alimentos preferencialmente de agricultores familiares e pescadores artesanais que não podem vender sua produção de forma direta em razão da suspensão de funcionamento de feiras e outros equipamentos de comercialização.

Em nota, a Secretaria-Geral da Presidência da República explicou que, além de combater o desperdício de alimentos, a medida tem o objetivo de “combater a fome e a desnutrição, valorizar a responsabilidade social e a solidariedade entre os brasileiros e auxiliar a superação da crise econômica e social gerada pela atual pandemia”.

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil 

Em carta, preso denuncia comida estragada em presídio

Irregularidades são apontadas em carta escrita por interno da penitenciária 3 de Franco da Rocha

Segundo denúncia, presos não teriam o devido atendimento médico e comunicação por cartas estaria comprometida | Foto: Google Street View

Há dias em que nem todas as refeições são entregues. Em outros, a comida demora a chegar e, ao ser entregue, está estragada. Está é uma da série de denúncias feitas por um preso da Penitenciária 3 de Franco da Rocha, localizada em município de mesmo nome na Grande São Paulo. A unidade tem capacidade para 1.018 presos, mas comporta 1.843, superlotação 81% acima do limite.

Ponte teve acesso a uma carta escrita por um preso que elenca uma série de denúncias sobre a situação da unidade. São seis temas centrais, que passam por alimentação, trabalho, itens de higiene e de roupa de cama, acompanhamento de defensores, entidades religiosas e auxílio médico, privacidade nas conversas com advogados e bloqueio de cartas tanto para entrada quanto saída da prisão.

Com o nome de “O grito 3”, a carta traz um “dossiê da P3”, como define o interno. Após texto em que critica a realidade do sistema prisional nacional e cobra ações da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), departamentos prisionais nacionais e até o STF (Supremo Tribunal Federal), os problemas são elencados.

No dia 20 de janeiro, a Ponte publicou denúncia de familiares de presos reclusos em outra unidade de Franco da Rocha, a Penitenciária 1. De acordo com os relatos, as pessoas estão com apenas 5 minutos de água disponível por dia, racionamento de comida e espera de até 9 horas para os parentes em dias de visita. A SAP, administrada pelo coronel Nivaldo Restivo, nega irregularidades. 

A carta sobre os problemas de alimentação na P3 de Franco da Rocha tem como denuncia que as refeições não têm sido oferecidas em sua totalidade. Há falhas nas entregas do café matinal, almoço, café da tarde e jantar, segundo o relato. Quando não há falha, há demora e a alimentação chega azeda às pessoas. 

As reclamações passam por falta de trabalho e estudo, chamadas atividades laborterápicas, e entrega insuficientes de itens de higiene pessoal. Parte dos presos estariam sem quantidade suficiente de lençol, manta, colchões, uniformes, canecas pratos e talheres. 

“Além do Estado não fornecer as necessidades básicas necessárias ao cotidiano do reeducando, privam o direito de subsistência, se derem adquiridos pelo pecúlio através do auxílio familiar”, critica o preso, alegando que os pedidos não podem ser atendidos pela falta de entrega de cartas aos familiares.

Parte das reclamações feita por preso em carta obtida pela Ponte | Foto: Arquivo pessoal

Esta é outra demanda. A denúncia aponta que as cartas aos estariam sendo bloqueadas entre um dos argumentos pela cor da caneta ou por serem impressas e não escritas a mão. Por outro lado, as cartas feitas pelos presos, segundo escrevem, seriam armazenadas e destinadas após semanas. A carta com as denúncias é de novembro de 2019.

“Cartas impressas são proibidas, dificultando o ensino e estudo coletivo da massa para o seu crescimento espiritual e pessoal. Fatores desestimulantes que fazem a maioria ficar com seu tempo ocioso, tornando a mente vazia uma oficina para o diabo”, escreve. 

As outras duas reclamações no texto envolvem a falta de acompanhamento. De acordo com os presos, os tratamentos médicos têm sido feito de forma falha, assim como acompanhamento jurídico de seus casos e de entidades religiosas. 

“O déficit aos cobres públicos só estão [sic] aumentando na mesma proporcionalidade que as superlotações dos presídios federais e estaduais, pois ‘quanto mais presos será maior o lucro’, inclusive daqueles que por suas gestões aplicam má administração”, critica o preso na carta. 

A carta é destinada à SAP, ao Conselho Penitenciário do Estado de São Paulo, ao Departamento do Sistema Penitenciário Nacional, à Ouvidoria da SAP, ao Departamento Jurídico XI de Agosto, aos “direitos humanos” e ao STF.

Ponte questionou a SAP, administrada pelo coronel Nivaldo Restivo, sobre as denúncias feita pelo preso na carta e aguarda um posicionamento oficial.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Alunos de escola pública de SP são premiados por aplicativo inovador

Flávia Albuquerque/Agência Brasil

(Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Um projeto desenvolvido por cinco alunos de escola pública de São Paulo venceu o primeiro programa educacional Startup Varejo, desenvolvido para bairros da zona norte, na área de tecnologia e empreendedorismo dedicados ao setor. O grupo criou o aplicativo Serv Pet e receberá como prêmio a mentoria de pré-aceleração profissional, prestada por consultoria de inovação social Ideias de Futuro.

O Serv Pet é um aplicativo que oferece entrega de refeições frescas e balanceadas para animais de estimação como alternativa ao consumo restrito de rações industrializadas. As refeições têm o aval de médicos veterinários e nutricionistas e a ideia é propor  praticidade ao dono e qualidade de vida aos animais. Com a premiação, os estudantes terão a chance de desenvolver ainda mais o projeto e até mesmo lançar a startup e o aplicativo

Durante três meses, 140 alunos de quatro escolas da rede pública da zona norte desenvolveram projetos de startups para apresentar soluções ao varejo. Sete projetos disputaram a final. Os projetos consistiram em soluções criativas para o setor nos segmentos de alimentação, serviços temporários, trocas de livros, e uma consultoria online para microempreendedores.



“O grande objetivo aqui é usar o programa para exercitar e desenvolver competências empreendedoras nos alunos, ao mesmo tempo em que eles possam ter uma experiência de criadores de tecnologia e não apenas de usuários. Isso tudo dentro da temática de  desafios e oportunidades que o comércio e o varejo oferecem hoje em dia. O setor é a principal porta de entrada dos jovens no mercado de trabalho. Então, aliar tudo isso é o grande diferencial desse projeto”, disse o diretor de operações da consultoria Ideias de Futuro, Oswaldo Cruz.

Segundo Cruz, os vencedores terão um dia inteiro de visitação a vários centros de tecnologia e inovação da capital paulista, para conhecer os locais e ter contato com as pessoas que trabalham nos ambientes. “O grupo também ganhará quatro meses de pré-aceleração profissional da Ideias de Futuro para ter a chance de desenvolver os projetos.”

De acordo com a responsável pelo Instituto Center Norte, um dos parceiros do projeto, Daniela Pavan,  a ideia é apoiar ações e iniciativas em sintonia com estratégias dos negócios e inovação social, voltadas para o empreendedorismo e a mobilidade. “Acreditamos no ambiente de aprendizagem que cria formas para pessoas e instituições conseguirem soluções capazes de melhorar a vida na região em que vivem.”

Este foi o primeiro ano em que o programa foi desenvolvido e já há planos de ampliá-lo para outras escolas públicas da região, no próximo ano. “Já estamos pensando em como dar sequência e ampliar esse projeto para trazer a cultura de sustentabilidade e inovação para a zona norte, como uma grande força de transformação social”, disse Pavan.

Participaram da final, no Expo Center Norte, as plataformas digitais Food Back, que registra as impressões dos clientes de restaurantes encaminhadas aos proprietários para a realização de melhorias; I Force, consultoria para pequenos negócios expandirem sua atuação; I need 2 eat, que estimula o hábito de valorizar as refeições fora de casa para encontrar amigos e familiares; Hungry moving, que reduz o tempo de espera, entre um pedido e a entrega, oferecendo ao consumidor a possibilidade de escolher e fazer seu pedido, antes de sair de casa); Bicos Parati, que conecta pessoas que oferecem e buscam serviços temporários; e Sebo Teen, de venda e troca de livros.