Gás lacrimogêneo é usado contra manifestantes em Hong Kong

A polícia de Hong Kong disparou gás lacrimogêneo contra uma multidão de cerca de mil manifestantes que bloquearam um cruzamento perto de uma estação de comboio no distrito de Tai Wai, em Kowloon. Alguns também bloquearam a entrada de um túnel que leva ao porto de Hong Kong.

Mais cedo, ativistas iniciaram protestos em dois bairros, desafiando a proibição da polícia, que tem sistematicamente entrado em choque com eles nos últimos dois meses.

Os ativistas pró-democracia de Hong Kong mantêm hoje a pressão contra o governo, dando continuidade ao protesto no aeroporto internacional, além de uma manifestação com centenas de famílias que apoiam o movimento.

Iidosos também realizaram neste sábado manifestação chamada de “cabelos prateados” e enviaram petições à sede da polícia e ao escritório da líder de Hong Kong, Carrie Lam, para marcar apoio ao movimento de protesto.

Hong Kong, antiga colônia britânica e que é atualmente uma região administrativa da China, enfrenta sua pior crise política desde a transferência para China em 1997.

Nos últimos dois meses, o território tem sido palco de manifestações quase diárias que muitas vezes têm degenerado em confrontos entre as forças policiais e ativistas mais radicais.

Em várias ocasiões, a polícia tem recorrido a gás lacrimogéneo e a balas de borracha para dispersar os manifestantes.

A contestação nas ruas, iniciada contra um projeto de alteração à lei da extradição, que depois foi suspenso, generalizou-se e agora os manifestantes afirmam ser uma “erosão das liberdades” no território.

*Com informações da RTP e da Agência Brasil

Manifestantes são atacados dentro do metrô de Hong Kong

Por  Deutsche Welle 

Um ataque contra manifestantes antigoverno dentro do metrô gerou revolta em Hong Kong nesta segunda-feira (22). (Veja o vídeo abaixo)

Um grupo de homens vestidos de branco e armados com paus e barras de metal espancou dezenas de militantes na estação de Yuen Long, deixando pelo menos 45 feridos, cinco em estado grave e ao menos um homem em estado crítico.

As pessoas retornavam de um protesto realizado no centro de Hong Kong para reivindicar reformas democráticas na região administrativa especial, no sétimo fim de semana consecutivo em que os moradores de Hong Kong saíram às ruas em massa contra o governo.

O ataque aconteceu na noite de domingo (horário local) e provocou indignação nas redes sociais. Imagens transmitidas ao viv mostram pessoas gritando, enquanto homens espancam vários manifestantes e jornalistas nas plataformas da estação e em vagões de metrô, deixando poças de sangue no chão.

As vítimas acusaram os policiais de levarem mais de uma hora para chegar à estação, apesar das chamadas daqueles que estavam sob ataque, e de não prenderem os agressores armados, que ficaram nas ruas ao redor da estação na manhã de hoje.

Alguns homens vestindo camisas brancas foram posteriormente filmados deixando a cena em carros com placas da China continental.

Ferimentos

Lam Cheuk-ting, um legislador pró-democracia, foi um dos feridos, sofrendo escoriações no rosto e nos braços. Ele criticou a polícia e acusou “membros das tríades” de estarem por trás dos ataques, se referindo a organizações criminosas originadas da China, também presentes na região de Hong Kong.

“Seus atos extremamente bárbaros e violentos já violaram completamente os parâmetros mais rasos da sociedade civilizada de Hong Kong”, disse ele.

A indignação entre os simpatizantes das reformas democráticas em Hong Kong e as críticas à polêmica proposta de lei de extradição (suspensa desde 9 de julho) aumentaram após a divulgação de imagens do deputado de Hong Kong Junius Ho, em que ele aparece conversando amigavelmente e tirando fotos com os agressores. Ho negou ter qualquer relação com o grupo.

Durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira, parlamentares pró-democracia acusaram os líderes pró-Pequim de fecharem os olhos aos ataques. “São gangues tríades espancando o povo de Hong Kong”, protestou Alvin Yeung. “Mesmo assim vocês fingem que nada aconteceu?”

Os confrontos aumentaram a preocupação de que as temidas tríades estejam entrando no conflito político.

A estação de Yuen Long fica nos Novos Territórios, perto da fronteira com a China, onde gangues criminosas e os comitês rurais pró-Pequim permanecem influentes. Ataques semelhantes de agentes pró-governo contra manifestantes durante os protestos da Revolução dos Guarda-Chuvas de 2014 foram atribuídos às tríades.

Conflitos

(Global News/Reprodução)

Hong Kong tem sido abalada por semanas de marchas e frequentes confrontos entre policiais e manifestantes em sua pior crise na história recente.

Os protestos iniciais foram gerados por um projeto de lei agora suspenso visando permitir extradições para a China continental, mas desde então os protestos evoluíram para um movimento mais amplo, que pede reformas democráticas, sufrágio universal e a suspensão das restrições a liberdades no território semiautônomo.

Ao mesmo tempo em que ocorria o tumulto na estação de metrô de Yuen Long, policiais combatiam manifestantes mais agressivos no meio do distrito comercial da cidade.

Forças de segurança dispararam gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os militantes, horas depois de a sede do Escritório de Ligação do governo chinês ter sido atacada com ovos e grafites.

Wang Zhimin, chefe do escritório, criticou os manifestantes, dizendo que eles haviam insultado “todo o povo chinês”, enquanto pedia ao governo de Hong Kong que perseguisse os “desordeiros”.

A chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam, apoiada por Pequim, condenou o ataque ao escritório, dizendo ser um “desafio” à soberania nacional.

Ela condenou todo tipo de violência, descrevendo como “chocante” o ocorrido no metrô de Yuen Long e assegurando que as autoridades apurarão o incidente.

https://www.youtube.com/watch?v=BV_zbtxJxqo

Veja também:

Polícia reprime manifestantes nas ruas

https://www.youtube.com/watch?v=8U-oGtPrfnA

Protestos tomam as ruas de Hong Kong

Por  Deutsche Welle 

Dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Hong Kong neste domingo (21) para mais uma passeata exigindo o engavetamento definitivo de um controverso projeto de lei para extraditar suspeitos de crimes para a China e reivindicando investigações independentes sobre a atuação da polícia em manifestações anteriores.

Autoridades bloquearam o centro da cidade, mobilizaram cerca de 5 mil policiais e encurtaram a rota originalmente prevista para o protesto, citando preocupações de segurança, depois que marchas anteriores tiveram confrontos entre policiais e grupos de manifestantes.

Dois dos protestos, em 12 de junho e 1° de julho, foram marcados por confrontos. A polícia, que chegou a usar balas de borracha, gás pimenta e gás lacrimogêneo.

Explosivos

A apreensão na noite de sexta-feira de um grande depósito de explosivos em Hong Kong também acirrou ainda mais os temores sobre segurança. Três pessoas foram presas em conexão com a descoberta, que a polícia descreveu como a maior do tipo já ocorrida em Hong Kong. Investigadores disseram que não saber ao certo se os explosivos estão relacionados aos protestos. No entanto, um dos detidos é membro de um pequeno partido pró-independência.

Milhões de moradores de Hong Kong têm participado dos protestos iniciados no mês passado, forçando a chefe de governo do território, Carrie Lam, a suspender o projeto de lei sobre extradições. Ela declarou como “morto” o projeto e o classificou de “fracasso total”, mas não confirmou seu descarte definitivo.

Desde então, as manifestações se transformaram em um movimento mais amplo, exigindo mais autonomia de Hong Kong em relação a Pequim. Muitos moradores locais dizem que os líderes chineses têm violado as promessas feitas quando Hong Kong foi devolvida à China pelo Reino Unido, em 1997.

Sob o princípio “um país, dois sistemas”, Hong Kong manteve as amplas liberdades que não existem no continente.

Reivindicação por direito de voto

Os organizadores dos protestos dizem que a China está agora tentando controlar o território. Em resposta, ampliaram suas demandas para incluir a introdução do sufrágio universal e a suspensão das restrições de liberdades.

Pequenas ações e manifestações continuam a ser organizadas na cidade para exigir que o governo responda às reivindicações, que incluem também o descarte definitivo do projeto de lei de extradição, a libertação dos manifestantes detidos, a não classificação dos protestos de 12 de junho e 1° de julho como motins, a realização de um inquérito independente sobre a violência policial e a demissão de Carrie Lam.

Há sinais de que a paciência de Pequim com o movimento de protesto está se esgotando. No início desta semana, o South China Morning Post informou que Pequim está elaborando um plano para apoiar o governo de Lam e a polícia.

No sábado, partidários pró-governo e pró-Pequim organizaram sua própria contramanifestação, exigindo que as autoridades “restaurem a ordem” após semanas de desordem que resultaram na queda drástica das chegadas de turistas.

Semana começa com protestos na China

Manifestantes abrem caminho para passagem de ambulância durante protesto (Twitter/Reprodução)

O Governo de Hong Kong suspendeu a lei da extradição, que motivou sucessivos protestos. Mas a população exige garantias de que o projeto não será retomado. Manifestantes também pedem a renúncia de Carrie Lam, chefe executiva e tida como pró-Pequim, segundo as agências de notícia AFP e a Reuters.

Abaixo está a transmissão feita pela Global News, ao vivo, pelo Youtube.