Chamado de ‘Judas’, Sergio Moro chega para depor

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, o ex-juiz Sergio Moro chegou no começo da tarde de hoje (2) a sede da Polícia Federal, em Curitiba. Moro será ouvido sobre a investigação aberta pela Procuradoria Geral da República, com autorização do Supremo Tribunal Federal, sobre as declarações dadas no dia em que o ex-ministro anunciou o pedido de demissão.

Segundo o UOL, Sergio Moro chegou em um carro oficial da Polícia Federal acompanhado de um advogado. Na quarta-feira (29), o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Moro fosse ouvido pela Polícia Federal em, no máximo, cinco dias.

Hoje, mais cedo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, chamou moro de ‘Judas’ em uma rede social. Manifestantes que apoiam Bolsonaro se aglomeraram perto da sede da PF.

Manifestantes ao lado da sede da Polícia Federal em Curitiba (Reprodução)

*Em atualização

Sergio Moro deve ser ouvido hoje em Curitiba

Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro deve prestar depoimento hoje (2), em Curitiba, informou o jornal Estadão. Na quarta-feira (29), o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Moro fosse ouvido pela Polícia Federal em, no máximo, cinco dias.

A oitiva será a primeira medida tomada no inquérito aberto a pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para apurar suposta tentativa de interferência na PF ou crime de denunciação caluniosa por parte do ex-juiz. O pedido para agilizar a data do depoimento foi feito por parlamentares da oposição. 

Na sexta-feira (24) da semana passada, durante pronunciamento, Jair Bolsonaro negou que tenha pedido para o então ministro Sergio Moro interferir em investigações da PF.

Três procuradores da República serão designados para ouvir Moro, que promete entregar provas aos agentes da Polícia Federal.

Em carta a Celso de Mello, Bolsonaro diz que se deve prestigiar o STF

Felipe Pontes/Agência Brasil

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, enviou ontem (22) uma carta ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em que diz ter “apreço” pelo magistrado e que a Corte é guardiã da Constituição e, por isso, merece o prestígio de todos.

A inciativa ocorre após a repercussão de um vídeo em que um dos filhos do candidato, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, fala que seria preciso “um cabo e um soldado” para fechar o Supremo, em caso de embate com o Executivo.

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, fala à imprensa.

Bolsonaro: “Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição e todos temos de prestigiar a Corte”   (Tânia Rêgo/Agência Brasil)


As declarações do deputado, proferidas durante uma aula de cursinho para concursos em julho, repercutiram mal no Supremo. Na segunda-feira, Celso de Mello classificou de “inconsequente e golpista” a manifestação.

Ordem democrática



“Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!!!”, disse o ministro, o mais antigo do Supremo, em nota enviada a um jornal.

Outros ministros também repercutiram o assunto ontem. Em palestra, Alexandre de Moraes disse que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deveria abrir procedimento para investigar a fala sobre fechar o STF. Sem citar Eduardo Bolsonaro, ele afirmou ser “inacreditável que tenhamos que ouvir tanta asneira da boca de quem representa o povo”.

Após as manifestações descontentes de seus pares, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, divulgou uma nota oficial em que afirma, também sem citar o deputado federal, que “atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia”.

Sem mencionar o vídeo na carta enviada a Celso de Mello, Bolsonaro diz ao decano do Supremo querer deixar claro que “manifestações mais emocionais, ocorridas nestes últimos tempos, se mostram fruto da angústia e das ameaças sofridas neste processo eleitoral”.

O presidenciável do PSL acrescenta que o “Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição e todos temos de prestigiar a Corte”.

Em postagem publicada em redes sociais na tarde de domingo, Eduardo Bolsonaro se retratou. “Se fui infeliz e atingi alguém, tranquilamente peço desculpas e digo que não era a minha intenção”, disse.