Oseney sendo transferido. Ele é retirado da parte de trás da viatura por dois agentes. Está algemado e usando máscara.

Acusados de matar Bruno e Dom são transferidos

A Polícia Federal (PF) realizou na tarde deste sábado, 23, a transferência dos acusados da morte de Dominic Mark Phillips, o Dom Phillips, e Bruno da Cunha Araújo Pereira, da carceragem de Atalaia do Norte para Manaus. Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos”, foi levado até a carceragem da PF, enquanto Jefferson da Silva Lima, o “Pelado da Dinha”, foi transferido para a Central de Recebimento e Triagem (CRT), onde aguarda uma decisão da Justiça para saber em qual presídio será alocado.

A transferência dos acusados à capital ocorre duas semanas após Ruben Dario da Silva Vilar, conhecido como “Colômbia”, e Amarildo da Costa Oliveira, irmão de Oseney, também terem sido transferidos. Segundo a Justiça Federal, a medida foi necessária por conta do risco de invasão à delegacia de Atalaia do Norte.

Oseney sendo transferido. Ele é retirado da parte de trás da viatura por dois agentes. Está algemado e usando máscara.
Oseney foi transferido para a carceragem da Polícia Federal, em Manaus (Bruno Pacheco/Agência Amazônia)

Escoltado por policiais, Oseney chegou em silêncio à sede da Polícia Federal, em Manaus, e não respondeu aos questionamentos da imprensa. Na quinta-feira, 21, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra Oseney, Jefferson e Amarildo, que se tornaram réus após a Justiça Federal receber a denúncia.

O documento traz relatos dos acusados sobre como praticaram o crime e informações adicionais de testemunhas, além de prints de conversas por Whatsapp. Oseney continua negando ter participado do crime, apesar das confissões de Amarildo e Jefferson e depoimentos de testemunhas colocarem ele na cena do crime.

Já o “Colômbia” segue sendo investigado se teve participação no crime. Ele foi preso por falsificação de documentos, após a Polícia Federal encontrar, pelo menos, três documentos com nomes e nacionalidades diferentes.

Na sexta-feira, 22, durante busca e apreensão na residência de “Colômbia”, foram encontrados mais documentos falsos, dentre eles, um Registro Administrativo de Nascimento de Índio (Rani), onde o investigado afirma ter nascido na Comunidade Indígena Boa Vista, Terra Indígena Boa Vista, tribo indígena Kokama.

Para o coordenador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliezio Marubo, apesar das prisões e das confissões, a peça mais importante do quebra-cabeça ainda falta ser identificada: o mandante.

“A Univaja entende que o momento anterior, justamente, o tempo do inquérito policial, deixou de considerar algumas informações que são de suma relevância. A autoridade policial não indicou, até hoje, quem é de fato o mandante. Nós entendemos que há um mandante e que as informações colhidas, preliminarmente, e fornecidas para a autoridade policial, dão conta da existência de um mandante”, declarou.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.

Bruno e Dom: MPF denuncia três pelo assassinato

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado; Oseney da Costa de Oliveira e Jefferson da Silva Lima por duplo homicídio qualificado por motivo fútil e ocultação dos corpos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, assassinados no Vale do Javari (AM), no início de junho deste ano.

A denúncia foi apresentada nessa quinta-feira (21) à Subseção Judiciária Federal de Tabatinga (AM), onde o processo tramita.

Segundo os cinco procuradores da República que cuidam do caso, Pelado e Lima confessaram ter participado do crime, enquanto o envolvimento de Oliveira foi caracterizado a partir dos depoimentos de testemunhas. Além disso, os procuradores anexaram à denúncia cópias de mensagens que os réus trocaram entre si.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.
Bruno Pereira e Dom Phillips (Reprodução)

De acordo com o MPF, já havia registro de desentendimentos anteriores entre o ex-servidor da Fundação Nacional do Índio (Funai), Bruno Pereira, e Pelado, que é suspeito de envolvimento com a pesca ilegal na região. Os procuradores afirmam que Bruno e Dom foram emboscados e mortos depois que Bruno pediu a Dom que fotografasse o barco dos acusados, de forma a atestar a prática de pesca ilegal.

Ainda segundo o MPF, Bruno foi morto com três tiros – um deles pelas costas. Já Dom foi assassinado apenas por estar junto com Bruno no momento do crime

Entenda o caso

Bruno e Phillips foram emboscados e mortos no dia 5 de junho, quando viajavam, de barco, pela região do Vale do Javari. Localizada próxima à fronteira brasileira com o Peru e a Colômbia, a região abriga a Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares (cada hectare corresponde, aproximadamente, a um campo de futebol oficial). A área também abriga o maior número de indígenas isolados ou de contato recente do mundo.

A dupla foi vista pela última vez enquanto se deslocava da comunidade São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), onde se reuniria com lideranças indígenas e de comunidades ribeirinhas. Seus corpos foram resgatados dez dias depois. Eles estavam enterrados em uma área de mata fechada, a cerca de 3 quilômetros da calha do Rio Itacoaí.

Colaborador do jornal britânico The Guardian, Dom se dedicava a cobertura jornalística ambiental – incluindo conflitos fundiários e a situação dos povos indígenas – e preparava um livro sobre a Amazônia.

Já Pereira ocupou a coordenação-geral de índios isolados e recém contatados da Funai, antes de se licenciar da fundação, sem vencimentos, e passar a trabalhar para a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Por sua atuação em defesa das comunidades indígenas e da preservação do meio ambiente, recebeu diversas ameaças de morte.

Em 19 de junho, a PF informou que ao menos oito pessoas já estavam sendo investigadas por possível participação no duplo assassinato e na ocultação dos cadáveres. Entre elas, Pelado, Lima e Oliveira.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.

Suspeito de mandar matar Dom e Bruno é preso

Um homem suspeito de ser mandante dos assassinatos do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips foi preso nesta quinta-feira (08/07) pela Polícia Federal em Tabatinga, no estado do Amazonas. O peruano Rubens Villar Coelho, conhecido como Colômbia, foi detido por uso de documento falso, e nega envolvimento na morte de ambos.

Conforme informações divulgadas pela Rede Globo, o suspeito foi até a sede da Polícia Federal em Tabatinga na tarde desta quinta-feira para declarar que não teria envolvimento nas mortes de Bruno e Dom. A cidade de Tabatinga fica próxima de Atalaia do Norte, para onde Bruno e Dom viajavam a partir da comunidade de São Rafael quando foram mortos.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.
Bruno Pereira e Dom Phillips (Reprodução)

Ao chegar à delegacia e se identificar, Colômbia foi detido porque teria apresentado um documento falso. Ele estaria portando outros dois documentos falsos – um brasileiro e um colombiano. A pena para esse tipo de crime é de seis anos de detenção e ele não cabe soltura por pagamento de fiança.

Ele já era investigado por suspeita de tráfico e de envolvimento com a pesca ilegal na região do Vale do Javari, terra indígena da qual parte do território integra a cidade de Atalaia do Norte. 

Até o momento, três suspeitos estão presos pela morte do indigenista e do jornalista. A PF suspeita que os irmãos Amarildo e Oseney da Costa de Oliveira, além de Jeferson da Silva Lima e outras cinco pessoas já indiciadas, seriam empregados de Colômbia na região.

Assassinato de Phillips e Pereira

Phillips, de 57 anos, e Pereira, de 41, desapareceram em 5 de junho numa região remota da Amazônia, onde avançaram nos últimos anos a mineração, a pesca e a extração de madeira ilegais, bem como o tráfico de drogas. Dez dias depois, um pescador, Amarildo da Costa de Oliveira, suspeito de participar do crime, confessou os assassinatos e indicou onde estavam os corpos das vítimas, que teriam sido mortas a tiros, depois esquartejadas, queimadas e enterradas.

No entanto, as investigações sobre o caso continuam, incluindo a busca pelo real motivo, as circunstâncias dos homicídios, se houve algum mandante, além de mais pessoas envolvidas.

A União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que deu início às buscas pela dupla no mesmo dia em que Phillips e Pereira foram vistos com vida pela última vez, classificou os assassinatos de “crime político” e alertou que os suspeitos presos pelos assassinatos “fazem parte de um grupo maior”.

Phillips estava na região recolhendo material para um livro que escrevia sobre preservação da Amazônia. Já Pereira, atualmente licenciado, era um dos funcionários mais experientes da Funai em atuação no Vale do Javari. Ele supervisionou o escritório regional da entidade e a coordenação de grupos indígenas isolados antes de sair de licença.

Falas de Bolsonaro são criticadas

Durante as buscas, o presidente Jair Bolsonaro fez uma série de declarações que provocaram repúdio de ativistas de direitos humanos e organizações que representam jornalistas.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), por exemplo, repudiou as declarações de Bolsonaro sobre o caso afirmando que “lamentavelmente autoridades governamentais sugeriram que as próprias vítimas eram responsáveis pela tragédia.”

Em sua primeira declaração sobre o caso, Bolsonaro afirmou que Bruno Pereira e Dom Phillps sabiam dos riscos existentes na região e chamou de “aventura não recomendável” o trabalho que as vítimas faziam. Ele também afirmou que o jornalista britânico era “malvisto na região” e disse que ele deveria ter segurança redobrada na “excursão” que fazia.

Nesta quinta-feira, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução condenando “veementemente” tanto os assassinatos da dupla quanto a “violência crescente” no Brasil contra ativistas de direitos humanos e do meio ambiente, povos indígenas, minorias e jornalistas.

Na mesma votação, os eurodeputados também condenaram a “retórica agressiva” e “declarações intimidadoras” de Bolsonaro.

A Anistia Internacional afirmou que os comentários de Bolsonaro sobre o caso foram “cruéis e insensíveis”.

gb/bl (ots)

Caixão com foto de Bruno é velado enquanto indígenas formam círculo ao redor

Corpo de Bruno Pereira é velado no Nordeste

O corpo do ex-coordenador-geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Fundação Nacional do Índio (Funai), Bruno Araújo Pereira, está sendo velado hoje (24), em Paulista, na região metropolitana do Recife (PE).

Aberto ao público, o velório começou perto das 9h. O corpo do indigenista pernambucano será cremado durante uma cerimônia agendada para as 15 horas de hoje e limitada a parentes e poucos amigos.

Fechado, o caixão contendo o corpo de Bruno foi coberto com as bandeiras de Pernambuco; do Sport, time de futebol para o qual ele torcia e por uma foto de Bruno. Além de familiares e amigos, representantes de movimentos sociais e indígenas prestam as homenagens ao ex-servidor da Funai, assassinado no início do mês, no Vale do Javari, na Amazônia.

Caixão com foto de Bruno é velado enquanto indígenas formam círculo ao redor
(Marlon Costa/Pernambuco Press/via Agência Amazônia)

Um grupo de índios da etnia Xukuru, de Pesqueira (PE), viajou cerca de 200 quilômetros para prestar um tributo a Bruno. Entre cânticos e discursos em defesa dos povos indígenas e do meio ambiente, os xukurus declararam Bruno como um “ser encantado”, protetor da causa indígena.

Condolências

Até as 10h, um espaço no site do Cemitério e Crematório Morada da Paz, destinado a publicações de homenagens e orações, já tinha recebido 350 mensagens destacando a dedicação de Bruno à proteção dos povos indígenas e da Amazônia e prestando condolências à família.

Bruno e o jornalista britânico Dom Phillips foram emboscados e mortos no início do mês, quando viajavam, de barco, pela região do Vale do Javari. Localizada próxima à fronteira brasileira com o Peru e a Colômbia, a região abriga a Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares (cada hectare corresponde, aproximadamente, a um campo de futebol oficial). A área também abriga o maior número de indígenas isolados ou de contato recente do mundo.

Bruno e Dom foram vistos pela última vez no dia 5 de junho, enquanto se deslocavam da comunidade ribeirinha de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), onde se reuniria com lideranças indígenas e comunidades ribeirinhas. Seus corpos só foram resgatados dez dias depois. Eles estavam enterrados em uma área de mata fechada, a cerca de três quilômetros da calha do Rio Itacoaí.

Polícia Federal (PF) concluiu os exames periciais nos remanescentes humanos nesta quarta-feira (22). Assim, os corpos de Bruno e Dom foram entregues às famílias ontem (23).

Em Niterói

Dom Phillips posa para foto com a floresta amazônica ao fundo.
Dom Phillips, jornalista (Reprodução)

O jornalista Dom Phillips será velado em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, e seu funeral está marcado para domingo (26), a partir das 9h. Colaborador do jornal britânico The Guardian, Dom fazia a cobertura jornalística ambiental, incluindo os conflitos fundiários e a situação dos povos indígenas, e preparava um livro sobre a Amazônia.

Oito pessoas estão sendo investigadas por possível participação no duplo assassinato e na ocultação dos cadáveres. Três dos suspeitos estão presos e cinco foram identificados por terem participado da ocultação dos cadáveres. Os presos são Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, Jefferson da Silva Lima e Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.

Dom e Bruno: PF identifica mais cinco suspeitos

A Polícia Federal (PF) afirmou neste domingo (19/07) ter identificado mais cinco suspeitos de terem participado do assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia.

Além dos cinco novos suspeitos, três pessoas já foram presas até o momento em conexão com as investigações. O primeiro foi o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, que confessou ter cometido o crime e acompanhou agentes até o local onde os corpos foram encontrados. Também foram presos o seu irmão, Oseney de Oliveira, conhecido como Dos Santos, e Jeferson da Silva Lima, conhecido como Pelado da Dinha. Todos tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada pela Justiça do Amazonas.

A Polícia Civil de Atalaia do Norte, cidade ribeirinha onde Pereira e Phillips iniciaram sua última viagem pela Amazônia, afirmou que os cinco novos suspeitos são investigados pelo suposto envolvimento no transporte e ocultação dos corpos no dia seguinte ao assassinato.

Em um comunicado, a PF disse que as investigações continuam, com o objetivo de “esclarecer todas as circunstâncias, os motivos e os envolvidos no caso”. Seguem as buscas pelo barco que era utilizado por Pereira e Phillips, que teria sido afundado por Amarildo da Costa Oliveira após o crime.

Uma autoridade policial afirmou ao jornal inglês The Guardian que considera as investigações “90% completas”, e que os cinco novos suspeitos eram parentes dos dois irmãos presos.

Neste domingo, servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) anunciaram que pretendem iniciar uma greve na próxima quinta-feira, pela responsabilização de todos os culpados pelos assassinatos e pela saída imediata do presidente da Funai, Marcelo Augusto Xavier da Silva, que segundo a associação de servidores INA (Indigenistas Associados) estaria “promovendo uma gestão anti-indígena e anti-indigenista na instituição”.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.
Bruno Pereira e Dom Phillips (Reprodução)

Também neste domingo, o procurador-geral da República, Augusto Aras, viajou para Tabatinga, no Amazonas, para acompanhar os desdobramentos do caso. Os procuradores lotados naquela unidade são responsáveis pela área de Atalaia do Norte e região.

Corpos identificados

No sábado, a PF informou ter identificado o corpo de Pereira, por meio de exame da arcada dentária por peritos do Instituto Nacional de Criminalística em Brasília. Os restos mortais do jornalista britânico Dom Phillips já haviam sido identificados na sexta-feira, também por meio de exame da arcada dentária.

Em nota, a PF afirmou que Pereira e Phillips foram mortos a tiros. O indigenista foi atingido três vezes, na cabeça e no tórax, e o jornalista uma vez, no tórax. Em ambos os casos, foi utilizada munição típica de caça, segundo a PF.

A morte de Pereira “foi causada por traumatismo toracoabdominal e craniano por disparos de arma de fogo com munição típica de caça, com múltiplos balins, que ocasionaram lesões sediadas no tórax/abdômen (2 tiros) e face/crânio (1 tiro)”, e a morte de Phillips “foi causada por traumatismo toracoabdominal por disparo de arma de fogo com munição típica de caça, com múltiplos balins, ocasionando lesões principalmente sediadas na região abdominal e torácica (1 tiro)”, informou a PF.

Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como pelado, em barco com dois policiais. Ele aparece com as mãos para trás.
Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como ‘Pelado’ (Reprodução)

A corporação afirmou que os peritos do Instituto Nacional de Criminalística farão nos próximos dias novos exames “de Genética Forense, Antropologia Forense e métodos complementares de Medicina Legal, para identificação completa dos remanescentes e compreensão da dinâmica dos eventos”. A polícia apura se o crime está ligado à pesca ilegal e ao tráfico de drogas na região.

Investigação

Na sexta-feira, a PF informou que a investigação sobre os assassinatos não encontrou indícios de ter havido um mandante ou organização criminosa por trás das mortes, mas que as diligências continuavam.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) discordou da conclusão da PF. Segundo a entidade, foram repassadas à polícia informações sobre organizações criminosas que estariam atuando na região e que poderiam estar ligadas às mortes. No documento, a Univaja solicita que as investigações continuem e que nenhuma hipótese seja descartada.

“Exigimos a continuidade e o aprofundamento das investigações. Exigimos que a PF considere as informações qualificadas que já repassamos a eles em nossos ofícios. Só assim teremos a oportunidade de viver em paz novamente em nosso território, o Vale do Javari”, afirmou a entidade.

Bruno Pereira fazia parte da Univaja e, segundo a entidade, era alvo de ameaças constantes de madeireiros, garimpeiros e pescadores da região.

Dom Phillips e Bruno Pereira foram vistos pela última vez em 5 de junho, enquanto viajavam pelo Vale do Javari, uma região remota do estado do Amazonas palco de conflitos entre indígenas e invasores de terras. 

Phillips e Pereira

Jornalista veterano e colaborador do The Guardian, Phillips tinha 57 anos e vivia no Brasil há 15 anos. Ao longo da sua carreira, ele também escreveu para vários outros veículos internacionais, incluindo Financial TimesNew York Times e Washington Post, além de ter produzido reportagens para o serviço em inglês da Deutsche Welle (DW).

Antes de desaparecer, Phillips trabalhava num livro sobre preservação da Amazônia, com apoio da Fundação Alicia Patterson, que lhe concedeu uma bolsa de um ano para reportagens ambientais, que durou até janeiro. Phillips deixa uma viúva, Alessandra, que nos últimos dias divulgou diversos apelos para que as autoridades se empenhassem mais pela busca dos desaparecidos.

Pereira era considerado por organizações ambientais e indígenas um dos funcionários mais experientes da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atuava na região do Vale do Javari. Em 2018, ele se tornou o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém Contatados da Funai, mas acabou exonerado do cargo em outubro de 2019, após pressão de setores ruralistas.

bl (ots)

Agentes federais e peritos no meio da floresta analisam marcas no chão coberto por folhas secas.

Embarcação de Dom e Bruno ainda não foi encontrada

O comitê de crise, coordenado pela Polícia Federal do Amazonas, que atua nas buscas pelo indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, informou na noite desta quinta-feira (16) que a embarcação que estava sendo utilizada pela dupla ainda não foi encontrada.

Em comunicado à imprensa, o comitê afirma que a embarcação não foi localizada “apesar de exaustivas buscas realizadas nesta data no perímetro apontado por Amarildo da Costa Oliveira, vulgo ‘Pelado’”.

Segundo a nota, das amostras coletadas no barco do suspeito foi obtido um perfil genético completo, de indivíduo do sexo masculino. “Confrontando-o com os perfis genéticos de referência dos desaparecidos, o Instituto Nacional de Criminalística excluiu a possibilidade desse vestígio ser proveniente de Dom Phillips. A possibilidade de ser originada de Bruno restou inconclusiva, sendo necessária a realização de exames complementares”, afirma o documento.

O avião da Polícia Federal que transportou os remanescentes humanos encontrados durante as buscas pousou, por volta das 18h30, no Aeroporto de Brasília. O material foi levado para o Instituto Nacional de Criminalística, onde já começou a ser periciado para confirmação da identidade. A previsão da PF é que a perícia seja concluída na próxima semana. 

O caso

O indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, correspondente do jornal The Guardian no Brasil estavam desaparecidos desde 5 de junho, na região do Vale do Javari, no oeste do Amazonas.

De acordo com a coordenação da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Bruno Pereira e Dom Phillips chegaram na sexta-feira (3) no Lago do Jaburu, nas proximidades do rio Ituí, para que o jornalista visitasse o local e fizesse entrevistas com indígenas.

Segundo a Unijava, no domingo (5), os dois deveriam retornar para a cidade de Atalaia do Norte, após parada na comunidade São Rafael, para que o indigenista fizesse uma reunião com uma pessoa da comunidade apelidado de Churrasco. No mesmo dia, uma equipe de busca da Unijava saiu de Atalaia do Norte em busca de Bruno e Dom, mas não os encontrou e eles foram dados como desaparecidos.

Agentes federais e peritos no meio da floresta analisam marcas no chão coberto por folhas secas.

Buscas por desaparecidos continuam no Amazonas

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, disse hoje (14) que a área onde desapareceram o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips é uma região complicada e extremamente distante de Manaus, capital do Amazonas, mas as buscas pelos dois continuam. Segundo Torres, desde o primeiro momento o governo federal disponibilizou as Forças Armadas, a Polícia Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai), que estão trabalhando em conjunto com os órgãos estaduais. Desde domingo (5) os dois estão desaparecidos.

“As buscas continuam. Como eu me comprometi. Estive com a ministra do Reino Unido nos Estados Unidos e me comprometi que tudo que estiver ao alcance do governo brasileiro será feito, e que nós não esgotaremos os trabalhos antes de esgotar todas as possibilidades de busca naquela região”, disse o ministro após a posse do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Ivo Roberto Costa da Silva.

Agentes federais e peritos no meio da floresta analisam marcas no chão coberto por folhas secas.
(PF/via Agência Brasil)

O ministro confirmou que amanhã, às 15h, participa da sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados para dar esclarecimentos sobre a morte de Genivaldo de Jesus Santos durante abordagem feita no dia 25 de junho por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-101, no município de Umbaúba, sul de Sergipe.

De acordo com o Instituto Médico Legal (IML) do estado, Genivaldo morreu de insuficiência aguda secundária a asfixia. No dia 29 de junho, o coordenador-geral de comunicação institucional da PRF, Marco Territo, disse que a abordagem feita pelos policiais não está de acordo com as diretrizes internas da corporação.

A convocação para o comparecimento do ministro foi aprovada na quarta-feira (1º). “A audiência está prevista para amanhã e estaremos lá às 15h para comentar sobre o acontecido”, disse Anderson Torres.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.

Esposa de Dom Phillips diz que corpos foram encontrados no Amazonas

Alessandra Sampaio, esposa de Dom Phillips, jornalista britânico que está desaparecido há mais de uma semana, afirmou que seu corpo e o de Bruno Pereira, indigenista brasileiro que também sumiu no Vale do Javari, no Amazonas, foram encontrados.

Mesmo com o relato, publicado em primeira mão pelo jornalista André Trigueiro, da TV Globo, as autoridades brasileiras não confirmaram a informação. A associação indígena que anunciou o desaparecimento dos dois na Amazônia também não se pronunciou a respeito.

Segundo Alessandra, a Polícia Federal (PF) teria a comunicado sobre a descoberta de dois corpos, que ainda precisariam passar por uma perícia. Ainda de acordo com o anúncio, a Embaixada Britânica já teria comunicado os irmãos do jornalista.

A PF disse na última quinta-feira (9) que encontrou “vestígios de sangue” na lancha do suspeito. Também ontem, protestos nos Estados Unidos e na Inglaterra pediram respostas para o caso.

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decretou, também na última quinta, a prisão temporária de Amarildo da Costa de Oliveira, investigado por envolvimento no desaparecimento. O suspeito, conhecido pelo apelido “Pelado”, ficará detido por 30 dias.

Perito, com celular na mão, analisa parte do barco. Outra perita, usando Equipamentos de Proteção Individual, observa trabalho.

Amazonas: Perícia da PF analisa sangue encontrado em barco

A Polícia Federal (PF) do Amazonas, que coordena as forças de segurança na Operação Javari, informou nesta quinta-feira (9) que vestígios de sangue foram encontrados na embarcação de Amarildo da Costa de Oliveira, 41 anos, conhecido como “Pelado”, preso em flagrante na última terça-feira (7). Ele foi detido em uma abordagem por posse de drogas e munição calibre 762, de uso restrito. Ele também estava portando armamento de caça. A suspeita é que ele possa estar envolvido no desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

“A prisão temporária do suspeito já foi requerida e o material coletado está a caminho de Manaus, no helicóptero tático Black Hawk, para ser periciado”, informou a corporação em nota.

Phillips, que é colaborador do jornal britânico The Guardian, e Pereira, servidor licenciado da Fundação Nacional do Índio (Funai), foram vistos pela última vez na manhã de domingo (5), na região da reserva indígena do Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares. Eles se deslocavam da comunidade ribeirinha de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), quando sumiram sem deixar vestígios.

Perito, com celular na mão, analisa parte do barco. Outra perita, usando Equipamentos de Proteção Individual, observa trabalho.
(PF/via Agência Brasil)

O indigenista já havia denunciado que estaria sofrendo ameaças na região, informação confirmada pela PF, que abriu procedimento investigativo sobre essa denúncia.  Bruno Pereira estava atuando como colaborador da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), uma entidade mantida pelos próprios indígenas da região.

O Vale do Javari concentra 26 etnias indígenas, a maioria com índios isolados ou de contato recente. Além disso, fica na fronteira com o Peru e é rota de circulação do tráfico internacional de drogas. Uma região considerada perigosa pelas autoridades. 

Ainda segundo a nota divulgada pela Superintendência da PF no Amazonas, nas últimas 24 horas a Operação Javari realizou busca fluvial na região do rio Itaquaí, último local de avistamento de Bruno Pereira e Dom Phillips. De acordo com o balanço informado, foram percorridos cerca de 100 quilômetros (km) pela calha do Itaquaí e seus afluentes.

“Todas as comunidades no percurso foram abordadas, especialmente as de Santa Cruz, Cachoeira, São Gabriel e São Rafael. Além da busca fluvial, foi realizado um reconhecimento aéreo no itinerário de Atalaia do Norte até a base da Funai na entrada da terra indígena Vale do Javari, percorrendo pontos de interesse para a busca aos desaparecidos e para as investigações”, diz a nota. Até agora, os custos da operação somam R$ 684 mil. 

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.
Bruno Pereira e Dom Phillips (Reprodução)

Ontem (8), o comitê de crise formado por diferentes forças de segurança pública, coordenadas pela PF, informou que mais de 250 profissionais estão sendo empregados na operação, incluindo especialistas em busca e resgate na selva, bem como duas aeronaves, três drones, 16 embarcações e 20 viaturas. As buscas seguirão de forma contínua, sem prazo para terminar, até que se defina por uma suspensão ou mudança de estratégia, informaram as autoridades. 

Reino Unido

Mais cedo, em nota publicada nas redes sociais, a embaixadora interina do Reino Unido no Brasil, Melanie Hopkins, comentou sobre o desaparecimento. “Estamos profundamente preocupados que o jornalista britânico Dominic Phillips e o indigenista Bruno Pereira ainda não foram encontrados. Estamos cientes de que este continua sendo um momento angustiante para suas famílias e amigos”, postou. Segundo a diplomata, o governo britânico está dando apoio consular à família de Phillips e em contato próximo com autoridades do mais alto nível no Brasil para se manter atualizado em relação aos esforços de busca e resgate.

“Entendemos que a localização remota da região impõe desafios logísticos consideráveis e já solicitamos ao governo brasileiro que faça todo o possível para apoiar a investigação do caso. Agradecemos a assistência prestada até o momento”, acrescentou.

Pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira Marinha, Exército e Aeronáutica, além do Ministério das Relações Exteriores e da Polícia Federal, dentre outros órgãos, estão trabalhando “de forma intensa” na busca dos desaparecidos. “Nós queremos solucioná-lo e levar conforto aos familiares”, disse Bolsonaro.

Dom Phillips posa para foto com a floresta amazônica ao fundo.

Jornalista inglês desaparecido ‘ama o Brasil’, diz cunhado

A família do jornalista inglês e colaborador do jornal The Guardian, Dom Phillips, que está desaparecido no Vale do Javari, no interior do Amazonas, comentou nas redes sociais sobre a relação dele com a Floresta Amazônia. Em uma publicação no Twitter, o cunhado Paul Sherwood disse que Phillips ama o Brasil.

Na publicação, o cunhado faz um apelo para as autoridades brasileiras encontrarem Phillips o mais rápido possível. Para Paul Sherwood, o tempo é essencial, neste momento.

“Ele ama o Brasil e dedicou sua carreira à cobertura da Floresta Amazônica. Entendemos que o tempo é essencial, então, por favor, encontre nosso Dom o mais rápido possível”, escreveu Paul Sherwood no Twitter.

Na mesma publicação, Sherwood implora para que a Guarda Nacional, a Polícia Federal e todos os poderes sejam enviados para buscas de Phillips.

“O irmão da minha parceira Sian, Dom Phillips, desapareceu em uma viagem na Amazônia. Imploramos às autoridades brasileiras que enviem a Guarda Nacional, Polícia Federal e todos os poderes à sua disposição para encontrar nosso querido Dom”, implorou.

Preocupante

Dom Phillips posa para foto com a floresta amazônica ao fundo.
Dom Phillips, jornalista (Reprodução)

Amigos e colegas do jornalista Dom Phillips no The Guardian foram às redes sociais para falar sobre o desaparecimento dele. Em uma publicação, nas redes sociais, o também correspondente do jornal britânico, Tom Phillips, destacou as ameaças sofridas por Dom e disse que o cenário é extremamente preocupante.

“Meu amigo e colega @domphillips desapareceu durante uma reportagem na Amazônia brasileira com um dos principais especialistas indígenas, Bruno Pereira, poucos dias depois de receber ameaças. Extraordinariamente preocupante. Por favor, compartilhe o mais amplamente possível”, escreveu o colega no Twitter.

Além de Tom Phillips, o editor de meio ambiente do jornal, Jonathan Watts, fez um apelo nas redes sociais para que as autoridades brasileiras lancem, de forma urgente, uma operação de busca pelo correspondente inglês e o indigenista.

“Dom Phillips, um excelente jornalista, colaborador regular do @guardião, e grande amigo, está desaparecido no Vale do Javari, no Amazonas, após ameaças de morte a seu companheiro indigenista Bruno Pereira, que também está desaparecido. Apelando às autoridades brasileiras para que lancem, urgentemente, a operação de busca”, publicou no Twitter.

Quem era Dom Phillips?

Veterano no jornalismo internacional, Dom Phillips é natural do condado de Merseyside, região da cidade de Liverpool, no noroeste inglês. Ao longo da carreira como jornalista, Phillips trabalhou para veículos como o Financial Times, New York Times, Washington Post, Bloomberg, Daily Beast, revista de futebol Four Four Two e o jornal de energia Platts, entre outros.

Em 2007, o jornalista se mudou para o Brasil. De acordo com o jornal The Guardian, Dom Phillips está trabalhando em um livro sobre meio ambiente, com apoio da Fundação Alicia Patterson.