Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, discursa ao microfone.

Bolsonaro e Biden se encontram em Cúpula esvaziada

Uma potencial tensa reunião entre os presidentes de Brasil e Estados Unidos é esperada para esta quinta-feira (09/06) na Cúpula das Américas, que começou segunda e vai até esta sexta-feira em Los Angeles. Esta será a primeira vez que Jair Bolsonaro, um admirador declarado do ex-mandatário americano republicano Donald Trump, se encontrará com o democrata Joe Biden.

A primeira reunião bilateral entre Bolsonaro e Biden ocorrerá, portanto, um ano e meio depois que o democrata assumiu o governo dos EUA. Após Trump ser derrotado na eleição de novebro de 2020, Bolsonaro não escondeu sua insatisfação com a vitória de Biden.

O presidente americano, por outro lado, até mesmo antes de ser eleito, fez advertências contra a política ambiental do líder brasileiro.

Quando Bolsonaro aceitou o convite para a cúpula, a agência de notícias americana AP informou que ele havia pedido para Biden não questioná-lo sobre seus constantes ataques contra o sistema eleitoral brasileiro. Na ocasião, a AP citou três ministros do gabinete de Bolsonaro sob a condição de anonimato.

O conselheiro de segurança nacional de Biden, Jake Sullivan, negou que o presidente americano tivesse concordado com quaisquer condições para o encontro com o brasileiro.

Segundo Sullivan, não haverá temas proibidos na conversa e os dois líderes devem abordar o tema de “eleições livres, transparentes e democráticas”.

Os americanos ofereceram a reunião bilateral para Bolsonaro como forma de atrair a presença do presidente brasileiro para a cúpula e minimizar a ausência de outros líderes que boicotaram o encontro.

Concorrendo à reeleição, Bolsonaro tem aparecido em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Ainda nesta quinta-feira, a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, deve se reunir com líderes caribenhos para discutir a proteção ambiental e as mudanças climáticas. Já a primeira-dama, Jill Biden, será a anfitriã de um brunch para os cônjuges dos líderes.

Na sexta-feira, Biden deverá falar sobre migração, uma questão chave para o seu governo, já que cada vez mais pessoas têm fugido da violência e das dificuldades econômicas na América Latina e, com isso, rumado para a fronteira dos EUA com o México.

Biden conceituou seu novo plano migratório como detentor de uma “abordagem inovadora e integrada”, com responsabilidade compartilhada em todo o hemisfério. Ainda assim, entretanto, forneceu poucos detalhes sobre o tema.

Relações com a China em foco

Nesta quarta-feira, uma das principais pautas do discurso de Biden foi o estreitamento das relações dos países latino-americanos com a China. Devido a isso, uma nova proposta econômica para a região foi anunciada pelo presidente americano, a Parceria das Américas para a Prosperidade Econômica.

A fala de Biden enfatizou o maior envolvimento econômico dos EUA na América Latina, incluindo mais investimentos e reforçando os acordos comerciais já existentes, em uma clara tentativa de afastar os líderes latino-americanos das promessas chinesas de investimentos em projetos de infraestrutura de larga escala na região. Ele também insistiu para que os governantes preservem e fortaleçam a democracia.

A iniciativa dos EUA visa a recuperação econômica e o investimento em países das Américas Central, do Sul e Caribe, a exemplo do revigoramento de instituições como o Banco Interamericano de Desenvolvimento, cadeias de suprimentos, comércio sustentável e energia limpa.

“Temos que investir para estarmos certos de que nosso comércio seja sustentável e responsável na criação de cadeias de abastecimento mais resistentes, mais seguras e mais sustentáveis”, disse Biden nesta quarta-feira, durante o evento oficial de abertura da Cúpula das Américas.

Conforme um funcionário da administração do governo americano, porém, os esforços se concentrarão primeiramente nos “parceiros com os mesmos interesses” que já têm acordos comerciais com os EUA, em negociações que devem começar nos próximos meses.

Edição sem vários líderes

Sem a participação de Cuba, Nicarágua e Venezuela, países considerados ditaduras pelo governo americano, outros líderes decidiram não participar da edição deste ano da Cúpula das Américas.

Em protesto ao fato de os EUA não terem convidado líderes dessas três nações, os presidentes de Bolívia, Guatemala, Honduras e México não viajaram a Los Angeles – além desses, o presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou, cancelou a participação por ter contraído covid-19.

O presidente mexicano, Andres Manuel Lopez Obrador, por exemplo, enviou o ministro das Relações Exteriores. A ação foi seguida por outros líderes, o que, de certa forma, desacelera o anseio de Biden por um restabelecimento de relações mais fortes entre os EUA e a América Latina.

Convocada pela primeira vez pelo então presidente americano Bill Clinton, em Miami, em 1994, a Cúpula das Américas está em sua nona edição. A ideia dos encontros é fortalecer o crescimento econômico e a prosperidade em todo o continente americano por meio de valores democráticos e aumento das relações comerciais.

Desde então, as outras edições ocorreram em Santiago, Chile (1998); Quebec, Canadá (2001); Mar del Plata, Argentina (2005); Port of Spain, Trinidad e Tobago (2009); Cartagena, Colômbia (2012); Cidade do Panamá, Panamá (2015); e Lima, Peru (2018).

Putin “é um criminoso de guerra”, diz Biden

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta quarta-feira (16/04) que o presidente russo, Vladimir Putin, é “um criminoso de guerra” pela invasão de seu país à Ucrânia, e anunciou mais 800 milhões de dólares em assistência à segurança ucraniana, incluindo armas para abater aviões e tanques russos.

Em conversa com um repórter na Casa Branca, Biden disse: “Ah, eu acho que ele é um criminoso de guerra”, depois de responder inicialmente com um “não” a uma pergunta sobre se ele estava pronto para chamar Putin assim.

Essa foi a primeira vez que Biden classificou publicamente Putin com essa expressão. Na semana passada, durante uma viagem à Polônia, a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, se limitou a afirmar que a Rússia deveria ser investigada por possíveis crimes de guerra.

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos (Rede Social/Reprodução)

Depois da fala de Biden, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que Biden estava falando do seu coração, observando que há um processo legal separado para determinar se Putin violou a lei internacional e cometeu crimes de guerra, e que esse processo está em andamento no Departamento de Estado dos EUA.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a fala de Biden é uma “retórica inaceitável e imperdoável”, de acordo com a agência de notícias Tass.

Mais cedo, Biden anunciou que os Estados Unidos ofereceram à Ucrânia um total de US$ 800 milhões em ajuda militar.

O anúncio foi feito após o discurso de seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelenski, ao Congresso dos EUA, por transmissão em vídeo, a partir de Kiev.

O novo pacote inclui o envio de 800 sistemas portáteis de mísseis antiaéreos Stinger, 100 lançadores de granadas e 20 milhões de munições para armas de pequeno porte e um número não especificado de drones.

“Vamos dar à Ucrânia armas para lutar e se defenderam nos dias difíceis que tem pela frente”, afirmou Biden.

Zelenski: “A Ucrânia não desistirá”

Volodimir Zelensky, presidente da Ucrânia (Reprodução)

Falando ao Congresso dos EUA, por transmissão em vídeo, a partir de Kiev, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse aos legisladores dos EUA que a Ucrânia não desistirá, apesar de lutar na “pior guerra desde a Segunda Guerra Mundial”.

Zelenski voltou a pedir uma zona de exclusão aérea na Ucrânia, argumentando que a Rússia “transformou os céus em uma fonte de morte” para as tropas e a população na Ucrânia.

Fazendo um paralelo com tragédias históricas vividas pelos EUA, afirmou que seu país enfrenta hoje todos os dias, o que os americanos experimentaram no 11 de Setembro e no ataque a Pearl Harbor. “Peço para que vocês façam mais”, apelou.

Dirigindo-se diretamente ao presidente americano, Joe Biden, disse: “Presidente Joe Biden, você é o líder de sua grande nação. Desejo que seja o líder do mundo. Ser o líder do mundo significa ser o líder da paz”.

Otan descarta missão de paz na Ucrânia

Apesar dos apelos de Zelensky, os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) descartaram nesta quarta-feira a possibilidade de enviar uma missão de paz à Ucrânia ou implementar uma zona de exclusão aérea sobre o território ucraniano.

Por outro lado, o secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg, anunciou planos de reforçar a presença de forças da Otan nos países-membros do leste europeu.

“Pedimos à Rússia, ao presidente [Vladimir] Putin, que retire suas tropas [do território ucraniano], mas não temos planos de enviar tropas à Ucrânia”, disse Jens Stoltenberg.

Stoltenberg presidiu nesta quarta-feira em Bruxelas uma reunião dos 30 ministros da Defesa dos países da aliança, na qual foi discutida a proposta polonesa de enviar uma missão de paz ou a implementação da zona de exclusão aérea.

Como ficou claro na reunião entre os ministros da Defesa, a implementação de uma zona desse tipo só poderia ocorrer com militares da aliança transatlântica, numa escalada com consequências imprevisíveis no conflito.

Em 5 de março, Stoltenberg já havia expressado o consenso da maioria dos países da Otan ao afirmar em entrevista coletiva que “os aliados concordaram que não deveríamos ter aeronaves sobre o espaço aéreo da Ucrânia, nem tropas da Otan em território ucraniano”.

Putin defende que Rússia passe por “autopurificação” para livrar país de “escória” pró-Ocidente

Vladimir Putin, homem de pele clara, poucos cabelos loiros, veste terno e gravata. Atrás dele aparece parte de uma bandeira.
Vladimir Putin, presidente da Rússia (Kremlin/via Fotos Públicas)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sinalizou um aumento da repressão pelo seu regime ao ameaçar nesta quarta-feira os russos que vêm se mostrando críticos ao seu governo e à condução da guerra da Ucrânia. Em um discurso transmitido pela televisão, Putin referiu-se aos russos pró-Ocidente como “escória” e “traidores” que são parte de uma “quinta coluna” que teria como objetivo destruir a Rússia.

“O povo russo sempre será capaz de distinguir verdadeiros patriotas de escória e traidores e simplesmente cuspi-los como uma mosca que acidentalmente voou em suas bocas”, disse Putin. “Estou convencido de que uma autopurificação natural e necessária da sociedade só fortalecerá nosso país, nossa solidariedade, coesão e prontidão para responder a quaisquer desafios”, afirmou Putin.

O recado de Putin pareceu especialmente dirigido aos russos que emulam ou almejam estilos de vida típicos do Ocidente ou a oligarcas com laços na Europa. “Claro que eles (o Ocidente) tentarão apostar na chamada quinta coluna, em traidores – naqueles que ganham dinheiro aqui, mas vivem lá. Vivem não no sentido geográfico, mas em seus pensamentos, em sua mentalidade servil”, disse.

“Não julgo aqueles com vilas em Miami ou na Riviera Francesa. Ou quem não pode viver sem ostras ou foie gras ou as chamadas ‘liberdades de gênero’. O problema é que eles existem mentalmente lá, e não aqui, com nosso povo, com a Rússia”, completou Putin.

Corte da ONU determina que Rússia suspenda guerra na Ucrânia

O mais alto tribunal das Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça (CIJ), com sede em Haia, determinou nesta quarta-feira que a Rússia suspenda suas operações militares na Ucrânia.

“A Federação Russa deve suspender imediatamente as operações militares iniciadas em 24 de fevereiro de 2022 em território ucraniano”, declarou o juiz-presidente da CIJ, Joan Donoghue.

Foram 13 votos a favor e dois contra. Os votos contrários partiram do vice-presidente da Corte, o russo Kirill Gevorgian, e da juíza chinesa Xue Hanqin.

A decisão da CIJ é o primeiro veredicto desse tipo proferido por um tribunal internacional desde que a Rússia invadiu a Ucrânia.

No dia 26 de fevereiro, dois dias após o início da invasão, a Ucrânia recorreu à CIJ, pedindo que a Rússia suspendesse as agressões e retirasse suas tropas.

A Rússia boicotou as sessões da CIJ no início deste mês e nenhum representante russo compareceu na leitura da decisão.

A CIJ foi criada após a Segunda Guerra Mundial para julgar disputas entre Estados-membros da ONU, com base em tratados e convenções.

As decisões da CIJ são vinculantes, mas a Corte não tem meios práticos para aplicá-las. Dessa forma, é praticamente certo que a decisão desta quarta-feira não deve ter efeitos práticos imediatos na guerra.

A decisão da CIJ, no entanto, apontam especialistas, deve contribuir para isolar ainda mais a Rússia no cenário internacional e fornecer ainda mais justificativas legais e políticas para reforçar sanções contra o regime de Vladimir Putin.

Rússia bombardeia teatro usado como abrigo em Mariupol

A Câmara Municipal de Mariupol, cidade portuária no sudeste da Ucrânia sob pesado cerco russo, afirmou que militares russos bombardearam um teatro que era usado como abrigo por centenas de civis.

O Legislativo local divulgou uma imagem de um teatro e vídeos mostrando chamas saindo das ruínas do edifício. A informação não pôde ser verificada pela DW de forma independente.

A Câmara Municipal divulgou um comunicado relatando que um avião havia jogado uma bomba no teatro. “Ainda é impossível estimar a escala desse ato terrível e inumano, porque a cidade continua sendo bombardeada em áreas residenciais. É sabido que após o bombardeio a parte central do Teatro de Drama foi destruída, e que a entrada para o abrigo antibomba no edifício foi destruída.”

Petro Andriushchenko, assessor do prefeito de Mariupol, afirmou, segundo a CNN, que o abrigo do teatro era o maior no centro da cidade, e que mais de mil pessoas poderiam estar abrigadas no local. “A probabilidade de irmos lá para retirar os escombros é baixa devido aos constantes bombardeios da cidade”, disse. 

Mais tarde, o Ministério da Defesa russo negou ter efetuado um ataque ao teatro em Mariupol.

Ataque russo teria matado 10 pessoas em fila para pão

Ao menos dez pessoas morreram na cidade de Tchernihiv, no norte da Ucrânia, quando tropas russas dispararam sobre civis que se encontravam na fila para comprar pão, segundo a embaixada dos EUA em Kiev, autoridades ucranianas e a mídia do país. A informação não pôde ser verificada pela DW de forma independente.

“Em Tchernihiv, as tropas russas dispararam sobre pessoas que faziam fila para comprar pão: pelo menos dez mortos”, escreveu o Serviço Estatal de Comunicações Especiais e Proteção da Informação da Ucrânia na sua conta no Twitter.

Um correspondente da televisão estatal ucraniana Suspilne que disse ter sido testemunha do ataque, confirmou o número de vítimas, indicou a agência Interfax-Ukraine. A agência ucraniana Ukrinform, por sua vez, noticiou que o ataque ocorreu por volta das 10h (hora local).

“Hoje forças russas dispararam e mataram dez pessoas que faziam fila para comprar pão em Tchernihiv. Ataques terríveis como esse têm de cessar”, afirmou a embaixada dos Estados Unidos em Kiev, na sua conta do Twitter.

“Estamos considerando todas as opções disponíveis para garantir a responsabilização por qualquer crime de atrocidade na Ucrânia”, acrescentou a representação diplomática americana.

FMI alerta que guerra na Ucrânia é grande golpe na economia global

O FMI alertou em um relatório publicado em seu site que a crise na Ucrânia causará um crescimento mais lento e uma inflação mais rápida em todo o mundo.

Preços mais altos de commodities como alimentos e energia vão impulsionar ainda mais a inflação, disse o FMI. A Ucrânia e a Rússia são grandes exportadores de trigo, e a guerra pode colocar pressão sobre a oferta global do grão. O preço do trigo atingiu um recorde nos últimos dias, disse o FMI.

Os países dependentes das importações de petróleo, do qual a Rússia também é um grande exportador, podem ter déficits maiores e mais pressão inflacionária, de acordo com o FMI. Alguns países exportadores de petróleo do Oriente Médio e da África, porém, podem se beneficiar de preços mais altos.

“As consequências da guerra da Rússia na Ucrânia já abalaram não apenas essas nações, mas também a região e o mundo”, disse o FMI.

90% dos ucranianos em risco de pobreza

De acordo com o especialista em desenvolvimento da ONU Achim Steiner, nove em cada dez ucranianos estão em risco de pobreza no caso de uma guerra duradoura.

Na pior das hipóteses, a economia do país entraria em colapso e acabaria com duas décadas de crescimento, disse Steiner, administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

jps (Reuters, EFE, dpa, AFP, DW, ARD)

Presidente Joe Biden, de terno e gravata, diante de um microfone, aponta os dedos indicadores para baixo, tocando o púlpito de onde discursa

Ditadores devem pagar o preço, diz Biden sobre Putin

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, enviou uma mensagem clara ao presidente russo, Vladimir Putin, nesta terça-feira (01/03), em seu primeiro Discurso do Estado da União. Perante o Congresso, Biden afirmou que a “liberdade sempre triunfará sobre a tirania”, defendeu as duras sanções contra a Rússia e afirmou que a pressão sobre o país só aumentará.

O democrata disse que Putin está mais isolado do que nunca e que a economia da Rússia já começa a sentir os efeitos das duras medidas punitivas aplicadas pelos EUA em conjunto com a União Europeia e outros aliados ocidentais.

“Em nossa história, aprendemos esta lição: quando ditadores invadem um país, eles têm que pagar por isso”, afirmou Biden. 

Presidente Joe Biden, de terno e gravata, diante de um microfone, aponta os dedos indicadores para baixo, tocando o púlpito de onde discursa
Joe Biden, presidente dos EUA, durante discurso (Casa Branca/Reprodução)

O presidente americano também disse em seu discurso que Putin pensou que poderia dividir o Ocidente e que a Otan não reagiria. No entanto, segundo Biden, Putin cometeu um grave erro de cálculo. “Estávamos prontos”, disse o democrata. “A guerra de Putin foi premeditada e não provocada”, advertiu Biden. 

Como gesto simbólico de apoio, a embaixadora ucraniana nos Estados Unidos, Oksana Markarova, foi convidada para o discurso do presidente e permaneceu ao lado da primeira-dama Jill.

EUA não enviará tropas à Ucrânia

Biden lembrou que os EUA já deram à Ucrânia mais de 1 bilhão de dólares em assistência direta nos últimos tempos e que Washington vai continuar a apoiar o povo ucraniano.

No entanto, o presidente reafirmou que os EUA não enviarão tropas à Ucrânia. Todavia, ele garantiu que, no caso de Putin decidir continuar a mover-se para oeste, “os Estados Unidos e os aliados vão defender cada centímetro de território dos países da Otan”.

Biden confirmou a mobilização de tropas, aviões de combate e navios militares para proteger os países da Aliança Atlântica, incluindo Polônia, Romênia, Letônia, Lituânia e Estônia,  vizinhos da Ucrânia.

Fechamento do espaço aéreo

O presidente americano aproveitou o discurso para anunciar que os Estados Unidos vão fechar o espaço aéreo a aeronaves e companhias aéreas russas, incluindo jatinhos particulares de oligarcas russos.

 “Vamos juntar-nos aos nossos aliados, isolando ainda mais a Rússia e colocando pressão adicional na economia”, disse.

Um total de 37 países, incluindo todos os membros da UE, além de Reino Unido e Canadá, já haviam anunciado o fechamento do espaço aéreo aos russos.

Na segunda-feira, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que essa não seria uma decisão fácil, já que poderia levar a Rússia a tomar uma medida semelhante.

Biden também afirmou que o país perseguirá os crimes de oligarcas russos, e que o Departamento de Justiça americano está formando um grupo de trabalho para esta finalidade.

“Estamos nos unindo aos nossos aliados europeus para encontrar e apreender iates, apartamentos de luxo e aviões particulares deles”, anunciou Biden

le (lusa, efe, ots)

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, discursa ao microfone.

Ucrânia: Biden diz que enviará tropas ao Leste Europeu

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou nesta sexta-feira (28/01) que deslocará “no curto prazo” tropas americanas ao Leste Europeu devido ao aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia. No entanto, ele antecipou que não serão “muitas”.

Os comentários de Biden vieram dias depois de o Pentágono ter anunciado que colocou 8.500 militares, atualmente em solo americano, em “alerta máximo” para um possível destacamento para países aliados no Leste Europeu.

“No curto prazo, deslocarei as tropas dos EUA para o Leste Europeu e países da Otan. Não serão muitas”, disse Biden a repórteres em Washington, após visitar Pittsburgh, na Pensilvânia.

Biden não deu mais detalhes, e os seus comentários vieram horas após o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Mark Milley, ter insistido para que “a Rússia se retire e procure uma resolução através da diplomacia”.

As tensões aumentaram entre Rússia, EUA e os aliados por causa da mobilização de 100.000 militares russos na fronteira ucraniana, gerando receios de um possível ataque russo ao território ucraniano, como o que ocorreu em 2014, resultado na anexação da península da Crimeia para a Rússia.

Washington acredita que um ataque russo à Ucrânia é “iminente” e pode ocorrer já em fevereiro. Moscou nega repetidamente que invadirá a Ucrânia.

Tropas não irão para Ucrânia

O Pentágono reiterou que não enviará tropas para o solo ucraniano e insistiu que, se ocorrer, a maioria dos soldados que estão em “alerta máximo” atuará em países da Otan. A entidade também não excluiu a utilização dos militares já mobilizados em bases na Europa.

A Ucrânia não faz parte da Otan e, justamente uma das exigências do Kremlin nas negociações diplomáticas é que a aliança militar não aceite o país como membro.

Dezenas de milhares de soldados americanos estão regularmente estacionados na Europa, incluindo cerca de 35.000 na Alemanha, mesmo fora dos tempos de crise.

No contexto de tensões na fronteira ucraniana-russa, a Otan anunciou no início desta semana que aumentaria sua presença na Europa Oriental . Vários estados membros da aliança militar ocidental querem enviar navios adicionais para o Mar Báltico e aviões de combate para países como Lituânia, Romênia e Bulgária.

Caças dinamarqueses chegam à Lituânia

Quatro caças F-16 da Força Aérea Dinamarquesa já chegaram à Lituânia para fortalecer a vigilância aérea da Otan sobre os Estados Bálticos. Juntamente com quatro aeronaves polonesas, eles devem controlar os céus sobre a União Europeia (UE) e a Estônia, Letônia e Lituânia, estados membros da Otan, a partir do aeroporto militar de Siauliai. “Hoje estamos testemunhando um grande exemplo de unidade e solidariedade dos aliados”, disse o presidente lituano Gitanas Nauseda ao dar as boas-vindas aos pilotos dinamarqueses em Siauliai.

Os três países bálticos que fazem fronteira com a Rússia não têm seus próprios aviões de combate. Por isso, aliados têm assegurado o espaço aéreo do Báltico em rotação regular desde 2004.

A Dinamarca também enviará uma fragata para o Mar Báltico. Os Estados Unidos já haviam implantado caças na região. De acordo com o exército estoniano, seis caças F-15C Eagle pousaram na base militar de Ämari na quarta-feira para fins de treinamento. O principal objetivo do esquadrão é apoiar a Força Aérea Belga no patrulhamento do espaço aéreo do Báltico.

Em fevereiro e março, a Força Aérea Alemã participará da segurança do espaço aéreo da Otan na Romênia com três Eurofighters. O objetivo é estar pronto no caso de um alarme para voos de proteção conjuntos por Eurofighters alemães e italianos.

Putin tem completa gama de opções militares

O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse na sexta-feira que o acúmulo de forças russas perto da fronteira com a Ucrânia chegou ao ponto em que o presidente russo, Vladimir Putin, tem uma gama completa de opções militares .

“Embora não acreditemos que o presidente Putin tenha tomado a decisão final de usar essas forças contra a Ucrânia, ele claramente agora tem capacidade”, disse Austin em entrevista coletiva no Pentágono.

Austin acrescentou que Putin poderia usar qualquer parte de sua força para tomar cidades ucranianas e “territórios significativos” ou realizar “atos coercitivos ou atos políticos provocativos”, como o reconhecimento dos estados separatistas pró-Rússia do leste da Ucrânia.

le (efe, dpa, ap, afp, rtr)

EUA avisam que enviarão tropas se Rússia invadir Ucrânia

Na véspera de uma reunião por teleconferência entre os presidentes Joe Biden e Vladimir Putin, os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (06/12) que enviarão mais soldados ao Leste da Europa diante da ameaça de uma invasão da Ucrânia pela Rússia.

A Casa Branca comunicou que Biden avisará Putin nesta terça-feira que está preparado para reforçar a fronteira oriental da Otan com tropas adicionais caso a Rússia ataque ou invada a Ucrânia.

A Casa Branca ressalvou, porém, que o envio de tropas não equivale a uma “resposta militar direta” dos Estados Unidos, mas ocorreria no âmbito de uma combinação de vários elementos: apoio ao exército ucraniano, fortes sanções econômicas e um aumento substancial do apoio aos aliados na Otan.

Vladimir Putin, presidente da Rússia (Rede social/Reprodução)

Em paralelo, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou não acreditar que um conflito seja inevitável porque “há tempo e espaço para a diplomacia” e que “nada mudou” no que diz respeito ao apoio dos EUA à Ucrânia.

Temor de invasão

O Pentágono afirmou estar acompanhando com atenção os movimentos do presidente russo, que está somando “capacidades militares na parte ocidental do seu país e em torno da Ucrânia”.

Os serviços secretos dos Estados Unidos estimam que a Rússia tem cerca de 70 mil soldados, juntamente com equipamento e artilharia, mobilizados na fronteira ucraniana e suspeitam que possa estar preparando um ataque, que viria já em 2022, de acordo com funcionários citados pela imprensa americana.

Do lado russo, o Kremlin comunicou que Putin vai procurar firmes garantias de Biden de que a Ucrânia jamais venha a ser incluída nos planos de expansão da Otan, mas Biden já indicou que não dará essa garantia. 

Ameaça de sanções econômicas

Apesar de sanções econômicas não terem conseguido até agora que o Kremlin alterasse as suas decisões, segundo numerosos observadores, o governo dos EUA assegura que desta vez adotará medidas punitivas sem precedente.

Ao mesmo tempo, Washington está apostando na coordenação com parceiros europeus. Na segunda-feira houve uma reunião entre Biden e líderes da Alemanha, França, Itália e Reino Unido. Depois do encontro, esse grupo de Estados exprimiu a sua determinação em que a soberania da Ucrânia seja respeitada, segundo um comunicado da presidência francesa.

O premiê britânico, Boris Johnson, disse que o grupo concordou em apresentar uma frente unidade em torno da questão ucraniana.

Envolvido nessa mesma atividade diplomática, o secretário de Estado Antony Blinken falou ao telefone com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e reiterou o apoio de Washington.

Por Deutsche Welle
as (Lusa, AP)

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, discursa ao microfone.

Na ONU, Biden diz que EUA não buscam “nova Guerra Fria” com a China

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos (ONU/Reprodução)

Em seu primeiro discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente Joe Biden afirmou nesta terça-feira (21/(09) que os Estados Unidos estão de volta à mesa de negociações internacionais, em franco contraste com a posição de seu antecessor, Donald Trump.

“O mundo precisa cooperar mais do que nunca para enfrentar os desafios globais”, declarou no primeiro dia da Assembleia-Geral, diante de “uma década decisiva para o nosso mundo”. Entre esses desafios o presidente americano listou as mudanças climáticas.

“Em abril, anunciei que os Estados Unidos dobrarão nosso financiamento público internacional para ajudar países em desenvolvimento no combate à crise climática. Hoje, estou orgulhoso em anunciar que trabalharemos com o Congresso para dobrar este número novamente, incluindo para esforços de adaptação, para tornar os Estados Unidos líderes no financiamento público sobre o clima”, disse Biden.

O presidente democrata também anunciou uma ajuda de US$ 100 bilhões para que os países em desenvolvimento combatam mudanças climáticas. Ele também disse que seu governo planeja um plano de ajuda de US$ 10 bilhões para a luta contra a fome.

Biden falou na ONU logo depois do presidente Jair Bolsonaro, que fez um discurso voltado para sua base no qual exaltou o ineficaz “tratamento precoce” contra a covid-19 e criticou a criação de passaportes sanitários.

O americano disse também que os EUA estão prontos para retomar, em 2022, um assento no Conselho de Direitos Humanos, de onde Trump retirou o país em 2018, sob a acusação de o órgão ser contrário a Israel.

Sobre o Afeganistão, ele afirmou que os Estados Unidos estão abrindo “uma nova era de uma diplomacia intransigente” depois do fim da guerra e que “a força militar dos EUA deve ser a última opção”.

Biden também usou o palco na ONU para defende a retirada dos militares americanos que estavam no Afeganistão desde 2001. “Terminamos 20 anos de conflito no Afeganistão, e estamos abrindo uma nova era de forte diplomacia, de uso do poder do desenvolvimento para investir em novas formas de ajudar os povos mundo afora”, discursou.

“Os EUA não são mais o mesmo país que foi atacado no 11 de Setembro, há 20 anos. Hoje, somos melhor equipados para detectar e prevenir ameaças terroristas e somos mais resilientes na nossa capacidade de combatê-las”, disse.

Ele ainda reiterou o comprometimento dos EUA a impedir que o Irã obtenha armas nucleares e ofereceu a opção de um retorno completo do país ao acordo nuclear se o Irã fizer o mesmo.

Em referência à China, declarou que “os Estados Unidos não querem uma nova Guerra Fria” e acrescentou que está pronto para cooperar com qualquer país que busque a paz. Segundo Biden, os EUA “estão prontos para trabalhar com todas as nações que se comprometam e procurem uma solução pacífica para partilhar os desafios, mesmo que existam intensos desacordos em outros domínios”.  

Por outro lado,  sem se referir diretamente à rival China, ele advertiu que “os Estados Unidos vão participar na competição, e participar com vigor”. “Com os nossos valores e a nossa força, vamos defender os nossos aliados e os nossos amigos e opor-nos às tentativas dos países mais fortes de dominarem os mais fracos”, sustentou, na perspectiva que tem repetido de combater “as autocracias” e “defender a democracia”.  

Os Estados Unidos ainda priorizam uma diplomacia séria e sustentável para a completa desnuclearização da Península Coreana, disse.

Por fim, Biden também defendeu a aplicação de vacinas e exaltou as doações de doses feitas pelos EUA e outras nações. “O luto compartilhado é um lembrete de que nosso futuro coletivo está associado à nossa capacidade de reconhecer nossa humanidade em comum e de agirmos juntos”, disse.

Por Deutsche Welle
jps/as (Lusa, EFE, AFP)

“Vamos caçá-los e fazê-los pagar”, diz Biden após ataques

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos (Rede Social/Reprodução)

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu nesta quinta-feira (26/08) caçar os responsáveis pelas duas explosões ocorridas no aeroporto de Cabul e disse que pediu ao Pentágono que desenvolva planos de ataque aos militantes islâmicos responsáveis pela ação.

“Não vamos perdoar, não vamos esquecer. Vamos caçá-los e fazê-los pagar”, afirmou Biden visivelmente abalado em pronunciamento na Casa Branca.

“Os terroristas não vão vencer”, acrescentou presidente americano. 

Mais cedo, o Pentágono confirmou que 12 soldados americanos morreram e 15 ficaram feridos. Os ataques também provocaram a morte de cerca de 60 civis afegãos e deixaram pelo menos 150 feridos, incluindo crianças.

Segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os ataques foram cometidos por pelo menos dois homens-bomba do Estado Islâmico. Eles detonaram os explosivos perto da entrada Abbey do aeroporto da capital afegã e nas proximidades do Hotel Baron, na mesma região.

O ramo do grupo terrorista Estado Islâmico no Afeganistão, que é inimigo do Talibã, reivindicou a autoria dos atentados. A informação foi divulgada em comunicado pela agência de notícias da organização radical islâmica, “Amaq”, em seus canais de propaganda na internet.

O autodenominado Estado Islâmico de Khorasan afirmou que um de seus integrantes conseguiu cometer o ataque depois de passar despercebido pelos postos de segurança “das forças dos EUA e das milícias talibãs em torno da capital, Cabul”.

Biden confirma continuidade da operação 

Apesar do ataque, Biden afirmou que os EUA continuarão até 31 de agosto com sua missão de evacuação em Cabul e prometeu que, após a retirada das tropas, seu governo encontrará outros meios de tirar os cidadãos americanos e seus aliados do país asiático.

O chefe do Comando Central dos EUA, general Kenneth McKenzie, disse em entrevista que há atualmente 5 mil pessoas dentro do aeroporto à espera do embarque em algum dos aviões de evacuação. Outras dezenas de milhares se aglomeram do lado de fora dos portões, na esperança de fugirem do país em um dos voos.

Até agora, os Estados Unidos e os países aliados já retiraram mais de 100 mil pessoas do Afeganistão, entre cidadãos estrangeiros e afegãos que colaboraram com as tropas americanas nos últimos 20 anos, além de suas famílias.

EUA compartilham informações com o Talibã

Para seguir com a missão de evacuação, as Forças Armadas dos EUA estão compartilhando informações com o Talibã, para evitar que ocorram mais atentados como os desta quinta-feira.

“Eles [os talibãs] têm uma razão prática para nos quererem fora até 31 de agosto. Eles querem retomar o controle do aeroporto. Também queremos partir até essa data, se for possível. Portanto, compartilhamos um objetivo em comum”, justificou McKenzie.

Segundo o general, a colaboração está sendo “útil” e o Talibã tem evitado “alguns ataques” ao aeroporto.

De acordo com McKenzie, ainda existem “várias ameaças ativas” contra o local e o próximo atentado pode vir sob a forma de um ataque com foguetes ou um carro-bomba.

Por essa razão, as forças americanas pediram que o grupo rebelde feche algumas ruas perto do aeroporto, a fim de impedir a aproximação de veículos que poderiam transportar uma bomba.

Vítimas em estado crítico

Muitas das vítimas dos atentados da tarde desta quinta-feira faziam parte da multidão que tenta embarcar nos voos para fugir do domínio do Talibã, que assumiu o poder no país em meados de agosto. 

Grande parte dos feridos que recebem atendimento médico após o ataque estão em estado crítico, de modo que o número de mortos pode aumentar. O total de vítimas permanece incerto, com novos pacientes e corpos ainda sendo transferidos para hospitais em Cabul.

A ONG italiana Emergency, que tem um hospital em Cabul, informou via Twitter logo após o atentado que tinha recebido pelo menos 60 pessoas feridas.

“As pessoas que chegaram não conseguiam falar, muitos estavam aterrorizados, seus olhos totalmente perdidos no vazio, seu olhar em branco. Raramente vimos tal situação”, descreveu a ONG nas mídias sociais.

Na véspera, Estados Unidos e aliados haviam apelado para que cidadãos saíssem do aeroporto de Cabul devido a ameaças de ataque do “Estado Islâmico”.

Avisos quase idênticos foram emitidos por Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia sobre “ameaças de segurança”. 

Muitos países europeus, como a Alemanha, anunciaram nesta quinta-feira suas últimas operações de evacuação saindo de Cabul, devido à deterioração da segurança no aeroporto, com o medo de ataques iminentes como fator determinante.

Por Deutsche Welle
le (reuters, efe, afp, ap, ots)

Putin e Biden se encontram nesta quarta-feira

Há semanas, um assunto de política externa domina o noticiário na Rússia: a reunião em Genebra entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o dos Estados Unidos, Joe Biden, nesta quarta-feira (16/06). Mesmo os pequenos detalhes, como o local da reunião, uma mansão do século 18, são noticiados como se se tratasse de uma recepção quase real.

Oficialmente, o Kremlin mantém as expectativas baixas para o encontro. Diz que não se deve esperar nenhum avanço na relação bilateral.

Putin afirmou que o fato de ele estar se reunindo com Biden “por si só não é ruim”. “Eu espero um resultado positivo”, disse o presidente russo. Do ponto de vista dele, isso seria, por exemplo, um acordo sobre os próximos passos para “normalizar as relações russo-americanas”.

Em entrevista ao canal americano NBC, Putin atestou que essas consultas estão no “nível mais baixo em anos”. O ponto de vista russo é que a culpa é da política interna dos EUA.

Anseio por conversas francas

“Há um senso de positividade muito forte” na Rússia, diz Tatiana Stanovaya, especialista do Centro Carnegie de Moscou.

O influente chefe de Segurança Nacional da Rússia, Nikolai Patrushev, por exemplo, expressou um otimismo incomum após conversas com seu homólogo americano, Jake Sullivan. Os dois haviam se reunido em Genebra em maio para se preparar para a cúpula presidencial.

Em alguns pontos foi possível um acordo com os Estados Unidos, Patrushev disse depois ao jornal governamental Rossiyskaya Gazeta. “Os russos não esperavam que os EUA estivessem tão abertos à visão da Rússia”, comentou a especialista Stanovaya.

Desde o colapso da União Soviética, os principais políticos russos expressaram repetidamente o desejo de falar novamente com Washington em condições de igualdade. A Rússia, diz Stanovaya, pode ser economicamente mais fraca que os Estados Unidos, mas como é comparativamente forte em armas nucleares, “nada mais importa”.

“A Rússia precisa urgentemente ser aceita como uma grande potência”, comenta Hans-Henning Schröder, ex-especialista em Rússia no instituto alemão SWP. A atenção midiática que antecede a cúpula, diz ele, sugere que Putin tem um interesse maior nisso do que Biden. Especialistas russos, no entanto, ressaltam que foi o presidente dos EUA que tomou a iniciativa de convocar a reunião.

A cúpula assimétrica de Genebra

A relação tensa entre Moscou e Washington desde a anexação da Crimea sofreu vários contratempos. Biden chamou Putin de “assassino” em uma entrevista em março, e Moscou retirou seu embaixador de Washington.

O líder do Kremlin propôs um debate público ao vivo, mas o presidente dos EUA recusou. Em vez disso, Biden, em seguida, impôs novas sanções à Rússia, inclusive por tentativa de interferência nas eleições presidenciais de 2020, o que Moscou nega.

Diplomatas russos foram expulsos dos EUA. Moscou respondeu expulsando diplomatas americanos e disse ao embaixador dos EUA que ele deveria retornar para casa. Desde então, as embaixadas de ambos os países estão sem conexão. Ao mesmo tempo, houve uma enorme acumulação de tropas russas na fronteira com a Ucrânia. Neste contexto, Biden ligou para Putin em abril e propôs uma cúpula.

Muitos observadores insinuam que o líder do Kremlin acabou forçando Biden a convocar a reunião com a ameaça de escalada no leste da Ucrânia. Andrei Kortunov, diretor do instituto russo de política externa RSMD, não compartilha dessa tese. Ele não descarta, porém, a possibilidade de que a “minicrise sobre a Ucrânia” possa ter “motivado adicionalmente” o presidente dos EUA a se encontrar com Putin.

“Tais cúpulas colocam nossos países em pé de igualdade. Isso é importante para o status e a posição da Rússia na política mundial”, diz Kortunov.

Tatiana Stanovaya também fala de uma “atitude assimétrica”: “Para a Rússia esta cúpula é tudo, enquanto para Biden é apenas um passo no caminho para resolver o ‘problema da China'”, diz a especialista. Para Washington, afirma ela, as futuras negociações com a China são um assunto mais prioritário.

Russos buscam “estabilidade estratégica”

Essa discrepância também se reflete nos preparativos para a cúpula. Um diplomata russo de alto nível lamentou que Washington não estivesse preparado para fazer um balanço completo das relações bilaterais em Genebra. Moscou tem buscado amplas discussões sobre questões-chave com Washington desde a época soviética, diz Andrei Kortunov. Os EUA, por outro lado, são conhecidos por preferirem lidar primeiro com tarefas menores e pragmáticas.

Putin e Biden não devem sentir falta de tópicos para discussão em Genebra. Do ponto de vista de Moscou, “estabilidade estratégica” seria o tema mais importante, diz Kortunov. Hans-Henning Schröder tem uma visão semelhante: “Eles querem um acordo sobre armas nucleares estratégicas.”

Depois que os EUA se retiraram de vários acordos com a Rússia, Biden interrompeu essa tendência quando estendeu o acordo de redução de armamento nuclear “New Start” em janeiro. Moscou quer construir uma conversa a partir disso em Genebra. Não apenas armas nucleares tradicionais estarão em pauta, mas também espaço, ciberataques e uso de drones, diz Andrei Kortunov. O fim do confronto diplomático também deve estar no topo da lista de desejos da Rússia.

Em questões relacionadas à Ucrânia ou aos direitos humanos na Rússia, especialistas veem poucas chances de aproximação. Moscou só está preparado para aceitar as críticas de Biden como uma espécie de “programa obrigatório”, diz Tatiana Stanovaya.

As esperanças russas de um novo começo com os EUA são, portanto, frágeis. A especialista advertiu que o fracasso das conversações em Genebra poderia levar Moscou a “comportar-se ainda mais agressivamente e sem consideração pelo Ocidente”, inclusive a nível interno.

Do ponto de vista da Rússia, um objetivo já foi alcançado antes da cúpula: a reunião será realizada. Mas não haverá uma encenação para a imprensa, o que Putin queria. Biden recusou uma coletiva de imprensa conjunta em Genebra.

Por Roman Goncharenko, da Deutsche Welle

No G7, Biden corteja europeus a fazer contraponto à China

(Casa Branca/Reprodução)

O G7 e a União Europeia tentaram, durante a reunião de cúpula do fim de semana na Inglaterra, aparentar harmonia. A impressão geral é que de que os diplomatas parecem satisfeitos que o novo presidente americano, Joe Biden, esteja tornando a cooperação transatlântica novamente possível.

Enquanto chefes de Estado e de governo se reuniam em pequenos grupos ou passeavam pela praia de Carbis Bay, os EUA faziam o seu melhor para persuadir os países do G7 a adotar uma linha mais dura em relação à China, como disse um diplomata alemão envolvido nas negociações. Segundo ele, Biden classificou, em encontros privados, os esforços da China para se tornar a economia mais forte do mundo como o maior desafio deste século.

Segundo Anthony Gardner, ex-embaixador dos EUA na UE, Biden precisou se firmar na cúpula do G7 para manter sob controle os críticos e apoiadores de seu antecessor Donald Trump. Os europeus, afirmou o diplomata, fariam bem em seguir Biden se quiserem impedir o retorno de Trump à presidência.

Os representantes alemães na cúpula do G7 deram a impressão de que, em grande parte, concordaram sobre seguir uma linha mais firme frente a Pequim. Eles disseram que as violações dos direitos humanos em relação à minoria uigur, por exemplo, o movimento pró-democracia em Hong Kong e dissidentes, precisam ser abordados e condenados.

Entretanto, a postura conjunta da UE em Carbis Bay é de que a China não é apenas um rival sistêmico e econômico, mas um parceiro necessário em muitas áreas. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse que não poderia haver progresso real em relação à crise climática sem Pequim.  Afinal, a China é o maior emissor de gases nocivos. Ela pretende ser neutra em carbono apenas até 2060, enquanto a UE estabeleceu 2050 como meta.

Violação dos direitos humanos em pauta


Um diplomata americano disse que Biden criticou especificamente o trabalho forçado na China, particularmente em relação à minoria ugur –  “muito fortemente”, segundo a fonte. Ele concordou que muitos europeus também haviam condenado o trabalho forçado, mas que não houve acordo quanto à forma de responder a isso. Um diplomata da UE disse que as sanções deveriam ter um efeito e não apenas ser simbólicas.

Os EUA estão mais preocupados que a UE com as provocações e ameaças militares chinesas no Mar do Sul da China, que estarão na agenda da cúpula da Otan nesta segunda-feira.

Tanto os EUA quanto a UE impuseram sanções à China por causa das violações dos direitos humanos. Entretanto, antes disso, a UE assinou um acordo comercial com Pequim, sob críticas de Washington.

O Acordo Global sobre Investimento (CAI), que ainda não foi ratificado, está atualmente congelado. O Parlamento Europeu se recusa a debatê-lo enquanto Pequim mantiver suas sanções contra legisladores europeus.

Parceria de infraestrutura

O que é novo é que as democracias mais ricas do G7 concordaram em estabelecer uma parceria global de infraestrutura. Biden chegou à Inglaterra com a firme intenção de liderar o Ocidente com seu plano de investimento “Reconstruir melhor”. O anfitrião da cúpula, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que prevê um novo vínculo transatlântico entre a América do Norte e a Europa, elogiou a ideia.

Até agora, não está claro como isso realmente funcionará. O que está claro é que será uma espécie de alternativa à iniciativa “Nova Rota da Seda”, disseram os diplomatas em Carbis Bay. Desde 2013, a China estabeleceu parcerias econômicas com dezenas de países mais pobres na África, Ásia, América Latina e Europa. Foram mais de 3,4 trilhões de dólares investidos nessa parceria.

Os parceiros foram atraídos com empréstimos baratos e enormes investimentos em infraestrutura, como estradas, ferrovias e portos. Pequim espera construir sua influência política no mundo através da cooperação.

Críticos do projeto dizem que Pequim não leva em consideração boa governança, corrupção e direitos humanos ao alocar fundos. 

A alternativa ocidental ao avanço chinês

O plano de infraestrutura alternativa do G7 deve mobilizar bilhões. Embora ainda não tenha sido esclarecido de onde virá o dinheiro, a Casa Branca indicou que capital privado poderia ser investido em um fundo. Um diplomata europeu de alto nível disse que a ideia também é coordenar e promover melhor os projetos de investimento já existentes.

“Não é como se os Estados do G7 não fossem já um grande investidor no mundo”, disse um diplomata. Mas, segundo ele, esta nova iniciativa não será apenas para investir em ferrovias, pontes e estradas, mas também para estabelecer fábricas onde, por exemplo, vacinas podem ser produzidas. Nenhuma decisão foi tomada com relação a quem irá administrar a iniciativa e de onde. “Muitos detalhes ainda não foram discutidos”, disse um diplomata da UE familiarizado com o assunto.

Ceticismo alemão

Do ponto de vista de Washington, a Alemanha é vista especialmente como um obstáculo, disse o eurodeputado alemão Reinhard Bütikofer. “O governo de Merkel é um dos obstáculos mais difíceis para o desenvolvimento das relações transatlânticas. No gabinete da chanceler, há muito ceticismo”, comentou.

Ele explicou que a chanceler alemã é cético em relação à posição dura de Biden sobre Pequim por causa dos fortes interesses econômicos da Alemanha no mercado chinês.

Merkel e Biden terão em breve uma chance de discutir estas questões, quando a chanceler alemã se tornar a primeira líder europeia de a visitar o novo presidente americano em Washington, no próximo mês.

Por Bernd Riegert, da Deutsche Welle

EUA anunciam doação de vacinas para Ásia, América Latina e África

EUA anunciam doação de vacinas para América Latina, África e Ásia

O presidente norte-americano, Joe Biden, anunciou hoje (3) que os Estados Unidos doarão quase 19 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 para o consórcio global de vacinas Covax Facility.

A proposta de Biden é de que estas doses sejam compartilhadas entre países do sul e do sudeste asiático (7 milhões); América Latina e Caribe (6 milhões) e da África (5 milhões). O Brasil é citado entre os mais de 14 países latino-americanos e caribenhos que dividirão, entre si, as 6 milhões de unidades que o consórcio deverá destinar às duas regiões.

Além das 19 milhões de doses, pouco mais de 6 milhões de unidades de imunizante serão fornecidas diretamente aos países com alto número de casos da doença e, nas palavras de Biden, “parceiros e vizinhos, incluindo Canadá, México, Índia e Coreia do Sul.”

As 25 milhões de doses da vacina fazem parte dos 80 milhões de imunizantes que, no mês passado, o presidente norte-americano anunciou que compartilharia com outros países até o fim de junho.

Países

As quase 19 milhões de doses que serão entregues ao consórcio Covax Facility serão compartilhadas da seguinte forma:

» Cerca de 6 milhões para os seguintes países das américas do Sul e Central: Brasil, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Peru, Equador, Paraguai, Bolívia, Guatemala, El Salvador, Honduras, Panamá, Haiti. República Dominicana e outros países da Comunidade do Caribe;

» Aproximadamente 7 milhões para os seguintes países asiáticos: Índia, Nepal, Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka, Afeganistão, Maldivas, Malásia, Filipinas, Vietnã, Indonésia, Tailândia, Laos, Papua Nova Guiné, Taiwan e Ilhas do Pacífico;

» Cerca de 5 milhões para países do continente africano que serão selecionados em coordenação com a União Africana.

Já as seis milhões de doses prometidas a países “prioritários e parceiros” serão direcionadas para o México, Canadá, Coreia do Sul, Cisjordânia, Gaza, Ucrânia, Kosovo, Haiti, Geórgia, Egito, Jordânia, Índia, Iraque e Iêmen, e também para imunizar trabalhadores da linha de frente da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segurança Global

“Reconhecemos que extinguir esta pandemia significa acabar com ela em todos os lugares. Enquanto o vírus [da covid-19] continuar se alastrando em qualquer outra parte do mundo, o povo americano seguirá vulnerável”, acrescentou Biden.

O presidente norte-americano lembrou que os Estados Unidos já transferiram mais de 4 milhões de doses de vacina para o Canadá e o México. E que seu governo apoia a renúncia temporária a direitos de propriedade intelectual no caso dos imunizantes como forma de acelerar a produção global de vacinas.

“Meu governo apoia os esforços de renúncia temporária aos direitos de propriedade intelectual para as vacinas contra a covid-19 porque, com o tempo, precisaremos de mais empresas as produzindo para que possamos compartilhá-las de forma equânime”, comentou Biden durante seu pronunciamento.

“A forte liderança norte-americana é essencial para acabarmos com esta pandemia e para fortalecermos a segurança global da saúde para o futuro – a fim de melhor prevenir, detetar e responder à próxima ameaça”, concluiu.

*Por Pedro Ivo de Oliveira da Agência Brasil