Itália proíbe viajantes vindos do Brasil

A Itália dicidiu hoje (16) proibir voos do Brasil e também a entrada de viajantes que tenham estado no país nas últimas duas semanas. A medida, assinada pelo ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza, valerá até dia 31 de janeiro. Quem esteve no Brasil nos últimos 14 dias e já está em solo italiano deve procurar o serviço de saúde para exames preventivos, detalha a medida.

“É fundamental que nossos cientistas possam estudar em profundidade a nova variante. Enquanto isso, escolhemos o caminho da máxima prudência”, escreveu o ministro da Saúde no Facebook.

Na última quinta-feira (14), o Reino Unido anunciou também proibição a entrada de viajantes do Brasil e de outros países da América do Sul, além de Portugal, devido a preocupações com uma nova variante do coronavírus originária do Amazonas.

“Tomei a decisão urgente de proibir chegadas de Argentina, Brasil, Bolívia, Cabo Verde, Chile, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela – a partir de amanhã, 15 de janeiro, às 4h da manhã, após evidências de uma nova variante no Brasil”, disse o ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps.

*Com Deutsche Welle e ANSA

Itália detecta caso de nova variante da covid-19 identificada no Reino Unido

Voluntários da ANPAS prestam assistência na Itália no combate ao Covid-19 (Arquivo/Anpas/via Fotos Públicas)

As autoridades sanitárias da Itália detectaram um primeiro caso de infecção com a mesma variante de coronavírus identificado no Reino Unido, comunicou o Ministério da Saúde em um comunicado emitido neste domingo (20/12). A nova cepa do coronavírus tem se espalhado pelo Reino Unido e, segundo o governo britânico, pode ser até 70% mais contagiosa do que as variantes anteriores.

O departamento científico do hospital policlínico Celio, em Roma, sequenciou o genoma e identificou a mesma variante do vírus Sars-CoV-2 encontrada em solo britânico em uma pessoa que retornou do Reino Unido à Itália nos últimos dias. O paciente e seu companheiro desembarcaram no aeroporto Fiumicino, na capital italiana.

As autoridades comunicaram que o casal seguiu todos os procedimentos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, assim como outros integrantes da família e contatos próximos. O casal e os parentes estão em isolamento.

Ainda no domingo, o governo italiano suspendeu os voos provenientes do Reino Unido. “O Reino Unido lançou um alerta sobre uma nova forma de covid-19 que seria o resultado de uma mutação do vírus. Como governo temos o dever de proteger os italianos e por esse motivo vamos assinar com o ministro da Saúde um decreto de suspensão de voos com o Reino Unido”, escreveu o ministro do Exterior, Luigi Di Maio, em seu Facebook.

O ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza, assinou a ordem de suspensão de voos e também proibiu a entrada na Itália daqueles que estiveram em território britânico nas últimas duas semanas. Quem já tiver retornado precisará passar por um teste de covid-19, disse Speranza em comunicado, em que pediu ainda “a maior prudência possível”. A decisão será válida até 6 de janeiro.

Além da Itália, vários outros países europeus – entre eles Bélgica, Holanda, França e Alemanha – também impuseram proibições à chegada de voos do Reino Unido a seus territórios, após relatos do surgimento em solo britânico desta nova cepa do coronavírus.

A Bélgica também proibiu o tráfego ferroviário vindo do Reino Unido. A suspensão foi de apenas um dia e foi descrita pelo governo como uma medida de precaução. O primeiro-ministro belga, Alexander De Croo, afirmou que o governo belga pretende juntar mais informações até terça-feira para decidir os próximos passos.

A França suspendeu qualquer forma de tráfego – aéreo, ferroviário e rodoviário – entre os dois países. A suspensão deve durar 48 horas.

Nova cepa já deve estar presente em mais países

Ao anunciar no sábado a descoberta da nova variante, o premiê britânico, Boris Johnson, afirmou que dados preliminares sugerem que a mutação do Sars-CoV-2 pode ser até 70% mais transmissível. O secretário britânico de Saúde, Matt Hancock, disse que a nova variante do coronavírus está fora de controle e que a situação “é mortalmente grave”. Até o momento, porém, especialistas acreditam que a nova variante não seja mais mortal ou mais resistente às vacinas.

A variante já pode ser encontrada em todo o Reino Unido, com exceção da Irlanda do Norte, mas está concentrada sobretudo em Londres, e no Sudeste e no Leste da Inglaterra.

Dados da organização Nextstrain, que vem monitorando os códigos genéticos de amostras do vírus mundo afora, sugerem casos na Dinamarca e na Austrália provenientes do Reino Unido. A Holanda também já reportou casos da nova cepa. Uma variante surgida na África do Sul apresenta mutações semelhantes, mas parece não ter relação com a cepa identificada em solo britânico.

Segundo o cientista Daniel Prieto Alhambra, professor de Farmacoepidemiologia da Universidade de Oxford, a nova variante do coronavírus pode ter infectado pessoas de vários países europeus nas últimas semanas. Em entrevista a uma rádio espanhola, ele explicou que um mês atrás já se falava no campo científico de uma possível mutação do Sars-CoV-2 que seria mais contagiosas.

O pesquisador disse que ainda é muito cedo para cravar se a variante é a causa do aumento súbito de casos em Londres, na Alemanha, na Itália e na Espanha, mas frisou que é quase certo que a nova cepa está em vários países da Europa.

Mutação e imunidade de rebanho

Prieto Alhambra, que também é integrante do conselho de especialistas que assessora a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em vacinas contra a covid-19, disse que as primeiras indicações são de que a mutação ocorreu na proteína S do vírus, o que permite que ele se agarre melhor às células e, consequentemente, seja mais contagioso.

Caso a teoria seja confirmada, Pietro Alhambra afirmou que será necessário vacinais mais pessoas para que seja atingida a chamada “imunidade de rebanho”. Ele também previu que, em qualquer caso, não será possível falar sobre o início do controle da pandemia por mais meio ano. 

Na semana passada, a Europa se tornou a primeira região do mundo a superar a marca de 500 mil mortes por covid-19. Muitos países europeus retomaram um lockdown rigoroso e devem estica-lo até meados de janeiro. Desde o surgimento do novo coronavírus, a doença já matou quase 1,7 milhão de pessoas e infectou pouco menos de 77 milhões de pessoas. 

PV/efe/afp

Por Deutsche Welle

Estupro: Tribunal na Itália confirma condenação de Robinho

Robinho, jogador de futebol (Arquivo/Rafael Ribeiro/CBF/via Fotos Publicas)

A Corte de Apelação de Milão, na Itália, confirmou nesta quinta-feira (10) a condenação em segunda instância do atacante Robinho por crime de violência sexual. A pena é de nove anos de prisão. A defesa do jogador de 36 anos informou, em nota, que entrará com recurso à Corte de Cassação, equivalente ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Brasil.

Em 2017, Robinho havia sido condenado em primeira instância. Ele foi acusado de ter abusado sexualmente, junto a outros quatro homens, uma mulher de origem albanesa em janeiro de 2013. Ela celebrava o aniversário de 23 anos em uma casa noturna de Milão. Na ocasião, o atacante defendia o Milan (Itália).

No comunicado à imprensa, os advogados do jogador brasileiro dizem que “foram apresentadas novas provas que contribuem ainda mais para a comprovação da inocência de Robinho, entendendo-se que essa inocência já estava claramente evidenciada nos autos desde a primeira instância de julgamento”. A nota também afirma que “neste como em muitos processos deste tipo, o perigo real é confundir direito com moral, em detrimento, sobretudo, da liberdade sexual das pessoas e, em particular, das mulheres”.

No último dia 10 de outubro, Robinho foi anunciado como reforço do Santos para a sequência da temporada. A repercussão negativa da contratação, em razão da condenação na Itália, levou Alvinegro e jogador a suspenderem o vínculo. Segundo a assessoria de imprensa do Peixe, “o contrato do atleta segue suspenso, e o clube aguarda a terceira instância da Justiça italiana”.

Por Lincoln Chaves – Repórter da TV Brasil e da Rádio Nacional 

Itália proíbe viagens no Natal e Ano Novo

Voluntários da ANPAS prestam assistência na Itália no combate ao Covid-19 (Arquivo/Anpas/via Fotos Públicas)

O governo da Itália quer manter os cidadãos do país em casa durante o Natal e o Ano Novo. Medidas nesse sentido foram definidas na noite desta quarta-feira (02/11) pelo governo do primeiro-ministro Giuseppe Conte e deverão virar decreto nesta quinta, segundo a imprensa italiana.

Pelas regras, ficará proibido viajar de uma região do país para a outra entre 21 de dezembro e 6 de janeiro. A regra valerá para todas as regiões, e não apenas para aquelas com elevadas taxas de infecções pelo novo coronavírus. Nos dias 25 e 26 de dezembro e 1º de janeiro, será proibido até mesmo deixar a própria cidade.

Há exceções para viagens a trabalho, por motivos de saúde e situações de emergência.

Outra regra prevê uma quarentena obrigatória de dez dias para quem chegar à Itália vindo do exterior a partir de 20 de dezembro.

O objetivo das medidas é limitar atividades como viajar para esquiar e grandes reuniões festivas no Natal e na véspera do Ano Novo.

Hotéis poderão ficar abertos, mas apenas poderão receber hóspedes da própria região. Festas em hotéis e restaurantes, como as de Ano Novo, estão proibidas.

Bares e restaurantes deverão continuar fechando às 18h. Depois só poderão vender comida e bebida para consumo fora da estabelecimento. Lojas podem ficar abertas até as 21h para evitar aglomerações.

O decreto também mantém um toque de recolher entre as 11h e as 5h, ampliado até as 7h no dia 1º de janeiro.

Governo teme terceira onda

Em declarações ao Senado, o ministro da Saúde, Roberto Speranza, disse que o governo quer evitar uma terceira onda da pandemia de covid-19.

Ele disse que o modelo de classificação das regiões em zonas vermelhas, laranjas e amarelas, de acordo com o índice de risco, será mantido, pois essa decisão deu resultados.

Quem mora numa zona vermelha já enfrenta hoje grandes limitações de movimento, mas quem mora em áreas amarelas ainda pode viajar entre regiões de áreas amarelas.

“Não será um Natal como qualquer outro, mas será uma contribuição de todos para ajudar a evitar a propagação do vírus e para aliviar a carga sobre as instalações de saúde”, acrescentou.

Speranza também disse que o retorno às escolas para alunos do ensino médio está sendo preparado, mas também não anunciou datas, já que existe um debate sobre permitir o retorno já em dezembro ou esperar até depois das férias de Natal.

“Para estabilizar os primeiros bons resultados, precisamos de outras semanas de sacrifícios e depois de outras semanas de manutenção. A propagação ainda é muito alta, temos que ter cuidado para não interpretar um primeiro raio de sol como um fim de tudo isso. Não tenhamos ilusões, se baixarmos a guarda, a terceira onda vai dobrar a esquina”, disse Speranza.

Nas últimas 24 horas, a Itália registrou 785 mortes por covid-19 e 19.350 novos casos da doença.

AS/efe/afp/dpa/kna/ard

Por Deutsche Welle

Casos de Covid-19 crescem entre jovens e Itália fecha boates

A Itália anunciou neste domingo (16/08) que decidiu fechar suas discotecas e clubes e tornar obrigatório o uso de máscaras em espaços abertos durante a noite, na primeira reimposição de medidas de contenção contra o coronavírus no país europeu desde sua reabertura.

A decisão ocorre num momento em que os casos de covid-19 voltaram a crescer na Itália – primeiro país europeu a ser duramente atingido pela crise –, especialmente entre os mais jovens.

O número de novas infecções reportadas ao longo da última semana em território italiano foi mais que o dobro das cifras registradas há três semanas. A idade média dos novos infectados caiu para menos de 40 anos, segundo revelam dados oficiais.

As novas regras entram em vigor nesta segunda-feira e valerão por pelo menos três semanas, até o início de setembro. As máscaras serão obrigatórias entre 18h e 6h da manhã, em locais ao livre próximos a bares e pubs e onde aglomerações são mais prováveis.

“Não podemos anular os sacrifícios feitos nos últimos meses. Nossa prioridade precisa ser a reabertura das escolas em setembro, em segurança total”, afirmou o ministro italiano da Saúde, Roberto Speranza, no Facebook.

No sábado, Speranza pediu aos jovens que mantenham o máximo de cautela possível, já que, “se eles infectarem seus pais e avós, correm o risco de causar danos reais”.

O anúncio da nova medida coincide com o feriado italiano chamado Ferragosto, em que muitos costumam viajar, ir à praia e sair para dançar. Nos últimos dias, jornais italianos publicaram imagens de multidões de jovens celebrando o feriado em discotecas ao ar livre.

A Itália vinha mantendo abertos seus clubes, apesar das crescentes críticas de que eles atraem grandes aglomerações, que o distanciamento social não está sendo respeitado nesses locais e que máscaras não estão sendo usadas.

Algumas regiões italianas, como a Calábria, já ordenaram o fechamento de todos os seus clubes de dança, enquanto outras, como a Sardenha, os mantiveram abertos.

A indústria tem receitas anuais de 4 bilhões de euros e emprega quase 50 mil pessoas em 3 mil clubes em todo o país, segundo o sindicato Silb, que representa empresas do setor e pediu ajuda ao governo. O ministro italiano da Indústria, Stefano Patuanelli, reconheceu que haverá danos econômicos com o fechamento dos clubes, mas disse que não via outra alternativa.

A Itália vem registrando nos últimos dias os maiores números diários de casos de covid-19 desde maio. No sábado, foram 629 infecções, marcando o terceiro dia consecutivo com mais de 500 casos diários. Já neste domingo, o país registrou 479 novas ocorrências.

Desde o início da epidemia no país, no final de fevereiro, mais de 253 mil pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus e mais de 35 mil morreram devido à doença.

Espanha também fecha clubes

A reimposição de medidas de contenção na Itália segue decisões semelhantes tomadas por outros países europeus, que também registram um ressurgimento do vírus.

Neste domingo, entraram em vigor novas restrições em duas regiões da Espanha, que incluem também o fechamento de discotecas e uma proibição parcial de fumar ao ar livre.

A pequena região vinícola de La Rioja, no norte, e a região de Múrcia, no sudeste, se tornaram as primeiras do país a implementar uma série de novas medidas anunciadas na sexta-feira pelo ministro espanhol da Saúde, Salvador Illa, e que serão aplicadas em todo o país.

As medidas incluem o fechamento de todas as discotecas, clubes de dança e casas noturnas, enquanto restaurantes e bares só poderão funcionar até 1h da manhã, sendo proibida a admissão de novos clientes depois da meia-noite.

 As visitas em lares de idosos também foram limitadas, e fumar ao ar livre em locais públicos está proibido quando uma distância de dois metros não pode ser mantida. O veto ao fumo na ruas já estava em vigor em duas das 17 regiões autônomas da Espanha, Galícia e Ilhas Canárias.

Espera-se que os governos regionais restantes comecem a implementar as novas medidas nos próximos dias.

A Espanha foi outro país europeu duramente atingido pela pandemia de coronavírus. Ao todo, mais de 342 mil pessoas foram infectadas e 28 mil morreram em decorrência da doença.

EK/rtr/afp/ap/ots

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

Crise migratória se agrava no sul da Europa

Prefeitos de várias localidades italianas se revoltam contra o governo em Roma e relatam as péssimas condições nos centros de acolhimento de migrantes – que, com frequência, são pequenos demais e acabam superlotados. Alguns ainda exigem a proibição de novas admissões em suas municipalidades.

Resgate feito pelas Forças Armadas da Alemanhã no mar Mediterrâneo
(Alexander Gottschalk/Forças Armadas da Alemanha/via Fotos Públicas)

Mais de 13 mil migrantes chegaram à Itália em 2020 através do mar Mediterrâneo, o que representa um total de 9 mil pessoas a mais do que o registrado no mesmo período do ano passado. Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), muitos decidiram fazer essa perigosa travessia no mês de julho, quando as condições de navegação são um pouco melhores.

Felix Weiss, da ONG Sea Watch de resgates marítimos de migrantes, retornou à Alemanha após várias semanas em uma missão de reconhecimento aéreo sobre a ilha de Lampedusa, um dos principais pontos de chegada de migrantes no território italiano. Ele alerta que a situação no local esta prestes a se deteriorar.

“A situação em Lampedusa é extremamente tensa. Nos últimos meses, quase 5 mil pessoas chegaram à ilha por conta própria. Isso equivale a dois ou três barcos por dia”, relatou. O grupo de voluntários alemães não registrou nenhuma agressão, mas recentemente, dois pequenos estaleiros que armazenam as embarcações dos migrantes foram incendiados.

Weiss diz ter sentido uma mudança de postura por parte da população local, que costumava ser tolerante para com os migrantes. Atualmente, a maior parte dos refugiados que chegaram a Lampedusa são da Tunísia, país cuja economia também foi fortemente abalada pela pandemia de covid-19.

Populistas tentam tirar proveito da crise

A epidemia do novo coronavírus aumentou a pressão econômica sobre a população local. O turismo, a maior fonte de renda da ilha, entrou em colapso. Weiss estima que, até o momento, o número de visitantes deve ser de menos da metade do normal. Se os barcos de migrantes começarem a chegar nas praias turísticas, o que já aconteceu recentemente, a situação pode se tornar ainda mais complicada.

Dentro desse quadro, as ofertas de ajuda vindas de Roma nem sempre são bem recebidas. O governo italiano propôs enviar um navio de quarentena para abrigar migrantes na municipalidade de Porto Empedocle, na Sicília, mas o prefeito rejeitou a medida, temendo riscos ainda maiores para o turismo na região.

A prevenção contra a covid-19 nos centros de acolhimento vem sendo bastante problemática. Centenas de migrantes optaram por deixar ilegalmente esses locais, em violação às regras de quarentena. Ainda assim, não houve registro de um novo surto da doença.

Enquanto isso, o líder do partido populista de extrema direita Liga, Matteo Salvini, tenta obter ganhos políticos com a situação. Há uma semana, em visita a Lampedusa, o ex-ministro do Interior – que quando estava no cargo fez todo o possível para bloquear a entrada de migrantes no país – culpou diretamente o aumento da chegada de novas embarcações de refugiados pelas más condições do turismo e da pesca na região.

Salvini, que foi recebido por um grande número de apoiadores na ilha, vem utilizando repetidamente em seus discursos e postagens no Twitter o termo “invasão” e questionando se é realmente necessário fornecer ajuda aos migrantes.

Pedido de ajuda à União Europeia 

O governo italiano reagiu aos pedidos de ajuda dos municípios com o envio das Forças Armadas. Em torno de 300 soldados foram enviados para a Sicília para vigiar os campos de refugiados e as estações de quarentena. 

Roma reforçou o pedido de mais apoio por parte da União Europeia (UE), o que implica que os parceiros europeus devem contribuir mais para fornecer abrigo e cuidados aos migrantes e requerentes de asilo que chegam à Europa através da costa italiana.

Na noite de sexta-feira (31/07), a ministra do Interior, Luciana Lamorgese, e seu homólogo francês, Christophe Castaner, chegaram a um consenso para dar sobrevida ao chamado Acordo de Malta sobre a distribuição de migrantes no sul da Europa para outras regiões do continente. Dentro do pacto de 2019, um grupo de nações europeias – incluindo a Alemanha – concordou em aceitar uma distribuição ordenada dos migrantes. Na prática, porém, o plano não vem funcionando.

Mas, não é apenas a Itália que registra um número crescente de pessoas em busca de refúgio. A Espanha também vem registrando um aumento na chegada de migrantes através do Mediterrâneo. Em julho, foram 2 mil pessoas a mais do que nos meses anteriores. Em Murcia e Almería, chegaram no ultimo fim de semana em torno de 700 refugiados, na maioria, vindos da Argélia, e não do Marrocos, como seria de costume.

Contudo, ao contrário da Itália, a situação na Espanha não piorou em relação ao ano anterior, com exceção das ilhas Canárias. O governo, porém, não tem a situação totalmente sob controle. Observadores denunciam desentendimentos entre as autoridades no que diz respeito à jurisdição, devido á imposição de quarentena obrigatória.

O governo espanhol não quer que os refugiados sejam alojados nos centros de acolhimento, temendo novas contaminações de coronavírus, e insiste que as localidades devem fornecer as acomodações necessárias por conta própria. Isso vem sendo feito através de barracões, o que também gera problemas em razão do calor intenso no país nos meses de verão.

A situação na Grécia, por outro lado, se mantem relativamente calma. A agência de refugiados do país registrou apenas 244 chegadas de migrantes em suas fronteiras em julho, em comparação com os 5.008 do mesmo mês no ano passado.

O problema no território grego, porém, continua sendo a superlotação dos campos de refugiados nas regiões insulares, além das denúncias de expulsões e deportações ilegais  de migrantes no país.

Itália promete reformar políticas migratórias

Enquanto os países que enfrentam esses desafios ainda tentam se organizar em nível europeu, o governo da Itália quer dar um exemplo ao facilitar o trabalho das ONGs no resgate de migrantes. Relatos na imprensa italiana nesta sexta-feira afirmavam que o Partido Democrata (PD) e o Movimento Cinco Estrelas (M5S), que compõem a coalizão de governo, chegaram a um acordo para mudar as regras impostas pelo populista Salvini quando ocupava o Ministério do Interior.

Um dos termos do acordo estabelece o fim das pesadas multas impostas aos navios das organizações humanitárias que levam migrantes para os portos do país. Além disso, o governo quer reintroduzir a ampliação da ajuda humanitária aos refugiados e expandir os procedimentos de admissão.

Entretanto, Weiss, da ONG Sea Watch, ainda vê essas propostas com ceticismo, enquanto a situação no país permanece a mesma. “No momento, os serviços de resgate e emergência não trabalham conosco”, afirmou.

“As autoridades nos dizem que não vão mais trabalhar com as ONGs ou sequer dialogar com as organizações. Também vimos nos últimos dias como os barcos da Guarda Costeira simplesmente passam ao lado das embarcações e apenas recolhem os refugiados quando eles entram nas águas de Lampedusa”, relatou.

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*A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.

Itália registra quase 800 mortes em um dia

Militares da Itália atuam no suporte ao combate ao Coronavírus (Defesa da Itália/Fotos Públicas)

A Itália registrou quase 800 mortes em 24 horas. Foram 793 óbitos confirmados por Covid-19, o novo Coronavírus. A informação é da Agência Reuters.

Com os mortos confirmados hoje (21), a Itália passa a contabilizar 4.825 mortes.

Em Portugal, segundo o balanço divulgado também neste sábado, dobrou o número de mortos por Covid-19: passou de 6 para 12, segundo a RTP – emissora pública de Portugal.

No continente Africano, 40 países contabilizam 1.107 casos confirmados do novo Coronavírus, com 30 mortes.


*Com informações de Reuters, RTP e Lusa

Repórter da Globo se emociona ao falar do Coronavírus na Europa; Assista!

Ilze Scamparini se emociona ao relatar situação na Europa por causa do Coronavírus
(TV Globo/Reprodução)

A repórter Ilze Scamparini, correspondente da TV Globo na Itália, se emocionou na manhã de hoje (10) ao participar ao vivo do jornal Bom Dia Brasil. Ilze fazia um relato sobre a situação da Europa, com quarentenas isolando cidades, quando teve a voz embargada e os olhos ficaram marejados de lágrimas.

Mesmo emocionada, Ilze conseguiu seguir com o relato ao vivo e finalizou devolvendo para os apresentadores Chico Pinheiro e Ana Paula Araújo, que seguiram o jornal sem fazer menção à emoção da colega.

Assista ao vídeo:

(TV Globo/Reprodução)

Itália recomenda isolamento

Numa medida sem precedentes, todos os habitantes da Itália têm de ficar em casa e só saindo por motivos comprovados de saúde ou trabalho. As medidas de emergência para tentar travar a progressão do novo coronavírus passam agora a abranger todo o país.

A quarentena imposta ao norte de Itália por causa da epidemia do covid-19 foi estendida ao resto do país, a partir desta terça-feira, como medida para conter a propagação do surto, anunciou hoje (10) o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.



Segundo ele, os cidadãos terão de comprovar a importância do seu trabalho para continuar a exercer a atividade, o estado de saúde e outras razões que justifiquem a necessidade de viajar para fora da área de residência. As restrições vão valer até 3 de abril.

“Não haverá apenas uma zona vermelha. Haverá Itália”, disse Conte aos jornalistas.

A Itália enfrenta a situação mais crítica na Europa.  A doença atingiu até agora 9.172 pessoas e provocou a morte de 463, tornando a Itália o segundo país com mais casos depois da China.

Em Portugal, o Ministério da Administração Interna anunciou novas medidas de contingência. Estão confirmados 39 casos no país e 399 aguardam resultados laboratoriais.

Papa cancela viagem

O papa Francisco adiou hoje para 2021 uma visita oficial prevista para este ano ao Timor-Leste, por conta da propagação do coronavírus, informou o ministro dos Negócios Estrangeiros timorense.

Dionísio Babo Soares disse que a confirmação do adiamento da visita, que incluía ainda vários outros países na região, foi dada numa carta oficial entregue pelo encarregado de Negócios do Vaticano em Timor-Leste, Marco Sprizzi.

*Com informações da Agência Brasil e RTP – Emissora Pública de Portugal

Segundo brasileiro com Covid-19 viajou com máscara em avião

Passageiros e funcionários circulam com máscaras no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro (Fernando Frazão/Agência Brasil)

A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo notificou o Ministério da Saúde (MS) de mais um caso confirmado de coronavírus. O paciente, um homem de 32 anos, esteve na Itália e chegou ao Brasil na quinta-feira (27). Ele chegou acompanhado da mulher de Milão, na região da Lombardia. Ainda no voo usou máscara e a acompanhante não apresenta sintomas da doença.

Até o momento, o Ministério da Saúde (MS) monitora 182 casos suspeitos e dois confirmados no país. Já foram descartados 71 casos.

O paciente foi atendido no Hospital Israelita Albert Einstein na sexta-feira (28). Durante o atendimento o viajante relatou febre, tosse, dor de garganta, dor muscular e dor de cabeça. O quadro clínico foi considerado leve e estável. “A orientação foi de isolamento domiciliar, uma vez que o quadro clínico é leve e estável. O hospital adotou todas as medidas preventivas para transmissão por gotículas”, diz nota divulgada pelo ministério na noite de sábado (29).
As secretarias estadual e municipal de saúde de São Paulo e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) procuram as pessoas que possam ter tido contato com o paciente durante o voo ou em outros locais.

*O SP Agora errou ao citar no título que sintomas haviam começado antes da viagem de volta do brasileiro. A informação foi corrigida.