Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.

Suspeito de mandar matar Dom e Bruno é preso

Um homem suspeito de ser mandante dos assassinatos do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips foi preso nesta quinta-feira (08/07) pela Polícia Federal em Tabatinga, no estado do Amazonas. O peruano Rubens Villar Coelho, conhecido como Colômbia, foi detido por uso de documento falso, e nega envolvimento na morte de ambos.

Conforme informações divulgadas pela Rede Globo, o suspeito foi até a sede da Polícia Federal em Tabatinga na tarde desta quinta-feira para declarar que não teria envolvimento nas mortes de Bruno e Dom. A cidade de Tabatinga fica próxima de Atalaia do Norte, para onde Bruno e Dom viajavam a partir da comunidade de São Rafael quando foram mortos.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.
Bruno Pereira e Dom Phillips (Reprodução)

Ao chegar à delegacia e se identificar, Colômbia foi detido porque teria apresentado um documento falso. Ele estaria portando outros dois documentos falsos – um brasileiro e um colombiano. A pena para esse tipo de crime é de seis anos de detenção e ele não cabe soltura por pagamento de fiança.

Ele já era investigado por suspeita de tráfico e de envolvimento com a pesca ilegal na região do Vale do Javari, terra indígena da qual parte do território integra a cidade de Atalaia do Norte. 

Até o momento, três suspeitos estão presos pela morte do indigenista e do jornalista. A PF suspeita que os irmãos Amarildo e Oseney da Costa de Oliveira, além de Jeferson da Silva Lima e outras cinco pessoas já indiciadas, seriam empregados de Colômbia na região.

Assassinato de Phillips e Pereira

Phillips, de 57 anos, e Pereira, de 41, desapareceram em 5 de junho numa região remota da Amazônia, onde avançaram nos últimos anos a mineração, a pesca e a extração de madeira ilegais, bem como o tráfico de drogas. Dez dias depois, um pescador, Amarildo da Costa de Oliveira, suspeito de participar do crime, confessou os assassinatos e indicou onde estavam os corpos das vítimas, que teriam sido mortas a tiros, depois esquartejadas, queimadas e enterradas.

No entanto, as investigações sobre o caso continuam, incluindo a busca pelo real motivo, as circunstâncias dos homicídios, se houve algum mandante, além de mais pessoas envolvidas.

A União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que deu início às buscas pela dupla no mesmo dia em que Phillips e Pereira foram vistos com vida pela última vez, classificou os assassinatos de “crime político” e alertou que os suspeitos presos pelos assassinatos “fazem parte de um grupo maior”.

Phillips estava na região recolhendo material para um livro que escrevia sobre preservação da Amazônia. Já Pereira, atualmente licenciado, era um dos funcionários mais experientes da Funai em atuação no Vale do Javari. Ele supervisionou o escritório regional da entidade e a coordenação de grupos indígenas isolados antes de sair de licença.

Falas de Bolsonaro são criticadas

Durante as buscas, o presidente Jair Bolsonaro fez uma série de declarações que provocaram repúdio de ativistas de direitos humanos e organizações que representam jornalistas.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), por exemplo, repudiou as declarações de Bolsonaro sobre o caso afirmando que “lamentavelmente autoridades governamentais sugeriram que as próprias vítimas eram responsáveis pela tragédia.”

Em sua primeira declaração sobre o caso, Bolsonaro afirmou que Bruno Pereira e Dom Phillps sabiam dos riscos existentes na região e chamou de “aventura não recomendável” o trabalho que as vítimas faziam. Ele também afirmou que o jornalista britânico era “malvisto na região” e disse que ele deveria ter segurança redobrada na “excursão” que fazia.

Nesta quinta-feira, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução condenando “veementemente” tanto os assassinatos da dupla quanto a “violência crescente” no Brasil contra ativistas de direitos humanos e do meio ambiente, povos indígenas, minorias e jornalistas.

Na mesma votação, os eurodeputados também condenaram a “retórica agressiva” e “declarações intimidadoras” de Bolsonaro.

A Anistia Internacional afirmou que os comentários de Bolsonaro sobre o caso foram “cruéis e insensíveis”.

gb/bl (ots)

Synde Libório e Luana Rosas, da Livin, aparecem diante de um totem da empresa durante evento.

Startup do Amazonas cria mecanismo para economizar energia

Um mecanismo de controle criado para economizar o gasto de energia em residências e empresas, contribuindo com o meio ambiente, o aplicativo Thomas foi desenvolvido e idealizado pela startup amazonense Livin’ Energy. A iniciativa oferece recursos capazes de produzir relatórios de acompanhamento, em tempo real, do consumo semanal e mensal.

“A Livin’ é uma startup que tem o objetivo de desenvolver iniciativas na área de energia. O nosso principal produto é o Thomas, uma solução completa que envolve tanto o hardware como o software e que fica no quadro de energia residencial e de empresas. Junto com o aplicativo, eles fazem um monitoramento de energia em que o cliente pode saber o seu consumo em tempo real”, destacou Synde Libório, analista de Marketing da empresa.

Com o aplicativo, é possível saber quanto será o gasto de energia, isso porque a iniciativa oferece um recurso que prevê o valor da conta de luz.

Synde Libório  e Luana Rosas, da Livin, aparecem diante de um totem da empresa durante evento.
Synde Libório e Luana Rosas (Arquivo Pessoal/via Agência Amazônia)

Para o funcionamento do mecanismo, explica Synde Libório, é necessário que haja a instalação de um medidor energético com o dispositivo IoT (Internet of Things, ou, Internet das Coisas, na tradução literal), com rede de internet Wi-Fi ligada a uma infraestrutura em nuvem.

“Qualquer residência ou empresa pode adquirir o sistema. Para residências, os técnicos fazem uma instalação não invasiva e simples do aparelho, que se conecta com o aplicativo e passar a monitorar o gasto. Com base nisso, você pode economizar, por exemplo, o consumo do ar-condicionado”, salientou a analista de Marketing.

Impacto ambiental

A analista de marketing da Livin’, Luana Rosas, reforça que o projeto surgiu da necessidade de ter um controle, na palma da mão, do que é consumido de energia, em tempo real, em casa ou nas empresas. Além disso, segundo ela, o aplicativo chega para promover eficiência energética, que consiste na utilização racional e sustentável de energia e que traz menos impacto ao meio ambiente.

“Atualmente, a nossa fornecedora de energia disponibiliza a nossa fatura somente no final do mês, que vem com o detalhamento mensal, e a gente não tem uma noção em tempo real até que essa fatura chegue. E o Thomas oferece essa opção para que o cliente tenha um controle e se conscientize em relação ao seu consumo, promovendo eficiência energética a partir disso”, frisou.

Atento as taxas

Para a precisão de uma das principais funções do aplicativo Thomas – o preço do gasto de energia – o mecanismo utiliza dados das taxas vigentes de cada concessionária local fornecedora de eletricidade. A partir da função, a ferramenta consegue prever o valor próximo da conta de luz emitida pela companhia.

A iniciativa também disponibiliza um contador da geração de energia fotovoltaica, ou seja, a energia solar, para quem possui o sistema em casa, permitindo visualizar o saldo gerado e o saldo que já foi gasto. Além disso, o Thomas viabiliza o pagamento da conta de luz dentro do próprio aplicativo, por meio de boleto bancário, cartão de crédito e Pix.

O Thomas foi uma das ferramentas apresentadas na ExpoAmazônia Bio&Tic, evento de tecnologia que reuniu mais de 60 estandes e 100 startups e movimentou o setor bioeconômico da Amazônia, entre os dias 30 de junho e 2 de julho deste ano, em Manaus. Para obter o aplicativo, é necessário entrar em contato com o desenvolvedor, no link https://www.livin.energy/thomas.

Livin’

A Livin’ Energy é uma iniciativa com sede em Manaus, no Amazonas, e em São Carlos, em São Paulo, e nasceu da Ambar Tech, principal financiadora do projeto ao lado da das empresas Positivo Tecnologia e Pacaembu Construtora. A startup tem como principal premissa desenvolver produtos criados para facilitar o dia a dia das pessoas e gerar economia por meio da tecnologia.

Luciano da Silva Barbosa, o "L7", diante do painel da secretaria de segurança pública do amazonas. Ele está com as mãos para trás e veste camisa de time de futebol. Aparece olhando para frente.

Execução de filho de traficante deixa polícia em alerta no Amazonas

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) anunciou reforço no policiamento após o assassinato de Luciano da Silva Barbosa, o “L7”, filho do narcotraficante José Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto”, considerado o “cabeça” de uma organização criminosa atuante no Amazonas.

No Boletim de Ocorrência (B.O) registrado pela mãe de Luciano, Maria Delzeni Almeida da Silva, 49, por volta das 4h, aproximadamente, 20 homens encapuzados invadiram a residência localizada na zona rural de Manacapuru, Comunidade Santa Maria, e com armas de fogo executaram Luciano e o degolaram. O esposo de Delzeni, Silviney Oliveira Araújo, 42, tentou fugir pulando na água, mas também foi alvejado e morreu. Ela alega que o companheiro não era envolvido com o tráfico.

Luciano da Silva Barbosa, o "L7", diante do painel da secretaria de segurança pública do amazonas. Ele está com as mãos para trás e veste camisa de time de futebol. Aparece olhando para frente.
Luciano da Silva Barbosa, o “L7” (SSP-AM/via Agência Amazônia)

Para o especialista em Segurança Pública Hilton Ferreira, uma das principais consequências de crimes como esse são o reflexo de medo na sociedade. “Existe o pânico na população, principalmente, nas mídias sociais e nas áreas que a organização criminosa atua”.

“Existe um desgaste das Forças de Segurança, com quadros reduzidos por conta do nosso maior evento em Parintins. Mais de 500 policiais militares foram escalados”, avalia o especialista ao afirmar que os próximos três dias serão fundamentais na tomada de decisões por parte das Forças de Segurança.

O sociólogo e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFPA Francinézio Amaral acredita ser preciso entender o sentimento de insegurança após uma execução como essa. “O aumento dos índices de violência e criminalidade está diretamente ligado aos índices de desigualdade social, desemprego, desesperança, fome e, inclusive, agressões ao meio ambiente”.

Para ele, apenas a ação extensiva e isolada de reforço de segurança não é suficiente para conter a criminalidade. “Para combater a violência e a criminalidade é preciso buscar resolver, de forma conjunta, todos os demais problemas estruturais da sociedade. Sem isso, estes ciclos de violência e criminalidade continuarão se repetindo e a população continuará com a sensação, cada vez mais forte, de insegurança”, afirma.

Ficha Criminal

Luciano foi preso pela última vez no Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, situado na Zona Sul de Manaus, onde os policiais cumpriram mandado de prisão em setembro de 2021, mas cumpria pena em regime semiaberto e era monitorado com uso de tornozeleira eletrônica. Luciano morava com a família no interior desde então.

No Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Luciano respondia por quatro homicídios entre os anos de 2017 e 2021, sendo três deles ainda em andamento e esperando para ser julgado.

Dias após a prisão no Fórum, Luciano chegou a declarar que abandonaria a liderança de facções e iria buscar a Deus. “Eu estou abrindo mão de tudo, quero mais não, para mim chega. Se não minha vida só vai ser essa aqui, cadeia ou morto. É de coração, espero que ele me entenda, eu fiz o que pude. Não dá não, se não vou acabar que nem meu pai. Eu não tive nem a oportunidade de ver meu filho, não estou nem há um ano na rua e já fui perseguido de novo. Chico Velho, tu é meu irmão, mas para mim já deu. Quero que você tenha uma boa sorte, aí, que eu vou buscar a Deus e a minha família que está sofrendo muito. Assim como eu não estou bem”, disse em vídeo.

‘Zé Roberto’

Zé Roberto aparece diante do painel da secretaria de segurança de amazonas.
José Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”
(SSP-AM/via Agência Amazônia)

José Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, está, atualmente, preso na Penitenciária Federal de Campo Grande e era o líder da organização criminosa no Amazonas e elo do narcotráfico da tríplice fronteira Brasil-Peru-Colômbia.

“Zé Roberto” iniciou na vida do crime aos 12 anos de idade e foi o responsável por rebeliões no Estado do Amazonas, tendo, inclusive, matado dois integrantes que haviam saído da organização, a qual ele era líder, durante fuga da prisão em 2013. “Zé Roberto” já esteve preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, e na Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná.

‘Operação Inquietação’

“Nossa polícia estará muito pesada, hoje, na rua. Eu quero, inclusive, a compreensão da sociedade amazonense. Nós teremos muitas barreiras policiais, fazendo pontos de abordagens em diversas áreas da cidade, principalmente, nos locais de conflito. Seremos muito duros no combate ao crime organizado, ainda mais”, afirmou o comandante-geral da PM-AM, coronel Marcos Vinicius, durante lançamento da operação na tarde desta quinta-feira, 23.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, por determinação do governador Wilson Lima, o policiamento será reforçado nos 62 municípios do Amazonas para combater o tráfico de drogas e reduzir o registro de ocorrências policiais.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.

Dom e Bruno: PF identifica mais cinco suspeitos

A Polícia Federal (PF) afirmou neste domingo (19/07) ter identificado mais cinco suspeitos de terem participado do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia.

Além dos cinco novos suspeitos, três pessoas já foram presas até o momento em conexão com as investigações. O primeiro foi o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, que confessou ter cometido o crime e acompanhou agentes até o local onde os corpos foram encontrados. Também foram presos o seu irmão, Oseney de Oliveira, conhecido como Dos Santos, e Jeferson da Silva Lima, conhecido como Pelado da Dinha. Todos tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça do Amazonas.

A Polícia Civil de Atalaia do Norte, cidade ribeirinha onde Pereira e Phillips iniciaram sua última viagem pela Amazônia, afirmou que os cinco novos suspeitos são investigados pelo suposto envolvimento no transporte e ocultação dos corpos no dia seguinte ao assassinato.

Em um comunicado, a PF disse que as investigações continuam, com o objetivo de “esclarecer todas as circunstâncias, os motivos e os envolvidos no caso”. Seguem as buscas pelo barco que era utilizado por Pereira e Phillips, que teria sido afundado por Amarildo da Costa Oliveira após o crime.

Uma autoridade policial afirmou ao jornal inglês The Guardian que considera as investigações “90% completas”, e que os cinco novos suspeitos eram parentes dos dois irmãos presos.

Neste domingo, servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) anunciaram que pretendem iniciar uma greve na próxima quinta-feira, pela responsabilização de todos os culpados pelos assassinatos e pela saída imediata do presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier da Silva, que segundo a associação de servidores INA (Indigenistas Associados) estaria “promovendo uma gestão anti-indígena e anti-indigenista na instituição”.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.
Bruno Pereira e Dom Phillips (Reprodução)

Também neste domingo, o procurador-geral da República, Augusto Aras, viajou para Tabatinga, no Amazonas, para acompanhar os desdobramentos do caso. Os procuradores lotados naquela unidade são responsáveis pela área de Atalaia do Norte e região.

Corpos identificados

No sábado, a PF informou ter identificado o corpo de Pereira, por meio de exame da arcada dentária por peritos do Instituto Nacional de Criminalística em Brasília. Os restos mortais do jornalista britânico Dom Phillips já haviam sido identificados na sexta-feira, também por meio de exame da arcada dentária.

Em nota, a PF afirmou que Pereira e Phillips foram mortos a tiros. O indigenista foi atingido três vezes, na cabeça e no tórax, e o jornalista uma vez, no tórax. Em ambos os casos, foi utilizada munição típica de caça, segundo a PF.

A morte de Pereira “foi causada por traumatismo toracoabdominal e craniano por disparos de arma de fogo com munição típica de caça, com múltiplos balins, que ocasionaram lesões sediadas no tórax/abdômen (2 tiros) e face/crânio (1 tiro)”, e a morte de Phillips “foi causada por traumatismo toracoabdominal por disparo de arma de fogo com munição típica de caça, com múltiplos balins, ocasionando lesões principalmente sediadas na região abdominal e torácica (1 tiro)”, informou a PF.

Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como pelado, em barco com dois policiais. Ele aparece com as mãos para trás.
Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como ‘Pelado’ (Reprodução)

A corporação afirmou que os peritos do Instituto Nacional de Criminalística farão nos próximos dias novos exames “de Genética Forense, Antropologia Forense e métodos complementares de Medicina Legal, para identificação completa dos remanescentes e compreensão da dinâmica dos eventos”. A polícia apura se o crime está ligado à pesca ilegal e ao tráfico de drogas na região.

Investigação

Na sexta-feira, a PF informou que a investigação sobre os assassinatos não encontrou indícios de ter havido um mandante ou organização criminosa por trás das mortes, mas que as diligências continuavam.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) discordou da conclusão da PF. Segundo a entidade, foram repassadas à polícia informações sobre organizações criminosas que estariam atuando na região e que poderiam estar ligadas às mortes. No documento, a Univaja solicita que as investigações continuem e que nenhuma hipótese seja descartada.

“Exigimos a continuidade e o aprofundamento das investigações. Exigimos que a PF considere as informações qualificadas que já repassamos a eles em nossos ofícios. Só assim teremos a oportunidade de viver em paz novamente em nosso território, o Vale do Javari”, afirmou a entidade.

Bruno Pereira fazia parte da Univaja e, segundo a entidade, era alvo de ameaças constantes de madeireiros, garimpeiros e pescadores da região.

Dom Phillips e Bruno Pereira foram vistos pela última vez em 5 de junho, enquanto viajavam pelo Vale do Javari, uma região remota do estado do Amazonas palco de conflitos entre indígenas e invasores de terras. 

Phillips e Pereira

Jornalista veterano e colaborador do The Guardian, Phillips tinha 57 anos e vivia no Brasil há 15 anos. Ao longo da sua carreira, ele também escreveu para vários outros veículos internacionais, incluindo Financial TimesNew York Times e Washington Post, além de ter produzido reportagens para o serviço em inglês da Deutsche Welle (DW).

Antes de desaparecer, Phillips trabalhava num livro sobre preservação da Amazônia, com apoio da Fundação Alicia Patterson, que lhe concedeu uma bolsa de um ano para reportagens ambientais, que durou até janeiro. Phillips deixa uma viúva, Alessandra, que nos últimos dias divulgou diversos apelos para que as autoridades se empenhassem mais pela busca dos desaparecidos.

Pereira era considerado por organizações ambientais e indígenas um dos funcionários mais experientes da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atuava na região do Vale do Javari. Em 2018, ele se tornou o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém Contatados da Funai, mas acabou exonerado do cargo em outubro de 2019, após pressão de setores ruralistas.

bl (ots)

Agentes federais e peritos no meio da floresta analisam marcas no chão coberto por folhas secas.

Embarcação de Dom e Bruno ainda não foi encontrada

O comitê de crise, coordenado pela Polícia Federal do Amazonas, que atua nas buscas pelo indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, informou na noite desta quinta-feira (16) que a embarcação que estava sendo utilizada pela dupla ainda não foi encontrada.

Em comunicado à imprensa, o comitê afirma que a embarcação não foi localizada “apesar de exaustivas buscas realizadas nesta data no perímetro apontado por Amarildo da Costa Oliveira, vulgo ‘Pelado’”.

Segundo a nota, das amostras coletadas no barco do suspeito foi obtido um perfil genético completo, de indivíduo do sexo masculino. “Confrontando-o com os perfis genéticos de referência dos desaparecidos, o Instituto Nacional de Criminalística excluiu a possibilidade desse vestígio ser proveniente de Dom Phillips. A possibilidade de ser originada de Bruno restou inconclusiva, sendo necessária a realização de exames complementares”, afirma o documento.

O avião da Polícia Federal que transportou os remanescentes humanos encontrados durante as buscas pousou, por volta das 18h30, no Aeroporto de Brasília. O material foi levado para o Instituto Nacional de Criminalística, onde já começou a ser periciado para confirmação da identidade. A previsão da PF é que a perícia seja concluída na próxima semana. 

O caso

O indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, correspondente do jornal The Guardian no Brasil estavam desaparecidos desde 5 de junho, na região do Vale do Javari, no oeste do Amazonas.

De acordo com a coordenação da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Bruno Pereira e Dom Phillips chegaram na sexta-feira (3) no Lago do Jaburu, nas proximidades do rio Ituí, para que o jornalista visitasse o local e fizesse entrevistas com indígenas.

Segundo a Unijava, no domingo (5), os dois deveriam retornar para a cidade de Atalaia do Norte, após parada na comunidade São Rafael, para que o indigenista fizesse uma reunião com uma pessoa da comunidade apelidado de Churrasco. No mesmo dia, uma equipe de busca da Unijava saiu de Atalaia do Norte em busca de Bruno e Dom, mas não os encontrou e eles foram dados como desaparecidos.

Agentes federais e peritos no meio da floresta analisam marcas no chão coberto por folhas secas.

Buscas por desaparecidos continuam no Amazonas

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, disse hoje (14) que a área onde desapareceram o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips é uma região complicada e extremamente distante de Manaus, capital do Amazonas, mas as buscas pelos dois continuam. Segundo Torres, desde o primeiro momento o governo federal disponibilizou as Forças Armadas, a Polícia Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai), que estão trabalhando em conjunto com os órgãos estaduais. Desde domingo (5) os dois estão desaparecidos.

“As buscas continuam. Como eu me comprometi. Estive com a ministra do Reino Unido nos Estados Unidos e me comprometi que tudo que estiver ao alcance do governo brasileiro será feito, e que nós não esgotaremos os trabalhos antes de esgotar todas as possibilidades de busca naquela região”, disse o ministro após a posse do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Ivo Roberto Costa da Silva.

Agentes federais e peritos no meio da floresta analisam marcas no chão coberto por folhas secas.
(PF/via Agência Brasil)

O ministro confirmou que amanhã, às 15h, participa da sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados para dar esclarecimentos sobre a morte de Genivaldo de Jesus Santos durante abordagem feita no dia 25 de junho por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-101, no município de Umbaúba, sul de Sergipe.

De acordo com o Instituto Médico Legal (IML) do estado, Genivaldo morreu de insuficiência aguda secundária a asfixia. No dia 29 de junho, o coordenador-geral de comunicação institucional da PRF, Marco Territo, disse que a abordagem feita pelos policiais não está de acordo com as diretrizes internas da corporação.

A convocação para o comparecimento do ministro foi aprovada na quarta-feira (1º). “A audiência está prevista para amanhã e estaremos lá às 15h para comentar sobre o acontecido”, disse Anderson Torres.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.

Esposa de Dom Phillips diz que corpos foram encontrados no Amazonas

Alessandra Sampaio, esposa de Dom Phillips, jornalista britânico que está desaparecido há mais de uma semana, afirmou que seu corpo e o de Bruno Pereira, indigenista brasileiro que também sumiu no Vale do Javari, no Amazonas, foram encontrados.

Mesmo com o relato, publicado em primeira mão pelo jornalista André Trigueiro, da TV Globo, as autoridades brasileiras não confirmaram a informação. A associação indígena que anunciou o desaparecimento dos dois na Amazônia também não se pronunciou a respeito.

Segundo Alessandra, a Polícia Federal (PF) teria a comunicado sobre a descoberta de dois corpos, que ainda precisariam passar por uma perícia. Ainda de acordo com o anúncio, a Embaixada Britânica já teria comunicado os irmãos do jornalista.

A PF disse na última quinta-feira (9) que encontrou “vestígios de sangue” na lancha do suspeito. Também ontem, protestos nos Estados Unidos e na Inglaterra pediram respostas para o caso.

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decretou, também na última quinta, a prisão temporária de Amarildo da Costa de Oliveira, investigado por envolvimento no desaparecimento. O suspeito, conhecido pelo apelido “Pelado”, ficará detido por 30 dias.

Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como pelado, em barco com dois policiais. Ele aparece com as mãos para trás.

Suspeito de envolvimento em desaparecimento tem prisão decretada

A Justiça decretou, na noite desta quinta-feira (9), a prisão temporária por 30 dias corridos de Amarildo da Costa de Oliveira, 41 anos, conhecido como “Pelado”, preso em flagrante na última terça-feira (7) pela Polícia Federal. Ele é suspeito de estar envolvido no desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira após a PF encontrar vestígios de sangue em sua embarcação. 

A decisão foi tomada pela juíza plantonista Jacinta Santos durante a audiência de custódia de Oliveira realizada na Comarca de Atalaia do Norte (AM). O processo segue em segredo de justiça.

Oliveira foi preso durante uma abordagem por posse de drogas e munição calibre 762, de uso restrito. Ele também estava portando armamento de caça. 

Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como pelado, em barco com dois policiais. Ele aparece com as mãos para trás.
Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como ‘Pelado’ (Reprodução)

Nesta quinta-feira, a Polícia Federal pediu a prisão temporária de Oliveira, pedido que foi atendido pela Justiça. 

Phillips, que é colaborador do jornal britânico The Guardian, e Pereira, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), foram vistos pela última vez na manhã de domingo (5), na região da reserva indígena do Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares. Eles se deslocavam da comunidade ribeirinha de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), quando sumiram sem deixar vestígios. 

O indigenista já havia denunciado que estaria sofrendo ameaças na região, informação confirmada pela PF, que abriu procedimento investigativo sobre essa denúncia. Bruno Pereira estava atuando como colaborador da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), uma entidade mantida pelos próprios indígenas da região.

O Vale do Javari concentra 26 etnias indígenas, a maioria com índios isolados ou de contato recente. Além disso, fica na fronteira com o Peru e é rota de circulação do tráfico internacional de drogas. É uma região considerada perigosa pelas autoridades. 

Perito, com celular na mão, analisa parte do barco. Outra perita, usando Equipamentos de Proteção Individual, observa trabalho.

Amazonas: Perícia da PF analisa sangue encontrado em barco

A Polícia Federal (PF) do Amazonas, que coordena as forças de segurança na Operação Javari, informou nesta quinta-feira (9) que vestígios de sangue foram encontrados na embarcação de Amarildo da Costa de Oliveira, 41 anos, conhecido como “Pelado”, preso em flagrante na última terça-feira (7). Ele foi detido em uma abordagem por posse de drogas e munição calibre 762, de uso restrito. Ele também estava portando armamento de caça. A suspeita é que ele possa estar envolvido no desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

“A prisão temporária do suspeito já foi requerida e o material coletado está a caminho de Manaus, no helicóptero tático Black Hawk, para ser periciado”, informou a corporação em nota.

Phillips, que é colaborador do jornal britânico The Guardian, e Pereira, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), foram vistos pela última vez na manhã de domingo (5), na região da reserva indígena do Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares. Eles se deslocavam da comunidade ribeirinha de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), quando sumiram sem deixar vestígios.

Perito, com celular na mão, analisa parte do barco. Outra perita, usando Equipamentos de Proteção Individual, observa trabalho.
(PF/via Agência Brasil)

O indigenista já havia denunciado que estaria sofrendo ameaças na região, informação confirmada pela PF, que abriu procedimento investigativo sobre essa denúncia.  Bruno Pereira estava atuando como colaborador da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), uma entidade mantida pelos próprios indígenas da região.

O Vale do Javari concentra 26 etnias indígenas, a maioria com índios isolados ou de contato recente. Além disso, fica na fronteira com o Peru e é rota de circulação do tráfico internacional de drogas. Uma região considerada perigosa pelas autoridades. 

Ainda segundo a nota divulgada pela Superintendência da PF no Amazonas, nas últimas 24 horas a Operação Javari realizou busca fluvial na região do rio Itaquaí, último local de avistamento de Bruno Pereira e Dom Phillips. De acordo com o balanço informado, foram percorridos cerca de 100 quilômetros (km) pela calha do Itaquaí e seus afluentes.

“Todas as comunidades no percurso foram abordadas, especialmente as de Santa Cruz, Cachoeira, São Gabriel e São Rafael. Além da busca fluvial, foi realizado um reconhecimento aéreo no itinerário de Atalaia do Norte até a base da Funai na entrada da terra indígena Vale do Javari, percorrendo pontos de interesse para a busca aos desaparecidos e para as investigações”, diz a nota. Até agora, os custos da operação somam R$ 684 mil. 

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.
Bruno Pereira e Dom Phillips (Reprodução)

Ontem (8), o comitê de crise formado por diferentes forças de segurança pública, coordenadas pela PF, informou que mais de 250 profissionais estão sendo empregados na operação, incluindo especialistas em busca e resgate na selva, bem como duas aeronaves, três drones, 16 embarcações e 20 viaturas. As buscas seguirão de forma contínua, sem prazo para terminar, até que se defina por uma suspensão ou mudança de estratégia, informaram as autoridades. 

Reino Unido

Mais cedo, em nota publicada nas redes sociais, a embaixadora interina do Reino Unido no Brasil, Melanie Hopkins, comentou sobre o desaparecimento. “Estamos profundamente preocupados que o jornalista britânico Dominic Phillips e o indigenista Bruno Pereira ainda não foram encontrados. Estamos cientes de que este continua sendo um momento angustiante para suas famílias e amigos”, postou. Segundo a diplomata, o governo britânico está dando apoio consular à família de Phillips e em contato próximo com autoridades do mais alto nível no Brasil para se manter atualizado em relação aos esforços de busca e resgate.

“Entendemos que a localização remota da região impõe desafios logísticos consideráveis e já solicitamos ao governo brasileiro que faça todo o possível para apoiar a investigação do caso. Agradecemos a assistência prestada até o momento”, acrescentou.

Pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira Marinha, Exército e Aeronáutica, além do Ministério das Relações Exteriores e da Polícia Federal, dentre outros órgãos, estão trabalhando “de forma intensa” na busca dos desaparecidos. “Nós queremos solucioná-lo e levar conforto aos familiares”, disse Bolsonaro.

Militares em embarcação do exército navegam por rio no Amazonas.

Exército faz buscas por jornalista e indigenista

O Comando Militar da Amazônia (CMA) divulgou uma nota na tarde desta terça-feira, 7, na qual ressalta as buscas pelo agente indigenista da Fundação Nacional do Índio (Funai) Bruno Pereira e ao jornalista britânico, colaborador do jornal ‘The Guardian’, Dom Phillips, desaparecidos desde o último domingo, 5, no Vale do Javari, interior do Amazonas, (distante 1.240 quilômetros de Manaus).

Conforme a nota, o CMA se juntou às ações contínuas de buscas emergenciais e humanitárias, desde o fim da tarde de segunda-feira, 6, por meios fluviais e terrestres, de forma ininterrupta, por meio da condução da 16ª Brigada de Infantaria de Selva com atuação de mais de cem militares.

Militares em embarcação do exército navegam por rio no Amazonas.
Militares navegam em direção à região do desaparecimento (Reprodução)

“Segue, de forma ininterrupta, empregando militares combatentes de selva da 16ª Brigada de Infantaria de Selva, sediada em Tefé-AM, que possui meios desdobrados na região do Javari. A 16ª Brigada de Infantaria de Selva tem conduzido as operações de Busca e Salvamento com, aproximadamente, 150 (cento e cinquenta) militares especialistas em operações em ambiente de selva que conhecem o terreno onde se desenvolvem as buscas“, informa um trecho da nota.

Segundo o documento, o 4° Batalhão de Aviação do Exército (4° BAvEx) também vai atuar em apoio à procura pela dupla com o deslocamento dos agentes da Polícia Federal. O CMA destacou, ainda, a existência do Hospital Militar na cidade de Tabatinga-AM, além de dois Pelotões Especiais de Fronteira (PEF), nas regiões de Palmeiras do Javari e de Estirão do Equador, à disposição, caso necessário.

“O 4° Batalhão de Aviação do Exército (4° BAvEx) somará a este esforço a capacidade aeromóvel, apoiando o deslocamento de agentes da Polícia Federal (PF) e agregando mobilidade às equipes interagências
na área de operações, por meio de um helicóptero (ainda em deslocamento para a área de busca). A integração e a sinergia, dentro de um ambiente interagências entre os diversos órgãos desdobrados, na área de busca, tem favorecido as ações de busca“.

Na final da tarde desta terça-feira, 7, o Comando Militar da Amazônia postou toda a movimentação dos combatentes e viaturas militares rumo ao município Atalaia do Norte