Para evitar filas, empresário cria totem para serviços bancários

(Divulgação)

O tempo gasto em filas de bancos e lotéricas sempre irritou o empresário Antônio Brizoti Junior, que resolveu transformar sua impaciência em negócio. A empresa quer tornar mais fácil o acesso aos serviços bancários por parte das classes C e D.    

“Queríamos oferecer uma solução para facilitar a vida das pessoas, mas queríamos ir além do que o mercado financeiro já oferece, foi então que decidimos sair às ruas e conversar com as pessoas nas filas para saber os serviços que mais buscavam e identificar exatamente qual a carência do mercado”, explica Brizoti em comunicado à imprensa.

Por meio de totens de autoatendimento, a Parça oferece aos usuários funções como, pagamento de boletos e contas de consumo, tributos municipais, estaduais e federais, consulta de CPF e CNPJ, recarga de celular e verificação veicular completa. Tudo de modo simples e com um tempo de até um minuto para realização de cada operação. E empresa cobra uma taxa de serviço de R$3 para efetuação de cada serviço. 

Existe também a possibilidade de parcelamento de contas e boletos em até 12 vezes com o uso de até quatro cartões de crédito contratados no próprio totem. A opção é uma alternativa para o pagamento de contas daqueles que nem sempre possuem recursos integrais na data de vencimento.

Com menos de seis meses de atuação, segundo o comunicado, Parça está presente em cinco regiões do país e espera movimentar mais de R$ 20 milhões este ano. A fintech opera no modelo de franquia, apontado por Brizoti como ideal para o êxito do empreendimento.

“O franqueado não é um funcionário, ele é um empreendedor, ele é dono de seu negócio e está em sintonia com a franqueadora”, diz Brizoti.

Parça espera fechar mais de 140 contratos com franqueados em todo o Brasil até o ano que vem e movimentar mais de R$100 milhões em todos os totens.

Mais da metade dos empresários nunca ouviu falar em fintechs

Danile Mello/Agência Brasil

(Antonio Cruz/Agência Brasil)

Em expansão no Brasil, as fintechs podem ajudar a reduzir as tarifas dos serviços financeiros, além de oferecer novas opções a pessoas e empresas. Apesar das possíveis facilidades, para uma parte significativa da população o tema ainda é desconhecido. Um levantamento divulgado nessa semana pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revelou que 54,8% dos empresários ligados à entidade não tinham ouvido falar dessa modalidade de serviços financeiros.

Coordenador de um curso sobre o assunto na Fundação Getulio Vargas (FGV), o professor Marcelo Bradaschia explica que o termo pode se referir tanto a novas empresas como a inciativas dentro de empreendimentos consolidados. “São empresas ou iniciativas que trazem, muito baseadas em tecnologia, novos modelos de negócio financeiros”, ressalta.

“Na sua maioria, elas nascem muito voltadas para resolverem um problema específico. A partir daí, elas tentam fazer isso de uma forma excelente usando tecnologia”, acrescenta sobre como funcionam as fintechs.

De modo geral, essas iniciativas têm a capacidade, segundo o especialista, de crescer sem necessariamente aumentar a estrutura física na mesma proporção, tendo como base a otimização com base nas tecnologias digitais. “Como você está falando em tecnologia, muitas vezes você está falando em processos mais baratos. Você acaba trazendo um custo operacional menor do que os modelos tradicionais”, explica.

Perfis de atuação

As fintechs oferecem diversas possibilidades, como operadoras de cartões de crédito completamente digitais, empresas que gerenciam investimentos ou que fazem cotações de empréstimos no mercado. São novas opções que extrapolam as alternativas oferecidas pelos bancos ou que competem com mais foco e reduzindo custos em produtos consolidados.

Segundo pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintech), 25% das iniciativas atuam em atividades ligadas a meios de pagamento, 21% em relação a crédito e negociação de dívidas e 8% a gestão financeira. Mais da metade (58%) desses negócios, está no estado de São Paulo.

Em geral, as iniciativas são extremamente jovens, 46% nasceram após 2016 e 51% estão no início das operações. Cerca de um terço (35%) tem faturamento de até R$ 350 mil, 21% entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões e 12% acima dessa faixa. A ABFintech tem 360 associados. Para a elaboração do estudo, foram ouvidas 224 inciativas.

Regulação

De forma a garantir o crescimento do setor com segurança, o Banco Central tem apresentado novas regulamentações sobre o tema. Em abril, foi editada uma norma que estabeleceu os termos para a atuação das fintechs no mercado de crédito, trazendo os critérios, inclusive, para o financiamento entre pessoas físicas por plataforma eletrônica.

“A gente tem visto um movimento muito positivo do regulador no sentido de entender a inovação e viabilizar, de uma forma segura e estruturada, o aumento da competitividade por meio da regulação”, destacou Bradaschia. O especialista ponderou, entretanto, que ainda existem zonas sem a mesma atenção das fintechs, como o mercado de seguros. De acordo com a pesquisa da ABFintech, 6% das inciativas atuam nesse ramo.

Expectativa do setor produtivo

No setor empresarial, há boas expectativas sobre a inovação, especialmente no mercado financeiro. “Esse movimento está vindo muito forte e, com certeza, ele vai forçar o mercado a se ajustar e melhorar a competitividade de bancos de fazer negócios, crédito e tarifas. É uma nova era para o sistema financeiro”, afirma o diretor-titular do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, Sylvio Gomide.

O levantamento da federação mostrou que 56,1% dos industriais avaliam o atendimento relativo a crédito do mercado tradicional como insuficiente, enquanto 37,4% estão insatisfeitos com a gestão financeira oferecida pelas gestões tradicionais.

De acordo com a pesquisa, 28,5% das indústrias paulistas já buscaram crédito fora do setor bancário tradicional. No entanto, apenas 1,8% procurou fintechs. Entre os 67,2% que nunca tentaram obter outras formas de crédito além dos bancos, a principal razão, apontada por 42,4%, foi a falta de conhecimento de alternativas.

No entanto, entre os que se aventuraram no crédito de outras fontes, como fundo de investimento em direitos creditórios e fintechs, nem sempre a experiência foi tão recompensadora. Ao todo, 27,1% das indústrias acharam as tarifas maiores do que o esperado. Por outro lado, 34,6% não viram desvantagem na nova modalidade.

“O desespero do empreendedor no Brasil é tão grande em relação a taxas de juros, burocracia e acesso a crédito que, quando aparece uma novidade, a gente acha que o que está vindo é o ideal”, justificou Gomide sobre as quebras de expectativa. Mesmo assim, ele continua otimista com as inovações que chegam ao ramo financeiro. “Quanto mais fintechs aparecerem, mais elas competiram entre elas, e os custos cairão. Ainda não é o cenário ideal, mas é melhor do que antes da existência delas”, diz.

Para ganhar mercado, Fintechs e cooperativas financeiras se unem

(Arquivo/Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Coperativas financeiras e fintechs, empresas de tecnologia no setor financeiro, estão se aproximando para oferecer serviços no mercado de câmbio e crédito e assim conseguir ampliar o número de clientes. A estratégia pode ser positiva para os consumidores, com aumento da concorrência no mercado financeiro, ampliando o poder de escolha, avaliam representantes dos setores.

A ideia é que as cooperativas e as fintechs possam fazer integração de plataformas, com compartilhamento de informações e dados dos clientes. “O que as fintechs querem é que, dentro dos aplicativos, elas consigam se integrar, se conectar pelos APIs, que são esses protocolos de comunicação seguros, para que o cliente possa abrir uma conta, emprestar, consultar extrato ou a fatura do cartão de crédito”, disse o diretor executivo do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) Empresas no Rio de Janeiro, Eduardo Diniz.

No último dia 13, um encontro fechado uniu o setor de cooperativas a 20 lideranças de inovação no setor financeiro, além de representantes do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central. “O Sicoob tem crescido 30% ao ano. Mas o sistema cooperativo representa só 3% do setor. Nos países desenvolvidos, o sistema cooperativo representa uma média de 25%, 30%. Vemos nessa integração com as fintechs uma oportunidade para buscar pelo menos dois dígitos de participação no mercado financeiro e propiciar um ambiente para as fintechs poderem crescer. Em um ambiente extremamente regulatório, o Banco Central é muito firme, precisa de apoio de instituições financeiras para poder crescer”, afirmou Diniz.

O diretor da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Bernardo Pascowitch, avalia que o contato com as cooperativas é uma forma de ampliar a atuação das empresas de inovação. “As cooperativas estão em contato diretamente com trabalhadores e com a população de diferentes aspectos, classes sociais e atividades econômicas. Hoje, o grande desafio é atingir a população brasileira, é levar todas as soluções das fintechs para essa população”, disse Pascowitch.

Atualmente, a ABFintechs tem cerca de 350 associadas e estima que esse número corresponda a 85% dessas empresas do Brasil. A maioria delas atua no segmento de meios de pagamento (23%) e cartão de crédito (18%).

Eduardo Diniz afirmou que, no encontro com as fintechs, foram discutidos negócios como no mercado de câmbio. “O Sicoob está buscando junto ao Banco Central autorização para operar câmbio. Queremos estrear no mercado com uma solução integrada com uma fintech que já tem conhecimento e tecnologia. É uma fintech que faz cotação com diversas casas de câmbio”, disse.

Outro negócio que pode ser fechado entre as cooperativas e as fintechs é compartilhar uma plataforma que permite fazer simulação e contratação de crédito consignado. “Por essa parceria, o cliente vai conseguir fazer tudo online, com contrato assinado digitalmente. Vamos fazer um projeto-piloto com funcionários de um supermercado”, contou Diniz.

Atualmente instituições de pagamento, que podem oferecer serviços como cartões pré-pagos, cartões de crédito, cartões de vale-refeição e credenciar lojistas para aceitarem meios de pagamento eletrônico, quando não são regulados pelo BC, precisam fazer parceria com instituição financeira para atuar no mercado. Atualmente, a maioria das instituições de pagamento não é regulada pelo BC: 112. Sete são reguladas. Para serem reguladas, as empresas precisam movimentar a partir de R$ 500 milhões por ano e passar por um processo de autorização do Banco Central.

Neste ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) editou norma que permite dois modelos para fintechs operarem, sem necessidade de parceria com instituição financeira, no mercado de crédito. São a sociedade de crédito direto (SCD) e a sociedade de empréstimo entre pessoas (SEP). No primeiro sistema, as empresas emprestam recursos próprios por meio de plataforma eletrônica. No segundo, empresas ou pessoas físicas entram numa plataforma para emprestar dinheiro a outras pessoas, modalidade conhecida como peer-to-peer lending.

“No caso das fintechs de investimento e de câmbio, ainda é necessária a existência de parceria com uma instituição financeira. Com as cooperativas, ampliamos a possibilidade de parcerias para as fintechs”, destacou Bernardo Pascowitch.

(Kelly Oliveira/Agência Brasil)