Fim de toque de recolher provoca aglomerações na Espanha

Milhares de jovens tomaram as ruas da Espanha para festejar o fim do estado de emergência no país neste domingo (09/05), dançando e cantando, de bebidas na mão e sem máscaras protetoras. Em Madri, a polícia municipal teve que desobstruir a Porta do Sol, tradicional ponto de encontro, que lembrava um cenário de réveillon. Também na capital catalã, Barcelona, agentes tiveram que interferir para fazer valer o último toque de recolher.

A suspensão entrou em vigor à 00h00 (hora local, sábado 19h00 em Brasília), 14 meses após o governo ter imposto pela primeira severas limitações no dia a dia, na tentativa de combater a pandemia de covid-19. Nesse ínterim, as taxas de incidência se estabilizaram e as vacinações progridem.

Na nova fase da saída gradual do confinamento, o toque de recolher das 23h00 às 06h00 está suspenso em todas as 17 regiões espanholas. Bares e restaurantes poderão receber clientes até a meia-noite; e quem não vive junto também já pode se encontrar em casas ou espaços públicos.

O fim da medida representa um grande alívio para os espanhóis, conhecidos por cultivar uma vida noturna intensa, e em que não se costuma jantar antes das 22h00. Além disso, pela primeira vez em meses, volta a ser possível viajar livremente entre comunidades autônomas, exceto a áreas específicas de alta incidência do coronavírus.

Responsabilidade sobre comunidades autônomas

A nova situação delega às diferentes comunidades a responsabilidade de estabelecer suas próprias restrições, caso haja necessidade de controlar a evolução do novo coronavírus. Várias delas recorreram aos tribunais para impor restrições, especialmente as que afetam a mobilidade.

As cortes superiores das Ilhas Baleares, Valência e Catalunha consideram justificado manter o toque de recolher ou limitar as reuniões pela situação sanitária. Mas não o País Basco, baseado na tese que o sistema jurídico não permitiria a adoção de tais medidas fora do estado de emergência. O Tribunal Superior de Justiça de Madri ratificou as medidas sanitárias que restringem a mobilidade em cinco regiões básicas de saúde.

O dispositivo restritivo foi ativado na Espanha em 14 de março de 2020, com uma duração inicial de duas semanas. Apenas 11 dias depois, porém, o Congresso autorizou uma primeira prorrogação, que viria a ser renovada seis vezes até 25 de outubro, quando se aprovou por decreto um estado de alarme final, que só se encerrou neste domingo.

Por Deutsche Welle

av (EFE,AFP,Reuters,AP,DPA)

Europa inicia análise de segurança e eficácia da Coronavac

(Gov. do Estado de SP)

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) anunciou nesta terça-feira (04/05) que iniciou a análise contínua da Coronavac, a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac e produzida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan.

A análise avaliará a eficácia e a segurança do imunizante e é o primeiro passo na direção de uma possível aprovação para uso nas 27 nações do bloco. O processo contínuo permite que resultados de estudos clínicos e laboratoriais sejam enviados à EMA assim que forem obtidos.

A EMA baseou sua decisão de inicar a análise contínua da Coronavac em resultados preliminares de estudos que “sugerem que a vacina provoca a produção de anticorpos” que combatem o coronavírus “e podem ajudar a proteger contra a doença”.

O órgão informou que, até o momento, não recebeu pedido formal de autorização para comercializar a vacina produzida pela Sinovac no bloco europeu, e não há prazo para concluir sua avaliação.

A agência também está fazendo a análise contínua de outras três vacinas: uma desenvolvida pela empresa alemã CureVac, uma criada pela americana Novavax e a Sputnik V, da Rússia – que teve a autorização para uso no Brasil negada na semana passada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Uma eventual aprovação da Coronavac pela EMA facilitaria, no futuro, a viagem de brasileiros imunizados com essa vacina a países europeus. Nesta segunda, a Comissão Europeia anunciou que planeja permitir a entrada de pessoas que tenham recebido, pelo menos 14 dias antes da chegada, a dose final de uma vacina autorizada pela UE. Essa regra da Comissão Europeia também pode ser estendida a vacinas aprovadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a depender do entendimento de cada país do bloco.

OMS avalia vacinas chinesas

A decisão da EMA foi anunciada um dia depois que uma autoridade da OMS informou que a organização deve decidir nesta semana se aprova a Coronavac e outra vacina chinesa, produzida pela farmacêutica Sinopharm, para uso emergencial.

Essa seria a primeira aprovação do tipo para uma vacina chinesa contra a covid-19 junto à OMS, com potencial de ampliar o uso dos imunizantes, que já estão sendo aplicados em alguns países.

A brasileira Mariângela Simão, diretora-geral assistente da OMS para acesso a medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos, afirmou que “arranjos finais” ainda precisavam ser feitos antes da decisão final da organização sobre os dois imunizantes chineses.

A China e diversos outros países, incluindo Brasil, México, Indonésia e Turquia, já estão usando a Coronavac, que é feita usando o coronavírus inativado. O estudo mais extenso sobre essa vacina envolveu cerca de 12 mil trabalhadores do setor de saúde no Brasil, e apontou 50,7% de eficácia contra covid-19 sintomática, e uma proteção alta contra manifestações graves da doença.

Por Deutsche Welle

bl/ek (AP, AFP, Reuters)

Alemanha suspende uso da vacina de Oxford

(John Cairns/University of Oxford/Reprodução)

O governo federal da Alemanha anunciou nesta segunda-feira (15/03) que seguirá a decisão tomada por outros países europeus e suspenderá o uso da vacina contra covid-19 desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca com a Universidade de Oxford, após relatos de algumas pessoas vacinadas que desenvolveram coágulos no sangue, que podem provocar trombose ou embolia pulmonar.

O Ministério da Saúde alemão informou que a decisão se baseava em uma recomendação do Instituto Paul Ehrlich (PEI, na sigla em alemão), responsável pela regulação e aprovação de medicamentos no país.

“Depois de novos relatos de tromboses em vasos sanguíneos no cérebro em conexão com a vacinação na Alemanha e na Europa, o PEI considera que uma investigação mais aprofundada é necessária”, disse a pasta. “A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) irá decidir se e como os novos achados afetarão a aprovação da vacina”, acrescentou.

Mais cedo nesta segunda, Markus Söder, presidente do partido CSU, havia dito que era necessário haver um “anuncio muito claro” de especialistas alemães sobre se a vacina era “boa ou ruim”.

Logo depois do anúncio da Alemanha, França, Itália e Espanha também informaram que estavam suspendendo o uso da vacina de Oxford de forma cautelar, juntando-se a uma crescente lista de países europeus que suspenderam nos últimos dias o uso do imunizanze, apesar dos atrasos nos programas de vacinação contra a covid-19.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), a fabricante AstraZeneca, o governo britânico e a Universidade de Oxford afirmam não haver até o momento indicação de uma relação entre a vacina e os casos relatados ou de aumento de registros de coágulo sanguíneo em relação à média histórica.

Na sexta-feira, a OMS afirmou que “não há razão para deixar de usar” a vacina de Oxford contra a covid-19. A declaração foi dada pela porta-voz da agência em Genebra, a médica Margaret Harris. Ela disse que os países devem “continuar a utilizar a vacina da AstraZeneca” e que qualquer preocupação com segurança deve ser investigada, mas, no momento, não existem razões para suspender a aplicação das doses.

A vacina da AstraZeneca foi aprovada para uso na União Europeia no final de janeiro, porém vem enfrentando algumas dificuldades. Inicialmente, houve dúvidas sobre sua eficácia em pessoas com 65 anos ou mais, depois sanadas com a divulgação de um novo conjunto de dados de ensaios clínicos. O bloco comprou 400 milhões de doses da vacina, mas a farmacêutica foi forçada a reduzir as entregas previstas devido a problemas de produção.

Suspensão do uso

Os problemas mais recentes com a vacina de Oxford começaram na semana passada. Na quinta-feira, autoridades de saúde da Dinamarca suspenderam o uso do imunizante como medida de “precaução” depois de uma mulher de 60 anos morrer por problemas sanguíneos após ser vacinada.

A Agência de Medicamentos da Dinamarca informou em comunicado nesta segunda que a mulher teve “sintomas muito incomuns”, incluindo baixo número de plaquetas e coágulos em vasos sanguíneos de diâmetros variados.

Outros países acompanharam a Dinamarca e também suspenderam o uso da vacina.

A Noruega, um dos primeiros países a seguir a decisão dinamarquesa, informou no sábado que três pessoas com menos de 50 anos estavam recebendo tratamento médico hospitalar com sintomas parecidos depois de terem sido vacinadas.

No domingo, a Holanda também suspendeu o uso da vacina, e na segunda-feira uma agência holandesa de medicamentos informou ter registrado dez relatos de efeitos colaterais em pessoas vacinadas que incluíam casos de possíveis coágulos sanguíneos e embolia.

A Islândia, a Irlanda e a Bulgária também suspenderam o uso do imunizante.

A Áustria parou de usar doses de um lote da AstraZeneca na semana passada depois que uma mulher morreu por trombose múltipla após ser vacinada. Estônia, Letônia, Lituânia, Luxemburgo e Romênia também suspenderam o uso do mesmo lote de 1 milhão de doses, enviadas para 17 países da UE.

Fora da Europa, a Tailândia suspendeu brevemente o uso do imunizante antes de anunciar que a vacinação seria retomada nesta terça-feira.

Na segunda-feira, autoridades de saúde da Indonésia disseram que iriam adiar o uso da vacina devido aos relatos de coágulos sanguíneos na Europa e aguardariam uma nova análise da Organização Mundial de Saúde sobre a segurança do imunizante.

A Índia já aplicou mais de 28 milhões de doses da vacina de Oxford, que é produzida no país pelo Instituto Serum com o nome Covishield. Autoridades de saúde em Nova Déli afirmaram na semana passada que fariam uma nova análise de efeitos colaterais, apesar de nenhum caso de problema devido a coágulo sanguíneo ter sido relatado no país até o momento.

AstraZeneca defende segurança da vacina

A agência de medicamentos do Reino Unido afirmou na segunda-feira que as evidências “não sugerem” que a vacina de Oxford provoca coágulos sanguíneos e pediu que as pessoas continuem a se vacinar.

Na noite de domingo, a AstraZeneca informou que não identificou risco de coágulos sanguíneos associados à sua vacina. Segundo o laboratório, uma análise cuidadosa de dados de segurança relativos a mais de 17 milhões de pessoas já vacinadas com o imunizante na União Europeia e no Reino Unido não encontraram evidências de maior risco de embolia pulmonar, trombose em vasos sanguíneos ou redução das plaquetas.

Na quinta-feira, a Agência Europeia de Medicamentos afirmou não haver indícios de que a vacina de Oxford teria provocado os casos de tromboembolismo e que o imunizante é seguro para uso.

O órgão está realizando uma investigação aprofundada e deve fazer um novo pronunciamento nesta terça-feira, e destacou que o número de casos de trombose e embolia identificados entre as pessoas que receberam a vacina não é maior do que o registrado na população em geral.

Além da vacina de Oxford, a EMA já autorizou o uso na Uniao Europeia dos imunizantes produzidos po Pfizer-Biontech, Moderna e Johnson & Johnson.

Aposta de Bolsonaro

A vacina de Oxford foi a principal aposta feita pelo governo federal brasileiro para imunizar sua população, por meio de um acordo assinado em julho de 2020 entre a AstraZeneca e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No mês seguinte, o presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória abrindo crédito de R$ 1,9 bilhão para adquirir a tecnologia e 100 milhões de doses até meados de 2021, que seriam produzidas na Fiocruz a partir do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) importado da China.

A previsão inicial da Fiocruz era entregar 30 milhões de doses ainda em 2020, o que não se confirmou. Houve atrasos na importação do IFA, e as primeiras doses do imunizante vieram prontas da Índia e foram aplicadas em brasileiros apenas em 23 janeiro deste ano. Em seguida, um problema no equipamento da Fiocruz que coloca lacres de alumínio nas vacinas novamente atrasou o cronograma. A fundação espera entregar nesta semana o primeiro lote da vacina produzida no Brasil, com 1 milhão de doses, e em seguida elevar o ritmo de entrega.

Por esse motivo, cerca de 80% das doses de vacinas contra a covid-19 aplicadas no Brasil até agora são da chinesa Coronavac, produzida em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, segundo cálculo da Rede Análise Covid-19. Esse imunizante foi desacreditado por Bolsonaro ao longo de 2020, que chegou a chamá-lo de “vacina chinesa de João Doria”, mas voltou atrás e em janeiro comprou 100 milhões de doses da vacina.

O governo federal já anunciou também a compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin e de 10 milhões de doses do imunizante russo Sputnik V, mas ambos ainda não possuem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Autoridades brasileiras até o momento não se pronunciaram sobre possíveis casos de coágulos em conexão com a vacina de Oxford.

Por Deutsche Welle

bl (ots, AFP, DW)

“Depender da soja brasileira é endossar desmatamento na Amazônia”, diz Macron

Presidente da França, Emmanuel Macron (Arquivo/G20 Argentina/via Fotos Públicas)

O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar o desmatamento na Amazônia nesta terça-feira (12/01), afirmando que a Europa precisa investir mais no cultivo de soja em seu território, senão estará “endossando” o desflorestamento em terras brasileiras.

“Continuar dependendo da soja brasileira é endossar o desmatamento da Amazônia”, escreveu Macron em postagem no Twitter. “Somos coerentes com as nossas ambições ecológicas, estamos lutando para produzir soja na Europa!”, completou.

O texto acompanha um vídeo de 30 segundos, em que o presidente francês destaca que, “quando importamos a soja produzida a um ritmo rápido a partir da floresta destruída no Brasil, nós não somos coerentes” com as ambições ecológicas europeias.

“Nós precisamos da soja brasileira para viver? Então nós vamos produzir soja europeia ou equivalente”, acrescenta ele no vídeo, após uma visita a agricultores orgânicos na cidade de Tilly nesta terça-feira.

A publicação vem um dia depois da One Planet Summit, uma cúpula liderada por Macron com a participação de chefes de Estado, empresários e representantes de organizações não governamentais, dedicada à preservação da biodiversidade.

Críticas à política ambiental

O aumento do desmatamento na Amazônia e em outros biomas brasileiros nos últimos dois anos gerou uma onda de indignação internacional, com Macron sendo uma das vozes mais críticas à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro.

Os líderes francês e brasileiro chegaram a trocar farpas públicas. Em 2019, Macron disse que as queimadas no Brasil – cujas imagens correram o mundo e aumentaram a pressão sobre o governo brasileiro – eram uma “crise global” e precisavam ser discutidas “com urgência” pelo G7.

À época, a posição de Macron irritou Bolsonaro, que reagiu afirmando que a postura do francês evocava “mentalidade colonialista descabida no século 21”. Membros do governo Bolsonaro e filhos do presidente chegaram a xingar Macron nas redes sociais, e o próprio presidente fez um insulto machista à primeira-dama francesa, Brigitte Macron.

A situação do meio ambiente no Brasil levou inclusive alguns países europeus a ameaçarem não ratificar o acordo de livre-comércio assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que ainda precisa ser confirmado pelos parlamentos de ambas as partes.

Em agosto de 2020, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, se uniu a Macron como voz crítica ao acordo. Por meio de seu porta-voz, ela disse ter “sérias dúvidas” sobre a implementação do pacto comercial devido ao aumento do desmatamento na Amazônia.

Segundo o porta-voz, Berlim observa “com grande preocupação” o desmatamento e as queimadas na região. “Nesse sentido, surgem sérias dúvidas sobre se, no momento, uma implementação do acordo pode ser garantida dentro do espírito pretendido. Vemos isso com ceticismo”, alertou.

Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia cresceu 85%, atingindo 9.165 quilômetros quadrados, o maior nível registrado no bioma desde 2016, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Europa importadora de soja

A Europa é uma grande importadora de soja da América Latina, principalmente do Brasil. O cultivo e a importação de soja para ser usada, por exemplo, como ração para pecuária e biocombustível têm sido fortemente criticados por impulsionar o desflorestamento.

Um relatório apresentado na semana passada em Berlim, intitulado Fleischatlas 2021 (“Atlas da carne 2021”), apontou que 50% dos produtos agrícolas enviados do Brasil à União Europeia, especialmente soja, carne bovina e café, são produto do desmatamento.

Já entre os países europeus, a França é o maior produtor de soja. Em 2020, o governo francês anunciou um plano para aumentar a produção local do grão, visando reduzir a dependência das importações, uma vez que o país continua comprando soja de outros países, sobretudo do Brasil – o que já gerou protestos de organizações ambientalistas como o Greenpeace.

Varejistas franceses também anunciaram que, a partir de 2021, não mais comprariam soja brasileira que tivesse sido cultivada em áreas desmatadas.

Por Deutsche Welle

EK/dpa/lusa/ots

Cabo submarino de fibra ótica ligará Brasil e Europa

(Ilustração/Reprodução)

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, anunciou hoje (10) o lançamento de um cabo submarino de fibra ótica que ligará Fortaleza (CE) a Sines, em Portugal, com previsão de expansão para pontos no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de conexões na África e em outros países europeus, ilhas do Atlântico e Guiana Francesa. A estimativa é de que o projeto esteja concluído até meados de 2021. 

“Na segunda-feira (14), faremos o lançamento de um cabo submarino de fibra ótica que vai sair de Fortaleza até Sines, em Portugal. Serão mais de 6 mil quilômetros. Estimamos que até o segundo trimestre do ano que vem estará pronto”, disse o ministro.

Hoje, toda a informação que o nosso país envia para o Velho Continente vai primeiro para os Estados Unidos, e de lá segue para data centers na Europa. Esse percurso leva o dobro de tempo do que é necessário para fazer a conexão direta entre as duas regiões.

A obra será feita pela empresa EllaLink, proprietária e operadora dos serviços que serão oferecidos pela fibra, tão logo esteja com a infraestrutura concluída. A estrutura proporciona o tráfego de dados a 72 Terabits por segundo (Tbps) e latência de 60 milissegundos. Ao todo, serão lançados e ancorados 6 mil quilômetros de cabos de alta capacidade que devem conectar a capital cearense a Portugal.

“O cabo, em alguns lugares, chega a 5 quilômetros de profundidade. É algo impensável, inimaginável, mas agora nós vamos ter uma conexão direta com a Europa. É uma grande entrega do Ministério das Comunicações que vai ajudar o nosso país no escoamento de dados”. afirmou Faria.

Por Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil 

Pfizer e Biontech pedem autorização para uso de vacina à União Europeia

(Divulgação)

As empresas Pfizer e Biontech anunciaram nesta terça-feira (01/12) que solicitaram autorização de uso condicional de sua vacina para o novo coronavírus às autoridades da União Europeia (UE).

O pedido foi entregue à Agência Europeia de Medicamentos (EMA) nesta segunda-feira, comunicou a alemã Biontech, mesmo dia em que a empresa Moderna, uma concorrente dos Estados Unidos, também solicitou uma autorização de uso condicional à EMA.

A EMA comunicou, logo em seguida, que o resultado da avaliação da vacina da PfizerBiontech deverá estar disponível até 29 de dezembro, e o da vacina da Moderna, até 12 de janeiro. A Comissão Europeia, que em regra segue as recomendações da agência, declarou que poderá autorizar o uso poucos dias depois de uma aprovação.

Pfizer e Biontech manifestaram confiança de que a vacina possa vir a ser utilizada na Europa ainda em 2020. Elas comunicaram uma eficácia de 95% para sua vacina, quando aplicada em duas doses.

Há uma semana, a Pfizer e a Biontech apresentaram uma autorização de uso de urgência à Food and Drug Administration (FDA), a autoridade sanitária dos Estados Unidos, o que a Moderna também fez, nesta segunda-feira. A FDA vai se reunir em 10 de dezembro para analisar o pedido da Pfizer-Biontech e no dia 17 para debater o da Moderna.

Próximos passos

A EMA criou um procedimento especial para acelerar a autorização de vacinas para a covid-19, pelo qual os fabricantes podem adiantar informações antes mesmo de fazer a solicitação formal. Caso os dados informados o permitam, pode ser dada uma autorização condicional. A Pfizer e a Biontech participavam desse procedimento desde outubro, mas ainda não haviam encaminhado a autorização condicional.

Se for autorizado, o uso da vacina da Pfizer-Biontech enfrentará uma dificuldade adicional, pois é necessário conservá-la a 70 graus Celsius negativos. Segundo a Biontech, a vacina será entregue em caixas especiais e poderá ser mantida na temperatura necessária com o uso de gelo seco, por até 30 dias, ou por cinco dias numa geladeira. Um freezer só será necessário para períodos mais longos.

Em declarações à agência de notícias Efe, um funcionário da EMA afirmou que a agência iniciou já nesta terça-feira a avaliação dos pedidos de uso condicional feitos pela Moderna e pela Pfizer e Biontech.

As vacinas da Moderna e da Pfizer-Biontech utilizam a tecnologia inovadora conhecida como RNA mensageiro (mRNA), que não usa o próprio vírus para a produção. Uma vacina com essa tecnologia nunca foi aprovada para uso.

AS/dpa/afp/efe

Por Deutsche Welle

Moderna pede autorização emergencial para vacina nos EUA e na Europa

A farmacêutica americana Moderna anunciou que pedirá nesta segunda-feira (30/11) à agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), e à Agência Europeia de Medicamentos (EMA), autorização para distribuir sua candidata a vacina para o coronavírus.

Os reguladores irão analisar os dados do teste da vacina de mRNA e decidir se é segura e eficaz o suficiente para recomendar sua implementação.

De acordo com a empresa, a análise de eficácia do estudo de fase 3 da vacina incluiu 30 mil participantes com uma eficácia de 94,1%, geralmente boa tolerabilidade e nenhuma preocupação séria de segurança identificada até o momento.

O estudo de fase 3 excedeu a média de dois meses de acompanhamento pós-vacinação, conforme exigido pela FDA para autorização de uso de emergência, segundo a Moderna, em comunicado.

A empresa também afirma que a eficácia da vacina contra os casos mais graves de covid-19 é de 100%.

“Primeiras injeções em dezembro”

“As primeiras injeções podem ser administradas a partir de 21 de dezembro se o processo correr bem e a aprovação for concedida”, disse Stéphane Bancel, diretor-executivo da Moderna, em entrevista ao jornal The New York Times.

De acordo com a empresa, a eficácia da vacina “é consistente” com base na idade, raça e etnia, e demografia de gênero e, embora avaliações em andamento estejam sendo conduzidas, “nenhum problema sério foi identificado”.

No estudo, metade dos participantes recebeu a vacina, e a outra metade, um placebo. Para total proteção, são necessárias duas doses com espaço de tempo entre elas. Um total de 196 casos de covid-19 foram confirmados nos voluntários, sendo 11 desses casos constatados no grupo dos que receberam a vacina, e 185 casos no grupo do placebo. A partir desse resultado, foi calculada a eficácia de 94,1%.

Os novos resultados correspondem aproximadamente aos dados preliminares que a Moderna divulgou no meio de novembro. Além disso, a Moderna anunciou que os 30 casos mais graves da doença ocorreram apenas no grupo que recebeu placebo.

A Moderna afirma que, com base em uma análise anterior, as reações adversas mais comuns quando a vacina foi administrada incluíram dor no local da injeção, fadiga, dores musculares, dor na articulação, dor de cabeça e vermelhidão no local da injeção.

“Esta análise primária positiva confirma a capacidade da nossa vacina de prevenir a doença covid-19 com uma eficácia de 94,1% e, mais importante, a capacidade de prevenir o estado grave da covid-19. Acreditamos que nossa vacina proporcionará uma nova ferramenta poderosa que pode mudar o curso desta pandemia e ajudar a prevenir doenças graves, hospitalizações e mortes”, disse Stéphane Bancel.

Corrida entre farmacêuticas

A Moderna está logo atrás da Pfizer e seu parceiro alemão, Biontech, na busca por iniciar a vacinação nos EUA em dezembro. A parceria entre Pfizer e Biontech, entretanto, ainda não solicitou autorização emergencial na agência europeia EMA. Reguladores britânicos também estão avaliando a vacina da Pfizer e outra da AstraZeneca.

Com o pedido de homologação na EMA, uma vacinação contra o coronavírus também parece mais próxima na Alemanha. Na semana passada, a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou que um acordo-quadro foi fechado com a Moderna para mais de 160 milhões de doses de vacina, com fornecimento inicial de 80 milhões de doses, com opção por mais 80 milhões de unidades. Segundo a Moderna, o inoculante pode ser entregue já em dezembro, dependendo da aprovação.

O preparado da Moderna é semelhante à da candidata a vacina da parceria entre Biontech e Pfizer no modo de ação e também em sua eficácia.

MD/efe/dpa

Por Deutsche Welle

Aposta da Europa em hidrogênio verde abre janela ao Brasil

(GUE/NGL/via Fotos Públicas)

O hidrogênio verde, desenvolvido a partir de fontes renováveis, foi escolhido pela Alemanha e pela União Europeia como meio para alcançar neutralidade na emissão de carbono até 2050 e fazer a transição para uma economia limpa.

Como o bloco não tem condições de produzi-lo na quantidade necessária, está em formação um mercado internacional de hidrogênio no qual países com áreas disponíveis, sol e vento, como o Brasil, podem se tornar exportadores.

O impulso para a adoção do hidrogênio verde é recente. Em junho, a Alemanha anunciou sua estratégia nacional, com um pacote de 9 bilhões de euros para desenvolver a sua produção, armazenamento e transporte, dos quais 2 bilhões de euros serão destinados a parcerias com outros países.

Em julho, a Comissão Europeia também apresentou sua estratégia de hidrogênio, segundo a qual até 2030 o insumo deve ser parte “intrínseca” do sistema energético do bloco.

O estado atual da tecnologia e oportunidades para o Brasil foram discutidos nas últimas segunda e terça-feira (05 e 06/10), no 1º Congresso Brasil-Alemanha de Hidrogênio Verde. Ele foi organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha e pela agência alemã de cooperação internacional GIZ, com representantes de companhias, da academia e da Empresa de Pesquisa Energética, estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

O hidrogênio é obtido a partir da eletrólise da água, em um processo simples que muitas crianças fazem como experimento de ciências no Ensino Fundamental. Nele, uma corrente elétrica quebra a molécula de água e cria moléculas de oxigênio e hidrogênio. A tecnologia para fazer isso em grande escala e transportar o combustível de forma segura, evitando explosões como a do dirigível Hindenburg, já está avançada, mas consome muita eletricidade.

O mercado trabalha com três tipos de hidrogênio. O verde, desejado pela União Europeia, é produzido usando apenas energia de fontes renováveis, que responde por 95% do seu custo final. O azul é extraído do gás natural, e o gás carbônico resultante é capturado e enterrado no solo. O cinza, por sua vez, é produzido com combustíveis fósseis, como diesel ou carvão, com liberação do gás carbônico na atmosfera.

Um dos usos possíveis do hidrogênio é alimentar células de combustível que produzem uma corrente elétrica para movimentar motores, em uma reação que libera vapor de água — especialmente útil em veículos pesados, como caminhões ou navios, nos quais o uso de baterias grandes e pesadas reduz a autonomia do deslocamento, mas que dependeria da criação de rede de postos de abastecimento. Em setembro, a Daimler apresentou seu primeiro caminhão com motores elétricos alimentados por células de hidrogênio.

O hidrogênio também pode ser usado em processos industriais, como na produção de fertilizantes e na siderurgia, para produzir aço sem a necessidade de carvão coque. Misturado ao gás natural, também serve para movimentar usinas termelétricas.

A escolha da Europa

No Brasil, a necessidade de encontrar rapidamente alternativas aos combustíveis fósseis não é tão urgente. A matriz energética do país é composta por 83% de fontes renováveis, das quais a hidrelétrica é a principal. Já na União Europeia, 70% da matriz energética é baseada em combustíveis fósseis, o que aumenta a pressão pela busca de outras fontes. O bloco já esgotou seu potencial hidrelétrico, e os parques eólicos e solares são fontes intermitentes de eletricidade, que dependem do vento e sol, desafiando o fornecimento estável ao longo do ano sem o uso de baterias.

O aquecimento global e a sustentabilidade ambiental, por sua vez, são temas com cada vez mais relevância política na Europa, que estabeleceu metas ambiciosas de redução de emissões. Também preocupa os europeus a segurança energética, para que o bloco não dependa tanto do gás russo, como indica a controversa construção no gasoduto Nord Stream 2.

“Com a estratégia de criar um mercado mundial de hidrogênio, a Europa consegue atingir dois grandes objetivos. Um é segurança energética, poder comprar hidrogênio de muitos países. Qualquer país que tiver energia renovável e quiser produzir e exportar hidrogênio, a Europa vai ser um grande consumidor. E, importando hidrogênio verde, atinge seu objetivo de ser carbono zero em 2050”, afirma o economista Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O coronavírus acabou dando um empurrão inesperado ao hidrogênio verde. Ao definir o pacote de estímulo para a economia se recuperar da pandemia, a Alemanha decidiu priorizar tecnologias verdes. A ministra do Meio Ambiente alemã, Svenja Schulze, declarou que a estratégia de hidrogênio daria um “duplo impulso” ao país, fortalecendo a proteção do clima e a recuperação da economia.

A inserção do Brasil

Para obter o hidrogênio verde necessário às suas metas, a Alemanha tem interesse em estimular a produção do insumo em outros países, a partir de parques eólicos e solares criados para esse fim, que seria depois exportado. Além do sul da Europa e da África, o Brasil é um parceiro potencial.

Nesse modelo, um dos cenários possíveis são empresas ou governos de países europeus contratarem empresas brasileiras para produzir energia elétrica renovável e usar essa energia para produzir hidrogênio verde para exportação, com financiamento externo para a construção das usinas.

Segundo Castro, uma das vantagens no Brasil nesse tema é a estabilidade de seu marco jurídico do setor elétrico, e ele prevê uma queda sensível do custo de produção nos próximos anos. “Hoje ainda é uma tecnologia cara, como a eólica e a solar eram caras há dez anos. Mas o que é caro hoje ficará barato rapidamente, porque vai aumentar a escala. A vantagem é que o custo da energia elétrica renovável já está muito barato”, diz.

O Chile já decidiu investir na construção de plantas produtoras de hidrogênio verde e deve inaugurar sua primeira em 2022, ao norte de Punta Arenas, à base de energia eólica. E a empresa alemã Thyssenkrupp está construindo na Arábia Saudita o que deve se tornar a maior planta produtora de hidrogênio verde do mundo, com potência de 3 Gigawatts a partir de fontes solares. Ela entrará em operação em 2025 e será voltada à exportação do insumo.

Paulo Alvarenga, CEO da Thyssenkrupp para a América do Sul, afirma que, além de exportar hidrogênio verde, o Brasil deveria usá-lo para produzir fertilizantes em seu território. “O Brasil importa 80% dos fertilizantes nitrogenados que a gente consome, sendo que um quarto de nosso PIB está ligado ao agribusiness”, diz.

Hidrogênio a partir de etanol

Uma alternativa para o Brasil usar o hidrogênio em sua matriz energética seria produzi-lo a partir do etanol, em vez da eletrólise da água. Em 2016, a Nissan apresentou um carro que usava uma célula de combustível para transformar o etanol em hidrogênio, que em seguida gera uma corrente elétrica para movimentar o motor.

Desde 2018, a montadora japonesa tem uma parceria com o Laboratório de Genômica e Bioenergia da Universidade Estadual de Campinas para aprimorar a tecnologia. O geneticista Gonçalo Pereira, que coordena o estudo, afirma que nesta fase eles estão desenvolvendo um projeto de reformador, aparelho que converte o etanol em hidrogênio, tendo como subproduto o gás carbônico.

“Países com biomassa grande não têm necessidade da tecnologia mais cara do hidrogênio verde. Aqui podemos pegar o etanol, que é um cacho de hidrogênio e já está cheio de energia”, afirma. Segundo ele, um carro com motor a explosão movido a etanol converte 25% do combustível em energia, enquanto em um veículo movido a célula de combustível teria uma eficiência maior que 60%. “E com um combustível líquido, fácil de transportar”, diz, lembrando que o carbono emitido não tem origem fóssil, já que foi capturado pela cana de açúcar.

Ele é cético quanto ao uso do hidrogênio verde no Brasil, devido ao seu custo de produção, e tem críticas à disseminação em larga escala de automóveis elétricos movidos a bateria, produzidas com metais encontrados em poucos países. “É uma tecnologia que precisa de um bem esgotável e mal distribuído. [Irá provocar] confusão geopolítica do mesmo jeito que o petróleo. O que a gente acredita é que dá para fazer motores sofisticados usando o etanol como bateria”, diz.

Por Bruno Lupion, da Deutsche Welle

Justiça da Europa valida lei que impõe limites ao Airbnb

(Reprodução)

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) validou nesta terça-feira (22/09) a lei francesa que regula o aluguel de apartamentos por curtos períodos, como os oferecidos no site Airbnb. A vitória foi celebrada pelo governo de Paris e de outras cidades europeias que enfrentam um déficit de moradias.

O caso envolve dois proprietários que foram multados em 15 mil euros pela cidade de Paris por alugarem apartamentos pelo Airbnb a turistas sem autorização prévia da prefeitura. Os proprietários apelaram da pena, e o caso chegou ao Tribunal de Cassação da França, mais alta instância do sistema judicial francês, que recorreu ao TJUE para obter orientações sobre a aplicação das regras da União Europeia no mercado interno.

Os juízes do TJUE concluíram que as regras francesas estão em conformidade com as leis do bloco sobre negócios, reforçando o direito dos Estados-membros de combaterem a falta de moradias. A exigência de autorização para o aluguel de apartamentos a turistas é uma “razão primordial de interesse público”, pois ajuda a combater a falta de moradias, afirmou a corte.

O caso será agora devolvido aos tribunais franceses para a decisão final. O caso ainda não foi encerrado porque o tribunal francês terá agora de verificar se a cidade de Paris forneceu efetivamente provas de falta de habitação.

A lei francesa condiciona o aluguel de imóveis mobiliados a curto prazo, como pelo Airbnb, a uma autorização prévia da prefeitura em cidades com mais de 200 mil habitantes e nos subúrbios de Paris. 

A prefeita parisiense, Anne Hidalgo, festejou a decisão. “Esta vitória, esperada por várias cidades, marca uma mudança no regulamento de aluguéis sazonais e representa um passo adiante para o direito de moradia a todos”, afirmou.

A capital francesa é uma das várias cidades europeias que têm tentado conter a atividade de sites de aluguel de curto prazo nos últimos anos devido ao aumentos acentuados dos valores de aluguéis de residências.

O Airbnb enfatizou que a decisão “dará clareza aos anfitriões que compartilham uma segunda casa em Paris” e que a empresa espera trabalhar com as autoridades locais em regras que “funcionem para todos e que tenham como foco as famílias locais e a sociedade”.

A plataforma Airbnb, fundada nos EUA em 2008, e serviços concorrentes são muito populares entre os turistas como alternativa aos hotéis. Para os donos de imóveis, o aluguel de curto prazo por algumas noites para turistas geralmente é muito mais lucrativo do que o de longo prazo para moradores. No entanto, essas plataformas estão sob fortes críticas nas metrópoles de todo o mundo, pois elas contribuem para diminuir a oferta de apartamentos de moradia e encarecer os aluguéis para a população local.

LE/dpa/lusa/ots

Por Deutsche Welle

Casos de Covid-19 crescem entre jovens e Itália fecha boates

A Itália anunciou neste domingo (16/08) que decidiu fechar suas discotecas e clubes e tornar obrigatório o uso de máscaras em espaços abertos durante a noite, na primeira reimposição de medidas de contenção contra o coronavírus no país europeu desde sua reabertura.

A decisão ocorre num momento em que os casos de covid-19 voltaram a crescer na Itália – primeiro país europeu a ser duramente atingido pela crise –, especialmente entre os mais jovens.

O número de novas infecções reportadas ao longo da última semana em território italiano foi mais que o dobro das cifras registradas há três semanas. A idade média dos novos infectados caiu para menos de 40 anos, segundo revelam dados oficiais.

As novas regras entram em vigor nesta segunda-feira e valerão por pelo menos três semanas, até o início de setembro. As máscaras serão obrigatórias entre 18h e 6h da manhã, em locais ao livre próximos a bares e pubs e onde aglomerações são mais prováveis.

“Não podemos anular os sacrifícios feitos nos últimos meses. Nossa prioridade precisa ser a reabertura das escolas em setembro, em segurança total”, afirmou o ministro italiano da Saúde, Roberto Speranza, no Facebook.

No sábado, Speranza pediu aos jovens que mantenham o máximo de cautela possível, já que, “se eles infectarem seus pais e avós, correm o risco de causar danos reais”.

O anúncio da nova medida coincide com o feriado italiano chamado Ferragosto, em que muitos costumam viajar, ir à praia e sair para dançar. Nos últimos dias, jornais italianos publicaram imagens de multidões de jovens celebrando o feriado em discotecas ao ar livre.

A Itália vinha mantendo abertos seus clubes, apesar das crescentes críticas de que eles atraem grandes aglomerações, que o distanciamento social não está sendo respeitado nesses locais e que máscaras não estão sendo usadas.

Algumas regiões italianas, como a Calábria, já ordenaram o fechamento de todos os seus clubes de dança, enquanto outras, como a Sardenha, os mantiveram abertos.

A indústria tem receitas anuais de 4 bilhões de euros e emprega quase 50 mil pessoas em 3 mil clubes em todo o país, segundo o sindicato Silb, que representa empresas do setor e pediu ajuda ao governo. O ministro italiano da Indústria, Stefano Patuanelli, reconheceu que haverá danos econômicos com o fechamento dos clubes, mas disse que não via outra alternativa.

A Itália vem registrando nos últimos dias os maiores números diários de casos de covid-19 desde maio. No sábado, foram 629 infecções, marcando o terceiro dia consecutivo com mais de 500 casos diários. Já neste domingo, o país registrou 479 novas ocorrências.

Desde o início da epidemia no país, no final de fevereiro, mais de 253 mil pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus e mais de 35 mil morreram devido à doença.

Espanha também fecha clubes

A reimposição de medidas de contenção na Itália segue decisões semelhantes tomadas por outros países europeus, que também registram um ressurgimento do vírus.

Neste domingo, entraram em vigor novas restrições em duas regiões da Espanha, que incluem também o fechamento de discotecas e uma proibição parcial de fumar ao ar livre.

A pequena região vinícola de La Rioja, no norte, e a região de Múrcia, no sudeste, se tornaram as primeiras do país a implementar uma série de novas medidas anunciadas na sexta-feira pelo ministro espanhol da Saúde, Salvador Illa, e que serão aplicadas em todo o país.

As medidas incluem o fechamento de todas as discotecas, clubes de dança e casas noturnas, enquanto restaurantes e bares só poderão funcionar até 1h da manhã, sendo proibida a admissão de novos clientes depois da meia-noite.

 As visitas em lares de idosos também foram limitadas, e fumar ao ar livre em locais públicos está proibido quando uma distância de dois metros não pode ser mantida. O veto ao fumo na ruas já estava em vigor em duas das 17 regiões autônomas da Espanha, Galícia e Ilhas Canárias.

Espera-se que os governos regionais restantes comecem a implementar as novas medidas nos próximos dias.

A Espanha foi outro país europeu duramente atingido pela pandemia de coronavírus. Ao todo, mais de 342 mil pessoas foram infectadas e 28 mil morreram em decorrência da doença.

EK/rtr/afp/ap/ots

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