Cérebro humano destacado em projeção por computador

Vacina da gripe reduz risco de Alzheimer, diz estudo

Pessoas que receberam ao menos uma dose da vacina contra a Influenza tiveram uma probabilidade 40% menor de desenvolver Alzheimer em comparação com os não vacinados.

A conclusão foi publicada na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease e faz parte de um estudo de pesquisadores do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

Para realizar a pesquisa, cientistas utilizaram informações disponíveis em um banco de dados de pacientes com mais de 65 anos entre setembro de 2009 e agosto de 2019. Cerca de 1,9 milhão de indivíduos que não haviam um diagnóstico prévio de demência.

Após esse período, a incidência de casos da doença foi de 5,1% entre 936 mil pessoas que receberam ao menos uma aplicação do imunizante. Por outro lado, entre o mesmo número de integrantes que não foram vacinados, a prevalência da doença foi de 8,5%.

Apesar da descoberta, cientistas ressaltam que os mecanismos responsáveis por causar esse efeito protetor ainda não foram completamente desvendados pela ciência.

Para Paul Schulz, um dos autores do estudo, como existem evidências de que várias vacinas podem proteger contra a doença, “pensamos que não é um efeito específico da vacina contra a gripe. Em vez disso, acreditamos que o sistema imunológico é complexo, e algumas alterações, como a pneumonia, podem ativá-lo de forma a piorar a doença de Alzheimer”.

“Claramente ainda temos a aprender sobre como o sistema imunológico piora ou melhora os resultados desta doença”, declarou.

Alzheimer: Cientistas brasileiros identificam células cerebrais mais vulneráveis

(Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Um estudo inédito sobre a vulnerabilidade seletiva no nível dos neurônios individuais e com o mapeamento das primeiras células acometidas pela doença de Alzheimer foi publicado na revista científica Nature Neuroscience, no dia 27 de janeiro de 2021, com o título “Markers of vulnerable neurons identified in Alzheimer disease”. O trabalho foi realizado por um grupo de pesquisadores, composto por cinco brasileiros da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com cientistas da University of California San Francisco (UCSF), dos Estados Unidos.

A autora-sênior, Profa. Lea Tenenholz Grinberg, do Departamento de Patologia da FMUSP e associada ao Departamento de Neurologia da UCSF, diz que “alguns neurônios sucumbem à doença anos antes dos primeiros sintomas aparecerem, enquanto outros parecem impermeáveis à degeneração que as cerca e perduram até os estágios finais da doença. Tornou-se uma questão premente para nós entender os fatores específicos que tornam algumas células seletivamente vulneráveis à patologia de Alzheimer, enquanto outras se mostram capazes de resistir a ela por anos”.

“A crença inicial era que, uma vez que essas proteínas tóxicas associadas à doença de Alzheimer se acumulam em algum neurônio, é sempre ‘fim de jogo’ para a célula, mas nosso laboratório tem descoberto que esse não é o caso”, afirmou a Profa. Lea T. Grinberg.

Durante a pesquisa foram estudados tecidos cerebrais de pessoas que morreram em diferentes estágios da doença de Alzheimer, obtidos no Biobanco para Estudos do Envelhecimento da FMUSP e no Banco de Cérebro de Doenças Neurodegenerativas da UCSF com técnicas de análise de RNA nuclear e neuropatologia quantitativa.

“As descobertas sustentam a ideia de que o acúmulo de proteína é um impulsionador crítico de neurodegeneração, mas nem todas as células são igualmente suscetíveis. Planejamos continuar estudando os fatores de vulnerabilidade seletiva, uma abordagem nova que pode direcionar para o desenvolvimento de terapias para retardar ou prevenir a propagação do Alzheimer”, explica a Profa. Lea T. Grinberg.

Por Gov. do Estado de SP

Leia o artigo na íntegra publicado pela Nature Neuroscience em https://www.nature.com/articles/s41593-020-00764-7

Vanusa é diagnosticada com Alzheimer, diz filha da cantora

Aos 72 anos de idade, Vanusa foi diagnosticada com o mal de Alzheimer. A filha da cantora, Aretha Marcos, foi quem revelou o quadro de saúde da mãe. No fim do ano passado, médicos já suspeitavam que a famosa estivesse com a doença, quando ela estava fazendo um tratamento para depressão.

“Minha mãe está com Alzheimer, uma doença degenerativa. Ela permanece sob cuidados médicos”, afirmou, em entrevista ao “Domingo Espetacular”, da Record.

“Eu quero que as pessoas saibam o quanto eu amo a minha mãe. Ali (na entrevista ao ‘Programa do Gugu’), ela já estava doente”, contou Aretha, sobre a entrevista da mãe a Gugu Liberato em 2016, quando a famosa criticou a relação com a filha.

Desde 2018, Vanusa está internada em uma clínica em São Paulo para tratar uma depressão profunda. Por conta desse quadro, a cantora chegou a ficar viciada em calmantes.

Composto da maconha combate Alzheimer, mas pesquisa foi paralisada

Por  Daniel Mello 

(Anvisa/Reprodução)


Um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) conseguiu combater os sintomas do Alzheimer usando um composto canabinoide. Os testes apresentaram bons resultados em ratos em que houve a simulação dos estágios iniciais da doença. Os resultados forma publicados na revista científica Neurotoxicity Research.

Para os experimentos foi usado o composto sintético ACEA (Araquidonil-2′-cloroetilamida) em animais em que receberam no cérebro a droga estreptozotocina (STZ), que provoca uma deficiência no metabolismo dos neurônios. Em seguida, foram aplicados teste da memória nos ratos, com o reconhecimento de objetos.

São colocados objetos novos no ambiente onde estavam os animais. Os ratos que não estavam sob o efeito da droga exploraram mais os locais com as novidades, enquanto aqueles com Alzheimer mantiveram o mesmo interesse por todo o ambiente. Os testes foram repetidos com o intervalo de uma hora e de um dia, para avaliar memória de curto e longo prazo.

Resultados

A partir daí, os ratos passaram a ser tratados com o ACEA, uma forma sintética de um dos compostos extraídos da maconha. Ele se liga ao receptor CB1, presente especialmente no hipocampo, parte do cérebro relacionada à memória e que é afetada pelo Alzheimer.

Segundo a coordenadora do estudo, professora Andréa Torrão, os resultados da administração do canabinoide foram “bem positivos”. De acordo com a pesquisadora, foi verificada uma “reversão do déficit cognitivo”. Segundo ela, isso significa que o composto foi capaz de impedir a progressão da doença que foi simulada em uma fase inicial.

Andréa disse que o ACEA tem sido usado por diversos grupos de pesquisa no mundo, porém, ainda existem aspectos não investigados, que a equipe do Instituto de Ciências Biomédicas tentou avaliar. “Ele foi bem descrito bem mais recentemente. Mas tinha muitas outras perguntas, lacunas, que a gente queria entender”, enfatizou.

Apesar dos bons resultados, as pesquisas com o canabinoide no instituto foram paralisadas. “Os complexos canabinoides estão muito caros para a gente importar com os cortes de verbas que tem sido feito nos últimos anos”, ressaltou a pesquisadora. Por isso, o grupo tem usado outras substâncias que agem em outros aspectos do Alzheimer.