Feriadão: Guarujá segue com interdições nas praias e calçadões

Ações para conter a chegada de visitantes no Dia do Trabalho incluem gradis, fiscalização e carros de som com mensagens de alerta(Foto:Prefeitura de Guarujá)

Em mais um feriado prolongado, desta vez o do Dia do Trabalho, Guarujá manterá as restrições para acesso à Cidade, entre outras medidas de cautela, seguindo as normativas estabelecidas por decretos municipais para contenção da epidemia da Covid-19. As praias, por exemplo, seguem interditadas, bem como os calçadões das orlas.

Desde quinta-feira (30), as barreiras sanitárias, instaladas em sete pontos de acessos à Cidade estão com um efetivo de mais de 100 agentes da Guarda Civil Municipal e das diretorias municipais de Trânsito, de Transporte e de Força-Tarefa, órgãos ligados à Secretaria Municipal de Defesa e Convivência Social. A Polícia Militar também ajudará nesse patrulhamento.

“Por conta do isolamento social, indicado para conter a Covid-19, é esperado um fluxo cada vez menor de carros nas rodovias em direção à Cidade, mas, mesmo assim, estaremos preparados”, ressalta o secretário-adjunto de Defesa e Convivência Social, Carlos Smicelato.

As barreiras – que já atravessaram os feriados de Páscoa e Tiradentes, também – já impediram o acesso de 12.906 veículos que não atenderam aos critérios impostos desde o dia 22 de março, quando foram instaladas, até a última quarta-feira (29). Ao todo, são sete bloqueios, que funcionam 24 horas, montados na entrada da cidade e nas travessias de balsas de Santos e Bertioga.

Estão totalmente bloqueadas com estruturas de concreto (tipo New Jersey), a Rua Waldomiro Macário (acesso aos prédios da Dow Química), a Via Fassina (acesso ao Porto de Granéis e demais empresas) e a Avenida Tancredo Neves (acesso aos bairros Cachoeira, Vila Edna e Vila Zilda).

Há, ainda, bloqueios na Avenida Aurea Gonzáles Conde (acesso à Vicente de Carvalho), Rua Idalino Pines (Rua do Adubo – acesso exclusivo de caminhões e ao Porto), Avenida Vereador Lydio Martins Correa (acesso à Enseada e Morrinhos) e Avenida Santos Dumont (na entrada principal da Cidade). Há, também, barreiras do tipo nas saídas das travessias de balsas de Santos e Bertioga.

O acesso é livre para os veículos cujos ocupantes apresentem comprovante de residência no Município ou comprovem exercício de atividades essenciais como segurança pública, saúde e assistência social, além dos motoristas que estiverem transportando alimentos, combustíveis e outros insumos indispensáveis para o abastecimento local.

Calçadões
Também voltará a ser proibida a circulação de pessoas nos calçadões das orlas das praias. O decreto nº. 13.605, do  último dia 15 de abril, proíbe a permanência ou prática de caminhada, corrida e outras atividades físicas ou esportivas, bem como passeios com animais domésticos e de estimação aos finais de semana que coincidirem com feriados ou pontos facultativos, os chamados feriadões.

Gradis estão sendo reposicionados pela Prefeitura para impedir o acesso aos calçadões, a exemplo do que ocorreu no feriado de Tiradentes. Também a Guarda Civil Municipal (CGM) vai continuar mantendo o patrulhamento com quadriciclos e bikes e com viaturas em pontos estratégicos, por toda extensão das praias, a fim de coibir abusos.

Assim como os calçadões, está proibido o acesso à faixa de areia e ao mar, desde 21 de março. A GCM também mantém fiscalização ostensiva e já precisou encaminhar oito pessoas que insistiram em descumprir a regra ao Distrito Policial, para lavratura de termo circunstanciado. As ações são respaldadas pelo decreto municipal 13.568.

Carros de som com mensagens de alerta sobre os cuidados necessários para conter a pandemia também seguirão circulando nos bairros durante o feriadão.

Máscaras obrigatórias
Começa a valer no dia 2 de maio, um dia após o feriado, as determinações do decreto 13.618, que torna obrigatório o uso de máscaras em todos os ambientes compartilhados nos setores público e privado, além de meios de transporte público e por aplicativos, onde já havia a recomendação para tal.

Em hipótese de desrespeito às normas, há sanções que constam dos artigos 268 e 330 do Código Penal, que preveem detenção de 15 dias a um ano. No caso do transporte público de passageiros, podem ser punidos o titular da concessão ou permissão. No caso do transporte particular, a responsabilidade é do respectivo titular da autorização. Já nos ambientes compartilhados em setores público e particular, as punições recaem sobre a chefia imediata responsável ou ao proprietário, respectivamente.

Todas as medidas estão sendo adotadas de forma semelhante, conforme deliberação do Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista), nas nove cidades que compõem a Região.

Flexibilização do comércio
Também será intensificada a fiscalização aos comércios que estão autorizados a funcionar desde o decreto municipal nº. 13.610. É obrigação de todos os estabelecimentos providenciar máscaras de proteção para seus funcionários, bem como exigir dos consumidores o seu uso. Os clientes também deverão ter à disposição meios adequados para a higienização das mãos, com álcool em gel ou água e sabão, como preveem as normas sanitárias de combate à Covid-19.

Para organizar as filas externas, cada comércio fica obrigado a manter pelo menos um funcionário identificado na entrada, orientando para o respeito à distância mínima de dois metros entre as pessoas, antes da entrada nos estabelecimentos. Após a entrada, esse distanciamento mínimo deverá ser mantido nas filas internas dos caixas e balcões de atendimento, com o uso de fitas de isolamento ou marcação indicativa no chão.

Tráfego normal no feriadão em todas as rodovias do sistema Anchieta-Imigrantes

Principais rodovias paulistas não apresentam aumento no movimento em decorrência do Dia do Trabalho(Divulgação)

O movimento nas rodovias que ligam a Capital ao litoral e interior do Estado de São Paulo segue normal neste feriado de 1º de maio, Dia do Trabalho. A circulação de veículos está liberada em todas as estradas.

Por causa da pandemia da Covid-19, as concessionárias optaram por não divulgar a previsão de tráfego durante o feriado, como ocorre normalmente nessas datas. Painéis eletrônicos nas rodovias reforçam mensagem para evitar viagens no feriado, com frases incentivando quarentena.

A Ecovias informou que o tráfego flui normal em todas as rodovias do sistema Anchieta-Imigrantes, a operação em vigor é a 5×5. Para a descida, os motoristas utilizam as pistas sul da via Anchieta e sul da rodovia dos Imigrantes. Já a subida da serra é realizada pelas pistas norte das duas rodovias.

A rodovia Ayrton Senna, que apresentava lentidão em direção ao interior por excesso de veículos na noite de ontem (30), já tem tráfego livre em todo o corredor, segundo a Ecopistas.

Nos trechos administrados CCR AutoBan, concessionária que administra o sistema Anhanguera-Bandeirantes, a movimentação de veículos também está tranquila.

A CCR ViaOeste informa que o movimento de veículos está normal, nos dois sentidos, das rodovias Castelo Branco e Raposo Tavares.

Todas as pistas, em ambos os sentidos, da rodovia Presidente Dutra, seguem também com tráfego normal, segundo a CCR Nova Dutra.

Anvisa autoriza desembarque de navio em Santos

Porto de Santos (Arquivo/Sergio Furtado/Fotos Públicas)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou na noite de ontem (2) o atracamento e o desembarque de 54 tripulantes do navio de bandeira australiana Scenic Eclipse, no Porto de Santos. A embarcação estava há 26 dias sem parar em nenhum porto e não registrou casos de covid-19 a bordo. Antes da autorização, a Anvisa analisou os dados de saúde e as informações da equipe médica a bordo. Os tripulantes desembarcaram para voltar imediatamente aos seus países de origem.

O navio estava desde o dia 7 de março sem atracar em nenhum porto, ou seja, um período quase duas vezes maior que a quarentena recomendada de 14 dias. O último porto da embarcação foi em Buenos Aires. A embarcação chegou com 128 tripulantes a bordo e sem nenhum passageiro, pois não estava operando para viagens desde o início de março.

Costa Fascinosa

(Reprodução)

Também ontem, a Anvisa entrou novamente no navio Costa Fascinosa que permanece atracado em quarentena no terminal santista. Ele estava na área de fundeio do porto desde o dia 17 de março e atracou no terminal de passageiros no dia 28.  Até o momento nove tripulantes desceram por estarem com suspeita de covid-19 e por precisarem de atendimento hospitalar. Os dois últimos desembarcaram na quarta-feira (1). Os nove desembarcados testaram positivo para o novo coronavírus.

Durante a segunda inspeção pra verificar se o navio, que tem 755 tripulantes a bordo, está cumprindo as determinações sanitárias da Anvisa, os técnicos da agência verificaram algumas falhas no isolamento entre os passageiros, com a identificação de um tripulante com faringite aguda na área reservada para as pessoas sem sintomas.



“Além disso, a pessoa com sintomas estava localizada em uma cabine interna, do meio do corredor. A determinação da Anvisa é que os casos com sintomas sejam colocados em quartos com varanda e que não sejam autorizados a sair das cabines. Qualquer sintoma relacionado ao sistema respiratório deve ser colocado em isolamento na embarcação”, explicou a Anvisa por meio de nota.

Os técnicos da Anvisa também verificaram que alguns tripulantes não estavam respeitando o distanciamento mínimo de 2 metros que foi determinado. A situação foi verificada, por exemplo, na proximidade de tripulantes conversando entre uma varanda e outra.

Segundo a Anvisa, a Costa Cruzeiros, responsável pelo navio, está obrigada a apresentar todos os dias, até as 21h, os dados de saúde a bordo, a atualização do estado de saúde dos tripulantes internados e o registro de medição de temperatura de todos no navio, que deve ser feita duas vezes ao dia.

Quarentena recomeçou

A embarcação estava em quarentena desde o dia 19 de março. O prazo de 14 dias recomeçou novamente no dia 30 após o surgimento de casos sintomáticos a bordo. A contagem da quarentena recomeça a cada vez que um novo caso surge. Na prática, isso significa que o período de bloqueio da embarcação segue em vigor e não tem prazo definido para acabar. Conforme a legislação em vigor, o desembarque nestas condições é permitido somente em caso de necessidade de atendimento hospitalar.

Cooperação

A Costa Cruzeiros informou que está atuando em cooperação com a Anvisa para planejar o desembarque seguro dos tripulantes. “A companhia está trabalhando para garantir aos tripulantes o retorno aos seus destinos de origem. Todos os procedimentos de higiene e saneamento estão de acordo com as últimas diretrizes internacionais e visam preservar a saúde da tripulação. A condição de saúde está constantemente sendo monitorada pelo pessoal médico a bordo, em colaboração com as autoridades sanitárias brasileiras”, afirmou a Costa Cruzeiros.

Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil 

Santos removeu mais de 250 pessoas de áreas de risco

(Governo do Estado de SP/Reprodução)

Desde a madrugada da última segunda (2), mais de 250 pessoas foram convencidas pela Defesa Civil de Santos, no litoral de São Paulo, a deixarem os locais instáveis. Destas, 169 estão em abrigos municipais. O restante decidiu ir para casa de parentes.

Na manhã desta quarta foi realizado um sobrevoo nas regiões afetadas, o que contribuiu para ampliar o monitoramento da situação. Estiveram presentes técnicos e geólogos da Defesa Civil, entre outras autoridades.

As informações apuradas vão se somar às ações emergenciais que já estão em andamento, como remoção de resíduos de deslizamentos, como entulho, terra e vegetação. Também puderam ser avaliados pontos que precisam de intervenções e obras.



O coronel Alexandre Lucas, secretário nacional de Defesa Civil, esteve em Santos durante a tarde e recebeu do prefeito Paulo Alexandre Barbosa uma solicitação formal de recursos para obras de reconstrução de áreas afetadas em morros da Cidade. 

“Os desastres foram decorrentes de um fenômeno natural muito sério e logicamente nós temos que estar juntos com a Prefeitura e Governo do Estado para ajudarmos a recuperar as áreas assoladas pelo desastre”, disse o representante do governo  Federal.

*Com informações da Prefeitura de Santos

Marinha faz alerta de vento forte no litoral Paulista

A Marinha divulgou hoje (25) um alerta sobre a possibilidade de ventos fortes atingirem o litoral norte de Santa Catarina, toda a faixa litorânea do Paraná e parte do litoral paulista entre a manhã desta quarta-feira (26) e a madrugada desta quinta-feira (27).

Segundo o Centro de Hidrografia da Marinha, a formação de uma frente fria poderá provocar ventos de até 74 quilômetros por hora (o que equivalente a 40 nós). Os ventos de direção Sudoeste a Sul deverão atingir mais fortemente o trecho entre o litoral catarinense a partir de Laguna e Santos, no litoral paulista.

A Marinha alerta os navegantes para que não saiam com suas embarcações sem antes consultar os avisos de mau tempo divulgados em seu site e informações meteorológicas atualizadas.

Fenômeno

No domingo (23), banhistas registraram um fenômeno repentino que pegou de surpresa muita gente que aproveitava o carnaval nas praias paulistas. Em meio à ressaca que já tinha atingido parte do litoral paulista na véspera, a súbita elevação da maré provocou uma onda que alcançou os banhistas, arrastando a pertences pessoais e equipamentos de barracas de praia e de ambulantes, como cadeiras e guarda-sóis. Cenas semelhantes foram registradas em várias praias paulistas distantes umas das outras, como Maresias, no litoral norte, e Itanhaém, no litoral sul, onde shows musicais que ocorreriam na praia tiveram que ser cancelados.

Equipes de limpeza atuam para remover areia trazida pela maré alta (Marcelo Martins/Prefeitura de Santos)

Em Santos (SP), o volume de areia carregado pela força d´água forçou a prefeitura a destacar equipes da Secretaria de Serviços Públicos para limpar parte da calçada da orla e de algumas ruas próximas alcançadas pela maré alta, as galerias pluviais e para desassorear os canais de escoamento pelos quais a cidade é conhecida – na praia, alguns dos canais simplesmente desapareceram, encobertos pela areia.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Rio-Santos é liberada após deslizamento de terra

Interdição na região do Vale do Paraíba (Corpo de Bombeiros)

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) informou hoje (22) que a Rodovia Rio-Santos (SP-055) opera normalmente, sem locais de interdição. Todos os pontos de bloqueio causados pelo excesso de chuvas na sexta-feira (21) foram liberados.

A última interdição parcial da SP-055 (no km 152,5) foi encerrada por volta de 10h30 deste sábado (22), com o deslocamento da pedra que ocupava uma das faixas. O trabalho de desobstrução e limpeza da pista foi iniciado na noite de ontem (21).

As equipes trabalharam no local durante toda a madrugada. Durante esse período, houve interdição total da pista nos dois sentidos, seguindo para interdição parcial, conforme os trabalhos avançaram.

As viaturas das Unidades Básicas de Atendimento do DER permanecem em intenso monitoramento nas rodovias estaduais durante o Carnaval para assegurar viagens tranquilas aos motoristas.

Informações sobre as condições das rodovias administradas pelo DER poderão ser obtidas pelo Twitter @_viasder, pela página do Facebook @Vias DER e pelo telefone de emergência da Central de Operações e Informações: 0800-055-5510.\

*Com informações do Governo do Estado de SP

Bombeiros apagam incêndio no Porto de Santos

Bombeiros trabalharam durante mais de quatro horas no local
(Corpo de Bombeiros/Reprodução)


Um incêndio atingiu hoje (10) um terminal no Porto de Santos. Segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que administra o porto, o incêndio começou às 12h50 no Terminal Termares, situado na margem direita do porto. Não houve vítimas.

O fogo foi debelado por volta das 16h, mas o Corpo de Bombeiros informou que ainda trabalha no rescaldo. Segundo a Codesp, o acesso ao local também já foi liberado.

Para o controle do incêndio, foi necessário interditar o acesso pelo Portão 4 do Porto de Santos. De acordo com a Codesp, não houve, porém, interferências na Avenida Augusto Barata (conhecida como Reta da Alemoa), nem na Avenida Engenheiro Antonio Alves Freire.

Procurada pela Agência Brasil, a Ecoporto Santos, responsável pelo terminal, informou que o incêndio foi de pequenas proporções e ocorreu em sua área de almoxarifado, local sem cargas. Na nota, a Ecorporto Santos disse que não houve  vítimas e nem danos a terceiros.

Ouvidoria revela o batalhão da PM que mais mata no Estado

Por Eduardo Dias

Levantamento parcial da Ouvidoria das polícias analisou mortes entre janeiro e 26 de novembro


Fachada do 2º Baep, os batalhões ‘padrão Rota’, é o campeão de mortes de 2019, segundo levantamento da Ouvidoria (Governo do Estado de SP/Reprodução)


A Ouvidoria das Polícias divulgou a lista de batalhões que mais mataram civis entre janeiro e 26 de novembro deste ano. O resultado é parcial, já que o órgão aguarda as estatísticas de dezembro a serem divulgadas pela SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) no final do mês. 

Entre janeiro e outubro, 697 pessoas foram assassinadas por policiais militares e 18 por policiais civis. A Ouvidoria chegou a apurar 80% do total de mortes cometidas pela polícia. Em primeiro lugar está o Baep de Santos, no litoral sul paulista, responsável por 27 mortes. Os Baeps são batalhões que seguem o “padrão Rota” (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), uma referência à tropa mais letal da PM paulista. Em seguida, aparece o 28º BPM/M, localizado na zona leste de São Paulo. Confira lista:

“A região da baixada desde o ano passado é a primeira em letalidade fora da capital e grande São Paulo. É uma preocupação da Ouvidoria da Polícia desde 2018”, informou o ouvidor das polícias, Benedito Mariano.

No dia 8 de novembro, policiais deste batalhão promoveram uma chacina com quatro mortos no Dique do Caixeta, em São Vicente, cidade vizinha de Santos. Nos dias que se seguiram, o medo tomou conta da comunidade e os policiais ameaçaram testemunhas da matança: “Quem postar vídeo vai morrer”, disseram os PMs, segundo os moradores. 

A presença dos Baeps explodiu no primeiro ano do governo João Doria (PSDB). Em 11 meses de mandato, a gestão aumentou de 5 para 9 o número de Baeps presentes no estado, fazendo o número de municípios abrangidos por esses batalhões saltar de 117 para 382, como mostra reportagem da Ponte publicada nesta terça-feira (10/12).

Mariano afirmou à Ponte que a Rota é a tropa mais letal, mas que não está na lista por ter um contingente maior de policiais e uma área de atuação extensa. Por esse motivo, terá um relatório separado que deve ser divulgado no início do próximo ano, segundo o ouvidor. 

“A Ouvidoria vem propondo junto do governo centralizar na Corregedoria os IPMs relacionados as mortes de civis. Atualmente 97% dos casos são investigados pelos batalhões de área e apenas 3% pela Corregedoria. Os batalhões de área não têm a expertise de investigação da Corregedoria”. Em reportagem publicada na semana passada, que aponta o aumento de 9% das mortes cometidas pela PM sob o comando de João Doria, Benedito Mariano já destacava essa medida como fundamental para reduzir a letalidade policial. ” Estou absolutamente convencido de que é a melhor ação do ponto de vista da gestão administrativa da segurança pública”, pontuou.

Outro lado

Ponte questionou a SSP-SP sobre a lista e quais medidas têm sido tomadas para reduzir a letalidade policial e encaminhou o mesmo pedido à PM. Até a publicação da reportagem, não houve retorno.

*Esta reportagem foi publicada originalmente neste link: https://ponte.org/os-batalhoes-da-pm-que-mais-mataram-em-2019/

Ônibus tomba, mata adolescente e fere 12

(Prefeitura de São Sebastião/Reprodução)


Uma adolescente morreu e 12 pessoas ficaram feridas após o tombamento de um ônibus na Rodovia Rio-Santos, em São Sebastião, no litoral de São Paulo. Segundo o Corpo de Bombeiros, a morte da passageira foi confirmada por uma médica do SAMU.

Dos 12 feridos, dois estão em estado gravíssimo, sendo que uma das vítimas foi encaminhada para o Pronto Socorro Regional de Maresias e a segunda para São José dos Campos, por meio do helicóptero Águia da PM. O ônibus havia saído de Itanhaém, no litoral sul, com destino a Ilha Bela, onde participariam de uma partida de Rugby.

Ao todo, o veículo transportava 42 passageiros, a maioria adolescentes, com idade entre 13 e 18 anos. Ainda segundo os Bombeiros, 29 não se feriram.

As causas do acidente ainda estão sendo investigadas.

*Atualizado às 12h14

Vídeo: Policiais jogam pessoa na água após tiro

Por Arthur Stabile



Testemunhas flagraram o momento em que uma pessoa é jogada na água após disparo feito por policiais militares do Baep (Batalhões da Polícia Militar do Estado de São Paulo), que possui no interior e litoral do estado o padrão de atuação da Rota, considerada a tropa mais letal da policia paulista. O caso aconteceu em São Vicente, litoral paulista. Na ação, a PM matou quatro pessoas.

Nas imagens, um morador do Dique do Caxeta grava quando um PM aparece perto de um córrego e outro PM se aproxima e puxa conversa, apontando para os lados. É possível ouvir som de tiros. Na sequência, dois policiais aparecem no local e jogam uma pessoa na água. “Eles estão puxando o corpo do moleque. Ai, que agonia”, descreve a pessoa que filma a cena. “Nossa! Jogaram dentro da água o corpo dele”, segue, encerrando a gravação.

Segundo apurado pela Ponte com moradores de São Vicente, a ação do Baep resultou em quatro pessoas mortas. A descrição é de que a tropa entrou no local já atirando, sem dar chance para as pessoas nem sequer conversarem, como apontam. “Os meninos correram e eles [PMs] atiraram, já chegaram atirando”, explica uma pessoa, que pediu anonimato com medo de sofrer represálias.

O Dique do Caxeta é uma área da periferia no norte do município, distante 70 quilômetros da capital paulista. A região é formada por casas de alvenaria e outras de palafita, como as registradas nas imagens. Em contato com a Ponte, a Corregedoria da Polícia Militar confirmou a instauração de inquérito para investigar o que aconteceu no Dique e que os policiais envolvidos no caso foram afastados do serviço de rua, cumprindo trabalho administrativo no transcorrer da apuração e sem perda de salários. O setor de investigações de crimes cometidos por PMs confirmou a morte de quatro pessoas neste caso. 

A Ouvidoria das Polícias de São Paulo também solicitou acompanhamento das investigações. “Vou solicitar os laudos técnicos para analisar. Ocorrência grave”, classificou o ouvidor, Benedito Mariano. 

Para o professor da FGV (Faculdade Getúlio Vargas) e integrante do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) Rafael Alcadipani, as imagens demonstram uma ação inimaginável vinda da polícia militar. “É completamente inaceitável que em 2019 a gente veja policiais militares tendo uma ação desse tipo. Eu não estou conseguindo palavras, uma palavra para dizer o absurdo que é você ver policiais pegando o corpo de uma pessoa e jogando dentro de um lago”, define o especialista.

Segundo Alcadipani, o caso de São Vicente reflete uma falha de segurança pública. “Isso denota um problema grave de subcultura organizacional, a necessidade urgente de repensarmos a forma como estamos fazendo a gestão da segurança pública e a forma em que a sociedade aceita que esse tipo de coisa seja naturalizada, que as polícias aceitem que esse tipo de coisa aconteça e todos mundo aceita que algo assim seja feito”, diz.

Para o professor, cenas como essas são possíveis apenas pela existência desse um aval popular de que a polícia mate em serviço. “Do meu ponto de vista, isso existe porque há um consenso mudo que se cala e aceita que essas coisas aconteçam. É revoltante imaginar um agente do estado fazendo isso”, critica Rafael Alcadipani.

A polícia paulista aumentou sua letalidade em ação sob comando de João Doria (PSDB), que assumiu o posto de governador do estado em 1º de janeiro. Daquele mês até junho de 2019, as polícias foram responsáveis por 31% dos homicídios registrados no estado, o que representa 1 a cada 3 casos sendo protagonizado pela polícia, seja Civil ou Militar. 

Doria, por sua vez, não condenou o aumento da letalidade, seguindo a lógica de campanha de que, com ele, polícia levaria bandido “para a delegacia ou cemitério”. O governador homenageou PMs da Rota e do COE (Comandos e Ações Especiais) que atuaram em ação com a morte de 11 suspeitos de assalto a banco em Guararema, cidade na Grande São Paulo. Posteriormente, a Ouvidoria da Polícia apontou que ao menos quatro deles morreram sem reagir.

Ampliação do ‘Padrão Rota’

Desde a posse como governador paulista, em janeiro, Doria investiu na ampliação do Baep para todo o estado, com a promessa de 22 novas sedes. O Baep, como destacado por Doria, é conhecido por ser uma tropa de atuação no “padrão Rota” fora da capital paulista. A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) é considerada a tropa mais letal entre todas que formam a PM paulista, com histórico de sangue vindo desde a época da ditadura militar, conforme revelado pelo jornalista Caco Barcelos no livro “Rota 66”. 

Anteriormente, o estado possuía quatro unidades do batalhão, que ganhou mais seis desde janeiro: o 6º Baep, em São Bernardo do Campo, o 7º, sediado na capital, subordinado ao Comando de Policiamento de Área Metropolitana-1 (CPA/M-1); o 8º, em Presidente Prudente; o 9º, em São José do Rio Preto. Em 26 de agosto, mais dois batalhões foram inaugurados: o 10º, em Piracicaba, e o 11º, em Ribeirão Preto.

Momento em que PMs aparecem nas imagens e jogam a pessoa na água
(Ponte Jornalismo/Reprodução)

Em outubro, policiais do Baep localizado em São José do Rio Preto mataram dez pessoas em duas ações num intervalo de cinco dias. Nos dias 7 e 12 de outubro, com quatro e seis mortos, nesta ordem. No primeiro caso, a polícia descreve que quatro homens tentaram assaltar uma chácara a 11 quilômetros do centro da cidade. Todos morreram. Na segunda ação, seis homens foram mortos após denúncia anônima descrever que eles possuíam armas de grosso calibre em uma casa na região central da cidade. novamente, todos morreram e um policial foi ferido no peito, mas sem gravidade pois o colete à prova de balas bloqueou o disparo. Os policiais são investigados e suspeitos de executarem os suspeitos na primeira ocorrência. 

Posteriormente, a Ponte mostrou que policiais do Baep de São José do Rio Preto treinavam combate a inimigos em local com a inscrição “favela”, nas paredes. 

Para o coronel aposentado da PM paulista José Vicente da Silva Filho, é um “absurdo” o estado ter mais Baeps. Segundo ele, por tirar aproximadamente 5 mil policiais das ruas enquanto são treinados e pela possibilidade de mais mortes acontecerem. “O risco que sempre tem é o controle de letalidade. Tivemos um incremento de mortes [provocadas pela polícia] desse ano no Vale do Paraíba em relação ao ano passado. Mas é prematuro julgar que tem efeito da estruturação dos Baeps ou pelo conceito errado de emprego policial”, avalia Vicente.

Já Adilson Paes de Souza, também coronel reformado da PM e mestre em direitos humanos, considera que a fala de Doria sobre o “Padrão Rota” é um aval para a PM matar. “Não é de hoje que estão falando de ‘padrão Rota’ de policiamento. Na verdade, é passar mensagem de que se pode matar, que polícia presente na rua significa polícia que mata. Foi usado durante a campanha do Bolsodoria, ele usou isso muito”, pontua. “A Rota tem essa mística e fama de ser a tropa que mata, assim como o Bope no Rio de Janeiro. A Rota é o nosso Bope e vice-versa”, segue. 

Ponte questionou a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, administrada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), e a PM, comandada pelo coronel Marcelo Vieira Salles, sobre a cena em que os PMs jogam uma pessoa na água. Em nota, a pasta explica que “todas as circunstâncias relativas aos fatos são investigadas pela Delegacia de São Vicente e pela PM, que instaurou um inquérito policial militar com o acompanhamento da corregedoria da corporação. O referido vídeo foi anexado ao IPM (Inquérito Policial Militar) e os policiais envolvidos estão afastados do serviço operacional”, sustenta.

*Esta reportagem foi publicada originalmente neste link: https://ponte.org/em-video-pms-jogam-pessoa-na-agua-apos-tiro-em-sao-vicente-sp/