Distribuição de marmitas será mantida pela Prefeitura

A prefeitura de São Paulo vai manter o programa Rede Cozinha Cidadã, que distribui refeições para a população em situação de rua. Segundo o Executivo municipal, a ação passou por uma fase de transição, mas não chegou a ser interrompida.

Na semana passada, a Defensoria Pública e o Ministério Público de São Paulo entraram com uma ação pedindo a manutenção do programa, alegando que a distribuição foi fortemente reduzida de 10 mil marmitas por dia para 800 a partir de setembro.

A ação ressalta a grande relevância da ação, a qual consideram imprescindível à garantia da vida e da dignidade. “Assim, sua abrupta interrupção demonstra o absoluto descaso do administrador público com a vida humana dos mais necessitados, em especial, as pessoas em situação de rua”, diz o texto da ação.

A liminar foi negada pelo juiz da 15ª Vara da Fazenda Pública Kenichi Koyama. Os autores recorreram da decisão.

Segundo a prefeitura, estão sendo distribuídas diariamente 2,3 mil marmitas em quatro pontos na região central, incluindo a região da Luz, Sé e o bairro da Liberdade, onde há concentração de pessoas em situação de rua. Também são distribuídas 13 mil marmitas em diversas comunidades com população em situação de vulnerabilidade por toda a cidade.

Desde o início do programa, em março de 2020, foram entregues 3,95 milhões de marmitas compradas de restaurantes que enfrentavam dificuldades com pandemia da covid-19 por R$ 10 a refeição. O investimento do município nessas aquisições chegou a R$ 39,5 milhões, informou a prefeitura.

Por Agência Brasil

Mulher que doou marmitas nega contaminação; 2 morreram

Integrante de igreja evangélica disse que grupo entregou 50 marmitas na noite das mortes, em Itapevi (SP); polícia disse à jovem que comida tinha “bolinhas pretas”

Marmitas parecidas com a da foto foram entregues aos moradores de rua no centro de Itapevi (SP) | Foto: divulgação

Uma das voluntárias que entregou as marmitas aos moradores de rua, que morreram após consumirem o alimento, negou que elas estavam contaminadas. O caso aconteceu em Itapevi, na Grande São Paulo, na noite desta terça-feira (21/7), e está sendo investigado pela Polícia Civil. 

As vítimas foram identificadas como José Araújo Conceição, 61 anos, e Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, 37. O cão que estava com eles no posto de combustíveis abandonado também comeu o alimento e morreu em seguida. 

A reportagem conversou nesta quinta-feira (23/7), por telefone, com uma mulher de 23 anos, que é membra de uma igreja evangélica de Cotia. Em condição de anonimato, ela contou que esse trabalho com os moradores de rua já é feito há, pelo menos, 10 anos pela igreja. 

De acordo com seu relato, as doações acontecem todas as terças-feiras na parte da noite. Como em Cotia já há outros grupos que fazem esse trabalho, ficou decidido, há dois meses, realizá-lo em Itapevi. Ela conta que o posto de combustíveis abandonado, onde ficavam os dois moradores de rua que morreram, era o primeiro lugar que os voluntários paravam.

“Na terça, estávamos em dois carros. E foi bem rápido. Normalmente, eles [moradores de rua] ficam conversando com a gente. O Vagner [um dos moradores que morreu], inclusive, pede oração, toda vez. Mas nessa terça, ele estava bem agitado, a gente não sabe se era efeito de droga, mas ele estava bem agitado e não pediu oração, como costumava pedir. Então a gente não demorou e seguiu o nosso caminho”, relata.

Um homem que passava pelo posto pegou duas refeições e levou para casa. Quem comeu as marmitas foi sua mulher, uma moça de 17 anos, e seu filho de 11 anos. Os dois passaram mal e foram internados no Hospital Geral de Osasco e no Hospital Geral de Pirajussara, respectivamente. Segundo a Prefeitura de Itapevi, o estado de saúde de ambos é grave.

A voluntária conta que o grupo deixou no local quatro ou cinco marmitas, mas não viu o momento em que esse homem aparece. “Deixamos as marmitas com a contagem certa, com as pessoas que estavam no posto. A gente não entendeu o que houve. Nós não vimos esse homem lá.”

Voluntária mostra imagem de local próximo ao posto onde duas vítimas morreram após comer marmita; a região é repleta de pessoas em situação de rua | Foto: divulgação

A jovem se apresentou à Delegacia de Itapevi nesta quinta-feira (23/7) para prestar depoimento. De acordo com ela, os policiais encontraram, em uma das marmitas deixadas no posto, um pedaço de carne com “bolinhas pretas” que estava “por cima da comida”, dando a impressão que “alguém o colocou lá”. Segundo a moça, a igreja nunca preparou carne para as doações.

“A gente faz salsicha, frango e linguiça. Sempre isso. O investigador disse que é como se alguém tivesse salpicado por cima da comida. Não é uma coisa que estava escondida. Colocaram lá por cima da comida”, disse, em relação ao pedaço com manchas pretas. 

Durante o trajeto, ainda na noite de terça-feira, o grupo seguiu para outros pontos de Itapevi, entregando marmitas e roupas a moradores de rua e também para famílias necessitadas que frequentam a igreja. Uma dessas famílias é a de Luíza Vieira da Silva, que mora na Cohab II com o marido e um casal de bebês gêmeas. 

“Peguei as marmitas por volta das 23h30. Já é a segunda vez que eu pego. Todo mundo em casa comeu, inclusive as minhas filhas, e ninguém passou mal. Tinha arroz, feijão, repolho e salsicha ao molho”, conta.

Ao todo, segundo a voluntária do grupo, foram entregues 50 marmitas. Durante o percurso até a delegacia onde prestou depoimento, ela e seu pai, que também ajuda nas doações, encontraram a última pessoa que pegou as marmitas. Segundo ela, o homem comeu as duas e disse que não passou mal. 

“Estão focando na foto do carro, no momento em que a gente entrega as marmitas, mas, e depois, o que aconteceu? Ninguém está falando. Onde estão as imagens? Quem entrou e saiu do posto?”, questiona.

O delegado responsável pela investigação quer ouvir mais voluntários conhecidos por doarem comida na cidade e aguarda os resultados dos exames necroscópicos, que irá apontar a causa das mortes. O caso foi registrado como morte suspeita a esclarecer.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Itapevi disse que não há atualização do caso e que a investigação está com a Polícia Civil. 

Por Neto Rossi, especial para Ponte

Marmitas contaminadas podem ter matado 2 pessoas

De acordo com a Prefeitura de Itapevi (SP), um cachorro também morreu e duas garotas, de 11 e 17 anos, que se alimentaram da mesma comida estão internadas

Região central de Itapevi onde ocorreu o suposto envenenamento; prefeitura informou o ocorrido na manhã desta quarta-feira (22/7) | Foto: divulgação

Dois homens em situação de rua morreram na madrugada desta quarta-feira (22/7) em Itapevi, na Grande São Paulo, após comerem marmitex contaminada. Um cachorro que também se alimentou da mesma comida morreu. A divulgação foi feita pela própria prefeitura, que também confirmou que a Polícia Civil investiga o caso.

As vítimas foram identificadas como José Araújo Conceição, que foi socorrido pelo Samu (Serviço Móvel de Urgência) e faleceu no Pronto Socorro Central de Itapevi, e Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira, 37 anos, que morreu no mesmo hospital após ser socorrido por testemunhas.

Duas irmãs, uma de 17 anos e outra de 11 anos, que também teriam se alimentado da mesma comida, estão internadas. O pai das meninas aceitou o alimento e levou a comida até elas. A criança está no Hospital Geral de Pirajussara e a adolescente no Pronto Socorro Central de Itapevi, onde aguarda vaga para ser transferida.

De acordo com a Prefeitura de Itapevi, ainda não se sabe qual a substância que teria causado o envenenamento e quem entregou as marmitas para as vítimas. A Guarda Civil do município acredita que há mais pessoas que tenham sido contaminadas e realiza buscas por possíveis vítimas.

A nota assinada pelo prefeito de Itapevi, Igor Soares, também destaca que, as vítimas, não estavam sendo atendidas pelo serviço público que, durante a pandemia, tem funcionado no Ginásio do Centro de Iniciação ao Esporte (CIE). “Lá, recebem café da manhã, almoço e janta, além de terem espaços para banho e dormir, com respeito e dignidade”, destacou o administrador municipal. “Os dois senhores que faleceram já foram abordados por assistentes sociais da Prefeitura, mas não aceitaram ir para o abrigo”, declarou.

Por Neto Rossi, especial para Ponte