Brasil registrou até novembro 528 mortes por dengue

Época das chuvas aumenta chance de reprodução do mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya (Paulo H. Carvalho/Agência Brasília/Fotos Públicas)

Com a chegada do verão no Brasil e da chuva em diversas regiões, uma preocupação de saúde pública aumenta: o crescimento da circulação do mosquito Aedes aegypti e das doenças associadas a ele (chamadas de arboviroses urbanas), como dengue, zika e chikungunya.

Conforme o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde sobre o tema, lançado em dezembro, entre janeiro e novembro foram registrados 971.136 casos prováveis de dengue no Brasil, com 528 mortes. As maiores incidências se deram nas regiões Centro-Oeste (1.187,4 por 100 mil habitantes), Sul (931,3/100 mil) e Nordeste (258,6/100 mil).

No mesmo período, as autoridades de saúde notificaram 78.808 mil casos de chikungunya, com 25 óbitos e 19 casos em investigação. As maiores incidências ocorreram no Nordeste (99,4 por 100 mil habitantes) e Sudeste (22,7/100 mil). Já os casos de zika, até o início de novembro, totalizaram 7.006, com incidência mais forte no Nordeste (9/100 mil) e Centro-Oeste (3,6/100 mil).

Na avaliação do professor de epidemiologia da Universidade de Brasília Walter Ramalho, este é o momento de discutir o problema do Aedes aegypti e as medidas necessárias para impedir sua proliferação. O maior desafio é diminuir os focos de criação dele.

O Aedes está no Brasil há mais de 100 anos. Em alguns momentos, já chegou a ser erradicado. Mas nos últimos 30 anos o inseto vem permanecendo e, segundo o professor Ramalho, se adaptando muito bem ao cenário de urbanização do país e do uso crescente de materiais de plástico, que facilitam o acúmulo de água propício à reprodução do mosquito.

“Todos esses materiais, que podem durar muito tempo na natureza, podem ser criadouros do mosquito. A gente tem que olhar constantemente o domicílio, não somente na terra como nas calhas. Este é um momento do começo da chuva. Se não fizermos esse trabalho e se a densidade do mosquito for elevada, não temos o que fazer”, alerta o professor.

Ele lembra que não se trata apenas de um cuidado com a própria pessoa e sua casa, mas com o conjunto da localidade, uma vez que domicílios com foco de criação acabam trazendo risco para toda a vizinhança.

O professor da UnB acrescenta que o cuidado no combate aos focos não pode ser uma tarefa somente do Poder Público. Uma vez que qualquer residência, terreno ou imóvel pode concentrar focos, é muito difícil que as equipes responsáveis pela fiscalização deem conta de cobrir todo o território.

Ramalho destaca que as doenças cujos vírus são transmitidos pelo mosquito são graves. A dengue hemorrágica pode trazer consequências sérias para os pacientes.

“A zika causou microcefalia no Nordeste e em algumas cidades de outras regiões. E precisamos nos preocupar com a chikungunya. Ela causa sintomatologia de muitas dores articulares. Muitas pessoas passam dois, três anos sentindo muitas dores. Isso causa desconforto na vida durante todo esse período”, afirma.

Campanha

No mês passado, o governo federal lançou uma campanha contra a proliferação do Aedes com o lema “Combater o mosquito é com você, comigo, com todo mundo”.  O desafio é conscientizar os cidadãos sobre a importância de limpar frequentemente estruturas onde possa haver focos e evitar a água parada todos os dias.A campanha conta com a difusão de peças publicitárias em meios de comunicação, alertando sobre esses cuidados e sobre os riscos da disseminação do mosquito e as consequências das doenças associadas a ele. 

Por Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil 

Dengue matou 5 vezes mais este ano; SP tem 247 óbitos confirmados

Por Felipe Pontes

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Até 12 de outubro deste ano, houve 689 mortes em decorrência da dengue em todo o país, de acordo com o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, número quase 5,4 vezes maior que as 128 mortes registradas no mesmo período de 2018.  

Ao todo, foram registrados 1.489.457 milhões casos notificados de dengue em 2019, até o 12 outubro, número cerca de 690% maior do que os 215.585 casos de 2018. A dengue atinge até o momento 708,8 em cada 100 mil habitantes. A região com a maior taxa de incidência é a Centro-Oeste, com 1.235,8 para cada grupo de 100 mil habitantes, apesar de ter um número menor de casos.

Os estados de Minas Gerais (482.739), onde houve 154 mortes confirmadas, e São Paulo (442.014), com 247 mortes confirmadas, concentram 62% dos casos prováveis. No Sudeste, a taxa de incidência é 1.151,8 para cada grupo de 100 mil habitantes.

No período, o ano de 2019 é o terceiro com a maior notificação de casos de dengue no Brasil desde o início da série histórica, em 1998, ficando atrás somente de 2015 (1,68 milhão) e 2016 (1,5 milhão).

Entre as possíveis causas para o avanço da dengue está a volta de um sorotipo da doença que há anos não circulava no Brasil, conforme destacou ontem (1) o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

“Tivemos a reentrada do sorotipo 2, há dois anos, e no ano passado isso fez um estrago muito grande no estado de São Paulo, na região de Bauru. Depois a dengue reentrou por Goiás, Tocantins – foi um número muito grande de casos, porque o sorotipo 2 havia muitos anos não circulava no Brasil, então agora ele volta com força total”, disse o ministro.

Outros fatores que contribuem para o retorno da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypt concentram-se no aumento das chuvas em algumas regiões e também uma menor prevenção.

Chikungunya e zika

O levantamento do ministério também reúne informações sobre a febre chikungunya. Ao todo, os estados já contabilizavam, até 12 de outubro deste ano, 123.407 casos, contra 78.978 do mesmo período em 2018.

Segundo o ministério, o índice de prevalência da infecção, que também tem como transmissor o mosquito Aedes aegypti, é bastante inferior ao da dengue: 58,7 casos a cada 100 mil habitantes. Os estados do Rio de Janeiro (83.079) e do Rio Grande do Norte (12.206) concentram 77,2% dos casos prováveis.

Até o encerramento do balanço, haviam sido confirmadas 75 mortes provocadas pela Chikungunya.

O boletim epidemiológico acompanha também a situação do zika. O levantamento, nesse caso, vai até 21 de setembro, quando foram registrados 10.441 casos notificados da doença. Neste ano, o zika vírus foi a causa da morte de três pessoas.

Recomendações

Para reduzir a proliferação do mosquito vetor das doenças, o Ministério da Saúde aconselha a população a manter ações de prevenção, como verificar se existe algum tipo de depósito de água no quintal ou dentro de casa. Outra recomendação é lavar semanalmente, com água e sabão, recipientes como vasilhas de água do animal de estimação e vasos de plantas.

Não deixar que se formem pilhas de lixo ou entulho em locais abertos, como quintais, praças e terrenos baldios é outro ponto importante. Outro hábito que pode fazer diferença é a limpeza regular das calhas, com a devida remoção de folhas que podem se acumular durante o inverno.

Pesquisadores investigam se vírus Mayaro circula no Brasil

Por  Vinicius Lisboa

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram que outra arbovirose, com sintomas parecidos com os da febre chikungunya, circulou em Niterói, na região metropolitana do Rio, em 2016. A descoberta dos cientistas acendeu o alerta para a possibilidade de outros casos diagnosticados como chikungunya serem, na verdade, do vírus Mayaro, que também pode ser transmitido pela picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus [vetores da dengue, zika e chikungunya], além do Cúlex [pernilongo] e do Haemagogus [transmissor da febre amarela].

Coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, Amilcar Tanuri conta que a pesquisa começou com a investigação de casos com as dores caracetrísticas da chikungunya, sem que o diagnóstico pudesse ser fechado ao submeter amostras ao exame de sorologia. A conclusão de que o Mayaro era o causador de ao menos três casos só foi possível por meio de um teste genético chamado de PCR.

As três pessoas que contraíram o Mayaro se recuperaram e estão bem, segundo o pesquisador, que conta ainda que elas não viajaram, o que indica que foram infectadas na região metropolitana do Rio. Ele diz que a notícia não deve causar alarde na população, mas é importante em termos de vigilância. 

“É um estudo mais demorado de vigilância epidemiológica. Vamos ter que revisar esses diagnósticos e correr atrás desses pacientes que tiveram esses sintomas”, disse Tanuri. “É um vírus pouco estudado. O que a gente tem de saber é se ele vai se adaptar às condições urbanas e começar a transmitir aqui dentro”.  

O pesquisador lembrou que, desde 1956, o Brasil registrou menos de 300 casos isolados de Mayaro. Com mais de 26 mil casos de chikungunya somente em 2019, o estado do Rio de Janeiro deve passar agora por uma investigação para verificar se o Mayaro continua a circular neste ano. A pesquisa deve contar com a parceria da Secretaria Estadual de Saúde, que já entrou em contato com o laboratório da UFRJ.

Em visita ao estado, o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, destacou a importância de combater os focos do Aedes aegypti, que precisa de água parada para que suas larvas se desenvolvam. 

“É um vírus selvagem, é primo do chikungunya. Enquanto o Aedes estiver livre e solto no mundo, com as pessoas sem fazer prevenção e sem se atentar, ele já demonstrou que dá carona para uma série de vírus”, disse ele. “No mais, é monitorar e alertar os médicos do quadro clínico e da maneira de conduzir essa doença [o Mayaro]”.

Mandetta lembrou ainda os esforços para desenvolver uma vacina para a dengue e para produzir uma prevenção biológica às arboviroses. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) trabalha na utilização de uma bactéria que, ao infectar os mosquitos, impede que eles se tornem vetores das viroses.

Bauru: Dengue já matou dez pessoas este ano

Por Fernanda Cruz

A prefeitura de Bauru, no interior paulista, informou que já foram registrados 6.008 casos de dengue no município desde o início deste ano. A Divisão de Vigilância Epidemiológica confirmou 10 mortes pela doença, além de nove óbitos que ainda são investigados pelo Instituto Adolfo Lutz.

Os números são elevados, se for considerado que, durante todo o ano passado, foram notificadas 23 mortes por dengue no Brasil inteiro, conforme informações do Ministério da Saúde. No estado de São Paulo, foram 36.791 mil casos do início deste ano até 15 de março.

A preocupação com a dengue aumenta durante o verão, estação que se encerra hoje(20). Nesse período, o volume de chuvas aumentou 22% na capital paulista em 2019, o que propicia a proliferação do vetor, o mosquito Aedes aegypti. Com 54 dias chuvosos e total de chuva de 884,5 milímetros, este foi o nono verão com maior volume de precipitação.

Interior de São Paulo

Dez cidades do interior paulista concentram 56,9% dos registros. Além de Bauru, estão em estado de atenção as cidades de Araraquara (3.275), São José do Rio Preto (3.239), Andradina (2.401), Barretos (1.900), Fernandópolis (1.260), São Joaquim da Barra (1.251), São Paulo (665), Agudos (660) e Palestina (636).

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde informou que o trabalho de campo para combate do mosquito Aedes aegypti compete primordialmente aos municípios. “O Estado presta auxílio por meio de treinamentos técnicos, além de apoio, sempre que necessário, do efetivo da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) para ações de nebulização, entre outras. Em fevereiro, o estado de São Paulo coordenou a intensificação das estratégias de combate ao Aedes”, diz a nota.

Ações em Bauru

A prefeitura de Bauru informou que realizou ações de nebulização no município, na semana passada, em 240 quarteirões dos bairros Vila Falcão, Vila Pacífico, Vila Souto, Vila Paraíso e adjacentes. A aplicação de inseticida tem como objetivo o controle de mosquitos nas áreas com grande concentração de casos.

No entanto, alertou a prefeitura, o inseticida pulverizado mata apenas os mosquitos adultos que estiverem dentro e fora da casa no momento da aplicação. “Portanto, é muito importante evitar que outros mosquitos se criem, eliminando todos os recipientes que contenham ou venham a conter água parada.”

Algumas medidas de prevenção incluem vedar tonéis, caixas e barris de água, trocar a água dos vasos de planta uma vez por semana, manter garrafas de vidro e latinhas de boca para baixo e acondicionar apenas pneus em locais cobertos.De acordo com a prefeitura, cerca de 80% dos criadouros do mosquito estão em residências.

Casos de dengue preocupam Bauru, no interior de SP

Por  Paula Laboissière 

A prefeitura de Bauru (SP) confirmou nesta semana 682 novos casos de dengue no município, sendo um importado. Com isso, a cidade de cerca de 365 mil habitantes já registra 4.875 casos confirmados da doença entre 1º de janeiro e 11 de março. Também foram confirmadas 10 mortes por dengue e três seguem em investigação, aguardando confirmação laboratorial pelo Instituto Adolf Lutz.

Na noite de ontem (13), a secretaria de saúde iniciou uma nova etapa de nebulização na cidade. Os bairros que receberam a aplicação de inseticida são Vila Falcão, Vila Pacífico, Vila Souto, Vila Paraíso e adjacentes. A ação ocorre desde o início do ano e segue critérios de avaliação técnica sob supervisão da Superintendência de Controle de Endemias para o combate ao Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue.

Controle

Por meio de nota, a prefeitura destacou que a aplicação espacial de inseticida tem como objetivo o controle do vetor em áreas com grande concentração de casos, mas que o inseticida pulverizado mata apenas mosquitos adultos que estiverem dentro e fora da casa no momento da aplicação.

“Portanto, é muito importante evitar que outros mosquitos se criem, eliminando todos os recipientes que contenham ou venham a conter água parada”, informou.

São Paulo está em alerta por causa do tipo 2 da dengue

Por Camila Maciel

(Arquivo/Agência Brasil)

A circulação do sorotipo 2 da dengue em 19 cidades foi detectado em São Paulo e colocou o estado em alerta. Desde 2016, apenas o sorotipo 1 da dengue circulava nos municípios paulistas. Pessoas infectadas por sorotipos diferentes em um período de seis meses a três anos podem ter uma evolução para formas mais grave da doença. De acordo com o governo do estado, foram contabilizados 610 casos de dengue até o dia 15 de janeiro. O número é similar ao verificado no ano passado e, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, não representa um quadro preocupante.

“Apesar de não ser ainda a maioria dos casos, ele [dengue tipo 2] está circulando já de maneira mais consistente nos municípios da região de Araçatuba, São José do Rio Preto e um pouco em Ribeirão Preto”, disse o infectologista Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria Estadual de Saúde.



Dos 645 municípios paulistas, o sorotipo 2 foi detectado em Andradina, Araraquara, Barretos, Bauru, Bebedouro, Catanduva, Espírito Santo do Pinhal, Indiaporã, Ipiguá, Itajobi, Mirassol, Pereira Barreto, Piracicaba, Pirangi, Ribeirão Preto, Santo Antônio de Posse, São José do Rio Preto, Uchoa e Vista Alegre do Alto.

Ele disse que a dengue tipo 2 não é “especialmente pior”. O risco está relacionado à superposição de vírus. “Estava circulando o tipo 1 até agora, e quando circula um tipo e aparece um novo sorotipo do vírus, pode ser 2, 3 ou 4, no caso é o 2, aí pode ter uma evolução para maior gravidade para quem já teve dengue 1”, explicou.

O infectologista esclareceu que não é mais utilizada a nomenclatura dengue hemorrágica, pois nem todos os casos graves de dengue evoluem com hemorragia.

Segundo Boulos, as equipes de saúde das cidades em que a circulação do tipo 2 foi identificada estão sendo orientadas a dar uma assistência mais cuidadosa aos pacientes com suspeita da doença. “Em um caso de dengue no ano passado, quando só circulava o tipo 1, se o paciente estava bem, se tomava líquido pela boca, mandava para casa e, se tivesse alguma coisa, voltaria. Hoje, para fazer isso, eu tenho que ter convicção. Talvez ficar mais tempo com o paciente no hospital para acompanhar a evolução”, explicou.

O infectologista disse que não há uma explicação para o início da circulação do novo sorotipo. “É aleatório. Esses vírus circulam no mundo todo. Quando você tem o Aedes [aegypti], que é o nosso caso, se vem uma pessoa que está com dengue 2 ou 3 e ele é picado pelo vetor, pode replicar esse vírus”, explicou. A melhor forma de prevenção, portanto, independentemente do sorotipo, é evitar a proliferação do mosquito.

De acordo com Boulos, há quatro sorotipos de dengue, sendo que três deles circulam no Brasil. Em São Paulo, neste momento, circulam os sorotipos 1 e 2. “Houve uma detecção do tipo 3 agora na região de Araçatuba, mas um caso só. Então se for causar problema, é daqui 2 ou 3 anos, agora não. Nós não temos o 3”, destacou.

Febre amarela

A Secretaria de Estado da Saúde está reforçando as orientações aos municípios do Vale do Ribeira para a intensificação das estratégias de vacinação contra a febre amarela. A região concentra 12 casos confirmados de febre amarela neste ano, dos quais seis evoluíram para óbitos. O balanço é de 21 de janeiro. As vítimas foram infectadas nos municípios de Eldorado (9 casos, 4 mortes); Jacupiranga (1 morte); Iporanga (1 morte) e Cananeia (1 caso).

Os casos silvestres da doença são transmitidos pelo mosquito Haemagogus e Sabethes. Já no meio urbano, a transmissão se dá pelo mosquito Aedes aegypti. Não há casos de febre amarela urbana no Brasil desde 1942.

O Vale do Ribeira passou a ter recomendação da vacina contra febre amarela há cerca de um ano, mas a cobertura vacinal na região é de 66%, até o momento. Todos os paulistas, que ainda não estão imunizados, tem recomendação para a vacina contra a febre amarela, especialmente os que moram ou visitam áreas com vegetação densa. A vacina está disponível nos postos de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) e, para proteção efetiva, deve ser tomada pelo menos dez dias antes de viagens ou deslocamentos para áreas de mata.

Balanço

A cobertura vacinal no estado contra febre amarela é de 65%, em média, com variação entre as regiões. Na Baixada Santista, o percentual é similar. No Vale do Ribeira, a cobertura é de 66%. No Vale do Paraíba e Litoral Norte, chega a 85%. Em 2018, foram confirmados 502 casos de febre amarela silvestre, dos quais 175 resultaram em morte. Em 2017, foram 74 casos e 38 mortes.

Startup lança produto que promete eliminar larva do mosquito da dengue

Por Assessoria de Imprensa

(Divulgação)

O verão está chegando e, com ele, a preocupação redobrada com a Dengue, Chikungunya e Zika, doenças perigosas, que se espalham rapidamente e que podem até matar. Nessa época do ano é comum que surtos de todas essas doenças aconteçam pelo País. Por isso, os alertas são reforçados para que a população evite o acúmulo de água, que é onde o mosquito transmissor Aedes aegypti se prolifera. Pensando em solucionar definitivamente o problema de maneira prática, eficiente e sustentável, a BR3 criou o DengueTech.

Diferente de outras soluções existentes no mercado, o DengueTech não oferece perigo à saúde de humanos, animais de estimação e ao Meio Ambiente. Ele é apresentado em forma de tablete para ser aplicado em até 50 litros de água e mata as larvas, impedindo que elas se tornem mosquitos e transmitam as doenças.

O produto é feito à base de um microrganismo chamado BTI, que mata as larvas do mosquito em poucas horas e seu efeito dura por até 60 dias após a aplicação.



“Enxergamos a necessidade de um produto que solucione o problema e não que apenas o amenize. O DengueTech realmente atua no controle do Aedes, pois um único tablete é capaz de eliminar centenas de larvas, sem gerar resistência dos mosquitos e sem desequilibrar o meio ambiente. Com ele, agora podemos transformar criadouros em armadilhas. E sabemos que 80% dos criadouros estão nas nossas casas, ” afirma Rodrigo Perez, fundador da BR3.

Ainda segundo Rodrigo, com surtos crescentes, é essencial o desenvolvimento de soluções que permitam a capacidade e velocidade de resposta para controlar o mosquito. A tecnologia foi aprovada pela ANVISA para que as comunidades se sirvam livremente e se somem aos esforços do Estado na prevenção e enfrentamento das epidemias. Exatamente como a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda. “Oferecemos tudo isso numa pílula. Simples assim”, completa.

Com o objetivo também de gerar melhores resultados para a população, a BR3 atua junto à comunidade para o controle do mosquito e, em breve, terá em seu novo site uma área voltada à educação e conscientização que será gratuita e acessível para todos.

Como Funciona o DengueTech

A ideia teve início há duas décadas, quando a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) criou a fórmula que daria fim ao mosquito da Dengue. Anos mais tarde, a startup BR3 assinou autorização para o uso da receita. No seu laboratório do CIETEC (Centro de Inovação e Empreendedorismo Tecnológico, no IPEN, e com o apoio da USP (Universidade de São Paulo), a BR3 desenvolveu o DengueTech e obteve a licença para livre comercialização junto à ANVISA ao final de 2015.   

Nesta trajetória, ao longo de 5 anos, a startup aumentou em 700% a sua eficiência e iniciou a comercialização. Neste ano, com apoio da FAPESP e FINEP, se prepara para entrar forte no varejo. Atualmente, a venda é online e o produto é vendido nos principais e-commerces do país.

A BR3 possui capacidade para produzir 10 milhões de doses por ano, permitindo que sejam instaladas até 20 milhões de armadilhas contra o Aedes. Ou, visto de outra forma, são criadas 2 armadilhas por residência em 4 meses de verão. Assim, estima-se que seria o suficiente para proteger 5 milhões de famílias, ou 20 milhões de brasileiros.

Sobre a BR3

A BR3 é uma startup que está no mercado desde 2001 e que criou o DengueTech, produto  à base de BTI que elimina definitivamente as larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da Dengue, Zika, Febre Amarela e Chikungunya. Com isso, a BR3 segue garantindo a segurança e saúde de diversas famílias brasileiras sem prejudicar o Meio Ambiente. Também faz parte do portfólio da BR3 o Fegatex, fungicida para controle de doenças agrícolas.

Para saber mais, acesse os sites: http://www.denguetech.com.br  e http://www.br3.ind.br

500 cidades com risco de surto de doenças transmitidas pelo Aedes

Por  Paula Laboissière, da Agência Brasil

Aedes Aegypti, mosquito que transmite várias doenças (Fiocruz/Agência Brasil/Reprodução)

Pelo menos 504 municípios brasileiros registram alto índice de infestação pelo Aedes aegypti e apresentam risco de surto para doenças transmitidas pelo vetor – incluindo dengue, zika e chikungunya.

Dados divulgados hoje (12) pelo Ministério da Saúde revelam que, das 5.358 cidades que realizam algum tipo de monitoramento do mosquito, 1.881 estão em situação de alerta, enquanto 2.628 apresentam índices considerados satisfatórios.

Capitais



O mapa da dengue, como é chamado o Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), mostra que, das 27 capitais em todo o país, Palmas (TO), Boa Vista (RR), Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC) estão em risco de surto não apenas de dengue, mas também de zika e chikungunya.

Outras 12 capitais, de acordo com o estudo, registram situação de alerta: Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Brasília (DF), São Luís (MA), Belém (PA), Vitória (ES), Salvador (BA), Porto Velho (RO), Goiânia (GO) e Campo Grande (MS).

Já Curitiba (PR), Teresina (PI), João Pessoa (PB), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Macapá (AP), Maceió (AL), Fortaleza (CE) e Aracaju (SE) têm índices considerados satisfatórios. Natal (RN) e Porto Alegre (RS) fizeram a coleta de dados por armadilha – metodologia utilizada quando a infestação pelo mosquito é muito baixa ou inexistente.

Criadouros

Além de identificar onde estão concentrados os focos do mosquito em cada município, o levantamento revela quais os principais tipos de criadouros por região. No Nordeste, por exemplo, o armazenamento de água no nível do solo (doméstico), como tonel, barril e tina, foi o principal tipo identificado.

No Sudeste, o maior número de depósitos encontrados foi em domicílio, caracterizados por vasos e frascos com água e pratos e garrafas retornáveis. Já nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sul, predominou o lixo, como recipientes plásticos, garrafas PET, latas, sucatas e entulhos de construção.

Dengue

Dados do ministério apontam que, até 3 de dezembro, foram notificados 241.664 casos de dengue em todo o país – um pequeno aumento em relação ao mesmo período de 2017 (232.372 casos). A taxa de incidência, que considera a proporção de casos por habitantes, é de 115,9 casos para cada 100 mil habitantes.

Em relação ao número de óbitos causados pela doença, a queda é de 19,3% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de 176 mortes em 2017 para 142 neste ano.

Chikungunya

No mesmo período, foram notificados 84.294 casos de chikungunya no Brasil – uma redução de 54% em relação ao mesmo período de 2017 (184.344 casos). A taxa de incidência da doença é de 40,4 casos para cada 100 mil habitantes.

Em relação ao número de óbitos, a queda é de 81,6% quando comparado ao mesmo período do ano anterior, passando de 191 mortes em 2017 para 35 neste ano.

Zika

Os números mostram ainda que, até 3 de dezembro, foram notificados 8.024 casos de zika em todo o país – uma redução de 53% em relação ao mesmo período de 2017 (17.025 casos). A taxa de incidência é de 3,8 casos para cada 100 mil habitantes.

Este ano, foram registrados quatro óbitos causados pelo vírus Zika.

Estátuas humanas chamam a atenção para o combate ao Aedes Aegypti

Por Camila Maciel, da Agência Brasil

(Leon Rodrigues/Prefeitura de SP/Reprodução)

Uma intervenção artística com estátuas humanas em pontos de grande circulação na capital paulista neste fim de semana busca conscientizar a população sobre o combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti. A ação faz parte Plano Municipal de Enfrentamento às Arboviroses, que promove ações educativas e de limpeza no período que antecede o verão para informar sobre os meios de proteção de doenças como dengue, febre pela Chikungunya e doença aguda pelo vírus Zika. Nesse período, o aumento das chuvas favorece o ciclo de reprodução do mosquito transmissor.



Em pequenos pedestais, as estátuas humanas ficam inertes, segurando objetos que podem acumular água parada. A ideia é chamar atenção público que circula por locais como a Avenida Paulista, que aos domingos fica aberta apenas para pedestres; terminais de ônibus; parques e metrô. Nesses locais, também são distribuídos folhetos informativos com dicas sobre o combate ao mosquito. Além disso, o público é estimulado a fazer selfies com as estátuas e postas nas redes sociais com a hashtag da campanha #MosquitoVilao.

Segundo os dados da prefeitura, até outubro deste ano foram confirmados 505 casos de dengue no município; em 2017 foram 866 casos e não houve registro de óbitos nos dois períodos. Já para chikungunya, até o momento foram confirmados 24 casos autóctones (adquiridos no município) e 30 importados. No ano passado foram 28 autóctones e 115 importados.

Neste ano não houve nenhum caso autóctone de zika. Apenas um caso importado. Em 2017 foram três autóctones e um importado.

Febre Amarela

A prevenção de arboviroses – doenças transmitidas por insetos e aracnídeos – inclui também a intensificação da vacinação contra febre amarela. O último balanço da prefeitura, divulgado em 26 de novembro, mostra que a cobertura vacinal no município está em 59,04%. A meta é alcançar 95%.

Quem ainda não se protegeu contra a febre amarela pode receber a dose em todos os postos de saúde da capital. Para saber qual a unidade de referência para determinado endereço, basta consultar o Busca Saúde no site http://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/ .

Neste ano a capital registrou 13 casos autóctones de febre amarela, dos quais seis evoluíram para óbito, e 107 casos importados. Em 2017 não houve nenhum caso autóctone. Ao todo, em 2017, foram 28 casos importados (12 de Minas Gerais, dez de Mairiporã, quatro de Atibaia, um de Caieiras e um de Monte Alegre do Sul).

Dengue: Mais que dobraram casos da doença em São Paulo

Fernanda Cruz/Agência Brasil

O número de casos de dengue no estado de São Paulo passou de cerca de 4 mil, entre janeiro e agosto de 2017, para aproximadamente 8.900 no mesmo período deste ano, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) da Secretaria Estadual da Saúde.

Apesar da alta expressiva, os casos de dengue mostram trajetória de queda ao longo dos últimos anos. Em 2015, houve 678.031 registros da doença e, em 2016, 162.947. No ano passado, o número de casos caiu para 6.269.

Diferentemente do que ocorre em São Paulo, nos demais estados, os casos de dengue vêm caindo desde o ano passado. Até 11 de agosto deste ano, foram notificados 193.898 casos, com redução de 5,1% em relação ao mesmo período de 2017.

Neste ano, a doença provocou 92 mortes, número inferior em 39% ao do mesmo período do ano passado.

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde informou que o trabalho de campo para combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, compete primordialmente aos municípios.

“A pasta auxilia permanentemente em ações, inclusive por meio da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), que presta apoio e orientações para desenvolvimento de estratégias, com base no monitoramento”, diz o texto.