Anvisa paralisa jogo entre Brasil e Argentina; partida é encerrada

Anvisa paralisa jogo entre Brasil e Argentina; partida é encerrada

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) paralisou na tarde deste domingo (5) o jogo entre Brasil e Argentina pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, após 5 minutos do início da partida. Posteriormente, o árbitro decidiu encerrar o jogo. A decisão de paralisar o jogo foi tomada após quatro jogadores argentinos entrarem em campo, mesmo com a determinação da agência de que teriam de cumprir isolamento no hotel para serem deportados para a Argentina.

Sem citar os nomes dos jogadores, a agência informou que os jogadores teriam descumprido as regras sanitárias brasileiras segundo as quais “viajantes estrangeiros que tenham passagem, nos últimos 14 dias, pelo Reino Unido, África do Sul, Irlanda do Norte e Índia, estão impedidos de ingressar no Brasil”. Diante da situação, há possibilidades de os jogadores serem deportados do país.

“Após reunião com as autoridades em saúde, confirmou-se, após consulta dos passaportes dos quatro jogadores envolvidos, que os atletas descumpriram regra para entrada de viajantes em solo brasileiro, prevista na Portaria Interministerial nº 655, de 2021”, informou, em nota, a Anvisa, referindo-se aos viajantes que chegaram ao Brasil em voo de Caracas/Venezuela com destino a Guarulhos.

A Anvisa informa que considera a situação “risco sanitário grave”, motivo pelo qual orientou as autoridades em saúde locais “a determinarem a imediata quarentena dos jogadores, que estão impedidos de participar de qualquer atividade e devem ser impedidos de permanecer em território brasileiro”.

Apesar das identidades não terem sido reveladas, Emiliano Martinez e Emiliano Buendia, do Aston Villa (Inglaterra), entraram em campo contra o Brentford no dia 28 de agosto, enquanto Lo Celso e Cristian Romero, do Tottenham (Inglaterra) ficaram no banco contra Watford no dia seguinte. Os quatro declararam que não estiveram nos últimos 14 dias no Reino Unido.

O jogo estava previsto para começar às 16h na Neo Química Arena, em São Paulo pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo. O Brasil lidera a competição de forma isolada com 21 pontos.

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) publicou em suas redes sociais que o árbitro encerrou a partida entre Brasil e Argentina e a partida está suspensa. O árbitro e um comissário da partida levarão um relatório à Comissão Disciplinar da Fifa, que determinará quais serão os próximos passos. “Estes procedimentos seguem estritamente as regulamentações vigentes”, informou a entidade. “As Eliminatórias da Copa do Mundo são uma competição da Fifa. Todas as decisões que se tratam da sua organização e e o desenvolvimento são poderes exclusivos dessa instituição.”

Em nota, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lamentou profundamente o ocorrido. “A CBF defende a implementação dos mais rigorosos protocolos sanitários e os cumpre na sua integralidade. Porém ressalta que ficou absolutamente surpresa com o momento em que a ação da Agência Nacional da Vigilância Sanitária ocorreu, com a partida já tendo sido iniciada, visto que a Anvisa poderia ter exercido sua atividade de forma muito mais adequada nos vários momentos e dias anteriores ao jogo.”

Na nota, a CBF informe que que em nenhum momento, o presidente interino da entidade, Ednaldo Rodrigues, ou outro dirigente da confederação, interferiu em qualquer “ponto relativo ao protocolo sanitário estabelecido pelas autoridades brasileiras para a entrada de pessoas no país”. “O papel da CBF foi sempre na tentativa de promover o entendimento entre as entidades envolvidas para que os protocolos sanitários pudessem ser cumpridos a contento e o jogo fosse realizado.”

*Com informações da Agência Brasil

Feminicídio: Argentinos presos no Brasil são extraditados

Dois argentinos acusados de violência doméstica e feminicídio no país vizinho foram entregues hoje (8) pela Polícia Federal (PF) às autoridades argentinas na Ponte Tancredo Neves, fronteira com a cidade de Puerto Iguazú. Os dois custodiados foram levados do Aeroporto Internacional Tom Jobim-RioGaleão até a cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, no complemento da Operação Castellano, deflagrada ontem pela PF, na cidade do Rio de Janeiro, para realizar a extradição dos argentinos.

Os presos passaram a noite na delegacia de Polícia Federal em Foz do Iguaçu e permaneceram lá até serem entregues nesta terça-feira às autoridades argentinas. De acordo com a PF, os extraditados foram presos no Brasil, em 2019 e em 2021, em cumprimento “de ordem de captura internacional da Interpol (Difusão Vermelha), e tiveram suas extradições para a Argentina deferidas pelo Supremo Tribunal Federal, no mês de maio deste ano”.

A PF informou que, por causa da pandemia da covid-19, a logística da extradição passiva dos estrangeiros está sendo atípica, uma vez que o Brasil, em cooperação policial direta, está executando a escolta internacional dos foragidos até a fronteira com o país vizinho.

“Todo o procedimento foi acompanhado pelo Consulado Geral da Argentina no Rio de Janeiro, representado pelo cônsul geral, Claudio Gutierrez, que, desde a prisão dos extraditados, prestou assistência consular aos seus nacionais”, completou a PF, em nota.

Por Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil 

Toque de recolher é ampliado na Argentina

Alberto Fernandez, Presidente da Argentina (Casa Rosada/via Fotos Públicas)

O presidente argentino, Alberto Fernández, ampliou o horário do toque de recolher, anunciado uma semana antes, e suspendeu uma série de atividades, incluindo as aulas presenciais, até 30 de abril, para evitar a saturação de doentes com covid-19 nos hospitais.

“O que tentamos na semana passada foi pouco. Todo o esforço que fizemos até aqui parece insuficiente à luz de como aumentam os contágios na Argentina. Por isso, decidi que entre as 20h e as 6h ninguém poderá circular pelas ruas”, disse Fernández, em rede nacional de rádio e TV.

Há uma semana, Fernández tinha anunciado um toque de recolher entre a meia-noite e as seis da manhã. Além disso, tinha determinado que bares e restaurantes só funcionassem até as 23h, horário que também diminuiu em quatro horas.

“Todas as atividades comerciais só poderão ocorrer entre as 9h e as 19h. As atividades gastronômicas ficarão fechadas em horário noturno. Também suspendi todas as atividades recreativas, sociais, culturais, desportivas e religiosas em lugares fechados”, disse o presidente, incluindo na lista aquilo que o governo prometera que seria a última atividade a ser fechada: as escolas.

“Todas essas medidas incluem a suspensão de aulas, durante duas semanas, a partir de segunda-feira [19]. Alunos e professores não irão à escola. A educação será virtual, a distância. As demais medidas começaram a valer a partir da zero hora de sexta-feira e vão até o dia 30 de abril”, afirmou, acrescentando que as medidas visam a atingir dois objetivos: “não interromper a campanha de vacinação e evitar que o sistema de saúde fique saturado”.

Várias clínicas do sistema de saúde privado, onde 70% dos argentinos são atendidos, estão próximas da saturação, especialmente na área metropolitana de Buenos Aires. No sistema de saúde público, a ocupação de leitos de cuidados intensivos está em 70%.

“Há um mês, tínhamos 45.498 casos de contágios. Na semana passada, 122.468 casos. Nesta semana, o número será maior. Isso significa que multiplicamos por mais de duas a quantidade de contágios em apenas um mês”.

As medidas são destinadas à área metropolitana de Buenos Aires que abrange a capital argentina, onde vivem 3 milhões de habitantes, além de mais dez distritos com 13 milhões de pessoas.

Protestos

Logo após o anúncio das medidas, milhares de pessoas começaram um forte panelaço de protesto na maioria dos bairros de Buenos Aires. Primeiro pelas janelas, depois, pelas ruas. Em frente à residência presidencial, milhares de pessoas protestaram.

No ano passado, a Argentina manteve a mais prolongada quarentena do mundo, com 233 dias de isolamento, que provocou milhares de falências e uma queda de 10% no Produto Interno Bruto (PIB).

Em apenas um ano, a pandemia já deixou na Argentina quase o dobro de mortos: 58.542. Só nas últimas 24 horas foram registrados 368 óbitos.

Com 45 milhões de habitantes, o número de casos chega a 2,604 milhões, com 25.157 novos casos nas últimas 24 horas.

Por RTP

“Vacinação VIP”: Ministro da Saúde argentino pede demissão

Ginés González García, ex-ministro da saúde da Argentina (Rede Social/Reprodução)

O ministro da Saúde da Argentina, Ginés González García, deixou o cargo na sexta-feira (19/02) depois da revelação de que pessoas influentes que não faziam parte de grupos prioritários teriam furado a fila da vacinação contra a covid-19 com a cumplicidade da pasta, num esquema de “vacinação VIP” que funcionava dentro do próprio ministério.

“Respondendo a seu pedido expresso, apresento-lhe minha renúncia ao cargo de ministro da Saúde”, escreveu González García nesta sexta-feira (19), em carta enviada ao presidente, Alberto Fernández, que exigiu publicamente a demissão do ministro.

Para substituí-lo foi nomeada a atual secretária de acesso à Saúde, Carla Vizzotti, uma especialista em medicina interna de 48 anos, que prestará juramento ao cargo na tarde deste sábado, anunciou a Presidência.

Vacinação Vip

O escândalo de distribuição de vacinas para “amigos do poder” foi revelado pelo jornalista peronista Horacio Verbitsky, um ex-assessor da atual vice-presidente Cristina Kirchner. O jornalista revelou que havia recebido a vacina graças à sua longa amizade com o ministro González García e que a dose foi aplicada em uma sala do ministério. Para o centro de “vacinação VIP” foram direcionadas 3 mil doses da vacina Sputnik V. Inicialmente, González García havia montado esse posto de vacinação sob a justificativa de que ele seria usado para vacinar “pessoal estratégico”.

“Decidi me vacinar. Fui descobrir onde fazer isso. Liguei para meu velho amigo, Ginés González García, que conheci muito antes de ser ministro”, contou Verbitsky, de 71 anos, em entrevista a uma rádio. Além de Verbitsky, outras pessoas próximas ao governo se vacinaram no Ministério da Saúde, segundo a imprensa local.

Roberto Navarro, dono da Destape Radio, emissora em que Verbitsky fez a revelação, anunciou que cancelou as colaborações com o jornalista. “É uma imoralidade que com 50 mil mortos hajam vacinados VIP. É imoral quem autorizou e quem foi vacinado”, disse Navarro no Twitter.

A imprensa também revelou que passaram pela sala Lisandro Bonelli, de 44 anos, sobrinho do ministro e chefe de Gabinete no Ministério, e o líder sindical Hugo Moyano, de 77 anos, com a sua mulher e com o seu filho, de 20 anos, além de políticos próximos do governo como o deputado Eduardo Valdés e o senador Jorge Taiana.

“Fui por indicação do próprio ministro. Nunca pensei que estivesse fazendo algo ilegal”, argumentou o deputado Valdés, amigo do Presidente Alberto Fernández. 

“Se o Titanic se afundasse, essa gente subiria para os botes antes das mulheres e das crianças”, criticou o deputado opositor, Waldo Wolff. 

Escassez

A história chegou à imprensa no mesmo dia em que a cidade de Buenos Aires disponibilizou a solicitação de agendamentos online para a imunização de pessoas com mais de 80 anos a partir da próxima segunda-feira, mas o sistema entrou em colapso quase de imediato devido à grande demanda. Até agora, na Argentina, apenas os profissionais de saúde foram vacinados.

O escândalo causou uma onda de reações nas redes sociais com a hashtag #vacunasvip (vacinas vip).

Até agora, a Argentina – que tem cerca de 45 milhões de habitantes, dos quais cerca de 7,2 milhões têm mais de 60 anos – recebeu 1,22 milhão de doses da vacina russa Sputnik V, longe dos 5 milhões inicialmente previstos para janeiro e dos 14,7 milhões assinados para fevereiro.

Também nesta semana, 580 mil doses do imunizante desenvolvido pelo Instituto Serum, na Índia, chegaram ao país vizinho, graças à transferência de tecnologia da AstraZeneca e da Universidade de Oxford.

Enquanto em outras cidades da província de Buenos Aires já começou a campanha em idosos, que devem se inscrever previamente em um site para ter acesso à vacinação, a capital, governada pela oposição ao governo nacional, por enquanto só abriu o registro online para aqueles com mais de 80 anos.

Desde o início da pandemia, a Argentina registrou pouco mais de 2 milhões de casos de covid-19 e 51 mil mortes associadas à doença.

Por Deutsche Welle

jps (afp, lusa, efe)

Terremoto durante a noite assusta Argentina

Um terremoto de magnitude 6.4 na escala Richter foi sentido (19) no noroeste da Argentina, perto da fronteira com o Chile. Algumas áreas ficaram sem eletricidade.

As autoridades não anunciaram, até o momento, se houve mortos e feridos. O tremor de terra foi no fim da noite (horário de Brasília).

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que mede a atividade sísmica em todo o mundo, o epicentro foi registrado 27,6 quilômetros (km) a sudoeste da cidade de Porcito, com profundidade de 14 km.

Pouco depois, foi registrado um segundo tremor de magnitude 5.

“Neste momento quero transmitir calma às famílias. Vamos por em prática todas as medidas que aprendemos para prevenir incidentes, enquanto trabalhamos no impacto do terremoto para colaborar em tudo o que for necessário”, disse o governador provincial, Sergio Unac, em mensagem no Twitter.

*Com informações da RTP

Em decisão histórica, Argentina legaliza o aborto

Manifestação em apoio ao projeto que permite o abordo na Argentina (Charly Diaz Azcue/via Fotos Públicas)

O Senado da Argentina aprovou nesta quarta-feira (30/12) a legalização do aborto, decisão celebrada com uma explosão de alegria por milhares de mulheres que acompanharam a votação de mais de 12 horas em frente ao Congresso.

A legalização do aborto até a 14ª semana de gestação era uma promessa do presidente de centro-esquerda Alberto Fernández e já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 11 de dezembro. O texto foi apoiado por 38 senadores. Outros 29 senadores votaram contra e um se absteve.

A votação durante a madrugada foi acompanhada por milhares de mulheres que defendem o direito de poderem decidir sobre o aborto, que pularam e choraram de emoção. Pessoas que não estavam na praça também saíram para as varandas e janelas para celebrar o resultado.

“Depois de tantas tentativas e anos de luta, que nos custaram sangue e vidas, hoje finalmente fizemos história. Hoje legamos um lugar melhor para nossos filhos e nossas filhas”, disse Sandra Luján, uma psicóloga de 41 anos que participou da vigília com as jovens que usavam lenços verdes, marca distintiva da campanha a favor da legalização do aborto.

Um projeto para legalizar o aborto já havia sido aprovado pela Câmara argentina em 2018, mas depois foi rechaçado pelo Senado.

Com a aprovação desta quarta-feira, a Argentina, terra natal do papa Francisco, se torna o maior país da América Latina a legalizar o aborto, que já é permitido no Uruguai, Cuba e Guiana, além de na Cidade do México.

“O aborto seguro, legal e gratuito é lei. Comprometi-me com ele durante os dias da campanha eleitoral. Hoje somos uma sociedade melhor, que amplia direitos para as mulheres e garante a saúde pública”, postou o presidente argentino no Twitter após a votação.

Fim dos abortos clandestinos

Comemoração dentro do Senado argentino (Charly Diaz Azcue/via Fotos Públicas)

A aprovação da lei não acompanhou as divisões partidárias. Ainda que a frente governista apoiasse o projeto, nem todos os seus congressistas votaram a favor. E houve senadores que votaram pela legalização apesar de sua fé religiosa.

“Por que queremos impor por meio da lei o que não podemos impedir com nossa religião?”, questionou a senadora Gladys González, católica praticante e integrante da frente de oposição Juntos pela Mudança, ao anunciar seu apoio ao projeto.

O governo calcula que ocorram de 370 mil a 520 mil abortos clandestinos por ano na Argentina, que tem 45 milhões de habitantes. Desde a redemocratização, em 1983, mais de 3 mil mulheres morreram devido a abortos inseguros.

Até o momento, o aborto na Argentina só era permitido em caso de estupro ou risco de vida para a mulher, de acordo com uma lei que entrou em vigor em 1921. 

O texto aprovado nesta quarta-feira permite que profissionais ou estabelecimentos de saúde se recusem a fazer abortos por objeção de consciência, mas os obrigam a indicar rapidamente a paciente a outro centro hospitalar.

O Congresso também aprovou a Lei dos 1.000 dias, para apoiar com recursos e medidas de saúde mulheres de setores vulneráveis que decidam levar adiante a sua gravidez, de modo que as dificuldades econômicas não sejam um motivo para fazer o aborto.

Oposição de igrejas

A resistência à interrupção voluntária da gravidez, que adotou a cor azul, teve o apoio da Igreja Católica e da Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas, que promoveram grandes marchas pelas ruas e missas ao ar livre durante a discussão do projeto.

Em frente ao Congresso, no grupo azul, muitas esperavam em rodas o resultado do debate parlamentar, recebido com enorme decepção. Havia também crucifixos e instalações que simulavam sepulturas, em volta de uma grande imagem de um bebê manchado de vermelho sangue.

Na quarta-feira, antes do resultado da votação ser proferido, o papa Francisco postou em seu Twitter, sem mencionar o tema em debate na Argentina: “O Filho de Deus nasceu descartado para nos dizer que todo o descartado é filho de Deus. Veio ao mundo como vem ao mundo uma criança débil e frágil, para podermos acolher com ternura as nossas fraquezas.” 

Por Deutsche Welle

BL/afp/ots

A morte de um Deus da bola

Diego Armando Maradona(Divulgação)

O Dia 25 de novembro de 2020 entrou para a história do mundo da bola, isso porque um dos seus maiores gênios, Diego Armando Maradona morreu aos 60 anos de idade.

Formado no Argentino Juniors, pequeno clube da capital Buenos Aires, Maradona apareceu para o mundo em 1981 quando se transferiu para Boca Juniors, onde permaneceu por cerca de um ano na equipe e foi campeão argentino. A passagem curta pelo maior campeão da argentina foi suficiente para chamar a atenção do Barcelona, que o levou para a Catalunha no ano seguinte com status de ídolo.

No entanto, o entorno conturbado que sempre acompanhou a carreira de Maradona, fez com que o astro não se destacasse no clube espanhol, por conta de lesões, drogas e polêmicas fora dos campos. Mesmo assim, a lenda teve algumas atuações de destaque, como na final da Copa do Rei contra o Real Madrid, em 1983, sendo aplaudido de pé pela torcida rival.

A passagem aquém do esperado pela Catalunha levou o craque para o Napoli, da Itália, onde se tornaria o maior jogador da história do clube. Na equipe napolitana o astro viveu o auge de sua carreira, conquistando dois Campeonatos Italianos, uma Copa da Itália e uma Copa da UEFA. Além disso, Maradona formou, ao lado do brasileiro Careca, uma das duplas mais decisivas do futebol mundial.


Pela seleção argentina, Maradona jogou quatro Copas do Mundo, sendo a primeira em 1982. O auge veio em 1986, onde conseguiu levar a Argentina ao título mundial (foto), na campanha que contou com o famoso episódio de “La Mano de Diós”, nas quartas de final, contra a Inglaterra.

Em 1990, após o perder a final para a Alemanha Ocidental, o craque se envolveu em uma das maiores polêmicas de sua carreira como jogador: foi suspenso por 15 meses, depois de afirmar que a Fifa havia armado a competição daquele ano.

Maradona ainda teve passagens por Sevilla, da Espanha e Newell’s Old Boys, da Argentina. O craque encerrou a sua carreira nos campos, em 2001, jogando mais uma vez no Boca Juniors, seu clube do coração.

Como treinador, esteve à frente de equipes árabes e argentinas, como o Racing, da Argentina e Gimnasia y Esgrima. “El Pibe”, ainda comandou a seleção nacional na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, indo até as quartas de final.

Apelidado carinhosamente de “D10S” em homenagem ao famoso número em sua camisa e em referência à palavra Deus em espanhol, “Dios”, Maradona deixará no coração dos torcedores, a lembrança de suas jogadas espetaculares e os títulos que o consagrou como o atleta e ídolo do mundo da bola.

Matéria originalmente publicada pelo Jornal Acontece Agora. Clique aqui e leia o conteúdo completo.

*Com informações de Eduardo Micheletto

Morre ex-jogador Diego Maradona

Sorteio dos Grupos para a Copa do Mundo de 2018 na Rússia. Konstantin Rybin © Organização pública russa “Russian Football Union”,

O ex-jogador argentino Diego Maradona, maior ídolo da história do futebol do país sul-americano, morreu nesta quarta-feira (25/11) aos 60 anos, após sofrer uma parada cardiorrespiratória em sua casa na cidade de Tigre, ao norte de Buenos Aires.

A morte foi primeiramente noticiada pelo jornal argentino Clarín, e depois confirmada pelo advogado e amigo de Maradona, Matías Morla.

O “Pibe de ouro”, como era conhecido em seu país de origem, passou por uma delicada cirurgia na cabeça no início do mês, devido a um hematoma subdural, tendo ficado hospitalizado por dez dias.

Maradona, que tem um longo histórico de problemas de saúde, foi internado no último dia 2 de novembro, em La Plata, com um quadro de anemia, desidratação e desânimo. Passou então por exames, que diagnosticaram o problema no lado esquerdo da cabeça.

Ele foi transferido para a capital argentina no dia seguinte e submetido a um procedimento cirúrgico, que foi considerado um sucesso pelos médicos.

O argentino, que havia completado 60 anos em 30 de outubro, recebeu alta no último dia 12. Desde então, estava isolado em casa, sob acompanhamento de médicos e pessoas próximas.

Um dia antes da saída do hospital, o advogado Morla admitiu, em entrevista coletiva, que o amigo havia passado por um drama devido ao estado de saúde, mas que havia superado as dificuldades e estava fora de perigo.

“Passou, talvez, pelo momento mais difícil da vida. Eu acho que foi um milagre que tenha se detectado esse derrame na cabeça, que poderia ter tirado a vida dele”, admitiu.

Morla, inclusive, chegou a destacar a importância do acompanhamento de um psiquiatra durante a internação e indicou que ele precisaria seguir em observação, mesmo após deixar o hospital.

“O que falta agora é a união da família, e ele estar cercado por profissionais de saúde. Com os médicos e da família, Diego vai estar feliz como precisa estar. Diego precisa estar feliz, e temos que devolver a ele todo o caminho e felicidade que nos deu”, disse na ocasião.

Ao longo dos últimos 20 anos, Maradona foi hospitalizado ao menos três vezes por problemas graves de saúde relacionados a sua dependência de drogas e álcool. 

Três dias de luto

Por ocasião da morte de Maradona, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, decretou três dias de luto oficial no país. Pouco tempo depois, o governante manifestou gratidão no Twitter pela “felicidade” que a estrela do futebol proporcionou aos argentinos.

“Você nos levou para o topo do mundo. Você nos fez imensamente felizes. Você foi o maior de todos. Obrigado por ter existido, Diego. Vamos sentir sua falta a vida toda”, escreveu Fernández, que também publicou uma foto na qual ele aparece abraçando Maradona.

Cristina Kirchner, ex-presidente argentina e atual vice, manifestou tristeza pela morte do ex-craque. “Muita tristeza… Muito triste. Um dos grandes se foi. Adeus Diego, te amamos muito. Eu abraço enormemente sua família e seus entes queridos”, escreveu no Twitter.

Pelé também se pronunciou sobre a morte nesta quarta-feira. “Notícia triste, perder amigos dessa maneira. Que Deus dê bastante força para a família. Com certeza um dia vamos bater uma bola juntos lá no céu.”

Em comunicado, a Associação do Futebol Argentino expressou “sua mais profunda tristeza pela morte de nossa lenda, Diego Armando Maradona”. “Você sempre estará em nossos corações”, acrescentou a entidade máxima do futebol na Argentina.

Ídolo argentino

Quarto filho entre oito irmãos, Maradona nasceu em 30 de outubro de 1960 em Lanús, na província de Buenos Aires. Cresceu em Villa Fiorito, um bairro pobre na periferia de Buenos Aires, e sempre fez questão de dizer que “jamais negaria sua origem”.

No futebol, foi amplamente considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos, principalmente por sua habilidade com a bola nos pés. 

O craque foi revelado com apenas 15 anos pelo clube Argentinos Juniors, no qual atuou entre 1976 e 1981, período em que jogou 166 partidas e marcou 116 gols. Em 1982, foi transferido para o Boca Juniors, pelo qual jogou apenas uma temporada.

Entre 1982 e 1984, atuou no Barcelona, da Espanha, e de lá foi para o Napoli, da Itália, tendo se consagrado um mito no país europeu. “Para sempre. Ciao, Diego”, escreveu o clube italiano no Twitter nesta quarta-feira. Sua passagem rendeu ao Napoli dois Campeonatos Italianos, em 1987 e 1990.

Após deixar a Itália, Maradona ainda jogou no Sevilla, da Espanha, e retornou à Argentina para defender o Newell’s Old Boys.

Pela seleção argentina, foi ao campo 91 vezes, marcando 34 gols. Jogou as Copas do Mundo de 1982, 1986, 1990 e 1994, tendo sido campeão do Mundial de 1986, no México.

Foi nesse torneio que Maradona marcou alguns de seus gols mais marcantes da carreira – sejam positiva ou negativamente, como um gol de mão contra a Inglaterra que ficou mundialmente conhecido como “mão de Deus”.

Um outro gol, em que o jogador driblou metade do time inglês, foi escolhido em 2002 pela Fifa como o gol mais bonito da história dos Mundiais.

Em sua partida de despedida em 10 de novembro de 2001, pela seleção argentina contra um time de astros internacionais, Maradona afirmou: “O futebol é o esporte mais bonito e saudável do mundo. O futebol não deveria pagar pelos meus erros. Não é culpa da bola.”

Após se aposentar dos gramados, Maradona apostou na carreira de técnico, mas teve pouco sucesso. Chegou a comandar a seleção argentina entre 2008 e 2010 e, desde o ano passado, vinha atuando como treinador do modesto Gimnasia y Esgrima La Plata, em seu país natal.

Craque nos campos, o ídolo argentino também teve uma vida envolta de controvérsias e questões de saúde, incluindo obesidade e sua dependência de álcool e drogas, que lhe renderam internações e algumas suspensões no futebol.

Na Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, por exemplo, Maradona foi expulso do campeonato após seu exame antidoping dar positivo.

Também em 1994, ele usou um rifle de ar comprimido para disparar contra jornalistas e fotógrafos que estavam em frente a sua casa, tendo sido condenado a pagar uma indenização ao grupo atacado, além de dois anos de prisão condicional, não precisando ir para a cadeia.

Ao longo da vida, Maradona, que tinha uma imagem de Che Guevara tatuada em seu corpo, ainda se aproximou de líderes latino-americanos de esquerda, como Fidel Castro e Hugo Chávez.

O craque foi casado com sua namorada de juventude Claudia Villafañe entre 1989 e 2004, com quem teve duas filhas, Dalma e Giannina. Ele ainda deixa o filho Diego, fruto de uma relação extraconjugal e reconhecido apenas em 2016.

EK/efe/dpa/afp/dw/ots

Por Deutsche Welle

Nuvem de gafanhotos pode chegar ao Brasil na quarta-feira

A nuvem de gafanhotos que está na Argentina volta a preocupar agricultores no sul do Brasil. Com as temperaturas mais altas, a expectativa é de que ela possa chegar ao Rio Grande do Sul até a próxima quarta-feira (22). 

(Senasa/Fotos Públicas)

A previsão foi feita na tarde deste sábado (19) à Agência Brasil pelo chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Ricardo Felicetti.

Por enquanto, a nuvem de gafanhotos está estável, em Corrientes, na Argentina, a 130 quilômetros do município gaúcho de Barra do Quaraí. As informações sobre os insetos estão sendo repassadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que acompanha a situação com o órgão fitossanitário argentino. 

“Com a elevação das temperaturas no Rio Grande do Sul neste final de semana, estamos apreensivos, mas preparados para o caso de uma eventual ocorrência da praga em território gaúcho. Temos um plano operacional de emergência elaborado como Ministério da Agricultura”, explicou Felicetti. 

Alerta

Ele acrescentou que, apesar do estado de alerta, hoje a tendência é que haja um deslocamento da nuvem para a província de Entre Rios, na fronteira da Argentina com o Uruguai.

Embora não representem um risco direto para os seres humanos, os gafanhotos podem, em grupo, causar grandes prejuízos econômicos, devorando plantações em questões de horas. 

Caso os insetos cheguem ao estado, Felicetti avalia que o potencial de prejuízo é muito grande, especialmente em culturas recém-plantadas como trigo e canola. Além delas, cevada , citricultura e pastagens de inverno para gado de leite e engorda de gado de corte também preocupam.

A orientação é que produtores rurais fiquem atentos à chegada dos insetos e comuniquem sua presença imediatamente à inspetoria de defesa agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural ou ao escritório municipal da Emater mais próximo.

Recursos emergenciais

Na última sexta-feira (17), questões operacionais foram discutidas com representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Ibama, da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler.

“Falamos também sobre a questão dos recursos emergenciais para trabalhar a supressão dos surtos de gafanhotos”, disse.

Paraguai

Uma segunda nuvem de gafanhotos, que está se movimentando no Paraguai, também está sendo monitorada pelo Brasil, com menos preocupação.

De acordo com o Serviço de Qualidade e Sanidade Vegetal (Senave) do país vizinho, os insetos, que estavam em Madrejón e 4 de Mayio, seguiram para o sudeste, em direção a Teniente Pico, no departamento de Boquerón, também no Paraguai.

Por Karine Melo – Repórter da Agência Brasil 

Nuvem de gafanhotos está em cidade a 100 km do Brasil

O Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) pede que a população avise se avistar a nuvem de gafanhotos, que está sendo monitorada pela instituição, que aplica defensivos fitossanitários para reduzir a infestação do inseto que ameaça lavouras e pastagens.

(Gov. da Provincia de Cordoba/Reprodução)

Ontem (26), o Senasa localizou a nuvem de gafanhotos 90 quilômetros a oeste da cidade de Argentina de Curuzú. Esta, por sua vez, fica cerca de 100 quilômetros a oeste  de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

A preocupação entre os argentinos é que a nuvem de gafanhotos ataque as plantações de trigo e aveia, que estão em fase de crescimento, além do pasto dos animais. Segundo o Senasa, uma nuvem de gafanhotos é capaz de consumir uma quantidade folhas equivalente a uma colheita capaz de alimentar 2.500 pessoas em um dia.

A dieta do inseto varia, conforme a espécie, entre folhas, cerais, capim e outras gramíneas. De acordo informações repassadas à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, a nuvem é originária do Paraguai, das províncias de Formosa e Chaco, onde há culturas de cana-de-açúcar, mandioca e milho. A espécie é Schistocerca cancellata.

O deslocamento dos gafanhotos depende da circulação dos ventos e da temperatura. Os insetos preferem temperaturas mais altas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, os ventos no Rio Grande do Sul terão intensidade entre fraca e moderada na direção sul-leste neste fim de semana.

A previsão para este sábado (27) no estado é de tempo nublado a parcialmente nublado com possibilidade de chuva em áreas isoladas do norte e parcialmente nublado nas demais regiões.Por causa da queda de temperatura, há possibilidade de geada em áreas isoladas.

Na última quinta-feira, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento declarou estado de emergência fitossanitária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A medida permite a implementação de plano de supressão da praga.