Morador grava desabamento de prédio em Manaus

Um prédio abandonado desabou na noite desta quinta-feira, 18, na Avenida Henrique Martins, no Centro da capital amazonense. Um vídeo gravado por um morador mostra o momento em que o imóvel desmorona. Até o momento, não há informações de vítimas.

O local era um ponto comercial ocupado por uma sapataria, mas estava desativado após uma cratera abrir na região em 2020. A área afetada pelo buraco também passava por obras da Prefeitura de Manaus, desde outubro deste ano.

(Agência Cenarium/via TV Cultura)

Após o prédio desabar, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMA) deslocou agentes para procurar possíveis vítimas nos escombros, mas informações preliminares do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) apontam que o prédio estava vazio no momento do desabamento.

Barulho

Segundo moradores, o desmoronamento ocorreu após eles ouvirem barulhos de pedra e vidro do prédio quebrando na região. A suspeita é que o dia de chuva tenha piorado a erosão que se formou em frente ao local.

No vídeo registrado, é possível ver o buraco no entorno do prédio. Segundo os Bombeiros, o fato ocorreu às 18h26. Em nota, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), informou que o imóvel desabou sem trabalhadores no local.

“O imóvel estava interditado pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), desde o início das obras. A área também foi interditada pela Defesa Civil do município, e dentro do perímetro demarcado, a Seminf está fiscalizando os trabalhos de implantação das novas galerias de águas pluviais. O local está sendo monitorado 24 horas e o incidente não ocasionou nenhum dano à obra ou ao entorno. Conforme o engenheiro Igor Mendes, fiscal da Seminf, o prédio estava com a fundação exposta e já estava prevista a possibilidade do imóvel ruir. As fortes chuvas registradas nos últimos dias na cidade contribuíram para erodir o solo, ocasionando o sinistro”, diz a nota.

Assista ao vídeo do desabamento:

Por Bruno Pacheco, da Agência Cenarium

Enterrados em cova coletiva de Manaus serão exumados

(Fernando Crispim/Amazônia Real/via Fotos Públicas)

Os corpos de 15 amazonenses que foram vítimas de covid-19 no ano passado serão exumados.

Quando a pandemia se agravou, no mês de abril de 2020, o sistema funerário da região entrou em colapso e foi necessário abrir covas coletivas.

Ontem (2), o prefeito de Manaus, David Almeida, disse que, agora, cada uma dessas pessoas deve ser sepultada individualmente. “Nós já temos espaço para sepultá-las em sepulturas individuais de forma decente e honrada. E nós vamos trabalhar para fazer a exumação: entrar em contato com as famílias, pedir à Justiça e dar um sepultamento digno àquelas famílias, àquelas pessoas que não tiveram nem a oportunidade de ter uma cova, em função do momento difícil que Manaus passou no ano passado”.

A exumação e os sepultamentos individuais ainda não têm data para ocorrer, mas o local que vai receber esses corpos já foi anunciado. Será o cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro do Tarumã, zona Oeste de Manaus.

Por Agência Brasil

Ex-secretário do Amazonas contradiz Pazuello em depoimento à CPI

Marcellus Campêlo, ex-secretário de Saúde do Amazonas (Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo afirmou à CPI da Pandemia nesta terça-feira (15/06) que telefonou na noite de 7 de janeiro para o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello para pedir ajuda no fornecimento de oxigênio hospitalar a Manaus. Campêlo ainda relatou como o ministério tentou promover tratamentos ineficazes durante a crise no estado.

A cidade foi palco de um colapso em sua rede hospitalar no início do ano, com dezenas de pacientes com covid-19  morrendo sufocados por causa da falta de oxigênio medicinal. O caso rendeu um inquérito contra Pazuello no Supremo Tribunal Federal (STF) e é apontado por críticos do governo federal como um dos maiores símbolos do descaso do presidente Jair Bolsonaro e seu círculo em relação à pandemia.

Os senadores tentam precisar o momento exato em que o governo Bolsonaro foi avisado sobre a crise no estado e se a União executou ações para conter o colapso

A afirmação de Campêlo contradiz o depoimento que Pazuello prestou à comissão. O general disse que só teria sido informado sobre problemas no fornecimento de oxigênio no dia 10 de janeiro. Campêlo, por sua vez, afirmou que contatou o então ministro tanto no dia 7 quanto no dia 10.

Apesar de ter falado com Pazuello no dia 7, e também no dia 10, presencialmente, o ex-secretário disse que, de seu conhecimento, não houve resposta por parte do Ministério da Saúde a uma série de ofícios enviados pelo governo local sobre o problema de desabastecimento.

Pazuello já informou datas diferentes sobre quando teria sido alertado sobre os problemas, chegando a apontar dias díspares como 8 e 17 de janeiro, até fixar o dia 10 de janeiro no seu depoimento aos senadores. Documentos do próprio Ministério da Saúde também indicam que ele foi efetivamente avisado em 7 de janeiro.

Questionado ainda se o Ministério das Relações Exteriores atuou para ajudar a levar oxigênio de outros países para a rede hospitalar do Amazonas, Campêlo afirmou que não teve conhecimento de alguma ação nesse sentido.

Críticas

Apesar das afirmações que colocam mais pressão sobre o governo federal, Campêlo minimizou a crise do oxigênio de Manaus afirmando que a cidade registrou a intermitência de abastecimento de oxigênio apenas nos dias 14 e 15 de janeiro. “Não foram apenas dois dias”, interrompeu o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM).

A CPI também exibiu um vídeo com reportagens do final de janeiro que mostravam a extensão do colapso e pessoas comprando oxigênio para parentes que sofriam com a covid-19. “As pessoas não iriam comprar se não tivesse colapsado”, disse o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) também criticou o ex-secretário afirmando que as medidas para lidar com a falta de oxigênio no Amazonas deveriam ter sido tomadas com antecedência, já que os sinais de colapso já estavam escancarados há meses. “Não subestime o nosso raciocínio”, disse a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), mencionando que mais de 2 mil óbitos foram registrados no estado entre os dias 6 e 30 de janeiro.

Pressionado pelos senadores, Campêlo acabou reconhecendo que o governo do Amazonas não comprou usinas de oxigênio para suprir a demanda nem mesmo depois do fim da crise, em janeiro. O ex-secretário disse que foram abertos processos para compra, mas que eles não foram bem-sucedidos.

O senador Eduardo Braga também leu, durante a sessão, uma carta da empresa fornecedora de oxiênio White Martins endereçada ao governo amazonense que alertava para uma eventual escassez do elemento químico já em julho de 2020. Em setembro, a empresa reforçou o alerta. “Não para dizer que você não sabia, que você não poderia comprar uma usina”, disse Braga.

O senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico, disse que o colapso em Manaus ocorreu com a participação de dois gestores (Pazuello e Campêlo) que não tinham conhecimento da área de saúde.

“Sentado na cadeira do Ministério da Saúde, o general que não sabia sequer o que era o SUS. Sentado na cadeira de secretário de Saúde, um engenheiro que não tinha experiência absolutamente nenhuma em medicina sanitária, epidemiológica. Eu acho que esse casamento deu a tragédia de Manaus”, disse Alencar.

Campêlo é investigado por suspeita de fraude na contratação de hospitais de campanha e uso de verbas federais durante a pandemia. Ele comandou a Secretaria de Saúde do Amazonas até 7 de junho, quando pediu para deixar o cargo após ser preso na Operação Sangria. O governador do Amazonas, Wilson Lima, também é investigado no âmbito da mesma operação.

Remédios ineficazes e aplicativo

O ex-secretário Marcellus Campêlo também afirmou que o estado enviou em 31 de dezembro de 2020 um ofício ao governo Bolsonaro sobre a situação cada vez mais grave da saúde no Amazonas. A resposta do governo foi incentivar ainda mais o chamado “tratamento precoce”, o coquetel de drogas ineficazes propagandeado por Bolsonaro e figuras da extrema direita.

Em 4 de janeiro de 2021, os membros do governo amazonense receberam a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro, a “capitã cloroquina”, que já prestou depoimento à CPI. “Vimos uma ênfase da doutora Mayra no tratamento precoce”, disse.

“A visita da doutora, no dia 4, tinha um enfoque muito forte e firme no tratamento precoce. Foi uma reunião gravada, uma reunião aberta, inclusive, à imprensa, onde ela falava isso e falava de um sistema chamado TrateCov a que, depois, nós teríamos acesso”, completou Campêlo.

Ele também falou que o governo federal enviou ao estado 120 mil comprimidos de hidroxicloroquina após a primeira visita de Mayra Pinheiro. O ex-secretário, no entanto, disse que essa remessa foi distribuída a municípios e que o governo do estado não adotou oficialmente “o tratamento precoce”. “A rede estadual não faz tratamento precoce. Não orientava o uso [da cloroquina]”, disse.

Poucos dias depois, Manaus foi palco do lançamento do TratCov, um aplicativo que recomendava indiscriminadamente cloroquina até mesmo para bebês. Pazuello participou da cerimônia de lançamento da ferramenta. Mais tarde, ele tentou argumentar que o aplicativo era um “protótipo” que havia ido ao ar indevidamente, mesmo com a ferramenta aparecendo disponível no site do ministério. Pinheiro também fez um discurso entusiasmado sobre o TrateCov em Manaus.

Indagado sobre o aplicativo, Campêlo disse que no lançamento do aplicativo nem sabia “do que se tratava”.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, perguntou a Campêlo se a suposta tese da imunidade de rebanho gerada pela primeira onda de casos de covid-19 no Amazonas, em 2020, teria influenciado políticas de saúde no estado. “Essa tese nunca foi ventilada em qualquer reunião de que eu tenha participado”, respondeu Campêlo.

Próximos depoimentos

Na quarta-feira, a CPI deve ouvir o ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel. O político é suspeito de ter se beneficiado de esquemas de corrupção durante a gestão da pandemia. Em setembro, Witzel perdeu o cargo de governador após sofrer um processo de impeachment. “Eu irei [à CPI] e vou responder a todas as perguntas”, afirmou Witzel nesta terça-feira à revista Veja.

Na quinta-feira está previsto o depoimento do empresário Carlos “Wizard” Martins, suspeito de ser um dos organizadores do “gabinete das sombras” que operava paralelamente ao Ministério da Saúde para promover drogas ineficazes junto à população. Martins atuou como conselheiro de Pazuello em 2020 e quase foi nomeado para um cargo oficial no ministério, mas a indicação foi retirada após o empresário sofrer críticas por sugerir, sem provas, que o número de mortes por covid-19 no Brasil estava sendo artificialmente superestimado. Nos últimos meses, Martins, um entusiasta da cloroquina, tentou liderar uma iniciativa fracassada para adquirir vacinas para o setor privado.

No entanto, ainda não é certo que o depoimento de Wizard vai mesmo ocorrer. O empresário está nos Estados Unidos, aonde levou sua família para ser vacinada. Membros da CPI reclamaram que Wizard evitou responder a tentativas de contato por vários dias. Na segunda-feira, ele finalmente enviou um ofício ao colegiado solicitando que seu depoimento ocorresse de forma virtual. O pedido foi recusado pela cúpula da CPI, que afirmou que “tomará providências” caso o empresário não compareça. As medidas podem incluir condução coercitiva e retenção de passaporte.

Por  Jean-Philip Struck, da Deutsche Welle

Terremoto no Amazonas foi de 4.7 graus

A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) registrou um tremor de terra na divisa entre o Amazonas e Roraima, no início da madrugada de hoje (28). Segundo o Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), o evento de 4,7 graus de magnitude na escala Richter ocorreu à 0h26.

Em comunicado divulgado pelas redes sociais, a rede informou que o abalo sísmico foi sentido com mais intensidade na região da cidade de Barcelos (AM), no noroeste amazônico, e em Manaus, a cerca de 400 quilômetros de distância. Apesar do susto, até o momento não há registro de danos ou feridos.

Três tremores de terra intensos foram sentidos na Região Norte este ano. Em 31 de janeiro, reflexos de um abalo sísmico de magnitude 5,7 mR, cujo epicentro foi registrado a cerca de 460 quilômetros da capital da Guiana, Georgetown, foi percebido por moradores de Manaus e de Boa Vista (RR). Um segundo evento ocorreu em 10 de março, quando um tremor de magnitude 3,9 foi registrado na região de Presidente Figueiredo (AM).

De acordo com a rede sismográfica, ao menos 31 abalos sísmicos foram registrados na região ao longo dos últimos dez anos, sendo que os tremores de magnitude igual ou superior a 4 mR ocorrem com certa frequência.

Por Alex Rodrigues, da Agência Brasil

Após colapso na saúde, amazonenses parecem não ter medo de nova onda

Aglomeração em Manaus (Bruno Kelly/Amazonia Real/via Fotos Públicas)

No último domingo (04), viralizaram na internet vídeos e posts de uma mega-festa realizada em um condomínio de luxo da Avenida Ephigênio Salles, na zona centro-sul de Manaus. Um dia depois, outras imagens começaram a circular nas redes sociais denunciando um cruzeiro com aproximadamente 60 turistas brasileiros e estrangeiros. Na terça-feira (06), a Polícia Civil interceptou três embarcações de luxo que faziam esses passeios, imediatamente considerados clandestinos. Havia cinco dias, os turistas navegavam tranquilamente e felizes pelo rio Amazonas.

Em períodos normais, festas ou passeios de barco fazem parte da paisagem da Amazônia. Nesta pandemia, esses atos de aglomeração simbolizam a violação às medidas sanitárias para conter o novo coronavírus e um desrespeito às quase 350 mil mortes de Covid-19. Mas traduzem também a postura do governo do Amazonas e, em particular, da prefeitura de Manaus, que já nos primeiros sinais de queda no número de internações e mortes no estado decidiram flexibilizar o isolamento social, apesar dos alertas de que nada está controlado.

A cada fim de semana, o telefone 190 da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas recebe uma média de 600 denúncias de festas clandestinas. As informações são encaminhadas às viaturas da Polícia Militar para verificação das ocorrências – a maioria em Manaus.

Festa em condomínio de luxo em Manaus (Foto reprodução redes sociais)

A festança clandestina do condomínio da Avenida Ephigênio Salles gerou imediata reação nas redes sociais. “Um dia desses estava todo mundo morrendo sem oxigênio. Agora já está desse jeito? Ninguém aprende nem se tiver uma terceira onda”, protestou o internauta Marcos Dias. “Oh coisa linda… Vamos aguardar os próximos episódios do povo fazendo vaquinha para pagar hospital particular”, ironizou Silvio Carlos. “Uma verdadeira vergonha. Falta de empatia”, resumiu Jussara Menezes.

Mesmo sob protestos, esse episódio corre o risco de ficar por isso mesmo. A Polícia Civil, provocada, limitou-se a dizer que investiga a denúncia que estaria relacionada a “um dos” condomínios de luxo localizados na Avenida Ephigênio Salles: Residencial Ephygenio Salles, Greenwood Park, Jardim Vila Rica e Bosque Imperial

Diferente dos turistas do “cruzeiro macabro” que foram encaminhados para a Central de Flagrantes da Delegacia Geral (DG), onde assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e vão responder pelo descumprimento de medidas sanitárias, de acordo com o artigo 268 do Código Penal: “Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa: Pena – detenção, de um mês a um ano, e multa”.

“Boa parte deles (passageiros) é estrangeira, e vieram provavelmente para conhecer a Amazônia, mas em um contexto muito triste. Estamos batalhando, vidas estão sendo perdidas, a polícia está na rua para coibir esse tipo de coisa para que a gente passe rapidamente pela pandemia. Mas, infelizmente, algumas pessoas insistem em desobedecer”, afirmou o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Bruno Fraga.

Cruzeiro macabro teve turistas detidos 
(Foto: Divugação PC-AM) 

A excursão Amazon Immersion, cujo panfleto é todo em inglês, levava os 60 turistas para visitas a comunidades tradicionais indígenas e ribeirinhas. O grupo estava a bordo do iate Anna Beatriz 1. Acompanhavam o comboio as embarcações Hélio Gabriel e Mano Zeca, que não levavam passageiros.

O iate Anna Beatriz 1 tem 19 suítes – sendo uma master com cama de casal e TV de plasma -, e três decks, restaurante, cozinha, sala de jogos, bar e área de entretenimento e lazer com piscina. Na parte de segurança, a embarcação tem dois grupos geradores e uma radar de bordo, GPS e rádio UHF/VHF. O custo cobrando por passageiro no cruzeiro, segundo a polícia, foi entre R$ 6,1 mil a R$ 11,7 mil.

“Constatamos estrangeiros das mais diversas nacionalidades, brasileiros também, pessoas de diversos cantos do país, de alto poder aquisitivo, com acesso à informação. Eles estão desde o dia 2 de abril navegando e passaram por comunidades indígenas. Nós vemos muitos estrangeiros falando sobre a nova cepa aqui no Amazonas, está todo mundo criticando, quando na verdade nós sabemos da fragilidade dos nossos índios em contato com pessoas de fora, principalmente em uma situação dessas”, destacou o delegado Juan Valério.

O fim do isolamento

Fiscalizações fecha estabelecimentos comerciais em Manaus 
(Foto: Herick Pereira/Secom)

Até o dia 19 março, a plataforma Inloco (que teve seu serviço descontinuado em 23 de março), mostrou  que o Amazonas chegou a um  índice de isolamento social de no máximo 40%, bem longe dos 60% registrados no mês anterior; continua caindo. Especialistas veem com preocupação essa postura de decretar, por conta própria, uma volta à normalidade. Mas ela se justifica a partir das orientações dadas pelos poderes estadual e municipais.

O afrouxamento das medidas restritivas no Amazonas teve início a partir de 22 de fevereiro, depois da explosão de casos da segunda onda, que culminou com a crise da falta de oxigênio no Estado, em meados de janeiro, que levou pessoas à morte por asfixia. Bastou que o lockdown parcial implementado pelo governo estadual ajudasse a reduzir o ritmo de contaminação, para as autoridades públicas iniciarem a flexibilização.

O epidemiologista do Instituto Leônidas e Maria Deane, a Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, aponta que a redução no número de casos, alcançada graças às medidas mais restritivas adotada pelo Amazonas, já mostra um recrudescimento. “Neste momento, Manaus já apresenta sinais de reversão da queda [de casos], ou seja, pode ser que nos próximos dias, nas próximas semanas, a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave, portanto de Covid-19, volte a aumentar, mas não sabemos em que velocidade isso vai acontecer, e nem quanto tempo isso vai demorar para de fato se concretizar”, prevê.

Uma das principais vozes de alerta para a gravidade da pandemia no Amazonas, o pesquisador Orellana lembra que a desaceleração no número de casos vinha muito rápida entre janeiro e fevereiro, e que as flexibilizações promovidas pelo governo do Estado acabaram por jogar todo o esforço para a contenção do vírus.  

Cedo para flexibilizar

Movimento na rua Marechal Deodoro, no centro de Manaus
( Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real)

O infectologista Nelson Barbosa também avalia que foi cedo demais para o governo adotar as medidas de relaxamento. “Até porque, como os próprios estudos científicos mostraram, esse vírus faz uma mutação muito rápida. Então, provavelmente, já tem outras mutações do coronavírus e aí o que que pode acontecer? Já que a população do Amazonas só foi vacinada em 9,7%, o risco é muito grande de haver uma terceira onda”, alerta o especialista.

De forma geral, os pesquisadores apontam que o isolamento social ainda é a forma mais eficaz de conter a circulação viral, principalmente por causa do ritmo lento da vacinação no Estado. “Isso [ritmo lento da vacinação] é um reflexo das medidas desastrosas implementadas pelos ministros da saúde e pelo presidente Jair Bolsonaro. O lobby contra a vacina causou condições para que hoje nós vacinamos muito menos do que de fato precisaríamos”, aponta o doutorando de biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Lucas Ferrante, que já fez o alerta de uma possível terceira onda.

O ritmo de vacinação em Manaus, de acordo com Ferrante, ainda é tão pequeno que não é capaz de interferir nas dinâmicas epidemiológicas e propagação do vírus. Até a quinta-feira (8), pouco mais de 607.582 doses de vacinas haviam sido aplicadas em todo o Amazonas, sendo 463.411 na primeira dose e 144.171 na segunda dose. 

“Precisamos adotar medidas mais restritivas para impedir este aumento de casos. Nós precisamos deter isso, principalmente, neste cenário catastrófico que o Brasil vive, onde com o maior número de internações, um novo colapso do sistema de saúde de Manaus seria extremamente preocupante, pois a cidade estaria desabastecida de suprimentos médicos básicos, uma vez que essa demanda aumentou para todo o País”, alerta Ferrante.  

Em todo o território nacional, a Covid-19 já fez 345.025 vítimas até esta quinta-feira (8). Já no Amazonas, o Ministério da Saúde informa que no último ano, mais de 11 mil óbitos foram registrados no estado. Veja o infográfico abaixo:

https://datawrapper.dwcdn.net/PVjYo/1/

Os dados do infográfico são do SRAG 2021 – Banco de Dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave – incluindo dados da COVID-19 atualizados até 28/03/2021. Na nova atualização, publicada em 05/04/2021, a reportagem da Amazônia Real encontrou uma diminuição de 1.335 mortes. Até o fechamento desta matéria, o Ministério da Saúde não explicou a ausência de quase 11% das mortes registradas especialmente no mês de janeiro/21, no estado do Amazonas. A agência aguarda uma resposta do governo federal.

Atividades paralisadas

Movimento na avenida Eduardo Ribeiro no centro de Manaus
(Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real)

Apesar da aparente normalidade, o comércio manauara ainda sente os efeitos da segunda onda de uma forma acentuada. A Câmara de Dirigentes de Lojistas de Manaus (CDL Manaus) estima uma queda de pelo menos 40% no faturamento. “Estamos levantando no mês de abril quantas lojas estão fechadas e não vão abrir. Em abril, vamos verificar qual foi o volume de empregos perdidos”, anuncia o presidente da CDL Manaus, Ralph Assayag.

O Estado do Amazonas está na chamada fase laranja – que corresponde à classificação de risco moderado para a transmissão da Covid-19 -, de acordo com a Matriz de Risco, que segue o padrão de cores e níveis de riscos do documento do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).

Nesta fase, explica Assayag, ainda há restrições de horários nos funcionamentos dos estabelecimentos comerciais. “Os shoppings têm perdido em torno de seis horas de abertura por dia, e aos domingos também que não abre. Os restaurantes noturnos estão fechados. Então, ainda tem muita coisa para acontecer para que a gente possa fazer o levantamento final em relação à perda de faturamento e o impacto da segunda onda da Covid-19 na economia do Estado”, ressalta o dirigente.

O lojista Eduardo Silva, de 49 anos e que há 19 trabalha como vendedor de eletroeletrônicos no centro de Manaus, estima que a atividade caiu “pelo menos uns 80%”. Para ele, a falta do auxílio emergencial nos três primeiros meses do ano foi decisiva para a retenção do comércio. “Era o que estava ajudando a manter o comércio vivo”, disse.

Por que se isolar

Florentino Barbosa da Silva no mercado Adolpho Lisboa, em Manaus 
(Foto: Leanderson Lima/Amazônia Real)

No icônico mercado municipal Adolpho Lisboa, um dos cartões postais de Manaus, Florentino Barbosa da Silva, de 65 anos – “e sete meses”, como ele faz questão de ressaltar – tenta retomar à vida normal depois de quase perder a luta contra a Covid-19. “Eu estive no bico do urubu e voltei”, brincou o comerciante que vende artesanatos, bolsas e chapéus.

Ao todo foram 33 dias internado no Hospital Pronto-Socorro 28 de agosto. A internação aconteceu no dia 14 de novembro de 2020. “Usei até fralda e fiquei sem andar”, recordou. Florentino afirmou que não morreu graças a um dos médicos que lutou para que ele não fosse intubado. Com dificuldade para “lembrar das coisas”, ele lamenta não se lembrar de quem o salvou. 

“Queriam me intubar, mas esse médico disse que não. Ele me levou para a UTI, mas não fui intubado. Todos os dias ele ia lá comigo. Ele foi uma pessoa incrível. Todos ali no 28 de agosto”, disse.

Após receber a alta, Florentino conta que se sente como se tivesse nascido de novo. Sobre o movimento no mercadão? Ele diz que está na casa dos 3%, mas, apesar das dificuldades, sabe que tem o que comemorar: a vida nova e a primeira dose da vacina já recebida. Para aqueles que acham que o novo coronavírus é brincadeira, o comerciante tem um recado: “Se você nunca teve Covid, nem pense em ter. É uma coisa muito perigosa. Tenham cuidado. Usem máscara que essa é a coisa certa”.

Investigações sobre festas em iates de luxo

A reportagem da Amazônia Real questionou com a Polícia Civil a nacionalidade dos participantes do evento “Imersão na Amazônia”, bem como a empresa que organizou a festa nos iates de luxo, e quem seria o proprietário das embarcações. O órgão não respondeu aos questionamentos.

A agência também procurou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) para saber o número de autuações das polícias em festas clandestinas nesta pandemia. Segundo o órgão, entre os meses de setembro de 2020 e abril de 2021, 46 festas clandestinas foram registradas no Amazonas, sendo 40 em Manaus e seis em cidades do interior do estado, respectivamente: Manacapuru, Iranduba, Coari, Benjamin Constant, Tonantins e Novo Airão.

Durante os flagrantes nas festas clandestinas, 494 pessoas foram presas por acusação de desrespeitar as medidas sanitárias para prevenir a proliferação do novo coronavírus.  Mas o número de presos foi menor, pois essas festas, segundo SSP-AM, contaram com as participações de ao menos 20 mil pessoas. A secretaria disse que, em Manaus, a maioria das festas aconteceu em bairros nobres, como o Tarumã, na zona oeste da capital.

Sobre a festa no condomínio de luxo da Avenida Ephigênio Salles, no bairro Aleixo, a Delegacia Geral da Polícia Civil informou à Amazônia Real uma investigação está em curso no 16º Distrito de Polícia. No entanto, no condomínio de luxo ninguém foi preso por fazer aglomerações durante a maior crise sanitária no mundo.

  • Movimento na Feira da Manaus Moderna, no centro de Manaus ( Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real)
  • Movimento na Feira da Manaus Moderna, no centro de Manaus ( Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real)

Por Leanderson Lima, da Amazônia Real 

Variante brasileira pode reinfectar até 61% dos recuperados, diz estudo

Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula apoptótica (azul-petróleo) infectada pelo coronavírus (NIAID/via Fotos Públicas)

A variante do coronavírus detectada pela primeira vez no Amazonas tem potencial de driblar o sistema imunológico e causar reinfecções pelo novo coronavírus, afirmaram cientistas nesta terça-feira (02/03) com base no resultado de um estudo preliminar.

De acordo com pesquisadores do Imperial College London, a variante brasileira, chamada de P1, possui uma “constelação única de mutações” e se tornou rapidamente a variante dominante na região.

De um total de 100 infectados em Manaus que já haviam se recuperado de uma infecção pelo coronavírus, “entre 25 e 61 estão suscetíveis a uma reinfecção com a P1”, afirmou o especialista Nuno Faria, do Imperial College London, que é coautor do estudo preliminar sobre a mutação.

Faria ressaltou, no entanto, ser ainda muito cedo para afirmar se a variante seria resistente às vacinas desenvolvidas até o momento contra a covid-19. “Não há nenhuma evidência conclusiva que sugere que os imunizantes atuais não funcionam contra a P1. Acredito que as vacinas nos protegerão pelo menos contra a doença e possivelmente contra a infecção”, acrescentou.

A variante do Amazonas já foi detectada em ao menos 20 países. Cientistas do mundo todo estão preocupados com a possibilidade de a cepa ser resistente às vacinas.

Detalhes do estudo

Realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford e da Universidade de São Paulo (USP), o estudo indica que a P1 surgiu provavelmente em Manaus no início de novembro. A primeira infecção com a cepa foi identificada em 6 de dezembro.

“Vimos então a rapidez com que a P1 ultrapassou outras linhagens e descobrimos que a proporção da cepa passou de zero a 87% em cerca de oito semanas”, afirmou Faria.

O estudo preliminar, que ainda não foi revisado por outros pesquisadores, sugere ainda que a cepa do Amazonas seja entre 1,4 e 2,2 vezes mais transmissível do que outras mutações, e esse seria “provavelmente” um dos fatores responsáveis pela segunda onda da pandemia no Brasil.

“Provavelmente faz as três coisas ao mesmo tempo: é mais transmissível, invade mais o sistema imunológico, e, provavelmente, deve ser mais patogênica”, afirmou Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora do grupo da universidade que participou do estudo. “Não se podem explicar tantos casos a não ser pela perda de imunidade”, acrescentou.

Baseado num modelo matemático realizado pelo Imperial College London, o estudo analisou genomas de 184 amostras de secreção nasofaríngea de pacientes diagnosticados com covid-19 em laboratórios de Manaus entre novembro de 2020 e janeiro de 2021.

A cidade foi palco de um piores momentos da pandemia no país. A explosão de casos levou à escassez de oxigênio e a um colapso do sistema de saúde no início deste ano.

Por Deutsche Welle

cn/lf (Reuters, Efe, Lusa)

Variante brasileira é mais transmissível e pode levar a reinfecção, sugere estudo

Manaus foi impactada por variante (Ingrid Anne/Pref. de Manaus)

A variante brasileira do novo coronavírus – conhecida como P.1. ou variante de Manaus – provavelmente emergiu na capital amazonense em meados de novembro de 2020, cerca de um mês antes do número de internações por síndrome respiratória aguda grave na cidade dar um salto. Em apenas sete semanas, a P.1. tornou-se a linhagem do SARS-CoV-2 mais prevalente na região, relatam pesquisadores do Centro Brasil-Reino Unido para Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (CADDE) em artigo divulgado em seu site na sexta-feira (27/02).

As conclusões do grupo coordenado por Ester Sabino, da Universidade de São Paulo (USP), e Nuno Faria, da Oxford University (Reino Unido), se baseiam na análise genômica de 184 amostras de secreção nasofaríngea de pacientes diagnosticados com COVID-19 em um laboratório de Manaus entre novembro de 2020 e janeiro de 2021.

Por meio de modelagem matemática, cruzando dados genômicos e de mortalidade, a equipe do CADDE calcula que a P.1. seja entre 1,4 e 2,2 vezes mais transmissível que as linhagens que a precederam. Os cientistas estimam ainda que em parte dos indivíduos já infectados pelo SARS-CoV-2 – algo entre 25% e 61% – a nova variante seja capaz de driblar o sistema imune e causar uma nova infecção. O trabalho de modelagem foi feito em colaboração com pesquisadores do Imperial College London (Reino Unido).

“Esses números são uma aproximação, pois se trata de um modelo. De qualquer modo, a mensagem que os dados passam é: mesmo quem já teve COVID-19 precisa continuar se precavendo. A nova cepa é mais transmissível e pode infectar até mesmo quem já tem anticorpos contra o novo coronavírus. Foi isso que aconteceu em Manaus. A maior parte da população já tinha imunidade e mesmo assim houve uma grande epidemia”, diz Sabino à Agência FAPESP.

A pesquisa teve apoio da FAPESP e está em processo de revisão por pares.

Análises feitas pelo grupo em mais de 900 amostras coletadas no mesmo laboratório de Manaus, entre elas as 184 que foram sequenciadas, indicam que a carga viral presente na secreção dos pacientes foi aumentando à medida que a variante P.1. tornou-se mais prevalente.

De acordo com Sabino, é comum no início de uma epidemia a carga viral dos infectados ser mais alta e baixar com o tempo. Por esse motivo, os pesquisadores não sabem ao certo se o aumento observado nas amostras analisadas pode ser explicado por um fator meramente epidemiológico ou se, de fato, ele indica que a P.1. consegue se replicar mais no organismo humano do que a linhagem anterior. “Essa segunda opção parece bastante provável e explicaria por que a transmissão da nova cepa é mais rápida”, comenta a pesquisadora.

Outro estudo divulgado também na sexta-feira (27/02) por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amazônia indica que em indivíduos infectados com a P.1. a carga viral no organismo pode ser até dez vezes mais alta.

No artigo do CADDE, os pesquisadores relatam que, até 24 de fevereiro de 2021, a variante P.1. já havia sido detectada em seis Estados brasileiros, que ao todo receberam 92 mil passageiros aéreos de Manaus em novembro de 2020. Desses, a maior parte teve São Paulo como destino (pouco mais de 30 mil). Na sequência vieram outras cidades do Amazonas, Pará, Rondônia, Ceará e Roraima. Segundo os autores, portanto, é provável que tenha havido múltiplas introduções da nova variante nesses Estados.

Mutações-chave

O sequenciamento do genoma viral das 184 amostras foi feito com uma tecnologia conhecida como MinION, que por ser portátil e barata possibilita fazer estudos que ajudam a entender o processo de evolução do vírus.

Por uma técnica genômica chamada relógio molecular, os pesquisadores concluíram que a P.1. descende da cepa B.1.128, que foi identificada pela primeira vez em Manaus em março de 2020. Quando comparada à linhagem-mãe, a variante P.1. apresenta 17 mutações, sendo dez na proteína spike – usada pelo vírus para se conectar com a proteína ACE-2 existente na superfície das células humanas e viabilizar a infecção.

Três mutações são consideradas mais importantes – a N501Y, a K417T e a E484K –, pois se localizam na ponta da proteína spike, em uma região conhecida como RBD (sigla em inglês para domínio de ligação ao receptor). É nesse local que ocorre a ligação entre o vírus e a célula humana.

Segundo Sabino, essas três mutações-chave são idênticas às encontradas na variante mais transmissível reportada na África do Sul (B.1.351). Já a variante de preocupação descoberta no Reino Unido (B.1.1.7.) apresenta apenas a mutação E484K na região RBD. Para os autores, os dados indicam ter havido um processo de evolução convergente, ou seja, determinadas mutações que conferem vantagem ao vírus surgiram paralelamente em linhagens de diferentes regiões geográficas. Por seleção natural essas variantes foram se sobressaindo às linhagens anteriormente predominantes nesses locais.

No caso da P.1., relatam os autores, houve um período de rápida evolução molecular e ainda não se sabe por quê. “Surgiram de repente várias mutações que facilitam a transmissão do vírus, algo incomum. Para se ter ideia, a cepa P.2., que também descende da B.1.128, apresenta apenas uma mutação desse tipo”, conta Sabino.

Uma das possíveis explicações para o fenômeno, segundo a pesquisadora, é o vírus ter tido mais tempo para evoluir ao infectar um paciente com o sistema imune comprometido.

“Até que vacinas eficazes estejam disponíveis para todos, as intervenções não farmacológicas [distanciamento social, uso de máscara e higiene das mãos] continuam sendo necessárias e importantes para reduzir a emergência de novas variantes”, ressaltam os pesquisadores do CADDE.

Por Karina Toledo, da Agência Fapesp

Em dois meses, covid-19 mata mais que em 2020 inteiro no Amazonas

(Reprodução)

O estado do Amazonas registrou mais mortes por Covid-19 em 2 meses de 2021 do que durante todo o ano de 2020. Até a última terça-feira (23), foram registradas 5.288 mortes causadas pela doença neste ano. De março a dezembro do ano passado, o total foi de 5.285. 

Os dados são da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), que divulga diariamente o número de mortos por Covid-19. Há uma diferença entre o registro e a ocorrência de mortes devido aos casos diagnosticados após os óbitos. 

O estado vive uma segunda onda de infecções e desde o início da pandemia do novo coronavírus registra 10.573 mortes. O número de casos confirmados até a última terça-feira (23) é de 309.311. O Amazonas enfrentou um colapso no sistema de saúde no mês passado devido à falta de leitos e cilindros de oxigênio; pacientes foram enviados para hospitais de outros estados e a região recebeu doações de diversas partes do Brasil. 

O país registrou 1.370 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas e soma 248.648 óbitos por conta da doença, segundo divulgação do consórcio dos veículos de imprensa. 

Por TV Cultura

Sucesso com ‘Bate forte o tambor’, Zezinho Correa morre em Manaus

Morreu hoje (6) o cantor Zezinho Corrêa, do grupo Carrapicho, famoso pela música Tic Tic Tac, muito tocada nos anos 1990. Ele estava internado desde o dia 5 de janeiro em um hospital particular de Manaus, após testar positivo para a covid-19 e sentir febres e dores no corpo um dia antes.

O cantor chegou a ser intubado e também foi submetido a uma traqueostomia. No dia 7 de janeiro foi transferido para um leito de unidade de terapia intensiva (UTI).

O velório está sendo realizado nesta tarde na unidade Balneário do Sesc, com acesso restrito aos familiares.

Por Agência Brasil

Terremoto atinge a Guiana e é sentido no Brasil

Um terremoto com epicentro Guiana foi sentido, neste domingo (31), por moradores da região norte do Brasil, especialmente Manaus (AM) e Boa Vista (RR), que faz fronteira com o país atingido pelo fenômeno natural. Os tremores também foram sentidos na Venezuela.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), órgão responsável pelo monitoramento de atividades sísmicas ao redor do mundo, o terremoto teve magnitude 5,7 da Escala Richter. 

O epicentro, por sua vez, foi registrado a cerca de 40 quilômetros da fronteira de Guiana com Roraima, mas a relativamente rasa profundidade de 9,7 km, fez com que os tremores chegassem ao Brasil, por volta das 16h.

O Corpo de Bombeiros de Roraima afirmou que continuará em alerta nas próximas 24 horas. Até o momento, porém, não há qualquer registro de destruição ou pessoas feridas. Nas redes sociais, porém, não faltaram testemunhas para registrar o terremoto.

Por TV Cultura