Promotores denunciam Dr. Jairinho e a mãe de Henry à Justiça

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou hoje (5) o vereador Dr. Jairinho e a professora Monique Medeiros pela morte do filho dela, Henry Borel, de 4 anos. Também foi solicitada a conversão da prisão temporária dos dois em prisão preventiva, medida que os promotores consideram necessária para que o processo não sofra interferência. Caso a Justiça aceite a denúncia, eles irão responder por homicídio triplamente qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo.

Monique vivia um relacionamento com o vereador do Rio de Janeiro e foi denunciada também pelo crime de falsidade ideológica. Segundo o MPRJ, ela prestou falsa declaração falsa no hospital para onde levaram a criança, que chegou ao local já sem vida. “Ao buscar atendimento para seu filho, objetivou mascarar as agressões sofridas por este, evitando a responsabilização penal de seu companheiro”, registra a denúncia.

O menino morreu no dia 8 de março no apartamento onde morava com sua mãe e seu padrasto. O laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML) indicou que a criança sofreu 23 ferimentos pelo corpo e que a causa da morte foi “hemorragia interna e laceração hepática”. O corpo apresentava lesões hemorrágicas na cabeça, lesões no nariz, hematomas no punho e abdômen, contusões no rim e nos pulmões, além de hemorragia interna e rompimento do fígado.

O inquérito da Polícia Civil foi concluído na terça-feira (4) com o indiciamento por homicídio dos dois investigados. No curso das investigações, foram recuperadas mensagens em que a babá de Henry relata a Monique um episódio em que o menino foi vítima de agressão de Dr. Jairinho. A mãe da criança, segundo o delegado, não denunciou o ocorrido na época e omitiu a informação no depoimento.

Na denúncia, o MPRJ endossou conclusões do inquérito policial. “Os intensos sofrimentos físicos e mentais a que era submetida a vítima como forma de castigo pessoal e medida de caráter preventivo consistiam em agressões físicas perpetradas pelo denunciado Jairo Souza Santos Junior”, diz o documento. Monique é apontada como coautora do crime por omissão, pois tinha o dever de proteção e vigilância. “Sendo conhecedora das agressões que o menor de idade sofria do padrasto e estando ainda presente no local e dia dos fatos, nada fez para evitá-las ou afastá-lo do nefasto convívio com o denunciado Jairo”, registra a denúncia.

Monique e Dr. Jairinho estão em prisão temporária desde o dia 8 de abril. Com o fim da investigação policial, caso não ocorra a conversão em prisão preventiva, eles deverão ser liberados para responder em liberdade. Para o MPRJ, se isso ocorrer, há risco de as testemunhas serem ameaçadas e de interferências na coleta de provas. “Existem pontos destacados no apenso físico do laudo de extração de conteúdo do aparelho celular dos denunciados que apontam que, a todo tempo, eles tentaram intimidar e cercear testemunhas, direcionar depoimentos e embaraçar as investigações”, diz a denúncia.

No mesmo dia em que foi preso, Dr. Jairinho, que está no quinto mandato como vereador, foi expulso do Solidariedade, partido ao qual estava filiado. Na Câmara dos Vereadores, tramita um processo de cassação do mandato do parlamentar.

Defesa

A defesa de Monique Medeiros, composta pelos advogados Thiago Minagé, Hugo Novais e Thaise Mattar Assad, ainda não se pronunciou sobre a denúncia do MPRJ.

Na última terça-feira (6), os advogados divulgaram nota lamentando a decisão da Polícia Civil de não colher um novo depoimento da mãe de Henry. Nas últimas semanas, Monique escreveu diversas cartas onde pede desculpas a Leniel Borel, pai de Henry, e oferece uma versão dos fatos distinta da que apresentou em seu interrogatório no dia 17 de março. Ela afirma ter sido pressionada a endossar uma narrativa combinada com André Barreto, advogado que representou o casal no início do caso.

Thiago Minagé, Hugo Novais e Thaise Mattar Assad foram contratados por Monique no mês passado, quando ela decidiu ter defesa separada da de Dr. Jairinho. Os três advogados consideram a reconstituição dos fatos imprestável porque, segundo eles, teria sido realizada com base em versão uma irreal, apresentada sob coação e dissimulação.

Para eles, a mãe de Henry também é vítima no caso. Com base no testemunho de mulheres que tiveram relacionamento com Dr. Jairinho, os três advogados passaram a sustentar que o vereador tem perfil agressivo e que seria o único autor do crime. Um desses casos antigos levou o MPRJ a oferecer outra denúncia na semana passada contra Dr. Jairinho, acusado de ter torturado física e mentalmente a filha de sua então namorada. A criança também tinha quatro anos na época (2011-2012).

Nas cartas escritas na prisão, Monique afirma que era induzida a tomar remédios para dormir e descreve episódios de ciúme e violência que não foram relatados no interrogatório. Quando depôs diante dos investigadores, ela disse que acreditava que Henry teria se acidentado ao cair da cama, versão similar à do vereador.

Após o rompimento com Monique, o advogado André Barreto decidiu deixar também a defesa de Dr. Jairinho. O vereador passou a ser representado pelo criminalista Braz Sant’Anna, que ainda não de manifestou sobre a denúncia do MPRJ. Em entrevistas concedidas nos últimos dias, Sant’Anna considerou inconsistente o conteúdo das cartas escritas por Monique.

 Por Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Polícia indicia Dr. Jairinho e Monique pela morte de Henry

Dr. Jairinho, vereador no Rio de Janeiro, menino Henry e Monique Medeiros, mãe do garoto (CNN/Reprodução)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou por homicídio duplamente qualificado – impossibilidade de defesa da vítima e pelo emprego de tortura – o vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho (sem partido), e a professora Monique Medeiros, padrasto e mãe de Henry Borel, de 4 anos.

Laudo do Instituto Médico Legal revelou que o menino, morto no dia 8 de março, sofreu 23 lesões, três delas na cabeça, e morreu devido a uma hemorragia no fígado provocada por ação violenta.

Além do homicídio, Jairinho também foi indiciado por dois episódios de crime de tortura ocorridos em fevereiro e Monique, por tortura por omissão, porque, segundo as investigações, ela sabia que o filho estava sendo torturado e não agiu para evitar o crime.

O inquérito foi enviado para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro que vai decidir se denuncia ou não o casal pelos crimes.

Nova versão

Durante seu depoimento à polícia, Monique disse que Henry tinha caído da cama. Depois, em cartas escritas na prisão, ela mudou sua versão e disse que mentiu porque tinha medo de Jairinho e afirmou ter sido manipulada. A defesa quer que a polícia tome novo depoimento da professora.

“Sobre o argumento [da defesa] de calar a Monique, isso é absolutamente descabido. Ela foi ouvida por horas. Por lei, ela terá oportunidades para se manifestar em juízo: na presença de seus advogados, promotor de justiça e juiz de direito. A única pessoa que foi calada nessa situação toda foi o Henry. Ele foi calado. Ele pediu ajuda e não foi ouvido. Ela teve oportunidade de se manifestar”, disse hoje (4) o titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), delegado Henrique Damasceno, que conduziu as investigações.

Defesa

A defesa de Jairinho disse que houve muito açodamento para a conclusão do inquérito e que não há dúvida de que a mesma celeridade ocorrerá da parte do Ministério Público. “Esta pressa não é aconselhável em um processo de alta complexidade. A pressão da opinião publica não pode interferir sob pena do cometimento de erros graves”, informou a defesa.

Os advogados de Monique Medeiros disseram que ela é inocente “neste hediondo crime que vitimou seu filho”. Para a defesa, o inquérito policial foi finalizado prematuramente com erros investigativos. “Foram reinquiridas várias pessoas e admitida mudança de seus relatos. Monique não teve igual direito, em ‘dois pesos e duas medidas’”, diz a nota.

“A defesa vai trabalhar com objetivo de fazer prevalecer a verdade na Justiça. Tratar Monique como coautora do crime é erro injustificável!”, afirmou a defesa.

Por Ana Cristina Campos, da Agência Brasil

Dr. Jairinho é denunciado por torturar criança

Dr. Jairinho, suspeito de matar Henry (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, na última sexta-feira (30), o vereador Jairo Souza Santos Junior, conhecido como “Dr. Jairinho”, por torturar uma menina de quatro anos de idade como forma de castigo.

O crime teria acontecido entre os anos de 2011 e 2012. Na denúncia, consta que o homem a submeteu a um “intenso sofrimento físico e mental”, segundo o MPRJ em nota.

Na época, Jairinho mantinha um relacionamento amoroso com a mãe da vítima. O ministério diz que ele se aproveitava desta situação para ficar sozinho com a criança.

“Tem-se que o denunciado batia com a cabeça da vítima contra diversos lugares, chutava e desferia socos contra a barriga da criança, além de afundá-la na piscina colocando seu pé sobre sua barriga, afogando-a, e de torcer seu braço”, aponta a denúncia.

O MP ainda diz que o político, que se encontra preso no momento, falava para a menina que ela “atrapalhava sua mãe” e que a relação do casal seria mais fácil “sem ela no meio”.

Por TV Cultura

Caso Henry: Conselho de Ética pede cassação de Dr. Jairinho

Dr. Jairinho, suspeito de matar o menino Henry Borel (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal do Rio de Janeiro decidiu pedir a cassação do vereador Jairo Souza Santos Júnior, mais conhecido como Dr. Jairinho, preso no início do mês, suspeito da morte do menino Henry Borel, de 4 anos. O colegiado vai encaminhar representação contra o parlamentar à Mesa Diretora da Câmara.

A decisão de pedir a cassação teve como base a investigação da Polícia Civil, que aponta o vereador como um dos suspeitos da morte, junto com a namorada, a mãe do menino, Monique Medeiros.

A Mesa Diretora analisará os aspectos formais da denúncia e deve encaminhar o processo, em até três dias, para a Comissão de Justiça e Redação, que votará pelo recebimento ou não da representação.

Caso seja aceito, o processo volta para o Conselho de Ética, para que seja feita a instrução, ou seja, a análise de provas e a defesa do vereador. Por fim, o caso é encaminhado para o plenário, para que se decida sobre a cassação ou não do parlamentar. A perda de mandato só é aprovada se receber pelo menos dois terços dos votos dos vereadores.

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil 

Mãe de Henry muda versão e quer novo depoimento à polícia

A professora Monique Medeiros Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel, mudou sua versão sobre o que ocorreu no dia da morte do filho de 4 anos e sobre a sua relação com o vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho (sem partido). Os dois são suspeitos da morte do menino no dia 8 de março.

Em carta enviada aos seus advogados, escrita no Hospital Penitenciário Hamilton Agostinho, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, Monique descreve o seu relacionamento com Jairinho e comenta as agressões que ela e o filho sofreram. Monique foi para o hospital depois de ter o diagnóstico de covid-19 na cadeia.

Monique, se dirigindo aos advogados Hugo Novais e Thaise Mattar Assad, diz que está sofrendo muito e não tem um dia que não chore pela morte do filho. “Sempre fui uma pessoa e não mereço estar sendo condenada por um crime que eu não cometi. Nunca acobertei maldade ou crueldade em relação ao Henry. Nunca encostei um dedo nele, nunca bati no meu filho, eu fui a melhor mãe que ele poderia ter tido. Minha vida hoje não faz mais sentido”, afirma na carta à qual a Agência Brasil teve acesso.

Em outro trecho, Monique revela que não sabia, mas estava sendo manipulada por Jairinho, que a oprimia, mas ela não conseguia sair do relacionamento. Monique se refere ainda aos pais, que segundo ela, são pessoas boas, humildes, com caráter, mas não têm outro lugar para ficar. “Temo pela vida deles! Jairinho emprega mais de uma centena de pessoas, é influente, conhece as pessoas mais ricas desta cidade, têm informações privilegiadas e comandam muita coisa em nosso bairro”, destacou.

A mãe de Henry revelou ainda que tentou a todo custo se afastar e se desvincular do vereador, mas foi ameaçada diversas vezes por ele e a sua família também. Monique contou que conheceu Jairinho em um período em que estava muito fragilizada, em um ano de pandemia, além de passar por uma crise com o marido [Leniel Borel, pai de Henry]. “Foi quando decidi separar! Como ele não saiu de casa, tive que pegar meu filho e carregar comigo, pois eu tinha uma casa no terreno dos meus pais que construímos no início do relacionamento, quando ele ficou desempregado”, relatou.

Em outro trecho, ela diz que conheceu Jairinho pelo Instagram no dia 31 de agosto do ano passado, e marcaram encontro em restaurante da Barra. Para ela, o vereador era um homem inteligente, charmoso, persuasivo e influente. Segundo ela, durante o encontro contou a Jairinho que como diretora de uma escola municipal do bairro de Senador Camará, costumava fazer denúncias de maus tratos sofridos pelos alunos ao Conselho Tutelar Regional de Bangu.

Em setembro se divorciou do marido e no mesmo mês foi pedida em namoro por Jairinho. Segundo ela, depois disso “sutilmente, Jairinho começou a pedir que apagasse muitas fotos do seu perfil no Instagram, porque ela não podia ter muita exposição. Como não achou nada de mais, atendeu ao pedido. Em seguida, além de não responder mais as mensagens de amigos homens, aceitou o pedido para que bloqueasse os amigos e seu celular passou a ter um localizador instalado pelo namorado.

Monique acrescentou que, com o passar do tempo e com a demora para obter o divórcio, começou a ter crises de ansiedade com as cobranças e picos de pressão. Foi aí que. de acordo com ela, Jairinho passou a receitar ansiolítico e remédio para ela dormir.

A professora revelou ainda que em uma das crises de ciúme o vereador entrou de madrugada na casa de Bangu, onde ela estava dormindo com o filho, e a enforcou. “Ele estava transtornado e desfigurado com raiva de mim”, depois disso, ficou sabendo que Jairinho tinha lido uma troca de mensagens que teve com o pai de Henry. No dia seguinte, o vereador pediu desculpas e informou que ia providenciar o aluguel de um apartamento para morarem juntos com o menino também. O apartamento para onde mudaram foi onde a criança sofreu agressões, relatadas pela babá Thayná Ferreira, até chegar o dia 8 de março quando não resistiu e morreu.

Defesa

A advogada criminalista, Thaise Mattar Assad, que é uma dos três defensores de Monique Medeiros, postou hoje nos seus perfis do Facebook e do Instagram uma nota em que responde a ataques que vem sofrendo por defender Monique. “Venho de uma família de autênticos advogados criminalistas. Meu avô, Elias Assad, e meu pai, Elias Mattar Assad, são criminalistas. Com meu pai, aprendi que: se os problemas são reais, como enfrentá-los com ilusões? Aos que estão depositando todo o ódio em mim, se preocupando em criticar meu cabelo “despenteado”, meu corpo ou se apegando em Deus para me ofender e dizer que vão suplicar todos os dias para que todo o mal recaia sobre minha família, entendam: suporto e suportarei todas as ofensas de cabeça erguida, com minha força moral e me sentirei sempre honrada por carregar a defesa sobre meus ombros. É a minha missão. Não defendo crimes, defendo pessoas”, afirmou.

Em entrevista à Agência Brasil, a advogada disse que a defesa protocolou hoje na Delegacia de Polícia Civil, que faz as apurações, o relato-carta subscrito por Monique e reforçou a necessidade de seu novo interrogatório. “A nossa pretensão na verdade é que ela seja ouvida novamente. A carta não é um depoimento. Não serve para substituir o depoimento da Monique. É um pedido de socorro de alguém que quer ser ouvida pela justiça” , disse, acrescentando que ainda não houve resposta ao pedido e nem há expectativa de quando o inquérito será concluído.

A advogada confirmou que houve uma mudança de versão entre o que a cliente fala na carta e no seu depoimento à polícia. “Com certeza. Ela está apresentando uma versão completa em relação ao primeiro depoimento, justamente por isso ela precisa ser ouvida para contribuir com a justiça”, afirmou.

Para Thaise Mattar Assad, Monique mudou a versão porque, como mostra na carta, havia um contexto de violência doméstica muito forte. “Ela estava envolta em um relacionamento abusivo. Logo após os fatos, ela estava completamente dependente do Jairinho. Foi treinada a falar uma versão que não era verdadeira, justamente porque estava sendo ameaçada e a família dela, inclusive de que não teria condição de pagar uma boa defesa, então, precisaria fazer a mesma defesa dele e contar a mesma história, que seria melhor para ela”, disse, destacando ser por isso que a defesa entende que a prisão foi a libertação da professora do seu relacionamento com o vereador.

Nota

Em nota enviada hoje no fim da tarde, os advogados destacaram as razões para que Monique seja novamente ouvida. “Um Inquérito Policial não pode ser encerrado com contradições internas. Se existiram várias novas audições de pessoas que já tinham prestado declarações e alteraram seus depoimentos, maior razão ainda deveria ter a Autoridade Policial para ouvir novamente Monique”, apontou.

A defesa requereu ainda que a Anvisa e o órgão fiscalizador estadual competente “sejam instados a fornecer relatório de todas as eventuais receitas médicas subscritas pelo indiciado Jairinho”.

Dr. Jairinho

O advogado Brás Santana, que defende o vereador, disse à Agência Brasil, que só vai comentar a tese da defesa após a formalização da denúncia contra o seu cliente, mas criticou a carta de Monique. “Sem falar sobre a tese da defesa, o que somente farei após a denúncia, posso adiantar que a carta da Monique é uma peça de ficção, que não encontra apoio algum nos elementos de prova carreados aos autos”, disse em resposta à reportagem.

Polícia Civil

De acordo com a Polícia Civil, os delegados Antenor Lopes, diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), e o titular da 16ª Delegacia de Polícia, Henrique Damasceno, presidente do inquérito que apura a morte do menino Henry, só darão entrevistas após a conclusão do inquérito. “O caso está sob sigilo e só o dr. Antenor e o dr. Henrique estão falando sobre as investigações”, informou em resposta à Agência Brasil.

*Com informações da Agência Brasil

Presa, mãe do menino Henry está com covid-19

Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do menino Henry Borel

Presa por suspeita de envolvimento na morte do filho Henry Borel, de 4 anos, a professora Monique Medeiros Costa e Silva foi diagnosticada com covid-19. O menino, que morreu no dia 8 de março, apresentava sinais de agressão.

Segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) do Rio de Janeiro, após solicitar atendimento médico, Monique foi encaminhada ontem (19) ao Hospital Penal Hamilton Agostinho, no complexo de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio. No local, ela foi diagnosticada com a covid-19 e ficará internada para fazer o acompanhamento médico, informou a Seap.

Monique estava presa desde o dia 8 de abril, no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Ainda no presídio de Niterói, onde teve o primeiro atendimento, Monique fez um exame rápido para verificar se estava com a doença. Diante do resultado foi feita a transferência e, conforme a Seap, ela vai permanecer em Bangu para receber o tratamento.

Inquérito

As investigações sobre o crime indicaram que a criança sofria agressões do namorado de Monique, o vereador Jairo Souza Santos Júnior (sem partido), conhecido como Dr. Jairinho. Monique, Henry e Jairinho em um condomínio da Barra da Tijuca.

Com uso do software israelense Cellebrite Premium, a Polícia Civil recuperou mensagens do celular de Monique trocadas no dia 12 de fevereiro com a babá Thayná Ferreira, nas quais esta revela que o menino estava sofrendo agressões de Jairinho, que o tinha trancado no quarto do casal. No dia 8 de março, as torturas durante a madrugada provocaram a morte da criança.

O vereador também foi preso no dia 8 de abril e está no Presídio Petrolino Werling de Oliveira, Bangu 8. Jairinho foi apontado como assassino do menino pelo delegado titular da 16ª DP, Henrique Damasceno, que preside as investigações. O casal é suspeito do crime de homicídio duplamente qualificado e tortura.

O delegado disse que não acredita na possibilidade de a mãe ter sofrido ameaças para deixar de relatar as agressões. Segundo Damasceno, não faltaram oportunidades para ela falar à polícia sobre a tortura praticada pelo namorado.

Por Cristina Índio do Brasil, da Agência Brasil

Preso, Dr. Jairinho é desligado de comissão na Câmara do Rio

Dr. Jairinho, suspeito de matar o menino Henry Borel (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O vereador Jairo Souza Santos Jr., o Dr. Jairinho, suspeito da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, foi desligado da Comissão de Justiça e Redação da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A decisão, do presidente da Casa, Carlo Caiado, foi publicada na edição de hoje (19) do Diário Oficial da Câmara.

A justificativa usada por Caiado para desligar o parlamentar foi a expulsão de Dr. Jairinho dos quadros do Partido Solidariedade (SD). Jairinho foi expulso do SD depois de ter sido preso pela Polícia Civil, há duas semanas, suspeito de matar seu enteado, o menino Henry, no início de março.

Outra suspeita da morte, a mãe da criança, Monique Medeiros, namorada do parlamentar, também foi presa.

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil 

Mãe de Henry e Doutor Jairinho passam a noite na cadeia

O vereador Dr. Jairinho e sua namorada, Monique Medeiros, foram encaminhados ao sistema penitenciário do estado do Rio e passaram, ontem (8), a primeira noite na cadeia. Eles são suspeitos da morte do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, filho de Monique, ocorrida há um mês, e tiveram a prisão preventiva decretada pela justiça.  

O parlamentar está no presídio Pedrolino Werling de Oliveira, que fica no Complexo de Gericinó (Bangu). Já Monique foi levada para o Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói.

Os dois ficarão isolados, dentro do presídio, por um período inicial de 14 dias, como medida de prevenção à disseminação da covid-19 dentro do sistema penitenciário. A medida, segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Rio, é adotada para todos que entram nas cadeias do estado.

Jairinho e Monique se declaram inocentes e alegam que Henry morreu acidentalmente depois de cair da cama. Já a perícia indica que o corpo do menino mostrava sinais de agressão.

Por Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil 

Vereador assassinou garoto Henry, diz polícia

O delegado titular da 16ª Delegacia de Polícia Henrique Damasceno disse hoje (8) que o vereador Dr. Jairinho (RJ), expulso nesta quinta-feira do partido Solidariedade, assassinou Henry Borel, de 4 anos, filho da namorada do vereador. Segundo o delegado, a investigação continua, mas já existem provas suficientes para assegurar que a morte do garoto, no dia 8 de março, não foi um acidente, e sim um crime duplamente qualificado com emprego de tortura e sem possibilidade de defesa da vítima.

De acordo com o delegado, até o momento, não há possibilidade de garantir que a mãe da criança participou das torturas, mas Damasceno acrescentou que Monique Medeiros da Costa e Silva foi omissa em não procurar a polícia para relatar uma agressão ocorrida no dia 12 de fevereiro, dentro do apartamento do casal. Conforme o delegado, a agressão ficou evidente em troca de mensagens entre Monique e a babá de Henry, Thayná, recuperadas pela polícia com a utilização do software israelense Cellebrite Premium. 

Dr. Jairinho, suspeito de matar o menino Henry (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

As mensagens foram fundamentais para determinar a prisão do casal nesta quinta-feira. A aquisição do software vinha sendo pedida pela polícia há dois anos e foi autorizada pelo governador em exercício Cláudio Castro durante as investigações.

Nas mensagens, que tinham sido apagadas do celular de Monique, a babá informou que o menino foi trancado no quarto por Dr. Jairinho e naquele momento sofria agressões. A mãe então pediu para que ela entrasse no quarto, o tirasse de lá e desse um banho para ele ficar mais calmo. A babá contou ainda que o menino relatou que levou “uma banda” do padrasto e que pediu para que a sua cabeça não fosse lavada, porque sentia dor. Henry falou ainda que tinha dores no joelho.

Ameaças

O delegado descartou a possibilidade de a mãe ter sofrido ameaças para não relatar as agressões e ressaltou que não faltaram oportunidades para falar das agressões sofridas pelo menino.

“Com relação à ameaça, com bastante sinceridade, não é isso que percebi. Ela teve inúmeros momentos em que poderia ter falado conosco. O depoimento foi bastante longo e ela se mostrou à vontade em vários pontos dele [depoimento]”, afirmou.

O comportamento de Monique após a morte do filho chamou atenção de Damasceno. “Ela conseguiu prestar um depoimento por mais de quatro horas e apresentou uma versão fantasiosa protegendo o assassino do próprio filho”, ressaltou, destacando, que com base na legislação brasileira, a denúncia seria uma obrigação legal da mãe.

Dr. Jairinho, vereador no Rio de Janeiro, menino Henry e Monique Medeiros, mãe do garoto (CNN/Reprodução)

“A mãe não procurou a polícia, não afastou a vítima do agressor, do convívio de uma criança de 4 anos, filho dela. É bom que se diga que ela tem obrigação legal. Além disso, quando verificamos depois de uma rotina, esteve em sede policial por mais de quatro horas protegendo o assassino do próprio filho. Não só se omitiu, como também concordou”.

O delegado informou ainda que após o enterro do filho, Monique foi a um salão de beleza para tratar do cabelo e das unhas. A imagem que o casal tentava passar da convivência com o menino era de uma família harmoniosa, inclusive induzindo a polícia para esta versão.

IML

Durante as investigações foi ouvido um alto executivo da Saúde, com nome não revelado pelo delegado, que no seu depoimento na 16ª DP revelou ter recebido quatro ligações de Dr. Jairinho pedindo que o corpo fosse liberado pelo Hospital Barra D’Or, onde a criança já chegou morta, e não fosse encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML). O executivo, segundo o delegado, negou o pedido, porque constatou que o menino tinha sido vítima de agressões e, por isso, o corpo precisava ser levado ao IML.

Descarte de celulares

O casal foi preso na casa de uma tia do vereador, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro. O endereço não tinha sido informado às autoridades policiais, que conheciam apenas a localização da casa da mãe de Monique e dos pais de Dr. Jairinho, onde estavam morando separados nos últimos dias. Esse foi um dos motivos pelos quais a prisão foi feita nesta quinta-feira. O delegado relatou que não houve resistência no momento que foram presos, mas o vereador tentou se livrar de dois celulares que o casal estava usando depois que tiveram anteriormente a apreensão dos seus aparelhos. Jarinho jogou os celulares pela janela, mas a polícia recolheu e os encaminhou para perícia.

O promotor do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), titular da 1ª Promotoria da Zona Sul e Barra, Marcos Kac, disse que as provas continuam sendo produzidas porque as investigações ainda não terminaram, uma vez que ainda tem uma série de atos de polícia judiciária e pericial para serem praticados para que todo o acervo probatório seja encaminhado ao Ministério Público. “Aí sim, vai valorar a conduta de cada um e imputar o tipo penal violado por cada um dos atores dessa tragédia”, contou Marcos Kac, esclarecendo o processo para determinar a punição de cada um no crime.

Para o diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), delegado Antenor Lopes, para as investigações este foi um caso extremamente sensível e delicado, que começou com a possibilidade de ser um acidente doméstico, mas que avançou nas apurações. “Caso difícil porque ocorreu dentro de um apartamento sem maiores testemunhas e sem câmeras. Era um caso com dificuldade muito grande, mas a equipe do Dr Henrique evoluiu na investigação e eles começaram a perceber que algo estava errado. Fomos auxiliados pela perícia técnica, bem como toda a investigação foi acompanhada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, com o Dr Marcos Kac”, completou.

Expulsão

O partido Solidariedade, que ontem tinha anunciado o afastamento de Dr. Jairinho, em nota nesta quinta-feira, informou a expulsão do vereador. “Diante dos novos fatos revelados, a Executiva Nacional do Solidariedade, em conjunto com a Estadual do partido, resolve expulsar, de forma sumária, o vereador Dr. Jairinho”.

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro confirmou que se reunirá hoje para definir a situação do vereador, com a responsabilidade que o caso exige e atenta à gravidade da prisão de Dr. Jairinho. Está prevista para esta tarde uma reunião do Conselho de Ética. “Embora inexista até o momento representação formulada no Conselho de Ética, será dada toda celeridade que o caso exige. Em razão da prisão, o vereador tem sua remuneração imediatamente suspensa e fica formalmente afastado do mandato a partir do trigésimo primeiro dia, na forma do art. 14 do Regimento Interno”, informou.

Depois de passar por exames de corpo de delito no IML, o casal foi levado para o presídio de Benfica, na zona norte, para entrada no sistema prisional do estado do Rio. A reportagem da Agência Brasil tentou contato com a defesa do casal, mas não obteve resposta.

Por Cristina Indio do Brasil – Repórter da Agência Brasil 

Vereador e namorada são presos em inquérito sobre morte do menino Henry

Dr. Jairinho, vereador no Rio de Janeiro, menino Henry e Monique Medeiros, mãe do garoto (CNN/Reprodução)

O vereador Dr. Jairinho (SD) foi preso na manhã de hoje (8) pela Polícia Civil. Ele é investigado por envolvimento na morte de seu enteado, o menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, no dia 8 de março. A Polícia Civil também prendeu a mãe do menino e namorada do parlamentar, Monique Medeiros.

A criança morreu no apartamento onde Jairinho e Monique moravam, na Barra da Tijuca, depois de passar um fim de semana com o pai. Inicialmente, o caso foi tratado como um acidente, como se o menino tivesse caído da cama, mas perícias médicas constataram que a vítima havia sido vítima de agressões.

Depois que a polícia começou a investigar se Henry foi vítima de violência doméstica, o casal criou um site, onde se diz inocente. Afirma, ainda, que “a Justiça prevalecerá”.

Por Vitor Abdala, da Agência Brasil