Brasileiras empreendedoras contam suas trajetórias de sucesso

Débora Garofalo, professora (Arquivo Pessoal)

Débora Garofalo é professora, a primeira mulher brasileira e primeira sul-americana a ser finalista no Global Teacher Prize, considerado o Nobel da educação. Anna Luisa Beserra criou uma empresa para levar água potável a populações vulneráveis. Silvia Lins trabalhou no lançamento do primeiro drone 5G da América Latina e ajudou a projetar a primeira rede 5G privativa em campus universitário no Brasil. Em meio à pandemia do novo coronavírus, Ludmyla Oliveira reinventou os negócios, produziu mais de 13 mil máscaras e gerou renda para outras mulheres, que abraçaram juntas o projeto. 

Neste Dia Internacional da Mulher, a Agência Brasil conversou com as quatro mulheres. Elas têm trajetórias diferentes, mas com alguns pontos em comum: todas trabalharam muito para chegar aonde chegaram, orgulham-se do que fazem e incentivam outras mulheres a perseguir os próprios sonhos. 

Anna Luisa tinha 15 anos quando começou a desenvolver o Aqualuz, equipamento que purifica a água da chuva coletada por cisternas de áreas rurais, por meio de raios solares, e tem um indicador que muda de cor quando o consumo é seguro. A água é desinfetada sem o uso de substâncias nocivas como o cloro, por exemplo. O projeto rendeu à empreendedora baiana o prêmio Jovens Campeões da Terra, da Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente. 

O projeto cresceu e ela hoje é fundadora e CEO (sigla em inglês para diretora executiva) da Safe Drinking Water (SDW) for All que, em tradução livre, significa água potável para todos. Além de continuar produzindo o Aqualuz, a empresa também tem produtos de saneamento básico, alguns deles inclusive desenvolvidos em meio à pandemia, como o Aquapluvi, que é uma pia híbrida que permite tanto o uso da água de chuva quanto do sistema de abastecimento local para funcionar. É voltada para espaços públicos de alta rotatividade de pessoas. “Um lavatório urbano de alta durabilidade, que veio com essa proposta de permitir que as pessoas que estão em trânsito possam ter um ponto de higienização”, explica. “A gente conseguiu, em tempo recorde, desenvolver essa tecnologia e implantar aqui em Salvador”. 

A ideia do projeto, chamado Aqualuz, surgiu quando Anna Luisa ainda cursava o ensino médio, e viu um cartaz do Prêmio Jovem Cientista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq),
A ideia do projeto, chamado Aqualuz, surgiu quando Anna Luisa ainda cursava o ensino médio, e viu um cartaz do Prêmio Jovem Cientista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), – Divulgação/ONU

Anna Luisa conta que trabalhou muito para conquistar credibilidade e que, infelizmente, ser mulher ainda faz com que sofra preconceitos. “Eu passei por algumas experiências de premiações e editais nos quais eu era a única mulher a participar e a única a chegar à final e estar entre os melhores daquele ambiente. Isso sempre me levou a esse questionamento: Por que isso está acontecendo? Até falando por experiência própria, na SDW a maioria da equipe é formada por mulheres e isso nunca foi um critério de seleção, isso sempre aconteceu muito naturalmente. Nas seleções que a gente fazia, as mulheres sempre se destacavam mais”, diz. 

Ela acrescenta: “Acho que ainda exista esse preconceito de que homens podem ter resultados melhores que mulheres e que talvez isso cause impacto não só nessas seleções de editais, mas nas próprias mulheres se sentirem confiantes em empreender. Acho que é algo que está tão impregnado na sociedade que as próprias mulheres acreditam que elas não são capazes de empreender tão bem quanto homens”. 

Professora top

A falta de confiança no próprio potencial pode ter levado mulheres a não se inscreverem no principal prêmio de educação do mundo, o Global Teacher Prize, segundo Débora Garofalo. No Brasil, do total de 2,2 milhões de professores que lecionam na educação básica, etapa que vai da educação infantil ao ensino médio, a maioria, 1,7 milhão, é mulher, de acordo com o Censo Escolar 2020. “As professoras são a maioria do nosso país. E se a gente olhar o histórico do prêmio, levou cinco edições para que eu fosse a primeira mulher brasileira a chegar entre os finalistas. Isso mostra também que as próprias mulheres não têm muita confiança nelas para se inscrever”, diz. 

Foi o projeto Robótica com Sucata, que agrega tecnologia a utensílios reciclados do lixo, que a professora desenvolveu com estudantes da periferia de São Paulo, que levou Débora ao posto de top dez professores do mundo. Atualmente, Débora atua na Secretaria de Educação do Estado de São Paulo como coordenadora do Centro de Inovação. O Robótica com Sucata tornou-se política pública e foi levado para 3,5 milhões de estudantes da rede. “Isso me dá um grande orgulho, porque sabemos que a condição do professor muitas vezes é desrespeitada e desvalorizada. Hoje, me vejo na situação inversa, de ter sido reconhecida por esse trabalho e desse trabalho realmente ter se tornado uma política pública”. 

Assim como milhares de professores no país, ela foi pega de surpresa pela pandemia, pela suspensão das aulas presenciais e pela migração das atividades desenvolvidas na sala de aula para meios remotos. “Eu, que trabalho com tecnologia, me vi diante de uma situação em que foi necessário me reinventar, do começo ao fim”. 

A maior preocupação de Débora é com os alunos. “Os meus estudantes não são estudantes que conseguem respeitar um isolamento social, devido às condições de moradia. Essas crianças residem no meio de uma favela, as casas são de madeira, muitas vezes são de um cômodo que abriga dez pessoas em uma residência. Não existe saneamento básico, então também não existe água para que essas crianças possam seguir com esses protocolos de segurança e distanciamento social. Isso me faz pensar muito nesse papel que a escola tem hoje, que é essencial. Por isso digo que não é só um espaço de aprendizagem, é um espaço também de proteção”.

Apesar de todo o reconhecimento, a professora conta que ser mulher e trabalhar com tecnologia nem sempre foi fácil. “A primeira vez que meu nome apareceu na mídia, as pessoas diziam ‘olha, a gente tem que entender que ela fez um trabalho de robótica. Ah, é mulher, então, deve ser trabalho de artesanato’. Parece que o tempo todo a gente tem que ficar provando alguma coisa para alguém”, afirma. “Luto para mostrar a importância da inserção das tecnologias e da inovação nesse cenário, mostrar que as mulheres podem seguir isso desde a educação básica e que elas têm total direito de levar essa carreira adiante dentro de grandes indústrias”, acrescenta.

Mulheres e tecnologia 

A engenheira de computação Silvia Lins foi uma das mulheres que levou o interesse em tecnologia, que tinha desde cedo, para a vida adulta. Ela é, atualmente, pesquisadora da empresa multinacional Ericsson. É uma das responsáveis pelo lançamento da primeira rede 5G privativa em campus universitário brasileiro, na Universidade Federal do Pará. Ela também trabalhou no desenvolvimento do primeiro drone 5G da América Latina, entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. Agora, em conjunto com outras mulheres, desenvolve pesquisas sobre o 6G, a próxima geração de tecnologia celular que só deverá estar madura daqui a dez anos.

Dia da Mulher,Silvia Lins/Arquivo Pessoal
Dia da Mulher,Silvia Lins/Arquivo Pessoal – Silvia Lins/Arquivo Pessoal

“Eu acho que parte de eu ter conseguido – considero ter uma trajetória privilegiada de sucesso – é porque tive apoio, tive mentores. Por ser uma mulher padrão, uma mulher branca, não sofri nem vírgula do preconceito que vi mulheres negras e mulheres trans sofrendo. Mas, o que notei, principalmente frente a colegas, é ser discriminada em relação à capacidade intelectual, ou ser cobrada pela aparência. Você tem que ser bonita, senão não consegue ter oportunidade. Ou, você não consegue fazer isso porque você é mulher. Você termina a implementação e vão checar duas vezes, porque acham que está errado”. 

Silvia não está sozinha. Segundo pesquisa realizada pela Yoctoo, consultoria de recrutamento e seleção especializada em Tecnologia da Informação (TI), 81% das mulheres entrevistadas dizem que já sofreram preconceito de gênero, seja na escola ou no ambiente de trabalho. Cerca de 43% afirmam sofrer preconceito na universidade, já que os cursos são majoritariamente masculinos. No mercado de trabalho, no entanto, para 63% é onde se sentem mais discriminadas. Para 82% delas, o maior desafio é ter que provar a própria competência técnica o tempo todo. Mais da metade, 51%, dizem ter dificuldade para ser respeitada por pares, superiores e subordinados do gênero masculino. 

As mulheres também recebem menos investimentos. De acordo com Silvia, dados das organizações internacionais MassChallenge e Boston Consulting Group (BCG), mostram que startups – empresas que atuam em inovação – lideradas por homens recebem pouco mais do dobro de investimentos que aquelas lideradas por mulheres. Mesmo as mulheres provando que são mais lucrativas. Elas têm receitas cerca de 10% maiores. 

As mulheres ocupam também espaços relevantes e lucrativos como consumidoras. Em cinco anos, até 2019, o número de mulheres conectadas diariamente à internet aumentou 11% — representando 91% do total hoje —, enquanto a porcentagem masculina cresceu 7%, de acordo com dados computados pela plataforma de telecom Melhor Plano, a partir da última pesquisa TIC Domicílios, produzida pelo Centro Regional para o Desenvolvimento de Estudos sobre a Sociedade da Informação (Cetic.br). 

“Se você não inclui, se não percebe as necessidades desse público, você perde, não só enquanto sociedade, mas no sentido financeiro. Têm livros inteiros sobre o quanto você ganha ou o quanto você deixa de ganhar se não olhar atentamente para esse público. Tem muita gente engajada e preocupada com isso, mostrando que a gente pode ganhar muito mais se incluir mulheres e minorias como um todo. A gente perde muito se não tem diversidade”, diz Silvia. 

Impacto social 

Foi por causa do desemprego da mãe, Jacira Farias, que Ludmyla juntou os conhecimentos que tinha sobre administração com a habilidade de ambas em corte e costura e criou a Crioula Criativa, marca de joias naturais e bolsas artesanais. Até então, mãe e filha, que hoje trabalham juntas na empresa que fundaram, confeccionavam bolsas apenas para uso próprio. 

“A Crioula nasceu em um momento em que eu me descobri uma mulher preta, estava em um momento de transição capilar. Dentro desse primeiro passo de transição, descobri todo um universo de mulher preta em que eu precisava me reconhecer, saber da onde eu venho e quem são os meus. Isso é muito importante quando a gente faz isso dentro do ambiente da moda. A gente tem hoje meninas se identificando, sabendo quem são e reconhecendo sua beleza”, conta Ludmyla. 

Com a pandemia, vieram novos desafios. “A gente teve que parar todo o funcionamento do ateliê, inclusive as aulas de capacitação na área de costura. Foi um momento de pensar e sentir a dor. A gente tem que parar de romantizar o empreendedorismo, achando que com cada desafio surge uma ideia do nada. Na verdade, a gente senta, a gente primeiro sofre, depois chora mais um pouco e, aí, vai pensando ao longo do tempo o que a gente pode fazer dentro dessa realidade”. 

A marca se reinventou. Em parceria com o Ateliê Casa do Perdão, foi desenvolvido o projeto Entre Linhas e Costuras, que retomou as aulas na área da moda e voltou a produção para máscaras de proteção facial, na zona oeste do Rio de Janeiro. A produção foi custeada pelo aporte financeiro da Shell Iniciativa Jovem e teve o apoio do Projeto Afro Máscaras. Foram produzidas 13,5 mil máscaras, gerando mais de R$ 38 mil de renda para costureiras, profissionais locais e alunas do projeto. Ao todo, o projeto capacitou 20 mulheres, com aulas nos turnos da manhã e tarde, sendo duas delas egressas do sistema prisional. 

“A gente precisa olhar mais para  mulheres e mulheres periféricas. Com a falta de emprego, há cada vez mais mães e avós em casa, que antes trabalhavam em casa de família, em confecções, atuavam em algum trabalho informal. Mulheres que hoje não têm mais os seus empregos. Foi exatamente isso que a gente fez”, diz Ludmyla. “Já tínhamos a intenção de impactar pessoas, mas achávamos que precisava de muito, que precisava crescer ainda mais para conseguir causar esse impacto. Então, no meio da pandemia, a gente viu que conseguiu”. 

Perseguindo sonhos 

Quando perguntadas que mensagem deixariam para as próximas gerações, para as mulheres que querem seguir os passos delas, as respostas das quatro foram semelhantes, todas aconselham a não abrir mão dos sonhos e a confiar no próprio potencial. “O mais importante é acreditar no nosso potencial, sem isso a gente não chega a lugar algum. Então, acredite no seu potencial, corra atrás do seu sonho. Não deixe que ninguém diga que você não consegue. Mostre para o mundo que o que você quer fazer, você é a única pessoa que pode conseguir”, afirma Anna Luisa.

Ludmyla ressalta que a formação e o autocuidado são essenciais. No ano passado, o levantamento Tracking the Coronavirus, realizado pela Ipsos com entrevistados de 16 países, citou o Brasil como o país que mais sofre de ansiedade por causa do novo coronavírus. As mulheres são as mais afetadas: enquanto 49% se declaram ansiosas, 33% dos homens estão lidando com o sintoma no momento. Entre as mulheres, 33% dizem estar tendo problemas para dormir, contra 19% dos homens. Além disso, 14% das mulheres afirmam ter sintomas de depressão em decorrência da pandemia, enquanto entre os homens esse índice foi 7%. 

“Você precisa buscar conhecimento. Conhecimento é uma coisa que guardamos e compartilhamos, porque é muito importante fazer isso. Se você tem vontade, criou seu negócio, está com dificuldade, pára, respeite, cuide-se. Não adianta um CNPJ rico e um CPF cancelado. Não adianta construir a melhor empresa do mundo se você não está em primeiro lugar. Se escutar é primordial e acreditar nos sonhos”.  

Por Mariana Tokarnia, da Agência Brasil

Dia da mulher: 10 histórias de empreendedoras que inspiram

Danyelle Van Straten, diretora e fundadora da Depyl Action (Vinicius Andrade/Divulgação)

No Brasil cerca de 24 milhões de mulheres são empreendedoras, segundo dados de estudo realizado pelo Sebrae. São muitos casos em que o empreendedorismo é uma alternativa criada pela necessidade. No país, 44% do público feminino aposta na criação de um negócio como alternativa para complementar a renda e até mesmo como única receita dentro de casa. 

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, que representa as vitórias conquistadas pelas mulheres ao redor do mundo, conheça 10 histórias de empreendedoras brasileiras e que ajudaram a economia brasileira movimentando mais de R$ 800 mi em 2019.



  1. Renata Marcolino

Com dívidas acumuladas, a fonoaudióloga Renata Marcolino precisou recorrer a outra alternativa de renda com o propósito de auxiliar o marido em um momento de dificuldade financeira. A então funcionaria pública decidiu apostar no comércio de sapatilhas populares para saldar a dívida da família. A criação do negócio começou com as revendas dos calçados dentro do porta-malas do carro da fonoaudióloga, que usava o veículo para ir até as casas de suas clientes.

Da ideia de levar os calçados até suas clientes, nasceu a Mil e Uma Sapatilhas, que já vendeu mais de dois milhões de sapatilhas e se tornou o primeiro negócio com foco no público emergente com produtos licenciados Disney. Com mais de 140 unidades abertas, a marca faturou R$ 60 milhões em 2019 com a comercialização de sapatilhas.

  1. Danyelle Van Straten

Danyelle Van Straten é o nome por trás da Depyl Action, franquia especializada em depilação e cuidados com o pelo que faturou em 2019 mais de R$ 122 milhões. A marca tem mais de 110 unidades em operação no Brasil e duas na Venezuela. A rede pretende inaugurar dez unidades em 2020. A franquia nasceu em 1996, mas o negócio deu os primeiros passos na década de 1980, quando a família de Danyelle Van Straten descobriu uma receita caseira de cera de depilação. Associada a uma técnica, também criada pela família, a remoção de pelos ficava mais confortável. Inicialmente, Danyelle viajava o Brasil vendendo a cera em feiras.

Naquela época, o espaço para depilação representava o fundo do salão, não era nem 10% do negócio. E foi nessa brecha que Danyelle e sua mãe, Glaci Van Straten, enxergaram o próximo passo: oferecer um local exclusivo para a depilação e levar este serviço para a porta da frente. O resultado disso culminou na Depyl Action, transformada em franquia, em 1996. Um espaço privativo, confortável e com atendimento sem hora marcada que oferece além da depilação com cera, serviços de depilação à laser, luz pulsada, design de sobrancelhas, alongamento de cílios, coloração de cílios e da região íntima; aparo de pelos e coloração de barba.

  1. Marcela Tarraf 

Com um sonho de voltar para o interior, Marcela Tarraf, decidiu mudar de área para trazer uma novidade a São José do Rio Preto. Fundada em 2013, a Melting Burgers é conhecida pelo ambiente decorado por equipamentos de esportes americanos e por oferecer lanches de primeira linha, que fazem sucesso também pela criatividade nos nomes. O LeBron James, por exemplo, é o mais vendido da rede e leva catupiry, bacon crocante e crispy de mandioquinha. Em 2019, a rede que produz seus hambúrgueres com carne de Angus, comercializou mais de 240 mil lanches

As vendas de unidades são feitas pelo meio do co-franchising, um modelo de negócio criado pela Cobiz. Com cinco unidades, o negócio faturou R$ 7 milhões no ano passado.

  1. Rafaela Justino

Nascida em Ribeirão Preto, Rafaela Justino conheceu a Vox2you, franquia de escolas de oratória, em 2017, para aprimorar as técnicas de atendimento aos pacientes quando ainda era enfermeira. Após meses de curso, a enfermeira se apaixonou pela metodologia da franquia. Ao ser desligada do hospital, viu no negócio uma oportunidade de recomeçar e colocar em prática um sonho antigo que era o de empreender.

Em apenas um ano de funcionamento, a unidade possui mais de 300 alunos matriculados e um faturamento de R$ 1,5 milhão.

  1. Sibele Vaz de Lima

Vendedora de seguros de um grande banco na cidade de Severínia, interior de São Paulo, Sibele Vaz de Lima viu, em 2008, a oportunidade de uma renda extra quando um imóvel, de pouco mais de 15m2, ficou disponível. Mas o que era para ser um complemento financeiro, se tornou a única fonte de renda.

Sibele não contava com o fato de ser demitida poucos meses após o início da empreitada. Desempregada, e logo depois, grávida da segunda filha, ela arregaçou as mangas e foi à luta. Criou a Vazoli, que hoje é a maior franquia de crédito do país, com a ajuda do marido, Eric Vaz de Lima, e transformou uma pequena ideia em um negócio que movimentou mais de R$ 600 milhões em 2019. A rede conta com mais de 100 unidades espalhadas por 22 estados do Brasil.

  1. Sanaua Morais

Aos 16 anos, Sanaua Morais saiu da cidade de Palmeira dos Índios, interior de Alagoas para estudar biomedicina. Após fazer o primeiro semestre sem pagar as mensalidades, a jovem quase desistiu do curso, mas contou com a ajuda de uma tia para terminar os estudos. Para pagar os outros meses, a estudante recebeu a ajuda de familiares com metade do valor das mensalidades e a outra parte do dinheiro por meio dos sapatos que vendia na faculdade. Dois anos depois Sanaua conseguiu um emprego de vendedora em uma loja de roupa masculina.

Aos 23 anos, já casada e com um emprego na área, a biomédica conhece a Emagrecentro, clínica de emagrecimento e estética. Sanaua e o marido, Diego Peixoto, vendem o apartamento e o carro para investir, em abril de 2016, na franquia da rede. No primeiro mês, a clínica faturou R$ 45 mil e teve mais demanda do que o esperado. Em setembro do mesmo ano, a empresária inaugurou a segunda unidade.

Com duas franquias em Maceió, Sanaua decide, em janeiro de 2019, abrir a terceira clínica da rede, dessa vez, na sua cidade natal, Palmeira dos Índios.

Hoje Sanaua fatura anualmente mais de R$ 3 milhões com as três unidades. Com mais de 40 colaboradores nas clínicas, a empresária espera futuramente ampliar seu negócio por mais estados da região Nordeste. 

  1. Poliana Ferraz

Para Poliana Ferraz, a insatisfação que teve como estagiária fez com que ela criasse uma das maiores redes de franquias de estágios do Brasil.  Quando era estudante de direito, ao participar de diversos programas de estágio, sempre se sentia frustrada, pois não realizava as atividades que tinham realmente a ver com sua área. Em seu dia a dia, a limitavam com atividades mais similares ao trabalho de uma secretária, como servir café, atender o telefone e tirar xerox. A situação mudou em 2008, quando a jovem estudou a Lei 11788, conhecida como a “lei do estágio”, e que descrevia os direitos e deveres dos estagiários. Encontrando uma oportunidade de negócio com a sanção da lei, em 2009, Poliana criou a Super Estágios, empresa que direciona estudantes para programas de estágios e realiza a gestão dos mesmos do primeiro ao último, garantindo que a experiência seja satisfatória tanto para o estagiário quanto também para a empresa em que ele trabalha.

Em 2014, a empresa entrou para o franchising, tornando-se a primeira rede de franquias de estágios homologada pela ABF. Hoje, com 36 unidades em operação, a rede foi responsável pela inserção de mais de um milhão de estudantes no mercado de trabalho e em 2019 faturou R$ 37 milhões

  1. Flávia Aparecida Correa e Mirian Cristina Correa

Conhecida por seus bolos artesanais na cidade de Hortolândia, Flávia Aparecida e sua filha Mirian Cristina, decidiram apostar em um mercado promissor, depois de ver que as demandas pelo produto só aumentavam. Elas uniram o momento do mercado com o sonho de empreender e abriram a Flamy.

Em 2001, mãe e filha inauguraram a primeira unidade da confeitaria, que além de bolos, comercializam também salgados, tortas e sorvetes na taça. Com 15 unidades no estado de São Paulo, a rede faturou mais de R$ 5,5 milhões, no ultimo ano.

  1. Raissa Diniz

Formada em administração de empresas e com MBA em marketing, Raissa Diniz, de 41 anos, se interessa por assuntos relacionados ao empreendedorismo desde os 16, quando começou a trabalhar no negócio fundado pelo pai, O Borrachão Revestimento. O primeiro cargo de Raissa na empresa de artefatos de borracha foi de auxiliar de estoque. Conforme foi estudando e se especializando, também foi evoluindo de cargo. Já foi auxiliar de secretariado, de caixa, de venda, de gerência e hoje é diretora comercial.

Raissa sempre se manteve informada a respeito de negócios inovadores. Em 2018, adquiriu uma franquia do Clube de Permuta, plataforma de trocas multilaterais de produtos e serviços, em Natal, no Rio Grande do Norte. A empresária encontrou na franquia, uma maneira de driblar a crise econômica que atingia o Brasil e, até o momento, já faturou mais de R$ 1,5 milhão.

10. Thais Mezadri e Daniela Fogaça

Com a mãe internada, e numa nova sociedade com a melhor amiga da matriarca, Thais assumiu a escola de moda e dobrou o faturamento. Para Thais Mezadri, não tem como falar de Sigbol Fashion sem falar de dois amores: a moda e a mãe. Desde pequena Thais tinha o sonho de ser estilista. Aos 16 anos, apoiada pela mãe, iniciou o curso de Desenho de Moda na Sigbol. Após concluir o curso, entrou na faculdade de Negócios de Moda e atuou por alguns anos na área.

Em 2014, a mãe de Thais ficou desempregada e decidiu investir em uma franquia. A Sigbol foi a escolha das duas, enquanto a estilista dava aulas a mãe ficava na administração. Mas em 2018, a mãe de Thais descobriu uma leucemia e pensou em vender a unidade. Thais decidiu assumir a direção da escola enquanto a mãe fazia o tratamento. Com a ajuda de Daniela Fogaça, amiga da família e também apaixonada por moda, elas tocaram o negócio o ano inteiro, até a recuperação da mãe dela.

No inicio de 2019, Thais comprou a unidade da mãe e com a sócia Daniela implantaram estratégias de otimização de espaço e marketing. Em um ano, o faturamento da loja dobrou. De 85 alunos, no inicio de 2019, Thais começou este ano com 110 alunos. Aluna, professora e gestora, hoje Thais usa o conhecimento que obteve nas três áreas para gerir a escola que fatura cerca de R$38 mil por mês.


Claudia Leitte, Elba, Fafá: Shows comemoram Dia da Mulher

Corrida para mulheres ocorreu no começo da manhã de hoje (8), no Ibirapuera (Governo do Estado de SP/Fotos Públicas)

O Parque do Ibirapuera terá uma programação especial ao longo deste domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher. As atrações começaram logo cedo com uma corrida pelas ruas e avenidas da região.

A partir das 12h, vários shows gratuitos, todos em parceria com a Orquestra Jazz Sinfônica Brasil, vão agitar o público.

A cantora Fafá de Belém abre a programação cultural, seguida da dupla Anavitória. Na sequência, sobem ao palco as intérpretes Bebé Salvego, Luiza Possi, Leila Pinheiro, Roberta Sá, Elba Ramalho e Paula Lima.

O encerramento da programação cultural está previsto para 17h, com um grande show de Claudia Leitte.


Vagas de emprego e serviços exclusivos celebram dia da mulher

 

(Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas)

A Prefeitura de São Paulo realiza hoje (7), das 9h às 16h, em celebração ao Dia Internacional da Mulher, o evento “Lugar de mulher é trabalhando onde ela quiser”. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho levará ao vão livre do Masp, na Avenida Paulista, uma série de serviços exclusivos para as mulheres.

Ao todo, a ação oferece mais de 2.500 vagas de emprego com salários de até R$ 4.500, cursos de qualificação profissional com 1.450 vagas em diversas áreas, orientação para quem quer se tornar empreendedora, além de palestras e oficinas voltadas ao público feminino.

“A pedido do prefeito Bruno Covas faremos um dia dedicado para as mulheres encontrarem diversos serviços em um único espaço, tanto para recolocação profissional, quanto para qualificação e troca de experiências em diversas palestras e oficinas. O tema escolhido para o evento serve para reforçar que as mulheres devem se apropriar de todas as oportunidades que surgem em sua vida”, destaca a secretária de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Aline Cardoso. “Proporcionaremos diversas opções que vão do artesanato ao contato com simuladores virtuais para atuação no setor de soldagem”, completa.

O Cate – Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo estará no local oferecendo oportunidades de emprego e emissão de carteira de trabalho. Para ser atendida pelo Cate, é necessário apresentar RG, CPF, carteira de trabalho e número do PIS e uma foto atual, caso precise de um novo documento.

Vagas



O evento conta com oportunidades de recolocação profissional para mulheres em diversas áreas como comércio, serviços, alimentação, beleza, moda, entre outras. Na área da alimentação, destaque para 60 postos para gerente e subgerente de restaurante com salários de R$ 3.000 e R$ 4.500, com ensino médio completo e experiência na atividade. O setor conta ainda com 163 vagas de cozinheiro de restaurante, auxiliar de sushiman, chapeiro de lanchonete, auxiliar de padeiro, entre outros.

Na área da costura, há 55 postos para candidatas com conhecimentos em máquinas industrial, reta e piloteira. Os salários variam de R$ 1.400 a R$ 2.315, com exigência do ensino fundamental a médio completos.

O evento contará ainda com entidades parceiras que farão a demonstração de programação de jogos eletrônicos no computador e um simulador de solda 3D para incentivar as mulheres a entrar em setores com maior presença masculina.

Mulheres vítimas de violência doméstica também poderão realizar a denúncia na tenda do programa Tem Saída, que contará com o apoio da Defensoria Pública. Após realizada a denúncia, as mulheres podem acessar vagas de emprego exclusivas do programa.

Qualificação profissional

A Fundação Paulistana, entidade vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, vai oferecer 720 vagas para cursos profissionalizantes nos setores de tecnologia, sustentabilidade e gestão administrativa. As oportunidades são para as áreas em manutenção de computadores, desenvolvimento web, ressignificação de resíduos sólidos, produção de alimentos em agroecologia, administração, tecnologias sustentáveis, dentre outras. A duração média dos cursos é de 150 horas com aulas que vão de segunda a sexta-feira.

A equipe técnica do Centro Paula Souza, vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, também marca presença na ação oferecendo 360 vagas para cursos profissionalizantes no setor de construção civil. Exclusivas para o público feminino, as turmas serão voltadas a profissões consideradas masculinas como pintora de parede, eletricista, soldadora, pedreira e grafiteira.

Com previsão de início ainda no mês de março e atendendo todas as regiões da cidade, os cursos são direcionados para mulheres com idade a partir dos 16 anos. Para realizar a inscrição é necessário apresentar RG e CPF. Dependendo da modalidade escolhida a interessada será encaminhada para a efetivação da matrícula no local onde as aulas serão realizadas.

Empreendedorismo e geração de renda

A Ade Sampa, agência vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho oferecerá mentorias e orientações gratuitas para as mulheres que desejam abrir um negócio próprio. Além disso, as empreendedoras poderão se inscrever para as novas turmas dos programas de aceleração Mais Mulheres e Fábrica de Negócios, que impulsionam startups com ideias inovadoras. Palestras e rodas de conversa com foco no empreendedorismo feminino, mercado de trabalho e diversidade também fazem parte da programação.

Os agentes do Mãos e Mentes Paulistanas, programa que promove o artesanato na cidade, estarão no local fazendo o credenciamento desses profissionais e os testes de habilidades com as artesãs pré-credenciadas para a entrada no programa. As munícipes aprovadas no teste poderão participar de feiras e eventos organizados pela Prefeitura de São Paulo, movimentando a economia criativa na capital paulistana.

Segurança Alimentar e Nutricional

O Observatório da Gastronomia, em parceria com a entidade Saladorama, realiza a partir das 12h uma atividade gastronômica que ensina o preparo de uma salada de frutas e legumes rica em vitaminas e nutrientes. Além de promover uma alimentação saudável, a receita pode ser uma alternativa para quem busca gerar renda com a gastronomia e venda de alimentos.

A oficina, ministrada pelo engenheiro Hamilton Santos, um dos idealizadores do Saladorama, fará uso de ingredientes recolhidos nas feiras livres e mercados municipais pelo Programa Municipal de Combate ao Desperdício e à Perda de Alimentos.

Os nutricionistas do CRN3 – Conselho Regional de Nutricionistas também marcam presença no evento dando dicas de alimentação saudável durante todas as fases da vida.

Serviço

  • Evento – Lugar de Mulher é trabalhando onde ela quiser
  • Data: 7 de março, sábado
  • Horário: 9h às 16h
  • Local: Vão Livre do Masp – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
  • Endereço: Avenida Paulista, 1578

*com informações da Prefeitura de sp

Atividades comemoram o Dia Internacional da Mulher

(Valter Campanato/Agência Brasil)

Instituído em 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional da Mulher é comemorado no dia 8 de março em mais de 100 países. A ideia da criação do Dia da Mulher, no entanto, surgiu bem antes, entre o fim do século 19 e o início do século 20, após uma série de acontecimentos e lutas feministas por melhores condições de vida e trabalho e pelo direito de voto, nos Estados Unidos e na Europa.

Este ano, São Paulo programou um mês de atividades, na capital e no interior, para comemorar a data, com eventos em museus, bibliotecas, fábricas de cultura, oficinas culturais e instituições da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado. A SP Escola de Teatro também está com programação especial em homenagem à data.

As comemorações do Dia Internacional da Mulher na capital paulista, que já tiveram início, incluem eventos para todo tipo de público e serão realizadas em diversos locais, cobrindo todo o mês de março.

Atividades esportivas, como a Corrida da Mulher SP, também estão na agenda. A largada será neste domingo (8), às 7h, no Obelisco do Parque Ibirapuera.

Além da atividade esportiva, a programação inclui ações de saúde voltadas ao público feminino e concerto gratuito da Orquestra Jazz Sinfônica, apresentação das cantoras Fafá de Belém, Elba Ramalho, Anavitória, Bebé Salvego, Roberta Sá, Luiza Possi, Paula Lima, Leila Pinheiro e Cláudia Leitte.

Museus

A programação nos museus de São Paulo, intensa e diversificada, tem foco nas lutas e no dia a dia da mulher.

No Museu da Imagem e do Som (MIS), já está em cartaz a mostra Tilda Swinton, que apresentará até domingo (8) filmes em homenagem aos 60 anos da premiada atriz britânica, com destaque para os longas-metragens Suspíria – A Dança do Medo, de Luca Guadagnino, e Expresso do Amanhã, do diretor Bong Joon-hoo.

Uma das atrações do Museu do Futebol para este sábado (7) é a visita educativa As Revoluções e Evoluções da Mulher no Futebol e na Sociedade, às 10h e às 11h. No evento, o público é convidado a refletir sobre os espaços conquistados pelas mulheres na sociedade e no futebol. Às 14h, a atividade Respeita a Moça homenageia atletas e personalidades femininas que se destacaram em vários esportes e testa os conhecimentos dos participantes, instigando-os a descobrir mais sobre elas.



No domingo, às 14h, a ação Mulheres de Ouro desafia os conhecimentos dos visitantes sobre as conquistas das mulheres nos esportes. Também às 14h, o jogo da memória De Frente com o Futebol Feminino vai estimular o raciocínio dos jogadores, que devem descobrir qual atleta seu adversário esconde. 

Na Casa das Rosas, a atração de hoje, às 15h, é o Expresso Poesia, com o stand-up poético, com apresentação de Jarid Arraes, uma das principais representantes da literatura contemporânea, cordelista, poeta e escritora. Domingo, às 15h, a musicista, atriz e produtora cultural Mariana Per lança seu primeiro disco, Salmos, Axés e Aleluias, obra que reúne composições da escritora Conceição Evaristo musicadas por Renato Gama, com estilo dançante.

Também hoje, às 13h30, o Museu da Imigração promove a ação Edit-a-Thon: Mulheres, Arte e Migração na Wikipédia, na qual os participantes conhecerão as ferramentas de edição de artigos da Wikipédia e poderão acessar as coleções da instituição que falam sobre mulheres, arte e migração.

Neste fim de semana, o Museu Catavento resgata, das 9h às 17h, a trajetória de sucesso da primeira investidora financeira do Brasil na contação de história Quem é Eufrásia?. A atividade lembra a trajetória de Eufrásia Teixeira Leite, que já estava no mercado financeiro em 1890. Nascida em 1850, em Vassouras, estado do Rio de Janeiro, Eufrásia operava nas três principais bolsas de Valores do mundo: Londres, Paris e Nova Iorque, além da brasileira.

Domingo, às 11h, o Museu da Casa Brasileira recebe a Traditional Jazz Band para mais uma edição do Música no MCB, em comemoração aos 55 anos da banda, com repertório formado por composições de grandes mestres da origem do jazz, como Fats Waller, King Oliver e Louis Armstrong.



No Paço das Artes, o público pode visitar a exposição Limiares, mostra inédita da artista Regina Silveira, uma das criadoras com maior presença na arte contemporânea brasileira. A exposição conta com obras criadas especialmente para o novo endereço da instituição, como Dobra: Banco de Jardim e Cascata.

Em Campos do Jordão, no Museu Felícia Leirner, hoje e amanhã, às 11h, a ação Escultura Não é Coisa para Mulher vai apresentar uma reflexão sobre o lugar da mulher na sociedade a partir da história da artista Felícia Leirner. No sábado, às 14h, os visitantes vão aprender a moldar e pintar seu próprio pavão na oficina de arte Figureiras de Taubaté.

No município de Brodowski, o Museu Casa de Portinari realiza, na quarta-feira (11), às 19h, a roda de conversa Arte como Agente Transformador, que vai abordar a maneira como as mulheres estão usando a arte para realizar mudanças e conscientizar sobre questões e tópicos relevantes em todo o mundo.

Bibliotecas e fábricas de cultura

Na Biblioteca de São Paulo, nos dias 13 e 27, às 16h30, o projeto Leitura ao Pé do Ouvido convida os frequentadores a escutar trechos de livros que falam de vivências femininas: no dia 13, O Peso do Pássaro Morto, de Aline Bei, e, no dia 27, Um Buraco com Meu Nome, de Jarid Arraes.

A Biblioteca Parque Villa-Lobos promove domingo, às 14h, o Sarau das Mina Tudo!, um slam(poesia falada) de rimas faladas, com participação das premiadas poetas Kimani, Gih Trajano, Thata Alves, Anaya e Midria.

No dia 21, a Fábrica de Cultura Jaçanã promove o festival Mulher Artista Fest, das 12h30 às 18h30. A programação inclui: Diálogos de MulherMuito Mais Que Pinta e Bordalivepaint e bate-papo com artistas plásticas, grafiteiras e artesãs e Música Por Elas, com Guiomar Araújo e DaviDariloco, Lenny Fyah e MaySistah, Kaylane PCD, Kakau França, União Rastafeat Denise d’ Paula, DJ Naná Roots, Gabi Nyarai, Abigail e Pagu.

Na Fábrica de Cultura Jardim São Luís, será exibido na próxima sexta-feira (13), às 14h30, o documentário Mulheres Periféricas – Apoiadas por Mais de 500 Mil Manas, que aborda vivências de mulheres da periferia de São Paulo. 

Na terça-feira (10) , a Fábrica de Cultura Vila Curuçá promove a contação de histórias A Moça Tecelã e convida o público a conhecer a publicação, que apresenta trabalhos de outras artesãs, como as irmãs Dumont, que transformaram em fios artesanais os desenhos de Demóstenes.

A Fábrica de Cultura Itaim Paulista realiza hoje, às 11h, a atividade literária Mulheres Incríveis, baseada no livro 50 Brasileiras Incríveis para Conhecer Antes de Crescer, de Débora Thomé. A ação propõe que os participantes desenhem como imaginam que sejam as mulheres retratadas na obra.

Na Fábrica de Cultura Parque Belém, terça-feira, às 16h, será realizado o encontro de leitores Mulheres na Dramaturgia, que apresentará a produção de dramaturgas brasileiras contemporâneas como Dione Carlos, Ave Terrena, Silvia Gomez, Ângela Ribeiro, Carla Kinzo, Drika Nery, Solange Dias e Maria Adelaide Amaral.

Oficinas e teatro

Neste sábado, a Oficina Cultural Alfredo Volpi apresenta, às 15h, o Bloco Desculpa Qualquer Coisa, que exalta o protagonismo das mulheres LBT (lésbicas, bissexuais e transexuais) por meio da música. Às 16h, o Samba das Pretas aborda em seu repertório os problemas que as mulheres negras enfrentam no dia a dia.

E, na SP Escola de Teatro, pode ser visitada, até o dia 23 deste mês, a Mostra de Teatro de Objetos: Poéticas do Feminino. A atividade, que foi aberta no último dia 4, inclui debates, aula-espetáculo e montagens teatrais nas quais objetos são transformados em atrizes e atores, na Unidade Roosevelt da instituição. Todas as histórias apresentadas no evento abordam questões relacionadas ao feminino.

Por Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil 

10 mulheres que movimentam mais de meio bilhão de reais

Nos últimos anos, a presença das mulheres no mundo empresarial tem sido fortalecida. São muitos os casos de pessoas do sexo feminino que criam seus próprios negócios ou possuem cargos de chefia em uma empresa. Segundo o Panorama dos Pequenos Negócios de 2018 do Sebrae, 1/3 das empresas no Brasil é tocado por mulheres.

Comemorado no dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é uma data marcada para lembrar as conquistas das mulheres ao longo das décadas. Abaixo, conheça 13 negócios tocados por mulheres que movimentam mais de meio bilhão de reais da economia brasileira.

Gela Boca

(Divulgação)

Após 30 anos trabalhando como fotógrafa, Denise Boleta percebeu a saturação da área devido a entrada da fotografia digital e decidiu mudar de ares. A ideia de montar o próprio negócio brilhou seus olhos, e em sociedade com o marido e a filha, João Moreira e Amanda Moreira, a família encontrou no franchising a segurança necessária para dar o primeiro passo.  Devido ao caráter familiar, o trio enxergou na rede de franquias de sorvetes Gela Boca, atrativos suficientes para comprar uma unidade. Em dezembro de 2016, inauguraram em Londrina sua primeira loja.  A parceria deu certo, e em menos de dois anos abriram mais duas lojas, uma em Ibiporã e outra também em Londrina. Com três unidades no Paraná, em 2018, a empreendedora teve um faturamento de R$ 1 milhão. Fundada em 2000, na cidade de Maringá, interior do Paraná, a Gela Boca é uma rede de franquias de sorvete que ganhou o coração dos paranaenses devido a atender públicos variados, possuindo picolés com um valor abaixo de dois reais e também produtos para um consumidor mais seleto, como a taça de sorvete de nutella com morango, com um valor a partir de R$ 26.

Mil e Uma Sapatilhas

(Divulgação)

Com dívidas acumuladas, a fonoaudióloga Renata Marcolino precisou recorrer a outra alternativa de renda com o propósito de auxiliar o marido em um momento de dificuldade financeira. A então funcionaria pública decidiu apostar no comércio de sapatilhas populares para saldar a dívida da família. A criação do negócio começou com as revendas dos calçados dentro do porta mala do carro da fonoaudióloga que usava o veículo para ir até as casas de suas clientes. Após a experiência, Renata continuou com a revenda durante dois meses e comercializou mais de mil pares de sapatilhas. A partir disso, a funcionária pública apostou em montar um espaço físico. A inauguração aconteceu em 2015 no Tatuapé e 13 revendedoras faziam parte do time da marca. Durante o primeiro dia da loja, foram comercializados 500 pares de calçados. O sucesso foi enorme e fez a empresária buscar um fornecedor próprio para abastecer o estabelecimento. Nascia ali, a Mil e Uma Sapatilhas, marca que comercializa calçados no varejo e que possui mais de 140 unidades. Somente em 2018, o negócio faturou R$ 40 milhões e abriu uma fábrica própria.

The Shaky

Camila Nakamura Félix Pereira e Vitor Girao Rodrigues, proprietários da The Shaky, durante fotos na loja franquiada da cidade de Birigui, no estado de São Paulo. Fotos: Léo Barrilari/TheShaky

A advogada Camila Felix atuava em um fórum na cidade de Lins, interior de São Paulo, porém a profissional não se sentia realizada em sua área de atuação. Logo, a ideia de ser dona do seu próprio negócio passou pela cabeça da funcionária pública. A procura por um investimento que lhe agradasse durou aproximadamente um ano e ao observar o comércio da sua cidade natal notou que só existiam sorveteiras tradicionais, sem atrativos para os habitantes. A partir disso, a advogada criou a The Shaky, marca de milk shakes criativos que trouxe para o mercado como novidade o Shakup, um petit gateau na caneca, criado especialmente para o inverno. Mas antes de chegar ao sucesso, Camila precisou de um empurrãozinho da sua família, especialmente de sua avó. O primeiro estabelecimento do negócio foi montado em um espaço de 30 m² cedido pela a matriarca. Com o sucesso, o espaço comercial passou a ter 70 m² e se tornou ponto de encontro para os linenses. Em 2018, o negócio faturou R$ 3 milhões.

Depyl Action

Danyelle Van Straten, da Depyl Action (Vinny Andrade/Divulgação)

Danyelle Van Straten é o nome por trás da Depyl Action, franquia especializada em depilação e estética do pelo. A rede nasceu a partir de um negócio familiar iniciado na década de 1980. No começo, os pais de Danyelle produziam e vendiam cera para depilação em feiras. Elas também desenvolveram um método exclusivo de depilação que, em 1996, ganhou a primeira loja. A franquia se desenvolveu e, após 22 anos, mantém a expansão da rede em unidades e também em faturamento, que cresceu quase 5% em 2018, totalizando R$ 117 milhões. Com 107 unidades no Brasil e duas na Venezuela, a Depyl Action oferece depilação com cera morna, luz pulsada, design de sobrancelhas, extensão de cílios, coloração de cílios e da região íntima, além do serviço de aparo de pelos e coloração de barba.

Com 22 anos de mercado, a rede atende por mês quase 150 mil homens e mulheres.

Vazoli

(Divulgação)

Sibele Vaz de Lima comanda a Vazoli, empresa que nasceu em setembro de 2008, na cidade de Severínia, interior de São Paulo, e movimentou R$ 400 milhões ano passado. Ela atuava com a comercialização de seguros em um grande banco quando foi demitida. Grávida e desempregada, fundou a rede que entrou para o mercado de franquias em 2011, recebeu por cinco anos consecutivos o selo de excelência pela Associação Brasileira de Franchising (ABF). Com unidades por 20 estados brasileiros, a empresa tem como meta fechar o ano de 2019 com mais de 120 unidades.  

Mercadão dos Óculos

(Divulgação)

Em 1993, quando tinha 22 anos, Aline Monteiro de Barros Bignardi faliu uma ótica familiar, fundada em 1969 em Bebedouro (SP). Mudou de ramo. Formada em Letras/Inglês, se dedicou exclusivamente à carreira de professora. Depois de oito anos, voltou para o ramo óptico em sociedade com o irmão, mas acabou perdendo todo o investimento. Em 2016, aos 45 anos, veio a virada de vida. Já morando em Florianópolis (SC), Aline conheceu o Mercadão dos Óculos e viu ali a oportunidade de empreender pela terceira vez. Logo no primeiro ano faturou mais de R$ 2 milhões. O sucesso foi tão grande que, um ano depois da inauguração da primeira loja, já estava iniciando com a segunda, em 2017. Atualmente, com as duas unidades, a empresária fatura quase R$ 5 milhões e tem planos para abrir a terceira. Em toda rede com mais de 250 unidades, é a dona do primeiro e segundo maior faturamento.

UpVet

Aos 30 anos, a farmacêutica Patrícia Corazza largou o mestrado e mudou o rumo de sua carreira para ir atrás do seu sonho: ter o nome em medicamentos. A empresária inovou ao fugir de farmácias convencionais e abrir a UpVet, farmácia de manipulação pet, junto com o marido. Depois de um ano de estudo, a empresa abriu as portas em março de 2007 e se tornou uma franquia quatro anos depois. Hoje a UpVet possui 19 unidades pelo país e faturou R$ 12 milhões no ano passado.

Urban Arts

Aos 29 anos, Paula Multedo deixou a direção de arte da Globo para empreender. Filha de artista plástica e economista, a design de interiores sonhava em unir as duas coisas. Então, em 2007, Paula decidiu apostar na Urban Arts, maior rede de galerias de arte do país. Hoje ela possui três unidades da marca na cidade do Rio de Janeiro e emprega 36 funcionários. Em 2018, as três galerias faturaram juntas mais de R$ 7,2 milhões.

Oligoflora

Claudia Torquato, da OligoFlora (Léo Barrilari/Divulgação)

Cláudia Torquato comanda a OligoFlora, única rede de clínicas do Brasil que oferece serviços de estética que não utilizam procedimento invasivo (injeções, incisões, medicamentos) e possui 32 unidades pelo país, a marca faturou em 2018 R$ 14 milhões. Fundada em 1999, a empresa passou por uma crise após Iram, marido de Cláudia, ser diagnosticado com câncer no rim. Mesmo pensando em encerrar as atividades, Claudia recebeu apoio fundamental da família para dar continuidade no trabalho construído ao longo de 15 anos. Iram se recuperou e a rede voltou a crescer, expandido para o Brasil por meio franqueados e licenciados. A rede, composta exclusivamente por profissionais ligados à área da saúde, é pioneira em estética In & Out, que cuida do corpo e da saúde de forma simultânea. O negócio é voltado para cidades com mais de 100 mil habitantes. A perspectiva para 2019 é abrir 30 unidades e faturar R$ 35 milhões.

Empório de Coisas de Minas

A mineira Lilian Teodoro, nascida em Muzambinho, foi para São Paulo fazer estágio no curso de Farmácia. No bairro da Mooca conheceu o marido, teve dois filhos e abdicou da profissão. Entre idas e vindas (Muzambinho e São Paulo), trazia para os amigos da capital paulista produtos da cidade mineira, como café, pamonha, queijos, cachaça. Os presentes faziam o maior sucesso, foi quando percebeu que havia uma pouca oferta desses produtos em São Paulo. Decidiu empreender e abriu um pequeno empório de 25 m² chamado de Empório de Coisas de Minas. Começou oferecer café coado na mesa e, por conta das filas, teve de mudar a loja para um espaço maior. As filas continuaram. Ampliou as opções do cardápio e abriu outro espaço no piso superior. Hoje a rede conta com quatro unidades e faturou R$ 1,5 milhão no ano passado. Para este ano a previsão é de abrir entre cinco e dez unidades e atingir um faturamento de R$ 3 milhões.

Bolsa toca campainha em defesa da igualdade de gênero

Por Fernanda Cruz

Da esquerda para direita: Gilson Finkelsztain, Presidente da B3; Denise Pavarina, membro do conselho de administração da B3; Denise Hills, Presidente da Rede Brasil do Pacto Global e superintendente de Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú; Adriana Carvalho, gerente da ONU Mulheres para os Princípios de Empoderamento das Mulheres; Hector Gomez Ang, gerente geral da IFC para o Brasil; Cécile Mérle, primeira secretária da delegação da União Europeia no Brasil; Ana Carolina Querino, representante da ONU Mulheres; Sergio Rial, CEO do Santander; Sergio Wilson Ferraz Fontes, Diretor-Presidente da Fundação Real Grandeza; e Denise Hills, Presidente do Board da Rede Brasil do Pacto Global e Chief Sustainability Advisor do Itaú Unibanco (B3/Reprodução)

A B3 promoveu hoje (8), Dia Internacional da Mulher, o toque de campainha pela igualdade de gênero. A iniciativa ocorre simultaneamente em 89 outras bolsas de valores ao redor do mundo, e tem o apoio da Organização das Nações Unidas Mulheres (ONU Mulheres). O objetivo do evento, realizado pelo quinto ano no Brasil, é chamar a atenção para equidade de gênero no mercado financeiro e no setor empresarial.

Ana Carolina Querino, representante da ONU Mulheres no Brasil, lembrou que o país ocupa o terceiro lugar no mundo em número de empresas signatárias dos princípios de igualdade de gênero da entidade. O projeto teve início em 2010 e obteve adesão de cerca de 200 empresas brasileiras, sendo que a meta é chegar a 600. No mercado financeiro, o número de mulheres investidoras brasileiras praticamente dobrou nos últimos dez anos.

Apesar dessa melhora, os indicadores nacionais e mundiais ainda apontam grande desigualdade entre os gêneros. Apenas 5% de CEOs (diretor executivo) das principais empresas mundiais são mulheres; 15% dos conselhos de administração dessas empresas têm mulheres e 4% do setor privado conta com mulheres na presidência. Um relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que os países precisam de, no mínimo, 200 anos para o fim da igualdade de gênero.

“Grandes mudanças são feitas a partir do engajamento de todos. Essas ações [em prol do empoderamento feminino] representam o limiar de um futuro em que todas as mulheres sejam tratadas com igualdade, sejam elas negras, indígenas, com deficiência”, disse Ana Carolina.

No Brasil, estudos mostram que 10% dos cargos na diretoria executiva das empresas são ocupados por mulheres, índice inferior à média mundial, que é de 16%. A representante da ONU Mulheres destaca que aquelas organizações que dão espaço para o trabalho feminino em seus conselhos administrativos, por sua vez, têm retorno financeiro 3,7% maior por ano.

Compromissos públicos

Denise Hills, presidente do Pacto Global, no Brasil, iniciativa da ONU, lembra da importância dos compromissos públicos assumidos pelas empresas, que tem como meta garantir que todos os participantes da rede assinem esses acordos até o final do ano. “O pacto tem como objetivo ampliar a participação das mulheres no mercado de trabalho. É importante que empresas que já estão a frente [na igualdade de gênero] consigam mostrar que isso é uma realidade, que a presença delas gera mais retorno, mais do que as estatísticas provam”, disse.

A Corporação Financeira Internacional, do Grupo Banco Mundial, também tem planos de ação em prol das mulheres. Hector Gomez Hang, representante da instituição, afirma que espera dos acionistas que tenham ao menos metade de seus conselhos de administração com membros do sexo feminino. Um dos incentivos do banco é a linha de financiamento, no valor de 2,6 bilhões de dólares por ano, voltado para as empresas comandadas por mulheres.

Europa

Segundo Cécile Merle, primeira secretária da Delegação da União Europeia no Brasil, disse que os países europeus seguem, desde 2015, diretrizes de longo prazo com foco no fim das disparidades salariais entre os sexos. “As europeias ganham 16,2% a menos por hora em trabalhos iguais aos homens, e apenas um quarto dos autos cargos diretivos das empresas europeias são assumidos por mulheres”, disse, acrescentando que “o empoderamento das mulheres na economia não é apenas dever moral, mas justiça social e riqueza para sociedade”

Homenagem ao Dia da Mulher

 

Foto: Alessandra Andrade/SP AGORA

Por Alessandra Andrade

Cada mulher tem um movimento, uma cor e um brilho.

E tudo isso está registrado em suas expressões: linhas desenhadas pelo tempo.

Não é preciso ser um especialista para perceber a intensidade, a maneira como elas viveram e vivem.

Em suas prosas jogadas ao vento, elas compartilham as suas experiências, conquistas, aventuras, pileques, chiliques, risadas, danças, medos e gritos.

Entre uma história e outra, uma pausa. Um desabafo. As lágrimas costumam ser contidas, mas quando não, o lenço de papel consola e afaga as lembranças.

Elas percebem, cada uma em sua essência, os roteiros que traçaram aceitando tudo o que ouviam, e por diversas vezes desrespeitando os seus princípios. Mas isso foi há muito tempo.

Com tantas mudanças, a mulher brasileira superou diversos desafios. Conquistou o direito de voto, participou nas lutas pela democracia, ganhou espaço nos jogos olímpicos e muitas outras vitórias.

Intensas e apaixonadas pelo que fazem são essas mulheres, que por meio de pequenas ações transformam vidas a cada geração.

Parabéns Mulher!

Mensagens das Internautas para as Mulheres: