Brasil faz acordo com EUA para desenvolvimento militar

Jair Bolsonaro e Donald Trump (Alan Santos/PR/Fotos Públicas)

Brasil e Estados Unidos assinaram ontem (8), no estado americano da Flórida, um acordo na área militar para desenvolvimento de projetos futuros. O Acordo de Pesquisa, Desenvolvimento, Teste e Avaliação (RDT&E, sigla em inglês) vai, segundo o Ministério da Defesa (MD), abrir caminho para aperfeiçoar ou prover novas capacidades militares. É, segundo o ministério, um acordo que balizar os acordos posteriores entre os dois países.

“O RDT&E é um passo inicial para que Brasil e EUA desenvolvam projetos conjuntos na área de Defesa. […] Cada acordo de projeto que venha a ser desenvolvido pelas partes deverá ser executado em consonância com os termos do RDT&E, assim como os respectivos leis e regulamentos nacionais de cada parte”, afirmou o MD, em nota.

O governo brasileiro espera facilitar seu acesso ao mercado norte-americano na área de defesa, bem como facilitar a entrada de produtos brasileiros em outros 28 países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A OTAN é uma aliança militar intragovernamental da qual o Brasil não faz parte, mas em agosto do ano passado, os Estados Unidos designaram o Brasil como aliado militar preferencial do país fora dessa aliança.



“É uma afirmação dos fortes laços existentes entre as nossas Forças Armadas, laços que continuam crescendo. Assinamos um acordo histórico esta manhã, que abre caminho para um compartilhamento e desenvolvimento ainda maior. Hoje discutimos sobre oportunidades e ameaças que minam a democracia e a estabilidade nos Estados Unidos e no Brasil”, disse o Almirante de Esquadra da Marinha americana, Craig Feller, após a assinatura do acordo.

Em seu discurso, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, seguiu na mesma linha e exaltou a parceria com o país norte-americano.

“Temos os Estados Unidos como um parceiro importante. Estivemos juntos pela democracia e liberdade na Segunda Grande Guerra e hoje estamos discutindo aspectos do ambiente regional. […] Hoje mais um acordo inédito que assinamos com os Estados Unidos, e que poucos países têm, para o desenvolvimento na área de defesa, pequisa, tecnologia, testes, avaliação e desenvolvimento nos aspectos que concernem a defesa”.

A assinatura do acordo ocorreu durante a visita do presidente Jair Bolsonaro ao Comando Militar do Sul, responsável por coordenar as operações militares dos Estados Unidos no Caribe, Centro e América do Sul. A previsão é de que Bolsonaro permaneça nos Estados Unidos até terça-feira (10).

Integram a comitiva brasileira, além do presidente e assessores próximos, os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), além do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que escreveu, no Twitter, que “Brasil e EUA, antes de mais nada, trabalham para serem países prósperos, apostando no livre mercado, num Estado menor, apoiando a legítima defesa através de armas e respeitando os valores judaico-cristãos da maioria de nossas sociedades.”

Bolsonaro vai visitar instalações militares nos EUA

O presidente Jair Bolsonaro e parte de sua equipe ministerial embarcam, neste sábado (7), para uma viagem de quatro dias a Miami, nos Estados Unidos. A agenda inclui encontros com políticos e empresários norte-americanos, assinatura de acordos e visita às instalações militares do Comando Sul, que é a unidade das Forças Armadas do país responsável pela cooperação de segurança e operações militares nos países da América Central e do Sul. Por enquanto, um encontro entre Bolsonaro e o presidente Donald Trump não está previsto.

De acordo com o Palácio do Planalto, Bolsonaro e ao menos seis ministros viajam na manhã de sábado. Está prevista uma escala técnica em Boa Vista, para abastecimento. Na ocasião, o presidente deve se reunir com autoridades do estado. A chegada a Miami está prevista para às 15h30 do mesmo dia, horário local. Na primeira noite em solo norte-americano, o presidente brasileiro participará de eventos privados.

Na manhã de domingo (8), Bolsonaro e ministros visitarão o Comando Militar do Sul, que fica nos arredores de Miami. Eles serão recebidos pelo general que administra a unidade militar e, além de conhecer as instalações, devem assistir a uma apresentação. Uma mesa-redonda entre autoridades militares dos dois países também está prevista.

No dia seguinte, segunda-feira (9), o presidente se encontra com os senadores Marco Rubio e Rick Scott, ambos integrantes do Partido Republicano, o mesmo do presidente Donald Trump, e com o prefeito de Miami, Francis Suarez. Na sequência, a comitiva brasileira participará da sessão de abertura de seminário empresarial Brasil-EUA. O secretário especial da Pesca, Jorge Seif, e o presidente da Embratur, Gilson Machado, devem fazer uma apresentação sobre oportunidades de investimento em aquicultura e turismo, respectivamente, aos empresários norte-americanos. Além deles, fazem parte da comitiva os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fernando Azevedo (Defesa), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).



No mesmo dia, Bolsonaro ainda se encontra com representantes da comunidade brasileira na Flórida e com pastores locais. Na terça-feira (10), Bolsonaro participa da abertura de outra conferência empresarial entre investidores dos dois países e, em seguida, viaja para Jacksonville, também na Flórida, para visitar as instalações de uma fábrica da Embraer. Em seguida, a comitiva brasileira embarca de volta ao país, novamente com escala técnica em Boa Vista. A chegada do presidente a Brasília na madrugada de quarta-feira (11).

Segundo o porta-voz do Palácio do Planalto, Otávio Rêgo Barros, a visita de Bolsonaro aos EUA vai reforçar as relações diplomáticas entre os dois países. Ele também destacou a forte relação comercial e cultural entre o Brasil e o estado norte-americano da Flórida. “Essa visita do presidente Bolsonaro à Flórida servirá para reforçar os vínculos com um dos principais estados americanos, que abriga uma comunidade de cerca de 400 mil brasileiros, e mantém comércio de mais de US$ 20 bilhões com o país. O Brasil, por sua vez, é o maior importador de produtos da Flórida e o terceiro maior exportador, destacando, ainda, a importância daquele estado como destino turístico para brasileiros, sendo atualmente o terceiro país que mais envia viajantes àquele estado americano”, afirmou.

O governo não adiantou os possíveis acordos que deverão ser assinados durante a visita. A expectativa é que um acordo relacionado a compras de aeronaves da Embraer possa ser formalizado.

Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil

Fim de prisão disciplinar para PMs pode ser caminho para desmilitarização

Por Maria Teresa Cruz

Adilson Paes de Souza afirma que mudança de decreto-lei do regime militar pode evitar injustiças contra policiais

PM da reserva afirma que medida foi acertada pois pode evitar injustiças | Foto: divulgação

A pena de prisão disciplinar administrativa para policiais militares e bombeiros militares de todo o Brasil foi extinta. A alteração no decreto-lei 667, de 2 de julho de 1969, portanto promulgado no regime militar, foi assinada na quinta-feira (26/12) pelo presidente Jair Bolsonaro. A decisão não impacta em prisões judiciais, que continuam podendo ser utilizadas de forma preventiva e com o intuito de punir os maus profissionais contra crimes e abusos cometidos no exercício da função. 

A lei tem abrangência federal, mas os critérios e escalas de punição de transgressões disciplinares nas polícias militares são definidas em cada estado.

Para Adilson Paes de Souza, tenente-coronel reformado da PM paulista, mestre em Direitos Humanos e autor do livro “O Guardião da Cidade – Reflexões sobre Casos de Violência Praticados por Policiais Militares (Escrituras, 2013)”, a alteração foi acertada. Ele afirma que o ideal é que o decreto fosse extinto, mas que a mudança é um bom sinal e que vai na direção da desmilitarização da Polícia Militar. “Achei uma medida acertada, porque essa questão da privação de liberdade por medida administrativa, ou seja, detenção ou prisão, pode trazer injustiças”, afirma. 

Souza explica que o decreto 667 é uma herança da ditadura militar e foi o ápice do processo de militarização da Polícia Militar. “Esse decreto é perigoso, ele cita expressamente o AI-5 como fundamento, que foi um dos piores, ou o pior instrumento baixado pela ditadura, que dizimou direitos civis e garantias constitucionais, inclusive dos policiais militares”, pontua. “Essa é mais uma prova do mal que a militarização das polícias causa. E no caso, para os próprios policiais militares. Essa medida do Bolsonaro eu posso entender como uma espécie de sinalização da desmilitarização”, afirma. 

Alterações do decreto-lei 667

“Isso vai ser bom para os policiais verem que quando a gente pleiteia pela desmilitarização da polícia, a gente não quer acabar com a PM. A gente quer acabar com as injustiças que esse modelo militarizado traz para os civis que são alvos da ação da polícia e para os próprios policiais militares inseridos em um ambiente militarizado e de restrições”, avalia o PM da reserva.

O tenente-coronel reformado da PM Adilson Paes de Souza explica que nos países com democracias bem estabelecidas, a atividade de policiamento é eminentemente de cunho civil. “Nos EUA, quando você vê ‘militar police’ é a polícia do Exército, não é a polícia que vai patrulhar as cidades”, continua. 

Na sua longa experiência dentro da corporação e agora como pesquisador da área de segurança pública, Adilson conta que viu policiais sendo presos por conta de processos com falhas e sem ter a quem recorrer. “Quem acusa um policial de cometer uma falta disciplinar? O comandante dele, que faz um documento, um termo acusatório, que inicia o processo disciplinar administrativo. E é esse mesmo comandante quem julga. O fato de o comandante instaurar o processo e ele mesmo julgar pode afetar a imparcialidade necessária para apreciar os fatos. Mesmo constituindo advogado próprio e produzindo provas, já vi comandante ignorar e punir policial”, critica. 

Por fim, Adilson aponta que a mudança no decreto coaduna com o que considera garantia constitucional do devido processo legal e amplo direito à defesa. “Policiais precisam ser tratados como cidadãos, merecedores de direitos. Eles não podiam impetrar habeas corpus frente a uma prisão injusta. Tinham que entrar com mandado de segurança, que é muito demorado. Às vezes acontecia de o policial cumprir a pena mesmo injusta e ao final nem tinham avaliado o mandado de segurança”, explica o PM aposentado.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública emitiu uma nota nesta sexta-feira (27/12) elogiando o fim da prisão administrativa de policiais militares e bombeiros no que se refere especificamente às transgressões disciplinares. “Trata-se de uma demanda histórica do setor, sobretudo de praças que atuam nas corporações. A lei acaba com as prisões administrativas para transgressões disciplinares, que muitas vezes decorrem de punições arbitrárias ou subjetivas, a depender do entendimento particular dos comandantes, e sem critérios muito claros para sua aplicação”, apontou o texto.

*Esta reportagem foi publicada originalmente pela Ponte

Condenados 42 PMs envolvidos com chefe do PCC

Por Josmar Jozino

Penas variam de 5 a 83 anos por cobrança de propina de quadrilha ligada a Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, braço direito de Marcola e maior traficante do Brasil

PMs fariam vistas grossas para o grupo criminoso mediante o pagamento de propina (Divulgação/SSP)

A Justiça Militar condenou 42 dos 53 policiais militares do 22° Batalhão (Jardim Marajoara, zona sul), acusados de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa do país.

Escutas telefônicas feitas com autorização judicial apuraram que os PMs trabalhavam para uma quadrilha ligada a Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, o maior traficante de drogas do Brasil.

Foragido há mais de 20 anos, Fuminho é o braço direito de Marco Willlians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelo MPE (Ministério Público Estadual) como o líder máximo do PCC.

O soldado Islei Fabiano da Silva Braz foi o último dos réus a ser julgado – na semana passada – e também foi o que recebeu a pena mais alta entre os demais condenados: 83 anos de prisão. A Ponte não conseguiu contato com a advogada dele. 

Dentre os 53 réus denunciados à Justiça Militar pelo Ministério Público, 32 eram soldados, 13 cabos, sete sargentos e um subtenente. A Justiça absolveu 11 acusados.

Os PMs foram presos em dezembro de 2018 durante a deflagração da Operação Ubirajara, nome do bairro onde, segundo as investigações, eles cobravam propinas de integrantes do PCC para permitir o tráfico de drogas na região patrulhada pelo 22° Batalhão.

Segundo o Ministério Público Estadual, os militares exigiam dos traficantes pagamentos periódicos, semanal ou quinzenal, para não reprimir a comercialização de drogas. As propinas variavam de R$ 300,00 a R$ 50.000,00.

Os policiais militares foram acusados pelos crimes de concussão, corrupção passiva, falsidade ideológica, violação de sigilo funcional e associação do tráfico de drogas.

As penas impostas aos militares variam de cinco anos e quatro meses a 83 anos e dois meses de prisão. Um cabo já havia sido foi condenado a 68 anos e seis meses e outro, a 63 anos de reclusão.

Os réus considerados culpados pela Justiça cumprem pena no Presídio Militar Romão Gomes, na Água Fria, zona norte da cidade de São Paulo. Todos entraram com recurso contra a decisão judicial.

Uma das provas do envolvimento dos PMs com a quadrilha de Fuminho foi a prisão do traficante Sandro Gomes da Silva, preso em fevereiro do ano passado.

Na denúncia do Ministério Público consta que dois PMs do 22° Batalhão prenderam Sandro com grande quantidade de drogas, mas exigiram R$ 10.000,00 para não apresentá-lo como traficante na delegacia de Polícia Civil do bairro.

Em uma das escutas telefônicas, interceptada em 19 de fevereiro de 2018, Sandro pede maior prazo aos PMs para pagar parte da propina exigida pelos policiais corruptos.

Em outro trecho monitorado, o traficante diz que vai mandar um “salve” (recado) para Venceslau, ou seja, a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde até hoje estão presos líderes do PCC – outra parte foi transferida para presídios federais. Essa conversa demonstra a relação de Sandro com a cúpula da facção criminosa.

Fuminho é um dos criminosos mais procurados do país. O nome dele também consta na relação de procurados da Interpol. A Polícia Civil de São Paulo acredita que Fuminho está foragido na Colômbia e que deu entrada naquele país usando documentos falsos.

*esta reportagem foi publicada originalmente neste link: https://ponte.org/justica-condena-42-pms-por-ligacao-com-chefe-do-pcc-nas-ruas/

Fim da prisão administrativa para PMs entra na pauta do Senado

Por  Marcelo Brandão

Viatura da Corregedoria da Polícia Militar (Arquivo/Polícia Militar/Reprodução)


O Senado pode votar esta semana um Projeto de Lei (PL) que extingue a prisão administrativa de policiais militares e bombeiros como punição para transgressões disciplinares. O projeto está na pauta de votações do plenário para a próxima terça-feira (10) e foi relatado pelo senador Acir Gurgacz (PDT-RO).

O projeto propõe que essas corporações sejam regidas por um código de ética e disciplina, aprovado por lei estadual específica. Além disso, esse código de ética deve regulamentar o devido processo administrativo-disciplinar, definir as sanções disciplinares e vedar a restrição de liberdade.

O PL foi apresentado originalmente na Câmara, em 2014, pelo deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG) e pelo então deputado, hoje senador, Jorginho Mello (PL-SC). Na justificativa do projeto, os parlamentares afirmam que a Constituição de 1988, que encerrou o regime ditatorial, não contemplou policiais e bombeiros militares na garantia de direitos.

“A cidadania ainda não chegou para os policiais e bombeiros militares. Isto porque, a partir de decretos estaduais – flagrantemente inconstitucionais – mantêm-se a pena de prisão para punir faltas disciplinares, sem que seja necessário sequer o devido processo legal. Basta uma ordem verbal do superior hierárquico”, justificaram os parlamentares no PL.

Gurgacz acredita que o projeto valoriza o trabalho do policial, mantendo-os mais tempo em serviço. “Não é correto uma punição por algo simples, que acontece em quartéis, e tira a possibilidade de eles estarem atuando. Com isso, estamos atualizando essa lei, dando uma importância maior para os policiais militares e para os bombeiros”, disse o senador para a Agência Senado, quando o projeto foi apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça, em 2017.

O projeto foi aprovado na Câmara em outubro de 2015 e seguiu para o Senado. Depois de uma longa tramitação, ele foi incluído na ordem do dia do Senado.

Bolívia pode revogar decreto que livra militares de punição

Por Marieta Cazarré, correspondente em Montevidéu

(Twitter/Reprodução)


O governo interino da Bolívia está disposto a revogar o decreto 4078, assinado na semana passada, que isenta as Forças Armadas de responsabilidade penal. Em troca, o governo exige avanços no diálogo com os setores mobilizados e o desbloqueio de estradas.

O decreto 4078, que foi assinado sem o apoio da maioria do parlamento, define que “o pessoal das Forças Armadas que participa das operações de restauração da ordem interna e da estabilidade pública ficará isento de responsabilidade criminal quando, em cumprimento de suas funções constitucionais, atuar em defesa legítima ou estado de necessidade, em conformidade com os princípios de legalidade, necessidade absoluta e proporcionalidade”.

Hoje (21), o ministro da Presidência, Jerjes Justiniano, afirmou que o pedido de revogação do decreto foi feito por setores mobilizados e que, em contrapartida, ele solicitou que desbloqueiem a planta da empresa pública de gás YPFB. O cerco a essa planta impede a normal distribuição de gás e petróleo e atinge, principalmente, as cidades de El Alto e La Paz.

Revogação

“Podemos revogar, não se trata de uma conversa de surdos. Revogamos, damos um passo. E vocês que passo vão dar para continuar o diálogo?”, questionou o ministro. Nas próximas horas, representantes do governo se reunirão com líderes dos movimentos de oposição para analisar propostas e tentar avançar rumo à pacificação dos conflitos.

Na terça-feira (19), pelo menos três pessoas morreram em um conflito na região de Senkata, onde está situada a planta da YPFB. Manifestantes dinamitaram os muros da empresa, incendiaram veículos e tentaram invadir a planta. O conflito ocorreu enquanto um forte operativo policial dava proteção a caminhões carregados de gás e petróleo, que saíam do local para abastecer El Alto e La Paz.

Justiniano lamentou as mortes, mas insistiu que nenhum disparo foi feito pelas forças policiais. “O uso da força militar foi absolutamente proporcional”, afirmou.

Autoproclamada presidente da Bolívia promete eleições, mas não diz quando

Por  Télam

Jeanine Áñez reunida com militares bolivianos (Senado da Bolívia/via Fotos Públicas)


A autoproclamada presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, anunciou nesta quarta-feira (13) que, além de convocar eleições, o outro objetivo de seu governo será a revogação da decisão constitucional que permitiu a Evo Morales disputar o quarto mandato.

Jeanine disse que será garantido um processo eleitoral limpo e transparente, no qual “todos os cidadãos que atendem aos requisitos constitucionais” possam participar. “Este mandato presidencial estritamente provisório terá dois objetivos fundamentais: a revogação da sentença inconstitucional 0084/2017, de 28 de novembro de 2017, e a convocação de eleições gerais, no menor tempo possível, conforme estabelecido pela Constituição”, afirmou Janine, em entrevista à imprensa.

A presidente interina pediu a todos os funcionários do estado que retornem imediatamente às suas funções, para que o país comece a voltar à normalidade. Ela afirmou que assumiu a Presidência da Bolívia após consultar o Tribunal Constitucional Plurinacional e depois que as Forças Armadas e a Polícia concordaram com o procedimento.

Jeanine disse que seu mandato é totalmente legal. “Assumo os símbolos presidenciais como a expressão máxima da unidade dos bolivianos, com a única vontade de regenerar democraticamente o país”, afirmou.

Cúpula militar removida

Também hoje a presidente interina mudou a cúpula militar e indicou os novos comandantes das Forças Armadas bolivianas. Em cerimônia realizada no Palácio Queimado – sede do governo boliviano que Morales não usava – ela apresentou o general de Exército Carlos Orellana como novo comandante das Forças Armadas, e os novos chefes do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

Câmara e Senado avaliam situação

A Câmara dos Deputados iniciou, na tarde de hoje, sessão especial solicitada pela oposição para tratar projectos referentes à situação institucional na Bolívia.

A sessão é realizada a pedido de vários blocos partidários oposicionistas, que afirmam repudiar o que consideram “golpe de Estado” na Bolívia e defendem “uma saída democrática” para a situação do país.

O Senado também abriu uma sessão especial para debater o tema, com o quórum justo.

Ontem (12) Jeanine Áñez, da Unidade Democrática, declarou-se presidente da Bolívia, em uma sessão em que não havia quórunm, porque a bancada do MAS, partido liderado pelo ex-presidente Evo Morales, não estiava presente no Congresso. Ela alegou que assumiria imediatamente” a Presidência da Bolívia, ao considerar que a situação de vacância no país, devido à renúncia do presidente Evo Morales, e do vice-presidente Álvaro García Linera, que seguiram para o asilo político no México. Também renunciaram aos cargos os presidentes do Senado e da Câmara e o primeiro vice-presidente do Senado. Como segunda vice-presidente da Casa, Jeanine Áñez entendeu que cabía a ela assumir o posto deixado vago por Morales.

Ditadura: Relator vota para reexaminar caso Riocentro

Por André Richter

(Reprodução)

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Rogério Schietti votou hoje (28) pela retomada do processo que trata do caso Riocentro, atentado à bomba frustrado, ocorrido em maio de 1981. A ação é resultado de um recurso do Ministério Público Federal (MPF). 

Shietti, que é relator do caso, votou pela retomada do processo, por entender que os ex-militares supostamente envolvidos no atentado, de acordo com o MPF, devem ser processados porque crimes contra a humanidade são imprescritíveis, o que significa que não têm prazo para serem julgados.

A Terceira Seção do STJ começou a julgar hoje (28) o recurso do MPF para reabrir o processo do caso Riocentro. Após o voto do relator, o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Reinaldo Soares da Fonseca. Não há data para a retomada do julgamento. 

Ao trancar a ação penal proposta na primeira instância, a Justiça Federal do Rio entendeu que os acusados não podem ser mais punidos porque a pretensão punitiva prescreveu. Para o MPF, o atentado caracterizou-se como crime contra a humanidade, sobre o qual não incidem regras de prescrição. 

O crime conhecido como Atentado do Riocentro ocorreu no dia 30 de abril de 1981, quando uma bomba explodiu e matou o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que estava ao lado do capitão Wilson Machado, dentro de um automóvel Puma. A bomba explodiu no colo de Guilherme. O veículo ficou totalmente destruído. Wilson sobreviveu. Uma outra bomba também explodiu dentro da casa de força do Riocentro, onde cerca de 20 mil pessoas assistiam a um show em homenagem ao Dia do Trabalhador.

PM abre inscrição de concurso para soldado

Começa na próxima quinta-feira (15) o prazo para inscrição no concurso da Polícia Militar do Estado de São Paulo para o cargo de Soldado PM de 2ª Classe.

O cadastro pode ser feito no site da Fundação Vunesp até 25 de setembro e a taxa custa R$ 50. São 2.700 vagas, com salário inicial de R$ 3.164,58.

As atividades do PM de 2ª classe incluem “o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública, envolvendo a repressão imediata às infrações penais e administrativas e a aplicação da lei, nas diversas modalidades de policiamento”.

Para concorrer, o candidato precisa ser brasileiro, ter no mínimo 17 (dezessete) anos de idade e no máximo 30 (trinta) anos, possuir estatura mínima, descalço e descoberto, de 155 cm (cento e cinquenta e cinco centímetros) para mulheres e 160 cm (cento e sessenta centímetros) para homens e ser habilitado para condução de veículo motorizado nas categorias “B” e “E”.

*Com informações do Governo do Estado de SP

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Entra em fase final de testes o maior avião militar do Brasil

(FAB/Reprodução)

A Força Aérea Brasileira (FAB) está em fase final de testes do KC-390, a maior aeronave militar já desenvolvida e produzida no Brasil. Robusta, a aeronave lembra o clássico C-130 Hércules, avião militar de transporte de tropas e cargas. Mas o KC-390 foi desenvolvido para atender demandas acima das já cumpridas pelo Hércules.

Desenvolvido pela Embraer Defesa e Segurança, o KC-390 poderá atuar em diversos cenários e em pistas não preparadas. Após o término da fase de testes, ele poderá cumprir missões de transporte de cargas e tropa, lançamento de paraquedistas, reabastecimento em voo, apoio a missões humanitárias, combate a incêndios florestais, busca e salvamento e evacuação aeromédica. Sua velocidade máxima é de 870 km/h.

Sua capacidade de transporte é um capítulo à parte. São 18,5 metros de comprimento, 3,45 metros de largura e 2,95 metros de altura reservados ao transporte de até 23 toneladas de cargas. O KC-390 pode receber blindados, peças de artilharia, equipamentos de grandes dimensões, armamentos e até outras aeronaves.

O KC-390 tem autonomia de voo de 2.730 quilômetros de distância com a carga máxima. A elevada autonomia de voo será um trunfo em missões de busca. Sem carga, o avião pode percorrer 5.958 km de distância.

(FAB/Reprodução)

De acordo com a FAB, 28 unidades estão encomendadas para compor a frota. As duas primeiras serão entregues ainda este ano e ficarão em uma base em Anápolis. Antes, porém, as unidades passam por uma inspeção, para garantir que seus equipamentos estão aptos ao pleno funcionamento. No espírito da multifuncionalidade da aeronave, foram escolhidos pilotos de diferentes especialidades, como transporte, caça e patrulha.

“A proposta é que possamos agregar os conhecimentos das aviações e consolidá-los à doutrina da aeronave para que ela esteja preparada para executar as ações que a Força Aérea Brasileira precisar”, disse o Major Aviador Carlos Vagner Veiga, um dos selecionados para atuar na operação do KC-390, em entrevista à FAB.

Com informações da FAB


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