Venezuela anuncia reabertura da fronteira com a Colômbia

A Venezuela vai reabrir sua fronteira com a Colômbia, disse a vice-presidente venezuelana Delcy Rodriguez em um discurso na televisão estatal nesta segunda-feira (4/10). Ao mesmo tempo, o presidente colombiano, Ivan Duque, disse em uma declaração que seu país estava disposto a iniciar “um processo ordeiro” para se abrir.

Em fevereiro de 2019, o regime de Nicolás Maduro ordenou o bloqueio da ponte internacional Simón Bolívar, que liga o país à Colômbia, assim como outras passagens de fronteira com esse país, devido a uma tentativa fracassada da oposição venezuelana de trazer ajuda humanitária, que o presidente Nicolás Maduro viu como uma tentativa de “invasão” estrangeira.

O trânsito regular já havia sido restringido desde 2015 por decisão de Maduro, que denunciou naquela ocasião uma “emboscada” de soldados venezuelanos. A partir de então, somente os pedestres podiam passar, mas em fevereiro de 2019 o bloqueio foi estendido, com a colocação de contêineres nas pontes que ligam os dois países.

“A partir de amanhã, estaremos abrindo o comércio entre nossos países”, disse a vice-presidente Delcy Rodríguez nesta segunda-feira. Antes disso, os contêineres que bloqueavam a ponte Simón Bolívar no estado de Táchira, principal passagem de fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, foram removidos e o tráfego de pedestres começou a fluir, disse um repórter da agência de notícias AFP.

“Viemos aqui e ficamos realmente surpresos”, disse Alexis Contreras, de 42 anos, que estava caminhando de Cúcuta até a cidade venezuelana de San Antonio del Tachira. “Estávamos pensando em como passar pela trilha”, acrescentou ele, referindo-se às passagens irregulares pelas quais a maioria das pessoas estava passando.

Trânsito de carga só após avaliação técnica

O portal Migración, do ministério colombiano do Exterior, esclareceu em uma declaração que “a passagem de veículos de carga através da ponte internacional ocorrerá após validações técnicas (…) relativas à estabilidade da estrutura da ponte”.

Venezuela e Colômbia compartilham uma fronteira de mais de 2 mil quilômetros. Os contêineres, acompanhados por uma forte presença militar, haviam sido colocados em meio a um impasse sobre a entrada de alimentos e suprimentos médicos gerenciados pelo líder da oposição Juan Guaidó, que foi reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, incluindo os Estados Unidos e a Colômbia.

Maduro, que rompeu relações diplomáticas com Bogotá por causa do reconhecimento de Guaidó pela Colômbia naquele dia, ordenou o fechamento da fronteira com o argumento de que as doações eram um pretexto para uma “invasão” americana.

O bloqueio impediu a entrada de remessas de Cúcuta em 23 de fevereiro de 2019, levando a violentos tumultos do lado venezuelano. A crise na Venezuela provocou a uma onda de emigração, com pessoas procurando refúgio em países vizinhos.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) mais de 5 milhões de pessoas fugiram do país por causa da insegurança política, violência, falta de alimentos e remédios e serviços básicos.

Por Deutsche Welle
rw (afp, reuters)

Força Nacional vai apoiar a Polícia Federal nas fronteiras

Diário Oficial da União publica, nesta quinta-feira (13), portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública que autoriza o emprego da Força Nacional de Segurança Pública, em apoio à Polícia Federal (PF), nas atividades de prevenção e repressão aos delitos nas fronteiras nacionais, em caráter episódico e planejado, por 15 dias, a contar de hoje.

A operação terá o apoio logístico da PF, que deverá dispor da infraestrutura necessária à Força Nacional de Segurança Pública.

O contingente de militares a ser disponibilizado obedecerá ao planejamento definido pela Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O prazo do apoio prestado pela Força Nacional poderá ser prorrogado, no caso de necessidade.

Por Agência Brasil

Bolsonaro inaugura radares que vão vigiar a fronteira

O presidente Jair Bolsonaro participou hoje (18) da inauguração da Estação Radar de Corumbá, cidade localizada na fronteira do Brasil com a Bolívia, no Mato Grosso do Sul. O novo instrumento reforçará o sistema de radares e monitoramento da Força Aérea Brasileira (FAB) e ampliará a vigilância na fronteira, em especial para repressão ao tráfico com ações de interceptação de aeronaves.

Jair Bolsonaro, Presidente da República, durante inauguração em Corumbá – MS
(Carolina Antunes/PR)

“De maio para cá, não só Polícia Federal, bem como a Polícia Rodoviária Federal, vem batendo recordes de apreensão de drogas e armamento pelo Brasil. Isso que estamos inaugurando aqui, que é um projeto de algum tempo, vai colaborar e muito no combate a esse tipo de crime em nosso país”, disse Bolsonaro.

A nova estação possui dois radares para controlar o espaço aéreo, com foco na cobertura em baixas altitudes e identificação de aeronaves não-autorizadas. De acordo com a FAB, outros dois instrumentos serão implantados nas cidades de Porto Murtinho e Ponta Porã, ambas em Mato Grosso do Sul, o que garantirá a vigilância em toda a fronteira do estado com os países vizinhos. O projeto é uma ação conjunta dos ministérios da Defesa e da Justiça e Segurança Pública.

Em comunicado, o governo do Mato Grosso do Sul afirmou que o reforço no sistema de radares da Aeronáutica “será fundamental no combate ao tráfico internacional de cocaína boliviana na região de fronteira para o Brasil a partir de Corumbá”.

“Somente neste ano, segundo a FAB, foram interceptadas mais de 3,5 toneladas de cocaína em voos clandestinos da Bolívia para o Brasil, por meio das unidades de caça, na maioria das vezes interceptações do Esquadrão Flecha, da Ala 5 (antiga Base Aérea de Campo Grande)”, diz, acrescentando que, de janeiro a agosto deste ano, a polícia sul-mato-grossense também tirou de circulação mais de 424 toneladas de drogas, um aumento de 88% em relação ao mesmo período do ano passado.

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Narcotráfico na fronteira tem prejuízo de R$ 2 bi, segundo ministério

O crime organizado sofreu um prejuízo de mais de R$ 2 bilhões em função das ações do Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (VIGIA) contra as organizações criminosas que atuam nas fronteiras do país. No balanço dos primeiros 100 dias de gestão do ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, a cifra apresentada pelo programa, coordenado pela Secretaria de Operações Integradas (Seopi), alcançou recorde na série histórica.

(Reprodução)

Nos últimos três meses, de abril a julho deste ano, a Operação Hórus, um dos eixos do VIGIA, registrou um aumento de 632% nas apreensões de drogas, passando de 17 toneladas no primeiro trimestre para 22 toneladas de drogas no segundo trimestre.

De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), presente em nove estados de fronteiras – Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Roraima, Rondônia, Acre e Amazonas, além de duas divisas – Tocantins e Goiás, o trabalho das forças policiais estaduais e federais e de militares do Exército resultou, ainda, em um acréscimo de 30% na apreensão de cigarros, passando de 17 milhões de maços, para 22 milhões nos últimos 90 dias.

Nesse período as forças de segurança do Estado impuseram grandes perdas aos criminosos com incremento de 110% de prejuízo direto ao crime, passando de R$ 230 milhões para R$ 490 milhões, ao comparar os meses de abril a julho de 2019 com o mesmo período deste ano.

Nos últimos três meses, mais de mil veículos foram interceptados e 1.500 criminosos presos, desarticulando e enfraquecendo as organizações criminosas.

Para intensificar os trabalhos da Operação Hórus, o efetivo que recebe o custeio de diárias pelo MJSP aumentou em 167% passando, de 261 agentes/dia para 697/dia, o que representa um investimento diário do ministério da ordem de R$ 123 mil. Ao todo, hoje, são mais de 5 mil agentes de segurança pública federal, estadual e municipal envolvidos nas ações  do Programa VIGIA.

*Com informações do MJSP

Novo equipamento reforça patrulha de fronteira

(Exercito/Reprodução)

Sete cidades estratégicas do Amazonas recebem novos equipamentos de radiocomunicação com o objetivo de impedir a entrada de armas, munições e drogas no Brasil.

De acordo com o Ministério da Justiça, esses equipamentos darão mais dinâmica e agilidade para atuações no âmbito da Operação Hórus – um dos eixos do Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras (Vigia).

A um custo de R$ 13 milhões, o equipamento opera a partir das cidades de Iranduba, Parintins, Coari, Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira, Santo Antônio do Içá e Tefé. A manutenção do sistema pelos próximos quatro anos custará outros R$ 4,5 milhões.

O programa Vigia começou a operar em novembro de 2019, tendo já resultado na apreensão de cerca de 6 toneladas de drogas. Segundo o MJ, as frentes de ação da Operação Hórus abrange os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, Acre, Goiás, Amazonas e Tocantins.

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil 

Após plano para sequestrar Maduro, sobe para 45 número de presos

Presos foram apresentados por oficiais das forças de segurança da Venezuela (Reprodução)

Subiu para 45 o número de presos na Venezuela após suposto plano frustrado para sequestrar o presidente do país, Nicolás Maduro. Onze pessoas detidas no fim de semana foram apresentadas pelas autoridades locais como “terroristas”. As informações são da France-press.

Entre os presos desse domingo (10) está Alcalá Cordones, sobrinho do antigo general venezuelano Clíver Alcalá, acusado de planejar o ataque. Segundo a imprensa internacional, Clíver foi um colaborador próximo de Hugo Chavéz, ex-Presidente venezuelano, morto em 2013, mas se distanciou de Maduro.

O Governo venezuelano anunciou, em 3 de maio, que oito pessoas foram mortas e duas foram detidas numa primeira tentativa de ataque pelo mar. No dia seguinte, aconteceram as primeiras prisões.

Há entre os detidos dois homens, ex-integrantes das Forças Armadas Americanas, Luke Denman e Airan Berry. Eles foram acusados de “terrorismo, conspiração, tráfico de armas de guerra e associação de malfeitores”. Somados, os crimes totalizam cerca de 30 anos de prisão.

Além dos dois americanos, 29 venezuelanos também foram implicados na operação e vão responder por conspirarem contra o governo.

*Com informações da Agência Lusa e France-press

Preso suspeito de matar jornalista brasileiro

Waldemar Pereira Rivas, o Cachorrão, é suspeito de matar Lourenço Veras em fevereiro; veículo supostamente usado no crime estava em sua casa

Léo Veras escrevia em um portal sobre o crime organizado | Foto: Reprodução/TV Record

Policiais do Paraguai prenderam Waldemar Pereira Rivas, chamado de Cachorrão, suspeito de ter participado do assassinato do jornalista Lourenço Veras, o Léo Veras, 52 anos. Em 12 de fevereiro, o repórter foi morto em sua casa na cidade paraguaia Pedro Juan Caballero, na divisa com o Brasil.

De acordo com informações do jornal local ABC Color, o departamento de investigações trata Cachorrão como o autor do assassinato. Ele está preso na sede da polícia em Pedro Juan. Os policiais sustentam que Waldemar ameaçou Léo antes de sua morte.

A Justiça havia determinado a prisão de Cachorrão após a polícia local ter encontrado uma caminhonete branca, modelo Jeep Renegade, supostamente usada no crime, na casa dele.

Além do carro, os oficiais encontraram no local quatro pistolas, celulares, computadores e outros quatro carros. O suspeito morava em San Antonio, bairro a metros da divisa com Ponta Porã, cidade brasileira localizada no Mato Grosso do Sul e onde vivia Léo Veras.

Os policiais prenderam Cachorrão quando abordaram um veículo e o carro atrás, modelo Kia Picanto, tentou dar marcha à ré. Waldemar Pereira Rivas dirigia o veículo e foi pego.

Além dele, outras dez pessoas foram presas ligadas ao crime: os brasileiros Luís Fernando Leite Ninez, Sanção de Souza e Leonardo de Souza Concepción; os paraguaios Arnaldo Colmán, Anderson Rios Vihalva, Paulo Cespedes Oliveira, Oscar Duarte, Marcos Aurélio Vernequez Santacruz e Cynthia Raquel Pereira de Leite; e o boliviano Juan Vicente Jaime Camaro.

Lourenço Veras era fundador do portal Porã News, no qual escrevia, entre outros assuntos, sobre o crime organizado local. O PCC (Primeiro Comando da Capital) assumiu o controle da região com a morte de Jorge Rafaat, em junho de 2016.

Na noite do dia 12 de fevereiro, Léo Veras jantava com sua família no Jardim Aurora, em Pedro Juan Caballero, quando três homens invadiram sua casa. Ele foi morto no quintal com ao menos 12 tiros.

Em 22 de fevereiro, a polícia encontrou uma pistola modelo Glock 9 mm quando prendeu os outros dez suspeitos de participação no crime. 

Segundo investigação do Programa Tim Lopes, da Abraji (Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos), a arma apreendida tem ligação com ao menos sete mortes relacionadas ao PCC na região. A confirmação veio por meio de confronto balístico em cartuchos recolhidos na casa do jornalista. 

Léo é o 18º jornalista assassinato no Paraguai desde 1997, conforme levantamento do Sindicato dos Jornalistas do Paraguai. A maioria dos crimes ocorre em cidades próximas da fronteira, com seis crimes em Pedro Juan Caballero.

O jornalista brasileiro reconhecia ser ameaçado. Em entrevista para a Abraji em 2017, Léo Veras comentou sobre as ameaças de morte que sofria. “A gente tem que morrer um dia, né?”, disse.

“Eu sempre peço que não seja tão violenta a minha morte, com tantos disparos de fuzil. Aqui, se um pistoleiro quer te matar ele vem até sua porta, manda você abrir e ele vai te dar um disparo”, disse, antes de brincar que esperava “somente um disparo para não estragar tanto”.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Vigilância na fronteira pode ser ampliada para Estados

(Arquivo/Polícia Federal)

O Ministério da Justiça e Segurança Pública quer ampliar, até o fim do ano, o Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras e Divisas (Vigia) para todos os 11 estados brasileiros de fronteira. O programa completou um ano no último dia 15 de abril. De acordo com o ministério, o objetivo é reduzir a vitalidade financeira das organizações criminosas, impedindo a entrada de armas, drogas, cigarros e produtos contrabandeados.

Em abril do ano passado, o Vigia começou com um projeto piloto na cidade de Guaíra, no Paraná, com a Operação Hórus. Em pouco menos de um ano chegou a sete estados – Acre, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, Roraima – e às divisas de Goiás e de Tocantins. Para 2020, a meta é ampliar sua abrangência aos estados do Amapá, Pará, Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e a mais três divisas nacionais.

Sob o conceito de Vigilância, Integração, Governança, Interoperabilidade e Autonomia (Vigia), os pilares do programa são a atuação integrada entre instituições e agentes de segurança, aquisição de equipamentos, como sistemas de comunicação e viaturas, e a capacitação e investimento em qualificação profissional.

Segundo o ministério, no último ano a operação causou um prejuízo de mais de R$ 750 milhões às organizações criminosas. Até abril deste ano, foram apreendidas mais de 125 toneladas de drogas, cerca de 50 milhões de maços de cigarros, 137 embarcações roubadas e mais de 1350 veículos roubados foram recuperados.

Atualmente, o Vigia tem como foco também o enfrentamento à disseminação do novo coronavírus no país. Desde março deste ano, agentes de segurança federais e estaduais que atuam na Operação Hórus fazem barreiras sanitárias em 17 cidades fronteiriças com restrições de entradas no Brasil, reforçando as ações desenvolvidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Ações de fronteira geram prejuízo de R$770 mi ao crime organizado

(Agência PF/Reprodução)

A ação integrada de órgãos de segurança pública federais e de estados fronteiriços que aderiram ao Programa Vigia causou, em apenas um ano, um prejuízo de cerca de R$ 770 milhões para os criminosos que atuam nas fronteiras brasileiras. E evitou um prejuízo de cerca de R$ 260 milhões para os cofres públicos, coibindo a sonegação de impostos, a lavagem de dinheiro e o contrabando.

A estimativa é da Secretaria de Operações Integradas (Seopi), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que levou em conta o aumento da apreensão de drogas, cigarros, armas e de contrabando desde que o governo federal criou o Programa Nacional de Segurança nas Fronteiras, também chamado de Vigia, e que completa um ano nesta quarta-feira (15).

Segundo o coordenador-geral de fronteiras da Seopi, Eduardo Bettini, o programa vem obtendo “resultados expressivos” no combate à criminalidade organizada e na prevenção e repressão aos crimes transfronteiriços, como o tráfico de armas e de drogas e o contrabando, entre outros. Além disso, garante investimentos para a capacitação de policiais federais, civis e militares que atuam nas fronteiras e a aquisição de equipamentos de ponta para uso nos estados.

“Desde que lançamos o piloto da Operação Hórus, que é a iniciativa operacional do Programa Vigia, em 15 de abril do ano passado, até agora, apreendemos 50 milhões de maços de cigarros; perto de 130 toneladas de drogas; 138 embarcações e 1.350 veículos, causando aos criminosos um prejuízo direto de aproximadamente R$ 770 milhões e evitando prejuízos aos cofres públicos”, disse Bettini à Agência Brasil.

De acordo com o coordenador, o Vigia já integra seis dos 11 estados brasileiros fronteiriços: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rondônia. Nesta terça-feira (14), o governo de Roraima deve assinar o termo de cooperação, aderindo ao programa. A expectativa da Seopi é que, até o fim deste ano, o Amapá, Pará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina se somem à iniciativa.

“Com isso, os estados ganham aumento de resiliência, compartilhamento de estruturas e mais investimentos nas suas instituições [de segurança pública], seja com equipamentos, seja no custeio de operações”, explicou Bettini, esclarecendo que o governo federal já investiu cerca de R$ 40 milhões no Vigia.

Desse total, aproximadamente R$ 30 milhões já foram ou estão sendo entregues às forças de segurança pública estaduais na forma de equipamentos, principalmente de comunicação – mas em razão da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a Seopi também adquiriu, emergencialmente, equipamentos de proteção individual (EPIs) que serão distribuídos nos próximos dias aos cerca de 1.700 agentes de segurança que participam do programa, incluindo militares das Forças Armadas. Ao menos R$ 13 milhões desses valores vieram do montante que a União já arrecadou com o leilão de bens apreendidos de traficantes de drogas.

Além dos estados fronteiriços, a Seopi também quer abarcar algumas outras unidades da Federação. Atualmente, já fazem parte da iniciativa Tocantins e Goiás, escolhidos em razão da localização geográfica.

“Os dois estados são bem centrais. Grande parte do contrabando, das drogas ou da munição que vem de outros países passam por esses corredores. Outro motivo é que, em Goiás, identificamos uma iniciativa inovadora que merecia o apoio do Ministério da Justiça para que fosse replicada em outros locais”, disse o coordenador, referindo-se ao Comando de Operações de Divisa (COD), uma unidade especializada em ações em divisa.

“Uma vantagem do Vigia é que procuramos pegar o que já existe de bom, melhorar e replicar em outros estados, ou até mesmo países”, disse Bettini, garantindo que experiências de governos anteriores também foram aproveitadas. “Pegamos algumas lições de uma série de programas anteriores, como o Sentinela e o Arco de Fogo. E observamos também o que não dava certo”, afirmou, citando, como exemplo de aperfeiçoamento, o emprego das forças de segurança locais para atuar nas fronteiras. “Levar efetivos de fora é complicado. Permanecendo no local, os policiais passam a conhecer o terreno, as estruturas do crime na região e a estabelecer uma rede de apoiadores.”

Em contrapartida aos investimentos federais, os estados que aderem ao Programa Vigia têm que custear os salários dos seus próprios policiais e as despesas com a estrutura necessária às ações realizadas em seus territórios. Já os recursos empenhados pelo Ministério da Justiça vêm, basicamente, do Fundo Nacional de Segurança Pública e de parte do dinheiro que a União arrecada com o leilão de bens apreendidos do crime organizado.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil 

Estado de sítio: Venezuela impõe restrição na fronteira

(Leandra Felipe/Agência Brasil)

As autoridades venezuelanas impuseram, a partir de hoje (7), o estado de sítio em três municípios que fazem fronteira com a Colômbia devido à covid-19.

A medida, que incluiu os municípios Simón Bolívar, Pedro María Ureña e San António de Táchira (estado de Táchira, a 850 quilômetros a sudoeste de Caracas) foi anunciada pelo ministro venezuelano de Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez e o comandante-geral do Comando Estratégico das Forças Armadas Bolivarianas (Ceofanb), almirante Remígio Ceballos.

Segundo Rodríguez, o estado de sítio vai vigorar entre as 16h e as 10h horas locais e terá como objetivo impedir a entrada no país, por via terrestre, de “desertores e paramilitares”. 

As autoridades vão identificar, por meio de impressões digitais, todas as pessoas que entram no país.



De acordo com o almirante Remígio Ceballos, todas as pessoas que entrem na Venezuela deverão permanecer 15 dias em quarentena preventiva devido à covid-19.

“Estamos iniciando o estado de sítio nos municípios de Simón Bolívar, San António e Ureña, no estado de Táchira, e quem ingressar pela Ponte Simón Bolívar (que une a Venezuela à Colômbia) deve permanecer 15 dias em quarentena. Para isso, há uma articulação cívico-militar policial”, disse Ceballos à televisão estatal.

Ele explicou que foram instalados três pontos de atenção social, com observação médica permanente.

No sábado (4) e domingo, quase 600 venezuelanos deixaram a cidade colombiana de Cúcuta, por via terrestre, em direção à localidade vizinha de San Cristóbal (estado de Táchira), na Venezuela, anunciou a Migração Colômbia (MC). 

“Nas últimas horas, aproximadamente 600 cidadãos venezuelanos regressaram ao seu país pela Ponte Internacional Simón Bolívar”, informou nas redes sociais a MC. Segundo a MIgração Colômbia, esses estrangeiros, “de maneira voluntária, decidiram abandonar” a Colômbia, divididos em dois grupos, em 20 ônibus.

O primeiro grupo era composto por 50 pessoas, entre elas seis crianças. O segundo era de 337 homens, 1167 mulheres e 35 crianças e adolescentes.

“Dada a intenção dos estrangeiros de abandonar o território nacional (colombiano), a Migração Colômbia ativou um corredor humanitário sobre a Ponte Internacional Simón Bolívar, para que essas pessoas, muitas delas menores de idade, não arriscassem a vida tentando atravessar passagens não autorizadas”, acrescentou.

Segundo a MC, “os quase 600 cidadãos venezuelanos, cujo estado de saúde foi analisado pela Secretaria de Saúde de Cúcuta, foram recebidos no meio da Ponte Internacional Simón Bolívar por funcionários do Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (Saime) da Venezuela”.

Pandemia na Venezuela

A Venezuela tem 165 casos de covid-19 e 5 mortes confirmadas. 

O país está desde 13 de março em “estado de alerta”, o que permite ao Executivo tomar “decisões drásticas” para combater a pandemia.

O “estado de alerta” foi decretado por 30 dias, que podem ser prolongados por igual período.

Os voos nacionais e internacionais estão restritos no país.

Desde 16 de março os venezuelanos estão em quarentena, impedidos de circular livremente entre os 24 estados do país.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19, já infectou mais de 1,3 milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 73 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 250 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar situação de pandemia.

Por RTP – Agência pública de notícias de Portugal