Fogo destrói parte de hospital no Chile

(Bombeiros de Santiago/via Fotos Públicas)

Um incêndio de grandes proporções em um hospital mobilizou os bombeiros de Santiago, no Chile, na manhã de hoje (30). O fogo no Hospital Clínico San Borja Arriarán pode ter começado nas caldeiras da unidade, segundo os primeiros relatos. A causa ainda vai ser investigada.

Segundo a imprensa internacional, o fogo também atingiu instalações elétricas e parte das instalações onde ficam leitos com pacientes. O incêndio foi controlado pelos bombeiros. O Ministério da Saúde do país informou que, por medida de segurança, pacientes foram transferidos.

As últimas informações indicam que, apesar do susto, não houve mortes.

(Bombeiros de Santiago/via Fotos Públicas)

Chilenos votam por nova Constituição

(Redes Sociais/Reprodução)

Os chilenos votaram neste domingo (25/10) por ampla maioria a favor de uma nova Constituição para substituir a herdada da era do ditador Augusto Pinochet, segundo o resultado oficial do plebiscito.

De acordo com os resultados de mais de 99% das urnas, 78,28% votaram a favor de uma nova Constituição, e 21,72%, contra. A taxa de participação foi de cerca de 50%, comunicou a autoridade eleitoral.

Aos 14,7 milhões de eleitores foi pedido que respondessem a duas perguntas: “Querem uma nova Constituição?” e “Que órgão deve redigir a nova Constituição?”.

Devido à pandemia do novo coronavírus, que atingiu duramente o Chile, os eleitores formaram longas filas durante todo o dia em frente aos locais de votação, cumprindo as medidas de distanciamento físico.

Segundo os resultados oficiais, a opção de uma “Convenção Constituinte” composta por cidadãos ganhou 79% dos votos, contra 21% para uma “Convenção mista”, composta por cidadãos e parlamentares já eleitos. A Constituinte terá paridade entre homens e mulheres e será eleita em abril de 2021.

Sebastian Piñera, presidente do Chile (Gov. do Chile/Reprodução)

O presidente Sebastian Piñera pediu unidade ao país na elaboração da nova Constituição, num discurso transmitido pela televisão. “Até agora, a Constituição tem nos dividido. A partir de agora, devemos todos trabalhar em conjunto para que a nova Constituição seja uma área de unidade, estabilidade e futuro”, disse.

“Hoje, a cidadania e a democracia triunfaram. Hoje, a unidade prevaleceu sobre a divisão, e a paz, sobre a violência. E este é um triunfo de todos os chilenos que amam a democracia, a unidade e a paz. E sem dúvida, este triunfo da democracia deve nos encher de alegria e esperança”, completou o presidente.

Reivindicação de manifestantes

A divulgação do resultado levou dezenas de milhares de pessoas às ruas de cidades chilenas. Manifestantes eufóricos reuniram-se em várias praças de Santiago do Chile, incluindo a Plaza Italia, centro dos protestos de 2019 contra a desigualdade social, para celebrar a vitória.

Há um ano, os protestos contra a desigualdade social atingiram um ponto de virada quando 1,2 milhão de pessoas se reuniram naquela emblemática praça, rebatizada “Praça da Dignidade”.

A substituição da Constituição herdada da ditadura de Pinochet (1973-1990) foi uma das demandas das manifestações lançadas em 18 de outubro de 2019 com o objetivo de alcançar uma sociedade mais justa.

A Constituição atual foi redigida por Jaime Guzman, conselheiro próximo a Pinochet, em 1980, e foi ajustada por sucessivos governos para reduzir o poder militar e executivo após a redemocratização.

O ex-presidente liberal Ricardo Lagos, que governou o Chile de 2000 a 2006 e um dos que alterou o texto, disse que Guzman fez seu projeto deliberadamente hermético, impossibilitando que vários aspectos fossem alterados, incluindo um sistema de previdência falho e a proibição de negociação coletiva.

A atual Constituição limita severamente a ação do Estado e promove a atividade privada em todos os setores, incluindo educação, saúde e aposentadorias.

AS/lusa/efe/afp

Por Deutsche Welle

Chile tem mais de 215 mil casos de coronavírus

O Ministério da Saúde do Chile anunciou hoje (17) que somará 31.412 casos confirmados da covid-19 aos mais de 184 mil registrados até ontem. O chefe do Departamento de Epidemiologia, Rafel Araos, explica que todos os mais de 31 mil infectados testaram positivo para a doença.

Mais de 31 mil infectados testaram positivo para a doença (Alejandra de Lucca V. Minsal/Fotos Publicas)

O atraso no registro aconteceu por problemas na atualização desses casos, que ainda estavam como “suspeitos” ou “pendentes”. O total de infectados no Chile chega a 215.861 e o número de mortos é 3.383.

Essas pessoas não contabilizadas, com suspeita da doença ou pendentes (de resultado), tiveram PCR’s positivos, ou seja, fizeram testes que deram positivo, portanto constituem casos confirmados”, explicou Araos.

O especialista disse que “depois de uma longa jornada trabalhando em conjunto com a rede de laboratórios de todo o país, conseguimos consolidar um banco de dados que nos permite pesquisar ou tentar encontrar as pessoas que testaram positivo e não haviam sido incluídas em nosso banco de dados porque o status delas não foi registrado ou não foi alterado de suspeito para confirmado”.

Araos disse que este tipo de ajustes nos valores é habitual em momentos como o que o mundo vive hoje e que o Chile voltará “a fazer todos os ajustes que sejam necessários no futuro a medida que detectem situações como esta”.

De acordo com o represente do Ministério da Saúde, a grande maioria desses 31 mil casos se refere a contágios na região metropolitana de Santiago, capital do país, e a todo o período da pandemia, ou seja, “não são casos de ontem nem de hoje”. O Chile registrou o primeiro caso de contaminação no dia 3 de março.

O Ministério afirma que na próxima sexta-feira (19) divulgará um relatório detalhado com informações sobre quando e onde foram registrados esses 31 mil casos que estavam fora da contagem.

Os dados da contaminação por covid-19 no Chile são atualizados na plataforma Epivigilia. Araos afirmou que a atualização da ferramenta “teve alguma demora e, por isso, aprofundamos o assunto, investigamos e detectamos que existe um número significativo de pessoas cujo status não havia sido atualizado”.

Covid-19: Santiago, no Chile, decreta lockdown

Higienização de automoves nas ruas de Santiago
(Intendência Metropolitana/via Fotos Públicas)

O Chile decretou bloqueio total para a região metropolitana de Santiago, capital do país. A medida entrará em vigor às 22h desta sexta-feira (15) e afetará 7,5 milhões de habitantes, que só poderão sair para comprar alimentos e remédios ou ir ao hospital. Para sair às ruas, os cidadãos terão que apresentar licenças temporárias individuais. Para trabalhar, será necessário um salvoconduto. Todos os idosos do país com mais de 75 anos devem ficar em isolamento obrigatório.

O Chile, que há um mês registrava uma média de 400 novos casos diários, registrou nesta semana 2.660 casos em apenas 24 horas, de acordo com informe divulgado pelo Ministério da Saúde chileno ontem (13).

O país havia preparado um “retorno seguro” às atividades, mas a explosão de casos do novo coronavírus fez com que o país tivesse que mudar de rumo. Anunciado no dia 24 de abril, o Plano Retorno Seguro consistia em uma retomada gradual e por etapas das atividades e das escolas e universidades. À época, o país registrava pouco mais de 12 mil casos e 174 mortes. Hoje, os casos confirmados ultrapassam os 34 mil e são 346 mortes até agora.

Agora, com o dobro do número de mortes, o governo chileno optou pelo bloqueio total, ou lockdown (termo em inglês usado para situações em que todas as atividades são suspensas, exceto as consideradas essenciais). É uma medida mais drástica, para tentar conter a disseminação do vírus.

O confinamento obrigatório impactará cerca de 70% das atividades da região metropolitana de Santiago. O governo informou que 14 mil efetivos das forças armadas e da polícia estarão nas ruas para garantir o cumprimento do toque de recolher, vigente das 22h às 5h, em todo o território nacional, e das medidas sanitárias de isolamento.

Cordão sanitário

Nos limites da região metropolitana de Santiago serão feitos cordões sanitários para impedir o trânsito e diminuir o risco de que a doença se espalhe a outras cidades.

O isolamento obrigatório será implementado nas 32 cidades da região metropolitana de Santiago, além de outras 6 cidades vizinhas, que são: San Bernardo, Buin, Puente Alto, Padre Hurtado, Lampa, Colina. As cidades de Iquique e Alto Hospicio, na região de Tarapacá, também estão incluídas.

“A batalha por Santiago é a batalha crucial na guerra contra o coronavírus. E é por isso que temos que suplicar, implorar, que levemos a sério todas as medidas necessárias. Que a população tenha o melhor espírito de compreensão e, acima de tudo, de colaboração, porque, de fato, o mês de maio está sendo muito duro em nosso país”, afirmou Jaime Mañalich, ministro da Saúde do Chile.

Mañalich afirmou que a quarentena obrigatória, antes para maiores de 80 anos, amanhã será regra para os maiores de 75 anos. O ministro disse que a medida é fundamental, já que 25% dos falecimentos aconteceu nessa faixa etária.

Internações e testes

Atualmente, 621 pacientes estão internados, dos quais 538 estão em ventiladores mecânicos e 118 deles estão em estado crítico. Mañalich afirmou que o país tem 553 ventiladores mecânicos disponíveis e que, nas próximas 48 horas, receberá mais aparelhos.

O Chile fez, até o momento, mais de 313 mil testes, cerca de 10,5 mil por dia nos últimos dias. Perguntado sobre a disponibilidade de insumos para as análises laboratoriais, Mañalich afirmou que o país comprou “um número importante de exames PCR para manter o ritmo de testagem que estamos tendo”.

O ministro explicou que o alto número de testagens levou alguns laboratórios privados a ficarem sem insumos e a priorizarem os testes para pessoas com casos sintomas graves, mas que o problema deve ser resolvido nos próximos dias

Alguns especialistas avaliam que o país terá um retração de 8,5% a 11% no segundo trimestre deste ano. O Fundo Monetário Internacional prevê uma retração de 4,5% no Produto Interno Bruto (PIB) do Chile em 2020.

Por Marieta Cazarré – Repórter da Agência Brasil 

Corpos são encontrados na área em que avião desapareceu

Por RTP

Destroços que a Força Aérea Chilena acredita ser de avião militar que caiu esta semana foram encontrados na Passagem de Drake (Twitter/Reprodução)


Autoridades chilenas anunciaram que foram encontrados restos mortais na mesma zona onde a Força Aérea estabeleceu o último contacto com o avião militar que desapareceu na segunda-feira (9) com 38 pessoas a bordo.

“A Força Aérea deu-nos uma notícia que nos deixou consternados: a descoberta de corpos no mar de Drake e também parte da fuselagem que corresponde ao avião atingido, o C130 da Força Aérea do Chile”, disse o governador da região de Magalhães, José Fernández.

A Força Aérea do Chile anunciou, na segunda-feira, ter perdido “o contato via rádio” com um avião militar C130 com 38 pessoas a bordo, que decolou de Punta Arenas, sul do país, para uma base na Antártida.

O contato via rádio foi interrompido no início da noite, de acordo com um documento da Força Aérea.

O avião, que decolou da base aérea de Chabunco, em Punta Arenas, a mais de três mil quilômetros ao sul de Santiago do Chile, tinha como missão prestar apoio logístico à base na Antártica.

Aeronave da FAB participa de buscas a avião do Chile

Por Marieta Cazarré 



Continuam as buscas pelo avião militar chileno Hercules C-130, desaparecido na noite de segunda-feira (9), que saiu de Punta Arenas, no sul do país, para a Base Eduardo Frei Montalva, na Antártica. A Marinha chilena realiza um intenso trabalho de busca e resgate, tendo despachado diversos aviões e navios para a região. O Chile está recebendo ajuda de diversos países, inclusive do Brasil.

O voo, com 38 pessoas a bordo, saiu de Puntas Arenas às 16h55, tendo feito seu último informe às 17h44 e seu último registro de localização às 18h13. Após ter se esgotado o tempo de autonomia da aeronave, ela foi considerada desaparecida pelas autoridades chilenas.

Força Aérea do Chile informou que "38 pessoas, incluindo 17 tripulantes e 21 passageiros" estavam a bordo.
Avião C-130 saiu de Punta Arenas para a Base Presidente Eduardo Frei Montalva
(Google Maps/Reprodução)

“Ainda não conseguimos localizá-la. Estamos fazendo todos os esforços imagináveis, humanos e materiais. Para as famílias, que estão em um momento atroz de dor, daremos todo o apoio e todas as explicações que merecem. Vamos procurar os 38 passageiros sem limitar recursos, dia e noite, fazendo tudo o que é humano e técnico ao nosso alcance”, disse o ministro da Defesa, Alberto Espina.

O avião transportava 17 tripulantes e 21 passageiros, em missão de apoio logístico à base na Antártica, para revisar um oleoduto flutuante de abastecimento de combustível e realizar um tratamento anticorrosivo nas instalações nacionais no local.

A região onde o avião desapareceu está localizada em Paso Drake ou Mar de Drake, e é uma extensão de mar de cerca de 800 quilômetros (km), que conecta o Oceano Atlântico ao Pacífico, entre a América do Sul e a Antártica. Tem uma profundidade média de 3.400 metros. É considerado um dos lugares mais tempestuosos do planeta, com ventos que superam os 70 km/h e ondas de mais de 8 metros de altura.

Um comunicado emitido ontem (10) pela Força Aérea do Chile informa que foram deslocados para a região dois navios mercantes chilenos, quatro navios mercantes estrangeiros, cinco navios da Marinha do Chile e 12 aeronaves chilenas. Além disso, participam da busca dois aviões C-130 – um do Uruguai e outro da Argentina; e duas aeronaves P-3 – uma da Força Aérea Brasileira e outra do Reino Unido. A aeronave brasileira decolou do Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, às 7h45 da manhã desta quarta-feira (11), com pouso estimado em Punta Arenas, no Chile, às 11h30 (horário de Brasília).

Ainda foram enviadas duas órbitas de satélite dos Estados Unidos para captura de imagem e uma órbita diurna por satélite FASat Charlie. A Marinha do Brasil enviou também o navio polar Almirante Maximiano para ajudar nas buscas ao avião. O Ministério da Defesa brasileiro informou que a embarcação já chegou ao local da possível queda do avião chileno e já realiza busca visual, por radar e por ecobatímetro (dispositivo utilizado para detectar objetos no fundo do mar).

Familiares

Na manhã de hoje (11), o porta-voz da Força Aérea chilena, general Eduardo Mosqueira, informou que os familiares dos tripulantes e passageiros embarcaram em um Boeing 737 rumo a Punta Arenas. De acordo com o porta-voz, viajaram 103 pessoas. Além de familiares, o Boeing levava sociólogos, psiquiatras, oficiais e pessoal para manutenção de aeronaves.

O general Mosqueira disse ainda que as buscas devem levar seis dias, podendo se estender por mais quatro dias. “As condições meteorológicas estão para operar em boa forma para a busca do C-130”, disse o porta-voz, ressaltando a melhora nas condições climáticas da região no dia de hoje.

“O Paso Drake é muito complicado. Estamos falando de condições climáticas de baixa altitude, que nos afetam no processo de busca. Hoje, as condições de visibilidade e altitude na área melhoraram para que possamos ter maiores expectativas de busca para encontrar algo”, disse Mosqueira.

Parentes chegam a base aérea onde estão concentradas ações de buscas

Sobe para 26 o número de mortes em protestos no Chile

(Colectivo 2+/Carlos Vera M./Fotos Públicas)


Em cinco semanas de protestos, 26 pessoas morreram no Chile. Em várias cidades houve novos registros de incêndios, saques e manifestações.

Até agora, nenhuma medida ou acordo político, conseguiu por fim à violência, e os protestos se intensificaram.

Manifestantes com máscaras atiraram pedras contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogênio e canhões de água.

Milhares de pessoas voltaram a se concentrar, ao longo do dia, nesta sexta-feira (22), na Praça Itália, o epicentro das manifestações em Santiago, na quinta “maior marcha do Chile” desde que começou a onda de protestos.

*Com informações da RTP

Para conter protestos, Chile anuncia reforma ministerial

Manifestação em solidariedade ao povo Chileno e contra Sebastian Pinera nas ruas de Barcelona (Tomo Carbajo/Fotovimiento/Fotos Públicas)


Depois de uma semana de intensos protestos contra a desigualdade no Chile, o presidente Sebastián Piñera anunciou neste sábado (26) uma reforma ministerial. “Notifiquei todos os meus ministros no sentido de reestruturar um novo gabinete que possa confrontar estas novas exigências”, declarou o presidente.

O presidente também disse que o governo está buscando um retorno à normalidade no menor tempo possível, e se as condições dos últimos dias forem as esperadas, retirará o estado de emergência em todo o país neste domingo (27).

“Para avançar de maneira pacífica e segura, é essencial recuperar o caminho da normalidade. É por isso que quero anunciar que, se as circunstâncias permitirem, minha intenção é elevar todos os estados de emergência de 24 horas no domingo”, anunciou.

Diante das demandas dos cidadãos, o presidente solicitou ao Congresso que aprovasse o mais rapidamente possível os projetos da agenda social apresentados pelo governo.

“O governo se encarregou da mensagem profunda que ouvimos de todos os chilenos, e é por isso que propusemos ao Congresso uma profunda agenda social que reúne muitas das abordagens mais sentidas de nossos compatriotas”, disse, acrescentando que “essa agenda social exige um esforço enorme do Estado para financiá-lo, e essa agenda está em pleno andamento, por isso exorto fortemente o Congresso a aprovar os projetos”.

A noite de sexta-feira (25) no Chile foi de violência, com vários confrontos entre manifestantes e polícia. Os manifestantes, que exigem a renúncia do presidente, arremessaram coquetéis molotov contra as autoridades e a polícia respondeu com gás lacrimogênio.

Os incidentes ocorreram depois de uma marcha pacífica durante o dia, que juntou mais de um milhão de pessoas nas ruas de Santiago.

Os protestos no Chile foram originados por uma subida no preço dos bilhetes de metrô, há mais de uma semana, e acabaram por escalar para um movimento nacional contra a situação econômica no país.

Desde o início dos protestos já morreram pelo menos 18 pessoas e sete mil foram detidas. O comércio chileno também tem sido afetado, registando perdas superiores a US$ 1,4 mil milhão.

* Com agência RTP (Portugal) e TVN (televisão pública chilena)

Presidente do Chile se desculpa e anuncia medidas sociais

Por Marieta Cazarré

Sebastián Piñera, presidente do Chile (José Cruz/Agência Brasil)


O presidente do Chile, Sebastián Piñera, fez um pronunciamento em rede nacional na noite de ontem (22) onde pediu perdão aos chilenos pela falta de visão de problemas históricos. Ele anunciou uma série de medidas para aliviar as tensões no país, como um incremento às aposentadorias, a criação de um teto para os gastos com medicamentos, a redução nas tarifas de energia elétrica e o aumento dos impostos para os ricos.

“Diante das legítimas necessidades e demandas sociais dos cidadãos, recebemos com humildade e claridade a mensagem que os chilenos nos mandaram. É verdade que os problemas se acumulavam há décadas e que os distintos governos não foram, nem nós fomos, capazes de reconhecer essa situação em toda a sua magnitude. Reconheço e peço perdão por essa falta de visão”, afirmou Piñera.

Entre as medidas anunciadas está o projeto de lei que cria um teto nos gastos com saúde pela famílias chilenas. Os valores que extrapolem o teto, serão cobertos pelo Estado. O presidente disse que ampliará o convênio do Fundo Nacional de Saúde (Fonasa) com as farmácias, para reduzir o preço dos medicamentos.

Em relação às aposentadorias e pensões, a proposta é um incremento de 20% . De acordo com o Governo, a medida beneficiará 590 mil aposentados e 945 mil pensionistas. Piñera anunciou um aumento adicional nas pensões e aposentadorias durante os anos de 20211 e 2022, para os maiores de 75 anos.

O sistema de aposentadorias é um dos pontos de maior insatisfação para os chilenos. Atualmente, os trabalhadores têm que depositar cerca de 12% dos salários em contas individuais, controladas por instituições privadas. Os aposentados recebem, me média, meio salário mínimo.

Em relação aos salários mínimos, Piñera afirmou que garantirá ingressos mínimos de 350 mil pesos para trabalhadores com jornada completa. Quando o salário não alcançar esse valor, o governo complementará.

Outra proposta anunciada foi a redução de salários de parlamentares e de funcionários públicos com altos rendimentos. Além disso, o presidente anunciou a redução no número de parlamentares e um limite no número de vezes para a reeleição.

Os ricos, aqueles que têm renda superior a 8 milhões de pesos mensais (cerca de 11 mil dólares), terão de pagar impostos de 40%. Espera-se arrecadar 160 milhões de dólares com a medida, que servirá para financiar parte das novas ações.

Piñera disse que criará também um mecanismo de estabilização das tarifas elétricas e que cancelará a último aumento de 9,2% no preço da luz.

“Essa agenda social não vai solucionar todos os problemas dos chilenos. Mas será uma ação necessária e significativa para melhorar sua qualidade de vida, especialmente dos setores mais vulneráveis e da classe média, priorizando crianças, mulheres e idosos”.

Ele anunciou um plano de 350 milhões de dólares para a reconstrução dos danos causados pela violência e pelos protestos dos últimos dias.

Mobilização e Greve

(Exército do Chile/Fotos Públicas)

Os protestos seguiram durante todo o dia de ontem, quase todos de forma pacífica. A polícia chilena afirmou que cerca de 22 mil pessoas se reuniram na Praça Itália, ponto central das manifestações. Até a noite de ontem, havia registros de 1.894 pessoas detidas, entre elas 215 menores de idade, 268 hospitalizados e 137 feridos por armas de fogo. Quinze mortes também foram confirmadas.

O governo chileno não anunciou até quando devem valer o estado de emergência e o toque de recolher.

A Central Única dos Trabalhadores do Chile (CUT) e mais de 20vinte organizações sociais convocaram uma greve geral nacional para hoje (23) e amanhã (24). Haverá uma caminhada, na manhã de hoje, saindo da Praça Itália e chegando à Praça Los Héroes. Eles pedem a retirada dos militares das ruas e a revogação do estado de emergência.

Diálogo é a solução no Chile, diz Papa Francisco

Por Vatican News 

(Mazur/Catholic news/Fotos Públicas/Reprodução)


O papa Francisco disse, nesta quarta-feira (23), que acompanha com preocupação os protestos que ocorrem no Chile. “Faço votos de que, colocando fim às manifestações violentas, por meio do diálogo, os diferentes setores chilenos trabalhem para encontrar soluções, pelo bem de toda a população”, disse o Papa ao final da audiência geral.

A audiência geral ocorreu nesta manhã,  na Praça São Pedro, quando o pontífice dirigiu-se a milhares de peregrinos e fiéis, provenientes de diversas partes do mundo.

Protestos

Os protestos no Chile começaram na sexta-feira (18) depois do aumento do preço das passagens do metrô de Santiago – medida já suspensa pelo governo. Desde então, a população incluiu outras demandas sociais nas manifestações. Até o momento, 15 pessoas morreram. Por quatro noites consecutivas, as Forças Armadas decretaram toque de recolher.

Na noite de terça-feira (22), o presidente Sebastián Piñera fez um pronunciamento à nação para anunciar um pacote de medidas para melhorar a qualidade de vida da população e reconhecer a falta de visão.
“Diante das necessidades legítimas e das demandas sociais dos cidadãos, recebemos com humildade e clareza a mensagem que os chilenos nos deram”, afirmou o presidente Piñera em cadeia nacional.

Já no sábado (19), os bispos chilenos divulgaram declaração afirmando que a liderança no país deve “compreender o profundo mal-estar das pessoas e das famílias, atingidas por medidas iníquas e decisões arbitrárias que dizem respeito à vida delas de cada dia e por práticas diárias que consideram abusivas, porque atingem sobretudo os grupos mais vulneráveis”.