Como planejar um intercâmbio na pandemia?

Por Jéssica Carvalho

Fazer intercâmbio é o sonho de muitas pessoas, seja para estudar outra língua, fazer um curso profissionalizante ou conseguir uma oportunidade de trabalho no exterior. Com o início da pandemia, ele se tornou um desejo distante para muitos, que se viram obrigados a cancelar ou adiar suas viagens por tempo indeterminado. Mesmo sem uma previsão de volta à normalidade, o interesse em realizar intercâmbios se mantém em alta, especialmente para um cenário pós-pandemia.

Segundo dados da Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta), 33% das pessoas que já planejavam viajar continuam com este desejo, contra apenas 3% que desistiram definitivamente. As perspectivas para uma possível retomada do setor no segundo semestre deste ano são bastante positivas, principalmente com o início da vacinação em diversos países.

Os planos para o seu intercâmbio não precisam ficar guardados na gaveta. Use esse tempo para se planejar e se preparar com calma para que tudo esteja em ordem até o grande dia – isso contribuirá para que seu intercâmbio seja uma experiência inesquecível. Confira os principais pontos que não podem ficar de fora nesse momento de planejamento:

  • Escolha o país: Cada país possui uma cultura, hábitos e rotina completamente diferentes. Aqui, é importante questionar suas preferências: você gostaria de viajar para um lugar mais tranquilo ou agitado? Centro urbano ou uma cidade menor? Cidade quente ou fria? Próximo ao litoral? De interesse histórico? É importante se fazer essas perguntas.
  • Exigências da pandemia: Por mais que alguns países já estejam com suas fronteiras abertas para estrangeiros, outros ainda permanecem fechados ou impõem regras, como uma quarentena obrigatória ao chegar na região, por exemplo. Certifique-se de como o país escolhido está lidando com a pandemia e suas exigências para viajantes para não ser pego de surpresa.
  • Defina o objetivo do intercâmbio: Existem diversos tipos de intercâmbio a serem explorados – estudar o idioma local, graduação, realizar um curso profissionalizante ou à trabalho. Avalie as oportunidades que cada país oferece para esses programas, e se correspondem aos seus desejos e expectativas.
  • Tempo: Dependendo do programa escolhido, um intercâmbio pode ter uma duração de uma semana até de dois anos. É importante ter consciência do tempo ideal e necessário de acordo com o objetivo de sua viagem, uma vez que ele impacta especialmente nos gastos que você terá.
  • Moradia: O tipo de moradia que você irá escolher impactará diretamente na sua rotina em termos de logística e custos. Dentre as opções mais procuradas estão os albergues, casas de família ou instalações da própria universidade, em casos de intercâmbios de estudo.
  • Faça um planejamento financeiro: Toda viagem envolve gastos, e dependendo do país escolhido, a moeda utilizada pode aumentar a quantidade de dinheiro necessário. Por isso, tenha em mente o valor do Real na moeda local, e os custos médios que você terá com acomodação, comida, transporte e até mesmo para diversão.

A pandemia impôs uma série de desafios e pedras no caminho nos planos de intercâmbio de muitas pessoas. Enquanto sua viagem ainda não pode ser agendada, aproveite esse tempo para planejar todos esses itens com assertividade – isso garantirá que sua experiência internacional fique guardada para sempre em sua memória!

*Jéssica Carvalho é gerente de Produtos SEDA Intercâmbios.

A importância da inovação no contexto ESG

Por Alexandre Pierro

Foi-se o tempo em que era necessário escolher entre ter lucro ou ser sustentável. Hoje em dia, ações de responsabilidade econômica, social e ambiental devem andar junto com as melhores práticas de gestão organizacional. Neste cenário, a inovação vem ganhando grande destaque como uma das ações mais poderosas para este objetivo, principalmente quando aplicada ao conceito ESG.

O termo vem do inglês environmental, social and governance (ambiental, social e governança) e apareceu pela primeira vez em um relatório de 2005, intitulado “Who Cares Wins” (Ganha quem se importa). Na época, 20 instituições financeiras de nove países diferentes, incluindo do Brasil, lideradas pela Organização das Nações Unidas, se reuniram para desenvolver diretrizes e recomendações sobre como incluir questões ambientais, sociais e de governança na gestão de ativos, serviços de corretagem de títulos e pesquisas relacionadas ao tema.

Na prática, o ESG é uma forma de mensurar as ações ambientais, sociais e de governança de uma empresa, com métricas que mostrem o quanto um negócio está buscando formas de minimizar seus impactos ambientais, construir um mundo mais justo e responsável para as pessoas em seu entorno, mantendo os melhores processos de gestão com foco em resultados.

Os ganhos são visíveis. Um estudo realizado pela consultoria BCG, mostrou que empresas que adotam melhores práticas ambientais, sociais e de governança conquistaram diversos benefícios, como maior lucratividade e até uma melhora em seu valor de mercado ao longo do tempo. Essas ações contribuem não somente para a implantação de práticas eficientes, como também para uma melhor imagem da organização perante o mercado, investidores e clientes.

Quando implantada de forma organizada, ela pode contribuir para uma melhor gestão de resíduos, redução das emissões de CO2, consumo de recursos naturais e, até mesmo, na disseminação de uma educação ambiental, social e econômica mais eficaz. Em teoria é uma ideia perfeita, mas a grande questão é: como as empresas estão colocando isso em prática? A resposta é simples: por meio da inovação.

Vivemos a era da inovação ou morte e, diante de tantos desafios complexos que estamos enfrentando, ela assume um papel fundamental, buscando fazer mais e melhor com menos recursos. Lançar mão de muita criatividade e processos de governança para inovar é o mínimo que se espera de empresas que estão alinhadas ao conceito ESG.

O tema vem ganhando tanta relevância que a própria ISO, organização que é a maior referência internacional em modelos de sistemas de gestão vem buscando se aprofundar no tema. Uma das iniciativas nesse sentido é a publicação da ISO 56002, de gestão da inovação, que reúne uma série de boas práticas para gerar inovação com foco em resultados financeiros e não-financeiros.

Com esse framework mundialmente reconhecido, é possível criar iniciativas de inovação verde, buscando a utilização de recursos mais sustentáveis, como energia limpa, além de um desenvolvimento sociocultural, focado no desenvolvimento de ecossistemas de inovação que buscam engajar e impactar positivamente todos os stakeholders de uma empresa. Com esse sistema, é possível criar processos de governança alinhados ao propósito da companhia, buscando desenvolver novos produtos, serviços e modelos de negócios conectados ao ESG.  

Em linhas gerais, empresas socialmente responsáveis, que entendem o impacto que causam e remodelam seu funcionamento com ações que melhorem seu entorno e a sociedade são muito bem vistas pelo mercado, e só tendem a conquistar enormes benefícios. Então, por que não usar a inovação a seu favor?

*Alexandre Pierro é engenheiro mecânico, físico nuclear e fundador da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO 56002, de gestão da inovação.

Limpeza e saúde andam juntas

Por Renato Ticoulat

Embora a vacinação já tenha começado no planeta afora, o ritmo é lento frente a necessidade que temos. Mas, devagar ou não, é apenas ela, até agora, que poderá aplacar a transmissibilidade do vírus e possibilitar nosso retorno ao que entendemos como normalidade. De que as coisas não serão mais as mesmas é dita desde o início da pandemia e, um ano depois, já está realmente claro que alguns hábitos deverão ser adotados em definitivo e, outros, abandonados. No que compete a higiene, aprendemos muito ao longo de 2020 e a perspectiva é que estes cuidados passem a ser da rotina de todos os brasileiros por uma boa razão: passamos a entender a importância de investir na higienização dos ambientes.  

Tratada como um serviço de extremo esforço braçal, em que o que determinava a contratação era o preço do homem hora, a faxina -como então era conhecida- tinha por objetivo tornar o ambiente visualmente limpo, sem se ater se o espaço estava de fato higienizado. Esse pensamento era comum não só dentro das residências, mas também em muitas empresas, até em hospitais e clínicas de diagnóstico, que, por obrigação legal, mantinham suas áreas limpas e desinfetadas corretamente sem entender a razão e relevância deste serviço bem executado. O cenário muda, então, com o surgimento do Sars-Cov-2 e o potencial de exaurir os sistemas de saúde de todos os países, que se viram reféns de medidas simples, mas altamente eficazes, para contenção do vírus: isolamento social e práticas de higiene. 

Ao compreender essa nova dinâmica, ficou claro que a contratação de um serviço especializado nesse segmento vai além da questão estética e significa, sobretudo, melhorar a qualidade da saúde humana. O responsável por esta contratação, seja residencial ou comercial, como no caso de restaurantes, lojas ou escritórios, tem que ser orientado pela empresa para atender um tipo de serviço que corresponda às suas demandas, levando em consideração o fluxo e a intensidade de pessoas que circulam nos espaços. Nos pacotes padrões, o foco é remover os contaminantes de superfícies alcançáveis, varrer, aspirar, retirar o lixo e, em alguns, organizar a bagunça. Os germes e bactérias, nesse processo, não são mortos e correm o risco de se alastrar para outros ambientes se o contratado não for devidamente treinado. 

Já a desinfecção, um processo altamente eficaz, consiste na destruição ou inativação de fungos, vírus e bactérias por meio da aplicação de um produto de ação desinfetante. É com este procedimento que é possível eliminar das superfícies 99,99% dos contaminantes e garantir de forma segura um ambiente saudável. Assim como este, há também disponível no mercado o método de esterilização, utilizado em locais em que é necessária a máxima segurança, como salas cirúrgicas de hospitais ou locais de biossegurança. Para este serviço, usa-se processos físicos ou químicos bastante agressivos e restritos, como luzes de alcance UV-C, nocivo para a pele e saúde se a pessoa estiver presente no momento da aplicação. É sim um processo seguro, mas que exige medidas de cautela na aplicabilidade. 

Podemos encarar, sob esse ângulo, o significado dos serviços de limpeza de forma mais ampla: a contribuição para saúde das pessoas. Munidas de informações, compreende-se que limpeza é coisa séria e não só uma maneira de camuflar sujeira, dando a devida importância aos processos, valorizando os profissionais que, treinados, são capazes de contribuir para a eliminação de agentes contaminantes e transmissores de doenças. O legado de 2020 pode ser encarado de duas maneiras: uma pandemia que ceifou a vida de mais dois milhões de pessoas por todo o globo e contaminou mais de 100 milhões delas, deixando um rastro de dor e incerteza, ou a possibilidade de aprendizado de que práticas de higiene devem ser entendidas como necessárias para o bem coletivo. 

*Renato Ticoulat Neto é engenheiro civil, com pós-graduação em Administração de Empresas, MBA em Gestão de Pessoas e em Franchising, já atuou como diretor de marketing da Associação Brasileira de Limpeza e da ABF – Associação Brasileira de Franchising. Atualmente, é presidente da Limpeza com Zelo, fundada por ele em 2013

O salto da Indústria 4.0 em 2020

Por Alexandre Pierro

Se houve um lado positivo na pandemia, foi a grande aceleração na transformação digital das empresas. Embora já falássemos sobre Indústria 4.0 há muitos anos, só agora ela encontrou mais espaço entre as empresas brasileiras.

O termo, que foi usado pela primeira vez pelo governo alemão em 2012, engloba uma série de tecnologias que utilizam conceitos de sistemas cyber-físicos, Internet das Coisas e Computação em Nuvem. Seu principal atributo é a criação de fábricas inteligentes, que criam uma cooperação mútua entre seres humanos e robôs.

E, num contexto de tantas restrições nas interações humanas, os robôs não poderiam ser mais bem-vindos. Tanto é que uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revelou que 54% das indústrias que adotaram de uma a três tecnologias digitais em 2020, registraram um lucro igual ou maior que no período pré-pandemia. Esse resultado é sete pontos percentuais maior que o registrado pela indústria analógica.

Dentre as tecnologias mais adotadas no Brasil, estão o Big Data, impressoras 3D e simulações computacionais. Essas e outras ferramentas são capazes de interligar o ciclo da empresa, promovendo agilidade na comunicação de modo a aumentar a eficácia do processo, tornar os funcionários mais produtivos e fornecer informações precisas para uma melhor tomada de decisão.

As vantagens ficaram ainda mais evidentes diante da necessidade de afastar trabalhadores do grupo de risco e manter o distanciamento social dentro das fábricas e escritórios. As indústrias automatizadas e inteligentes conseguiram manter o ritmo de produção mais próximo do normal, galgando um grande diferencial competitivo em especial em um momento em que começa a faltar matéria-prima no mercado.

Soma-se a isso tendências como o home-office e o paperless – substituição do uso de documentos físicos por digitais – que receberam grande notoriedade durante os últimos meses. As startups que promovem soluções automatizadas para desburocratizar atividades rotineiras em diversos segmentos, também registraram um expressivo desempenho em 2020. A perspectiva é que a adoção dessas facilidades se mantenha e continue crescendo no pós-pandemia.

O fato nos remete a outros acontecimentos históricos que também proporcionaram grandes avanços na história da humanidade. Muitas oportunidades e inovações surgiram logo após épocas de grandes crises humanitárias, como a peste bubônica, em meados do século XIV, que culminou na criação da medicina moderna, ou a pandemia de cólera na Inglaterra, em meados do século XIX, que impulsionou a Revolução Industrial. Isso mostra que passados tempos difíceis, muitas oportunidades tendem a surgir.

Outro mito que cai por terra é o de que a Indústria 4.0 provoca desemprego. A pesquisa da CNI aponta que 30% das indústrias que adotaram até três tecnologias digitais tinham ampliado os quadros de funcionários em relação ao período pré-pandemia. No entanto, cabe destacar que trata-se de uma mão de obra mais qualificada, capaz de operar os sofisticados softwares e hardwares da robotização. Um gargalo com o qual as empresas precisarão lidar por meio de investimentos massivos em educação.

A mesma tendência é observada quando se avaliam dados internacionais da Indústria 4.0 pelo mundo. Não é possível notar uma correlação entre a maior adoção da tecnologia digital com o avanço nas taxas de desemprego. O que se percebe é uma busca por mais qualificação, revelando que quando uma porta se fecha, várias janelas se abrem. Quem tiver empenho para se preparar, certamente irá encontrar melhores oportunidades no mercado de trabalho. Cabe lembrar que, um dia, os carros também ocuparam o lugar de cavalos e cocheiros.

Embora tenhamos dado um salto importante no tema em 2020, esses são apenas os primeiros passos de uma longa maratona. Segundo dados da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), menos de 2% das nossas indústrias estão prontas para a Indústria 4.0. Na China, Estados Unidos e União Europeia estima-se que esse número chegue a 50%. Na Índia e Paquistão são cerca de 25%. Mesmo tendo melhorado quatro posições no Índice Global de Inovação (IGI) entre 2019 e 2020, o Brasil ainda ocupa a 62ª posição do ranking, com uma adesão relativamente baixa à Indústria 4.0.

Apesar de estarmos tão atrás, essa é uma corrida que está apenas começando. Com a chegada do 5G – prevista para 2021 – o processo de automatização das indústrias certamente ganhará um novo patamar. Engana-se quem pensa que teremos apenas uma internet mais veloz. O 5G é a base para termos trilhões de dispositivos conectados à rede, como carros autônomos, eletrodomésticos inteligentes, sensores diversos e manufatura preditiva, com fábricas muito mais eficientes do que é possível hoje.

O lado bom é que temos tempo para avançar. E não são só as indústrias que precisam se modernizar. O conceito de Indústria 4.0 se estende também a empresas dos segmentos de comércio e serviços, que vem adotando tecnologias como o self check-out, estoques autônomos, inteligência artificial, realidade virtual e aumentada e até a adoção de QR Codes e criptomoedas para pagamento de produtos ou serviços. 

Outro ponto importante é que não necessariamente a adoção à Indústria 4.0 está atrelada a altíssimos investimentos. Muitas dessas tecnologias têm baixo custo e promovem grandes ganhos de produtividade, eficiência e até em segurança da informação. A chave está em fazer uma implementação adequada e inteligente das tecnologias certas para cada tipo de operação. Sair comprando e implementando tecnologias sem um prévio planejamento certamente não é o melhor caminho.

As empresas que desejam melhorar sua competitividade em esfera internacional precisam investir, acima de tudo, em gestão para a inovação. Assim como em toda maratona, o corredor precisa de um bom preparo, como o planejamento da rota, as métricas e as estratégias certas para conseguir o melhor desempenho. Adotar tecnologias da Indústria 4.0 sem um conceito claro de realização de valor, com foco em resultado, é andar para trás.

*Alexandre Pierro é engenheiro mecânico, físico nuclear e fundador da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO 56002, de gestão da inovação

O que aprendemos em um ano de home office?

Por Carlos Secron

Quem poderia imaginar um mundo onde grande parte das empresas adaptariam suas estruturas de trabalho ao home office em menos de 15 dias? O que parecia ser algo impossível, aconteceu e já dura um ano. Em dezembro de 2020, essa era a rotina padrão de 43% das empresas no país, segundo dados da consultoria BTA.

Enquanto a transição foi tranquila para algumas, para outras foi e ainda está sendo extremamente complicada. Mas, essa parece ser uma tendência que veio para ficar. Segundo um estudo feito pela FGV, esse modelo de trabalho deve crescer 30% no país em um cenário pós pandemia.

Enfrentamos altos e baixos, mas muitas lições têm sido aprendidas. Aponto aqui as seis mais importantes para a nossa própria empresa, a Pontaltech.

Necessidade de planejamento

Uma das nossas maiores preocupações foi como manter as rotinas de trabalho, o alinhamento de expectativas, a comunicação e, principalmente, como conciliar tudo isso com questões pessoais, em especial para os que tem filhos pequenos. Diante de tantas situações aparentemente complicadas, a melhor forma de gerenciá-los é se planejando – afinal, se não tivermos o mínimo de organização, tudo isso pode rapidamente se tornar um caos.

Aumento da produtividade

Contrariando a ideia de que o home-office causa enormes distrações aos profissionais, uma pesquisa realizada pela Pulses mostrou que 78% dos brasileiros se sentem mais produtivos trabalhando remotamente. Ao trabalhar de casa, os profissionais não precisam gastar tempo se deslocando até a sede da empresa e podem personalizar seu local de trabalho de acordo com o que mais lhe agrada (conforto, iluminação, música de fundo).

Autonomia e agilidade

Acompanhar de perto o trabalho de cada profissional pode se tornar uma missão difícil no home-office, especialmente para empresas de grande porte. Nesse sentido, a autonomia e agilidade das equipes faz diferença. Reuniões desnecessárias e conversas aleatórias foram consideravelmente reduzidas, dando espaço para reuniões programadas que aumentaram a agilidade e eficiência no desempenho das tarefas. Isso contribuiu para que a organização das entregas fique cada vez mais clara e objetiva.

Monitoramento de resultados

Monitorar os resultados das equipes é uma estratégia fundamental para analisar o que está dando certo e o que deve ser aperfeiçoado. Com o home-office, isso se tornou ainda mais importante. Uma das nossas estratégias foi a adoção de ferramentas para gestão de OKRs e controle de projetos, que mostram questões como os resultados conquistados por cada equipe ou individualmente, além do tempo gasto. Ter controle é imprescindível em uma situação como essa.

Importância da comunicação

Manter uma comunicação clara e assertiva é um fator indispensável para qualquer empresa, e sua falta pode acarretar interpretações equivocadas e falhas na entrega de resultados. Para evitar esses problemas no home-office, é importante usar ferramentas de conversação online tanto interna, como o Slack, quanto externa, como o Meets e o Zoom. A comunicação precisa de uma atenção especial para que nada fique mal-entendido.

Integração de novos funcionários

Uma das maiores vantagens do home-office é que se tornou possível contratar profissionais de outras regiões – ou até mesmo países – para integrar o time da empresa. Usando todas as ferramentas de comunicação e monitoramento, a integração desses profissionais à rotina da organização e a seus colegas se dá naturalmente. Obviamente, há sempre o cuidado de enviar um kit de boas-vindas, com mimos e material de trabalho para as casas dos colaboradores para que eles se sintam parte da equipe.

A conexão pessoal no dia a dia do trabalho continuará sendo importante. Mas, esse um ano de home-office provou que não há a menor necessidade de reunir todo mundo no mesmo local ao mesmo tempo para gerar bons resultados. É preciso ter confiança nos colaboradores e deixá-los encontrarem os melhores caminhos para atingirem os resultados esperados. Aqui, isso tem dado certo.

*Carlos Secron é CEO fundador da Pontaltech, empresa de tecnologia especializada em comunicação digital omnichannel.

Cenário da construção civil

Por Wanderson Leite

A quantidade de insumos na construção civil foi drasticamente afetada pela pandemia, o que acarretou principalmente no aumento do preço dos produtos pela baixa oferta e alta demanda. Mesmo diante de um cenário altamente preocupante, o setor vem se recuperando com o aumento da produção e as perspectivas são de conquistar seu maior crescimento histórico dos últimos oito anos.

Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), o Produto Interno Bruto do segmento deve avançar 4%, após ter sofrido um grande baque em 2020, com uma queda de 11,4%. Se transformarmos esses dados em valores, podemos ver claramente as consequências que geraram tanto temor e preocupação entre os profissionais do ramo. Em todo o país, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), registrou uma alta de 17,72% nos valores dos insumos entre janeiro e novembro. O estado do Mato Grosso do Sul, por exemplo, foi um dos mais afetados por essa alta, com um reajuste de 40% no preço do cimento e de 150% nos fios de cobre, segundo a Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul).

Além de impactar diretamente o funcionamento do setor, a falta de insumos também pode afetar o consumidor final, que poderá pagar um valor maior pelo imóvel. Felizmente, o segmento vem lutando bravamente para contornar essa crise com ações que busquem o reequilíbrio da balança entre a oferta e demanda dos produtos e, principalmente, em aumentar os locais de venda de insumos. Afinal, somente a construção civil é responsável por 7% do PIB brasileiro – uma grande parcela da nossa economia que deve ser bem cuidada para evitar ainda mais consequências negativas.

Como solução, vários estabelecimentos estão apostando em diversas ações estratégicas para se recuperarem dos efeitos da pandemia em 2020, como investir na digitalização para possibilitar o atendimento online e o aumento das vendas de seus produtos para todo o país, flexibilizando as negociações e adotando preços diferenciados para que consigam crescer e se destacar diante da grande concorrência que será criada e estimulada.

Com tantas ações empreendedoras, é notável o aumento da percepção positiva para os profissionais do ramo, que antes se viam extremamente preocupados, sem uma luz no fim do túnel. Os efeitos causados pela pandemia ainda serão sentidos por muito tempo, mas com a volta da produção em massa – e especialmente o início da vacinação – as perspectivas para o crescimento do setor são animadoras.

As conquistas econômicas dessa volta agressiva na produção serão enormes, especialmente com o aumento do interesse de diversas pessoas em investir na movimentação do setor. Inclusive, essa pode ser uma grande estratégia para os empreendedores que estão buscando se recuperar. Será um processo lento, mas que a longo prazo, trará resultados positivos para a construção civil – e principalmente para a economia do país. Vamos todos trabalhar a todo vapor para fazer de 2021 um dos melhores anos da história da construção civil no Brasil.

*Wanderson Leite é CEO da Prospecta Obras. Formado em administração de empresas pelo Mackenzie, ele também é fundador das empresas ProAtiva, app de treinamentos corporativos digitais, e ASAS VR, startup que leva realidade virtual para as empresas.

5 oportunidades para a Segurança Eletrônica em 2021

Por Selma Migliori

Em um curto espaço de tempo, práticas de trabalho e operações comerciais de diferentes setores da economia foram transformadas. Para a Segurança Eletrônica não foi diferente, testemunhamos nossas tecnologias e soluções ganhando novas funções e usos na sociedade durante a pandemia. É certo que esse momento inaugura uma nova fase para o segmento, uma vez que mais serviços dependem dos recursos da Segurança Eletrônica.

Apesar de otimistas, o momento exige assertividade por parte das empresas do setor para que não haja retrocessos e para que todas as oportunidades que despontam no mercado brasileiro sejam aproveitadas na construção de uma plataforma sólida de crescimento com vistas ao futuro. Nesse cenário animador e cada vez mais competitivo, é urgente estar bem informado para antecipar tendências, demandas e os desafios que nos esperam.

Portarias Remotas – Na pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Segurança Eletrônica (Abese) com indústrias, distribuidores e prestadores de serviço de todo o país, sobre os impactos da Covid-19 no setor, identificamos que o segmento de Portaria Remota se mostrou bastante requisitado durante o período. Quase 20% dos entrevistados responderam que houve aumento da procura pela solução de Portaria Remota que permite o atendimento em condomínios e empresas à distância.

Contudo, o ano de 2020 também adiou muitos projetos de implementação de portarias remotas sedimentando uma demanda reprimida que será explorada no pós-pandemia – tanto para a recuperação econômica dos condomínios quanto dos moradores, já que os custos de moradia no Brasil consomem grande parte do orçamento familiar e a segurança eletrônica pode ser uma estratégia para tornar os valores mais compatíveis com a renda média brasileira.

Controle de Acesso – A pandemia confirmou que não investir em segurança eletrônica não é mais uma opção. A tecnologia não é mais restrita ao âmbito da proteção, as soluções estão integradas aos processos, agilizando e oferecendo respaldo nas demandas que vão além da segurança. Dentre os recursos com maior abrangência estão os sistemas de Controle de Acesso inteligente que integram câmeras, biometria, reconhecimento facial, analíticos de vídeo, entre outras funcionalidades.

Com isso, além de alcançar protocolos de segurança mais avançados e com respaldo à operação, as Controladoras de Acesso também entregam relatórios estatísticos com contagem de pessoas, horário de maior circulação, entre outras informações relevantes para uma gestão inteligente. Quando conectadas a câmeras termográficas, podem identificar casos de febre alta, somando uma camada de biossegurança importante.

Integração – Não é possível elencar a principal tecnologia para 2021, mas certamente podemos assegurar o principal conceito deste e dos próximos anos: a integração. O desafio para a Segurança Eletrônica é sair do isolamento das soluções únicas para reunir diferentes tecnologias em um sistema feito sob medida para as demandas de cada cliente.

A partir do parque tecnológico disponível, como ir além? Como economizar ainda mais e obter mais resultados? Como a criatividade da Segurança Eletrônica pode elevar uma solução simples de videomonitoramento para um outro patamar? A integração é a resposta.

Ao invés da competitividade, deveremos reforçar a união entre empresas com soluções e especialidades diferentes colaborando em projetos mais completos, resultando maior longevidade dos contratos e amadurecimento digital, a palavra-chave para fidelizar os clientes conquistados principalmente durante a pandemia.

Cibersegurança e Segurança de Dados – A equação é simples, quanto mais dispositivos conectados à rede, mais dados críticos em circulação. Por isso, a cibersegurança ganha cada vez mais importância à medida que a tecnologia conquista mais espaço. No Brasil, é curioso notar que a pandemia acelerou a adoção de soluções inteligentes ao passo que atrasou o prazo da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) – que vem exatamente impor limites à utilização de dados sensíveis. Com isso, surge a posição de Encarregado de Dados ou DPO.

A Abese está mobilizada – tanto através da equipe jurídica, quanto dos comitês – para posicionar os empresários do setor sobre as melhores práticas que serão incorporadas às empresas com a nova lei. No entanto, esse trabalho de liderança não exclui a necessidade de atualização e, sobretudo, qualificação. Neste momento inicial e de muitas informações cruzadas, há grandes oportunidades para profissionais de TI especialistas em proteção de dados e cibersegurança.

Os desafios são muitos, além de conhecer a legislação nacional e sua aplicação para o negócio da empresa, é importante que o profissional conheça sobre tecnologia e segurança da informação, que tenha experiência em gestão de compliance e, claro, uma boa comunicação. Não é à toa que através da Academia Abese, disponibilizamos um curso com certificação através do Instituto Totum de Encarregado de Dados – DPO, específica para o segmento.

Todavia, o mais importante é entender que, independente da área da Segurança Eletrônica, contamos com grandes oportunidades para profissionais bem qualificados e dispostos a inovar. Essa é a principal oportunidade para 2021.

*Selma Migliori, presidente da ABESE – Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança

Gestão de alta performace em franquia

Por Nadim Farid

Um dos diferenciais da ORAL UNIC é a equipe de consultores de campo,enquanto algumas redes chegam a ter um consultor para atender 40 unidades franqueadas, a nossa tem um profissional para cada 12 franquias. O custo dessa prática pode não ser dos mais baixos, mas essa estratégia é fundamental para mantermos uma gestão de alta performance em cada unidade.

Por meio de um sistema totalmente automatizado, que permite a visualização de todos os números da operação em um dashboard, o consultor de campo, assim como o próprio franqueado, consegue ver todo e qualquer desvio de padrão. Isso significa que os índices com baixa performance saltam aos olhos, e logo agimos para mudar esse comportamento. Isso é feito com cada uma das mais de 90 unidades da rede.

Dessa forma, a responsabilidade pela alta performance de cada clínica é compartilhada entre franqueado e franqueador, minimizando erros comuns. Quer um exemplo?

Às vezes, um franqueado pode achar que está indo bem porque ele converte muitos interessados em nossos serviços em pacientes. Ok, essa é, de fato, uma meta importante a ser alcançada, mas ela, sozinha, não diz muito. Mesmo que converta um bom índice de pacientes, o faturamento pode ficar aquém do esperado caso o tíquete médio esteja baixo. O sistema vai mostrar isso, e o consultor de campo vai ajudar o franqueado em ações que o apoiem na melhora dessa métrica.

Vale lembrar que os franqueados das nossas operações são dentistas e, às vezes, eles não têm essa percepção de gestão de negócio tão apurada. Então, a automatização aliada à consultoria de campo ajuda o franqueado a compreender cada métrica, o que faz toda a diferença para uma gestão de alta performance. E tudo de maneira ágil, pois o gestor da unidade recebe avisos no celular sobre o que precisa melhorar.

Os números da rede comprovam a eficiência desse método. Em 2020, quase dobramos o número de unidades abertas, chegando a 93 clínicas em dezembro. A maior parte das 100 unidades comercializadas no ano passado foi vendida, inclusive, para quem já é franqueado – mais um indicador de que nosso modelo de gestão tem, também, aprovação da rede. Outro destaque é que nunca fechamos uma unidade, dentro do segmento de odontologia, esse é um fato quase inédito que reforça a eficácia do nosso plano de negócio. Nosso “sell-out” chegou a R$ 370 milhões em 2020, 80% superior a 2019.

* Nadim Farid é CEO da Oral Unic, rede de clínicas odontológicas premium fundada em 2016 e hoje com mais de 90 unidades em operação

Sempre existirá uma digital no mundo digital

Por Ana Alice Limongi

Nos últimos tempos, a Neo vem transformando o mercado de tecnologia. Temos investido na compra de startups, na pesquisa e no desenvolvimento de novos produtos e, acima de tudo, temos dedicado incansáveis esforços para levar inovação aos nossos clientes. Mas, se hoje somos reconhecidos como especialistas na criação de produtos digitais e eficazes em apoiar nossos clientes em seus processos de transformação digital, isso se dá porque investimos em pessoas com a mesma intensidade com que investimos em tecnologias.

Por mais que a Neo seja uma empresa digital, não descuidamos do nosso capital humano, sem dúvida o nosso maior patrimônio. Fala-se muito que por trás de um CNPJ há vários CPFs, e no contexto de empresas que trabalham com tecnologia, prefiro dizer que sempre existirá um ser humano com as habilidades e impressões digitais trabalhando pela evolução do mundo dos negócios conectados. 

É fato que pessoas são onipresentes em qualquer contexto, sob qualquer aspecto. E o meu desafio, enquanto líder de pessoas em uma empresa de tecnologia, é executar processos da melhor forma possível – afinal, quando há uma boa condução do material humano, naturalmente alcançamos o melhor resultado. Para inovar, é preciso liderar bem a rede de colaboradores – e quem não sabe gerir bem deixa um legado ineficiente. Quem deseja se posicionar como referência, como uma empresa de ponta, e ter uma equipe de alta performance, precisa saber comandar. Indo além, considero que as atitudes de quem não sabe gerir bem são incoerentes com as práticas de transformação digital, isso porque precisamos de pessoas no processo de transformação.

Nesta equação que engloba tecnologia, processos e pessoas, somente as pessoas se superam e é preciso assimilar isto para alcançar um equilíbrio, já que a  tecnologia e os processos dependem naturalmente do comando de pessoas para se desenvolver. Por isso, é preciso realizar um trabalho interno de conscientização, a fim de garantir o protagonismo das ações, bem como destacar para o público externo a importância de cada um dentro dos processos, a fim de valorizar o trabalho entregue. 

Tendo isso em mente, o núcleo de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Neo preparou um book com todas as nossas ações e as verticais de negócios em formato de retrospectiva, com informações relevantes sobre cada campanha. O resultado: conseguimos levar aos nossos clientes o que fazemos, como fazemos e porquê fazemos. Mostramos a eles a importância do investimento em pessoas, que é realizado com a mesma intensidade com que investimos em novas tecnologias. E a maior prova disso é que abrimos mais de 6 mil postos de trabalho só no ano de 2020. 

Iniciamos 2021 com uma estratégia focada em nossa equipe, para sustentar a curva de desenvolvimento. E seguimos acreditando que máquinas não existem sem pessoas, que os humanos cada vez mais não existem sem tecnologia e que a Neo, por mais digital que seja, é formada acima de tudo por pessoas.  

*Ana Alice Limongi, diretora de Desenvolvimento Humano e Organizacional da Neo

Heranças da pandemia e tendências na indústria de bens de consumo

Por Gustavo Pipa

Acredito que ninguém está triste com a chegada de 2021, certo? Ao menos a indústria de bens de consumo – depois de tantos desafios superados em 2020, levada a reescrever diariamente suas operações – certamente esperava por isso. É fato que o início de ano ainda guarda incertezas, mas como esse mercado tem se apoiado para continuar de pé? Entre lições aprendidas e planos, o que esperar de um ano em que seguimos enfrentando uma pandemia global?

Se tivesse que apostar nas tendências para os próximos doze meses, minha primeira escolha seria olhar os dados do consumidor, seja em relação à privacidade ou ao seu uso para ser cada vez mais assertivo junto ao cliente final. Segundo citou Satya Nadella, presidente da Microsoft na NRF 2020, o varejo gera 400 petabytes de dados por hora. Mas, como consumidores, queremos saber onde estão e como são usados os nossos dados. Quando, enfim, a indústria conseguir provar os benefícios desse “rastreamento” em tempo real, aí sim estaremos virando o jogo. É urgente que o uso dos dados – já tão discutidos em anos anteriores – retorne como valor para o consumidor, criando ofertas de negócio mais assertivas. Ninguém tem tempo a perder.

Minha segunda aposta: em 2021, acredito que acompanharemos o crescimento da inteligência artificial atuando na hiperpersonalização dos processos de consumo. Graças à pandemia do novo coronavírus, experimentamos (clientes e indústria) novas maneiras de comprar, e assumimos a já forte conexão entre a Inteligência Artificial e as decisões humanas. E aqui menciono seu uso dentro das operações da indústria, seja para melhorar a comunicação com o cliente final (chatbots, app de mensagens ou até mesmo assistentes de voz) ou para aprimorar internamente a cadeia produtiva, deixando-a mais inteligente e eficiente. 

A terceira tendência que gostaria de citar também é fruto dos desafios da COVID-19. Vimos a IoT (Internet das Coisas) tomar conta dos avanços no segmento do Contactless Consumer Product ou o Serviceless (produtos ou serviços sem contato), e quem investiu nesses mecanismos saiu na frente. No ano que vem, creio que veremos serviços e produtos cada vez mais voltados à saúde, à segurança e ao monitoramento, modificando para melhor a experiência final dos clientes.

Por fim, mas não menos importante, eu diria que a identidade das marcas será outro grande desafio para 2021. Habituamo-nos a comprar on-line por meio de intermediários que ganharam força. E agora a pergunta é: quem removerá essa intermediação e irá direto ao cliente nesse momento tão crítico da história? Deixar de lado esses parceiros e seguir voo solo faz sentido? Como manter a identidade da marca seguindo pelos dois caminhos de venda?

O cenário é de oportunidades. E meu desejo é que as empresas sigam de olho em valores como sustentabilidade, responsabilidade social, segurança e diversidade, e naveguem rumo a conquistar a fidelidade dos consumidores que chegaram ou que permaneceram por perto em 2020.

*Gustavo Pipa é executivo de Conta na Cognizant Brasil.