Lula defende novo Bolsa Família de R$ 600: ‘Povo merece’

Lula lidera corrida presidencial para 2022

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (20) que o Auxílio Brasil, programa que vai substituir o Bolsa Família, seja de R$ 600. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) propõe que o valor do benefício seja de R$ 400.

Em entrevista à rádio A Tarde, de Salvador, Lula se referiu ao novo programa como “auxílio emergencial”, mas o que está sendo tratado neste momento pelo governo é o valor do Auxílio Brasil.

“Tô vendo agora o Bolsonaro dizendo que vai dar auxílio emergencial de R$ 400 que vai durar até o final do ano que vem. Tem muita gente dizendo que não podemos aceitar, é auxílio emergencial eleitoral. Não, eu não penso assim. Penso que faz mais de cinco meses que o PT pediu um auxílio de R$ 600. Aliás, o PT pediu e mandou uma proposta para a Câmara dos Deputados de um novo Bolsa Família de R$ 600. O que queremos é que o Bolsonaro dê um auxílio emergencial de R$ 600. ‘Ah, ele vai tirar proveito disso’, é problema dele”, declarou.

“Se alguém acha que vai ganhar o povo porque vai dar salário emergencial de R$ 600, paciência. Eu acho que o povo merece os R$ 600 e ele tem que dar, não tem que ficar inventando, e nós reivindicamos isso. Não podemos querer que o povo continue na miséria por causa das eleições de 2022”, acrescentou o petista, provável adversário de Bolsonaro no pleito do ano que vem. Mais tarde, Lula compartilhou a mesma declaração em suas redes sociais.

cerimônia de lançamento do Auxílio Brasil, marcada para esta quarta-feira (20), foi adiada, devido à falta de consenso da equipe econômica. Até dias atrás, o Ministério da Economia trabalhava com um valor na faixa dos R$ 300 e elevar o benefício para R$ 400 até dezembro de 2022 custaria cerca de R$ 30 bilhões à União fora do teto de gastos, segundo o governo.

Por outro lado, o valor de R$ 600 para o programa de transferência de renda é defendido pelo PT desde julho do ano passado, quando o partido lançou a proposta do Mais Bolsa Família. O partido calcula que a versão ampliada do programa atenderia a 30 milhões de famílias, ao custo mensal de R$ 19 bilhões.

Por TV Cultura

Justiça arquiva processo contra Lula sobre sonegação de impostos

Mais um inquérito contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi arquivado nesta segunda-feira (18). Processo decorrente da Operação Lava Jato acusava o petista de não pagar impostos referentes à reforma de sítio em Atibaia, SP.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo. O juiz Sócrates Leão Vieira, da 1ª Vara Federal de São Bernardo do Campo, acolheu pedido de arquivamento feito pela defesa do ex-presidente. Os advogados de Lula apontam que, uma vez considerado nulo pelo Supremo Tribunal Federal o material obtido pela Lava Jato, o processo perderia sua base.

Em setembro, a Justiça Federal de São Paulo arquivou investigação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre suposto tráfico de influência em benefício da OAS. 

Outros 20 processos contra o petista foram arquivados após decisão da Suprema Corte que julgou, entre outros fatores, a suspeição do então juiz Sergio Moro.

Por Tv Cultura

Lula: “a cabeça da elite brasileira ainda é escravista”

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-Presidente da República (Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou nesta sexta-feira (15) sobre a fome no país em suas redes sociais. Para o ex-Presidente da República, “o único motivo pra explicar ainda a existência da fome” é que a “cabeça da elite brasileira ainda é escravista”.

O petista ainda caracterizou a fome como um “mal desgraçado”, e colocou o fim dela como a prioridade para o Brasil no momento. “Estamos falando apenas de fome de comida. Mas temos muitas outras fomes. Nós temos fome de desenvolvimento, fome de emprego, fome de saúde, fome de fraternidade, fome de saneamento básico, fome de paz, fome de democracia. E sobretudo a fome de dignidade”, completou.

“Essas pessoas que deram golpe no PT falando que iam mandar a gente numa ‘Ponte para o Futuro’ mandaram a gente direto para o purgatório”, afirmou. O ex-presidente ainda disse que apenas ele e sua “consciência política” podem acabar com a fome no Brasil.

Lula ainda apontou que o problema é utilizado como instrumento de dominação no país. “Não é quem sente a fome que vai poder brigar por ele mesmo. A fome não leva ninguém à revolução, ela leva à submissão. Tira as forças as pessoas. O que leva uma pessoa a lutar é ter resistência física. A arma mais importante para uma guerra é o povo estar de barriga cheia”, escreveu.

Ele também questionou que “Todo mundo discute muito o futuro e a nossa experiência de futuro é que as coisas vêm melhorando para poucos e piorando para muitos. Os ricos ganharam muito dinheiro durante a crise e os pobres ficaram mais pobres. E o povo trabalhador?”

Por fim, o possível candidato à Presidência em 2022 concluiu que “a elite brasileira sabe que a fome existe porque lê nos jornais. Mas quem lê não sente. A fome só sabe o que é quando você acorda de estômago vazio. Quando você vê uma criança morrer porque não ingeriu as calorias necessárias. Essa gente que nós temos que representar.”

Por TV Cultura

Reprovação a Bolsonaro volta a subir, afirma Datafolha

O Instituto Datafolha apurou que a reprovação ao governo do presidente Jair Bolsonaro aumentou ainda mais, passando para 53% entre as pessoas consultadas, segundo uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (17/02) pelo jornal Folha de S. Paulo. É o pior nível desde o início do mandato.

No levantamento anterior, feito em julho, Bolsonaro era rejeitado por 51% dos inquiridos, que avaliaram o governo dele como ruim ou péssimo.

O novo levantamento, que foi realizado de forma presencial entre esta segunda e quarta-feiras, ouviu 3.667 pessoas com mais de 16 anos em 190 municípios e é o primeiro a ser divulgado depois dos atos antidemocráticos do Sete de Setembro, convocados por Bolsonaro e dos quais ele mesmo participou.

Naquele dia, Bolsonaro fez ameaças às instituições do país e, diante de milhares de apoiadores, incentivou à desobediência de ordens do Supremo Tribunal Federal (STF) e a decisões do Parlamento contrárias aos seus interesses.

O posicionamento causou uma imensa onda de críticas de parlamentares, do STF e até de partidos políticos da sua base aliada, levando o presidente a recuar, poucos dias depois, numa declaração à nação, em que assegurou que não teve a intenção de agredir os demais poderes da República.

Na sondagem do Datafolha, o presidente foi avaliado como bom ou ótimo por 22% dos inquiridos, uma oscilação negativa face aos 24% que obteve no levantamento anterior e que já então era o pior índice do seu mandato. 

A percentagem dos que o consideram regular ficou em 24%, o mesmo índice de julho.

A margem de erro da sondagem é de dois pontos percentuais, em ambos os sentidos.

A reprovação ao governo de Bolsonaro mantém uma tendência de alta desde dezembro do ano passado. E mesmo entre o segmento evangélico, uma das principais bases de apoio dele, a reprovação ao governo já subiu 11 pontos desde janeiro e está superior (41%) à sua aprovação (29%).

Eleição presidencial

O Datafolha também afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua liderando a disputa pela Presidência da República, em 2022, com larga vantagem sobre o atual chefe de Estado.

De um modo geral houve pouca alteração nos percentuais das possíveis candidaturas. Na resposta espontânea, quando o entrevistado diz em quem pretende votar, Lula alcança 38% e Bolsonaro, 20%. Em julho eles tinham 42% e 19%.

Nas simulações de primeiro turno, quando são apresentados ao entrevistado possíveis nomes de candidatos, Lula oscila entre 42% e 44%. Já o presidente tem entre 24% e 26%.

No segundo turno, Lula bateria Bolsonaro por ampla vantagem, afirma o Datafolha: 56% a 31%. Em julho os percentuais apurados eram 58% e 31%, também com vantagem para o petista.

Segundo a pesquisa, Lula também venceria um segundo turno contra o pedetista Ciro Gomes e o governador de São Paulo, João Doria, em ambos os casos com mais de 50% dos votos válidos.

Já tanto Ciro como Doria seriam vencedores numa disputa de segundo turno com Bolsonaro, por 52% a 33% e 46% a 34%, respectivamente.

Bolsonaro, Lula e Doria são ainda, nessa ordem, os candidatos com maior rejeição: 59%, 38% e 37%.

Entre os que votaram em Bolsonaro em 2018, 26% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum de novo, 66% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Lula, 46% descartam totalmente Ciro e 40%, Doria.

Por Deutsche Welle

Centrão é “fundo de investimento no fracasso de Bolsonaro”, diz Lula

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (26), que o “centrão” é um “fundo de investimento no fracasso de Bolsonaro”. Na ocasião, o ex-Presidente da República concedia uma entrevista ao programa Jornal da Bahia no Ar, exibido na Rádio Metrópole.

“Centrão não é um partido político. É um fundo de investimento no fracasso de Bolsonaro, por que se tem uma coisa que deputado adora é presidente fraco. Quanto mais fraco tiver um presidente, mais os deputados fazem a farra do boi”, afirmou Lula.

O ex-presidente do Brasil ainda disse que, enquanto o atual representante do país pensa que a parcela o apoiará, os parlamentares estão apenas se colocando a seu lado por questões financeiras. Segundo o petista, Bolsonaro terminará sozinho.

“O que está acontecendo é que o Centrão está tendo a maior fatia de dinheiro da história do congresso, e é importante a gente saber que ainda vai aprovar o orçamento de 2022 no final do ano, e quando os deputados pegarem seu quinhão no bolo partidário eles vão dar no pé”, concluiu.

Por TV Cultura

Justiça rejeita nova denúncia contra Lula sobre sítio em Atibaia

A juíza Pollyanna Kelly Maciel Martins Alves, da 12ª Vara Federal Criminal de Brasília, rejeitou no sábado (21/08) uma denúncia do Ministério Público Federal que pretendia reiniciar a ação penal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do sítio de Atibaia.

Em abril, o plenário do Supremo Tribunal Federal havia anulado as decisões da Justiça Federal de Curitiba contra o ex-presidente em processos da Lava Jato, inclusive o do sítio de Atibaia, por entender que Lula não deveria ter sido julgado naquela vara e que o então juiz Sergio Moro agia com parcialidade contra o petista.

Como resultado da decisão do Supremo, os processos foram encaminhados para a Justiça Federal no Distrito Federal, e o Ministério Público reapresentou a denúncia contra o ex-presidente.

Em sua decisão, Alves afirmou que a decisão do Supremo invalidou parte das provas que haviam sido produzidas com Moro à frente do inquérito, e que o Ministério Público do Distrito Federal não apresentou novos elementos que sustentassem a acusação contra o ex-presidente.

“A justa causa não foi demonstrada na ratificação acusatória porque não foram apontadas as provas que subsistiram à anulação procedida pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou a juíza, que lembrou ser função do Ministério Público apresentar as provas que indiquem a autoria e a ocorrência do eventual crime.

“A mera ratificação da denúncia sem o decotamento das provas invalidadas em virtude da anulação das decisões pelo Supremo Tribunal Federal mediante o cotejo analítico das provas existentes nos autos não tem o condão de atender ao requisito da demonstração da justa causa, imprescindível ao seu recebimento”, escreveu Alves.

Ela também concluiu que a punição a Lula prescreveu, e que não seria mais possível puni-lo pelos supostos crimes indicados pelo Ministério Público no caso do sítio de Atibaia.

A prescrição foi favorecida pelo fato de o ex-presidente ter mais de 70 anos, o que reduz o prazo à metade, e de o Supremo ter anulado decisões anteriores contra Lula que haviam interrompido a contagem do prazo de prescrição. Cabe recurso contra a decisão de Alves.

Relembre o caso

Lula havia sido condenado em fevereiro de 2019, pela 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, a 12 anos e 11 meses de prisão, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro ligados a uma reforma no sítio de Atibaia, que não pertence a ele mas seria usado pelo ex-presidente. A sentença foi proferida pela juíza Gabriela Hardt, que substituía Moro.

À época, a Justiça Federal de Curitiba havia concluído que diretores da Odebrecht e da OAS fizeram a reforma no sítio de Atibaia como forma de propina em troca de favorecimento para suas empresas em contratos com a Petrobras.

A decisão foi confirmada em novembro daquele ano em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que ampliou a pena para 17 anos e um mês.

Outros beneficiados

A decisão deste domingo da 12ª Vara Federal Criminal de Brasília também rejeita a acusação contra outros envolvidos no caso do sítio de Atibaia, como Fernando Bittar, proprietário do sítio e filho do amigo de Lula e ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar.

Alves reconheceu ainda a prescrição contra Emílio Odebrecht, Alexandrino de Alencar e Carlos Armando Guedes Paschoal, da empreiteira Odebrecht, e contra José Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, da empreiteira OAS.

Defesa de Lula comemora

O advogado de Lula, Cristiano Zanin, afirmou em nota que a decisão deste domingo coloca fim “a mais um caso que foi utilizado pela ‘lava jato’ para perseguir o ex-presidente Lula”.

“A sentença que rejeitou a reabertura da ação do ‘sítio de Atibaia’ contra Lula soma-se a outras 16 decisões judiciais nas quais Lula foi plenamente absolvido ou teve processos arquivados, diante da inconsistência das denúncias. Todas estas decisões são igualmente relevantes para afirmar o primado da Justiça e confirmar a inocência do ex-presidente, embora nada possa reparar os 580 dias de prisão ilegal, as violências e o sofrimento infligidos a Lula e sua família ao longo destes cinco anos”, afirmou Zanin.

Por Deutsche Welle (ots)

STF nega que Fux tenha se manifestado sobre Lula nas eleições de 2022

O STF (Supremo Tribunal Federal) negou que o presidente Luiz Fux tenha se manifestado sobre as condições de elegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022.

Em nota, o órgão esclareceu: “O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, jamais se manifestou sobre as condições de elegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com as legislação, cabe à Justiça Eleitoral com base nas regras vigentes avaliar se um candidato preenche ou não os requisitos para ser eleito”.

O posicionamento foi enviado ao canal My News na tarde de terça-feira (29), após a publicação de uma nota que dizia que o presidente do STF, ministro Luiz Fux afirmou a interlocutores que ainda enxerga caminhos para reverter a decisão do colega, ministro Edson Fachin, que permite Lula participar das eleições no ano que vem. 

O órgão reitera que Fux jamais se manifestou sobre as condições de elegibilidade do ex-presidente da República.

Por TV Cultura

Luiz Fux ainda vê caminhos para impedir candidatura de Lula nas eleições de 2022, diz site

(Arquivo)

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux afirmou a interlocutores que ainda enxerga caminhos para reverter a decisão do colega, ministro Edson Fachin, que permite o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  participar das eleições no ano que vem. As informações são do canal My News.

Fux mencionou o uso do princípio da moralidade, dentro da Lei da Ficha Limpa, para barrar a candidatura do petista.

Na avaliação do presidente do STF, a eventual eleição de Lula pode acirrar os ânimos com as Forças Armadas. Sendo assim, não permitir a candidatura poderia evitar riscos de ruptura democrática em 2022.

De acordo com a reportagem, a opinião de Fux não é compartilhada pelos demais ministros da Corte. Para os magistrados, seria muito difícil justificar juridicamente qualquer interpretação tendo em vista não haver condenações contra o petista.

Na última sexta-feira (25), o Ipec (Instituto de Pesquisas Cananéia) divulgou um levantamento, em que mostra Lula liderando as eleições para presidência com 49%, enquanto Jair Bolsonaro (sem partido) tem 23%.

Por TV Cultura

Lula venceria eleição em primeiro turno, mostra pesquisa

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-Presidente da República (Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (25/06) aponta que o petista Luiz Inácio Lula da Silva tem chance de vencer a eleição presidencial de 2022 ainda no primeiro turno. Segundo levantamento do Ipec, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o ex-presidente teria 49% dos votos totais caso a eleição fosse realizada hoje. O percentual equivale a 56% dos votos válidos, suficiente para que ele saia vencedor ainda na primeira rodada do pleito.

Já o atual presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), aparece em segundo lugar, com 23% dos votos totais, ou 26% dos válidos.

Em seguida, aparecem Ciro Gomes (PDT), com 7% dos votos totais, João Doria (PSDB), com 5% e Luiz Henrique Mandetta (DEM), que tem 3%.

Considerando todos os nomes que aparecem na pesquisa, o ex-presidente Lula tem 11 pontos percentuais a mais que a soma de seus possíveis adversários. Os votos brancos/nulos somam 10%. Já o percentual de eleitores que declaram não saber em que votar ou que não quiseram responder é de 3%.

Lula recuperou seus direitos políticos em março, após a anulação de todas condenações contra o petista no âmbito da Operação Lava Jato em Curitiba.

O levantamento do Ipec foi realizado entre 17 e 21 de junho e ouviu 2.002 pessoas, em 141 municípios. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos.

O Ipec foi lançado em janeiro de 2021, por ex-executivos do Ibope, que encerrou suas atividades no início do ano após sete décadas de atuação.

Na quinta-feira, o Ipec já havia divulgado uma pesquisa sobre a avaliação do governo Bolsonaro, que apontou aumento da reprovação do presidente.

De acordo com o levantamento, 24% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom, contra 28% em fevereiro. Já o percentual de brasileiros que avaliam o governo como ruim e péssimo subiu de 39% em fevereiro para 49% em junho.

Os percentuais são similares a uma pesquisa Datafolha divulgada em maio, que apontou a aprovação ao governo Bolsonaro atingiu o menor patamar registrado desde o início de seu mandato em 2019. Naquele mês, o levantamento indicou que apenas 24% dos brasileiros consideram a gestão de Bolsonaro ótima ou boa, uma queda de seis pontos percentuais em relação à sondagem anterior realizada em março. O levantamento mostrou ainda que 45% dos brasileiros avaliam o governo Bolsonaro ruim ou péssimo.

A aprovação ao governo está em queda desde o início de dezembro do ano passado, quando alcançou o maior patamar (37%). A satisfação com a gestão de Bolsonaro passou a cair com o agravamento da epidemia de covid-19 no país, o colapso do sistema hospitalar em diversos estados e a lentidão da campanha de vacinação.

A gestão de Bolsonaro na pandemia é atualmente alvo de uma CPI no Senado, que investiga as ações e omissões do governo federal no combate à covid-19. Desde o registro dos primeiros casos no país, o presidente vem negando a gravidade da doença, que já deixou mais de 500 mil mortos, e ignorando medidas sanitárias reconhecidas cientifica e internacionalmente como necessárias para conter a propagação do coronavírus.

Por Deutsche Welle

jps (ots)

A corrida de Lula para ampliar a frente anti-Bolsonaro

Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidentes da República
(Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

A intensa movimentação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos bastidores da política para ampliar as alianças contra Jair Bolsonaro em 2022 já conseguiu aparar algumas arestas, mas o petista, apesar de reconhecido como um exímio articulador político, está longe de se viabilizar como o candidato que consiga agregar um espectro mais amplo do centro político brasileiro.

A desistência do apresentador de televisão Luciano Huck de disputar a Presidência em 2022 expôs as dificuldades de partidos de centro-direita para encontrar um nome natural, com alta popularidade e chances reais de concorrer com Lula e o atual presidente, Jair Bolsonaro. Ainda assim, o mais provável é que esse campo político apresente uma ou duas candidaturas que tentarão ser embaladas como os nomes do centro.

Os próprios dirigentes petistas reconhecem que uma candidatura de Lula em 2022 ainda estaria ancorada basicamente em alianças de centro-esquerda. A novidade seria a atração do PSB, partido que era dirigido por Eduardo Campos, morto na campanha presidencial de 2014 num acidente de avião.

As filiações do deputado federal Marcelo Freixo e do governador do Maranhão, Flavio Dino, ao PSB, nesta semana, já são resultados das costuras de Lula. Freixo disputará o governo do Rio de Janeiro com apoio do PT. Dino, um dos mais aguerridos opositores de Bolsonaro na esquerda, vai conduzir as alianças no Maranhão e é visto tanto como um candidato ao Senado quanto uma carta na manga para a vice-presidência numa chapa com Lula. O governador tem sido um dos articuladores da frente democrática ampla e foi inclusive procurado, no passado, para conversas com Luciano Huck, quando ele parecia ser a promessa inovadora do centro.

“O movimento que está sendo feito agora não é de costura de alianças eleitorais. É uma costura política para fazermos um enfrentamento a Bolsonaro e ao bolsonarismo. E temos vários setores da sociedade e políticos que, embora não pensem como a gente em termos de desenvolvimento econômico e social, pensam como a gente na defesa da democracia e têm a política como instrumento de construção para a perspectiva futura, e não o ódio, as fake news, a mentira”, afirmou a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, à DW Brasil.

União para garantir disputa eleitoral democrática em 2022

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-Presidente da República (Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

O objetivo de Lula e do partido neste momento, afirma a deputada federal Gleisi Hoffmann, é tentar aproximar esses setores que querem garantir o processo democrático em 2022. Para a presidente do PT, as escaladas autoritárias de Bolsonaro e suas estratégias deixam claro que há, sim, um risco para o processo eleitoral do próximo ano.

“Precisamos ter um campo político amplo e unido para assegurar o processo eleitoral e democrático e não permitir nenhuma saída autoritária”, afirma.

Essa articulação, segundo ela, tem como objetivo também desgastar o governo Bolsonaro, o que poderia culminar num processo de impeachment. A deputada admite que nem todos esses setores em defesa da democracia, que têm dialogado, são favoráveis ao processo de afastamento de Bolsonaro. O que une todos, além da defesa da democracia, diz a petista, é a vacinação contra a covid-19, o funcionamento legítimo da CPI da Pandemia e a defesa de uma renda emergencial para os mais vulneráveis do país.

E as conversas do momento podem desaguar em alianças eleitorais? “Sim, podem. Mas não acho que seja o mais provável”, diz Hoffmann, reconhecendo que alguns partidos de centro, como o PSD e o MDB, poderiam se aproximar de Lula. “O espectro de alianças que tentamos construir são alianças com Psol, PSB, PCdoB. É possível ampliar e construir com outros? É possível, desde que fique claro uma pactuação do programa que vamos defender para o Brasil.” 

A hipótese mais realista, admite a presidente do PT, é que as conversas de Lula com partidos de centro possam desenhar essa frente anti-Bolsonaro ao menos num segundo turno nas eleições presidenciais de 2022.

“Não tem como ir todo mundo com Lula”

“Não tem como imaginar uma unidade contra o Bolsonaro, todo mundo com o Lula. Mas pode ter todo mundo com o Lula numa candidatura que unifique todos. Será que isso não seria possível? Será que o país não exige uma posição desse tipo? Enquanto não é possível, estamos discutindo no campo democrático, contra Bolsonaro”, pregou Roberto Freire, presidente nacional do Cidadania.

À DW Brasil, Freire disse que o Brasil deveria pensar numa construção aos moldes da Hungria e de Israel. Ele pontua que a aliança contra o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reuniu da extrema direita à esquerda, ou seja, não se trata de um sonho impossível. No entanto, pensar que o nome de Lula poderia agregar todas as forças de centro, com a desistência das demais candidaturas, é algo improvável. Freire advoga uma frente que tenha a participação de Lula, mas não sendo ele o candidato.

“Quero dizer para Lula que as pessoas que querem derrotar Bolsonaro querem grandeza, e não exclusivismo. É isso. E eu quero dizer que, com ele, não sei se derrotamos Bolsonaro. Porque incentiva a polarização, e eu não sei se isso vai ter um resultado positivo”, acrescentou.

Presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira afirmou à DW Brasil estar convencido de que o campo da centro-direita – DEM, PSDB e MDB – terá seu próprio candidato à Presidência, e que, obviamente, não será Lula.

“Esse agrupamento deverá ter um nome no primeiro turno. Lula, pelo que se está percebendo, como ele fez em 2002, deve fazer uma candidatura que alcance parte do centro no primeiro turno, mas visando ter o apoio da centro-direita num eventual segundo turno contra Bolsonaro”, analisa Siqueira. Ele diz não alimentar nenhuma expectativa de o centro político se acerte de forma ampla no primeiro turno. “Não vejo essa possibilidade, embora até agora não tenham encontrado um nome [de centro] capaz de catalisar parte da opinião pública. Mas eles terão candidato próprio.”

O PSB, que em 2020 se aproximou de Ciro Gomes (PDT) e adotou um distanciamento intencional do PT, agora amoleceu. O partido, segundo Siqueira, está num processo interno de reformas e só se decidirá sobre a candidatura presidencial em 2022. Mas o presidente do PSB já foi procurado por Lula. Antes com um discurso mais duro contra o petista, Siqueira agora abaixou as armas.

“Sim, temos tido diálogos. Lula me convidou, e organizei uma reunião com ele há dois meses. Há muito tempo não nos falávamos. Ele foi muito respeitoso, e inclusive reconheceu que não é hora de decidir candidato, que a hora é da luta comum contra Bolsonaro.”

O canto da sereia do ex-presidente

Lula também já iniciou o processo de sedução do PSD, partido criado e presidido pelo ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Além das candidaturas de Lula e Bolsonaro, Kassab dá como certas outras duas: a de Ciro Gomes, pelo PDT, e a de seu próprio partido. O ex-ministro tem trabalhado o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ainda filiado ao DEM, mas de malas prontas para o PSD.

“O partido está unido, gosta muito da ideia do Rodrigo Pacheco. Nós entendemos que não é o momento de discutir eleição. Ainda estamos numa fase em que é fundamental fazer o combate à pandemia. Mas o perfil que mais agrada, até agora, é o do Rodrigo Pacheco”, disse Kassab à DW Brasil.

A grande dúvida – e para onde Lula concentra suas atenções – é se o PSD de Kassab poderia apoiar o petista num eventual segundo turno, como declarou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Aprendi, nesses 20 anos de vida pública, que quando você tem candidatura, e nós vamos ter, falar em não estar no segundo turno é suicídio. Só trabalhamos com a hipótese de o nosso candidato estar no segundo turno.”

Apoiar a reeleição de Bolsonaro não está no radar de Kassab. “Se vamos ter candidato próprio, como vamos assumir compromisso com a reeleição dele? Chance zero. Descarto apoio a Bolsonaro ou ao Lula porque nós vamos estar no segundo turno. Mas só definimos no início de 2022”, afirma.

Kassab, que é apontado como um dos melhores analistas dos bastidores da política brasileira, vê Lula candidato com o apoio oficial de PT, PSB, PSOL, PCdoB e Solidariedade, de um lado, e Bolsonaro com PP, PL, Republicanos, PTB e o Patriotas, ao qual o presidente deve se filiar, do outro.

Pelo centro, o caminho do MDB é uma incógnita, mas o ex-ministro acha mais provável a legenda fazer pactos regionais com Lula, nos estados, do que fechar uma aliança nacional. “Dificilmente o MDB estaria numa aliança nacional conosco. Acho que não tem uma liga aí”, admite Gleisi Hoffmann.

Por Malu Delgado, da Deutsche Welle