Paciente teria se curado do HIV com imunidade natural

Cientistas afirmaram ter identificado um segundo caso de uma paciente cujo corpo parece ter se livrado do vírus HIV sem tratamento, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (15/11) no jornal Annals of internal medicine.

A paciente é uma mulher de 31 anos que foi diagnosticada com o HIV em 2013. Ela não recebeu nenhum tratamento contra o HIV, apenas tomou antirretrovirais durante seis meses quando estava grávida, entre 2019 e 2020, para evitar uma transmissão do vírus para o bebê.

Testes não encontraram mais o vírus intacto no corpo da paciente, que é da cidade de Esperanza, na Argentina. Os testes identificaram, porém, fragmentos do vírus, o que indica que ela realmente esteve infectada.

Este é apenas o segundo caso de uma chamada cura esterilizante sem a ajuda de medicamentos ou de um transplante de células tronco. A outra é uma mulher californiana de 67 anos chamada Loreen Willenberg, conhecida como a paciente de São Francisco.

Há outros casos de pessoas que alcançaram níveis indetectáveis do vírus por anos, como o paciente de Berlim (Timothy Ray Brown) e o chamado paciente londrino (Adam Castillejo). Ambos, porém, receberam um transplante de células tronco. Eles foram mais tarde diagnosticados com câncer.

A cientista Xu Yu, do MIT, que liderou a pesquisa, observou que a cura esterilizante pode não ser alcançada de forma natural por outros pacientes. A paciente de Esperanza faz parte de um grupo chamado controladores de elite, que são pessoas capazes de reduzir o HIV a um nível muito baixo com o sistema imunológico, sem a ajuda de medicamentos.

Cientistas estão estudando essas pessoas, e ainda não está claro quantas pessoas infectadas conseguem controlar naturalmente o HIV apenas com seu sistema imunológico.

Por Deutsche Welle
as/rk (OTS)

Parada LGBT+ terá testes gratuitos de HIV

A 25ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ ocorre neste domingo (6) em São Paulo e, pela primeira vez, aborda a questão da epidemia de HIV/Aids. Com o tema Ame+, Cuide+, Viva+, o evento será virtual pelo segundo ano consecutivo por conta da pandemia de covid-19, mas terá uma atividade presencial, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde, com testagem rápida para identificação do HIV.

A ação ocorre entre 11h e 15h no Elevado Presidente João Goulart próximo à estação de metrô Marechal Deodoro. Um veículo adaptado estará no local para realizar os testes. O cadastro dos interessados termina meia hora antes do encerramento da testagem. Duas tendas serão montadas para dar o resultado aos interessados e evitar que duas pessoas estejam dentro do veículo ao mesmo tempo, mantendo assim os cuidados sanitários.

O teste rápido será feito por punção digital para evitar que a pessoa tenha que retirar a máscara, como ocorre com os exames que utilizam fluido oral. A secretaria destaca que o resultado sempre é dado por um profissional da saúde em local isolado, garantindo o sigilo. Em caso de resultado positivo, é feito um exame confirmatório. A pessoa será orientada pela equipe de saúde a buscar uma unidade de saúde especializada para iniciar o tratamento.

Também serão disponibilizados preservativos, tanto masculinos como femininos, além de sachês de gel lubrificante e autoteste para HIV. 

Outra ação de testagem está programada para o dia 27 de junho, data que antecede o Dia Mundial do Orgulho LGBT, em 28 de junho.

A transmissão da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo será das 14h às 22h pelo canal da associação da parada, APOLGBT, no Youtube. A programação terá shows, entrevistas, com participação de representantes de governos, organizações internacionais e da sociedade civil. 

Acompanhe:

Por Camila Maciel, da Agência Brasil

Testes para vacina contra HIV têm resultados promissores

Um teste para o desenvolvimento de uma vacina voltada a combater o vírus do HIV teve resultados promissores, segundo os laboratórios responsáveis. O projeto para encontrar um imunizante contra a vírus é conduzido pelo Iniciativa Internacional HIV Aids em parceria com a instituição de pesquisa Scripps Research.

Segundo as instituições, os testes clínicos da Fase 1 mostraram sucesso no estímulo a células raras, primeiro passo para a geração de anticorpos nos pacientes infectados pelo vírus. Entre os participantes do ensaio clínico, 97% apresentaram esses efeitos.

Segundo os pesquisadores, o estudo aponta um caminho para o desenvolvimento de uma vacina e para as próximas fases do ensaio clínico.

Agora, a Iniciativa Internacional HIV Aids e a instituição Scripps Research devem firmar uma parceria com a farmacêutica Moderna (que também tem desenvolvido vacinas contra o novo coronavírus) para testar uma vacina baseada na tecnologia mRNA.

Mutações

A dificuldade no desenvolvimento de um imunizante contra o HIV, que atinge 38 milhões de pessoas em todo o mundo, está relacionada ao fato deste ser um vírus que sofre mutações constantemente, criando obstáculos à ação do sistema imunológico.

Os pesquisadores trabalham para desenvolver substâncias que possam produzir o que chamam de “anticorpos altamente neutralizantes”, proteínas que tenham condição de combater a reprodução do HIV.

Os responsáveis pelo estudo acreditam que a pesquisa pode contribuir não somente para esse esforço no combate ao vírus HIV, mas também para a fabricação de imunizantes contra outros vírus e doenças, como Influenza, dengue, Zika e hepatite C.  

Por Jonas Valente, da Agência Brasil

Estudo monitora resposta à vacina em pacientes com HIV e doenças reumáticas

(Reprodução)

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) está liderando o primeiro estudo que tem como objetivo avaliar a resposta à vacina contra a Covid-19 em pacientes imunossuprimidos (doenças reumáticas e pessoas que vivem com HIV/AIDS) para determinar a resposta imune.

Esta pesquisa foi coordenada pela Profa. Dra. Eloisa Silva Dutra de Oliveira Bonfá, Diretora Clínica do HCFMUSP, e pelo Prof. Dr. Esper Kallas, Titular do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP, e a primeira etapa foi finalizada no dia 10 de fevereiro de 2021 com quase 2 mil pessoas vacinadas, sendo aproximadamente 1.500 pacientes e 500 voluntários do grupo controle.

A importância deste estudo é reforçada por análise epidemiológica recente de 252.119 pacientes hospitalizados no Brasil com Covid-19 realizada pelo mesmo grupo, que observou que pacientes com lúpus têm 73% mais chances de evoluir para óbito dos que não têm lúpus.

A organização do trabalho do time de mais de 200 voluntários pela enfermeira Solange Fusco e a gestora Priscila Tagliaferro tornou possível a realização desta etapa em apenas dois dias com uma atividade coordenada que foi muito elogiada pelas pessoas vacinadas.

Por Gov. do Estado de SP

USP busca voluntários para vacina contra HIV

(Reprodução)

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o professor e infectologista do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Ricardo Vasconcelos, comenta o estudo de uma vacina contra o HIV, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Harvard, chamado Mosaico, que passou cinco anos em testes de laboratórios, durante os estudos pré-clínicos e nas fases 1 e 2 em seres humanos, aplicados simultaneamente nos EUA, México, Peru, Brasil, Argentina, Itália, Espanha e Polônia.


Ouça:

Ouça a entrevista do professor ao Jornal da USP

Atualmente na fase 3, o estudo procura voluntários para testes. O professor explica que os voluntários de uma vacina devem ser pessoas vulneráveis ao vírus, assim como integrantes de certas populações vêm sendo testadas para as vacinas contra a Covid-19.

Aqui no Brasil, o estudo Mosaico está recrutando participantes em São Paulo no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina na USP e busca voluntários homens gays ou bissexuais cisgêneros e homens ou mulheres transexuais entre 18 e 60 anos.

Caso você faça parte desse grupo e deseje se voluntariar, pode entrar em contato por meio do Programa de Educação Comunitária da FMUSP. Os contatos são pelo Instagram @pec.hcfmusp ou pelo e-mail [email protected].

A vacina em desenvolvimento trabalha com a tecnologia de vetor, em que são injetadas informações genéticas para produção de proteínas do HIV dentro de um vírus que não afeta seres humanos. Quando o indivíduo é vacinado, o vírus é inserido no organismo e se multiplica, fazendo com que o corpo receba as proteínas que foram injetadas no material genético. Assim, o vacinado produz resposta imune contra proteínas do HIV sem nunca ter tido contato com esse vírus.

Os testes feitos em seres humanos dessa vacina indicaram que, assim como nos macacos, os voluntários produziram anticorpos de imunidade, mas ainda resta saber se são eficazes em proteger contra a infecção do HIV. Além do estudo com voluntários no Brasil, outro estudo está sendo realizado na África Subsaariana, onde o grupo de pessoas vulneráveis é de mulheres cisgêneros heterossexuais jovens.

(Reprodução)

Porém, enquanto não há vacina, a prevenção continua essencial. Um dos métodos é a camisinha. O outro é a prevenção biomédica, feita por meio da profilaxia pós-exposição (PEP), quando medicamentos antirretrovirais são tomados após exposição ou possível exposição ao HIV; e da profilaxia pré-exposição (PrEP), quando são prescritos medicamentos  antirretrovirais antes da exposição (ou possível exposição) ao HIV.

A PrEP é um medicamento que deve ser tomado de forma constante pelo paciente para não contrair o vírus, assim como um anticoncepcional. Já a PEP deve ser tomada em até 72 horas após uma relação sexual considerada de risco, com uso contínuo dos medicamentos durante um mês, para evitar a contração do HIV. As duas profilaxias estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e são seguras, sem efeitos colaterais graves.

*Gov. do Estado de SP

Descoberta de cientistas brasileiros pode levar a remédios mais eficientes contra HIV

A descoberta de um potencial “calcanhar de aquiles” da proteína Nef, crucial na virulência do HIV e em sua capacidade de desencadear a Aids, abre caminhos para a busca de uma nova classe de medicamentos contra o vírus. Pesquisadores conseguiram demonstrar uma estrutura que liga essa proteína a outra, chamada AP-2, e cuja função é regular a entrada na célula.

Com isso, está ficando cada vez mais clara a forma como Nef consegue “burlar” os mecanismos de defesa das células humanas e, assim, permitir que o HIV avance e reduza o tempo em que os sintomas da doença possam aparecer.

No artigo Hijacking of endocytosis by HIV-1 Nef is becoming crystal clear,publicado em agosto na Nature Structural & Molecular Biology (NSMB), o doutorando Yunan Januário e o professor Luis Lamberti Pinto da Silva, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), comentam a importância das recentes descobertas sobre essa proteína.

“Pesquisadores conseguiram obter a estrutura tridimensional entre Nef-CD4 e AP-2. Com isso, é possível ver as superfícies de contato, possibilitando outros estudos que gerem uma molécula para ocupar esse espaço e impeça o avanço dos efeitos da proteína. Essa ‘fotografia’ possibilita a busca de outras terapias anti-HIV”, explica Silva à Agência FAPESP.

Com mais de 15 anos de experiência na área, Silva foi convidado a comentar na publicação do grupo Nature o estudo Structural basis of CD4 downregulation by HIV-1 Nef, publicado na mesma edição da revista e cujo primeiro autor é a pesquisadora Yonghwa Kwon.

O painel A mostra a distribuição normal de CD4 (em verde) e MHC-I (HLA, em vermelho) em linfócitos T. O painel B mostra a mudança na distribuição dessas duas proteínas em um linfócito T que também expressa a proteína Nef do HIV. (imagem: Estela A. Pereira e Luis L. P. da Silva/FMRP-USP)

“Notavelmente, o estudo de Kwon e colaboradores mostra que Nef liga diretamente CD4 a AP-2. Também revela uma relação estrutural entre a regulação negativa de CD4 mediada por Nef e o antagonismo de Nef ao complexo principal de histocompatibilidade I (MHC-I)”, escrevem os dois brasileiros em seu artigo na NSMB.

Segundo Silva, já se sabe que Nef é fundamental para a progressão dos efeitos do HIV no desenvolvimento da Aids. Além disso, essa proteína pode continuar sendo produzida pelo organismo de pacientes em tratamento ou cujos níveis de vírus se mantenham abaixo dos detectáveis. “Isso tem sido relacionado com comorbidades da infecção. Nef é importante e não existe nenhuma droga para atacá-la”, completa o professor.

Ao longo dos últimos quase 40 anos, desde a descoberta do vírus da imunodeficiência humana como agente causador da Aids, as pesquisas vêm desvendando os intrincados mecanismos pelos quais o HIV ataca o sistema imunológico, invadindo e controlando as células. Mas até agora não foi possível bloquear diretamente a Nef, que já se mostrou uma proteína multifuncional e com intrincado sistema de funcionamento. Ela não faz parte da estrutura do HIV, mas modifica a célula para acomodar a replicação do vírus.

Atualmente, os medicamentos antirretrovirais, divididos em classes, agem no sistema imunológico do paciente, bloqueando as diferentes fases do ciclo de multiplicação do HIV, reduzindo a carga viral e até impedindo o desenvolvimento da doença.

Entre os antirretrovirais mais comuns estão, por exemplo, inibidores da transcriptase reversa (nucleosídeos e não nucleosídeos), que atuam nessa enzima para tornar defeituosa a cadeia de DNA que o vírus cria dentro da célula de defesa do organismo ou para bloquear diretamente sua multiplicação. Há também inibidores de protease e de integrase (proteína responsável pela integração do código genético do HIV ao da célula humana), além dos chamados inibidores de entrada, que bloqueiam receptores, como CCR5, e impedem o HIV de penetrar nas células de defesa.

A crescente resistência do HIV aos medicamentos atuais e os efeitos colaterais para pacientes, no entanto, têm feito com que cada vez mais se busquem novas formas de combater o vírus.

O Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) calcula que, em 2019, cerca de 38 milhões de pessoas viviam com o vírus em todo o mundo, dos quais 1,8 milhão de crianças com até 14 anos. Já o Ministério da Saúde estima que aproximadamente 866 mil brasileiros eram portadores do HIV no ano passado. Do total no mundo, 67% tinham acesso à terapia antirretroviral, segundo a Unaids.

Outras ligações

Por meio dos trabalhos com seu grupo de pesquisa na USP de Ribeirão Preto, Silva publicou no início do ano um estudo mostrando como Nef utiliza uma outra proteína celular, a AP-1G2, e o ponto entre essas duas vias. Esse trabalho teve o apoio da FAPESP.

Ao analisar os efeitos de Nef no sistema de endomembranas da célula hospedeira, o grupo descreveu os mecanismos pelos quais essa proteína utiliza uma outra, chamada AP-1G2, e manda o CD4 para os lisossomos – organelas com capacidade de degradar partículas –, retirando assim essas moléculas da superfície da célula. Essa ação de Nef facilita a saída de novos vírus da célula produtora, contribuindo para espalhar a infecção.

Isso porque o CD4 é o receptor usado pelo HIV para entrar na célula. Se ele permanece na superfície da célula produtora, esses novos vírus ficam presos e não se espalham tão facilmente. Por isso, Nef tira o CD4 da superfície da célula já infectada.

“Mostramos que há um ponto comum entre essas duas vias. Para mandar CD4 e MHC-I para o lisossomo, Nef sequestra uma terceira proteína da célula, comum às duas vias. Agora, com esse resultado, outros grupos podem mostrar a estrutura de Nef com a terceira proteína. Com isso, é possível obter um novo alvo, como foi feito com AP-2”, completa Silva.

Atualmente, o grupo de Silva trabalha em mais uma pesquisa, também com o apoio da FAPESP, cujo foco é descobrir novos alvos de Nef. “Vários ingredientes estão disponíveis. Agora tem de chegar alguém e costurar tudo isso para obter essa molécula capaz de inibir Nef”, conclui o pesquisador brasileiro.  

Por Luciana Constantino, da Agência FAPESP

Dezembro Vermelho: Brasil tem 900 mil pessoas com HIV

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 900 mil pessoas vivem com o HIV no Brasil, mas a epidemia é considerada estabilizada. Só no ano de 2017, mais de 42 mil pessoas foram diagnosticadas com o vírus, ao passo que, com a AIDS, foram mais 37 mil. A Organização das Nações Unidas (ONU) criou o Dezembro Vermelho com o propósito de desmistificar, discutir e divulgar mensagens de esperança, solidariedade e prevenção. 



Para promover esta ação, o Grupo NotreDame Intermédica (GNDI) realizou mais um evento Saúde em Pauta nas sete Unidades de Medicina Preventiva – QualiVida. Foram discutidos diferentes temas, entre os quais a diferença entre o HIV e a AIDS, as formas de transmissão do vírus e como ele age no organismo, além das principais formas de prevenção.  

“A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é causada pelo HIV, mas existem portadores que vivem durante anos sem apresentar sintomas ou desenvolver a doença. Ainda assim, elas podem transmitir o vírus a outras pessoas”, explica a enfermeira Regiane de Amaral Macedo, do Grupo NotreDame Intermédica. Quando ataca o sistema imunológico da pessoa, o vírus atinge principalmente os linfócitos; com isso, o DNA da célula é alterado pelo HIV, que faz cópias de si para se multiplicar. Assim, o vírus rompe os linfócitos e continua a infecção.  

O vírus não é transmitido apenas através de relações sexuais desprotegidas. Taciana Moura Sales Oliveira, infectologista do Grupo NotreDame Intermédica, esclarece que a transmissão ocorre, também, pelo compartilhamento de seringas contaminadas e pela transmissão vertical (de mãe para filho durante a gravidez, parto ou amamentação). A transmissão por transfusão de sangue pode ser considerada praticamente eliminada pois a triagem do sangue doado é muito segura e rigorosa. 

Para evitar infecção pelo HIV recomenda-se a prevenção combinada, ou seja, a associação de diferentes métodos de prevenção, conforme as características e o momento de vida de cada indivíduo. Os métodos são: uso de preservativo masculino, feminino; testagem regular para o HIV; prevenção da transmissão vertical; tratamento das infecções sexualmente transmissíveis (como sífilis, gonorreia) e das hepatites virais; a imunização para as hepatites A e B; programas de redução de danos para usuários de álcool e outras substâncias; profilaxias pré-exposição (PrEP); profilaxia pós-exposição (PEP); e o tratamento de pessoas que já vivem com o HIV, já que pessoas com boa adesão atingem níveis de carga viral tão baixos que é praticamente zero a chance de transmissão. 

Os preservativos (camisinhas) estão disponíveis gratuitamente em unidades de saúde, mas também podem ser compradas em estabelecimentos privados. A profilaxia pré-exposição (PrEP) consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o HIV infecte o indivíduo, antes de a pessoa ter contato com o HIV. Este método impede a infecção pelo HIV mas não por outras infecções sexualmente transmissíveis. 

Para contar um pouco sobre sua experiência e como é conviver com o HIV há 11 anos, Jeferson Guimarães Martins, é relações públicas e tem 30 anos, e compartilhou com os participantes o quanto foi difícil na época em que descobriu a doença. Além de não tinha referências positivas, ele se tornou militante da causa e precisou inspirar pessoas próximas a “saírem dos seus armários sorológicos” e começarem a lutar contra o vírus.  

Mesmo que tenha sofrido psicologicamente por causa da doença, Martins se considera privilegiado: “sou homem branco, cisgênero e de classe média. Tive muito apoio de profissionais para aprender a lidar com essa pressão, mas a maioria das pessoas que contraem o vírus não tem as mesmas oportunidades”. Ele explica que o Brasil já foi referência mundial no combate ao HIV, mas que hoje o “sistema está sucateado”. “Enquanto não tivermos políticas públicas de saúde, e não de moral, ainda perderemos muita gente”.  

“Todos estão sujeitos à doença”, enfatiza Martins. Mas existem grupos que apresentam prevalência superior à média nacional, como homens que fazem sexo com homens e pessoas trans; aqueles que fazem uso excessivo de álcool e outras drogas; pessoas privadas de liberdade e trabalhadores sexuais. Uma vez infectada pelo HIV, a pessoa precisa procurar um profissional da saúde para fazer tratamento.  

Como identificar? 

A enfermeira Regiane de Amaral Macedo, explica que falar sobre sexo, HIV e AIDS é tornar uma população mais consciente e alertar para alguns fatos que podem colocar a vida em risco. “Muitas pessoas nem sabem, mas os sintomas iniciais da AIDS se assemelham aos da gripe e incluem febre, tosse e mal-estar, motivo pelo qual inúmeros casos passam despercebidos. Por isso a importância de se fazer exames periódicos, que podem ser realizados de forma gratuita em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), pelo plano de saúde ou particular. O teste de triagem, além de ser rápido, detecta os anticorpos contra o HIV presentes no organismo e é feito em menos de 30 minutos”, pontua. 

Todo paciente diagnosticado com HIV deve iniciar o tratamento antirretroviral que inibe a replicação viral, recupera o sistema imune, diminui o risco e retarda o desenvolvimento da AIDS e das complicações, diminui o risco de transmissão já que, indetectável é intransmissível e prolonga a vida. 

Saúde em Pauta 

Estes cuidados e orientações foram apresentados no último encontro “Saúde em Pauta” deste ano, realizado no dia 03 de dezembro – promovido mensalmente pelo Grupo NotreDame Intermédica em suas Unidades de Medicina Preventiva – QualiVida. O tema deste mês foi “Dezembro Vermelho”. Nestas oportunidades, beneficiários e convidados participam de palestras e debates com especialistas em diferentes áreas.  

Compartilhando e incentivando hábitos saudáveis  

 O Grupo NotreDame Intermédica mantém em seu canal no YouTube diversos vídeos com dicas e orientações valiosas que visam melhorar a qualidade de vida e auxiliar na prevenção de riscos e doenças da população em geral, além de campanhas e vídeos institucionais. O canal pode ser acessado clicando no link abaixo:  

Estudo mostra subtipos do HIV e sua localização no país

Por  Camila Maciel, @agencia.brasil

Teste rápido do HIV (Arquivo/Agência Brasil)

Entender como atuam os subtipos do vírus da Aids, o HIV, entre os brasileiros é um dos objetivos de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade do Minho (UMinho), em Portugal. A primeira etapa do projeto confirmou dados da literatura científica que apontam uma concentração do subtipo C na Região Sul do país, enquanto o tipo B é mais disseminado nas demais regiões do país.

O professor Bernardino Geraldo Alves Souto, do Departamento de Medicina (DMed) da UFSCar, que desenvolve a pesquisa no pós-doutorado, explica que a hipótese para essa distribuição geográfica é que o subtipo C tem afinidades por determinadas células do corpo humano que são diferentes daquelas observadas no subtipo B.

“Tem locais que, do ponto de visto sociocomportamental, a maior parte das infecções por HIV é transmitida por via anal, provavelmente nessas áreas prevalece o subtipo B. Aquelas em que a transmissão é mais por via vaginal prevalece o subtipo C. Não é só isso, mas um conjunto de eventos socioculturais e comportamentais, que relacionados com características genéticas do vírus, determina certa afinidade do vírus por determinadas células humanas”, explicou Souto.

Existem dois tipos de HIV, 1 e 2. O mais prevalente no Brasil é o tipo 1, o qual tem nove subtipos. “São pequenas variações genéticas que existem dentro da mesma espécie viral que faz com que eles possam ter pequenas características que diferenciem um do outro”, aponta o pesquisador. Os subtipos B e C respondem por cerca de 80% dos casos no país.

Transmissão

Souto disse que todos os subtipos do HIV são transmitidos do mesmo jeito – relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas, aleitamento materno, gravidez e parto. Entre essas vias, no entanto, algumas transmitem mais facilmente um subtipo do que outro. Isso se deve a características biológicas de base genética que são particulares a cada subtipo, ainda pouco esclarecidas.

O pesquisador aponta que o detalhamento desses dados permite, por exemplo, identificar prevalências de subtipos do HIV e definir melhor as políticas de prevenção e tratamento. “Existe uma política nacional de controle do HIV, de excelente qualidade, não há o que se discutir, mas quando a gente descobre que existem questões regionais que são específicas, pode ser que a gente tenha que pegar esses protocolos nacionais, que são padronizados, e fazer algumas adaptações e otimizar as abordagens preventivas e terapêuticas”, disse.

Pesquisa

O estudo propõe estabelecer a epidemiologia, a filogenia e a filogeografia dos subtipos do HIV que circulam no Brasil. A epidemiologia avaliou como o vírus se distribui no território nacional, se afeta mais homens, mulheres, pessoas com maior ou menor grau de escolaridade, como os indivíduos contraíram o HIV, entre outros aspectos. A filogenia estudou as características genéticas do HIV de milhares de pessoas para entender os ancestrais desses vírus e suas origens, quando chegaram ao Brasil e qual a relação genética que há entre os diversos subtipos do HIV que estão no país.

A filogeografia busca entender de que lugar do mundo vieram os subtipos do vírus que circulam no Brasil, como eles circulam por aqui e para qual lugar do mundo os vírus “nacionais” estão indo. “A gente já tem informações a respeito da origem do vírus do subtipo C, que é africano e se instalou no Sul do país e está tendo dificuldade de circular fora da Região Sul. Essa é uma versão preliminar dos nossos achados, estamos aprofundando isso para ter compreensão melhor”, disse Souto.

Dados

De acordo com o Programa das Nações Unidas sobre o HIV (Unaids), em 2019, há 37,9 milhões de pessoas infectadas com o vírus no mundo, dos quais 23,3 milhões têm acesso à terapia antirretroviral. Do total de infectados no mundo, 36,2 milhões são adultos e 1,7 milhão são crianças e jovens com menos de 15 anos.

No Brasil, o último Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, divulgado em 2018, mostra que, entre 2007 e 2018, foram notificados, pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), 247.795 casos de Aids (68,6% em homens e 31,4% em mulheres).

O Brasil teve uma média de 40 mil novos casos da doença nos últimos cinco anos, com maior concentração nas regiões Sudeste e Sul.

Hoje: Terminal Jabaquara tem testes de HIV e Sífilis

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Quem passar hoje (29) pelo Terminal Metropolitano Jabaquara, na capital paulista, poderá realizar testes rápidos e gratuitos de HIV e Sífilis. A ação é resultado de uma parceria da EMTU/SP com o Centro de Referência e Treinamento (CRT) DST/Aids. O evento será realizado das 9h às 15h30, na plataforma A.

Serão oferecidos 600 testes, com resultados em 30 minutos. A avaliação do vírus HIV acontece por meio de fluido oral. Para a detecção de sífilis é necessária a coleta de uma pequena amostra de sangue. Em caso positivo, a pessoa é orientada e encaminhada para tratamento.

Além da realização de testes, profissionais da unidade Santa Cruz do CRT orientarão os passageiros sobre a importância do uso de preservativo na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST). Serão distribuídos 7.200 preservativos masculinos, 1.000 femininos e 4.000 sachês lubrificantes.

Haverá uma roda de conversa para orientar e aconselhar aqueles que têm dúvidas sobre práticas sexuais seguras. No “Conversarias sem tabu” os interessados poderão falar abertamente sobre o tema. A intenção é divulgar amplamente os métodos de prevenção disponíveis.

De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em novembro de 2018, cerca de 37 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o planeta. No mesmo período, a OMS anunciou que a sífilis atinge 12 milhões em todo o mundo. Para aqueles com vida sexual ativa, o Ministério da Saúde aconselha o teste regular para o HIV, sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis.

Serviço

Testes rápidos de HIV e sífilis 
Local: Terminal Metropolitano Jabaquara, plataforma A – Rua Nelson Fernandes, s/nº, Jabaquara, São Paulo-SP
Data: quinta-feira (29)
Horário: das 9h às 15h30

*Com informações do Governo do Estado de SP

STJ: homem deve pagar indenização por transmitir HIV a ex-mulher

Por Felipe Pontes

Em decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que um homem deve indenizar a ex-mulher, com quem manteve união estável por 15 anos e teve três filhos, em R$ 120 mil por danos morais em decorrência de tê-la infectado com o vírus HIV.

O caso, que tramitou sob sigilo, foi julgado ontem (19) na Quarta Turma do STJ. O relator, ministro Luís Felipe Salomão, destacou que a responsabilidade civil do homem decorre do fato de que ele sabia ser soropositivo e de que adotava comportamento de risco, mantendo relações extraconjugais, sem o conhecimento da companheira.

“O parceiro que suspeita de sua condição soropositiva, por ter adotado comportamento sabidamente temerário (vida promíscua, utilização de drogas injetáveis, entre outras), deve assumir os riscos de sua conduta”, disse Salomão durante o julgamento.

O ministro afirmou ter sido provado que o homem foi o responsável por transmitir o HIV e por isso deve indenizar a ex-mulher tendo em vista a “lesão de sua honra, intimidade e, sobretudo, de sua integridade moral e física”.

A mulher já havia conseguido o direito à indenização por danos morais na primeira instância da justiça de Minas Gerais, no valor de R$ 50 mil. No segundo grau, o valor foi aumentado para R$ 120 mil. Ele recorreu ao tribunal superior com o objetivo de aumentar o valor e também obter uma pensão mensal para compensar danos materiais provocados pela separação.

Por unanimidade, a Quarta Turma confirmou o valor de R$ 120 mil para a indenização, mas negou o pedido pela pensão mensal, por entender que para analisar a solicitação seria necessário um reexame de provas não permitido pela jurisprudência do STJ.