Pinacoteca reabre hoje com exposição de dupla de artistas brasileiros

Fechada desde março deste ano por causa da pandemia do novo coronavírus, a Pinacoteca de São Paulo reabre nesta quinta-feira (15) com a exposição OSGEMEOS: Segredos. É a primeira exposição panorâmica da dupla de artistas brasileiros formada pelos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo.

O uso de máscara será obrigatório. Não será permitida a retirada de máscaras, nem mesmo para selfies ou fotografias(Divulgação/Governo do Estado de São Paulo)

A mostra apresenta 60 trabalhos da dupla, 50 deles inéditos ou nunca exibidos no Brasil, e mais de 100 itens. OSGEMEOS são conhecidos por estampar espaços públicos em diversos países do mundo. Seus grafites, com os personagens amarelos, estão espalhados pelo Brasil, Suécia, Alemanha, Portugal, Austrália e Cuba. Suas obras foram destaque nos telões eletrônicos da Times Square, em Nova York, e na fachada da Tate Modern, em Londres, no Reino Unido. Mas eles também já participaram de mostras internacionais na Alemanha, Canadá, Japão, Itália e no Reino Unido.

A carreira da dupla começou na década de 80, com a chegada da cultura hip hop no país. Os trabalhos contam histórias que envolvem fantasia, relações afetivas, questionamentos, sonhos e experiências de vida. A partir da década de 90, suas experimentações – não só em grafite, mas também pintura em telas e esculturas estáticas e cinéticas – ultrapassaram os limites bidimensionais, culminando na construção de um universo próprio que opera entre o sonho e a realidade.

Na Pinacoteca, o duo vai apresentar pinturas, instalações imersivas e sonoras, esculturas, intervenções, desenhos e cadernos de anotações. As obras ocupam as sete salas de exposições temporárias do primeiro andar, além de um dos pátios e do Octógano, onde foi concebida uma instalação especialmente para o espaço. Além disso, o tradicional letreiro na fachada, com o nome da instituição, vai ser substituído temporariamente por um luminoso desenhado especialmente pela dupla.

A exposição vai até 22 de fevereiro de 2021 e tem entrada gratuita até o dia 23 de outubro. Para isso, no entanto, é necessário marcar data e horário de visita pelo site do museu. A bilheteria física da Pinacoteca permanecerá fechada neste período da exposição. Por isso, os ingressos só podem ser adquiridos com antecedência pela internet.

Protocolo de acesso
Para entrar na Pinacoteca, o visitante terá a sua temperatura aferida. Quem estiver com temperatura superior a 37,2o C ou tiver sintomas de gripe ou resfriado não poderá entrar. O uso de máscara será obrigatório. Não será permitida a retirada de máscaras, nem mesmo para selfies ou fotografias. A exposição terá também indicação de sentido de circulação. O museu vai funcionar em horário reduzido, das 14h as 20h. O tempo de permanência no prédio será de, no máximo, uma hora.

*Com informações da Agência Brasil

Obras de mulheres artistas do século 19 são expostas no Masp

Por  Daniel Mello

(Governo do Estado de SP/Reprodução)

Apesar de ter sido uma importante pintora da época do Brasil Imperial, participando de vários salões de arte, praticamente não se tem registro das obras de Francisca Manuela Valadão. Um dos quadros remanescentes faz parte da exposição aberta nesta semana no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Com o título “Histórias das Mulheres: Artistas antes de 1900” a mostra pretende resgatar a produção feminina na pintura e no tecido que ficou de fora da maior parte dos livros de história.

“Esse apagamento foi feito muito em retrospecto, principalmente no século 20”, comenta a curadora assistente do museu, Mariana Leme sobre como pessoas de renome foram tendo seu trabalho esquecido com o passar dos anos. O desaparecimento histórico acontece, segundo a pesquisadora, mesmo nos casos em que as artistas tiveram reconhecimento em vida. “Nos livros Renascimento elas são citadas como casos excepcionais, mas são citadas. Nos textos de crítica de arte dos séculos 17, 18 e mesmo no 19, mencionam obras de mulheres artistas”, destaca.

Reconhecidas e depois esquecidas

Sofonisba Anguissola, pintora italiana que viveu entre os séculos 16 e17, chegou a ser mencionada nas crônicas de Giorgio Vasari, considerado um dos primeiros historiadores da arte. “Ela era elogiada pelo Michelangelo na época. Receber um elogio do Michelangelo não é para qualquer uma”, acrescenta Mariana sobre os elementos que comprovam a relevância da artista.

A francesa Vigée-Lebrun é outra que teve grande importância, mas atualmente não aparece do mesmo tamanho nas narrativas da história da arte. “Ela chegou a ocupar o cargo de primeira pintora da corte da Maria Antonieta. Ou seja, o cargo mais importante da corte mais importante da Europa no século 18”, enfatiza a curadora.

Trabalhos em tecido

Além das 60 pinturas, a exposição traz 34 trabalhos em tecido, alguns produzidos na região dos Andes antes da invasão espanhola. São peças que, segundo Mariana, em sua grande maioria, foram feitos por mãos femininas. “No caso dos tecidos pré-colombianos da região dos Andes, elas também tinham uma função de prestígio na sociedade porque os tecidos são encontrados em templos e lugares importantes”, ressalta.

Nesse tipo de produção, o apagamento desse trabalho acontece, de acordo com a curadora, pelas teorias que colocam o artesanato como uma forma menor do que o desenvolvimento artístico.

Século 20

Em paralelo, também pode ser vista no Masp a mostra “Histórias feministas” que traz a produção de 30 artistas nascidas nas últimas três décadas do século 20. A exposição busca explorar como as ideias do feminismo impactou de diferentes formas a produção artística dos últimos anos. Estão presentes nomes como Virgínia de Medeiros, a paquistanesa Rabbya Naseer e a israelense Yael Bartana.

Ambas exposições podem ser vistas até o dia 17 de novembro. O Masp fica na Avenida Paulista, região central da capital, e tem entrada gratuita às terças-feiras, das 10h às 20h. De quarta-feira a domingo, fica aberto das 10h às 18h.

Exposição em homenagem aos Beatles é prorrogada

(Divulgação)

A exposição Beatles Revolution foi prorrogada até o dia 26 de maio, no SuperShopping Osasco. A mostra reúne discos, livros, fotos e instrumentos sobre a história musical de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.



Os visitantes também podem aproveitar a réplica do The Cavern Club, bar inglês onde os cantores mais se apresentaram em vida. Workshops, pockets shows tributo e uma loja com produtos exclusivos no Brasil completam a programação.

A exposição é gratuita e funciona de segunda-feira a sábado, das 10h às 22h, e domingo e feriado, das 12h às 20h, no 2º Piso.

Exposição Meteorológica encerra temporada esta semana

(Divulgação)

Público tem até o dia 21 de abril para visitar a exposição ‘Meteorológica’, dos artistas Angela Detanico e Rafael Lain, no Espaço Cultural Porto Seguro. Com curadoria de Rodrigo Villela, a exposição apresenta ao público paulistano um conjunto de 14 trabalhos, a maior parte deles instalações inéditas, criadas a partir das mais variadas linguagens artísticas. Vídeos, textos, animações, objetos, esculturas e instalações se combinam, levando o visitante a refletir não apenas sobre temas diversos, mas sobre o processo mesmo de reflexão e constituição do conhecimento. Entrada gratuita.

Em uma área do Espaço Cultural Porto Seguro que é ao mesmo tempo interna e externa, um trabalho site-specific já enuncia a mostra da dupla e instiga a curiosidade de quem passa pela rua. No corredor envidraçado e panorâmico que conecta dois dos pavimentos do centro cultural, colunas de larguras diversas em vinil preto sucedem umas às outras. A alternância entre transparência e opacidade traz ritmo à entrada da luz no espaço e também entre o dentro e o fora. As faixas de diferentes larguras são na verdade um alfabeto criado pelos artistas e apresentam ao público o título da exposição: ‘Meteorológica’.

“O nome da mostra vem de um tratado homônimo de Aristóteles, em que o filósofo grego fala das coisas físicas do mundo natural. São teorias criadas pela observação e descrição dos fenômenos físicos, materiais, do planeta. Essa é uma ideia que permeia toda a exposição”, afirma Angela Detanico. “Nós tentamos criar nessa mostra um microcosmo. Nesse sentido, fazemos referência também ao Japão, adotando uma concepção japonesa do jardim, marcado por um espaço reduzido, mas que evoca a paisagem das montanhas, dos mares, do oceano”, completa Rafael Lain.

Logo na entrada principal do espaço expositivo, sobre uma parede inclinada, a projeção de ‘Cachoeira do céu’ (2018), vídeo que parte do procedimento de “alongar” verticalmente os pixels de uma fotografia digital do céu, desenhando sobre o suporte uma cachoeira de luz. Em seguida, o visitante se depara com ‘Da luz ao paraíso’ (2018), escultura em aço patinável que traz um percurso gráfico entre os dois bairros paulistanos, configurado conforme sua topografia e seguindo um trajeto afetivo, opção de caminhada dos dois artistas, que já viveram em São Paulo, por lugares de que gostam ou guardam na memória. À frente, Analema (2015) poema escrito na forma de um calendário infinito, em que cada letra corresponde a um dos 365 dias do ano. O percurso da escrita na parede remete à figura que simboliza o infinito.

(Divulgação)

Na mesma sala, ‘Ulysses’ (2017), uma animação construída com o texto do romance homônimo de James Joyce. As palavras se combinam e dão forma a uma silhueta humana, que parece caminhar, apesar de estar fixa em um ponto único. A história avança a cada passo do personagem – a sequência de passos revelando a sequência de frases. Uma jornada tal qual a de Leopold Bloom, protagonista do autor irlandês, que ao longo de 18 horas transita pelas ruas de Dublin de 1904.

No mezanino, ‘Nuvens de São Paulo’ (2018), vídeo projetado em uma das paredes que traz um poema de Memórias sentimentais de João Miramar, romance marco do modernismo brasileiro, obra-prima de autoria de Oswald de Andrade. Com diferentes graus de desfoque, as palavras flutuam no ar e e aos poucos esvanecem.

Ao seu lado, ’28 luas’ (2014), vídeo de 28 minutos que traz o ciclo de 28 dias da lua formado por frases do livro Sidereus nuncius, livro do século XVII, de Galileu Galilei. A obra é considerada o primeiro tratado científico baseado em observações astronômicas realizadas com um telescópio, com uma descrição minuciosa da superfície da lua. As frases aparecem e desaparecem em um movimento de foco e desfoco, que recria a experiência da observação de um corpo celeste através de uma luneta.

Sob os céus, o mar. Formada com minúsculos grãos de sal, a instalação ‘Onda (2010) apresenta a própria palavra que lhe dá título por meio de um alfabeto criado pela dupla. De forma metalinguística, a nova linguagem é caracterizada por ondas de diferentes comprimentos. No sistema inventado pelos artistas, a letra A, por exemplo, é uma onda curta, um pequeno suspiro. Já a letra Z, no fim do alfabeto, é uma onda larga, mais longilínea. No caso da obra, quatro curvas concretizam a palavra onda.

No subsolo do Espaço Cultural Porto Seguro, o visitante se depara com ‘Quadrado branco’, traduções visuais e em movimento de três poemas do japonês Kitasono Katue, um dos mais importantes poetas de vanguarda do Japão – Espaço monótono, Un autre poème e Gestalt do branco.

‘Mares da lua’ (2018) é uma videoinstalação em que os nomes como Mar da TranquilidadeMar da ChuvaMar das Ilhas, e assim por diante, são projetados sobre o chão. Os termos designam planícies basálticas que, vistas da terra, formam manchas escuras na superfície da lua – onde, por algum tempo, pensou-se que houvesse água. Como gotas, pequenos feixes de luz mancham o piso em círculos de pedriscos brancos, que enunciam cada um dos “mares”, pouco a pouco, quase como um sussurro, ao mesmo tempo em que remetem aos jardins japoneses da tradição zen budista.

Pintura mural sobre um fundo preto, ‘Alguma coisa está fora da ordem’ (2018) traz a frase que dá título à obra escrita segundo o sistema “timezonetype”. Criado em 1802 pelo astrônomo e físico norte-americano Nathaniel Bowditch, o sistema associa uma letra do alfabeto a cada uma das 24 divisões de fuso horário do globo. Na obra, o resultado é um novo mapa-múndi, mescla de familiaridade e estranhamento com a representação cartográfica do planeta Terra.

Não por acaso, logo ao lado, ‘Ruído branco (2007), vídeo apresentado por Detanico Lain na Bienal de Veneza. A obra toma uma imagem fotográfica feita por satélite da floresta amazônica, que vai sendo apagada gradualmente. Aos poucos, a mata é tomada por pontos brancos, até desaparecer, ao mesmo tempo em que o aumenta o “ruído branco” da instalação – termo usado para designar sons que o ouvido humano não consegue distinguir como portadores de algum significado, ou cuja fonte não pode ser identificada.

Na última sala da exposição são apresentados os principais registros documentais da produção da dupla: vídeos especialmente desenvolvidos para a exposição e catálogos das principais exposições mundo afora, que acabam por dar a dimensão do trabalho, explorando as relações artísticas do casal com o Brasil.

Por fim, já no pátio externo, duas obras: ‘Percurso’ (2018), escultura metálica construída mais uma vez por um dos códigos concebidos pela dupla. A palavra que a intitula ganha forma a partir de um sistema de equivalência entre barras metálicas e a ordem alfabética. Na fachada do prédio, ‘Entre o ontem e o amanhã’ (2018) uma grande instalação de neon que chama a atenção para seu traçado irregular: é o registro gráfico, tridimensionalizado pela dupla, da linha de fuso horário que determina a mudança de data no calendário, passando de um determinado dia para o seguinte. No mesmo mundo, na mesma hora, nesta linha imaginária é possível que o ontem conviva com o amanhã.

A dupla

Angela Detanico e Rafael Lain trabalham juntos desde 1996. Semiologista e designer gráfico, nascidos respectivamente em 1974 e 1973, em Caxias do Sul (RS), moram e atuam em Paris. Seus trabalhos, em grande parte conceituais, mesclam gráficos, textos, sons e vídeos, quase sempre imbuídos de referências científicas, matemáticas e literárias.

Em 2002, a dupla participou de uma residência artística na capital francesa, no Palais de Tokyo. Dois anos depois, venceu o Nam June Paik, um dos mais prestigiados prêmios internacionais. No mesmo ano, em 2004, Angela e Rafael participam da Bienal de São Paulo, feito que se repete nas duas edições seguintes, em 2006 e 2008. Nesse meio tempo, em 2007, representaram o Brasil na 52ª Bienal de Arte de Veneza.

Ainda em Paris, a dupla deu início a um projeto de colaboração com dois coreógrafos de Quioto, o que rendeu ao casal algumas temporadas no Japão, e, consequentemente, a participação em bienais e exposições pelo país asiático, dotando-os de certa intimidade com a cultura japonesa, algo hoje refletido em sua produção e, mais especificamente, na mostra ‘Meteorológica’.

No Brasil, o casal já participou de uma série de exposições coletivas, a exemplo de Ready Made in Brasil (2017)no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo; e Manifesto Gráfico (2017), no próprio Espaço Cultural Porto Seguro. Entre as individuais, uma série delas na Galeria Vermelho, que os representa; e Alfabeto Infinito (2013), realizada na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre. 

Serviço

Meteorológica, mostra de Angela Detonico e Rafael Lain  
Local: Espaço Cultural Porto Seguro 
Endereço: Alameda Barão de Piracicaba, 610. Campos Elíseos – São Paulo
Período expositivo: até 21 de abril
Visitação: de terça a sábado, das 10h às 19h; domingos e feriados, das 10h às 17h
Entrada gratuita  

Capacidade: 305 pessoas

Acessibilidade
O edifício é acessível para pessoas com mobilidade reduzida. A exposição oferece atendimento especial na visitação com mediadores bilíngues em inglês, espanhol e libras mediante agendamento prévio.

Estacionamento
Alameda Barão de Piracicaba, 634 (sede Porto Seguro). De segunda a sexta-feira, gratuito pelo período de até 1h30 (1ª, 2ª e 3ª hora adicionais R$ 10,00 a hora. A partir da 4ª hora adicional, R$ 5,00 a hora). A partir das 17h30 e aos sábados, domingos e feriados – R$ 20,00 (preço único).

Serviço de vans:

O Complexo Cultural Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até o Espaço Cultural Porto Seguro. Na Estação da Luz, o ponto de encontro das vans é na saída da Rua José Paulino / Praça da Luz / Pinacoteca, em frente ao Parque Jardim da Luz. Há instrutores no local para orientar o embarque. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (11) 3226-7361.

Horário de funcionamento do serviço de vans:
Terça a sábado das 9h à 0h. Domingo das 9h às 22h.

Gemma Restaurante:
Aberto todos os dias: segunda, das 12h às 15h; terça, das 10h às 17h; quarta a sexta, das 10h às 21h; sábado, das 11h às 18h; domingo, das 11h às 16h.

Exposição no Metrô aborda “Mar e Mata Atlântica”

Teve início no último dia 10 e segue até 28 de fevereiro, na Vitrine Cultural da Estação São Bento (Linha 1-Azul) a mostra “Mar e Mata Atlântica”, do designer e ex-funcionário do Metrô Marivaldo Pimentel.

(Facebook/Reprodução)

Esculturas de barcos e insetos, peças que misturam arte e joalheria para criar esculturas relacionadas ao mar e à natureza compõem o trabalho de Pimentel, que trabalhou na manutenção da Companhia do Metrô de São Paulo por 30 anos.

O designer sempre foi engajado nos movimentos artísticos e culturais promovidos e apoiados pelo Metrô e explica que a exposição é uma homenagem aos que lutam pela preservação da Mata Atlântica, uma das florestas tropicais mais ameaçadas do planeta, aos barcos, que representam a relação do homem com o mar.

Para acompanhar e saber tudo sobre a Linha da Cultura do Metrô de São Paulo, acesse o site.

*conteúdo Governo do Estado de SP

Exposição retrata o cotidiano brasileiro do século 19

Por Daniel Mello

Um Cronista Viajante, Johann Moritz Rugendas (Agência Brasil/Reprodução)

As paisagens, as pessoas e o cotidiano do Brasil no século 19 a partir do olhar do artista alemão Johann Moritz Rugendas podem ser vistos a partir de hoje (12) na Caixa Cultural, no centro paulistano. Pintor, desenhista, ilustrador, aquarelista e litógrafo, produziu um dos mais importantes registros do país à época, ao lado de outros artistas, como o francês Jean Baptiste Debret.

Rugendas veio para o Brasil em 1821, ano em que completou 20 anos de idade, para fazer parte da Expedição Langsdorff, que, patrocinada pelo império russo, pretendia elaborar um inventário da então colônia. Os trabalhos desse contato inicial são marcados, segundo a curadora da exposição, Ângela Ancora da Luz, pelo impacto do novo ambiente no jovem artista.

“Ele chega com um olhar habituado aquela luz menos incidente nos objetos, de invernos longos e escuros, de verões que não tem aquela claridade como ele vai encontrar no Brasil. Quando ele chega aqui ele se deslumbra com a luz tropical, com a exuberância da vegetação tropical, dos tipos diferentes”, analisou a curadora Ângela Âncora.

Influências



Segundo Ângela Âncora, as pinturas e gravuras feitas por Rugendas tiveram influência estética do romantismo, em que o autor traz a carga emocional causada pelas experiências levadas à tela. Mesmo assim, a produção tem um forte caráter documental.

“Ele [Rugendas] representa não só a fauna e a flora, como os costumes, as danças, os tipos etnográficos do índio e do negro. Ele faz um álbum de documentação do que ele via no século 19”, enfatizou a curadora.

A vivência no país vai tornando o artista mais atento aos detalhes e cenas do dia a dia. “Primeiro, nos temos um Rugendas que vê de longe, de fora, quando ele chega. Depois um outro Rugendas, quando ele já está aqui, que o seu olho já se habituou a essa exuberância toda. Então, o primeiro registro é muito mais panorâmico, enquanto o segundo registro é muito mais singular”, acrescentou a curadora.


Rugendas Um Cronista Viajante Johann Moritz
Obra de Johann Moritz Rugendas (Agência Brasil/Reprodução)


Inspiração

O recorte da exposição reúne 70 obras em três eixos temáticos: um com paisagens do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso e Minas Gerais, um seguinte com cenas cotidianas e um último, retratando a fauna e a flora. Todos os trabalhos vem de coleções particulares, por isso, nem sempre disponíveis ao público.

A exposição pode ser vista até o dia 31 de março, de terça-feira a domingo, das 9h às 19h, na Caixa Cultural, na Praça da Sé. A entrada é gratuita.

Documentos contam a história de personalidades e lugares

(TJ-SP/Reprodução)

O Tribunal de Justiça de São Paulo e o Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB/SP), entidade que congrega os cartórios de notas paulistas, realizam entre os dias 17 e 28 de setembro a exposição “Memórias Notariais: série de documentos históricos”, que reconta a história de lugares e personalidades paulistas por meio das escrituras públicas arquivadas nos cartórios. A atração ficará exposta ao público no Salão dos Passos Perdidos, entrada principal do Palácio da Justiça, sede do TJSP. A visitação é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 12h30 às 18h30.

A exposição contará com treze documentos raros, dentre eles as escrituras de compra e venda da Casa Rosa das Rosas (1913), a escritura de doação de bens de Assis Chateaubriand, o Chatô, e uma escritura de emancipação do Dumont. Também estará em exposição a escritura de constituição de condomínio do Copan, considerado ponto turístico de São Paulo.

A mostra ainda contará com duas escrituras de escravos de 1871 e a escritura na qual o tabelião Simão Borges Sequeira, da então Vila de São Paulo, faz relata o assassinato de um índio que iria se converter ao catolicismo, documento com mais de trezentos anos, datado de 1623.

        Para os amantes do futebol, a exposição apresenta as escrituras públicas dos principais estádios dos clubes paulistas: Parque São Jorge, Palestra Itália, Morumbi e Vila Belmiro e o estádio do Juventus localizado na Rua Javari.

Serviço

  •         Memórias Notariais: série de documentos históricos       
  •         Local: Salão dos Passos Perdidos – 2º andar do Palácio da Justiça (Praça da Sé, s/n)
  •         Quando: de 17 a 28 de setembro
  •         Visitação: de segunda a sexta-feira, das 12h30 às 18h30
  •         Entrada gratuita

*com informações do TJSP

Exposição inédita mostra criações feitas com palha de carnaúba

Divulgação

O talento de artesãs que trançam com maestria a palha de carnaúba, árvore nativa do semiárido, será apresentado na exposição A Casa AMA Carnaúba, a partir de 5 de setembro, em São Paulo. Bolsas, mesas, luminárias, pufes, cestos, tapetes e outros objetos exclusivos são feitos manualmente pelas moradoras do Vale do Jaguaribe, a cerca de 180 quilômetros de Fortaleza, Ceará.

A exposição é uma parceria da A CASA museu do objeto brasileiro com AMA, água mineral que investe todo seu lucro para levar água às famílias do semiárido e ajudar no desenvolvimento da região. No início de 2018, AMA e A CASA começaram um trabalho de capacitação e inovação do artesanato feito com palha de carnaúba com cerca de 90 artesãs em Sítio Volta, Sítio Caiçara e Santa Luzia, além das cidades vizinhas Itaiçaba e Palhano.

Sítio Volta e Sítio Caiçara, no município de Jaguaruana foram as primeiras comunidades atendidas por AMA. Por lá, a marca de água construiu poços profundos e sistemas de distribuição de água gerados por energia solar.

No trabalho de capacitação, as artesãs aprenderam sobre processo de criação e precificação das peças e participaram de oficinas de trançado, tingimento e costura. Antes, a seca típica do semiárido levava as famílias a caminharem até 6 horas por dia em busca de água.

Com água limpa chegando em cada casa das comunidades, a realidade dos moradores começou a mudar e eles puderam dedicar seu tempo a atividades que geram renda, como o artesanato. “Primeiro, levamos água limpa e agora queremos ajudá-los a criar empregos, renda e a preservar a cultura nativa do trabalho com a carnaúba. A exposição é um exemplo do que é possível conquistar quando as pessoas têm o básico”, comemora Carla Crippa, diretora de sustentabilidade da Cervejaria Ambev e uma das idealizadoras de AMA.

A parceria com A CASA ajudou a aprimorar o artesanato típico do semiárido e garantir um valor agregado maior para as peças vendidas. Há mais de 20 anos o museu paulista promove o artesanato brasileiro com exposições e ações em diferentes comunidades, compartilha conhecimento e, principalmente, valoriza a diversidade de técnicas tradicionais encontradas em cada região do país.

O museu convida designers de artesanato que trazem a produção artesanal tradicional para o contemporâneo, mas sem que haja alterações nas técnicas já dominadas pelo artesão.

O designer de artesanato Renato Imbroisi, que trabalha há 30 anos com comunidades, cooperativas e associações, assina a curadoria do projeto. A coordenação é de Eliane Guglieme e a supervisão de Renata Mellão, diretora geral d’A CASA.

“O que mais me surpreendeu nesse projeto foi o envolvimento da comunidade e o potencial de transformação local que pudemos proporcionar a eles”, revela Renata.

Desde o início do ano, o trio se uniu às designers Liana Bloisi, Cristiana Pereira Barreto, Lui Lo Pumo e Tina Moura, e ao mestre-artesão João de Fibra. Nos últimos meses, o grupo trabalhou com as artesãs para que as peças fossem produzidas com novas cores, diferentes tipos de trançado, grafismos e maior variedade de produtos.

“Em alguns desses locais, as artesãs restringiam sua produção a chapéus e vassouras. A partir desse trabalho, em pouquíssimo tempo, elas se aperfeiçoaram e expandiram sua produção, multiplicando sua cartela de produtos e, consequentemente, seus retornos”, completa o curador Renato Imbroisi.

Divulgação

Com o trabalho nas cinco comunidades, o projeto proporcionou a troca de saberes e experiências entre os pequenos povoados. Cada uma delas ficou responsável por coleções específicas. Enquanto algumas produziram peças com a fibra natural para a fabricação de bolsas, mesas e bancos, outras especializaram-se na criação de cestos, de diferentes tamanhos e modelos. Já as artesãs de Itaiçaba e Palhano criaram produtos feitos com palha de carnaúba tingida: são luminárias, pufes, cestos, tapetes e esteiras de cores vivas. Todas as peças estarão à venda na exposição.

Todo o projeto, desde a capacitação das artesãs até os objetos da mostra, está registrado no livro A CASA AMA Carnaúba, que também estará disponível no museu.

A Carnaúba
A carnaúba é símbolo de resistência e longevidade. A árvore é nativa do bioma caatinga e consegue se adaptar ao clima semiárido da região por suas raízes profundas. Dela se aproveita tudo: folhas, tronco e raiz. Sua madeira é utilizada na construção de casas e algumas peças de marcenaria; suas raízes, segundo a cultura popular, tem propriedades medicinais.

Das folhas, além da palha que é utilizada para o artesanato, extrai-se a cera de carnaúba, matéria-prima utilizada na composição de produtos para polimento, lubrificantes, vernizes, tinturas e cosméticos. Esse tesouro nordestino é, ademais, sustentável: todos os possíveis processos de utilização de seus recursos não são agressivos ao meio ambiente e as árvores preservam o solo contra a erosão.

Sobre o museu 
Há mais de 20 anos, A CASA museu do objeto brasileiro realiza projetos junto a comunidades e associações de artesãos de várias regiões do País. A instituição, que não possui fins lucrativos, tem como missão o reconhecimento, a valorização e o desenvolvimento da produção artesanal e do design brasileiro.
Com o objetivo de preservar a memória cultural desses ofícios e preservar técnicas únicas, o museu busca transmitir e multiplicar as tradições de cada região e, consequentemente, gerar rendas às comunidades.

Sobre AMA
AMA é parte do sonho da Cervejaria Ambev de unir as pessoas por um mundo melhor. No fim de 2015, o time de sustentabilidade da Ambev deu início à busca por um novo projeto para expandir seus programas de preservação e uso consciente de água. Depois de reunir diversas áreas da empresa e fazer uma parceria com o Yunus Corporate Action Tank, promovido pela Yunus Negócios Sociais, que estimula as empresas a pensarem em negócios que já nascem para resolver um problema social, surgiu a ideia de criar uma água engarrafada que tivesse 100% dos lucros investidos no acesso à água potável.

Com o lançamento da AMA em março de 2017, a cervejaria contribui para que o sexto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU seja concretizado: garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos. De forma totalmente transparente, todas as etapas do projeto AMA são apresentados por meio de uma plataforma digital com todas as informações do produto, prestação de contas periódicas sobre o lucro obtido com as vendas, investimentos e andamento de cada projeto.

Serviço
A CASA AMA Carnaúba
Abertura: 5 de setembro de 2018, às 19h
Visitação: de 6 de setembro a 4 de novembro de 2018
Endereço: Avenida Pedroso de Morais, 1216 – Pinheiros, São Paulo, SP
Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h30

Exposição reúne porcelanas raras da colecionadora Ema Klabin

Fernanda Cruz/Agência Brasil

Exposição de porcelana europeia da coleção Ema Klabin
Exposição de porcelana europeia da coleção Ema Klabin (Isabella Matheus/Divulgação/Agência Brasil)

Ema Klabin foi uma empresária e colecionadora de arte. Ao morrer, deixou o casarão de 900 metros quadrados construído pelo engenheiro-arquiteto Alfredo Ernesto Becker, em meados dos anos 50, para transformar-se em museu que abriga a sua coleção.

A porcelana europeia do museu tem itens de colecionador, peças de carátersentimental, herança de família e peças usadas em festas e no dia a dia da casa de Ema. Na coleção, está a porcelana chinesa que pertenceu ao serviço de Dom João VI na sua chegada ao Brasil em 1808.

A exposição, de curadoria do arquiteto Paulo de Freitas Costa, destaca peças antes expostas em nichos no fundo da sala de jantar, cobertas por painéis de Mestre Valentim, um dos principais artistas do Brasil Colonial, ou deixadas em um guarda-louças na passagem para a cozinha.
 

Exposição de porcelana europeia da coleção Ema Klabin
(Isabella Matheus/Divulgação/Agência Brasil)

Segundo o curador, 39 peças foram levadas a ocupar os ambientes sociais da casa, fazendo com que o visitante perceba a história da porcelana europeia. “Além dos aspectos estéticos e funcionais, muito pode nos revelar sobre o espírito de uma época, seus hábitos e costumes”, disse.

A exposição começa amanhã (1º) e vai até 16 de dezembro, no horário das 14h às 17h. A entrada é gratuita nos finais de semana e feriados. De quarta a sexta, o ingresso custa R$ 10 a inteira. O endereço é Rua Portugal, 43, no Jardim Europa.

Mostra gratuita homenageia centenário do artista Athos Bulcão

(Fundação Athos Bulcão/Divulgação)

A potência dos traços de Athos Bulcão na azulejaria, nos desenhos, na pintura, nas fotomontagens, nos cenários e figurinos e na estreita relação que o artista estabeleceu entre arquitetura e arte pode ser conferida e vivenciada a partir de 1o de agosto no CCBB São Paulo. O universo riquíssimo do artista, que no Memorial da América Latina em São Paulo, tem um de seus mais notáveis painéis de azulejos, será exibido na mostra “100 Anos de Athos Bulcão”, que comemora o centenário de nascimento do artista e propõe um profundo mapeamento e imersão na diversidade de seus trabalhos e técnicas.

(Fundação Athos Bulcão/Divulgação)

A exposição, com curadoria de Marília Panitz e André Severo, oferece ao espectador a possibilidade de conhecer o seu especial processo de produção, com a exibição de mais de 300 trabalhos, alguns dos quais inéditos, realizados entre os anos 1940 e 2005. Obras de artistas mais jovens que direta ou indiretamente foram influenciados por Athos também serão apresentadas. Com o patrocínio do Banco do Brasil e apoio da BBDTVM, realizada pela Fundação Athos Bulcão e produzida pela 4 Art, a exposição, que já esteve em Brasília e Belo Horizonte, após sua permanência em São Paulo, fará sua última escala no CCBB Rio de Janeiro, em outubro.

Dividida em núcleos, “100 anos de Athos Bulcão” vai além da arte da azulejaria: destaca também a pintura figurativa do artista realizada nos anos 1940 e 1950, antes de Brasília. – A série dos carnavais e sua relação com a pintura sacra é extraordinária – afirma Marília Panitz, ao destacar que Athos Bulcão utilizou uma mesma estrutura composicional para trabalhos sacros e profanos, citando como exemplo A Vida de Nossa Senhora, que está na Catedral do Distrito Federal.

A mostra contém ainda os croquis que Athos Bulcão fez para o grupo de teatro O Tablado, do Rio de Janeiro, os figurinos das óperas Amahl e Os Visitantes da Noite de Menotti, paramentos litúrgicos modernistas, grande acervo de seu trabalho gráfico e até os lenços que desenhou quando estava em Paris. No Estado de São Paulo, outro trabalho público se destaca: o relevo em madeira pintada no foyer do Teatro de Araras, em 1991.

Outro aspecto relevante da exposição é a interatividade, desenvolvida a partir do caráter urbano e democrático da obra pública de Athos Bulcão inserida nas cidades. Através de um aplicativo criado especialmente para a mostra, o público será convidado a interagir e apropriar-se de projetos do artista.

Além disso, no dia 1º de agosto, às 19h, no CCBB, um bate-papo completa a programação. Os curadores, a secretária executiva da Fundação Athos Bulcão, Valéria Cabral, dos artistas Pedro Ivo Verçosa, Julio Lapagese e Virgílio Neto, que tem obras patentes na exposição, e o fotógrafo Tuca Reinés, responsável por muitos clicks das obras de Athos, irão dialogar com os visitantes sobre a vida e obra de Athos Bulcão.

Fingindo de macabro, de Athos Bulcão (acervo Onice Oliveira/Foto: Vicente de Mello)

Serviço:

“100 anos de Athos Bulcão”

De 1o de agosto até 15 de outubro

Entrada franca e Livre para todas as idades

Horário de funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro. São Paulo – SP

(Assessoria de imprensa)