Terremoto atinge a Guiana e é sentido no Brasil

Um terremoto com epicentro Guiana foi sentido, neste domingo (31), por moradores da região norte do Brasil, especialmente Manaus (AM) e Boa Vista (RR), que faz fronteira com o país atingido pelo fenômeno natural. Os tremores também foram sentidos na Venezuela.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), órgão responsável pelo monitoramento de atividades sísmicas ao redor do mundo, o terremoto teve magnitude 5,7 da Escala Richter. 

O epicentro, por sua vez, foi registrado a cerca de 40 quilômetros da fronteira de Guiana com Roraima, mas a relativamente rasa profundidade de 9,7 km, fez com que os tremores chegassem ao Brasil, por volta das 16h.

O Corpo de Bombeiros de Roraima afirmou que continuará em alerta nas próximas 24 horas. Até o momento, porém, não há qualquer registro de destruição ou pessoas feridas. Nas redes sociais, porém, não faltaram testemunhas para registrar o terremoto.

Por TV Cultura

Em Boa Vista, Pompeo faz discurso linha-dura contra Maduro

Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do Brasil, ao lado de Mike Pompeo, chefe da Diplomacia dos EUA (Min. Rel. Exteriores/Reprodução)

O secretario de Estado dos EUA, Mike Pompeo, fez duras críticas a Nicolás Maduro nesta sexta-feira (18/09), durante visita a Boa Vista, Roraima. O chefe da diplomacia dos EUA chamou o líder venezuelano de “traficante de drogas” que “destruiu” seu país. Ele ainda afirmou que não pode responder quando Maduro vai cair, “mas que esse dia vai chegar”.

“Não devemos esquecer que ele (Maduro) é um líder que destruiu o seu próprio país, mas também é um traficante de drogas, que envia drogas ilícitas para os EUA todos os dias, impactando americanos todos os dias”, disse Pompeo.

“A questão de quando Maduro partirá só pode ser respondida no dia em que ele partir”, disse Pompeo, comparando o venezuelano com antigos líderes da Alemanha Oriental e da Romênia comunista. “Ninguém pode prever quando será esse dia, mas esse dia vai chegar”, acrescentou.

O secretário do governo Donald Trump ainda afirmou que a missão dos EUA é “assegurar que a Venezuela tenha uma democracia” e que os americanos querem “representar as pessoas” no país sul-americano.

Pompeo deu as declarações durante uma visita a um centro de acolhida de refugiados venezuelanos na capital de Roraima. “As pessoas com que falei hoje estão desesperadas para voltar para casa”, disse o secretário.  Estimativas das Nações Unidas apontam que mais de 250 mil venezuelanos fugiram para o Brasil nos últimos anos, tentando escapar da ruína econômica e da turbulência política no país vizinho. Mas apenas um quinto desse total recebeu o status de refugiado. Dezenas de milhares de pedidos seguem em análise.

Numa etapa anterior da viagem, na Guiana, Pompeo já havia se referido ao líder venezuelano como um “traficante”.

“Nós sabemos que o regime de Maduro dizimou o povo da Venezuela, e que o próprio Maduro é um traficante de drogas que já foi denunciado judicialmente. Isso significa que ele tem que ir embora”, completou. Em março, promotores americanos apresentaram uma denúncia criminal contra Maduro e membros do seu círculo por conspiração de narcoterrorismo e tráfico de cocaína. 

O governo dos EUA também ofereceu uma recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levem o venezuelano à prisão.

Durante a visita a Roraima, Pompeo também se encontrou com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo. Os EUA e o Brasil não reconhecem Maduro como presidente. Em 2018, o venezuelano foi reeleito para mais um mandato presidencial em um pleito marcado por acusações de fraude e intimidação. Em 2019, Brasil, EUA e dezenas de outros países reconheceram Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, como líder do país. 

A visita de Pompeo foi a terceira etapa de um giro pela América do Sul. Na quinta-feira, ele já havia visitado Georgetown, a capital da Guiana, e Paramaribo, no Suriname, e se reunido com os presidentes desses países. Nas duas etapas anteriores, ele também fez pesadas críticas a Maduro. Parte da imprensa americana interpretou o giro como um gesto para conquistar votos entre o eleitorado de origem latina do estado americano da Flórida, considerado decisivo nas eleições presidências dos EUA, previstas para o início de novembro.

Depois de Roraima, Pompeo segue para Bogotá, onde deve se encontrar com o presidente colombiano, Ivan Duque.

A visita de Pompeo a Roraima foi alvo de críticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que apontou que a vinda do americano não era apropriada a menos de 46 dias da eleicao nos EUA.

“A visita do Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, nesta sexta-feira, às instalações da Operação Acolhida, em Roraima, junto à fronteira com a Venezuela, no momento em que faltam apenas 46 dias para a eleição presidencial norte-americana, não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa”, disse Maia, em nota.

“Como Presidente da Câmara dos Deputados, vejo-me na obrigação de reiterar o disposto no Artigo 4º da Constituição Federal, em que são listados os princípios pelos quais o Brasil deve orientar suas relações internacionais. Em especial, cumpre ressaltar os princípios da: (I) independência nacional; (III) autodeterminação dos povos; (IV) não-intervenção; e (V) defesa da paz.”

“Patrono da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco deixou-nos um legado de estabilidade em nossas fronteiras e de convívio pacífico e respeitoso com nossos vizinhos na América do Sul. Semelhante herança deve ser preservada com zelo e atenção, uma vez que constitui um dos pilares da soberania nacional e verdadeiro esteio de nossa política de defesa”, concluiu o presidente da Câmara.

Já Maduro classificou o giro de Pompeo como uma viagem “bélica” que , segundo ele, “fracassou”.

“Mike Pompeo está em uma viagem de guerra contra a Venezuela, mas o tiro saiu pela culatra e Mike Pompeo falhou em todas as suas tentativas de organizar os governos do continente em uma guerra contra a Venezuela”, disse Maduro durante uma videoconferência com militares transmitida pela TV.

JPS/afp/ots/efe/lusa

Por Deutsche Welle

Brasil ultrapassa mil mortes por Coronavírus

Imagem mostra o momento exato em que o Coronavírus ataca uma célula do corpo (Débora F. Barreto Vieira/IOC/Fiocruz/via Fotos Públicas)

O Brasil superou, nesta sexta-feira (10) Santa, os mil casos de mortes pela Covid-19. Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, o país tem agora 1.056 óbitos e 19.638 casos oficialmente confirmados.

Entre as mortes confirmadas neste feriado está a do adolescente indígena da tribo Yanomami, Alvanei Xirixana, de 15 anos, que testou positivo para a Covid-19 e havia sido internado no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. Foi a terceira morte de índio por Coronavírus, segundo denunciam entidades que atuam junto às tribos.

O levantamento, divulgado pelo Ministério da Saúde, também reafirma São Paulo como o principal epicentro da doença, com 8.216 casos testados positivos e 540 mortes.

Moradores de rua



A organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) está atuando na região central da cidade de São Paulo para conter os efeitos da pandemia. A entidade desenvolve normalmente ações em situações de grave crise humanitária, como guerras, epidemias e catástrofes.

“Nosso âmbito não costuma envolver lugares como São Paulo ou o Rio de Janeiro”, diz a coordenadora dos trabalhos na capital paulista, Ana Leticia Nery.

No Brasil, a organização tinha apenas um ponto de atuação, em Boa Vista, Roraima, onde atende aos imigrantes venezuelanos. Porém, a chegada do coronavírus fez com que os Médicos Sem Fronteiras vissem a necessidade de ação nas duas maiores cidades brasileiras.

“O nosso medo é que a pandemia acabe exacerbando a desigualdade no acesso à saúde, que já existe hoje. As populações vulneráveis, que já têm dificuldade em acessar o sistema de saúde, vão ter ainda menos acesso a ele no contexto da pandemia e vão acabar tendo uma mortalidade e transmissão desproporcionais à população geral”, explica Nery.

*Com informações da Agência Brasil e da Comissão Pastoral da Terra

*Atualizado às 18h35 para alterar número de mortos. O Ministério da Saúde retificou o número total de mortes que caiu de 1.057 para 1.056

MP pede interdição de presídio após surto de doença

(Arquivo Pessoal/via Ponte Jornalismo)


Um surto de doença de pele, a superlotação e as más condições fizeram o Ministério Público de Roraima (MP-RR) pedir interdição parcial na Penitenciária Agrícola do Monte Cristo (Pamc), a maior do estado. No pedido de interdição, protocolado nesta segunda-feira (20), a Promotoria de Justiça de Execução Penal requer que os novos detentos que ingressarem no sistema prisional sejam remetidos à Cadeia Pública de Boa Vista, e não mais à penitenciária do Monte Cristo.   


https://spagora.com.br/doenca-misteriosa-atinge-presos-e-deforma-membros/brasil/

“Para o Ministério Público, como na Pamc há a custódia de mais de 2 mil detentos, mostra-se necessário isolar os presos infectados, para que a infecção não se alastre e atinja toda a massa carcerária, causando uma epidemia de infecção”, diz o MP estadual, em nota. Inaugurada no final dos anos 1970, a penitenciária tem capacidade para cerca de 400 presos, mas atualmente abriga 2.072 detentos. Segundo o MP, trata-se de uma média de 15 reclusos por cela, sendo que cada unidade foi projetada para três pessoas.

A concessão ou não da liminar caberá à juíza titular da Vara de Execução Penal, Joana Sarmento. Ela e o promotor de Justiça da Vara de Execução, Antonio Cezar Scheffer, realizaram, durante a manhã de hoje, visitas na penitenciária e no Hospital Geral de Roraima (HGR), onde estão sendo atendidos detentos com quadro mais grave da infecção causada pela doença de pele ainda desconhecida. Nesta terça-feira (21), está prevista uma reunião de integrantes do Poder Judiciário e do MP com representantes da Secretaria de Justiça e Cidadania e da Secretaria de Saúde do estado para debaterem um plano de emergência para tratamento dos presos infectados.

Precariedade

O defensor público Januário Lacerda participou de uma outra vistoria no presídio, realizada na sexta-feira (17), e confirmou à Agência Brasil a situação de precariedade na unidade. “Lá, infelizmente, a gente pôde constatar, in loco, a presença de doenças de pele, algumas pessoas não tinham nem sequer condições de sentar. Nós conversamos com a equipe médica que estava atendendo no dia e o que foi apontado é que, infelizmente, o processo de higienização dos presos é precário. Eles não têm o kit de higienização, só têm uma roupa, que consiste em uma bermuda, que não é lavada de forma adequada e nem seca ao sol, isso ajuda a proliferar os germes que estão causando essa doença”, disse.

Para Lacerda, que está preparando um conjunto documento com recomendações a serem adotadas na penitenciária, o governo do estado deve montar, de forma emergencial, uma enfermaria de campanha no local para prestar o tratamento adequado aos detentos com doenças de pele. Além disso, é preciso garantir um processo de higienização das roupas e dos utensílios usados pelos presos. O problema, segundo ele, foi agravado após a proibição de que familiares pudessem trazer roupas limpas e recolher roupas sujas dos detentos. A vedação ocorreu a partir da intervenção federal no sistema penitenciário e na segurança pública do estado, em vigor desde dezembro de 2018.  

“Antes, as famílias traziam as roupas limpas e recolhiam roupas sujas para serem lavadas. Até esse momento, a gente não tinha a presença massiva dessas doenças de pele. Quando a intervenção passou a proibir as famílias de trazerem as roupas, era obrigação dos sistema prisional oferecer as vestimentas, mas deram apenas uma roupa para cada detento usar ao longo de um ano”, disse.

Ontem (19), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) publicou nota, em sua conta oficial no Twitter, informando estar ciente do problema que ocorre na penitenciária e pedindo para que as autoridades brasileiras assegurem “com urgência” o tratamento especializado aos presos e adotem medidas para evitar uma epidemia.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o governo de Roraima negou, por meio nota, que haja surto de doença desconhecida na Penitenciária Agrícola do Monte Cristo e que apenas sete presos estão internados com algum tipo de infecção de pele.

“São inverídicas as informações de que os internos da Pamc [Penitenciária Agrícola do Monte Cristo] têm doença desconhecida e de que há um surto de bactéria. Atualmente, há 12 apenados em tratamento no HGR. Cinco deles foram diagnosticados com tuberculose e já estavam em tratamento há três meses. Outro detento tem escabiose. Ele coçou muito e gerou uma infecção secundária nas mãos. Está fazendo tratamento com antibiótico e apresenta uma regressão da doença. Os demais, também com diagnóstico de piodermite, passaram por atendimento de infectologista e dermatologista, estão recebendo tratamento com antibióticos e reposição de vitaminas. Exames diários e tratamento continuado estão sendo feitos. Todos estão tendo progressiva melhora”, informou a Secretaria de Comunicação.

Ainda segundo o governo do estado, a Cadeia Pública de Boa Vista será reinaugurada nos próximos dias e será feita uma separação “mais eficaz dos detentos”, caso seja necessário abrigar novos presos na unidade, se a interdição parcial da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo for mesmo confirmada pela Justiça. 

Doença misteriosa atinge presos e deforma membros

Doença atinge ao menos 24 presos, que estão em tratamento em hospital e relatam sentir “serem comidos vivos”

Presos tem relatado inchado nas pernas, alguns sem conseguir andar por conta da bactéria | Foto: Arquivo pessoal

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Roraima denuncia uma doença que tem corroído a pele de presos na PAMC (Penitenciária Agrícola de Monte Cristo), em Boa Vista, capital do estado. Pelo menos 24 presos estão em tratamento hospitalar por terem pegado a doença. Uma das suspeitas é a ingestão de água com gosto ruim e cheiro desagradável há cerca de um mês.

Os relatos são de feridas profundas nas mãos e pés dos atingidos, alguns deles não conseguindo andar por conta das dores. Há situações mais graves, de pessoas com parte do corpo em carne viva. Todos os doentes estão no Hospital Geral de Roraima e parte deles têm deformações no corpo.

“A situação deles é grave porque alguns desses reeducandos não estavam andando, apresentando deformidade nas mãos e pes, inchaço nas pernas e coceira pelo corpo”, descreve à Ponte Hélio Abozaglo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RR, e que denunciou o caso em primeira mão ao Blog do Expedito Peronnico

Abozaglo visitou o hospital para verificar a situação. Ele conta que 14 dos presos estão nos corredores do hospital, enquanto dez são medicados na enfermaria. O representante da OAB conta que ainda não se identificou qual é a bactéria que os atacou, nem qual a causa da contaminação.

Há casos de deformações nas mãos e pés | Foto: Arquivo pessoal

“Os presos nos relataram que estavam se sentindo mal há mais ou menos um mês depois que tomaram uma água da unidade, que estaria com mal gosto e cheiro desagradável. Daí começaram a se sentir mal, possivelmente”, explica o advogado.

O núcleo local de direitos humanos da OAB cobrará explicações do governo local na terça-feira (21/1), pois é feriado de São Sebastião. Um relatório do caso será enviado à Secretaria da Saúde, da Sejuc (Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania), ao governo do estado e a órgãos internacionais, como a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos).

Em seu perfil na rede social Twitter, a CIDH sinalizou já estar à par da situação. “A CIDH insta o Estado do Brasil a garantir urgentemente o acesso a tratamento de saúde especializado às pessoas afetadas pela bactéria e a tomar medidas para solucionar os problemas estruturais da Penitenciária que facilitam a propagação de doenças”, publicou a Comissão.

De acordo com o presidente da comissão de Direitos Humanos da OAB, o sistema penitenciário de Roraima apresenta de forma recorrente problemas na saúde, como falta de médicos e medicamento, mas a situação se agravou com a superlotação da PAMC.

“A capacidade é de 480 internos e se tem 2.250. Está assim porque foi tirado pessoal da cadeia pública e jogado nessa unidade. Aumentou estrondosamente o número porque só tem um bloco dessa unidade funcionando, o outro está em construção”, detalha Helio Abozaglo.

Situações mais severas geram grandes feridas que podem chegar até ferimentos com exposição da carne da pessoa doente | Foto: Arquivo pessoal

Segundo o advogado, já havia um surto de coceiras no presídio desde outubro do ano passado e que perdura até hoje. “Não chegou a tanto como agora. É possível que tenha aumentado, juntado uma coisa com a outra. Este é bem pior porque a situação que vimos… Um deles tinha problema no pé, relatou que sentia alguma coisa corroendo a pele dele”, afirma.

Ponte questionou a Sejuc sobre a doença que atingiu os presos, se há uma causa constatada, exatamente quantos foram os infectados e o que está sendo feito com os presos que continuam no PAMC e aguarda um posicionamento oficial da pasta.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Avião com ajuda huminatária à Venezuela está em Boa Vista

Avião da FAB saiu de Brasília com quase 23 toneladas de leite em pó e 500 kits de primeiros socorros com destino a Boa Vista, Roraima para a ajuda humanitária colocada à disposição dos venezuelanos (TV Brasil/Reprodução)

O avião da Força Aérea Brasileira transportando ajuda humanitária à Venezuela, que decolou na manhã de hoje (22) da Base Aérea de Brasília, pousou há pouco em Boa Vista, capital do estado de Roraima. A aeronave transporta 23 toneladas de leite em pó e 500 kits de primeiros socorros.

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, disse nessa quinta-feira (21), em entrevista á imprensa, no Palácio do Planalto, que o Brasil manterá o planejamento de ajuda humanitária à Venezuela, mesmo após o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciar o fechamento da fronteira. Segundo o porta-voz, a estimativa é fazer chegar à região fronteiriça alimentos e remédios neste sábado (23).

“O planejamento da parte do governo brasileiro permanece o mesmo, estando em condições, a partir do dia 23, sábado, para prover os irmãos venezuelanos dentro do território venezuelano se houver a disponibilidade de meios e motoristas por parte dos venezuelanos liderados pelo Guaidó (Juan Guaidó, presidente interino)”, disse Rêgo Barros.

Segundo o porta-voz, a disposição do Brasil aguarda a chegada dos caminhões vindos da Venezuela, conduzidos por venezuelanos, mesmo que isso demore mais que o previsto.

Rêgo Barros disse que não há risco dos alimentos e remédios estragarem em depósitos de Boa Vista, em Roraima, à espera da abertura da fronteira. “O tempo dos medicamentos e alimentos que estamos levando tem um prazo de validade bastante alongado. Dois, três meses [estocados] não nos preocupa.”

Estado de choque, medo: venezuelanos buscam abrigo em Boa Vista

Débora Brito e Marcelo Camargo/Enviados especiais/Agência Brasil

Abrigo Rondon 1, em Boa Vista, que recebeu cerca de 100 venezuelanos vindos da cidade de Pacaraima nos últimos dois dias. (Marcello Camargo/Agência Brasil)

Menos de uma semana depois dos conflitos em Pacaraima (RR), venezuelanos que deixaram a cidade buscam refúgio em Boa Vista, capital do estado. A direção de um dos abrigos informou que os imigrantes chegaram em estado de choque, com medo e cansados. Muitos ainda estavam assustados pela perda dos poucos bens materiais.

Tomás Delfin Planez veio de Pacaraima para Boa Vista depois do conflito que envolveu um grupo de brasileiros e imigrantes venezuelanos no último sábado (18).
(Marcello Camargo/Agência Brasil)

É o caso de Tomás Planez, 61 anos, ferreiro soldador que saiu de Pacaraima depois do conflito no sábado (18), quando moradores da cidade atearam fogo contra venezuelanos depois de um assalto a um comerciante brasileiro.

Planez contou que teve todas as suas roupas, documentos e dinheiro queimados. Ele chegou em Boa Vista descalço, apenas com a roupa do corpo. “Foi terrível. Foi de sexta para sábado. Primeiro, começaram a atirar fogos artificiais, depois tiros de verdade. E nós ficamos trancados onde estávamos, tirando documentação”, relatou.

Além da perda material, o conflito separou a família de Planez que está apenas com uma das filhas no abrigo de Boa Vista. Decepcionados com o Brasil, os outros dois filhos e a mulher voltaram para a Venezuela.

Para Planez, no entanto, o sonho de conquistar um trabalho para ajudar sua família se sobrepõe à dor. “Pela situação da Venezuela, tive que mudar para buscar melhorias para mim, meus netos, filhos, familiares. Lá, não há alimentação, trabalho, tem crianças morrendo de fome, não há saúde, médico, não há nada. Tenho esperança para continuar [aqui], conseguir meu trabalho e mandar dinheiro para meus filhos e netos.”

Dignidade

O casal Blanca Perosa e Victor Hernadéz vieram de Pacaraima para Boa Vista depois do conflito que envolveu um grupo de brasileiros e imigrantes venezuelanos no último sábado (18).
(Marcello Camargo/Agência Brasil)

A vendedora de seguros Blanca Perosa, de 37 anos, também fugiu rumo a Boa Vista. Ela deixou seu país há pouco mais de uma semana em direção a Pacaraima, depois de “perder tudo para a crise política e econômica” que atinge a Venezuela há pelo menos 3 anos.

“A classe média desapareceu no meu país. Os comerciantes e microempresários lamentavelmente baixaram ao nível de pobreza e a nossa carteira de clientes desapareceu”, contou a venezuelana.

De acordo com Blanca, era impossível viver apenas com a renda do marido. “Meu esposo era funcionário estatal e não dava para sobreviver com o que o governo pagava. Tivemos que deixar empregos estáveis com salário mensal para ir às ruas vender tudo o que se podia: comida, fruta, tortilhas de milho, tudo o que rendesse dinheiro diário para viver.”

Blanca afirmou que a situação “ficou tão difícil” que decidiu vir com a família para o Brasil, mesmo que seja para permanecer ao relento. Com seus dois filhos pequenos e o marido, ela passou alguns dias nas ruas de Pacaraima. Depois, conseguiu vaga em um alojamento da Paróquia da cidade. O acolhimento livrou a família de ser vítima dos atos violentos que assustaram os venezuelanos no sábado (18).

Terremoto atinge Venezuela e é sentido no Brasil; Veja os vídeos

Fachada de prédio aparece vibrando em vídeo gravado durante o tremor de terra na Venezuela (Facebook/Reprodução)

Terremoto de 6,3 na escala Richter sacudiu a Venezuela no fim da tarde desta terça-feira (21) e foi sentido também em cidades do norte do Brasil. Segundo a Agência Internacional de Notícias, EFE, para o serviço Geológico dos Estados Unidos a força do abalo pode ter sido maior e chegado a 7 graus.

Segundo a TV Band, moradores de Manaus, Boa Vista e Macapá relataram ter sentido a terra tremer. Não informações de dano ou vítimas.

Vídeos na internet mostram prédios evacuados aqui no Brasil.

*com informações da Agência Brasil

https://twitter.com/dumbo2018/status/1032027362022572035
https://twitter.com/ck_lisboa/status/1032024020340928513
https://twitter.com/_aon1/status/1032038728926199808

Roraima: Governo impõe controle da fronteira venezuelana

Em maio, venezuelanos aguardavam vagas em abrigos para refugiados, em Boa Vista. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Um decreto assinado pela governadora de Roraima, Suely Campos, determina a atuação especial das forças de segurança pública e demais agentes públicos estaduais para regulamentar a oferta de serviços a imigrantes, incluindo o controle de fronteiras e o acesso a serviços públicos como a saúde.

Entre as medidas previstas no decreto, está a autorização para que o posto fiscal da Secretaria da Fazenda em Pacaraima, na fronteira, passe a controlar pessoas, bagagens e veículos. Também será feita por agentes estaduais a verificação de documentação necessária ao trânsito e permanência em território nacional.

A governadora de Roraima aponta ineficiência das ações federais no controle de fronteira para justificar as novas medidas.

“O decreto determina procedimentos especiais visto que esse grande êxodo dos venezuelanos está causando impactos na segurança. Temos episódios recentes nas unidades de saúde, nas praças públicas, no próprio abrigo que abriga os venezuelanos”, afirmou.

Acesso a hospital

Em entrevista à imprensa, Suely Campos disse que também pretende limitar o acesso de venezuelanos à emergência do Hospital Geral de Roraima. De acordo com ela, os imigrantes serão redirecionados para postos de saúde e unidades do Exército. O policiamento no hospital será reforçado.

“Nós vamos agora pontuar o que os venezuelanos podem acessar na rede de saúde. Se eles estão aqui no nosso país, eles têm que obedecer às leis que regem o nosso país. Episódio maternidade na sala de pré-parto não é possível a presença da figura masculina. São várias mães ali naquele procedimento.”

Em abril deste ano, o governo de Roraima entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo o fechamento temporário da fronteira do Brasil com a Venezuela. A ação traz estimativa de que os venezuelanos já representam 10% da população roraimense.

Agência Brasil procurou o governo federal para comentar o decreto desta quarta-feira, mas até a publicação desta matéria, não houve retorno. Tanto a Advocacia-Geral da União quanto o Ministério Público Federal já se posicionaram contrariamente ao fechamento da fronteira com o argumento de que a iniciativa fere acordos internacionais. Uma força tarefa federal atua em Roraima e coordena ações como construção de abrigos e interiorização de migrantes para outros estados.

(Juliana Cézar Nunes/Agência Brasil)