EUA admitem que mataram inocentes em ataque com drone, em Cabul

EUA emitem declaração com 60 nações sobre a situação no Afeganistão
EUA emitem declaração com 60 nações sobre a situação no Afeganistão
Inicialmente, EUA haviam dito que ataque matou terrorista que agiria durante retirada de civis de Cabul (Reprodução)

O Pentágono afirmou nesta sexta-feira (17/09) que um ataque de drone em Cabul, realizado em 29 de agosto, matou dez civis por engano, incluindo sete crianças, e não atingiu nenhum terrorista do grupo “Estado Islâmico”, como informado anteriormente.

Após o ataque, o Pentágono sustentou que o alvo era um carro-bomba que se preparava para realizar um atentado no aeroporto da capital afegã, onde os Estados Unidos realizavam os últimos esforços para retirar seus cidadãos, a poucas horas do fim do prazo previsto da ocupação do país.

O Departamento de Defesa dos EUA realizou uma revisão interna sobre o ataque, e concluiu que ele não atingiu o alvo pretendido.

“O ataque foi um erro trágico”, afirmou o general Frank McKenzie, diretor do Comando Central militar dos Estados Unidos, em uma entrevista coletiva.

“Estou agora convencido que dez civis, incluindo até sete crianças, foram tragicamente mortas no ataque. Além disso, agora avaliamos que é improvável que o veículo e aqueles que morreram eram vinculados ao EI-K, ou uma ameaça direta às forças americanas”, ele disse, referindo-se ao braço do “EI” no Afeganistão.

McKenzie pediu desculpas pelo erro e disse que o governo americano está considerando pagar indenizações aos familiares das vítimas.

À épica, uma reportagem do jornal americano The New York Times ouviu de uma família de Cabul que o ataque havia matado dez de seus membros, incluindo sete crianças, um funcionário de organização humanitária americana e um colaborador das Forças Armadas dos EUA. Mas o Pentágono mantinha a até poucos dias atrás a posição de que o ataque tinha sido justificado.

Entre as vítimas, um colaborador dos EUA

Segundo a reportagem do The New York Times, Zemari Ahmadi, que trabalhava para a ONG Nutrition and Education International, voltava de carro para casa depois do trabalho e de deixar alguns colegas em suas residências, na noite de domingo, de acordo com relatos de alguns de seus parentes e colegas ao jornal americano.

Ao chegar na ruela onde morava com três irmãos e suas famílias, diversas crianças viram o carro se aproximar e correram para saudá-lo. Quando o veículo entrava no pátio da casa, um míssil atingiu sua parte traseira, matando Ahmadi e algumas das crianças, além de ferir outras mortalmente no interior da casa.

A filha de Ahmadi Samia, de 21 anos, estava em casa quando o ataque ocorreu. Inicialmente ela pensou se tratar de um atentado do Talibã, até se dar conta de que os americanos estavam por trás do incidente.

Seu noivo, Ahmad Naser, ex-colaborador das tropas americanas no Afeganistão, está entre as vítimas. Ele viera da província de Herat na esperança de deixar o país num dos voos ocidentais.

Ahmadi era engenheiro técnico da representação da ONG com sede em Pasadena, Califórnia. Seus vizinhos e parentes, muitos dos quais trabalhavam nas agora extintas forças de segurança afegãs, asseguram que ele não tinha associação com nenhum grupo terrorista.

Por Deutsche Welle
bl (AP, ots)

Explosão atinge arredores do aeroporto de Cabul

(Xinhua/via Deutsche Welle)

Um duplo atentado atingiu nesta quinta-feira (26/08) o principal portão do aeroporto de Cabul, onde uma multidão em fuga do Talibã se aglomera há semanas na tentativa de embarcar em um dos últimos voos ocidentais e deixar o Afeganistão. Pelo menos seis pessoas morreram e dezenas ficaram feridas, incluindo soldados americanos e crianças.

Ainda não há confirmação sobre a autoria do atentado, mas fontes ligadas à inteligência americana suspeitam fortemente de envolvimento de uma facção do “Estado Islâmico” rival do Talibã, grupo extremista atualmente no poder no Afeganistão. O ataque teria sido executado por dois suicidas.

O Pentágono descreveu o atentado como um “ataque complexo”, que envolveu duas explosões no portão principal do aeroporto (Abbey Gate) e uma terceira no Hotel Baron, que fica a cerca de 200 metros dos terminais e estava sendo usado como ponto intermediário antes de decolagens de resgate.

O presidente da França, Emmanuel Macron, descreveu a situação no aeroporto de Cabul como extremamente tensa. No mesmo tom se manifestaram outras autoridades europeias, que prometeram acelerar a retirada de civis do país.

“Nossa prioridade continua a ser retirar o maior número possível de pessoas em segurança, o mais rapidamente possível”, disse o chefe da Otan, Jens Stoltenberg.

Aliados alertaram na véspera sobre risco

Na véspera, Estados Unidos e aliados haviam apelado para que cidadãos saíssem do aeroporto de Cabul devido a ameaças de ataque do grupo terrorista “Estado Islâmico” (EI).

Avisos quase idênticos foram emitidos por Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia sobre “ameaças de segurança”. Serviços de inteligência estavam preocupados com o risco de atentados com homens-bomba do EI.

A explosão aumentou a apreensão e o caos nos arredores do aeroporto de Cabul, onde, desde meados de agosto, com a tomada da capital afegã pelo Talibã, uma multidão de civis aguarda na tentativa de deixar o país.

Durante a última semana, o aeroporto foi palco das imagens mais caóticas da tomada do poder pelo Talibã, com aviões decolando com famílias desesperadas em fuga.

Alguns países, como a Alemanha, já terminaram ou determinaram o fim de seus voos de resgate, e começaram a retirar seus soldados e diplomatas.

Os talibãs haviam se comprometido a não atacar as forças ocidentais durante a evacuação, mas insistem que as tropas estrangeiras devem ser retiradas até o prazo de 31 de agosto, data fixada pelos próprios Estados Unidos para uma retirada total.

Nos últimos dez dias, mais de 80 mil pessoas foram resgatadas de Cabul, em sua maioria pelos EUA.  A Bundeswehr (Forças Armadas alemãs), segundo Merkel, conseguiu retirar 4.600 pessoas do Afeganistão, de 45 diferentes nacionalidades.

Por Deutsche Welle
rpr/lf (ap)

Ataque em casamento mata mais de 60 pessoas em Cabul

Por  Deutsche Welle

(Reprodução)

Ao menos 63 pessoas morreram e 182 ficaram feridas num atentado perpetrado por um homem-bomba durante a celebração de um casamento em Cabul, no Afeganistão, informaram autoridades locais neste domingo (18). Foi o ataque mais violento deste ano na capital afegã.

O grupo jihadista “Estado Islâmico” (EI) reivindicou a autoria neste domingo. Em comunicado divulgado pela rede social Telegram, cuja veracidade não pôde ser comprovada independentemente, a milícia disse que um suicida identificado como Abu Asem al Pakistani detonou os explosivos que carregava.

O atentado ocorrido no sábado à noite acontece num momento em que o Talibã e os Estados Unidos tentam negociar um acordo sobre a retirada das forças americanas do país, em troca de um compromisso por parte dos talibãs com a segurança e conversas de paz com o governo afegão, apoiado por Washington.

O Talibã negou rapidamente responsabilidade pela explosão e condenou o atentado – realizado num salão de festas no oeste de Cabul, em um bairro da minoria xiita – como “proibido e injustificável”.

O presidente Ashraf Ghani havia afirmado, porém, que os talibãs não podem escapar da culpa por esse ataque “bárbaro”. “O Talibã não pode se absolver de culpa porque eles fornecem plataforma para os terroristas”, escreveu ele no Twitter.

O noivo, que se identificou apenas como Mirwais, disse à emissora local Tolo Newsque o ataque “transformou sua felicidade em tristeza”. “Minha família e minha noiva estão em choque. Eles não conseguem falar. Minha noiva continua desmaiando”, contou. “Perdi meu irmão, perdi meus amigos, perdi meus parentes. Nunca verei felicidade em minha vida novamente.”

Mulheres e crianças estavam entre as vítimas, informou neste domingo o porta-voz do Ministério do Interior do país, Nasrat Rahimi.

Casamentos afegãos costumam ser festas épicas, com centenas ou milhares de convidados celebrando por horas dentro de salões de festa gigantescos, onde mulheres e crianças geralmente ficam separadas dos homens. Ahmad Omid, um dos sobreviventes, disse que cerca de 1.200 pessoas haviam sido convidadas para o casamento da prima de seu pai.

“Os convidados estavam dançando e comemorando a festa quando a explosão aconteceu”, lembrou Munir Ahmad, de 23 anos, que ficou gravemente e ferido e perdeu uma prima no ataque.

“Após a explosão, foi caos total. Todo mundo estava gritando e chorando por seus entes queridos”, afirmou ele à agência de notícias AFP na cama de um hospital, onde está sendo tratado por ferimentos causados por estilhaços.

Acredita-se que o casamento era uma união xiita. Muçulmanos xiitas são frequentemente alvejados no Afeganistão de maioria sunita, principalmente pelo “Estado Islâmico”, também ativo em Cabul.

Em 7 de agosto, um carro-bomba do Talibã visando forças de segurança afegãs foi detonado na mesma avenida do salão de festas, matando 14 pessoas e ferindo 145, a maioria mulheres, crianças e outros civis.