Rio Pinheiros terá 530 mil ligações para coleta de esgoto, diz Estado

Rio Pinheiros, em São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Até 2022, o governo do estado de São Paulo construirá a infraestrutura para a coleta e tratamento de esgoto em mais de 530 mil imóveis de comunidades informais instaladas nas proximidades do Rio Pinheiros, na capital paulista. A previsão é do secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido. 

Segundo a pasta, por se tratar de comunidades instaladas em áreas irregulares, o tratamento do esgoto será feito por pequenas estações, chamadas de unidades de recuperação da qualidade da água, nos próprios córregos por onde o esgoto chegaria ao Rio Pinheiros. 

“Teremos todas as comunidades em áreas informais dessa bacia tratadas dentro de uma lógica que é do tratamento no afluente, no próprio corpo, nas miniestações de tratamento”, explicou Penido, ao participar hoje (26) do evento Brazil Water Week, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes). De acordo com o secretário, o esgoto dessas comunidades, em que não é possível “ir na porta”, por questões legais da informalidade, será tratado no próprio afluente.

O projeto Novo Rio Pinheiros prevê intervenções em áreas de todas as sub-bacias dos grandes afluentes do rio, onde vivem cerca de 3,3 milhões de pessoas.

Estimado em R$ 1,5 bilhão, o pacote de obras tem o objetivo de devolver o Rio Pinheiros limpo para a população até 2022.

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil 

Quase 40% das cidades não têm rede coletora de esgoto

O serviço de esgotamento sanitário por rede coletora estava ausente em 39,7% dos municípios brasileiros (2.211) em 2017. Em 1989, a oferta desse serviço não existia em 52,7% das cidades. Os dados constam da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) 2017, divulgada hoje (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, a cobertura do esgotamento sanitário por rede passou de 55,2% (3.069 municípios) em 2008 para 60,3% (3.359) em 2017, sendo que, em 3.206 localidades, o serviço estava em funcionamento e 153 em implantação.

Enquanto no Sudeste a rede de esgoto atendia a 96,5% das cidades, no Norte esse percentual era de apenas 16,2%. No Nordeste, esse serviço estava presente em 52,7% dos municípios, no Sul, em 44,6%, e no Centro-Oeste, em 43%.

A pesquisa mostra, ainda, que são gerados 21,3 milhões de metros cúbicos de esgoto por dia no Brasil. Deste total, 67% do volume de esgoto gerado (14,3 milhões de metros cúbicos por dia) é coletado por rede.

Esgoto coletado

O volume de esgoto tratado por dia apurado pela pesquisa 2017 (11 milhões de m³) corresponde a 77,1% do volume de esgoto coletado, medido ou estimado pelas entidades executoras. 

Segundo a gerente de pesquisas de saneamento do IBGE, Fernanda Malta, a maior parte do esgoto coletado que não recebe tratamento é descartado diretamente nos cursos d’água sem tratamento. 

“Há ainda casos em que as legislações locais estabelecem que os domicílios devem tratar seu esgoto em fossas sépticas individuais e descartá-lo na rede já com tratamento”, explicou.

Quanto ao tratamento, 62,8% dos municípios com serviço em funcionamento (2.013) tinham estações de tratamento de esgoto em operação. Centro-Oeste e Sul registraram os maiores percentuais de cidades com estações (94,4% e 71,7%, respectivamente), enquanto o Nordeste, o menor (51,2%).

Entre as localidades com serviço de esgotamento, 37,2% não tinham tratamento, chegando a 48,8% no Nordeste, 37,3% no Sudeste, 30,6% no Norte, 28,3% no Sul e 5,6% no Centro-Oeste.

Tratamento

Em relação ao nível do tratamento (preliminar, primário, secundário e terciário, em ordem crescente de eficiência), 69,8% do volume tratado recebiam tratamento do tipo secundário (oxidação da carga orgânica pela ação de microrganismos), 21,9% terciário (retirada de poluentes como nutrientes, patogênicos, sólidos inorgânicos dissolvidos e em suspensão), 5,9% primário (remoção de sólidos em suspensão sedimentáveis e de sólidos flutuantes), 2,4% tratamento apenas preliminar (retirada de óleo, detritos flutuantes e areia ).

Havia, em 2017, 35,3 milhões de domicílios onde houve pagamento de conta e/ou coleta de esgoto no país, um crescimento de 39,2% em relação a 2008 (25,4 milhões). Esse número corresponde a 50,8% dos domicílios do país. 

Na Região Norte, 4,7 milhões de domicílios (92,6%) não tinham o serviço de esgoto sanitário coletado por rede. No Nordeste, eram 13,6 milhões de domicílios (74,6%). No Sul, 6,2 milhões (58,4%), no Centro-Oeste, 2,6 milhões (49,2%) e no Sudeste, 7,1 milhões (23,3%).

Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil

Ilhabela fecha com Sabesp para gestão da água e esgoto

O Governo de São Paulo, por meio da Sabesp, e a Prefeitura de Ilhabela anunciaram nesta terça-feira (30) a assinatura do contrato para a prestação dos serviços de água e esgoto do município. O acordo prevê investimentos de R$ 193 milhões para ampliar a oferta de água, além da coleta e do tratamento de esgoto.

(Pref. de Ilhabela)

Após São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba, Ilhabela fecha o ciclo de contratualizações no Litoral Norte pelos próximos 30 anos. As principais obras estão previstas já nos primeiros seis anos de contrato, o que resultará em índices de cobertura de água e esgoto de 98%.

Até 2022, a expectativa de investimentos é de R$ 66,9 milhões em abastecimento e R$ 74,2 milhões em sistemas de esgoto, somando R$ 141,1 milhões do montante previsto. A médio prazo, entre 2023 e 2030, serão investidos R$ 22,7 milhões em água e R$ 6 milhões em esgoto. E, de 2031 a 2048, os valores são de R$ 11,1 milhões e R$ 4,2 milhões.

“No nosso Estado, temos preocupação com o saneamento, colocando-o no mesmo nível da educação e da saúde. Ele é um insumo básico para a qualidade de vida e para a questão do sustento das famílias, porque nós temos que ter água tratada e um lugar saudável para morar. Isso é uma questão fundamental para nós: a questão do saneamento. Vamos trabalhar e melhorar o saneamento básico de Ilhabela”, disse Marcos Penido, secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado, que destacou ainda a eficiência dos trabalhos da Sabesp.

Captação e tratamento

Em abastecimento, a Companhia fará obras importantes como a ampliação da captação e tratamento do Sistema Produtor Água Branca, que passará de 100 para 150 litros/segundo; do Sistema Produtor do Pombo, de 40 para 70 litros/segundo. Uma inovação prevista é a implantação do sistema de dessalinização com captação, tratamento e reservação, ampliando a segurança hídrica do município.

A Companhia prevê ainda reforço na reservação com 5,1 milhões de litros em benefício das comunidades atendidas pelo sistema Água Branca, como Engenho D’Água, Piúva/Barra Velha e Siriúba, e mais 1,5 milhão de litros no sistema Pombo para os moradores das regiões Portinho/Feiticeira e Ponta da Sela, que, somados aos 3 milhões de litros de água dos reservatórios Green Park e Pombo, contribuirão para a melhoria no abastecimento do município.

No que se refere ao tratamento de esgoto, a região central ganhará uma Estação de Tratamento de Esgotos (ETE), em local a ser definido pela prefeitura. Outros investimentos previstos são a ETE Siriúba e Portinho/Feiticeira – projeto do município. A Estação de Pré-Condicionamento (EPC) Itaquanduba será desativada e seus equipamentos destinados a outras instalações. Todo o esgoto dessas sub-bacias será encaminhado para o tratamento na nova ETE.

Repasses

Com o contrato, Ilhabela também receberá ao longo dos 30 anos repasses previstos em R$ 26 milhões no Fundo Municipal de Saneamento, para investimentos em regularização fundiária, sistemas de drenagem, resíduos sólidos e educação ambiental. Será ainda incluída no Programa de Uso Racional da Água (PURA), com desconto de 25% nas contas de consumo de prédios públicos. Estima-se que o valor a ser economizado será equivalente a R$ 509,7 mil/ano.

É importante destacar ainda o Imposto Sobre Serviços (ISS) das obras a serem executadas pela Sabesp e que, portanto, retornará aos cofres públicos, chegando a R$ 44 milhões até 2028.

O diretor-presidente da Sabesp, Benedito Braga, salientou a parceria com o município. “Foi um longo trabalho e, com esse contrato, a Sabesp está em todos os municípios do nosso litoral. Queremos trabalhar em parceria. Temos uma série de ações já previstas, incluindo as estações de tratamento de esgoto. A Sabesp está a postos para prover o melhor serviço de água e saneamento em Ilhabela”, afirmou.

Para a prefeita da cidade, Maria das Graças Ferreira, trata-se de um “momento histórico” para a cidade. “Foi uma discussão ampla. Nosso governo sempre lutou pelo saneamento básico. Concordo com o secretário Penido em que o saneamento precisa estar nos mesmos níveis da educação e da saúde e essa é a nossa bandeira, porque havendo saneamento conseguiremos economizar em saúde e proporcionar mais qualidade de vida para a população”, pontuou.

*com informações do Governo do Estado de SP

Ubatuba assina contrato com a Sabesp

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a Prefeitura de Ubatuba assinaram contrato para a prestação dos serviços de água e esgoto do município. Após São Sebastião e Caraguatatuba, Ubatuba é o terceiro município do litoral norte a estabelecer um compromisso com a Sabesp pelos próximos 30 anos, com investimentos de R$ 687 milhões em obras de saneamento básico a curto, médio e longo prazos, além da previsão de antecipação das principais obras e investimentos para os primeiros seis anos de contrato, em prol da população.

Ubatuba, no litoral norte do Estado (Sabesp/Reprodução)

Até 2022, a expectativa de investimentos é de R$ 49,9 milhões em abastecimento e R$ 78,7 milhões em sistemas de esgotos. A médio prazo, entre 2023 e 2035, serão investidos R$ 87 milhões em água e R$ 313,7 milhões em esgoto e, de 2036 a 2048, os valores são de R$ 26,7 milhões em abastecimento e R$ 108,8 milhões em esgotamento sanitário.

Água

Em abastecimento, a Companhia fará obras importantes como a ampliação do sistema de abastecimento Carolina e instalação de 3 novos reservatórios, o que irá beneficiar 24 mil famílias. A Praia Dura também contará com reforço no sistema de abastecimento com mais 2.400 ligações.

O sistema Itamambuca também será ampliado e vai beneficiar 1.280 imóveis incluindo nesse montante 500 novas residências. As interligações dos reservatórios Toninhas e Lázaro às estações de água tratada beneficiarão 900 famílias e 3 mil famílias, respectivamente.

Esgoto

Em esgotamento sanitário, haverá a ampliação da estação de tratamento de esgotos Principal, com investimentos de R$ 18 milhões já iniciados com a instalação do canteiro de obras. Dentro desse sistema central, a Estação Elevatória de Esgotos Tamoios também será ampliada, possibilitando 8 mil novas ligações que, somadas às existentes, beneficiarão um total de 13 mil residências.

O sistema Maranduba, que englobará também os bairros Sapê, Lagoinha e região do Sertão da Quina, possibilitará mais 3.600 ligações. E o sistema Perequê-Mirim, que inclui Domingas Dias, Lázaro, Perequê-Mirim e Enseada, contará com 2.600 novas ligações.

Ubatuba hoje conta com cobertura de 93% de água e 51% de esgotos. Com os investimentos previstos, até 2028 esses índices devem chegar a 98% (água) e a 96% (esgoto).

Além disso, com a formalização do contrato de prestação de serviços entre a Sabesp e Ubatuba, ao longo dos próximos 30 anos a Companhia fará o repasse de R$ 163 milhões ao município, que será depositado a cada semestre no Fundo Municipal de Saneamento para investimentos em regularização fundiária, sistemas de drenagem, resíduos sólidos e educação ambiental, que beneficiarão diretamente toda a população do município.

Economia de água

Outra vantagem é a inclusão de Ubatuba no Programa de Uso Racional da água, com desconto de 25% nas contas de consumo de prédios públicos do município. Estima-se que o valor a ser economizado será equivalente a R$ 491 mil/ano.

É importante destacar ainda que o ISS (Imposto Sobre Serviços) das obras que serão executadas pela Sabesp e que, portanto, retornará aos cofres públicos, chegará a R$ 2,3 milhões até 2021 e R$ 18,6 milhões até 2046.

Para o diretor de Sistemas Regionais da Sabesp, Ricardo Daruiz Borsari, a contratualização com Ubatuba é um marco. “Quero parabenizar os poderes Executivo e Legislativo de Ubatuba pela assertiva e sábia decisão. Digo isso porque manter na cidade os serviços da Companhia, uma empresa que tem como missão prestar serviços de saneamento, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente, significa respeito à população fixa e flutuante que frequenta essa linda e progressista cidade do nosso litoral”, destacou.

O superintendente da Sabesp no Litoral Norte, Rui César Rodrigues Bueno, também falou sobre a importância da contratualização. “É uma oportunidade para a Sabesp organizar, planejar e executar obras essenciais na área de saneamento e, com isso, atingir índices de cobertura e atendimento para abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos compatíveis com o do estado de São Paulo, de forma estruturada e articulada com os anseios do município que, sabemos, necessita de altos valores de investimento. Para a cidade e para o executivo municipal, é a equalização de suas necessidades e a oportunidade de efetivamente buscar a universalização do abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos, em sua área formal de forma organizada e com prazos estabelecidos”, avaliou.

O prefeito de Ubatuba, Délcio Sato, avalia a contratualização como uma grande vitória. “A celebração desse contrato é o resultado da nossa luta travada desde o início da gestão. Foram três anos realizando reuniões com a Sabesp em São Paulo, que vinha operando em Ubatuba há 12 anos sem contrato. A partir de agora, Ubatuba receberá um grande volume de investimento que trará a universalização dos serviços básicos de água e esgoto. Essa é uma conquista histórica para Ubatuba, um legado para a cidade e às futuras gestões que estarão acompanhando a evolução”, finalizou.

*Com informações do Governo do Estado de SP

Novo complexo amplia coleta e tratamento de esgoto

Entrega do novo interceptor do Rio Tietê – ITI


O governador de São Paulo, João Doria, entregou hoje (4) as obras que ampliam a coleta e o tratamento de esgoto nas zonas central e do centro expandido da capital paulista. O complexo conta com o Interceptor Tietê 7 (ITi-7) – um túnel construído sob a pista da Marginal Tietê –, a Estação Elevatória de Esgoto Piqueri, o novo Coletor-Tronco Anhangabaú e o Interceptor Tamanduateí (ITa-1J).

Com um orçamento de R$ 390 milhões, o empreendimento deve beneficiar cerca de 2,2 milhões de pessoas, especialmente o grupo que trabalha ou reside na área abrangida, que totaliza mais de 350 mil. A estrutura construída engloba 16 bairros, cruzando o bairro de Vila Buarque até as proximidades do Parque Zoológico de São Paulo.

O Coletor-Tronco Anhangabaú e o Interceptor Tamanduateí recolhem o esgoto, transferindo o volume para o ITi-7, que tem 7,5 quilômetros de extensão. Na sequência, a substância é conduzida até a Estação Elevatória Piqueri, de onde é bombeada para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Barueri. O sistema tem capacidade para bombear até 4 mil litros de esgoto por segundo.

Despoluição

Ao lançar o complexo, Doria afirmou que ele vai contribuir para a despoluição do Rio Tietê, que corta o estado de leste a oeste. “Ou seja, mais coleta, menos dejeto, menos poluição no Rio Tietê”, disse.

O governador reiterou ainda uma promessa feita durante sua campanha: a de que promete concluir, até dezembro de 2022, o projeto de despoluição do Rio Pinheiros. Segundo ele, já foi preparado um cronograma para cumprimento da meta.

“Está mantido o cronograma para a entrega, até dezembro de 2022, fo Rio Pinheiros limpo, em condições adequadas e no padrão internacional de um rio considerado limpo. Evidentemente que o Rio Pinheiros não será um rio para nadar ou usufruir dentro do rio, mas, como o Sena [da França] ou o Tâmisa [da Inglaterra], será um rio inodor, sem nenhum cheiro, odor, e sem nenhum lixo de superfície e com vida dentro.”  Doria acrescentou que o prazo poderá ser estendido, caso haja alguma “intempérie do ponto de vista judicial” ou contestação do Ministério Público.

“Até 2028, é a nossa expectativa para despoluição do Rio Tietê, dentro do mesmo propósito e do mesmo pilar: se não tivermos nenhuma intercorrência de ordem judicial, principalmente, que sempre retarda o processo”, acrescentou o governador.

Por  Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil

Sabesp vai assumir tratamento de esgoto em Guarulhos

(Arquivo/Marcelo S. Camargo/Governo do Estado de SP)

A Sabesp vai assumir o tratamento de esgoto em Guarulhos, na Grande São Paulo. Desde agosto de 2019, a Companhia vinha executando o serviço de forma emergencial, a pedido da Prefeitura da cidade.

A Sabesp também opera desde janeiro o abastecimento de água do município, com mais de 1 milhão de pessoas retiradas do rodízio, e a coleta de esgoto. O investimento da Sabesp na cidade será de cerca de R$ 1,7 bilhão e o acordo prevê a concessão dos serviços por 40 anos.

“Já resolvemos a questão da água em Guarulhos, acabamos com o rodízio na cidade. Agora, também por meio da Sabesp, vamos assumir o tratamento de esgoto do município. Isso vai permitir acelerar o programa de despoluição do Rio Tietê, que é uma das nossas metas prioritárias, ao lado do Novo Rio Pinheiros”, disse o governador João Doria.

Governador João Doria durante anúncio do contrato (Governo do Estado de São Paulo)

Duas estações de tratamento localizadas em pontos estratégicos da região Leste na Grande São Paulo serão preparadas para receber o esgoto de Guarulhos. Uma delas, a ETE Parque Novo Mundo, já está sendo ampliada. A outra é a ETE São Miguel. Atualmente, a estimativa é que apenas 12% de todo o esgoto coletado no município seja tratado.

Além de melhorar a qualidade de vida da população de Guarulhos, principalmente em questões ligadas à saúde, a ampliação do tratamento de esgoto vai contribuir para a despoluição dos cursos d’água da região, que integram a bacia do Rio Tietê. Guarulhos é um dos municípios que mais despejam esgoto sem tratamento no rio.

A região já conta com obras em andamento do Projeto Tietê, programa de saúde pública focado na ampliação da coleta e do tratamento de esgoto que já beneficiou mais de 10 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Do início do Projeto, em 1992, até 2018, a coleta na Região Metropolitana de São Paulo passou de 70% para 89%. O tratamento foi de 24% para 78%.

O trabalho vem contribuindo para a redução da mancha de poluição do Tietê, que apresenta tendência de queda histórica desde a década de 1990, ainda que com algumas flutuações momentâneas, segundo o relatório anual da SOS Mata Atlântica. A mancha, que era de 530 km em 1992, chegou a 163 km em 2019, redução de cerca de 70%.

Água

Em janeiro, a Sabesp assumiu o abastecimento de água em Guarulhos. Cerca de 1 milhão de pessoas em mais de 400 bairros já foram beneficiadas com o fornecimento regular, deixando o sistema de rodízio. Dentre eles, Bonsucesso, Cabuçu, Centro, Cecap, Cidade Aracília, Gopoúva, Jardim Tranquilidade, Jardim Santa Cecília, Jardim Santa Inês, Jardim Monte Alegre, Jardim Paraíso, Ponte Grande, Recreio São Jorge, Santa Mena, Taboão, Vila Barros, Vila Galvão. A meta da Companhia é providenciar água a todos os guarulhenses até o aniversário da cidade, em 8 de dezembro.

De cada dez pessoas, três vivem sem água potável, diz ONU

Por Heloísa Cristaldo

Segundo a ONU, falta saneamento básico para 2 bilhões de pessoas no mundo (Carolina Gonçalves/Agência Brasil)

Mais de 2 bilhões de pessoas carecem de serviços básicos de saneamento básico no mundo, diz relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o desenvolvimento mundial da água,. A publicação Não Deixar Ninguém Para Trás será lançada nesta terça-feira (19) durante a 40ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

De acordo com o relatório, apesar do progresso nos últimos 15 anos, o direito à água potável segura e limpa e ao saneamento é inacessível para grande parte da população mundial. Em 2015, três em cada 10 pessoas (2,1 bilhões) não tinham acesso a água potável e 4,5 bilhões de pessoas, ou seis em 10, não tinham instalações de saneamento com segurança. 

“Se a degradação do meio ambiente e a pressão insustentável sobre os recursos hídricos globais continuarem no ritmo atual, 45% do Produto Interno Bruto global e 40% da produção global de grãos estarão em risco até 2050. Populações pobres e marginalizadas serão afetadas de forma desproporcional, agravando ainda mais as desigualdades”, ressalta o presidente da ONU-Água e presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Gilbert F. Houngbo.

Segundo Houngbo, o documento aponta a necessidade de adaptar abordagens, tanto na política quanto na prática, para abordar as causas da exclusão e da desigualdade.

Cenário global

O relatório informa que metade das pessoas que bebem água de fontes não seguras vivem na África. Na África Subsaariana, apenas 24% da população têm acesso a água potável e 28% têm instalações de saneamento básico que não são compartilhadas com outras famílias.

Quase metade das pessoas que bebem água de fontes desprotegidas vivem na África Subsaariana, onde o ônus da coleta recai principalmente sobre mulheres e meninas, muitas das quais gastam mais de 30 minutos em cada viagem para buscar água. Sem água e saneamento seguro e acessível, essas pessoas provavelmente enfrentarão condições de saúde e de vida precárias, desnutrição e falta de oportunidades de educação e emprego.

As discrepâncias são significativas mesmo dentro dos países, especialmente entre os ricos e os pobres. Nas áreas urbanas, pessoas que vivem em acomodações improvisadas sem água corrente podem pagar de 10 a 20 vezes mais caro que moradores de bairros mais ricos por água de qualidade semelhante ou menor comprada de vendedores ou caminhões-tanque.

“Há muitas disparidades principalmente entre países, mas muitas vezes dentro dos próprios países. Este é um discurso que tem a ver com os países menos desenvolvidos, mas, em alguns casos, também com países desenvolvidos. Então, a mensagem central do relatório é que bilhões de pessoas ainda estão sendo deixadas para trás”, afirmou o oficial de Meio Ambiente da Unesco no Brasil, Massimiliano Lombardo.

O documento também ressalta o impacto dessas condições na vida dos refugiados pelo mundo. Em 2017, conflitos e perseguição forçaram 68,5 milhões de pessoas a fugir de suas casas. Além disso, uma média anual de 25,3 milhões de pessoas foi forçada a migrar por causa de desastres naturais, duas vezes mais do que no início dos anos 70 – um número que deve aumentar ainda mais devido às mudanças climáticas.

“Existem cada vez mais refugiados em decorrência dos desastres ambientais e 90% dos desastres como inundações ou secas são causados pela água – pelo excesso ou pela falta. Isso determina a causa de uma série de imigrações de um país para outro ou de uma região para outra dentro do próprio país. Então, mais pessoas se acumulando em um mesmo lugar onde há disponibilidade de água acaba pondo em risco a capacidade do Estado, da autoridade daquele país, conseguir providenciar água e saneamento para todos nas mesmas condições”, afirmou Lombardo.

Segundo Lombardo, apesar de não haver um recorte específico para o Brasil, o país tem avançado ao longo das últimas décadas. Ele aponta a Política Nacional de Recursos Hídricos como um avanço na legislação da água, bem como o sistema de gestão público do recurso. 

“Existe a possibilidade da população, de diferentes usuários da água como produtores, usuários industriais e agrícolas poderem contribuir, participar da tomada de decisão a respeito de recursos hídricos. A situação atual do Brasil em relação à situação do mundo é diferente. Onde não existem políticas ou leis bem desenvolvidas, não existe um sistema de governança. No Brasil, ao contrário, já foram dados bons passos adiante nesse sentido”, ressaltou o representante da Unesco.

Perspectivas

Para as Nações Unidas, políticas mal planejadas e implementadas de maneira inadequada, uso ineficiente e inapropriado de recursos financeiros e ausência de políticas públicas alimentam a persistência de desigualdades no acesso à água potável e ao saneamento.

“Se a exclusão e a desigualdade não forem tratadas de forma explícita e responsiva, tanto em termos de políticas quanto na prática, as intervenções relacionadas à água continuarão a não alcançar os mais necessitados, que provavelmente seriam os maiores beneficiados”, enfatiza o relatório da ONU.

A publicação ressalta que as “metas são totalmente alcançáveis, desde que exista uma vontade coletiva para proceder assim”. “Melhorar a gestão dos recursos hídricos e fornecer a todos o acesso a água potável e saneamento seguros e acessíveis financeiramente são ações essenciais para erradicar a pobreza, construir sociedades pacíficas e prósperas, e garantir que ‘ninguém seja deixado para trás’ no caminho rumo ao desenvolvimento sustentável”.