Evo Morales acusa OEA de se juntar a golpe na Bolívia

Por Marieta Cazarré – Repórter da Agência Brasil em Montevidéu

Evo Morales ao desembarcar para exílio no México (Twitter/via Fotos Públicas)


O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou hoje (13) que a Organização dos Estados Americanos (OEA) se juntou ao golpe de Estado e a chamou de “neogolpista”. As declarações foram feitas em entrevista concedida à W Rádio Colômbia. Morales pediu que militares e policiais não “metam bala no povo”.

“Infelizmente, a OEA aderiu a esse golpe de Estado. Eu recomendo aos novos políticos da América Latina cuidado com a OEA. A OEA é neogolpista para mim”, disse.

Morales está na Cidade do México desde ontem (12). O país ofereceu-lhe asilo político após ele ter anunciado sua renúncia, no último domingo (10).

Em uma auditoria nas eleições bolivianas, a organização internacional concluiu que houve “graves irregularidades” e solicitou que fosse realizado um novo pleito, com novos representantes no Tribunal Supremo Eleitoral, para que houvesse garantia e isenção.

Apesar de ter convocado novas eleições, Evo Morales disse que o documento tinha “tom político” e questionou a credibilidade da auditoria da OEA. Algumas horas após a divulgação da OEA e tendo recebido a “orientação” por parte das Forças Armadas de que deveria renunciar, Morales anunciou que deixaria o cargo.

Na entrevista de hoje, Morales questionou também a atitude da senadora de direita Jeanine Áñez que se autoproclamou presidente interina do país em uma sessão sem a presença de parlamentares do partido Movimento al Socialismo (MAS), de Evo Morales e sem quórum suficiente.

Morales criticou as Forças Armadas e pediu que não “metam bala” na população. “Equipei as Forças Armadas não para que ajam contra o povo, mas para que defendam a pátria. Lamento muito que as Forças Armadas estejam com o golpe de Estado”, afirmou.

Evo renuncia na Bolívia; Bolsonaro, Lula e outros políticos comentam

Evo Morales renunciou e falou em golpe (Freddy Zarco Conde/ABI/via Fotos Públicas)


O presidente da Bolívia, Evo Morales, renunciou hoje (10) após protestos e pressão de militares do país, informam agências de notícias. Evo anunciou a renúncia em transmissão de TV e tinha, ao lado, o vice-presidente, Álvaro García Linera, que também renunciou.

Mais cedo, Evo havia convocado novas eleições gerais. Ele relatou que casa de parentes e políticos foram atacadas durante o fim de semana, inclusive da irmã de Evo Morales.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse, por meio de uma rede social, que “denúncias de fraude nas eleições culminaram na renúncia” do presidente da Bolívia. Bolsonaro completou defendendo a contagem manual de votos também no Brasil.

O governador de São Paulo, João Doria, compartilhou uma notícia sobre a renúncia e chamou Evo de “ditador”, além de afirmar que o mundo comemora a saída do presidente da Bolívia.

Já partidos de esquerda aqui no Brasil reforçaram o discurso de Evo Morales, de que há um golpe na Bolívia. O Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solto na sexta-feira (8), após mais de um ano preso, também se manifestou. Lula lamentou a existência na América Latina de “uma elite econômica que não saiba conviver com a democracia e com a inclusão social dos mais pobres”.

Difusão de notícias falsas no Brasil não tem precedentes, diz OEA

Daniel Mello/Agência Brasil

A chefe da missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Laura Chinchilla fala com a imprensa após reunião com candidato a presidência da República, Fernando Haddad (Rovena Rosa/Agência Brasil)

A presidente da missão de observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) para as eleições brasileiras, Laura Chinchilla, disse hoje (25) que o Brasil enfrenta um fenômeno “sem precedentes” em relação a difusão de notícias falsas. Segundo ela, o fato preocupa o grupo de especialistas que deu o alerta já no primeiro turno das eleições.

“Outro fator que tem nos preocupado, e isso alertamos desde o primeiro turno, e que se intensificou neste segundo, foi o uso de notícias falsas para mobilizar vontades dos cidadãos. O fenômeno que estamos vendo no Brasil talvez não tenha precedentes, fundamentalmente, porque é diferente de outras campanhas eleitorais em outros países do mundo.”

Laura Chinchilla, que é ex-presidente da Costa Rica, reuniu-se hoje, em São Paulo, com o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, a vice na chapa dele, Manuela d’Ávila, e o chanceler Celso Amorim. A reunião foi solicitada pela Coligação O Povo Feliz de Novo.

O grupo de observadores reúne 48 especialistas de 38 nacionalidades. Eles vão se dividir entre o Distrito Federal e 11 estados para o acompanhamento do segundo turno das eleições. Ao final, será elaborado um relatório.

Denúncias

A presidente da missão afirmou que recebeu por escrito as denúncias sobre o esquema supostamente financiado por empresários para o envio em massa de notícias anti-PT utilizando o WhatsApp. Ela disse que repassou as informações para as autoridades eleitorais e policiais brasileiras.

Laura Chinchilla disse que pretende se reunir ainda com a procuradora-geral, Raquel Dodge, para discutir essa disseminação de fake news na internet e em aplicativos. Ela não afirmou, entretanto, quando será o encontro.

Análise

Para a presidente da missão de observadores, o uso do aplicativo de mensagens particulares dificulta o controle das autoridades em relação à disseminação de informações falsas, por ser uma rede privada e protegida.

“Se está usando uma rede privada, que é o WhatsApp, que apresenta muitas complexidades para ser investigada pelas autoridades. É uma rede que gera muita confiança porque são pessoas próximas que difundem as notícias e é a mais utilizada, com um alcance que nunca se tinha visto antes.”

Segundo Laura Chinchilla, o controle está na concientização do eleitorado brasileiro. “Continuaremos insistindo na necessidade que os cidadãos aprendam e façam um grande esforço para distinguir o que é certo e o que não é. Existem muitas iniciativas que estão tentando colocar isso na mesa. Iniciativas que estão se organizando na sociedade civil, nas universidades e nos meios de comunicação.”

Violência

Laura Chinchilla disse que além das fake news, preocupa a missão o tom utilizado em alguns discursos incitando a violência a partir de divergências políticas. Apesar de episódios isolados, ela afirmou que não houve irregularidades registradas no primeiro turno.

“Temos que reconhecer que esse processo eleitoral, onde não encontramos nenhum tipo de irregularidade no primeiro turno e esperamos que seja assim no segundo, foi fortemente impactado por alguns fenômenos ligados ao clima político, sobretudo o discurso, que alertamos, tende a dividir, tende a incentivar a violência política.”

Chegam ao Brasil Integrantes da OEA que vão acompanhar eleição

Alguns dos 48 especialistas de 18 nacionalidades da Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (MOE/OEA) para as eleições gerais do próximo domingo (7) já começaram a chegar ao país. A missão é liderada pela ex-presidente da Costa Rica Laura Chinchilla. É a primeira vez que a OEA acompanha uma eleição no Brasil.

Especialistas e observadores atuarão no Distrito Federal e em mais 12 estados – Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Amazonas, Pará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Haverá ainda um grupo que fará a observação das eleições fora do Brasil.

Em comunicado nas redes sociais, a coordenação da missão informou que os especialistas e observadores vão “fazer um registro detalhado e levantar toda a programação da grupo em território brasileiro”.

Em agosto, Laura Chinchila se reuniu com autoridades brasileiras para conversar sobre a missão. Segundo ela, o objetivo principal das missões de Observação Eleitoral da OEA é acompanhar os pleitos para estabelecer e compartilhar boas práticas e identificar áreas passíveis de melhoria, contribuindo dessa forma para o fortalecimento dos processos democráticos no hemisfério.

Os representantes da missão acompanharão a fase final da campanha eleitoral e o primeiro e segundo turnos da eleição.

Dados

O número de missões cresce progressivamente, assim como o de países que as solicitam, já tendo sido realizadas, desde 1962, mais de 240 missões em 28 dos 34 Estados-membros da OEA.

Para a realização de uma MOE/OEA, a Secretaria-Geral da organização e o país anfitrião celebram dois acordos que estabelecem as condições para que a missão possa realizar seu trabalho com independência e autonomia: o Acordo de Procedimentos para Observação Eleitoral, que, no caso do Brasil, foi assinado entre a OEA e o TSE em dezembro de 2017, e o Acordo de Privilégios e Imunidades, assinado pela chefe da MOE e pelo ministro Aloysio Nunes Ferreira.