Após cerca de um ano de exílio, Evo Morales volta à Bolívia

Evo Morales é recebido por apoiadores (Redes Sociais/Reprodução)

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales voltou nesta segunda-feira (09/11) ao país natal, após ficar cerca de um ano exilado na Argentina. Seu retorno ocorreu um dia depois da posse do esquerdista Luis Arce, que marcou a volta ao poder do Movimento ao Socialismo (MAS).

Morales voltou à Bolívia junto com Álvaro García Linera, que foi seu vice-presidente durante os 13 anos que comandou o país, e de vários ex-ministros do seu governo. O ex-presidente cruzou a fronteira a pé com a Argentina na cidade boliviana de Villazón e foi recebido por uma multidão.

O ex-líder boliviano foi acompanhado pelo presidente argentino, Alberto Fernández, que se despediu de Morales na fronteira entre os dois países.

Morales liderou uma grande carreata, que reuniu grande número de pessoas ainda em La Quiaca, na Argentina, país onde o antigo mandatário chegou em 12 de dezembro, após uma passagem de cerca de um mês pelo México. A carreata seguirá para Chimoré, onde chegará na quarta-feira.

Chimoré foi a cidade de onde, em 11 de novembro de 2019, o ex-presidente embarcou rumo ao México, um dia após renunciar à presidência por pressão dos militares e de setores conservadores, que o acusaram de fraude eleitoral no pleito presidencial de outubro de 2019.

Na época, Morales havia sido declarado vencedor das eleições, obtendo um quarto mandato consecutivo, mas a oposição fez diversas denúncias de fraude e conseguiu anular o pleito e implementar um governo interino. O ex-presidente sempre negou as acusações.

Após sua renúncia, ele deixou o país e um mandado de prisão contra ele foi emitido em dezembro por crimes de terrorismo e sedição. A promotoria boliviana também abriu outro processo por suposta fraude eleitoral. As acusações foram apresentadas pelo governo transitório de Jeanine Áñez, instalado após a queda do ex-presidente.

Morales e seu partido, o MAS, sempre rejeitaram as acusações e alegaram que os processos judiciais tiveram motivação política. No final de outubro deste ano, a Justiça boliviana anulou a ordem de prisão.

A anulação da ordem de prisão ocorreu pouco mais de uma semana depois de seu aliado Luis Arce, sucessor de Morales como líder do MAS, ter conquistado uma vitória esmagadora nas eleições presidenciais bolivianas, em 18 de outubro.

CN/efe/lusa

Por Deutsche Welle

Bolívia: Boca de urna aponta vitória de aliado de Evo Morales

Luis Arce ao lado de apoiadores (Rede Social/Reprodução)

Enquanto a Bolívia espera nesta segunda-feira (19/10) dados oficiais sobre a eleição presidencial deste domingo, pesquisas de boca de urna apontam a vitória em primeiro turno de Luis Arce, candidato do Movimento para o Socialismo (MAS) apoiado pelo ex-presidente Evo Morales. Arce foi ministro de Economia e Finanças em duas ocasiões, entre 2006 e 2017 e novamente em 2019.

Embora os resultados oficiais possam demorar dias, o governo interino já reconheceu a vitória de Arce. Foi a primeira vez desde 1997 que Morales não participou do pleito como candidato. Ele está exilado na Argentina, desde que renunciou, há quase um ano.

Segundo pesquisa Ciesmori, comnsiderado o mais confiável instituto de pesquisa do país, para as emissoras Unitel e Bolivision, Arce obteve 52,4% dos votos, seguido pelo ex-presidente boliviano Carlos Mesa, da Comunidade Cidadã, com 31,5%, e Luis Fernando Camacho, do Creemos, com 14,1%.

O resultado é semelhante ao apontado pelo levantamento da iniciativa Tu Voto Cuenta, transmitido pela emissora Cadena A, que atribuiu 53% dos votos a Arce, 30,8% a Mesa e 14,1% a Camacho.

A presidente-interina da Bolívia, Jeanine Áñez, publicou no Twitter que ainda não existe uma contagem oficial, mas que, com base nos dados disponíveis, Arce e seu vice, David Choquehuanca, venceram as eleições. “Parabenizo os vencedores e peço-lhes que governem tendo a Bolívia e a democracia em mente”, escreveu a presidente-interina.

“Democracia recuperada”

Arce disse que a Bolívia ”voltou à democracia”. “Vamos trabalhar por todos os bolivianos, vamos constituir um governo de unidade nacional”, declarou em uma coletiva de imprensa. Perante os jornalistas, em La Paz, Arce falou dos planos para liderar o país, enquanto a contagem de votos mal ultrapassava os 5%.

De Buenos Aires, Morales parabenizou Arce e afirmou que o MAS também terá maioria nas duas câmaras da Assembleia Legislativa. ”Irmãos da Bolívia e do mundo, Lucho [Arce] será o nosso presidente”, assegurou Morales.

O ex-presidente deu ”parabéns” aos vencedores e garantiu que este foi um ”dia histórico”, no qual ”a democracia foi recuperada”. 

“Hoje recuperamos a democracia. Recuperamos a pátria. Recuperaremos a estabilidade e o progresso. Recuperaremos a paz. Devolveremos a liberdade e a dignidade ao povo boliviano”, afirmou.

Morales também apelou que líderes se envolvam num grande acordo nacional para tirar o país da crise. ”Devemos deixar de lado as diferenças, os interesses setoriais e regionais para conseguirmos um grande acordo nacional com partidos políticos, empresários, trabalhadores e o Estado. Juntos construiremos um país sem rancores e que nunca recorra à vingança”, disse Morales. 

O órgão eleitoral, o governo interino da Bolívia e as missões internacionais de observadores pediram calma enquanto se aguarda o resultado oficial, que pode levar vários dias. 

Essas foram as segundas eleições presidenciais bolivianas em um ano. O país vive tensão política desde o pleito de outubro do ano passado. De acordo com as autoridades eleitorais do país, Morales venceu a eleição. Porém, a oposição garante que a votação foi fraudada e auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA) denunciou irregularidadesem favor de Morales. Após pressão popular, Morales renunciou em novembro de 2019. Novas eleições foram convocadaspara maio, mas foram adiadas duas vezes devido à pandemia. 

A oposição dividida favoreceu a eleição de Arce, apoiado pelas camadas mais pobres da população. Mesa, um moderado professor universitário, é apoiado pela classe média urbana liberal da Bolívia. Já a elite conservadora e empreendedora torcia pelo populista de direita Camacho, que se recusou a desistir da candidatura para aumentar as chances de Mesa.

De acordo com as leis eleitorais da Bolívia, para vencer a eleição presidencial em primeiro turno, o candidato precisa de 50% dos votos mais um ou 40% dos votos com uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Renúncia de Morales          

Em 21 de fevereiro de 2016, um referendo constitucional foi realizado na Bolívia para permitir uma emenda que possibilitaria ao chefe de Estado se candidatar à reeleição duas vezes consecutivas. O “Não” venceu com 51,3% dos votos, o que impediria Morales de disputar as eleições presidenciais de 2019. Apesar disso, ele concorreu.

Morales argumentou à Justiça que, se não pudesse concorrer nas eleições, o “direito humano” de cada cidadão de eleger e ser eleito seria reduzido. O Tribunal Constitucional acatou a premissa, e Morales registrou a candidatura em dezembro de 2018, gerando protestos da oposição.

Mesa disse que a decisão da Justiça foi uma “ferida de morte para a democracia”. Outros oponentes chegaram a falar de um “golpe” institucional e do início de uma “ditadura”. Logo em seguida, Mesa afirmou que enfrentaria Morales nas eleições.

Em 20 de outubro de 2019, foram realizadas as eleições gerais, com a participação de mais de 88% dos eleitores. Os resultados, porém, foram sendo entregues a conta-gotas, o que despertou suspeitas na oposição e nos organismos internacionais. Inicialmente, Morales não conseguiu os votos necessários para vencer no primeiro turno, mas, após uma virada surpreendente, ele conseguiu a vitória.

Depois de vários dias, o resultado final confirmou a vitória a Morales, com 47,08% dos votos, contra 36,51% de Mesa. A oposição considerou a eleição fraudada e foi às ruas em protestos.

Mesa convocou seus seguidores a defenderem os votos e forçarem um segundo turno. Os protestos e confrontos começaram logo após as eleições e tornaram-se mais violentos com o passar dos dias.

Outros líderes se juntaram aos protestos, como Camacho, que conseguiu convocar diferentes organizações para solicitar a renúncia de Morales.

A noite de 8 de novembro foi fundamental para a renúncia de Morales. Na data, a polícia se rebelou em diferentes regiões do país. Morales denunciou que havia um golpe de Estado em andamento.

Em 9 de novembro, o país somava 3 mortos e quase 350 feridos, em um ambiente de polarização crescente.

Em 10 de novembro de 2019, após 14 anos no poder, Morales renunciou, depois de perder o apoio das Forças Armadas e da polícia. A renúncia provocou uma onda de incêndios, saques e ataques.

Governo interino

Em 12 de novembro, a senadora da oposição Jeanine Áñez se declarou presidente interina da Bolívia, numa sessão no Parlamento que não contou com a presença dos representantes do MAS.

Añez, uma advogada opositora de Morales de 53 anos, reivindicou o direito de assumir interinamente a chefia do Estado devido às renúncias do vice-presidente da República e dos presidentes e vice-presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

Segundo a Constituição, no caso de renúncia do presidente e vice, o poder passa para o presidente do Senado e o presidente da câmara baixa do Congresso, nessa ordem. Porém, todos eles renunciaram junto com Morales. Mesmo sem quórum, Añez acabou sendo nomeada presidente do Senado e se autodeclarou presidente interina. Em comunicado, o Tribunal Constitucional da Bolívia reconheceu a nomeação da senadora e disse que a manobra estava em conformidade com a Constituição do país, que foi promulgada em 2009 por Morales.

O governo de Áñez também não ficou livre de polêmicas. Ela e seus aliados se envolveram em escândalos de corrupção e manifestaram sentimentos religiosos extremistas e calúnias raciais. Áñez, por exemplo, chegou a se referir aos povos indígenas do país como “selvagens”.

Eleições tranquilas

Apesar do caos político, as eleições deste domingo transcorreram com tranquilidade. Áñez, agradeceu aos cidadãos, às autoridades eleitorais e às forças de segurança por ajudarem a tornar este dia “um feriado pacífico e democrático”.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Salvador Romero, destacou que o dia da votação terminou de forma “pacífica e participativa”, de que o país precisava “para fortalecer sua democracia”.

A Missão de Observação Eleitoral da OEA expressou seu agradecimento ao “povo boliviano por sua atitude cívica ao vir de forma massiva e pacífica para exercer seu direito de voto”.

Na mesma linha, a delegação da União Europeia (UE) felicitou “o povo boliviano por ter protagonizado uma jornada eleitoral pacífica e participativa” e apelou a que se preservasse a calma enquanto se aguardam os resultados oficiais.

LE/efe,lusa,ots

Por Deutsche Welle

Embaixada na Bolívia é cercada por militares, denuncia México

Por RTP

(Twitter/Reprodução)


O México denunciou nessa quarta-feira (25) a crescente presença de forças de segurança bolivianas próximo à embaixada em La Paz, onde ex-integrantes do gabinete do governo do ex-presidente Evo Morales procuraram refúgio.

O Ministério das Relações Exteriores do México disse que um número maior de militares cerca a residência desde terça-feira. O subsecretário do México para a América Latina, Maximiliano Reyes, descreveu as patrulhas bolivianas em torno da sede diplomática como um “cerco”.

Numa nota diplomática de queixa endereçada ao Ministério das Relações Exteriores da Bolívia, o México disse que existem drones sobrevoando a residência do embaixador, descrevendo a situação como uma “intromissão indevida”.

Em comunicado divulgado quase ao mesmo tempo, o Ministério disse ter convocado o embaixador da Bolívia para “explicar as ações das autoridades bolivianas”.

(Twitter/Reprodução)

As relações entre os dois países estão tensas desde que o México concedeu asilo a Morales, que renunciou em 10 de novembro, em meio a uma revolta nacional depois de ter reivindicado vitória em eleição supostamente fraudulenta.

Morales, desde então, exilou-se na Argentina e diz que pretende permanecer envolvido na política na vizinha Bolívia, enquanto alguns membros do seu gabinete permanecem escondidos na residência do embaixador mexicano. Eles são considerados fugitivos pelas autoridades bolivianas.

*Emissora pública de televisão de Portugal

Decretada prisão do ex-presidente da Bolívia Evo Morales

Por  Marieta Cazarré 

(Twitter/via Fotos Públicas)


O Ministério Público da Bolívia emitiu nesta quarta-feira (18) mandado de prisão contra o ex-presidente Evo Morales pelos crimes de terrorismo e rebelião. Morales, que no dia 10 de novembro asilou-se no México, após renunciar ao mandato presidencial, está refugiado na Argentina desde a última quinta-feira (12).

O mandado de prisão foi emitido pelo Ministério Público Especial Anticorrupção e poderá ser executado a qualquer momento, de acordo com informações da Agência Boliviana de Informação (ABI). O líder cocaleiro Faustino Yucra também é alvo da ação, pelos mesmos crimes.

No dia 22 de novembro, Arturo Murillo, atual Ministro de Governo da Bolívia, apresentou uma denúncia ao Ministério Público após o vazamento de um vídeo em que Morales supostamente incita a violência e dá ordens a Faustino Yucra para que os bloqueios nas estradas persistissem em todo o país, impedindo a distribuição de alimentos e combustíveis.

No material apresentado por Murillo, o ex-presidente Evo Morales fala em derrotar o “golpe de Estado racista e fascista”. No áudio, ouve-se esse apelo: “Irmãos, não deixem que entre comida nas cidades, vamos fazer um cerco às cidades (…) Agora estamos vivendo na ditadura, esta é a ditadura, alguns não entendem [o que é a ditadura], mas agora as pessoas vão ver o que é viver a ditadura com o golpe de Estado. Estou pensando, e quero que saibam que, se a Assembleia [Legislativa] amanhã ou depois rejeitar a minha renúncia, tentarei voltar, irmão. Mesmo que me prendam, lutaremos muito contra os racistas e fascistas.”

O chefe da Divisão de Corrupção Pública da Força Especial de Combate ao Crime, Luís Fernando Guarachi, informa que o órgão têm coletado evidências e elementos que podem contribuir para a investigação de tais fatos. Ele diz ainda que uma propriedade de Morales foi objeto de busca e apreensão e que um computador pessoal e documentos foram coletados para perícia.

Após renúncia de Evo, Congresso aprova novas eleições

Por ABI

Votação teve apoio unânime (ABI/Reprodução)


A Câmara dos Deputados da Bolívia sancionou, por unanimidade, neste sábado (23), a Lei do Regime Excepcional e Transitório para Eleições Gerais, e enviou ao Poder Executivo para promulgação.

“Na ausência de considerações importantes, esta lei é sancionada, consulte o Poder Executivo para fins constitucionais”, disse o presidente da Câmara, Sergio Choque, ao final da sessão.

A norma consiste em 24 artigos e cinco disposições finais.

Shock disse que, apesar das diferenças políticas entre os parlamentares, na sessão prevaleceu o interesse do povo boliviano, o que era necessário para garantir que os legisladores querem pacificar o país.

“Neste momento, a lei que aprovamos aqui na Câmara dos Deputados já está sendo enviada, espero que amanhã (24) seja promulgada pelo presidente em transição”, disse em um breve contato com jornalistas.

Eleições sem efeito

De acordo com a Lei sobre Regime Excepcional e Transitório para a Eleição Geral, as eleições realizadas em 20 de outubro ficam sem efeito legal e novas eleições são realizadas para eleger representantes.

Em relação à eleição dos membros do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE), a regra estabelece que a Assembleia Legislativa Plurinacional (ALP) realizará um novo processo eleitoral, no máximo em até 20 dias corridos, a partir da aprovação dos regulamentos.

Quanto às eleições gerais, os membros do TSE dentro de dois dias corridos após a sua posse farão a convocação para as eleições gerais de 2020.

Da mesma forma, o TSE, através do Serviço de Registro Cívico (Sereci), executará as tarefas de saneamento da lista eleitoral para as eleições.

A lei também estabelece que todas as organizações políticas de abrangência nacional com registro atualizado possam se envolver na promulgação da norma.

Com relação aos candidatos, a regra estabelece que os cidadãos que foram reeleitos continuamente para um cargo eletivo, durante os dois períodos constitucionais anteriores, não podem concorrer como candidatos ao mesmo cargo eletivo.

Senado

Antes da votação na Câmara, os senadores aprovaram, também por unanimidade, o Projeto de Lei sobre Regime Excepcional e Transitório para a realização de Eleições Gerais.

Os representantes da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Organização das Nações Unidas (ONU), da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e da Igreja Católica, como mediadores, acompanharam a sessão.

Bolívia pode revogar decreto que livra militares de punição

Por Marieta Cazarré, correspondente em Montevidéu

(Twitter/Reprodução)


O governo interino da Bolívia está disposto a revogar o decreto 4078, assinado na semana passada, que isenta as Forças Armadas de responsabilidade penal. Em troca, o governo exige avanços no diálogo com os setores mobilizados e o desbloqueio de estradas.

O decreto 4078, que foi assinado sem o apoio da maioria do parlamento, define que “o pessoal das Forças Armadas que participa das operações de restauração da ordem interna e da estabilidade pública ficará isento de responsabilidade criminal quando, em cumprimento de suas funções constitucionais, atuar em defesa legítima ou estado de necessidade, em conformidade com os princípios de legalidade, necessidade absoluta e proporcionalidade”.

Hoje (21), o ministro da Presidência, Jerjes Justiniano, afirmou que o pedido de revogação do decreto foi feito por setores mobilizados e que, em contrapartida, ele solicitou que desbloqueiem a planta da empresa pública de gás YPFB. O cerco a essa planta impede a normal distribuição de gás e petróleo e atinge, principalmente, as cidades de El Alto e La Paz.

Revogação

“Podemos revogar, não se trata de uma conversa de surdos. Revogamos, damos um passo. E vocês que passo vão dar para continuar o diálogo?”, questionou o ministro. Nas próximas horas, representantes do governo se reunirão com líderes dos movimentos de oposição para analisar propostas e tentar avançar rumo à pacificação dos conflitos.

Na terça-feira (19), pelo menos três pessoas morreram em um conflito na região de Senkata, onde está situada a planta da YPFB. Manifestantes dinamitaram os muros da empresa, incendiaram veículos e tentaram invadir a planta. O conflito ocorreu enquanto um forte operativo policial dava proteção a caminhões carregados de gás e petróleo, que saíam do local para abastecer El Alto e La Paz.

Justiniano lamentou as mortes, mas insistiu que nenhum disparo foi feito pelas forças policiais. “O uso da força militar foi absolutamente proporcional”, afirmou.

Mais 3 manifestantes são mortos na Bolívia; Militares negam disparo

Por Marieta Cazarré, correspondente em Montevidéu

Famílias velam os corpos em igrejas (Twitter/Reprodução)


Três mortes e 25 pessoas feridas. Este foi o resultado de mais uma jornada de conflitos entre manifestantes e policiais na cidade de El Alto, na Bolívia, ontem (19). Nesta cidade, um grupo de manifestantes explodiu, com dinamites, muros da planta da YPFB, empresa pública de petróleo. Carros também foram incendiados. O governo afirma que nenhum disparo foi feito pelas Forças Armadas.

As cidades de La Paz e El Alto estão sofrendo desabastecimento de combustíveis e alimentos devido aos bloqueios das estradas. O governo está enviando carnes, verduras e ovos em aviões de carga, para suprir as necessidades básicas das populações dessas cidades. 

Depois dos incidentes, o ministro da Defesa, Fernando López, lamentou que uma operação pacífica, planejada para a transferir combustível e gás da fábrica da região de Senkata, na cidade de El Alto, para La Paz, tenha terminado com um saldo tão negativo.

“Lamentavelmente registramos 25 feridos e três mortes. Até agora, não temos a autópsia, mas quero esclarecer que o Exército não disparou um único projétil, as Forças Armadas continuam com a premissa de diálogo permanente”, afirmou López. 

(RTP/Reprodução)

Oficialmente, o governo da Bolívia já registrou 26 mortes desde o início dos protestos, após a realização das eleições no dia 20 de outubro. 

O ministro da Defesa afirmou ainda que os eventos violentos de ontem foram gerados por pessoas que “estão sendo pagas para  causar terror, pânico e destruição de propriedades estatais”. López disse ainda que esses grupos, que não têm propostas, “querem semear o terror” enquanto o governo está determinado a abrir o diálogo com todos os setores para alcançar a paz no país.

Bolívia: Sobe para 23 o número de mortes em protestos

Por RTP

Manifestação na Bolívia (Twitter/via Fotos Públicas)


Quatro pessoas morreram nesse sábado (16) em manifestações na Bolívia, elevando para pelo menos 23 o número mortos desde o final de outubro, início da crise social e política, anunciou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

A CIDH, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), também registrou pelo menos 122 feridos desde sexta-feira (15).

Também no sábado, o governo de transição da Bolívia garantiu que o decreto que isenta polícias e militares da responsabilidade criminal, quando agem em situações de necessidade e sob legítima defesa, não é uma “licença para matar” e está enquadrado na Constituição e nas leis do país.

Em entrevista no Palácio do Governo de La Paz, o ministro interino da Presidência, Xerxes Justiniano, disse que a medida divulgada na sexta-feira (15) “não contribui para nenhum estado de maior violência”, mas é um instrumento para “contribuir para a paz social”.

A resposta governamental surge na sequência de uma acusação feita pela CIDH, de que essa regra assinada pela presidente interina, Jeanine Áñez, “ignora os padrões internacionais” de direitos humanos e “estimula a repressão violenta”.

O ex-presidente boliviano Evo Morales afirmou, em entrevista divulgada sexta-feira pela agência de notícias Associated Press, que quer a ONU mediando a crise política no país e admitiu pedir a intervenção da Igreja Católica e do papa Francisco.

Morales afirmou ter sido deposto do cargo por um golpe de Estado que o forçou a exilar-se no México.

A renúncia de Morales surgiu após protestos em todo o país por suspeita de fraude na eleição de 20 de outubro, na qual o governante anunciou ter conquistado um quarto mandato.

Uma auditoria da Organização dos Estados Americanos constatou irregularidades generalizadas na eleição.

Grande parte da oposição a Morales foi desencadeada pela recusa do então chefe de Estado boliviano em aceitar um referendo que o poderia proibir de concorrer a novo mandato.

https://www.youtube.com/watch?v=kQtKdaB1PS4

Eleitores de Evo Morales morrem em protesto

(RTP/Reprodução)


Pelo menos cinco eleitores que declaram apoio ao ex-presidente Evo Morales, exilado no México, morreram durante protestos que foram reprimidos com violência pelos militares. Segundo relatos, manifestantes entraram em conflito com a polícia em Cochabamba.

Segundo agências de notícias internacionais, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos confirmou as mortes e apontou para um número indeterminado de feridos. Para a Comissão, houve “uso desproporcional da força policial e militar”, que teriam usado armas de fogo para reprimir manifestantes.

Oficiais das Forças Armadas disseram à imprensa local que os manifestantes usavam armas letais, mas nenhum militar ficou ferido.

Manifestação na Bolívia (Twitter/via Fotos Públicas)

Na sexta-feira, em entrevista a Associated Press, Evo Morales solicitou a presença da Organização das Nações Unidas (ONU) para mediar a crise no país e admitiu pedir intervenção da Igreja Católica e do Papa Francisco. Evo reafirmou que foi vítima de um golpe.

O ex-presidente renunciou após suspeitas de fraude nas eleições de 20 de Outubro, levantadas pela Organização dos Estados Americanos (OEA). A eleição havia garantido a Evo o quarto mandato.

Evo Morales acusa OEA de se juntar a golpe na Bolívia

Por Marieta Cazarré – Repórter da Agência Brasil em Montevidéu

Evo Morales ao desembarcar para exílio no México (Twitter/via Fotos Públicas)


O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou hoje (13) que a Organização dos Estados Americanos (OEA) se juntou ao golpe de Estado e a chamou de “neogolpista”. As declarações foram feitas em entrevista concedida à W Rádio Colômbia. Morales pediu que militares e policiais não “metam bala no povo”.

“Infelizmente, a OEA aderiu a esse golpe de Estado. Eu recomendo aos novos políticos da América Latina cuidado com a OEA. A OEA é neogolpista para mim”, disse.

Morales está na Cidade do México desde ontem (12). O país ofereceu-lhe asilo político após ele ter anunciado sua renúncia, no último domingo (10).

Em uma auditoria nas eleições bolivianas, a organização internacional concluiu que houve “graves irregularidades” e solicitou que fosse realizado um novo pleito, com novos representantes no Tribunal Supremo Eleitoral, para que houvesse garantia e isenção.

Apesar de ter convocado novas eleições, Evo Morales disse que o documento tinha “tom político” e questionou a credibilidade da auditoria da OEA. Algumas horas após a divulgação da OEA e tendo recebido a “orientação” por parte das Forças Armadas de que deveria renunciar, Morales anunciou que deixaria o cargo.

Na entrevista de hoje, Morales questionou também a atitude da senadora de direita Jeanine Áñez que se autoproclamou presidente interina do país em uma sessão sem a presença de parlamentares do partido Movimento al Socialismo (MAS), de Evo Morales e sem quórum suficiente.

Morales criticou as Forças Armadas e pediu que não “metam bala” na população. “Equipei as Forças Armadas não para que ajam contra o povo, mas para que defendam a pátria. Lamento muito que as Forças Armadas estejam com o golpe de Estado”, afirmou.