PGR quer investigar Bolsonaro no caso Covaxin

Em nova manifestação encaminhada à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), na manhã de hoje (2), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a abertura de inquérito para apurar os fatos narrados em uma notícia-crime por três senadores, que atribuíram ao presidente Jair Bolsonaro a suposta prática do crime de prevaricação no caso da vacina indiana Covaxin.

Na petição, o vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, indicou as diligências iniciais da investigação, entre as quais ouvir “os supostos autores do fato” e o compartilhamento de provas com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado.

A PGR solicitou a instauração de inquérito após ter pedido a Rosa Weber para que se aguardasse a conclusão dos trabalhos da CPI antes da abertura de qualquer apuração judicial. A ministra rejeitou o pedido sob o argumento de que o Ministério Público não poderia ser “espectador das ações dos Poderes da República”. Ontem (1º), ela determinou que a Procuradoria-Geral se manifestasse novamente sobre o caso.

Entenda o caso

A notícia-crime foi protocolada no STF pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Jorge Kajuru (Podemos-GO) e Fabio Contarato (Rede-ES) na última segunda-feira (28).

A iniciativa dos parlamentares foi tomada após o depoimento de Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, à CPI da Pandemia, na semana passada. Ele afirmou ter sofrido pressão incomum de seus superiores para finalizar a tramitação da compra da Covaxin, além de ter conhecimento de supostas irregularidades no processo.

Luis Miranda, deputado federal (DEM-DF) (Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

O servidor é irmão do deputado Luis Miranda (DEM-DF), a quem disse ter relatado o caso. À CPI, o parlamentar afirmou ter levado o relato do irmão até o presidente, em 20 de março, mas que nenhum providência teria sido tomada desde então. Para os senadores, é necessário investigar se houve crime de prevaricação.

Defesa

Em entrevista à imprensa, antes do depoimento dos irmãos Miranda à CPI, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, disse que a Polícia Federal seria informada sobre o conteúdo das denúncias e que investigaria o caso.

“[Primeiro] não houve favorecimento a ninguém, e esta é uma prática desse governo, não favorecer ninguém. Segundo, não houve sobrepreço. Tem gente que não sabe fazer conta. Terceiro, não houve compra alguma. Não há um centavo de dinheiro público que tenha sido dispendido do caixa do Tesouro Nacional ou pelo Ministério da Saúde”, disse. Na ocasião, Lorenzoni afirmou que um dos documentos apresentados por Luis Ricardo Miranda seria falso.

Nesta semana, o Ministério da Saúde informou que suspendeu temporariamente o contrato de compra da Covaxin. Em nota, a pasta justificou que a medida foi tomada por recomendação da Controladoria-Geral da União (CGU).

Por Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil 

À CPI, deputado implica líder do governo em escândalo de vacina

Ricardo Barros, deputado federal (PP-PR), ex-ministro da Saúde (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirmou nesta sexta-feira (25/06) que o presidente Jair Bolsonaro, ao ser informado por ele sobre suspeitas de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin, mencionou que o também deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, estaria envolvido no caso.

Em sessão marcada por insultos, interrupções e bate-bocas, Miranda foi ouvido pela CPI da Pandemia no Senado ao lado de seu irmão, o servidor Luis Ricardo Miranda, que é chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde.

Os dois foram convidados a depor após apontarem irregularidades na compra da vacina indiana contra a covid-19. O contrato da Covaxin foi firmado pelo governo federal com uma empresa intermediária, a Precisa Medicamentos, alvo da CPI e envolvida em casos de fraude.

Aos senadores, os irmãos confirmaram declarações que haviam feito anteriormente à imprensa de que denunciaram pessoalmente a Bolsonaro “indícios de corrupção” no contrato de compra do imunizante. Segundo eles, o alerta foi feito em 20 de março, cerca de um mês depois de o governo ter anunciado a aquisição de 20 milhões de doses da vacina.

Em reunião com os irmãos no Palácio da Alvorada, o presidente teria dito que encaminharia o caso à Polícia Federal (PF). O deputado Miranda disse que Bolsonaro “olhou em seus olhos” e demonstrou que entendeu a gravidade da situação – contudo, não houve registro de abertura de inquérito pela polícia sobre esse tema na época, e o negócio foi mantido pelo governo federal.

Segundo Miranda, o presidente teria mencionado o nome de um deputado que ele acreditava estar por trás do “rolo” da Covaxin. “Não me recordo do nome do parlamentar, mas ele até citou um nome para mim, dizendo: ‘Isso é coisa de fulano'”, disse o deputado.

Miranda insistiu por horas que não lembrava o nome citado pelo presidente. Chegou a chorar ao sugerir que não poderia revelar a identidade. Pressionado pelos membros da comissão e, finalmente, pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), ele cedeu: “Todo mundo sabe o nome que o presidente falou: Ricardo Barros.”

Em suas redes sociais, Barros negou que tenha participado de qualquer negociação relacionada à compra da Covaxin. “Não sou esse parlamentar citado. A investigação provará isso”, escreveu o deputado.

Hoje líder do governo na Câmara, Barros foi ministro da Saúde no governo Michel Temer e tem seu nome envolvido em uma série de polêmicas.

Uma emenda assinada por ele inclusive ajudou diretamente na compra da Covaxin pelo governo, ao incluir a autoridade sanitária da Índia na lista de entidades cuja aprovação bastaria para que a Anvisa autorizasse a importação de vacina, insumo ou medicamento para a covid-19.

Em discurso em abril, Barros cobrou abertamente mais agilidade da Anvisa para autorizar o uso de vacinas como a Covaxin e a Sputnik V. “Muitos bilhões de reais foram disponibilizados para o combate à covid, vacinas compradas, contratadas, ainda com poucas vacinas autorizadas pela Anvisa e, portanto, atrasando o nosso cronograma de vacinação. Mas o governo fez e assinou os contratos.”

Na sessão desta sexta-feira, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que Barros, enquanto ministro da Saúde, foi quem nomeou a servidora Regina Célia Silva Oliveira à pasta. Ela é a fiscal do contrato de compra da Covaxin firmado entre o ministério e a Precisa, e foi citada diversas vezes pelos irmãos Miranda no depoimento. Barros negou ter indicado a funcionária. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), pediu que Regina Célia seja convocada à comissão.

Além disso, em dezembro de 2018, ainda no governo Temer, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou uma ação de improbidade administrativa contra Barros, então ministro da Saúde, e contra a empresa Global Gestão de Saúde pelo pagamento antecipado de R$ 20 milhões por medicamentos que não haviam sido entregues. O processo ainda não foi encerrado.

A Global é parceira da Precisa Medicamentos, que intermediou a compra da Covaxin pelo Brasil. Ambas as companhias têm como sócio Francisco Emerson Maximiano. O empresário é alvo da CPI e já teve seus sigilos telefônico, fiscal e bancário quebrados pela comissão. Ele deve depor na próxima quinta-feira, 1º de julho.

Propina

À CPI, o servidor concursado Luis Ricardo Miranda, que trabalha há mais de dez anos no ministério, declarou ainda que foi informado por um colega de trabalho que alguns gestores do Ministério da Saúde estariam recebendo propina por vacinas, sem se referir especificamente à Covaxin. O caso é relatado em uma troca de mensagens entre os irmãos no dia 20 de março.

“Aquele rapaz que me procurou dizendo que tem vacina. Disse que não assinaram porque os caras cobraram dele propinas para assinar o contrato. Vou perguntar se ele tem provas”, teria escrito Luis Ricardo ao irmão deputado, segundo uma conversa exibida à comissão.

Questionado pelo presidente da CPI, o funcionário do ministério disse que o colega em questão se chama Rodrigo e é um servidor terceirizado da pasta.

“O ministério estava sem vacina. E um colega, Rodrigo, servidor, disse que um rapaz vendia vacina. E esse rapaz disse que alguns gestores estavam recebendo propina. Ele não disse nomes”, afirmou Luis Ricardo aos senadores, sem mencionar o sobrenome do colega.

Randolfe Rodrigues, vice-presidente da comissão, disse que o colegiado deverá convocar o servidor Rodrigo a depor na CPI para explicar a questão da propina.

Alertas a Bolsonaro sobre a Covaxin

Em relação à Covaxin, o servidor Luis Ricardo reiterou que sofreu pressão incomum dentro do Ministério da Saúde para apressar o processo de importação das doses da vacina indiana. Ele afirmou que recebeu uma série de mensagens e ligações questionando sobre o caso, inclusive à noite e aos fins de semana, fora do expediente.

À CPI, o funcionário disse ter contado a Bolsonaro que foi pressionado por três superiores, mencionando os nomes de Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde; tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde; e coronel Marcelo Bento Pires, ex-diretor de Programa da pasta.

Os irmãos mostraram aos senadores uma série de mensagens e áudios em aplicativos de conversa para detalhar a linha do tempo do caso e mostrar a pressão sofrida por Luis Ricardo.

Em um áudio reproduzido durante a sessão, datado de 20 de março, Miranda teria ainda reforçado o alerta sobre a pressão atípica sofrida por seu irmão a um dos auxiliares de Bolsonaro, Diniz Coelho. Na mensagem de voz, ele reitera sua estranheza com as “cobranças” por parte dos superiores de Luis Ricardo, inclusive em horários além do expediente.

“Olha aí, o diretor cobrando meu irmão a essa hora da noite sobre a LI [licença de importação] da outra vacina, da vacina que eu fui despachar com ele. Mostra para o presidente isso daí, cara, manda para ele. A essa hora…. Cobrando uma LI que não tem o que fazer, tão desesperados que eles estão por essa outra. Todas as demais, inclusive a que está chegando amanhã, ninguém está preocupado, é só nesse contrato específico”, afirma Miranda no áudio.

Em outra troca de mensagens exibida aos senadores, Miranda teria enviado a Diniz um documento referente à compra da vacina com alguns detalhes circulados em verde que ele diz considerar irregularidades. “Pelo amor de Deus, Diniz… isso é muito sério! Meu irmão quer saber do PR [presidente da República] como agir”, afirma o deputado em 22 de março.

À CPI, Miranda disse ainda que informou o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre ter repassado uma denúncia de irregularidade para Bolsonaro, mas que não detalhou o caso com o titular da pasta. Pazuello teria respondido afirmando haver uma série de denúncias.

“Expliquei para Pazuello de forma resumida. Ele olhou com cara de descontentamento e disse que não duraria mais uma semana, que seria exonerado. Ele disse que por não compactuar com determinadas situações é que seria exonerado”, afirmou o deputado. Pazuello foi exonerado do cargo em 23 de março.

Diferentes “invoices”

O servidor Luis Ricardo detalhou também que recebeu pelo menos três versões de “invoices” (nota fiscal emitida pelo fornecedor ao importador) relacionadas à compra da Covaxin. A primeira versão, recebida em 18 de março, veio com “erros primários”, segundo Luis Ricardo.

Em mensagem de áudio enviada ao irmão e reproduzida à CPI, o servidor chama atenção para alguns detalhes que considerou suspeitos, como o fato de a nota fiscal pedir o pagamento adiantado de R$ 45 milhões pelas vacinas e de constar no documento um número de doses diferente do que o acertado no contrato assinado pelo Ministério da Saúde, entre outros pontos.

“Tinha falhas na ‘invoice’ e encaminhamos todas essas falhas para o fiscal do contrato, que é o responsável pela execução, para dar o ‘de acordo’ ou não para a continuidade do processo”, disse Luis Ricardo aos senadores.

Segundo ele, os erros foram parcialmente corrigidos na segunda versão, mas ainda constava o pedido de pagamento adiantado. A terceira e última versão foi enviada em 23 de março e, no dia seguinte, foi autorizada a licença de importação da vacina.

O servidor disse que não é incomum que “invoices” contenham erros, mas afirmou que, em seus mais de dez anos no ministério, nunca recebeu uma nota fiscal desse tipo com tantas falhas.

O caso Covaxin

A compra da Covaxin foi anunciada pelo governo brasileiro em 26 de fevereiro envolvendo o fornecimento de 20 milhões de doses no valor total de R$ 1,6 bilhão. O montante já está empenhado (reservado para pagamento) pelo Ministério da Saúde, mas não foi usado. As doses deveriam ser entregues entre março e maio, mas, até esta sexta-feira, nenhuma chegou ao país, devido a restrições da Anvisa e outros problemas.

Cada dose da Covaxin sairia por 15 dólares, o que faz dela a vacina mais cara negociada pelo Brasil até o momento. As doses da vacina da Pfizer-Biontech foram compradas por 10 a 12 dólares, as da AstraZeneca, na faixa de 3 a 5 dólares, e as da Janssen, por 10 dólares. As da Coronavac custaram R$ 58,20 por dose, equivalente no câmbio desta sexta-feira a cerca de 12 dólares.

O valor pago pela Covaxin está sob análise das autoridades. Um telegrama da embaixada brasileira na Índia enviado ao Itamaraty no ano passado, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, informava que o imunizante teria preço estimado de 1,34 dólar por dose.

O preço do contrato brasileiro, porém, está dentro da faixa de valores divulgada pela própria fabricante Bharat Biotech no Twitter em 24 de abril. No comunicado, o laboratório informou que praticaria preços diferentes para o mercado interno e para exportação.

Ministério Público apura

A Procuradoria da República no Distrito Federal instaurou em abril um inquérito civil público para apurar a prática de improbidade administrativa na compra da Covaxin relacionado ao governo ter autorizado o empenho do valor antes de receber as doses, a cláusulas consideradas benevolentes no contrato e à falta de punição após a não entrega das doses no prazo.

Em 16 de junho, após terem aparecido indícios de crimes, a procuradora Luciana Loureiro Oliveira, que conduz o inquérito na esfera cível, enviou partes do processo para serem apurados também na esfera criminal. O MPF entendeu que não havia justificativa para a “temeridade do risco” assumido pela pasta com a negociação da Covaxin, “a não ser para atender a interesses divorciados do interesse público”.

Pesou para essa decisão o depoimento do servidor Luis Ricardo Miranda ao Ministério Público, no qual ele já havia relatado uma pressão incomum para acelerar a importação das doses da Covaxin e pedidos para que a Anvisa abrisse uma exceção para o caso.

Um relatório técnico produzido pelo Tribunal de Contas da União também aponta “possíveis impropriedades” no processo de aquisição das doses da Covaxin, como falta de negociação sobre preço e de avaliação dos riscos de não cumprimento do contrato.

Por Deutsche Welle
ek (DW, ots)

Covaxin: Bolsonaro mandou PF investigar deputado Luís Miranda e irmão, diz Onyx

Luis Miranda, deputado federal (DEM-DF) (Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta quarta (23) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) solicitou investigações sobre as declarações do deputado Luís Miranda (DEM-DF) acerca da compra da vacina Covaxin. 

Segundo Onyx, que apresentou as informações em coletiva de imprensa, Miranda e seu irmão, um servidor do Ministério da Saúde, também serão investigados por “denunciação caluniosa, fraude processual e prevaricação”. A coletiva não foi aberta para perguntas dos jornalistas. 

“O governo tomará medidas. O senhor presidente da República determinou ao ministro-chefe da Casa Civil que a Polícia Federal abra uma investigação sobre as declarações do deputado Luís Miranda, sobre as atividades do seu irmão, servidor público do Ministério da Saúde e sobre todas essas circunstâncias expostas no dia de hoje”, afirmou Lorenzoni. 

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo na última terça (22), o deputado disse que comunicou Bolsonaro sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra do imunizante produzido pelo laboratório Baraht Biotech. Ele reafirmou as alegações e disse ter “provas contundentes” da alegação em entrevista à CNN Brasil nesta quarta (23). Miranda será ouvido pela CPI da Covid na próxima sexta-feira. 

Na coletiva, Lorenzoni negou irregularidades: “Sobre as acusações assacadas hoje contra o presidente da República, quero dizer três coisas importantes: não houve favorecimento a ninguém, porque essa é a prática desse governo; não houve sobrepreço – tem gente que não sabe fazer conta; não houve compra alguma”. 

Onyx também dirigiu-se ao deputado durante a coletiva: “Deputado Luís Miranda, Deus está vendo. Mas o senhor não vai só se entender com Deus, vai se entender com a gente também. E tem mais: o senhor vai explicar e o senhor vai pagar pela irresponsabilidade, pelo mau-caratismo, pela má-fé, pela denunciação caluniosa, pela denunciação de provas falsas”. 

O deputado federal é irmão do servidor Luis Ricardo Fernandes Miranda. Segundo o parlamentar, seu irmão sofreu pressão no ministério para dar andamento à importação do imunizante. O contrato foi firmado pelo valor de R$1,6 bilhão, com cada dose no valor de U$15, preço mais elevado em relação a outras vacinas em negociação. 

A Procuradoria da República no DF afirma que a compra da Covaxin foi intermediada pela Precisa Medicamentos, empresa que representa o laboratório indiano no Brasil. Após os 70 dias de prazo para execução do contrato, a Precisa não entregou nenhum dos lotes de 4 milhões de doses. Não houve registro para importação para uso emergencial do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Por TV Cultura

Deputado diz que alertou Bolsonaro sobre compra suspeita da Covaxin

(Carolina Antunes/PR)

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), aliado do governo de Jair Bolsonaro, disse ter informado o presidente sobre as suspeitas de irregularidades envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde. O contrato é alvo da Procuradoria e da CPI da Pandemia.

Em entrevista à imprensa brasileira nesta quarta-feira (23/06), o parlamentar de primeiro mandato que foi eleito na onda conservadora de 2018 afirmou que o alerta foi feito em um encontro com Bolsonaro em março, cerca de um mês após o acordo ter sido assinado. “No dia 20 de março fui pessoalmente, com o servidor da Saúde que é meu irmão, e levamos toda a documentação para ele”, disse Miranda ao jornal Folha de S. Paulo.

O irmão do deputado é Luis Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde. Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o servidor relatou que houve uma pressão atípica da cúpula da pasta para liberar a importação da Covaxin. Os dois irmãos serão ouvidos pela CPI da Pandemia nesta sexta-feira, 25 de junho.

“Não era só uma pressão que meu irmão recebia. Tinha indícios claros de corrupção”, disse o deputado à Folha. Ao jornal Estadão, ele confirmou que levou ao encontro com Bolsonaro documentos que apontavam as irregularidades.

“Quando eu levo para o presidente a informação, não só levo a informação, como levo documentos, o contrato e a invoice [fatura] emitida naquela semana, paga, de uma vacina que não possuía [autorização da] Anvisa, que não estava no nome do contratado e nem no do intermediário do contratado. Uma pressão, inclusive, dos chefes do meu irmão, para que ele cumprisse com aqueles documentos, para que ele importasse, algo que qualquer empresa, não só o governo, jamais faria. Estava desconforme. Escancarado ali uma ilegalidade”, disse Miranda.

Segundo ele, Bolsonaro então prometeu levar o caso à Polícia Federal (PF), porque teria entendido a “gravidade” da denúncia. Miranda disse, contudo, não ter recebido qualquer retorno do presidente ou da PF. Aliado do governo, ele também evitou afirmar se Bolsonaro agiu de má-fé. “Levei [as suspeitas] para ele porque confio nele. Espero que ele tenha feito alguma coisa.”

O encontro em 20 de março, um sábado, não consta na agenda oficial do presidente. No mesmo dia, Miranda publicou no Instagram uma foto ao lado de Bolsonaro afirmando que os dois “trataram dos assuntos que são importantes para o Brasil”, sem mencionar temas ligados à pandemia.

Nesta quarta-feira, a cúpula da CPI da Pandemia afirmou ter acionado a Polícia Federal para saber se Bolsonaro levou o caso à corporação para ser investigado.

“Acabei de pedir para o delegado da PF que peça ao diretor-geral para saber se houve inquérito para investigar essa questão da Covaxin. Se o presidente foi avisado pelo servidor e tomou providências, ótimo. Se não tomou, é preocupante”, disse o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM).

Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-diretor da PF Rolando Alexandre de Souza afirmou que não lembra se Bolsonaro lhe pediu uma investigação sobre a compra da vacina indiana. A Polícia Federal, por sua vez, disse que não faz comentários sobre possíveis investigações.

O governo federal reagiu às declarações nesta quarta-feira. Segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, a gestão Bolsonaro acionará a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) para que investiguem os irmãos Miranda.

“O senhor presidente da República determinou ao ministro-chefe da Casa Civil que a Polícia Federal abra uma investigação sobre as declarações do deputado Luis Miranda, sobre as atividades do seu irmão, servidor público do Ministério da Saúde, e sobre todas essas circunstâncias expostas no dia de hoje”, afirmou Onyx.

O caso Covaxin

O MPF identificou indícios de crime no contrato de compra da Covaxin, firmado entre o Ministério da Saúde e a empresa Precisa Medicamentos em fevereiro. Com isso, o órgão pediu que o caso seja transferido para a esfera criminal – até então, ele vinha sendo investigado no âmbito de um inquérito civil público.

O despacho foi feito em 16 de junho pela procuradora Luciana Loureiro Oliveira, que conduz o inquérito na esfera cível, e revelado nesta terça-feira pela imprensa brasileira.

O contrato previa a compra de 20 milhões de doses da vacina desenvolvida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech para combater a covid-19. O acordo totalizou R$ 1,6 bilhão e foi fechado antes mesmo da publicação de todos os estudos sobre a eficácia do imunizante.

Diferentemente de como ocorreu com a compra de outras vacinas, o acordo não foi negociado diretamente com o fabricante. No Brasil, a compra da Covaxin foi intermediada pela empresa Precisa Medicamentos, que é alvo da CPI da Pandemia no Senado e já havia sido envolvida em outro caso de fraude referente à venda de testes rápidos para covid-19.

O jornal Estadão revelou, a partir de documentos do Ministério das Relações Exteriores, que o governo federal comprou a Covaxin por um preço 1.000% mais caro do que o fabricante havia estimado seis meses antes.

Com base em um telegrama sigiloso da embaixada brasileira em Nova Délhi em agosto do ano passado, ao qual teve acesso, o jornal destacou que o imunizante indiano tinha o preço estimado em 100 rúpias (1,34 dólar). Mas, em fevereiro deste ano, o Brasil pagou 15 dólares por dose. Essa foi a mais cara das vacinas compradas até agora pelo país. Paralelamente ao negócio com os indianos, o governo desprezou ofertas de outros laboratórios, como a Pfizer, que ofereciam vacinas mais baratas.

Na mira da CPI

O caso Covaxin acabou entrando na mira da CPI da Pandemia no Senado. A comissão busca agora mais detalhes sobre a compra e apura se houve pressão do governo federal para agilizar a aquisição da vacina, bem como se Bolsonaro intercedeu pessoalmente para apressar o processo.

Nesta quarta-feira, a CPI aprovou o requerimento de convite para que o servidor Luis Ricardo Miranda preste depoimento aos senadores e explique a “pressão anormal” que diz ter sofrido de seus superiores no Ministério da Saúde. Ele e seu irmão serão ouvidos na sexta-feira.

Os senadores também aprovaram a convocação (quando a presença é obrigatória) do tenente-coronel Alex Lial Marinho, que foi coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos para Saúde e aliado próximo do ex-ministro Eduardo Pazuello. Segundo o servidor Miranda, parte da pressão que sofreu partiu de Lial Marinho. A CPI aprovou ainda a quebra de sigilo telefônico, telemático, fiscal e bancário do tenente-coronel.

Também deve depor à comissão o empresário Francisco Emerson Maximiano, um dos sócios da empresa Precisa Medicamentos, que intermediou a compra da Covaxin pelo Brasil. O depoimento dele aos senadores estava marcado para esta quarta-feira, mas o empresário enviou um ofício à comissão afirmando que não poderá comparecer pois chegou recentemente da Índia e está cumprindo a quarentena obrigatória de 14 dias.

Por Deutsche Welle
ek (ots)

Reta final de ‘O Mistério de Irma Vap’ em São Paulo

Mateus Solano e Luis Mirada, em ‘O mistério de Irmã Vap’, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo (Priscila Prade/Divulgação)

Público tem até o dia 16 de junho para conferir a comédia besteirol ‘O Mistério de Irma Vap’, com Luis Miranda e Mateus Solano, em nova leitura realizada pelo diretor e encenador Jorge Farjalla. A montagem, que já foi vista por 12 mil pessoas desde a sua estreia em abril, está em cartaz no Teatro Porto Seguro, com sessões sexta-feira às 21h, aos sábados às 18h e 21h, e aos domingos às 16h e 19h.

A trama original de Charles Ludlam se passa em um lugar remoto da Inglaterra e conta a história de Lady Enid, a nova esposa do excêntrico Lord Edgar. Ela tem que se adaptar a viver em uma mansão mal-assombrada pelo fantasma da primeira esposa de seu marido, Irma Vap – lugar onde o filho do casal foi morto por um lobisomem.

Trecho do espetáculo ‘O Mistério de Irma Vap’ (Priscila Prade/Divulgação)

Na casa, há uma governanta, que assume a posição de rival da recém-chegada. Para retomar o amor de seu marido, Lady Enid come o pão que o diabo amassou e pratica peripécias divertidas. Em cena, dois atores interpretam os vários personagens, entre humanos e assombrações.

O texto foi montado pela primeira vez em 1984 em um pequeno teatro em Greenwich Village, em Nova York, nos Estados Unidos, pela companhia Ridiculous Theatrical Company, do próprio Charles Ludlam. Ele fez uma paródia dos clássicos e inspirou-se em um gênero da Inglaterra Vitoriana chamado “penny dreadful” (que pode ser traduzido como terror a tostão) para criar um novo tipo de comédias, o melodrama vitoriano.

Diferente da história original, a nova versão será situada em um trem fantasma de um parque de diversões macabro. “Usamos como referência os filmes de terror, como Pague para Entrar, Reze para Sair, de Tobe Hooper; Rebecca, de Alfred  Hitchcock e a estética dos anos 80. Mergulhamos também no universo do videoclipe de Thriller, de Michael Jackson, que foi dirigido pelo cineasta John Landis, uma referência do que é um filme de horror. Além disso, a obra também tem várias citações de Shakespeare, principalmente de Hamlet. Estamos desfragmentando todas as camadas do texto para ver o que está por trás dele e ressignificar a obra”, revela o diretor e encenador Jorge Farjalla.

A primeira e icônica montagem brasileira do texto, com direção da saudosa atriz Marília Pêra e atuação de Ney Latorraca e Marco Nanini, estreou em 1986 e ficou em cartaz durante 11 anos consecutivos, o que garantiu ao texto o registro no livro Guiness World Records. A peça ficou marcada na história do teatro por uma espécie de gincana de troca de figurinos por Nanini e Latorraca.

Mateus Solano e Luis Miranda durante a peça (Priscila Prade/Divulgação)

O novo espetáculo, ainda segundo o diretor, tem a proposta de expor aos olhos do público essa troca de roupas e enfatizar ainda mais o texto e o trabalho do ator. “Vamos teatralizar a troca de roupas. Eu quero mostrar para o espectador o teatro como uma grande ilusão e o ator como um grande mago, que pode criar tudo na frente do público e fazê-lo acreditar naquela situação. Quero que a plateia sinta o trabalho do ator e como eles vão dividir esses personagens em um jogo de espelhos. O próprio texto de Ludlam sugere o jogo teatral e tentamos enfatizar ao máximo a questão dos atores como um duplo”, comenta.

Essa encenação ousada só é possível graças ao talento de Luis Miranda e Mateus Solano. “Os dois são de uma genialidade, uma elegância artística. Começamos o processo cedo e eles já estão com outro entendimento do texto. Eles têm juntos uma energia maravilhosa. Estou muito grato por tê-los comigo e por partilhar algo tão sagrado para mim, que é o fazer teatral”, acrescenta.

Serviço

O Mistério de Irma Vap, de Charles Ludlam

  • Até 16 de junho no Teatro Porto Seguro
  • Horários: Às sextas-feiras, às 21h, aos sábados, às 18h e 21h, e aos domingos, às 16h e 19h. 
  • Ingressos: Plateia: R$ 150 / Frisas: R$ 100 e / Balcão R$80.
  • Classificação:  12 anos.
  • Duração: 100 minutos.
  • Gênero: Comédia.
  • TEATRO PORTO SEGURO
    Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo. 
  • Telefone (11) 3226.7300.
  • Capacidade: 484 lugares.

Mateus Solano e Luis Miranda: ‘O mistério de Irmã Vap’ estreia hoje

Mateus Solano e Luis Mirada, em ‘O mistério de Irmã Vap’, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo (Priscila Prade/Divulgação)

A comédia besteirol ‘O Mistério de Irma Vap’, de Charles Ludlam, ganha uma nova leitura pelo diretor e encenador Jorge Farjalla. E quem dá vida aos hilários personagens da peça são os atores Luis Miranda e Mateus Solano.

O espetáculo estreia hoje (12) em São Paulo, no Teatro Porto Seguro, e cumpre temporada até 16 de junho, com sessões sexta-feira às 21h, aos sábados às 18h e 21h, e aos domingos às 16h e 19h.

Produção e realização da TeTo Cultura e Bricabraque Produções.

A trama original se passa em um lugar remoto da Inglaterra e conta a história de Lady Enid, a nova esposa do excêntrico Lord Edgar. Ela tem que se adaptar a viver em uma mansão mal-assombrada pelo fantasma da primeira esposa de seu marido, Irma Vap – lugar onde o filho do casal foi morto por um lobisomem.

Na casa, há uma governanta, que assume a posição de rival da recém-chegada. Para retomar o amor de seu marido, Lady Enid come o pão que o diabo amassou e pratica peripécias divertidas. Em cena, dois atores interpretam os vários personagens, entre humanos e assombrações.

O texto foi montado pela primeira vez em 1984 em um pequeno teatro em Greenwich Village, em Nova York, nos Estados Unidos, pela companhia Ridiculous Theatrical Company, do próprio Charles Ludlam. Ele fez uma paródia dos clássicos e inspirou-se em um gênero da Inglaterra Vitoriana chamado “penny dreadful” (que pode ser traduzido como terror a tostão) para criar um novo tipo de comédias, o melodrama vitoriano.

Diferente da história original, a nova versão será situada em um trem fantasma de um parque de diversões macabro.

“Usamos como referência os filmes de terror, como Pague para Entrar, Reze para Sair, de Tobe Hooper; Rebecca, de Alfred  Hitchcock e a estética dos anos 80. Mergulhamos também no universo do videoclipe de Thriller, de Michael Jackson, que foi dirigido pelo cineasta John Landis, uma referência do que é um filme de horror. Além disso, a obra também tem várias citações de Shakespeare, principalmente de Hamlet. Estamos desfragmentando todas as camadas do texto para ver o que está por trás dele e ressignificar a obra”, revela o diretor e encenador Jorge Farjalla.

A primeira e icônica montagem brasileira do texto, com direção da saudosa atriz Marília Pêra e atuação de Ney Latorraca e Marco Nanini, estreou em 1986 e ficou em cartaz durante 11 anos consecutivos, o que garantiu ao texto o registro no livro Guiness World Records. A peça ficou marcada na história do teatro por uma espécie de gincana de troca de figurinos por Nanini e Latorraca.

O novo espetáculo, ainda segundo o diretor, tem a proposta de expor aos olhos do público essa troca de roupas e enfatizar ainda mais o texto e o trabalho do ator.

“Vamos teatralizar a troca de roupas. Eu quero mostrar para o espectador o teatro como uma grande ilusão e o ator como um grande mago, que pode criar tudo na frente do público e fazê-lo acreditar naquela situação. Quero que a plateia sinta o trabalho do ator e como eles vão dividir esses personagens em um jogo de espelhos. O próprio texto de Ludlam sugere o jogo teatral e tentamos enfatizar ao máximo a questão dos atores como um duplo”, comenta.

Essa encenação ousada só é possível graças ao talento de Luis Miranda e Mateus Solano.

“Os dois são de uma genialidade, uma elegância artística. Começamos o processo cedo e eles já estão com outro entendimento do texto. Eles têm juntos uma energia maravilhosa. Estou muito grato por tê-los comigo e por partilhar algo tão sagrado para mim, que é o fazer teatral”, acrescenta.

Ficha Técnica

Texto: Charles Ludlam. Idealização: Andrea Francez. Direção, encenação e dramaturgia: Jorge Farjalla. Elenco: Luis Miranda, Mateus Solano, Fagundes Emanuel, Greco Trevisan, Kauan Scaldelai e Thomas Marcondes. Traducão: Simone Zucato. Assistente de direção: Raphaela Tafuri. Direção de Produção: Priscila Prade e Marco Griesi. Produção executiva: Daniella Griesi e Fernando Trauer. Direção Musical: Gilson Fukushima. Cenografia: Marco Lima. Iluminação: Cesar Pivetti. Figurinos: Karen Brusttolin. Fotografia: Priscila Prade. Comunicação Visual: Kelson Spalato e Murilo Lima. Redes Sociais: Tiago Cunha e Felipe Gonçalves: Mídia: Caio de Jesus. Assessoria Jurídica: Francez e Alonso Advogados. Produção de Elenco: Marcela Altberg. Realização: BricaBraque e TeTo Cultura.

O mistério da irmã Vap

  • De 12 de abril a 16 de junho no Teatro Porto Seguro
  • Às sextas-feiras, às 21h, aos sábados, às 18h e 21h, e aos domingos, às 16h e 19h.
  • Ingressos: Plateia: R$ 150 / Frisas: R$ 100 e / Balcão R$80.
  • Classificação:  12 anos.
  • Duração: 100 minutos.
  • Gênero: Comédia.

Teatro

  • Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos – São Paulo.
  • Telefone (11) 3226.7300.
  • Capacidade: 484 lugares.
  • Formas de pagamento: Cartão de crédito e débito (Visa, Mastercard, Elo e Diners).
  • Acessibilidade: 10 lugares para cadeirantes e 5 cadeiras para obesos.
  • Estacionamento no local: Estapar R$ 20,00 (self parking) – Clientes Porto Seguro têm 50% de desconto.
  • Serviço de Vans: TRANSPORTE GRATUITO ESTAÇÃO LUZ – TEATRO PORTO SEGURO – ESTAÇÃO LUZ. O Teatro Porto Seguro oferece vans gratuitas da Estação Luz até as dependências do Teatro. COMO PEGAR: Na Estação Luz, na saída Rua José Paulino/Praça da Luz/Pinacoteca, vans personalizadas passam em frente ao local indicado para pegar os espectadores. Para mais informações, contate a equipe do Teatro Porto Seguro.
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